Esquecimento
21 As Consequências da Verdade
Notas iniciais
Esquecimento
Escrito por Kohana
Capítulo Vinte e Um: As Consequências da Verdade
Todos escondem segredos. Alguns são triviais, não vão mudar a sua vida em nada. Outros, porém, são tão obscuros e complexos, que podem virar a sua cabeça no avesso. Entretanto, ninguém esconde segredos em vão. E do menor ao maior, cada um tem um limite de peso a se levar.
Nesta hora, neste lugar, desperdícios, erros... Quem era eu para te fazer esperar?
Bateu a porta, colocando sua bolsa na estante ao lado, logo após, observou seu filho andar até o sofá e sentar-se, provavelmente cansado. Desviou seu rosto e sorriu ao olhar sua filha dorminhoca em seus braços, dormindo em paz como sempre fez. Ao ver isso, não podia evitar esticar ainda mais os músculos de sua boca: finalmente estava livre de seu inferno, sobretudo, de Sasori, este que, afinal, poderia ser chamado de inferno também.
– Daisuke, vou colocar a Mia na cama. — balbuciou, pois não queria acorda-la. Daisuke acenou em positivo, e essa foi sua deixa para seguir adiante ao corredor.
Após sair do quarto da pequena Mia, seguiu para o seu. Antes de virar para sua porta parou: a porta de seu escritório estava aberta, mostrando não ter ninguém nele. Uniu suas sobrancelhas, gesto que indicava sua confusão, afinal, Sasuke deveria estar lá. Ainda sim, deu de ombros e continuou a andar, Sasuke poderia estar em seu quarto descansando, o dia fora cansativo para os dois.
Entretanto, ao se aproximar de sua porta, ela percebe o quanto estava errada.
– Você deveria falar sobre isso... - recuou sua mão da maçaneta ao ouvir aquela voz, sem coragem suficiente para continuar seu processo em abri-la.
– Não vai melhorar.– a voz fanha do outro lado da porta fez surgir um nó em sua garganta, fazendo-a paralisar seu corpo, sem reação quanto aquilo.
– Tente. — a voz conhecida por ela a encorajou do outro lado, fazendo seus olhos arderem conforme aquele timbre chegava aos seus ouvidos.
Não podia ser...
17 de março de 2008
"Você e sua mania de gravar vídeo pra tudo..." — eu disse á ele quando entrei no carro e vi a câmera em sua mão, começando aquele novo vídeo. Embora eu sempre reclamasse, eu tinha certeza que um dia iria rir daquilo, ele tinha aquela mania de me fazer rir até quando eu estava na TPM, sendo esta a fase que a minha auto estima está baixa. — Ela dizia, enquanto lembrava dele com a sua câmera no dia em que iam viajar."
No dia em que tudo mudou.
"Eu disse aquilo, perante a alegria que ele sempre me proporcionava, e eu não estava mentindo, naquele momento eu estava certa do que dizia. Mas, ao sair do quarto dele no hospital, logo após ele me perguntar quem eu era, eu percebi o quanto eu estava enganada. No fim, era um fato, eu nunca conseguiria rir ao ver aquele vídeo. Ele me lembrava que, se não fossemos para aquela viagem, talvez ele ainda lembrasse de mim."
Suspiros travados podiam ser ouvidos, enquanto ela lutava para não chorar diante a primeira vez que contava aquilo a ela.
"É mais uma ocasião especial — ele disse, sem nunca tirar o foco daquela câmera de mim. Eu já sabia do que se tratava, ele nunca conseguiu esconder nada de mim. Mas, ainda sim, fingi que estava alheia ao seu futuro pedido de casamento."
Fungou, colocando seus cabelos para trás com certa brutalidade. Seu rosto estava vermelho, banhado em lágrimas, seus olhos em um ponto qualquer daquele quarto, este que não fora visto. Ainda sim, mesmo que sua voz estivesse entre cortada, ela continuou:
"Eu amo você, Sakura." — foi a última frase que eu ouvi do meu Sasuke, antes de acordar naquele hospital. Ao que parecia, ele não tinha visto o caminhão e, quando este veio ao nosso encontro, ele se jogou na minha frente. Eu lembro... me lembro perfeitamente desse momento. Foi a última vez que senti ele tão perto de mim. E, omo ele mesmo sempre dizia, quando me contava as histórias da Grécia antiga, não há glória sem perda."
