Esquecimento

26 Cativeiro: Confissão e Salvamento Ilusionista?


Notas iniciais
Geeeente! Demorou não é? Desculpem. Pra vocês terem uma noção, esse capítulo já estava um tempinho pronto, porém eu não tinha tempo nem de postar. Desculpem não responder os comentários, mas obrigada á todos que deixam ao menos um "gostei" - isso faz diferença pra mim :,) Eu recomendo que vocês leiam esse capítulo com a música que coloquei: Thaeme e Thiago - 365 dias

Esquecimento

Escrito Por Kohana

Capítulo Vinte e Seis: Cativeiro: Confissão e Salvamento Ilusionista?

...E ao fechar os olhos me vejo te amando, por isso que eu acordo sempre chorando...

Sua cabeça está caída para um lado de seu corpo, tal como se ela não tivesse controle ou força suficiente para se manter ereta; seu corpo não atendia os comandos de seu cérebro, mas estava rígido, consequência de algo que prendia suas mãos e seus pés e, claro, seu corpo, no que deveria ser uma cadeira; sua cabeça doía, tal como se tivesse tomado todos os porres de Las Vegas; seus olhos não viam, porém ela tentava, ainda que estivesse um tanto grogue, os abrir, fazendo movimentos cansados e lentos com suas pálpebras.

Tinha um cheiro de novo, perfumado. Não estava em um cativeiro fedido ou descuidado. Não havia som, não havia barulho de motor de carro ou buzinas, motos, sequer falatório. Silêncio. Estava tudo silencioso. Bem, não por completo. Ela podia ouvir passos ao longe e algum burburinho ao fundo. Estava silêncio somente o suficiente para saber que não estava na cidade ou próximo à ela.

Ainda estava atordoada e não estava completamente acordada, efeitos da droga que haviam obrigado ela inserir. Porém, visto que estava acordando e desmaiando a todo momento desde que chegou, ela já estava bem melhor. Não sentia mais a tontura que vinha como o aviso prévio de que voltaria a dormir, ou melhor, desmaiar.

Sua primeira reação foi se mover, ainda que isso fosse cansativo demais e pedisse muito de si. Tentou se sacudir, forçar as amarras a soltarem. Tentou até cair da cadeira, porém, eram movimentos lentos e irrelevantes; os efeitos da droga ainda estavam em seu corpo, mesmo que menores.

Desistiu. Não tinha forças e suas amarras estavam precisamente bem atadas. Estava cansada... queria dormir. Contudo, ela não podia. Ela não queria. Ela precisava ficar acordada.

– Socorro... — ela quis gritar, porém isso fora somente um sussurro diante ao ambiente em que estava. Não tinha forças nem para isso.

Soube que estava com uma venda. Na verdade, teve somente a completa certeza. Seu rosto, precisamente na região de seus olhos, estava úmido, quente caindo para o frio. E só ficava mais molhado, pois suas lágrimas eram as únicas coisas que saiam com força. Estava desolada. Não era como se tivesse esquecido de tudo, infelizmente.

...Refazendo um resumo da minha vida vejo que tudo que construí não me valeu a pena, porque tudo o que eu fiz foi pensando em nós dois...

Daisuke. Mia. Sasuke.

Seus filhos... como estariam? Deus, a saudade era imensa e a dor conseguia superar esse sentimento catastrófico para uma mãe. Os queria, precisava deles em seu aconchego e visão... como sobreviveria sem seus pilares?

Sem os dois... o que sobrava do que ela era?

Não tinha Sasuke, também. Depois de tudo o que passou com a distância e esquecimento dele, não pensou que sofreria tanto por estar novamente sem o calor próximo de seu corpo, sem o sorriso sorrateiro ou o modo como ele apertava sua mão sempre que dizia que te amava.

Não tinha nada. Não tinha ninguém.

Estava indo para Sasuke, finalmente estava correndo para sua felicidade para fazer as escolhas que nunca havia feito, as certas. Estava decidida e confiante de que faria as coisas da maneira correta. Não queria deixar ele partir de sua vida novamente. Porém, enfim, quem acabou partindo, ainda que contra sua vontade, foi ela.

