Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! E chegamos na última semana de Espionagem de Outubro. Vocês também estão com a sensação de que o tempo passou absurdamente rápido esse mês? Eu nem acredito que faltam apenas cinco capítulos para o fim. O que vocês estão achando da história? Espero que estejam gostando. Eu quero agradecer demais a Mari e a AndreaNeves pelos comentários no capítulo passado. Eu nem tenho palavras para expressar o quanto eu sou grata pelo apoio que vocês estão me dando. Espero não decepcionar com o capítulo de hoje. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO

CAPÍTULO XXV – RECOMEÇO

O Recomeço. Uma festa realizada todos os anos no último dia do mês de outubro há oito anos pela família Barton para celebrar o recomeço de todos os membros da família, que passou pela sua maior crise durante dois anos após a minha suposta morte e partida de tia Tasha.

Depois que tia Tasha terminou com tio Clint e partiu, uma semana após a minha morte para a sociedade, tudo virou de cabeça para baixo em minha família. Não foi fácil para eles terem que lidar com a minha precoce partida e ainda que não veriam mais tia Tasha. Algo havia acontecido entre meus tios e isso abalou profundamente o psicológico de tio Clint, que passou a se isolar do mundo.

Durante quase três anos, ele nunca mais foi visto por ninguém da família. Nem mesmo eu conseguia contato com ele. Mesmo sem poder aparecer para meus primos, eu sabia o que isso havia abalado profundamente o relacionamento entre meus primos e suas vidas.

Começando por Oliver que não aceitou a minha morte, ele enfrentou um período turbulento e depressivo. Damon voltou a se envolver com pessoas erradas no mundo das lutas clandestinas. Nancy fugiu para Chicago com seu atual marido Jonathan, na busca de esquecer toda a dor que passou em Hawkins tanto pela minha morte quanto pelo pai babaca. Beth passou a se dedicar ao trabalho e a se envolver cada vez mais sem compromisso com homens de índoles duvidosas.

Elena já tinha perdido o pai, então quando tudo aconteceu, ela também teve dificuldades para enfrentar mais um luto e passou a se dedicar aos estudos e a trabalhar para ajudar a mãe a sustentar a casa sem qualquer descanso. Aaron conheceu pessoas perigosas e passou a se envolver com o tráfico de drogas. Sendo inteligente como era, nunca se encontraram provas de seu envolvimento, mas todos sabiam que ele foi responsável pelo aumento de consumo de maconha e cocaína em Hawkins.

Barry e Sam passaram a não confiavam em ninguém e seu comportamento também se tornou muito mais agressivo, com Sam se envolvendo em brigas com frequência e Barry não conseguindo se dar bem com o pai pelas escolhas que fazia. Ben, Austin e Thea eram muito pequenos para se lembrar ou entender com exatidão o que aconteceu, então apenas ficaram muito deprimidos por meses por não encontrar mais os primos todo fim de semana como estavam acostumados.

E então, assim como desapareceu sem dar qualquer explicação, tio Clint retornou para Hawkins em um dia de Halloween e reuniu todos da família Barton em sua mansão, onde realizou uma festa com o tem Recomeço. O objetivo foi esquecer tudo o que aconteceu quase três anos antes para melhorar nosso relacionamento entre família.

De alguma forma, ele ainda possuía um controle enorme sobre todos e conseguiu com facilidade que todos conversassem e colocassem seus sentimentos para fora. Apesar de não ter participado, eu sabia que havia sido um encontro único para todos. Foi o retorno daquela conexão única compartilhada apenas pelos membros da família Barton.

E foi por causa da importância dessa data que eu havia escolhido revelar que eu estou viva para os meus primos. Seria o meu recomeço também. E eu tinha esperanças de que o clima da festa pudesse dar um pouco de compreensão aos meus primos. Quer dizer, eu não tenho dúvidas de que a minha recepção não será tão positiva quanto eu gostaria, mas ao menos espero ter a chance de me explicar a eles os motivos que me levaram a fazer tudo o que eu fiz. Além disso, Leonard estará comigo, então me sinto mais calma e um pouco mais confiante.

O fato de ter o apoio de Barry, Cait, Sam e Freddie me ajudava e muito a manter as esperanças de que talvez os outros pudessem aceitar melhor a situação. Claro que o caso deles terem descoberto sobre a minha identidade não havia sido de propósito.

Barry e Cait estavam no lugar errado e na hora errada. Eu acabei me ferindo, deixei alguns bandidos escaparem e ainda tive que revelar minha identidade. Sam e Freddie estavam em perigo na França e, ao lado de Hillary, tive que agir para garantir que eles retornariam para Hawkins em segurança. Não foi a minha melhor missão também e no fim tive que contar mais com a sorte do que com as minhas habilidades.

Talvez por estarmos em situações complicadas que não dava tanto tempo para eles refletirem tanto sobre a gravidade da situação, eles até que aceitaram bem o meu retorno. No entanto, eu não poderia contar com essa mesma sorte dessa vez e era isso que fazia meu coração entrar em conflito. Ao mesmo tempo em que eu dizia a mim mesma que estava preparada para enfrentar a frieza e a rejeição de minha família, eu não sabia dizer se na realidade eu realmente estava, ainda que estivesse determinada a lidar e fazer o que for preciso para ter minha família de volta.

