Esquecimento
17 Aquele que ela escolheu
Notas iniciais
Esquecimento
Escrito por: Kohana
Capítulo Dezessete: Aquele que ela escolheu
Muitas coisas fizeram falta em sua vida, ainda que tivesse a melhor família do mundo. Amava sua mãe mais do que tudo em seu pequeno tempo de vida, e amava sua irmã do mesmo jeito. Estar com elas sempre o proporcionou as melhores coisas, os melhores dias... Ele nunca teve um dia triste, isso ele podia afirmar.
Contudo, não podia negar que sabia que algo faltava. E isso era lembrando pelo menos uma vez no ano: o dia dos pais, do qual ele entregava seus presentes feito na escola para sua mãe, já que ela se intitulava pai e mãe.
Mas ele sabia, sempre soube que aquilo não estava certo.
Únicos e especiais? Então era por isso que não tinham um pai?
Ora, só a Mia poderia acreditar naquilo mesmo!
Ele sempre soube que não era bem assim que as coisas funcionavam e que algo estava errado, ou ele queria que algo estivesse.
Cogitou a idéia de seu pai estar morto, o que era o mais óbvio. Por um tempo, quis pensar assim, e era perfeitamente plausível achar que estava certo, já que não havia fotos, sua mãe não ousava falar sobre o assunto... Ele com certeza estava morto.
Todavia, uma vez que viu sua mãe chorar, ele mudou de idéia. Não por simplesmente ela estar chorando, pois ela poderia ter feito aquilo por qualquer motivo. O motivo pelo qual ele mudou de idéia, foi por causa da frase que conseguiu ouvir, ainda que mal conseguisse ver ela pela pequena fresta da porta.
Você precisa se lembrar fe mim... amor, por favor, lembre de mim... Daisuke precisa de você... eu preciso de você. — ela chorava baixinho, com um papel que ele não conseguiu ver ou saber o que era alem disso.
E aquela não foi a única vez.
Ver sua mãe naquele estado o fez querer abrir aquela porta, e correr para acalmá-la, aconchega-la e cuidar para que ela não sofresse. Foi com certeza a cena mais triste e doída que ele havia visto. Mas soube naquele momento que aquela frase, todo aquele sofrimento, tristeza... tudo o que sua mãe fazia e murmurava era por causa do seu pai, que com certeza, dado as palavras dela, não estava morto.
Depois daquele dia, mesmo sem entender muito, nunca mais ousou a se questionar mentalmente sobre como sua mãe o escondia sobre seu pai. Se achou egoísta, ainda que na época não entendesse bem o sentido da palavra.
Entretanto, de novo, as coisas mudaram. Conhecer Sasuke lhe trazia uma sensação diferente, cujo ele nunca sentiu com nenhum pretendente de sua mãe. E, logo após descobrir que Sasuke era seu pai, soube que aquela sensação era algo como saudade.
Mas como sentir falta de algo que nunca se teve contato ou ao menos se sabia da existência?
Ele não soube explicar a si mesmo. Quis acreditar que aquele sentimento era um misto de sua curiosidade com a dor de sua mãe, que ficava visível toda vez que ele via ela com Sasuke.
Com tudo isso, ainda não tinha certeza absoluta sobre tudo. Sua vó era meio louca, poderia ter dito algo errado e, em todo caso, poderia estar ele mesmo errado com suas conclusões, e aquela era uma hipótese plausível.
Mas as coisas mudaram mais uma vez, como veio acontecendo desde que viu sua mãe naquele estado. Primeiro conversou com seu suposto pai, e o mesmo não deu sinal algum de que sabia sobre a existência de um filho, ele mesmo disse aquilo.
Ao perguntar sobre seu pai para sua mãe, ele não quis saber de fato a resposta, ainda que ansiava por ela lhe responder algo aceitável. Mas o foco de sua pergunta, era observar o que Sakura faria, como reagiria...
E bem, ela agiu do jeitinho que ela queria.
