Esquecimento

13 O sentimento de não querer: colocando os sentimentos a tona


Notas iniciais
Eeei... O cap de hoje é um povs da Sakura. Como esse cap era só para desenrolar as coisas, quero postar um no mais tardar amanha. Pois Sasori já vai entrar em cena e quero deixar as coisas mais apimentadas. Err... possa haver erros, tanto por eu escrever pelo tablet quanto por eu não ser uma fera no português. Então me perdoem, OK? Boa Leitura *--*

Ta tão difícil pra você também né? Um coração vazio, mas sempre de pé, buscando alguma direção. Quantas vezes você me escreveu e não mandou? Pegou o telefone e não ligou? Partiu seu próprio coração. Eu tenho uma má notícia pra te dar, isso não vai passar tão cedo, não adianta esperar. As vezes ficamos bem, mas depois vem o desespero e eu tento esconder... mas vi que pensei em você o dia inteiro.

Lucas Lucco — Só pra te fazer lembrar.

Se me perguntassem há quase um ano o que eu estaria fazendo agora, eu diria:

Estaria com os meus queridos filhos, em meu quarto, assentindo um filme qualquer só para passar o tempo com eles. Mia iria pular no meu colo e pedir cafuné como sempre, beijaria meu rosto e me envolveria com seus pequenos bracinhos. Isso tudo depois de dizer que, do jeito mais fofo, me ama. E eu beijaria sua testa, lhe retribuindo com um "eu amo mais".

Daisuke iria deitar nas minhas pernas, tentando prestar atenção no filme; ele não gosta de assistir filmes. Mas faria porque é tímido — apesar de jurar que não — quando o assunto é demonstrar seus sentimentos. Entretanto, ele suspiraria e se levantaria, depois de um certo tempo, e se renderia. Me daria um dos seus mais belos sorrisos e me abraçaria, dizendo que sempre iria ficar comigo; como sempre faz. E não demoraria muito para eu escutar um eu te amo e ver suas bochechas vermelhas depois do beijo em sua testa.

E para mim esse era o resumo de um vida perfeita.

Ainda sim, eu sofreria depois de colocar meus pequenos para dormir; veria um dos milhares videos que gravamos juntos e sentiria a dor que já era íntima minha. E faria o mesmo ritual de sempre; imaginar como tudo seria se nada tivesse acontecido.

Digo, sobre o acidente. Se ao menos aquilo não tivesse acontecido ele poderia participar de nosso "momento de ouro" como chamávamos. Porque eu sei, eu sei melhor do que todos, todos os desejos de Sasuke.

Eu sei o quanto ele desejava ter uma família comigo. Eu sei o quanto ele desejava ter um menino, somente para jogar videogame com ele, e uma menina para ter um ciúmes bobo de pai. E mais uns dez filhos para lotar a casa, como sempre me dizia.

E eu ria do seu exagero, dizendo que ele que iria cuidar de todos.

Vou cuidar de todos amor...

E isso acabava comigo, me matando aos poucos.

Eu queria estar com ele, queria ver ele do lado de minha cama, me abraçando... me amando...

E hoje, cá estou eu, depois de quase um ano atrás, receber uma ligação; a qual me fez quebrar o telefone celular que possuía. Não disse nada, só escutei o quase um minuto que ele passou falando.

Vou pedir a guarda dessa criança.

Heh, era irônico; nem o nome dela ele falava.

E tudo o que fiz foi apertar aquele telefone como se ele tivesse culpa do que eu acabava de ter escutado.

Raiva, dor, angustia, tristeza, sofrimento...

Todos os sentimentos que eu já tinha, multiplicado por mil.

Quis matá-lo ou ao menos torturá-lo. Eu sabia, tinha certeza; o desejo dele não era em Mia.

Droga, doía em mim saber que ele não a amava do jeito que ela merecia, do jeito que a mãe biológica, minha amiga, a amava.

E sobre tudo como eu, a mãe de um laço tão perfeito quanto era o que eu, ela e Daisuke temos. Eu a amei quando soube de sua existência e dei o apoio que tinha ganhado, de minha amiga, quando estava grávida de Daisuke. Eu a amei tanto quanto sua mãe, que me fez prometer que cuidaria dela em seu leito de morte.

Não era apenas pela promessa, eu estaria sempre ao lado de Mia. E me matava ver o causador da morte da minha amiga — ainda que indiretamente, o genitor dela, o causador de tudo — querendo a guarda dela por um simples capricho.

