Esquecimento
16 Felicidade: Momento Único
Notas iniciais
Esquecimento
Escrito por: Kohana
Capítulo Dois: Felicidade: Momento único.
Derramei uma lágrima porque estou sentindo sua falta. Ainda me sinto bem o suficiente para sorrir Garota, eu penso em você todos os dias agora. Houve um tempo que eu não tinha certeza. Mas você acalmou minha mente. Não há duvida, você está em meu coração agora...
Por muitos anos ela se sentiu vazia, sozinha, desolada. Ainda que tivesse dois filhos, cujo só sabiam fazê-la feliz, ela não conseguia evitar o vazio que tinha dentro dela. Como se algo não tivesse certo, como se algo faltasse.
De fato, faltava algo.
Quando perdeu, de certa forma, Sasuke, ela provou o que era dor de verdade. Porque até então, a única perda que tinha era de seu gato, este que ela nem lembra mais o nome.
Mas perder o homem que ela amava, que todas as noites pensava em um futuro com ele, a quebrou de todas as formas dolorosamente possíveis.
E ainda que perguntassem como ela estava, ela nunca soube descrever o que sentiu naquele momento.
Dor, desespero e uma cratera se fazendo presente em seu peito pouco a pouco. Se espalhando conforme seu consciente afirmava que o que estava acontecendo era verdade. Porque naquela hora, naquele dia, ela prefiriu até pensar que era uma brincadeira de mau gosto.
Mas não era. Era real, terrivelmente real.
E ela gritou quando se deu conta disso. Chorou. Se jogou no chão. Apertou seu peito diversas vezes na tentativa desesperadora de arrancar aquela dor agonizante, irritante e que conseguia sufocá-la. Aquela dor que hoje ela consegue domar, mas que ainda está presente com ela, todos todos os dias.
E mesmo que estivesse viva, machucada mais emocionalmente do que fisicamente, ela sentiu-se morta, ou melhor, invalida. Como se uma parte do seu corpo não funcionasse mais.
A parte que Sasuke ocupava.
Todavia, tudo o que foi dito, o que ela acreditou, as palavras, os sentimentos, tudo mudou. Pois ele lembrava dela, não das lembranças, mas carregava com ele os sentimentos que nutriu por ela.
Sasuke provou que a amava da maneira mais linda que poderia ter. Ele provou que aquilo que eles tinham era muito mais forte do que a perda das lembranças dele, ainda que não soubesse disso. Ele provou que aquele maldito médico estava errado, provou que a medicina em sim estava errada, pois muitos tentaram todos os tipos de tratamentos, e todos falharam.
Porque na verdade, Sasuke nunca precisou de um médico. O que ele realmente precisava, tinhas nome, sobrenome e cabelos róseos, denominada Sakura.
E ela agora sabia disso e só queria desfrutar da alegria e a paz que sentiu no dia anterior, o qual ele demonstrou tal confiança nela.
Queria sorrir, pular e gritar de alegria. E ninguém poderia tirar aquilo dela, ela tinha o direito.
Afinal, ela tinha motivos de sobra para estar feliz.
Ainda que estivesse em um dia antes da primeira, depois que voltou, audiência de Mia, não conseguia se desfazer daquele sorriso que insistia em brincar em seu rosto.
E ela tinha um motivo, aliás três motivos. Sendo um deles, como sempre, Sasuke e o outros seus dois pentelhos deitados em sua cama, como quase todas as manhas, um de cada lado dela.
– Bom dia! — saudou ainda sonolenta.
– Shii, a gente ainda ta dormindo — disse uma pequena ruivinha, com um leve rouco em sua voz.
– Ah é? — ela balançou a cabeça em positivo, ainda de olhos fechados — E desde quando pessoas que estão dormindo falam? — pulou encima da pequena apertando sua barriga, fazendo Mia se contorcer e rir por causa das cócegas.
– O Daike fala dormindo. — afirmou a garotinha dando uma risada gostosa de se ouvir, depois de ser "torturada".
– Hn — sorriu faceira se aproximando do garoto que estava virado o contrário a ela. — Acorda dorminhoco! — apertou Daisuke também, que começou a rir já que não estava dormindo.
– Eu não... estou... dormindo mãe — dizia tropeçando nas palavras por causa do riso.
– Eu sei. — afirmou largando o garoto que logo em seguida, aproveitando a mãe estar de costas, pulou encima dela, fazendo Mia fazer o mesmo.
