Esquecimento

25 Lembranças: Sentimentos Ampliados


Notas iniciais
Demorou, né? Desculpem, estou bem atarefada! Obrigada a todos que estão me alegrando e incentivando com comentários! Desculpem não responder, estou sem tempo mesmo. Boa leitura ;3

Esquecimento

Escrito por Kohana

Capítulo Vinte e Cinco: Lembranças: Sentimentos Ampliados

Assim que a viu, caminhando rumo à seu carro, pegou a câmera que estava dentro de seu porta-luvas; ela entrou, sentou-se no banco do passageiro e só então, após colocar o cinto de segurança, ela riu revirando os grandes olhos esmeralda, provavelmente por ter percebido só neste momento.

Você e sua mania de gravar vídeo pra tudo.– falou fanha e com um pequeno bico, este que era adorado por ele.

Ele riu. Sabia que ela não gostava disso como ele e que sempre se achava feia em seus vídeos, porém não podia evitar. E em parte ela tinha culpa; era um hobbie normal até ela fazer aquele bico frustrado; era impressionante o quanto ela conseguia ficar ainda mais linda fazendo isso.

É mais uma ocasião especial. – disse ainda risonho, apontando a câmera diretamente para ela, focando nas arredondadas maçãs de seu rosto. Não era uma mentira ou pirraça, contudo. A ocasião realmente pedia um vídeo e ela era o seu modelo mais precioso e deslumbrante; não poderia perder a chance de mais uma vez guardá-la na caixa em que continha todos os seus vídeos com ela, se formando em seu maior vício, que era assistir suas caras e bocas, risadas gostosas e até ela reclamando, antes de dormir.

– Sasuke, não faça isso. Quando chegarmos você grava. — ela resmungou manhosa, colocando a mão em frente a lente, afim de não ser pega por ela.

– Ok, senhorita mandona. — Sasuke suspirou, revirando seus olhos negros, tal como uma criança, desligando sua câmera em sua derrota. Por um lado, eles tinham que seguir o caminho com rapidez, afinal, ele tinha pressa em chegar ao seu rumo. Entretanto, se não fosse por isso, continuaria a pirraça-la e a se deleitar com as suas manhas.

– Aonde vamos? — ela perguntou, observando a paisagem que começava a correr lá fora, visto que ele já tinha dado partida no carro.

Ele a olhou rapidamente de soslaio, voltando a dar atenção a estrada logo após. Não era desconhecido por ele que ela já sabia o que iria fazer. Porém, sabia que era desconhecido para ela o local que iam; com certeza a curiosidade devia estar lhe matando, corroendo todo seu cérebro para que pensasse só nisso.

– Não seja mau, amor. Sabe que eu não lido bem com a curiosidade. — ela resmungou visto seu silêncio, tal como uma criança dengoza, o que fez ele rir.

– É uma surpresa, amor. — gentilmente ele disse, não perdendo a oportunidade de vê-la fazer, novamente, aquele beicinho manhoso.

– Sério? Não tem nenhuma pista? — ela tentou, se inclinando para mais perto dele em seu perfil. — Você pode ser bem recompensado. — ainda complementou com um sussurro grave e sensual em seu ouvido, lhe proporcionando um arrepio de sua nuca até os pelos de suas pernas.

– Está jogando sujo. — sorriu maliciosamente, observando-a morder o lóbulo de sua orelha pelo retrô-visor, o que fez tudo abaixo de sua cintura mexer-se pouco, mas suficiente para ele perder um fio de sua noção. Não que fosse uma má ideia, adorava perder a noção quando se tratava de sua namorada. Contudo, de qualquer forma, ele seria recompensado. — Mas não irei cair em seu jogo profano. Desista.

Ela bufa, com uma careta que, ao ver de Sasuke, a deixava ainda mais linda. Poderia negar-lhe as coisas mais vezes, o preço era bem mais barato do que pensava e lhe trazia muito prazer. Bem, por um lado, tudo o que Sakura fazia lhe trazia prazer.

Sakura se arrumou em seu lugar e, observando novamente a paisagem nublada janela à fora, correndo rapidamente com árvores e asfalto, não desistiu:

– É a praia?

– Não sei. — ele sorriu à respondendo de imediato, pois sabia que ela não desistiria fácil.

– Sitio?

– Não sei. — respondeu, tal como antes, ligando em seguida o para-brisa; as grossas gotas de água começavam a cair sobre o vidro a sua frente.

Ela suspirou resignada.