...Ainda sei de cor seu telefone, sei decifrar os seus quinze sorrisos...

Estava longe, sabia. Sendo assim, a vida dela estava em algum lugar distante também. Sequer tinha noção de quanto tempo havia se passado... horas, dias, meses... Não sabia. Não queria saber. Não queria nada além de Sasuke e seus filhos.

Ódio.

Sentia raiva de si mesma, da vida, de Sasori, de tudo... Queria seus filhos, precisava ao menos saber se eles estavam bem. Sentia falta deles, não poderia viver sem seus apoios.

Precisava dizer que amava eles. Precisava dizer para Sasuke que se arrependia de todas as suas escolhas, que o amava tanto. Precisava ter ao menos um último momento com ele.

...Desenhei teu rosto no teto do meu quarto, pra dormir sempre te olhando...

Só pra dizer que ele era o seu maior apoio. Que sem ele, ainda que de longe, ela não sobreviveria a nada. Que só o fato de saber todos esses anos que ele suspirava o perfume de seu apartamento logo pela manhã, já fazia seus dias felizes. Que sempre sorriu ao lembrar de como ele fazia birra quando se negava a fazer um vídeo, porém que eles foram seu conforto durante oito anos, como se ele soubesse que ela precisaria deles para matar a saudade e amenizar a dor que ficou com sua, de algum modo, partida; precisava, sobretudo, dizer à ele que só o fato dele respirar todos os dias fazia com que seu sangue corresse por suas veias; ele tinha que saber que ela o amava tanto que não se importaria de passar mais mil anos longe dele, contanto que soubesse de sua existência.

– Acordou. — levantou sua guarda ao ouvir a voz grossa e repulsiva atrapalhar seus pensamentos.

Sabia quem era. E de repente tudo o que sentia era raiva tomando lugar dos sentimentos bons que sua família deixava.

– Onde estou, Sasori? — queria mostrar sua raiva com suas palavras, porém só mostrou o quão estava indefesa para ele.

Ele riu, possivelmente por achar graça da situação dela.

Em casa, meu amor.– seus passos seguiram em frente. A sua frente. Sentiu medo. Quis recuar, porém só molhou mais sua venda.

– Está chorando? — indagou em voz mansa, como se importasse isso para ele.

– Meus filhos. — resmungou, somente porque não conseguia soar mais alto.

Precisava deles.

Nós teremos vários, querida.– empolgou-se abaixando-se na altura dela em seu riso espontâneo.

Sentiu nojo, sobretudo, uma vontade imensa de vomitar.

– Eu quero os meus filhos. Eu quero a minha filha e meu filho. Daisuke e Mia. — rosnou enfatizando todas as suas palavras, tal como um gato com raiva.

Você não tem mais filhos, nem família. Sua família sou eu e seus filhos serão os meus. — aproximou-se de seu rosto e soltou um suspiro satisfeito. Ela o repeliu como pode, afastando seu rosto do contato da pele dele.

– Nunca. Terei. Filhos. Seus. — cuspiu, literalmente, em sua face, ainda que não soubesse se tinha acertado ou não.

Acertou, sim.

Sasori se mantem firme, como se nada tivesse acontecido ou como se as palavras dela não tivessem o afetado. Limpou seu rosto com um pano tirado do bolso de seu paletó, o colocou de volta logo após. Voltou a ficar em pé.

– Você precisa se acostumar com essa vida, Sakura. Você só vai ter a mim daqui em diante. — suspirou cansado, como se tivesse falando com uma criança recém adotada.

Sakura se remexeu na cadeira, raivosa. Não surtiu muito efeito em se desamarrar, como queria. Porém, surpreendeu a Sasori.

– Por que você não pode me amar? — indagou, voltando a se aproximar dela. Agachou-se em uma distância considerável, visto que ela ainda se remexia em desespero e raiva.