E aquela, indiretamente, foi a resposta dela, o dito cujo que ele precisava para encerrar suas dúvidas. Aquilo só seria completo mesmo com um exame de DNA, mas não era como se ele não soubesse do resultado.
E, depois de estudar os dois, ele soube de fato o que aconteceu, juntando tudo como um quebra-cabeça.
Seu pai não lembrava de sua mãe ou dele, se é que chegou a conhecer ele. E tudo o que ele não sabia era o porquê daquilo.
Mas não era como se ele não fosse procurar por respostas.
[...]
Levantou-se de sua cama, como todos os dias, no mesmo horário, ainda que não soubesse ver horas. Sorriu pegando sua boneca ao seu lado, a qual sempre dormia com ela. Se levantou e pulou no chão, esfregando seus olhos pela irritação de acordar a pouco tempo.
Foi até sua porta e a abriu, se colocando um pouco nas pontas dos pés. Correu pelo corredor ainda nas pontas dos pés, balançando seus cabelos desgrenhados para um lado e para o outro. Chegou na porta final do corredor, e a empurrou, visto que esta estava encostada.
Os lençóis bagunçados sobre a cama, indicava que alguém esteve ali, mas de fato ninguém estava. Suspirou frustrada, dando meia volta e voltando a caminhar no corredor.
Ao chegar na porta de seu quarto parou virando seu rosto para o lado, focando em outra porta ali. Um pequeno sorriso nasceu nos lábios finos de Mia, que voltou a correr nas pontas dos pés, só que em direção a tal porta.
[...]
Acordou no mesmo horário, sorrindo e se pondo sentado em sua cama. Pulou da mesma, coçando a cabeça onde seus cabelos estavam todos desgrenhados. Caminhou lentamente até sua porta abrindo-a.
Ao entrar no quarto do final do corredor, percebeu que este estava vazio. Fez uma pequena careta de desgosto e voltou pelo corredor com o olhar baixo.
Antes de entrar em seu quarto, notou que a porta do quarto de sua irmã estava aberta. Foi até ele e percebeu que este também estava vazio. Arqueou uma sobrancelha e saiu dele, fechando a porta do quarto dela.
Entretanto, antes de entrar em seu quarto, notou uma pequena fresta aberta na porta do quarto ao lado do seu.
Sorriu minimamente, andando calmamente até ela e já imaginado quem estaria lá além do hospedeiro do quarto.
[...]
Abriu os olhos, os fechando de novo com certa pressão por conta dos raios solares pairados sobre seu rosto. Levantou seus braços para o alto, se alongando e soltando um pequeno gemido. Quando os soltou sobre o colchão, sentiu algo que com certeza não era o lençol.
– Usurpadores de cama. — resmungou descrente ao tatear a cama e sentir dois pequenos corpos, dos quais ela sabia que não estava ali antes de dormir.
Enquanto ela estava em uma ponta da cama e Sasuke na outra quase caindo, as duas crianças estava, no meio, ocupando quase todo o espaço.
– Eu sei que não estão dormindo. — disse em alto e bom som, fazendo Sasuke acordar na mesma hora. Ele levantou seu rosto, já que estava de bruços.
Encarou Sakura, com seu rosto com algumas marcas. Estreitou seus olhos em direção a ela, como se estivesse confuso. Ela acenou com a cabeça para baixo e, depois de agradecer em mente por ter colocado um shorts antes de ir dormir, ele sorriu com a cena das duas crianças deitadas em sua cama.
– Então, será que eu vou ter que levantar vocês? — suspirou ela se colocando sentada na cama.
– huuun... — gemeu Mia, se alongando — A gente estava dormindo mãe.
– Sempre estão. — revirou os olhos.
– Você não estava lá. — disse Daisuke se colocando sentado também.
– Annn... — ela corou quando percebeu a situação em que estavam. Sakura encarou Sasuke, colocando as mãos no rosto, de tanto que estava envergonhada.