Ele sorriu diante ao silêncio. Tinha consciência do quanto ela devia estar se remoendo, ainda que não admitisse em voz alta depois de todo o questionário. Que Deus desse só mais um pouco de paciência para a sua namorada ansiosa e curiosa, não demorariam a chegar no local.

A ansiedade cansou Sakura; algum tempo de viagem já havia passado e ela ressoava profundamente ao seu lado.

– Volte a dormir, chegaremos daqui à pouco. — ele disse assim que percebeu que ela estava acordando.

– Já estou bem acordada. — piscou para ele, porém de forma sonolenta.

Sasuke riu baixinho de sua atitude; não deveria ter dito àquilo, de fato.

Sakura levantou sua mão até o som a sua frente; a música romântica e quase dramática soou no carro, trazendo assim um aconchego bom para os dois, e uma nostalgia acolhedora para Sakura.

– Eu adoro essa música. — ela murmurou com seus olhos fechados, tentando assim aproveitar ainda mais a sensação calorosa, o que estava dando certo dado a presença quente e perspectiva de Sasuke. — Eu à escutava para lembrar de você. — complementou.

Primeiro beijo como uma droga, estou sob a sua influência. Você toma conta de mim, é como mágica em minhas veias. Isso deve ser amor.

– Em que época? — ele indagou absolutamente ansioso pela resposta, apesar de estar atento a estrada. Adorava saber que ela pensava nele, que sentia sua falta. Não que não soubesse, ele tinha consciência de seus sentimentos mútuos. Contudo, a voz rouca dela tinha um efeito delirante em sua mente quando lhe dizia coisas semelhantes.

Sakura sorriu perdida, abraçando seu corpo apenas para se confortar, em puro deleite da nostalgia e o leve ar que emanava das caixas pequenas do rádio.

– Quando estávamos no colegial, quando você foi para Tóquio... Na verdade, eu sempre a escutei para lembrar de você. — ela respondeu. Seu cenho franzido em uma careta desgostosa, o que a pouco era diferente. Odiava lembrar da falta que sentia quando ele não estava perto, principalmente do desespero ao lembrar do quanto era dependente dele.

– Eu sou uma droga? — indagou com uma de suas sobrancelhas erguidas, seus olhos estreitos e o típico sorriso de lado, sentindo seu corpo se aquecer ao vê-la rir baixinho.

– Exatamente. — respondeu risonha e convicta, inclinando-se para poder beijar sua boca em seguida. Infelizmente, para os dois, por estarem em movimento, fora somente um estalar de seus lábios, para não gerar distração ao motorista.

– Você é minha droga, Sakura. — murmurou perante a estrada, perdido com a letra da música. Não foram voluntárias suas palavras, contudo.

Sakura, apesar de ser muito rara as vezes em que isso acontecia, corou. Ele estava tão sério e convicto, que foi impossível não o fazer. Sasuke, por outro lado, riu. Adorava como ela ficava quando não sabia o que dizer, o que era o caso naquele momento.

Ainda sim, após voltar ao seu lugar e ficar em silêncio por um tempo, logo ela voltou ao seu normal, puxando um diálogo cálido e agradável com Sasuke.

– Sabe, eu estava pensando em algo. — falou pensativa, voltando a fechar seus olhos para soltar seus feromônios; o que acontecia no simples vislumbre de Sasuke em sua mente, ou qualquer coisa que o envolvia.

– No quê? — com uma de suas sombrancelhas erguidas, Sasuke indagou.

Ela sorriu em uma linha reta, virando seu rosto caído no banco para o lado dele. Abriu os olhos e, como se estivesse cansada, o observou com os olhos semi cerrados.

– Um filho. — ela o respondeu, rindo baixinho da expressão de seu noivo.

– Sakura, não me diga que... — Sasuke, assustado e empolgado ia perguntar, mas logo fora interrompido.

– Não! — falou, ainda que parecesse um tanto quanto incerta. — Só estava pensando em como seria ter um filho. Acho que desejo ser mãe. — ela resmungou pensativa, sorrindo por final com um vislumbre rápido de sapatos de crochê, berço e tintas para pintar um novo quarto, fora os jornais espalhados no chão. Hmm, um pensamento quente e acolhedor.

Sasuke amenizou seu semblante, porém estava um pouco decepcionado e, como se algo tivesse estragado seu dia, frustrado. Não que fosse a hora certa para um acontecimento importante desse porte. Estava cedo demais e ele sequer tinha terminando a faculdade, fora o fato de não ser maduro suficiente para isso. Entretanto, se esse fosse o caso, se Sakura confirmasse positivamente o que ele iria dizer, toda a questão citada anteriormente seria apenas um mero detalhe irrelevante, sem importância nenhuma, sequer seria lembrando, pois sua felicidade seria maior.