Ela riu. Sakura riu alto e em bom som, fazendo Sasori arregalar seus olhos em surpresa. Uma mistura perigosa de raiva, dor e, como consequência de seus sentimentos, deboche. A risada alta que deu, foi a única coisa que saiu naturalmente, sem moleza ou dificuldade que a droga causava.

Os efeitos estavam passando.

– É isso que você quer? Amor? — indagou, ainda risonha, porém dolorida com seu corpo.

– É tudo o que sempre quis. — ele rosnou. Não gostou nada da cena que viu.

– Ora, desculpa, eu não sabia. Seus modos de procurar amor em uma pessoa são, de fato, fascinantes. — desdenhou sarcástica.

Como ele podia dizer algo como aquilo? Amor? Ele queria que ela o amasse? Deus, poderia soar mais insano?

– Você não me deu muitas escolhas.

– E você me deu alguma? — retrucou em mais um rosnado. — Você é uma desgraça, acaba com a vida de todos a sua volta. — murmurou rancorosa, sentindo o ódio se apossar de sua mente.

– Isso não teria acontecido caso você tivesse me aceitado. — ele se levantou, andando pelo ambiente desconhecido por ela. Seu tom era, novamente, de ironia e indiferença.

– Não podia aceitar você, amando outro. — virou seu rosto para o que pensou ser o contrário de onde Sasori estava, porém ele estava bem a sua frente.

Ele parou de imediato, sentindo a raiva que aquelas palavras lhe causavam se apossar de seu corpo.

Sempre o outro. Ele. Sasuke. Como o odiava e desejava todo o tipo de desgraça para ele. Ela o amaria se ele não existisse, certamente. Era um ótimo partido e um perfeito homem de elite. Ele seria amado, caso Sasuke Uchiha, como sua pedra, não aparecesse em seu caminho. Sasori tinha essa certeza absoluta.

– Sempre ele. — rosnou apoiando sua testa na parede, aproveitando-se da atual "cegueira" dela.

– Sempre será ele. — murmurou. — Eu o amo mais que tudo. Ele me deu meu bem mais precioso.

Sasori se virou, extasiado seu ódio com o que ela disse.

– Eu também lhe dei um filho. — rebateu, certo de que aquilo era seu triunfo. Estava errado.

Sakura apertou suas unhas na palma de sua mão, como consequência de sua raiva. Queria que elas estivessem no rosto jovial de Sasori.

– Você não me deu nada. Shion deixou Mia para mim, pois morreu por sua culpa. — rosnou raivosa, se debatendo na cadeira para soltar-se e acabar com ele. Precisava bater nele, só um pouco.

– Ela teve culpa. Ela não devia gostar de mim, eu não gostava dela. Ela não era nada, apenas mais uma ferramenta precisa para chegar em meu objetivo. — ele estava perto, falando sério. Não havia arrependimento em sua voz, tampouco culpa. Ele não se importava, realmente.

– Você tem razão. Amar você foi a maldição da vida dela. — trincou os dentes, destilando toda a sua raiva em suas palmas atrás de sua costa.

– Eu queria você... Aquela noite... eu estava necessitado. Foi um erro. — riu delirante, não se importando com as palavras usadas, achando graça da situação.

Ela sentiu tanta raiva, que mil coisas insanas passaram por sua cabeça. Desde a pensar em como sair dali, à matar Sasori, sem se importar com nada. Coisas impossíveis, certamente.

– E você ainda tem a cara-de-pau de dizer que me deu algo. — riu rancorosa.

– Ora, se não fosse por mim, Mia não existiria. — se divertiu com a raiva dela.

– Certamente, a única coisa boa que você fez na vida. — rosnou. Odiava falar de Shion ou de Mia com ele. Odiava lembrar de todo o mal causado graças ao egoísmo dele.

Tirar Shion de cena também foi uma coisa boa. — prendeu um riso em sua garganta.

Seu corpo ficou tenso mediante àquelas palavras.

– O que...?

Ora, não pense que a morte da Shion foi algo acidental. Eu fiz com que ela morresse. — da maneira mais frívola ele disse.