Levou seu olhar para o chão daquele quarto, sentindo o modo com que suas próprias palavras lhe machucavam.
"Quem é você?". — Essa pergunta acabou lentamente com o sorriso de felicidade que eu tinha por vê-lo ''bem'' e ele não precisou dizer mais nada para eu entender o que se passava. Mesmo antes de entrar no quarto do hospital onde Sasuke estava, eu já sabia que algo estava errado. Meu irmão, Naruto, respondia, nas milhares de vezes que eu perguntava, que ele ainda não estava acordado. Mamãe e papai diziam que eu só poderia o vê-lo quando os médicos deixassem. A tia Mikoto e o tio Fugaku, sendo esses os pais dele, sempre estavam lá, como se tivessem me vigiando. Todos os meus amigos evitavam me ver e eu os conhecia suficiente para saber que aquilo não estava certo, eu havia acabado de acordar de um coma, eles tinham que ir me ver. Eu não tive raiva deles, na verdade, quando eu entendi seus motivos, tive raiva de mim. Eu devia ter ficado no meu quarto, quieta, na minha, pois, se eu soubesse que, após ir lá, meu mundo inteiro fosse desmoronar, eu teria feito isso... Doeu vê-lo ali, me olhando como se eu fosse qualquer uma. Eu não era qualquer uma, eu era dele e ele deveria ser o meu Sasuke, mas naquela hora eu percebi que havia o perdido.
Queria não só fugir dos olhares de pena da familia e dos amigos, dos paparicos', dos falatórios... Eu queria, sobretudo, fugir dele, do olhar dele. Porque eu sabia que nada seria como antes, principalmente o modo com que ele me olhava. Ainda sim, mesmo com toda dor, eu fiquei algumas semanas no país, esperando algo que, no final, não veio. Sasuke estava recuperado de seu traumatismo craniano mas, por algum motivo que os médicos não sabiam explicar, havia perdido tudo o que se referia a mim. E eles deixaram claro que não havia volta, ele não ia se lembrar."
Ela colocou as mãos em seu rosto, chorando contra elas, enquanto outro fungado' podia ser ouvido no áudio do vídeo, provavelmente de quem estava gravando.
Embora fosse óbvio o desconforto em continuar, seus gestos provavam isso, ela prosseguiu:
"Hoje cedo, quando eu acordei, e não te vi, eu pensei em tanta coisa. Tive medo, ah como eu chorei, eu sofri em segredo, tudo isso, hoje cedo."
"Vim morar em Nova York, dar um tempo de tudo isso, mas a dor não passou, ao contrário, só piorou. Cada dia eu tinha que me convencer de que toda manha, quando eu acordava, aquilo não era somente um pesadelo de uma noite passada. Eu lutei contra isso, você sabe. Eu lutei porque a dor que eu sentia era a prova de que ele era, é e sempre será real. Eu estava me torturando, mesmo que estivesse longe, porque, ainda que eu saiba que ele vai construir uma vida um dia, pois sequer sabe quem eu sou, eu mesma não queria seguir a minha vida. Não havia mais vida, não para mim, minha vida era ele e ele, em outro país, não sabe quem eu sou."
A câmera se aproximou, conforme ela ficava em pé. Pela primeira vez no vídeo, Sakura sorriu, ainda que fosse um sorriso melancólico, ela o fez, sorria verdadeiramente feliz enquanto seguia um rumo. E, quando ela parou, pode se ver qual era seu rumo: a criança no berço estava embalada em um sono profundo, enquanto Sakura alisava os poucos cabelos negros em sua cabeça.
"Mas eu tive que voltar a viver, pois, mesmo não lembrando mais de mim, ele me deixou um presente, o melhor de todos. Eu só descobri que estava grávida dele pouco tempo depois que cheguei aqui, você estava comigo. E, ainda que eu sinta a dor de não ter ele, eu já posso afirmar que eu tenho uma nova vida. — sorriu, abaixando-se até o garoto e dando um beijo em sua testa antes de finalizar. — Ele é parecido com Sasuke..."