– Claro que deseja, eu também desejo ser pai. — explicou ele, olhando para ela quando podia. — Na verdade, eu sinto um pouco de ansiedade em relação a isso. — confessou.

– Eu também. — sorriu terna e perdida em suas sensações maravilhosas, cujo uma só pessoa era capaz de lhe proporcionar, este que estava ao seu lado. — Acho que seremos bons pais. Se formos iguais aos nossos, sairemos no lucro. Ou melhor, nossos filhos sairão. — riu, mas não estava brincando em suas palavras. Daria tudo para ser a melhor mãe, ou ao menos se igualar a Sasuke que, com certeza, seria um ótimo pai.

Sasuke concordou com um aceno de sua cabeça, não conseguindo evitar um largo sorriso. Adorava observá-la sorrir e falar do futuro que tinham juntos.

– Quando for uma garota, já sei que seu nome será Sarada. — ela falou, novamente perdida em seus pensamentos quentes.

– Quando for...? — Sasuke riu. — Agora quer muitos filhos? — zombou.

– Não exageradamente, mas pelo menos uns três. — deu de ombros. Ele riu baixinho.

A estrada estava cada vez mais difícil de se ver, as nuvens escondendo o sol tiravam a claridade necessária e a neblina só piorava tudo.

– Não seria melhor nós pararmos em um hotel? — Sakura indagou, mantendo em foco a estrada quase imperceptível, branca de fumaça.

Sasuke cogitou fazer isso. Era perigoso demais arriscar e sequer tinha comboio para os guiar. Entretanto, apesar de tudo isso, ele não queria perder tempo.

– Estamos perto, não acho que seja necessário. — ele respondeu, não tirando por um segundo sua visão da estrada, apesar de não melhorar nada a situação.

Sakura o olhou, estava realmente preocupada e com um pouco de medo, receio e uma sensação amarga na boca. Porém, ainda que estivesse assim, também queria chegar no destino desconhecido por ela. Sasuke era um bom motorista e havia dito que estava próximo, sendo assim, poderia ficar mais tranquila.

Meu Deus... – Sasuke apertou o volante fortemente.

Infelizmente, contudo, continuar não foi uma boa ideia. E, quando o estrondo assustador ecoou, era tarde demais para repensar.

Em meio a neblina densa, a chuva forte e quase nada de visão para Sasuke, a buzina alta soou para qualquer um ouvir e o arrastar de pneus, queimando no asfalto, trouxe horror esganiçado e agoniante aos dois, fazendo-os inalar o odor enjoativo de borracha queimada.

Sasuke!!! – Sakura desesperada gritou, enquanto o carro balançava, sendo arrastado sem qualquer controle sob o asfalto.

O caminhão, este que havia buzinado', atingiu em cheio a lateral do carro de Sasuke, trazendo um desespero fora do comum para seu motorista, acordado com o atordoante som estridente, e para os dois que estavam no carro, sem controle algum dos movimentos incessantes.

Sasuke, vendo que Sakura sequer conseguia se mexer e que o caminhão iria, assim que desse sua volta, bater do lado dela, se desesperou em tirar rapidamente seu cinto de segurança, com medo de ver o que não suportaria e o que o mataria no primeiro golpe, ainda que este não fosse o atingir e sim a Sakura.

Desesperado para ser rápido e sem pensar nem duas vezes, ele foi o mais rápido possível para com sua namorada desesperada; seu coração batia incessantemente e tudo o que ele queria era a proteger, mesmo que não tivesse certeza se iria valer de algo seu ato desesperador. Ele acalentou seus cabelos e abraçou seu corpo trêmulo enquanto corriam o asfalto, lhe dando o calor de seu desespero.

– Sa-su... — a voz fanha e surpresa de Sakura ainda foi ouvida por Sasuke, enquanto este a envolvia em seus braços como se fosse sua armadura. Para não chorar, não por orgulho mas sim para não a fazer sofrer mais, ele fechou os olhos; doía demais vê-la chorar no único lugar que sempre disse estar aconchegado: seus braços, sendo o calor de seu corpo.

Eu amo você, Sakura. — sussurrou no ouvido dela a sua despedida.