– Tudo bem mãe. — sorriu Daisuke, sabendo bem porque a mãe estava assim, sentando-se sobre o colo dela.
– Oh... vocês não deveriam invadir a cama do Sasuke. — choramingou afagando os cabelos negros.
– E porque você invadiu então, mãe? — indagou Mia, sentando-se ao lado de Daisuke sobre o colo da mãe.
Sasuke riu baixinho enquanto Sakura ficava quase igual um pimentão.
– Bem, não é como se ela tivesse invadido. — começou Sasuke arrancando um sorriso de Sakura.
– An... então desculpa Sasuke. — disse Daisuke coçando nuca.
– É que a mãe não tava lá. — choramingou Mia.
– Como sabia que eu estava aqui? — indagou a mulher, arqueando uma sobrancelha.
– Eu não sabia. — disse Mia deitando sua cabeça sobre o colo da mãe.
– Eu também não. — Daisuke fez o mesmo.
– Então... — Sakura parou quando percebeu a resposta silenciosa dos dois, que veio por meio dos olhares direcionados a Sasuke — Fui trocada?! — abriu sua boca em um perfeito "o" alternando em olhar Sasuke e as crianças que riram.
– Hmm... — Sasuke riu da mulher que olhava as crianças incrédula. — Bem... isso é algo bom... pra mim. — sorriu vitorioso recebendo um olhar estreito de Sakura.
– Oh não... — começou Mia se afastando.
– Ela vai atacar. — riu Daisuke fazendo o mesmo.
Sakura levou suas mãos até o pescoço de Sasuke, seu ponto fraco. Sasuke caiu sobre a cama, rindo como nenhuma das crianças haviam visto antes. Ele mal conseguia falar e só conseguia se contorcer de tanto que ria.
Porém, o jogo virou quando Sakura ficou por de baixo dele, com seus braços presos na altura de sua cabeça.
– Jogo sujo! — riu enquanto Sasuke só fazia observar ela se contorcer por debaixo dele.
– Querem fazer as honras crianças? — indagou enquanto cada criança já se colocada para cada local.
– Vocês... Meus próprios filhos! — choramingou.
– Como consolo. — selou seus lábios, aquietando Sakura que sorriu, arrancando uma careta dos dois ali presentes. — Ataquem! — gritou Sasuke e as duas criança não esperaram pedir uma segunda vez.
A cena era contagiosa, e enfim tinham exatas quatros pessoas felizes ali, ainda que Sakura dissesse que iria cortar a mesada de duas criaturinhas ali.
[...]
Pegou a bolsa no sofá, arrumando seu sobretudo. Pegou a pasta em sua mesinha de centro e respirou fundo nervosa.
– Vai ficar tudo bem. — sentiu duas mãos pousarem em seu ombro, a relaxando com uma massagem.
– Vai sim. — se virou para ele, enlaçando seu pescoço com os braços. — Tenho o melhor advogado.
– Tem mesmo? — indagou e logo após lhe beijou a testa.
– Uhum... — sorriu selando os lábios de Sasuke.
Pegou sua maleta no sofá e com a outra mão pegou na mão dela, que sorriu com a cena.
– Bem... — olhou para as crianças a sua frente. — Acho que é melhor ir conosco não acha Brit?
Brit era a babá bilíngüe das duas crianças, desde que Daisuke mal podia falar e Mia nem tinha nascido. Alta, cabelos castanhos, dona de um corpo muito bonito, digno de uma garota de vinte anos. Além tudo, era uma pessoa de confiança de Sakura.
– Sim, é caminho para loja de conveniência que vende o bolo que a Mia gosta. — sorriu com a garota no colo. — De lá pegamos um táxi.
– Bolo! — levantou as mãos a garotinha.
– Somente depois do almoço. — alertou Sakura.
– Ahhh... — murmurou frustrada.
– Daisuke, fique com a April e comporte-se enquanto Brit não volta. — se agachou ficando a altura dele.