"- Sério? — a voz feminina, um pouco fanha e fungando, pela primeira vez, se manifestou no video. — Bem que ele não parece com você mesmo. — resmungou, ainda fungando como se estivesse chorando, aproximando-se com a câmera. — E já sabe o nome que vai dar para ele? — a mulher perguntou enquanto alisava a testa pequena da criança dormindo."
Ela sorriu e, não mais chorando, respondeu:
"- Sasuke disse que quando tivéssemos um menino, o nome dele seria Daisuke. — fungou, olhando para a câmera com seus olhos inchados, pela primeira vez. — Esse vai ser o nome dele, pra ser igual ao pai, como ele sempre quis."
Novas lágrimas fizeram-se presente, dessa vez, não só de Sakura. O áudio ficou abafado e a câmera foi parar na, ao que parecia, cama. Ainda sim, abraçando Sakura enquanto chorava, pode se ver longos cabelos loiros, chorando tão ou mais que ela.
Mais alguns segundos e o vídeo chegou ao fim, trazendo a tela preta de sua TV.
Sua face estava contorcida em uma careta, o que era resultado da força que fazia para não chorar. Abriu seus olhos, finalmente, observando seu quarto. Sequer lembrava-se de quando havia entrado nele, mas tão pouco se importou com isso naquele momento. Puxou o ar, mas o prendeu novamente quando sentiu as lágrimas caírem. Seu rosto estava vermelho, seus olhos também. Sua mão apertava sua blusa, pois, queria assim, tentar reprimir a dor que estava sentindo. Enfim, depois de tanto adiar, tomou coragem e observou sua cama, esta que estava bagunçada, o forro jogado no chão, os travesseiros também, vários discos de DVDs encima da cama... Seus videos.
Contorceu sua boca enquanto novas lágrimas faziam-se presente. Estava tentando parar, se controlar. Mas, diante ao que seus olhos viram, não pôde sequer conter o seus gemidos de dor, estes que saíram como se alguém estivesse enfiando uma faca em seu peito, totalmente descontrolados.
Ele estava em um canto daquele quarto, próximo a um dos criados-mudos. Estava agachado, com a sua cabeça entre seus joelhos, apertando-os com força conforme ele chorava e gemia, tão machucado quanto ela. Estava a tarde toda assistindo vários vídeos, mas nenhum o fez chorar mais que aquele, cujo ele assistiu 3 vezes.
Se aproximou, em passos lentos, incerta se deveria o fazer. Seus sentimentos estavam a levando para ele, pois nada estava doendo mais do que o ver naquele estado.
– Shion disse que eu precisava desabafar. — ela disse, depois de muito tempo receosa e muito ar tomado. — Quando eu percebi, ela já estava com uma câmera na mão. — limpou suas lágrimas, ainda que este ato não fizesse muita diferença por causa das novas que caíam. — Eu ia retrucar, mas naquele momento eu te vi ali, eu vi a sua mania nela... — parou, não conseguia mais falar. As lágrimas, o nó em sua garganta, as lembranças daquele dia, do acidente, Sasuke ali... Nada a deixava continuar, a impediam, fazendo-a cair no assoalho frio de seu quarto, diante a ele, sem forças, destroçada...
Finalmente ele levantou o seu rosto, mas ela preferiu, nesse momento, que ele não o fizesse. Seu rosto estava banhado em lágrimas, seus olhos inchados, vermelhos... Seus cabelos estavam bagunçados, quase cobrindo o seu rosto.
– Eu sabia que havia algo errado. — ele murmurou, ainda que, mesmo assim, sua voz estivesse rouca. — Mas eu não imaginei que fosse isso. — concluiu, sem sequer a olhar nos olhos.
Apertou seus olhos, ajudando as lágrimas a caírem. Colocou a mão em seu peito, o apertando, querendo assim, parar aquela dor, tamanho era seu desespero. Ouvi-lo a machucava e ele sabia, mas não podia evitar.
– Todo mundo sabia, menos eu. — ele riu, gesto que, ao contrário do que devia, só mostrou mais a sua tristeza.
– Você não lembrava de mim. — ela murmurou, ainda de olhos fechados.
– Mas eu devia saber. — chorou, ainda mais. — Devia saber que tinha alguém que me amava, que eu amava... — se interrompeu, movendo os negros de seus olhos, enfim, na direção dela, ainda que ela mesma não estivesse o olhando. — Eu devia, Sakura, saber que tinha um filho. — dessa vez, sua voz estava firme, mas de um jeito que mostrava sua raiva, o que fez, por sua vez, Sakura abrir os olhos.