Sua respiração já era descompensada; cada palavra de Sasori explicando seu modo de matar Shion estava estagnada, como se fizesse um som para o silêncio. Tudo, todavia, bem que fazia sentido agora.

– Você... como... ninguém soube como ela... ela.. ela morreu por causa da depressão.... — não podia formar nada concreto, sua mente não deixava. Era como se tudo tivesse passando em câmera lenta.

Não era verdade. Impossível.

– Eu meio que fiz umas visitinhas para ela enquanto ela estava internada. A morte dela foi cortesia de uma droga que a minha empresa se especializou. Nunca pensei que matar seria tão fácil. — riu sua explicação.

A sua venda estava encharcada; seu coração doía tanto. O mais óbvio dos casos não havia passado em sua mente.

– Você matou ela... — resmungou medrosa e rouca, tremendo todo seu corpo diante ao seu desespero.

Ele riu alto.

– Eu queria matar a criança... Bem, para falar a verdade, queria as duas mortas. Mas era a criança meu objetivo. Não queria um fruto de alguém tão podre como aquela mulher...

Não aguentava escutar ele, pensar nos seus últimos dias vendo o sorriso aceito da morte de Shion, tudo... doeu tanto e foi tão difícil...

– Desgraçado! Maldito! — ela gritou o seu cansaço e tristeza, totalmente desesperada. — Eu odeio você! Morraaaaaa! — os gritos de Sakura interromperam a explicação de Sasori. Ela se debatia na cadeira e sua face já estava vermelha de tanto que gritava.

Doeu saber que sua amiga morreria; doeu saber que ela deixaria uma filha e que esta não saberia por si própria como tinha uma mãe boa; porém, a sua maior dor sobretudo foi não conseguir descobrir a causa de sua morte.

Nem isso conseguiu.

E agora, diante a confissão suja de Sasori, tudo doía ainda mais; foi impotente e ingênua. Como não imaginou que ele teria algo haver com a morte de sua amiga?

– Quando nós resolvermos o seu problema, você verá quantas coisas boas eu sei fazer. — suspirou contra sua bochecha, fazendo ela recuar sua face ainda chorosa. Com o "resolver o problema" ele queria dizer o fato dela não o amar e sim odiar, como se isso fosse alguma doença exótica ou um problema com o carro, cujo é só levar em um especialista ou mecânico para concertar.

– Eu nunca vou te amar. — sem conseguir mais forças para gritar, pois o cansaço repentino lhe abateu, ela murmura baixo e cabisbaixa. — Eu nunca vou sentir, sequer, empatia por você. Eu amo Sasuke Uchiha. Ele é tudo o que você nunca vai ser para mim. — encheu a sua boca para falar, se divertindo com o silêncio tal como ele tão repentinamente, que se assustou em silêncio.

Iria jogar o mesmo jogo, porém. Iria dizer o que queria. Nunca quis tanto ver alguém sofrer como queria ver Sasori. Iria fazer isso ainda que soasse baixa.

Ele quem irá me tocar todas as noites depois que você for preso, inútil. — riu em meio as suas lágrimas, caindo no êxtase da sensação fria que era sair por cima da situação.

Sasori estava tenso e apertava suas mãos com força.

Ele irá me amar de corpo e alma, enquanto você pensa no que perdeu.

As lágrimas apareciam em seus olhos contra sua vontade; os dentes dele já se batiam um no outro.

Sabe o por quê, Sasori? – como se não fosse a mulher de minutos atrás, ela indagou desdenhosa e venenosa.

Ele fechou seus olhos, dando a liberdade de suas lágrimas. Que ela não lhe desse uma resposta.

Porque você não serviu sequer para fazer uma mulher se apaixonar por você. Você não é nada. Não importa o quão rico você é ou onde seu nome está estampado. Nada importa. Você terá que viver com a dor de saber que a mulher que você ama sempre amará outro. Até depois da morte. — cada palavra apunhalada no peito de Sasuke soava risonha e rancorosa.