Não era por ela.

Sempre fui forte, sempre me mantive firme ao menos quando estava rodeada de pessoas. E todas essas pessoas podiam ver meus pontos fracos, que eram visíveis para qualquer um.

Mia e Daisuke, meus filhos, eram meus pontos fracos, os únicos visíveis. E foi sobre esse ponto fraco que ele agiu. Me matando por dentro e me fazendo perder mais noites em claro do que eu poderia imaginar.

E eu sabia que, no fundo, eu estava sendo egoísta e covarde. Eu a amava, e ela era um dos pilares que me seguravam; se eu a perdesse, estaria mais frágil. E sobre meu amor infinito, agi sem nem ao menos pensar sobre como me sentiria.

Tantas tentativas fracassadas, de advogados subornados a desistências, me fizeram tomar uma atitude:

Revirar meu passado e encontrar eles...

Encontrar ele...

Eu havia contratado os melhores advogados dos Estados Unidos; todos me deixaram.

Porque ele era assim, jogava sujo. O tipo de homem que faz qualquer coisa para vencer. E eu sabia disso, sabia que ele era assim, sempre soube. Porque ele era o tipo de homem que tinha tudo e não aceitava um não.

E eu sabia que só tinha uma coisa a se fazer; pedir ajuda deles.

A família ligada a minha, ligada a mim. Pessoas que estiveram comigo a maior parte da minha vida; pessoas que eu só ligava em datas comemorativas depois que fui para Nova Iorque. Pessoas que me ligavam para saber sobre mim sem nunca mencionar o nome ele; o que significava que ele nunca se quer lembrou de mim e eu não precisava perguntar para saber o que era óbvio.

E aquilo me cortava e me fazia ligar menos a cada ano; o que era somente em datas comemorativas passou a ser somente em seus aniversários. Fora isso, só falava quando eles ligavam no meu. Mas eles pareciam entender o meu lado e eu agradeci por isso. Eu queria me desvincular daquele passado. Mas eu sabia que isso não era possível.

Quando enfim fui, nem ao menos avisei. O medo de perder um dos meus bens mais preciosos me empurrou sem medo.

Porém quando o vi, mais maduro, mais homem e mais lindo.. com o mesmo ar bom de quando namorávamos, eu senti que despencaria.

E eu quis me jogar no abismo que havia no fundo da minha alma.

Não foi algo que tinha que acontecer ou que eu sabia que não poderia aguentar: eu quis me jogar na minha tristeza.

No momento em que eu o vi, com sua mão dada a de nosso filho — que ele nem se quer sabia — eu achei que chorar melhoraria. Achei que sentir aquela dor me ajudaria. Entretanto, quando o fiz, naquele mesmo dia, eu percebi que nada iria melhorar.

Eu o amava, simplesmente isso. E sofri por constatar isso; chorando mais ainda.

Entretanto ele me surpreendeu; ele estava gostando de mim?

Oh droga, era tudo que eu não precisava.

Ele mostrou em algumas semanas que o sentimento que eu achei que somente eu nutria, por ele não ter memória, era mais forte do que eu um dia imaginei. E de repente ele era o meu Sasuke...

Sem memórias e sem saber o que de fato acontecia.

Mas era ele.

Era ele nos olhares nada discretos que me dava. Era ele em cada sorriso direcionado a mim. Era ele no suposto primeiro toque, no beijo, nas palavras...

E quando eu me vi, já era tarde, nada mais importava. Eu tentei resistir e fui forte só na minha cabeça, porque em minhas atitudes ele sabia muito bem que eu correspondia.

E se você me perguntar agora o que eu estou fazendo, só posso te responder que nunca imaginei estar o observando nesse momento e o amando com cada parte do meu ser...

Estava deitado, com sua cabeça recostada na janela. Sua respiração calma e seu peito subindo e descendo. Ele não estava dormindo, deveria estar refletindo. Suas mãos encostadas em suas coxas e um semblante sério. Quase ri com a figura em seu lado e tenho certeza que ele deve estar rindo internamente.

Sua cabeça, por conta de estar dormindo, estava recostada no braço de Sasuke. Sua boca entre aberta, mostrando que ele realmente estava dormindo. Seu corpo jogado na cadeira, me fez querer arruma-lo, mas definivamente não queria acabar com aquilo. Ao lado dele, mesma coisa, só que com Mia.

Peguei meu celular, e tirei uma foto, rindo com aquilo.