Sakura foi tomada pela surpresa momentânea dos braços de Sasuke lhe esquentando o corpo. Entretanto, suas mãos, reconhecendo a pele de quem a apertava, envolveram o corpo de Sasuke em igual, tal como se fosse sua despedida também, a sensação de um último toque. Oh, ela com certeza morreria em paz depois de tocar o seu lar e sentir o mais puro e quente paraíso.

O medo de a perder doía-lhe no mais profundo de sua alma, lhe torturando com a demora agonizante da chegada de sua morte. Porém, ainda que soubesse que iria morrer, estava feliz; iria morrer no abraço acolhedor e cálido de Sakura, sentindo o perfume que lhe fazia sorrir todas as manhãs por saber que ela estava perto. E, embora soubesse que não fosse benevolente o suficiente para merecer a morte perfeita, parte de sua tristeza se devia a isso.

Também te amo.– ela sussurrou de volta, antes que fosse tarde, quase em desespero por demorar tanto.

Morte mais perfeita que essa, ninguém teria.

O impacto doloroso bateu contra seu corpo e, conforme o sangue descia sua testa, o barulho lá fora se esvaia, com toda a sua dor de ver os olhos de Sakura se fechar lentamente. Confortado por estar no abraço dela, ainda apertado, ele se deixou abranger a dor e se deleitar com as suas pálpebras fechando-se lentamente, dando permissão para suas lágrimas caírem. Algo leve o agarrou o corpo e, de repente, ele não tinha mais o sorriso de Sakura povoando sua mente para lhe acalmar.

Estava escuro.

Apertou o apoio da janela novamente, tentando reprimir todo seu ódio com esse gesto. Sua cabeça ainda doía, precisamente sua nuca, mas no momento isso não era nada.

– Você acordou! — a moça sorriu olhando-o como se ele fosse confetes de carnaval, ou um presente de Natal. Ele, mesmo confuso com a entrada repentina que lhe atrapalhou a visão da TV, conseguiu ouvir um grunhido preguiçoso ecoar baixo do mais profundo da garganta da moça, um som nítido de alívio.

Não sabia se era possível, mas apertou ainda mais o apoio metálico, fechando seus olhos com ou mais força que fazia com sua mãos.

– Quem é você? — ele se viu obrigado a perguntar. Já fazia algum tempo que a moça de estranhos cabelos róseos estava ali, parada com um sorriso estranho — para um estranho. Contudo, mesmo sem ter a mínima ideia de quem ela era, algo dentro dele doeu ao ver o semblante alegre dela se apagar, escurecer.

Geme de dor, de raiva. Era agoniante lembrar...

Primeiro ela parecia surpresa, desacreditava. Abria a boca em um sorriso e depois a fechava, parecendo não acreditar no que pensava. Porém, depois de alguns minutos assim, olhando para seu rosto, o semblante do rosto machucado dela se transformou em algo escuro, doloroso e desesperador. Os olhos que jaziam um brilho estupendo, tomaram um opaco aterrorizante, negado por qualquer um que visse aqueles esmeraldas brilhantes, como a pouco vira.

Mordeu seu lábio inferior com força, com raiva, com fúria. Seu corpo endureceu tenso, tomando de seus sentimentos atuais em um cálice de vidro. Ele queria se espatifar' em pedaços no chão, para saber se, com isso, sua raiva infinita acabava junto com as várias imagens que se materializam em sua mente.

Ele ficou olhando para a porta como se ela fosse dizer algo, como se ela fosse explicar os motivos para que a mulher de cabelos róseos saísse tão depressa do quarto, com tanto desespero. A essa altura, sua confusão lhe mandava espasmos a ponto de ele sentir-se elétrico. Ele queria entender porque ela estava ali, em seu quarto. Teria sido uma confusão ou um mal entendido?

Virou seus calcanhares de maneira brusca, quase tropeçando em seus próprios pés. Esmurrou a parede ao lado da janela, o que lhe causou imensa dor. Porém, ele não fez sequer uma careta, ou algo que demonstrasse o quanto aquilo lhe machucou. Nada podia doer mais do que seus atuais sentimentos.

Estava arfando descontroladamente e tudo o que ele demonstrava em seu semblante era a raiva e um escurecer doloroso que a sua dor interna lhe permitia.

– Burro... burro... — murmurou dando mais um murro na parede, causando mais dor a si mesmo.

Como ele não havia percebido aquele dia? Como ele não tinha lembrado dela ao menos daquele dia, no hospital? Estava se odiando, estava odiando lembrar de tudo o que estava correndo sua mente. As lembranças estavam fazendo doer mais, a sua cegueira para tudo aquilo estava lhe machucando de um jeito que nunca havia sentido. Seus sonhos impuros com ela... Deus, eram lembranças!