Seu peito subia e descia diante a adrenalina; era como se um peso enorme tivesse sido jogado fora de suas costas. Sentia-se em perfeita leveza com seu corpo. Sentia-se em igualdade com ele, ainda que isso não fosse tão bom quanto queria. Não queria ser aquele tipo de pessoa, só queria que ele sofresse um terço do que ela sofreu com tudo que ele fez, principalmente o que fez a Mia e Shion.

Porém, tudo estava silencioso demais. Consequentemente, ela sentiu-se ameaçada pela tensão que se formava a cada segundo que passava.

Sasori explodiu o misto de ódio e amor que tinha dentro de seu peito. Tudo o que fez até ali teria que ser ampliado.

Mudado.

Ouviu os passos dele se aproximando. Estava lento e silencioso, como um felino. Sentiu medo, no fundo, um pouco de arrependimento por tudo que disse também. Sasori era um lunático, louco e sem escrúpulos; não deveria jogar um jogo desse tipo, estando como estava: indefesa. Sobretudo, por conhecer Sasori como conhecia.

Sentiu a corda que a ligava com a cadeira ser desatada, sem qualquer delicadeza ou precisão. Ele tinha desespero, pressa e, certamente, raiva. Seu corpo balançava sem controle, e seu desespero ia nascendo lentamente conforme sentia-se fora de um de seus apertos.

Foi erguida, colocada em pé. Mas suas pernas estavam fracas e, claro, atadas, como seus pulsos ainda estavam. Consequentemente, por esses motivos e pelo efeito da droga, que ainda não estava completamente fora de seu organismo, ela iria cair. Porém, ele a ergueu e a segurou no colo antes disso acontecer, segurando nas costas de seus joelhos e em sua própria costa.

– Sasori... Sasori, o que está fazendo?! — sentiu o macio por baixo de seu corpo, constatando estar em um cama. Logo, sem receber resposta, sentiu algo picar seu braço sem aviso prévio.

Mais droga.

– Sasori... o que... — sua venda foi tirada de seus olhos da mesma forma que antes, sem qualquer delicadeza ou cautela. O teto branco girava acima de seu olhar e, quando desceu mais a sua visão, encontrou dois Sasori's turvos.

Tudo a sua frente girava; seu corpo estava molenga novamente, sem ter qualquer controle sobre ele. Não sabia distinguir o que era realidade ou o que era só a sua mente brincando com seus medos. Porém viu. Viu o sorriso de Sasori. Ele ria. Ele estava feliz? Estava tudo confuso... contudo, ela não sentia que ia desmaiar como antes.

– Você vai me amar, Sakura. E eu já sei como. — abriu e fechou os olhos várias vezes, tentando consertar sua visão. Sua audição também não estava boa, mas jurava ter o ouvido ao longe, entre choro e angústia.

– Sasori... eu não... eu não estou bem... — ela murmurou atordoada, olhando de um lado para o outro lentamente, tentando recobrar seus sentidos perfeitamente.

Era como se tudo passasse em câmera lenta.

– A gente devia viajar semana que vem. — a voz suave e rouca, muito bem conhecida por ela, suspirou em seu pescoço. E ela adorava o arrepio glorioso e nostálgico que ele lhe proporcionava com isso.

Acordando com ele, uma semana antes da viagem que mudaria a vida dos dois...

...Minha esperança fantasia nosso reencontro...

Sasuke...? Oh sim, Deus havia escutado suas presses. Era ele, ele estava ali. Porém, em que estado...? Ela não sabia se era real... mas parecia... era ele...?

– Você está linda... — a pegou por trás, repousando seu nariz no pescoço alvo e perfumado. Ela riu, virando seu rosto para ele e enlaçando seu pescoço com os braços.

Na praia, quando ele a viu com o vestido que havia ganhado dele. Ele adorou... Ele tratou de tirá-lo meia hora depois.