Duas horas no avião já estavam sendo entediantes, porém eu tinha algo para rir agora, principalmente quando eu mostrasse isso para meu pequeno príncipe.

Não preciso dizer que nada pude fazer contra Sasuke ser meu advogado. Até tentei dizer algo, contudo não podia falar nada pois Sasuke estava lá e definitivamente não poderia soltar um "não quero ele como advogado"

Por quê?

O que ele poderia pensar? Que não era bom suficiente. Ou até mesmo que eu tinha um problema pessoal com ele.

O que de fato era verdade.

Claro que não poderia dizer nada sobre o porquê de não querer.

Mas, sobre tudo, eu quis que ele viesse. Eu até tentei ir contra meus desejos, indo na casa dos Uchiha questionar, porém me dei por derrotada antes mesmo de dizer algo. E tenho certeza que Mikoto percebeu, pois nunca esqueceria seu sorriso que me disse, silenciosamente, que era o certo.

Mas por que era certo? Eu estava omitindo uma parte importante do meu passado.

Do nosso passado.

E aquilo só poderia piorar as coisas.

Mas não era só o desejo de tê-lo por perto que me fazia querer estar com ele.

Eu sentia esperança ao lado dele, sentia que as coisas dariam certo enfim. Porque eu tinha ele ao meu lado e sabia sobre sua conduta. Eu sabia que dessa vez nada tiraria ele de perto de mim...

Me sentia protegida...

Porque ele amava o que fazia e eu sabia que dessa vez não escutaria um "Sinto muito, mas não posso ficar com seu caso"

Confiança e esperança ocuparam o espaço que o medo e a angustia tinha em mim.

E com esse pensamentos, eu sorri. Sorri como não fazia a oito anos, ainda que sorrisse com meus pequenos.

Ele estava ali, iria me ajudar, estava com as pessoas que eu mais amo no mundo.

– Por que não compartilha o motivo de tanta felicidade? — deixei meu sorriso fraquejar, mas não o desfiz. Me deparei com o par de ônix me olhando, como se visse algo além de mim. Um sorriso perfeito, mostrando diversão.

– Só estou feliz — dei de ombros ainda sorrindo.

– Fique sempre assim, você fica linda — disse ele me fazendo corar um pouco.

– Acho que ficarei sempre assim — suspirei — estou com esperanças de que tudo vai dar certo agora.

– Se depender de mim vai — se virou para frente, sem nunca afastar Daisuke.

– Está te machucando? — olhei para Daisuke ainda com cabeça em seu braço. Ele sorriu, me olhando de canto.

– Nunca estive tão a vontade — sorri — espero que me passe aquela foto depois. — Me surpreendi um pouco e sorri. Acenei com a cabeça, sabendo que ele tinha visto.

– Te passo depois — disse o olhando ele diretamente em seus olhos. Para alguns era difícil manter contato olho no olho, mas para mim era difícil não olhar eles. Aquelas sensações boas e o misto de desejo e ternura em seus olhos, fazia eu sentir o mesmo. Eu não queria e não conseguia parar de olha-lo, porém ele desviou seus olhos de mim o que me deixou frustrada.

– Hn — se remexeu na poltrona — Poderia ficar o tempo todo te olhando — suspirou — mas isso só almentaria minha vontade de beijar você. — sorri abaixando meu olhar

– Eu sei exatamente como é isso — disse sem nem ao menos pensar. Levantei meu olhar e dei de cara com um semblante surpreso. Ele sorriu e logo em seguida se levantou. Arqueei uma sombrancelha quando ele pegou Daisuke, com muito cuidado, e colocou ele em seu lugar. Daisuke se remexeu, mas não acordou, afinal já era noite e algumas pessoas já dormiam. — O que está fazendo Sasuke? — indaguei sem obter resposta e ele fez a mesma coisa com Mia, colocando ela no lugar de Daisuke, que também não acordou. Ele pegou duas cobertas que estavam ali e cobriu com uma delas, Daisuke e Mia, que dormiam feito dois anjinhos. Sorri com muita serenidade quando ele beijou a testa de cada um, sussurrando um boa noite ainda que nenhum escutasse.

E aquilo não me doía mais, era tão natural ainda que eu não tivesse visto.

– Sua vez — ele disse olhando para mim. Sorri e fiz o mesmo, com a mesmo cara boba que ele tinha.