Por que ele não parou o carro quando ela pediu...?

Sentia, sobretudo, a dor da culpa. Droga... porque ele tinha que lembrar do acidente deles? Porque.... porque... porque! Estava doendo tanto saber mais sobre ela, sentir mais o que ele imaginava ser impossível. Ele que julgava já a amar não lembrando de nada, descobriu que amava Sakura bem mais do que um dia sonhou ou lhe disse.

O sentimento estava queimando em suas veias, correndo como sangue e adrenalina... êxtase. Pedia para ser liberado o sufocando, o dizendo o que era preciso fazer para se livrar da agonia, como um vício, uma droga... sua cura. Mas, ela não estava ali para ele liberar toda a descarga que precisava, ela não estava ali para lhe curar, para ser sua droga e sua morfina, tirando a dor como anestesia.

Sakura. Não. Estava. Ali.

– Ela não está aqui... — murmurou desconsolado, sofrido, chorando e gemendo como uma criança, apertando seu rosto contra suas mãos fortemente.

Mais dor para sentir.

Havia acordado em sua cama, pois Brit, que veio por acaso entregar algo, o encontrou desmaiado junto ao porteiro atrás da bancada de mármore que residia na recepção. Ela, com a ajuda do porteiro recém acordado, o levou para o quarto.

Em seguida, após acordar, estava na janela, sentido dores de cabeça forte, gemendo e apertando suas têmporas, o que veio a resultar em várias de suas lembranças antes de esquecer de Sakura.

Lembranças... todas... aleatórias, embaralhadas, cortando e dilacerando sua alma e sua mente com imagens e frases, sorriso e carinhos... suas noites com ela, fazendo amor, vendo-a dizer que o amava e sorrindo sempre que ele saía de dentro dela extasiado.

A lembrança de como ele era feliz estava o matando lentamente, torturando-o com a vida perfeita que ele tinha. Contudo, a pior de todas as lembranças só veio lhe invadir a mente povoada e barulhenta neste momento, quando tudo não podia piorar mas, de fato, piorou; Sasori havia levado Sakura.

– Droga... — esmurrou mais uma vez a parede dura com raiva e força, lhe proporcionando a dor maior que tinha a resolver.

Sua face se contraiu e ele chorou a sua impotência, a sua incapacidade de protegê-la. Ele chorou, sobretudo, a saudade intensa que sentia dela. Seus sentimentos por Sakura estavam intensificados, maiores. Ele estava delirando e enlouquecendo por sua falta e o medo do que poderia estar fazendo aquele desgraçado a sua flor.

Precisava dela.

Correu o quarto que estava como louco, com desespero, feito um lunático. Abriu a porta sem pensar em fechá-la e sem se importar com o barulho alto dela sendo batida contra a parede. Nada importava, nada iria importar enquanto não achasse ela.

– Senhor Uchiha? — ouviu a voz jovial de Brit, que espreitava o corredor assustada pelo barulho.

Sasuke passou a mão por seus cabelos, tentando buscar calma. Abaixou seu olhar, buscou acalmar sua respiração acelerada e seu coração do mesmo jeito e a olhou, a olhou nos olhos, mas não conseguiu disfarçar seu desespero.

– Brit, você vai ficar aqui até eu voltar, sem sair de casa. Eu pagarei mais se precisar, mas não saia daqui. — ordenou autoritário, duro. Brit se limitou a acenar várias vezes em positivo, sabendo que algo estava errado. Somente olhar para Sasuke e observar seu estado provava suas suspeitas, fora a ausência de Sakura.

Ele passou por ela na mesma rapidez, já indo em direção a porta. Dois corpos pequenos em frente a ela, contudo, o fizeram ele dar dois passos para trás.

Sasuke sentiu seus olhos arderem avisando a chegada de mais lágrimas. Doía intensificado, como tudo agora, os ver.

Mia não tinha seu sorriso costumeiro, alegre e infantil nos lábios. Seu olhar estava baixo, complacente a sua face frustrada, sem o olhar nos olhos. Daisuke estava sério, observando suas feições, mas ele sentia a tristeza de seu filho de onde estava, pois ele, no mínimo — mesmo torcendo para não ser isso — já havia feito suas conclusões para tanto alvoroço.

– Você vai sair? — o garoto lhe perguntou em um fio de voz, quase sem conseguir ser escutado. Infelizmente, para Sasuke, ele foi.