Seus olhos lacrimejam e sua garganta se fecha. Mordeu seu lábio inferior, sentindo o desconfortável peso em cima de seu corpo se remexer, roçando o ereto em sua perna. As mãos dele estavam por dentro de sua blusa, apalpando um de seus seios. O respirar ofegante contra seu pescoço, lhe causava ânsia de vomito. Não sentia nada além de repulsa.

– Eu amo você... — ele murmura apertando a cintura exposta por causa da pouca roupa. Volta a beijar sua boca, antes mesmo dela responder algo. É um beijo urgente e preciso, por ambas a partes. Ela segura firmemente seus cabelos negros, o puxando para si com mais urgência. Enquanto ele, com um sorriso entre o beijo, provavelmente pela satisfação da urgência dela, desce sua mão lentamente até o cós da calça que ela usava e libera um botão.

A última vez que fizeram amor... O que levou a gerar sua gravidez.

Sasuke... — ela murmura com um sorriso feliz e débil, enquanto ele beija seu pescoço.

– Não pense nele. — ouve o murmuro ofegante lhe ordenar raivoso.

Não... Não era ele. E ela percebeu isso da pior forma possível. Sasori.

– Não faça isso... — murmurou atordoada enquanto recupera a realidade, tentando se desvencilhar do aperto do corpo dele em repentino desespero. Ele a segurou firme, impedindo que ela continuasse, apesar de não ter que usar tanta força. Sentiu as lágrimas caírem de seus olhos, sentindo a rejeição de seu próprio corpo para com Sasori.

Não. Ela não podia ser de outro homem que não fosse Sasuke. Não!

– Shi... não fale. Logo você me amará. — ele murmurou em um riso ainda ofegante, voltando a beijar o pescoço delirante a sua frente.

Apertou os dois seios, com suas duas mãos. A essa altura ela já sabia que não tinha mais seu sutiã para cobrir, e isso, de alguma maneira, não conseguia ser mais doloroso do que ela sabia que iria acontecer.

Estava sentindo nojo de si mesma, agora.

– Você não é ele... Você não é o Sasuke. — chorou grogue a realidade que acontecia ali, enquanto tentava ao menos respirar. A sua rejeição não deixava nem isso acontecer com precisão, a deixando sem ar. Seu seio foi apertado com mais força, certamente pela raiva de Sasori.

Chorou como uma criança sentindo a falta da mãe. Porém, ele não parava.

– Minha Sakura... só minha... — ela não sabia quem dizia, se era Sasuke ou Sasori. A realidade volta a se emaranhar com seus desejos. Ela não sabia mais de nada. Não sentia nada. Com excessão da dor agoniante e asfixiante que cobria seu coração.

Sasuke...

– Vamos ter um filho? Um filho, Sakura!? — ele pulou e a pegou no colo, a rodopiando pela sala. Logo percebeu o que estava fazendo e, como o protetor que era, tratou de a colocar no chão com delicadeza e cuidado. — Você não vai sair daqui. Vai comer todas as suas refeições, tomar vitaminas e... Ah, sem dirigir por mais de um ano — fez de seu rosto palco para vários beijos, somente para ela não retrucar. E isso deu certo.

O cós de sua calça estava sendo puxado com desespero, sem qualquer cautela. E ela, mesmo chorando por sentir a sensação nojenta que era causada, estava sorrindo; aquela não era uma lembrança verídica, que aconteceu. Porém, durante anos, foi exatamente isso que imaginou caso nada tivesse acontecido, caso Sasuke não tivesse perdido suas lembranças e ela fosse lhe dar a notícia de sua gravidez. Certamente, se nada tivesse acontecido, era dessa maneira que ele reagiria. Ela sabia.

– Eu quero o Sasuke... — chorou quando, novamente, percebeu quem era ali em cima de seu corpo. Estava com frio. Sentia que estava com poucas roupas, porém não sabia dizer ao certo quais haviam sido tiradas de seu corpo.

A mão dele passou por seu corpo, lentamente. Não por cuidado, mas sim por seu próprio prazer de vê-la se debater com nojo. Era tão repulsivo... Era desesperador, tudo em si doía. Ela queria correr dele, de sua mão, de seu toque, correr para Sasuke como uma criança com saudades... Fechou os olhos quando sua mão chegou, de novo, ao cós da calça, que ela nem havia percebido ainda usar.