– Nossa, que pais maravilhosos — olhei para trás e uma senhora sorria para mim. Percebi que ela não estava falando comigo, mas de mim.

– Oh não... — olhei para ela tentando explicar que ele não era o pai, o que até não era verdade e ao mesmo tempo era, dando o fato de Daisuke ser e Mia não, mas não pude.

– Obrigada — olhei para ele que sorriu gentilmente para a senhora que parecia ter corado — Não somos tão maravilhosos quanto nossos filhos.

O olhei boquiaberta, mas ainda podia-se ver que eu queria sorrir. Ele se levantou e sentou no lugar de Mia, ao meu lado, nos cobrindo com o outro cobertor. Se aconchegou na poltrona e me olhou de lado com seu costumeiro sorriso.

– O que? — indagou percebendo que eu ainda estava surpresa.

– Ah... nada... — ri — nossos filhos? — arqueei uma sobrancelha.

– Ah me da um desconto — revirou os olhos rindo — Vontade que eles fossem meus filhos não faltam — Fiquei um pouco séria, sorrindo só um pouco. Mas fiz o que vinha fazendo; ignorei o sentimento de tristeza.

– Ei — o olhei segurando a barra do cobertor, que ele havia usado para nos cobrir, tentando mudar de assunto — por que trocou de lugar? — Ele sorriu me dando uma leve olhada. Se aproximou o quanto pôde e colocou uma de suas mãos em minha nuca, com delicadeza e sem rapidez. Antes de poder questionar, senti o gosto de seus lábios, selando os meus.

– Sasuke... — disse em um fio de voz quando ele se separou, depois do que para mim foram curtos segundos. — Estamos...

– Estamos em um avião — me interrompeu alisando minha bochecha com o seu dedão, que eu nem vi quando subiu para meu rosto. — Eu com vontade de te beijar e você também. Os pequenos estão dormindo e a maioria das pessoas aqui também. Então, que tal sentir pena de mim e me beijar, huh? — sorri abaixando meu olhar que encontrou seus lábios após subir um pouco. Não disse nada, apenas o beijei, subindo minha mão ao seu rosto também.

Seus lábios quentes se apossando dos meus. Seu dedão ainda alisando meu rosto e mandando uma corrente elétrica por todo meu corpo. Seus dedos logo foram para meus cabelos soltos, puxando levemente dentre eles. Senti sua língua adentrar minha boca sem pedir passagem, já que estava livre para ele. Nossas línguas entraram em uma dança, calma, com desejo, ternura e me fazendo pedir para que aquilo nunca acabasse. Nossas cabeças se mexendo lentamente, conforme nossas línguas faziam o mesmo.

Porém, infelizmente e, ainda que fosse calmo, nos faltou ar. E eu o olhei como antes. Ele voltou alisar meu rosto, sorrindo serenamente enquanto eu fazia o mesmo.

– Eu quero estar na sua vida — sussurrou fazendo eu sentir seu hálito. — Na sua e na deles.

– Sasuke...

– Eu sei — me interrompeu ainda com sua calma — Está cedo, muito cedo — afirmou — Mas não quero dar chance para outro cara entrar na sua vida. — revirou os olhos, igual a Daisuke quando sentia ciúmes de mim ou de Mia, ri internamente com isso. — Deixa eu ficar... deixa eu cuidar de você e dos pequenos, mesmo que demore pra ficar com você. Só... deixa eu ficar. — sussurrou com o cenho franzido — Eu espero se quiser, mas diz ao menos que vai tentar.

Suspirei sorrindo para ele.

Minha mente dizia que eu precisava dizer que não, um grande não. Sim, era errado. E eu sabia disse, muito bem.

Mas não dava para segurar. Eu queria estar com ele... Eu quero...

E com esses pensamentos eu quebrei o restante do muro que eu havia colocado entre eu e Sasuke. Não estava muito difícil, já estava quase todo no chão. Mas eu terminei de quebrá-lo e, com toda felicidade, acabei com aquilo me jogando nos braços dele...

– Sasuke — sorri respirando fundo — você não pode ir — rocei meu nariz com o dele — Eu não quero que você vá. Na verdade, eu preciso que você fique comigo. Eu quero que esteja comigo — sorri vendo sua expressão de felicidade — porque... porque Sasuke, eu te amo.

Eu te amo desde sempre.

Notas finais
Quem iria imaginar, não é? Sakura de saco cheio, só espero que ela conte as coisas agora né? Sasuke merece saber. Ja ne o/