– Cócegas na mamãe! — gritou Mia colocando as pequenas mãozinhas no pescoço de Sakura, que tentava não rir.
– Vocês... hahaha... invadem minha cama... e eu que... sofro? — gargalhou descontrolada, já que Daisuke "atacava" na barriga e Mia no pescoço, rindo da situação da mãe.
– A gente para... — disse Mia ainda forçando os dedos no pescoço de Sakura, que se contorcia de tanto rir. — Mas você vai ter que me dar bolo.
– Chantagist... hahah — Daisuke mexeu mais seus dedos sobre a barriga desnuda de Sakura.
– Trato feito? — perguntou ele.
– OK OK — disse enquanto os dois a soltava, sentando a frente dela. — Deixando claro que eu perdi porque quis. — afirmou alternando em olhar para os dois, com o dedo indicativo levantado.
– Claro... — disseram os dois ainda rindo.
[...]
A casa estava mais silenciosa do que o normal. Nem mesmo a voz de Mia, que até pouco tempo era ouvida, se fazia presente.
Não que ele não gostasse do silêncio, na verdade, o presava acima de tudo. Contudo, os dias naquela casa fizeram com que ele repensasse sobre paz e sossêgo. Afinal, a bagunça e o barulho, que se era ouvida todas as manhas, pelo menos as que ele estava lá, era mais do que convidativa.
Algumas vezes era tão bom ouvir os três, que ele até se levantava inconscientemente, afim de participar da euforia. Sem falar de quando se pegava sorrindo, algumas vezes gargalhando ou até pensado em uma boa resposta quando se era possível escutar muito bem. Tudo inconscientemente.
Era o que ele alegava. Ainda que no fundo ele gostasse daquele lado dele, que amava toda aquela diversão dos três.
Estava tão perdido em seus pensamentos, que só percebeu que não estava sozinho quando o barulho da cadeira se arrastando chegou aos seus ouvidos.
Tirou os óculos, colocando o papél que estava na sua mão na mesa, franzido o cenho para a pequena figura que tinha em sua frente, com um olhar analítico e sério, quase de um adulto.
– O que está observando? — indagou Sasuke, apoiando os cotovelos na mesa de cor tabaco.
– Você. — disse diretamente, reparando em cada gesto que Sasuke fazia.
– Hn... — se remexeu na cadeira, meio desconfortável sobre os pequenos olhos negros. — A casa está silenciosa... — tentou mudar de assunto, observando um ponto imaginário.
– Minha mãe foi comprar o bolo que a Mia gosta, e levou ela. — deu de ombros, desviando um pouco o olhar sobre Sasuke. — Er... eu posso te fazer algumas perguntas?
Sasuke arqueou uma sobrancelha, estranhando as atitudes do garoto, mas somente assentiu. Não podia deixar de admitir que estava curioso sobre o que ele ia perguntar.
– Sabe... — ele arrastou mais a cadeira para a frente. Tentou deixar sua postura ereta, para pelo menos Sasuke conseguir ver ele já que, mesmo sentado, não podia ser perfeitamente visto. — Você tem filhos? — perguntou, também diretamente, deixando um moreno confuso e surpreso.
– Não. — respondeu Sasuke com a boca entre aberta, uma das sobrancelhas arqueadas e um olhar direto com o olhar do pequeno garoto, que não pareceu muito satisfeito com a resposta.
– Gostaria de ter? — continuou, deixando Sasuke mais curioso sobre aquelas perguntas.
– Sim... — sorriu de canto, se encantando com a personalidade de Daisuke.
Daisuke também sorriu. Entretanto ele não conseguia entender de fato tudo. Tinha certeza que ouviu certo sua avó dizer que Sasuke era seu pai, mas o homem a sua frente não demonstrava nenhum sinal de que tinha um filho e que este estava na sua frente.
– Tem certeza que não tem um filho? — perguntou novamente, só para ter certeza.
– Se tenho eu não estou sabendo. — sorriu ainda se divertindo com as perguntas que o garoto fazia e as caretas que recebia após responder, sem perceber que aquela era uma resposta plausível para Daisuke.
– Hn — sorriu deveras feliz, assustando até mesmo Sasuke com o tamanho do sorriso.
Mas afinal, ele havia dado uma pista para Daisuke, então era difícil para o pequeno garoto não sorrir. — Obrigada Sasuke. — saiu da cadeira, acenando com a cabeça. Sasuke apenas sorriu enquanto o garoto se dirigia a porta da saída.