– Fácil falar. — ela riu, da mesma forma anteriormente que ele. — E o que eu iria falar para ele? Que o pai sequer sabia quem era sua mãe?! O que eu diria a você?! — usou um tom firme também, irritada com as palavras dele. Daisuke não conseguiria entender, mesmo que fosse inteligente para sua idade, era só uma criança, vítima de tudo aquilo.
Se colocou de joelhos, aproximando-se dela lentamente conforme limpava suas lágrimas.
– Sabe o quanto eu desejei ter uma família? — indagou, fazendo-a sentir seu hálito contra seus lábios. — Todos tinham alguém, menos eu.
– Eu não tive culpa. — chorou, fazendo sua voz fanha e falhada sair um tanto mais alto.
– Você deveria ter ficado, conversado comigo... — murmurou, encarando o chão daquele quarto.
Ia dizer algo, mas fechou a sua boca antes mesmo de algum som sair por ela. Sentiu as novas lágrimas descerem, enquanto observava ele a sua frente de cabeça baixa.
– Quando eu disse que te amava, achei que me sentiria estranho, estava cedo demais. — ele continuou com suas lamúrias em seu murmuro rouco, quase como que ele estivesse sem voz. — Mas, ao contrário, quando disse, eu me senti como se estivesse encontrado um lugar só para mim. Te amar, Sakura, era a coisa mais certa a se fazer.
Os gemidos estridentes eram bem ouvidos naquele ambiente. Cada palavra era uma lágrima, mais malditas lágrimas...
– Me desculpa... — pediu abaixando sua cabeça até seus joelhos. — Estava doendo... — disse, lembrando de tudo o que passou, de toda a sua dor... — Não me deixa, não mais. — implorou, movendo sua cabeça para os joelhos dele, sem notar, nem ao menos, no que dizia.
De joelhos, eu vou pedir uma última dança, porque eu resistiria a todo o inferno para segurar sua mão.
Sua mão levantou-se, esta agiu automaticamente em direção aos cabelos dela, queria curar suas dores. Entretanto, antes de chegar ao seu rumo, ele recuou, mesmo lhe partindo o coração.
– Eu preciso de um tempo pra pensar. — ele sussurrou e, quem dera ela não tivesse ouvido a sua voz. Essa frase trouxe a tona toda uma maior tristeza. Não quis levantar seu rosto, pois seria muito doloroso ter que o ver partir. E, afinal, ela não precisou. Sua cabeça saiu do colo que até então estava, e esta ficou no chão frio, enquanto ela via os pingos de lágrimas caindo de seus olhos indo direto pro chão.
– Eu amo você. — mesmo com toda a sua dor, com a turbulência de sua cabeça e com as lágrimas, ele ainda pôde ouvi-la dizer.
Fechou os olhos, tentando, assim, reprimir toda a sua dor. Foi em vão, vê-la naquele estado era, de fato, sua dor e ele queria, queria muito ficar com ela, acalenta-la, dizer que tudo ficaria bem... Mas como dizer aquilo se ele mesmo não sabia se aconteceria? Ele não sabia mais de nada...
– Eu também amo você. — disse com sua voz rouca, seu rosto molhado, suas mãos trêmulas e o amargo de sua garganta. — Mas eu preciso de um tempo para organizar tudo isso.
Dizendo isso, ele caminhou rumo a saída, observando o corredor turvo, por conta das lágrimas que, novamente, se formavam.
Ele precisava pensar, aquilo doía nele também. Não queria deixá-la, mas não tinha opção, estava magoado, ressentido...
– Pai... — virou seu rosto quando ouviu a voz fina lhe chamar.
Secou suas lágrimas, sentindo a dor que aquela palavra lhe causava. Não era mais como se ele quisesse que ele fosse seu filho, Daisuke era verdadeiramente seu filho. Deus, como não notou a semelhança? Bem, não era como se ele fosse imaginar estar no meio de uma bagunça dessas. Ainda sim, não podia evitar sentir uma repulsa de si mesmo. Fora tão tolo e cego...
– Você vai embora? — indagou o pequeno com uma careta que, se não fosse por seu estado, o faria rir.