– Vou. Não vou demorar. — respondeu, lembrando de algumas horas atrás, quando ele se trancou no quarto.

– Cadê a mamãe? — Mia levantou seu olhar e, acertando um golpe em Sasuke, perguntou.

O que ele responderia a pequena ruiva abaixo dele? Oh, como doía. Seu olhar inocente, a saudade que ela deveria estar sentindo por nunca passar tempo demais longe da mãe. O quão frio ele teria de ser para mentir?

– An... ela teve uma urgência.... — viu a pequena Mia abaixar seu olhar novamente, fazendo um pequeno bico. — Mas eu vou buscar ela. — finalizou abaixando-se na altura dela, forçando-se a sorrir, o mínimo que fosse.

Mia sorriu como sempre fez, alegre e empolgada com a mentira que havia sido dolorosa de ser contada.

– Bem... vamos deixar o papai ir? Logo mais ele volta com a mamãe, Ok? — Brit também se forçou a sorrir e a fingir que nada acontecia, ainda que fosse difícil depois de tudo o que viu e constatou. — Que tal a gente comer bolo? — tentou animar ainda mais a pequena esperançosa com a volta da mãe.

– Uhum — seus olhos brilharam enquanto Brit a pegava em seu colo e rumava para a cozinha, não antes de direcionar um olhar caído em direção á Sasuke, claro.

Sasuke suspirou um longo e triste suspiro, cortesia de suas lágrimas outrora. Isso não passou despercebido por Daisuke. Mas este, sendo como era, se limitou a andar calmamente até seu pai.

– Você vai trazê-la de volta? — indagou o pequeno garoto de iris negras e cabelos desleixado, demasiado a mesma cor.

Sasuke fechou os olhos, secou o que ameaçava cair dos cantos e forçou-se a sorrir; Daisuke, infelizmente, não se permitiria uma mentira atoa, como fez com Mia. Então, diante ao seu filho, antes de lhe responder, fez uma promessa silenciosa, da qual cumpriria custe o que custasse.

– Sim filho, eu vou trazer sua mãe. — o respondeu convicto, sério e sem qualquer fraqueza em sua voz.

– Sinto muito por ter corrido de você. — abaixou sua cabeça.

– Eu entendo você. Estava com raiva, huh? — sacudiu os fios negros dele com uma mão, forçando-se a sorrir mais uma vez.

– Eu achei que você iria embora, que iria deixar a mamãe sofrer de novo, como antes. Mas, você não foi. E você vai ficar com a gente, não vai?

Sasuke teve que lutar muito para não chorar diante ao seu filho. Sua ideia não era ir embora definitivamente, mas, ainda sim, ele estava partindo. Contudo, depois dos últimos acontecimentos, depois da dor e das lembranças que retornaram junto a sentimentos ampliados, ele não sairia dali, de forma alguma.

– Não filho, eu não vou. Eu vou ficar com você, a Mia e a mamãe. — Sasuke sorriu sem esforço, dessa vez. Ele não estava mentindo ou esperando tudo se resolver para ser sincero, também. Ele realmente não iria embora, ele iria ficar e consertar os erros que ambos cometeram.

Daisuke sorriu gloriosamente, de forma aquecedor para Sasuke.

– Eu te amo, pai. — o pequeno lhe surpreendeu ao grudar seus braços em volta do pescoço de Sasuke. Logo, a surpresa dera espaço a uma felicidade imensa.

Sasuke desejou ser pai de Daisuke, antes mesmo de saber que ele era de fato seu filho. E tê-lo ali, lhe chamando de pai, dizendo que o amava, acreditando nele, não poderia não sentir-se fortificado.

Eu também te amo, filho. – Sasuke bateu na testa do pequeno, em um peteleco de dois dedos que surpreendeu Daisuke, mas logo o fez rir.

Foram preciso somente quatro palavras para Sasuke recuperar as rédeas da situação, quatro palavras vindas de seu filho. O desespero, a impotência e toda a sua tristeza estava se esvaindo aos poucos, descendo ralo abaixo. E ele traria Sakura de volta, não importava o que precisaria fazer para isso.

E Sasori, grande causador de parte de sua angustia, não escaparia de seu ódio.

Notas finais
Para deixar claríssimo: Sim, Sasuke lembrou de tudo, é que não da pra colocar todas as lembranças, então pus a mais relevante na minha opinião. Só uma coisa para dizer sobre Sasori: o ódio do Uchiha é difícil de se lidar e.e Tchau gente o/