– Se tivesse um filho, queria que fosse como você. — murmurou junto a um sorriso enquanto a porta batia.
[...]
– Enfim em casa! — disse cansada após fechar a porta atrás de si, colocando uma criaturinha, com touca e cachecol, no chão.
– Achou mãe? — indagou Daisuke, surgindo do corredor a frente da mulher.
– Demorou, mas achamos — sorriu observando a pequena garota saltitando com um pequeno pacote na mão. — Entretanto, só irá comer depois do almoço, — finalizou enquanto Mia fazia um pequeno bico.
– Mas...
– Sem mas senhorita Mia. — pegou o pacote vendo a menina suspirar derrotada.
Sakura guardou o pacote na geladeira enquanto Mia corria para o quarto, afim de brincar. Assim que se virou para seguir caminho, se deparou com seu pequeno filho escorado no batente da porta.
– Algum problema filho? — indagou ela se agachando na altura dele.
– An... — coçou a nuca receoso. Sakura sorriu pegando ele no colo e o colocando sobre o balcão dali, cruzando os braços para que ele continuasse.
– Sabe que pode ser direto com a mãe, não sabe? — indagou após perceber que ele estava nervoso com o que iria falar.
– Mãe... — começou depois de suspirar. — Por que eu e a Mia não temos um pai?
Sakura, depois fe ouvir a pergunta do filho, preferiu que ele não fosse tão direto. Na verdade, queria que ele nem fizesse aquele tipo de pergunta, a qual ela não sabia como responder. Apesar de saber que um dia Daisuke a questionaria sobre aquele assunto, não podia evitar se sentir nervosa.
Enrolar Mia com a história de que ela era pai e mãe sempre foi fácil. Mas nunca foi segredo para ninguém que aquela história não colava com Daisuke.
Ele sempre soube que crianças deveriam ter pai e mãe. Só nunca ousou perguntar nada afinal, se sua mãe havia dito aquilo, ele era esperto suficiente para saber que ela queria assim. Se ela queria assim, ele não tinha nada o que perguntar.
E Sakura sabia disso, e era exatamente por saber de tudo isso que estava mais intrigava do que nervosa.
– Por que a pergunta Daisuke? — indagou tentando se manter firme, séria. Apesar de querer chorar só de imaginar que o pai dele estava a metros de distância daquele local.
– Bem... era só uma pergunta. — sorriu pulando para o chão — Mas não precisa mais responder, foi só coisa de momento. — Sakura arqueou a sobrancelha para ele, desconfiada da situação. — Eu gosto mesmo é de ter você como pai e mãe. — sorriu e após isso, sumiu da vista de Sakura.
A rosada ficou olhando a porta da saída, ainda intacta com a pergunta do filho, mais ainda pela saída rápida, como quisesse fugir dela. Ato que não passou despercebido por ela.
E apesar de ter percebido este pequeno fato ela não percebeu que Daisuke não queria uma resposta, queria outra coisa muito diferente disso.
– Estranho... — murmurou pensativa.
[...]
Secou os cabelos em frente ao espelho, arrumando a toalha em sua cintura. Depois de um demorado e gostoso banho, só queria dormir e se preparar para o dia seguinte.
O dia em que ele estaria cara a cara com o maldito infeliz que, apesar de nunca ter visto, já nutria um ódio descomunal. Tanto que, mesmo sem saber suas características físicas, imaginou dando um belo soco de direita na cara do genitor de Mia.
E isso lhe subia o sangue de tanta raiva, somente em pensar.
Todavia, suas raiva sessou quando saiu de seu banheiro e se deparou com a mulher de, literalmente, seus sonhos. Mal havia se encontrado com figura de robe e cabelos soltos e já estava sorrindo feito idiota.
– Eu vim desejar boa noite. — sorriu levantando-se da cama dele, indo em sua direção.
– Só boa noite? — indagou rodeando a cintura fina com seus braços.
– Desejo também que você sonhe comigo. — disse após deixar vários beijos sobre a face de Sasuke.
– É melhor desejar outra coisa... — a puxou para mais perto, sentindo o doce perfume de rosas. — Esse desejo já foi atendido.
– Então por que você não deseja algo? — indagou, enfatizando o "você", com sua voz levemente rouca, colocando seus braços ao redor do pescoço de Sasuke, deixando ele louco da vida.