– Tudo bem mãe. — sorriu recebendo um beijo na testa, na bochecha... em vários lugares que nem deu para contar. — Tchau Sasuke... — sorriu para o homem que se aproximou dele.
– Tchau Daisuke. — deu um pequeno peteleco com dois dedos na testa do garoto que sorriu. — Cuide da casa e de sua irmã.
– Com certeza! — levou a mão na testa, como um soldado levando ordem de um general e aquilo fez Sasuke sorrir.
[...]
Estacionou na frente da loja, onde Brit saiu com Mia depois que a pequena recebeu vários beijos e abraços da mãe, exagerados claro!
Brit entrou na loja pouco movimentada com a pequena garota no colo. Foi até o balcão e a colocou encima dele enquanto fazia o pedido.
Mia brincava com um pequeno urso que levou, mas levou a atenção a um homem que parou a sua frente, com um sorriso que a assustou.
– Olá Mia. — disse o homem, e Mia franziu o cenho.
– Senhor... — Brit se virou rapidamente assim que ouviu a voz que conhecia perfeitamente, cobrindo Mia com o corpo. — O que o senhor faz aqui? — indagou olhando pros lados, afim de achar alguém mais.
– É um ambiente público. — sorriu de lado encarando a mulher que tremeu dos pés a cabeça. — E tem algo que eu queria ver aqui. — voltou seu olhar a garota que o olhava curiosa.
– Seu cabelo é igual o meu. — sorriu apontando para o homem.
– É sim. — se aproximou. — Sabe por quê?
– Senhor... — Brit se colocou mais a frente temendo o que ele iria falar, sem deixar ele se aproximar mais. — Por favor...
– Será que nós vamos ter que conversar igual daquela vez? — encarou-a, fazendo Brit tremer engolindo em seco.
– Ela está sob minha responsabilidade. — Firmou o quanto pôde sua voz.
– Eu não vou fazer nada afinal... — olhou a garota que estava mais confusa. — A pequena Mia é minha filha.
[...]
Sakura estava prestes a ligar o carro, porém não o fez ao perceber uma bolsa, no banco do passageiro, pelo retrovisor.
– Esqueceu a bolsa. — suspirou ela já tirando o cinto de segurança.
– Deixa que eu levo. — disse Sasuke fazendo o mesmo com o cinto, interrompendo ela que assentiu. — Fica pronta pra partir, eu já volto. — fechou a porta do carro seguindo em direção ao recinto.
[...]
– Senhor, você não pode fazer isso... — disse Brit pegando Mia no colo, que ainda parecia estar confusa com a situação.
– O que eu fiz? — riu descaradamente. — Mia é minha filha. — cantarolou.
– Par... — Brit se interrompeu quando ouviu o riso de Mia, que confundiu até mesmo Sasori.
– Você não é meu pai. — continuou rindo.
– Claro que sou! — franziu o cenho, totalmente confuso com situação.
– Eu já tenho pai, não é você. — sorriu, abraçando o pescoço de Brit que estava mais confusa ainda.
– E quem é? — indagou, furioso com a atitude da garota.
Mia ia falar algo, mas parou se balançando no colo da moça até Brit a soltar no chão.
A pequena correu até a porta onde um moreno estava entrando, indo em direção a ela. Ele sorriu se agachando, erguendo os braços para ela que pulou em seu colo. Sasuke andou com Mia até onde Brit estava, arqueando uma sobrancelha quando a viu, pois estava visivelmente nervosa.
– Senhor Uchiha... — Brit o olhou nervosa e Sasori sorriu de lado, encarando o homem que o encarou não muito satisfeito com a cena.
Sasuke ia falar algo, mas antes de começar foi interrompido.
– Ah, olha só moço. — Mia sorriu, como se já tivesse comido o seu bolo. — Esse aqui é meu pai. — apontou para Sasuke que sorriu, entendo toda a situação
E, ao contrário de Sasuke, Sasori tremeu de ódio.
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