Ela não poderia ver isso, então tratou de criar mais imagens em sua cabeça para se entreter, enquanto transbordavam lágrimas incessantes de seus olhos.

Estava dando certo. Ela sorriu, pois já não sentia o corpo pesado por causa do de Sasori, a macbucanfo de várias maneira. Ela já não sentia sua mão deslizar de forma lenta e repugnante lhe acariciando. Ela já não sentia nada... e podia ver tudo. Tudo o que mais queria ver em sua frente.

Ela podia ver seu rosto perfeitamente. Nenhuma lembrança poderia ser mais relaxante do que o ver, ainda que seu semblante mostrasse raiva e ódio.

Sasuke... — murmurou desconsolada e desiludida.

Não era ele. Era a sua mente brincando. Porém, ainda conseguia ficar feliz por ser isso a sua visão... por ser ele.

– Estou aqui, amor. — ele murmurou, acalentando os cabelos róseos dela. De repente a voz dele estava rouca e seu semblante era de dor. — Estou aqui... vim te buscar.

Tão real... Tão seu Sasuke de antigamente. Há quanto tempo ele não lhe chamava de amor? Oh, essa era a melhor imagem.

– Não vai embora... — chorou emocionada, ainda que soubesse que era somente uma mera ilusão.

Porém, mais real que as outras.

– Não vou, amor. — beijou sua testa. Ele estava chorando tanto ou mais que ela.

Comprei o mesmo perfume que o seu, passei na roupa que você deixou. E durmo abraçada, inconformada, me perguntando a onde foi que a gente errou....

Foi levantada calmamente para poder sentar-se, diferente de como Sasori havia feito. Seu corpo foi envolvido em um casaco longo, um sobretudo. O toque, os braços a circundando, o perfume másculo e viciante, a textura da pele dele... tudo era real. Até mesmo o corpo de Sasori se debatendo no chão, a sua frente, sem camisa, era real.

Seus desejos estavam lhe cegando até demais. Lhe iludindo sem dó ou piedade. Porém, não era como se ela fosse reclamar.

– Me perdoe... — ele murmurou entre seu choro. — Eu não devia ter ido embora.

Ela olhou para ele, diferente de antes, com seus olhos bem abertos e confusos, analisando aquilo que seria sua mente brincando consigo. Sua boca secou, sua mente ficou branca... as coisas ainda rodavam em sua visão, mas...

– É você... — ela murmurou, ainda sim não acreditando no que via. Tocava os braços de Sasuke, o corpo, o rosto...

...Conheço a palma, todo o seu corpo é meu paraíso...

Ele a puxou para seus braços, lhe acalentando no quente de seu abraço e a deixando inebriada com seu perfume, sendo sufocada no mais sentido perfeito. Suas lágrimas caíam nas bochechas de Sakura e ela, mesmo atordoada e atônita, conseguia sentir o molhado que não era dela escorregar para um fim em seu queixo.

– É você. — falou mais convicta e empolgada, se é que, em seu atual estado, isso era possível.

Estava sentindo seu peito se descontrolar. Tinha uma britadeira no lugar de seu coração. Não estava sonhando, não era uma lembrança criada ou tirada do fundo de sua mente...

Era real.

– Sou eu, Sakura. Seu Sasuke. Eu vim te buscar. — traçou a bochecha dela com seu dedão, sorrindo conforme a via abrir um enorme sorriso de felicidade, misturado com muitas de suas lágrimas descendo descontroladamente seu rosto avermelhado.

Era, realmente, seu Sasuke. Ela não estava delirando. E se tivesse, se jogaria na loucura colorida que era seu reencontro com ele.

Tudo o que eu fiz foi pensando em nós dois.

Notas finais
Relaxem viu, Sasori ainda vai ter o que merece. Próximo capítulo... Sakura delirando ;'() Até o próximo o/