– Eu desejo... — puxou o robe dela fazendo-o cair sobre o chão, dando visão a camisola fina, quase transparente e branca da mulher. — Te ter aqui a noite inteira... — beijou o pescoço alvo e macio de Sakura, fazendo ela tombar sua cabeça para trás. — Deitada ao meu lado, me deixando te amar... me amando. — completou e, logo após, sem nem deixar Sakura questionar, roubou seus lábios caminhando junto a ela a caminho de sua cama.
Suas línguas dançavam uma dança calma, mas quente. A cada som de seus lábios se tocando, Sakura apertava mais o pescoço de Sasuke, o trazendo o mais perto possível, fazendo com que aquela dança se tornasse muito mais quente e rápida. A cabeça de ambos se movimentava freneticamente, enquanto um se alternava em morder o lábio inferior do outro.
E ela até quis dizer algo, questionar, dizer que não era certo e que seus dois pentelhos poderiam aparecer a qualquer hora. Entretanto, antes de pensar em qualquer coisa, sua mente já estava nublada, em branco.
As sensações dos toques de Sasuke não trazia apenas nostalgia, na verdade este era o menor dos sentimentos naquele momento.
Desejo, líbido... amor!
Ora, com certeza o amor era o maior e mais forte de todos os sentimentos ali, mais intenso e com certeza vinha de ambos.
Nada mais importava, só o doce e gentil toque dele. Um simples toque que trazia sensações maravilhosas para Sakura, que desejou e sonhou com ele todos os anos, dias, meses... Era tudo o quela queria; sentir Sasuke.
Ela rodeou suas pernas, lentamente, á cintura de Sasuke enquanto era deitada do mesmo jeito sobre a cama por ele. Uma das mãos de Sasuke passou por sua clavícula, lhe passando uma onda de eletricidade. Descendo até seios cobertos pela camisola, fazendo Sakura arfar.
– Só minha Sakura...– acariciou o rosto da mulher que já tinha a respiração descompensada. — Vai ser sempre minha.
Nada vai nos separar Sakura...– a voz dele alternava sussurrando no ouvido dela e na mente dela, lhe proporcionando as melhores lembranças.
– Eu sempre fui.– sorriu o puxando-o para um abraço, que foi retribuído de bom grado.
– Mas, apesar de te querer, te desejar... — a olhou serenamente, pensando com muita cautela sobre o que ia falar — É melhor não fazermos isso agora. — encostou sua testa na dela, arfando e enlouquecendo com o perfume dela, o perfume que ele amou antes mesmo de amar quem o usava. — Mesmo que eu esteja louco de vontade de arrancar essa camisola... — admitiu observando umas das mãos ainda sobre os seios medianos.
Sakura sorriu com a atitude de Sasuke, acariciando seu rosto também. Tudo o que o homem fazia era lhe deixar feliz, sempre, em qualquer ocasião.
– Eu sei — selou os lábios dele, fazendo menção de sair. Afinal ela também era humana, e estar tão perto de Sasuke era tentador de mais.
– Eu não menti quando disse que queria você aqui a noite toda. — disse puxando ela de volta para ele, fazendo ela passar de seus limites.
– As crianças...
– Shiii — interrompeu-a com uma careta — Não estraga o momento.
Sakura sorriu, se aconchegando sobre o peito de Sasuke, levando uma de suas mãos sobre o mesmo. Não era como se ela não quisesse estar ali também. Na verdade, aquele era o único lugar do mundo em que ela queria estar.
Sasuke colocou o queixo sobre a cabeça dela, rodeando sua cintura, enquanto um sorriso brincava com seus lábios e um turbilhão de coisas passavam por sua cabeça.
Nunca acreditou em felicidade e, se não tivesse encontrado, nunca acreditaria.
Naquele momento, ele rezou em mente para que ninguém nunca a levasse. A felicidade, Sakura e as crianças.
E de fato, não sabia se merecia ter eles que, em tão pouco tempo, mudou a vida dele. Todavia, verdadeiramente, só queria que ninguém estragasse aquele momento...
E mal sabia ele que, aquele momento nunca poderia ser estragado.
Eu disse: mulher, pega leve, tudo vai se resolver bem por si mesmo. Tudo que precisamos é de um pouco de paciência. Eu disse: doçura, vá com calma. E vamos ficar bem juntos. Tudo que precisamos é de um pouco de paciência.
Guns N' Roses - Patience
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