– Só... Só preciso pensar, mas eu vou voltar. — forçou um minimo sorriso, limpando seu rosto com rapidez.
Daisuke encarou o chão, soltando um suspiro logo após. Levantou o seu rosto e, em seus olhos, pode-se ver a linha de lágrimas se formando.
– Você vai esquecer ela de novo. — ele disse, um pouco baixo, ainda que ele tenha escutado perfeitamente seu tom ressentido. Até pensou em dizer algo, mas a surpresa fez morrer o que ele ia falar. Daisuke não estava perguntando e, mesmo que tivesse, não deixaria de lado uma certa surpresa. Mas, enfim, ele estava afirmando, e isso o mostrou o óbvio.
– V-Você sabia? — indagou, sem querer acreditar no que ele perguntava. Mas fora inevitável, com um aceno de cabeça, o garoto lhe respondeu. — Como?
– Você vai deixar ela, mais uma vez. — ignorou sua última pergunta, afirmando seus medos em voz alta, enquanto as lagrimas já banhavam seu pequeno rosto.
Sasuke tentou dizer algo, dizer o quanto aquilo estava lhe fazendo mal, mas era tarde demais, Daisuke já estava trancado em seu quarto, e ele nem ao menos percebeu quando. Avançou um passo em frente a porta dele, mas recuou. Não podia fazer nada estando daquele jeito então, bagunçando seus cabelos na medida em que seu peito doía, ele seguiu rumo a fora daquela casa.
[...]
Levantou sua cabeça, gemendo conforme suas lágrimas eram derramadas. Não queria o perder, não queria que fosse daquele jeito. Ela teve medo, sentiu na pele o quanto fora doloroso. Não queria o perder, não de novo.
Eu te amo, eu te amei o tempo todo. Eu sinto sua falta... Esteve tão longe por muito tempo. Você nunca irá embora, paro de respirar se eu não te ver mais.
Encarou a porta de seu quarto, secando suas lágrimas irritantes. Levantou-se, arrumando sua roupa. Não queria o perder e não iria, não de novo, não depois de tudo o que passou, depois de oito anos de sofrimento, ele não iria embora...
Correu o corredor todo enquanto a sua tristeza dava lugar para a sua determinação. Sasuke queria um tempo? Ele teria um tempo, mas não iria ser longe dela, nunca mais. Que fosse egoísmo, ela não se importava.
Tão longe, esteve tão longe por muito tempo...
Desceu as escadas, pois não tinha paciência para esperar o elevador. Talvez ele ainda não tivesse saído do prédio e, se preciso fosse, ela se agarraria em seu pé, na frente de todos.
Sorriu enquanto parava extasiada com a alegria por vê-lo ali diante a ela.
– Sasuke! — gritou, sem se importar com quem poderia ouvir, ainda que a recepção de seu prédio estivesse vazia, o que era quase impossível de se acontecer. Mas isso não importava, o que importava era ele estar ali.
Porque eu não vou deixar você ir, acredite e segure-se em mim, não vou deixar você ir...
Apertou a sua mão, tentando não virar-se quando ouviu a voz dela, lhe trazendo um alivio repentino, somente por ouvi-la. Ainda sim, não podia virar-se, não queria, pois se fizesse, não poderia ir embora, não iria, pois já era um enorme sacrifício somente estar parado, estando tão perto dela.
Contudo, ao olhar a porta de vidro a sua frente, esta que refletia tudo o que acontecia atrás de si, ele virou-se, infelizmente, no momento em que Sakura caíra nos malditos braços que não eram dele, sendo assim, tarde demais.
Sentiu o ódio tomar conta de seu corpo, enquanto avançava diante a ele para arrancar aquele sorriso venenoso de sua boca. No entanto, a última coisa que viu, fora Sakura sendo levantada, ainda desmaiada, para o colo do infeliz. Depois disso, mesmo tentando se manter acordado por ela, tudo o que viu fora a escuridão que suas pálpebras se fechando o proporcionou, sentindo, conforme isso acontecia, uma enorme dor em sua cabeça.
Ele caiu no chão, mas, ainda sim, pode se ver uma só lagrima cair de um de seus olhos, enquanto Sakura, que estava no colo daquele homem, era levada rumo a saída daquele prédio, totalmente desacordada.
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