Observo minha imagem refletida no enorme espelho do quarto. Tio Clint havia me enviado o vestido longo preto sereia com uma bonita fenda na perna que eu usava de presente para comemorar que eu havia contado a verdade a meu pai e que estava me preparando para reencontrar meus primos. Ele parecia genuinamente feliz por reunir todos os sobrinhos em seu evento predileto do ano, ainda que Aaron não fosse participar esse ano.

Ele e meu pai ainda não havia se entendido por completo e isso fazia eu me sentir imensamente culpada. Tio Clint, por outro lado, afirmava que estava tudo bem e que eu não deveria me preocupar com isso. Aparentemente, ele já esperava por algo parecido e estava confiante que era apenas uma questão de tempo até que o teimoso Jim Hopper aceitasse melhor a situação. Até lá, ele esperaria pacientemente pelo irmão.

— Você está linda. – O comentário repentino de tia Tasha entrando no quarto acompanhada de Cait me surpreende.

— Tia Tasha! O que faz aqui? Pensei que estaria ocupada hoje. – Comento, abraçando a mulher que tenho como uma mãe.

— Estou, mas sempre consigo um tempinho para vir conferir como meus sobrinhos estão e dar um beijo de boa sorte. Ainda mais diante de um momento tão importante quanto esse. Você está preparada? – Pergunta a mulher, afastando-se para me encarar. Sorrio com nervosismo e ela acaricia meu rosto com carinho.

— Eu estaria mentindo se dissesse que não estou nervosa, mas não vou voltar atrás. Já está passando da hora de contar a eles que eu estou viva. – Respondo e tia Tasha, suspirando, concordando.

— Não se preocupe, Natasha. Barry e eu estaremos lá para ajudar. – Afirma Cait, sorrindo confiante. – É uma noite importante para a família. Talvez nem todos possam agir de forma tão agradável à princípio, mas todos possuem um grande coração e sei que em algum momento eles vão entender.

— Eu sei. – Concorda tia Tasha, pegando em meu relicário. Ela abre a peça e dá um fraco sorriso ao encarar a última foto em que tiramos. – Eu esperei tanto por esse momento. Nunca me perdoei em ter concordado em te afastar dos outros. Tenho carregado o peso da culpa em meu coração há tantos anos, que agora que você finalmente retornará para eles, eu nem sei como reagir. Eu estou muito orgulhosa da mulher que você se tornou, Sara. Você é forte e determinada. Por mais difícil que seja, eu sei que você vai conseguir contornar a situação e fazer seus primos te entenderem. Apenas peço que seja paciente. Principalmente com Oliver e Nancy.

— Eu serei. Eu prometo. – Respondo, abraçando a mulher novamente. Assim que nos afastamos, encaro-a com preocupação. – Conseguiu conversar com o meu pai?

— Sim e não. – Responde e eu a observo confusa. Tia Tasha ri amargurada e se senta em minha cama, encarando-me com um fraco sorriso. – Ele me contou como estava decepcionado comigo e como a minha traição havia sido dolorosa, que ainda não estava preparado para me ouvir e por isso pediu um tempo para que ele conseguisse se acostumar com ideia para que pudéssemos conversar e eu pudesse lhe explicar com calma o que aconteceu.

— Eu sinto muito, tia Tasha. A culpa é toda minha. – Lamento, sentindo-me culpada pela briga dos dois. Eu sabia o quanto a amizade de meu pai era importante para tia Tasha. Ela o tem como um irmão mais velho. Então deve estar sendo difícil receber esse tipo de tratamento. – Se eu...

— A culpa não é sua, Sara. Clint e eu estávamos preparados para esse tipo de reação de seu pai quando decidimos ir em frente com essa loucura. Você era uma criança em uma situação desesperadora. Era nossa responsabilidade impedir que você cometesse aquela loucura, mas também não aguentávamos mais te ver naquela situação. Essa foi a nossa última jogada de desespero e estávamos prontos para arcar com as consequências. – Afirma tia Tasha, sorrindo com confiança. Ela se levanta e segura meu rosto com as duas mãos. – Além disso, você se lembra do que seu tio e eu sempre te ensinamos?

— Nós precisamos assumir as responsabilidades de nossas escolhas, por mais difíceis que elas sejam. – Recito uma das frases que tio Clint mais repetia para meus primos e eu quando ainda éramos crianças.

— Exatamente. Você está indo de encontro a uma reunião onde terá que enfrentar as consequências de suas escolhas. Precisa enfrentar todos os problemas de cabeça erguida e confiança em suas decisões. Lute para fazer todos te ouvirem e seja firme sobre o seu ponto de vista. Reconheça que a forma como tudo aconteceu não foi agradável e é compreensível que fiquem chateados, mas você a escolha que acreditou e lutou para chegar onde está agora. – Aconselha a ruiva, encarando-me com intensidade. Assinto em concordância. Ela se afasta e abraça Cait com carinho. – Ótimo. Agora eu preciso voltar ao trabalho. Eu sinto muito por não poder ir, querida. Mas saiba que eu estarei torcendo por você. Vim apenas para conferir como você estava. Mas agora vejo que está animada, me sinto mais tranquila. Por favor, assim que sair de lá, ligue imediatamente para me contar o que aconteceu.

— Até quando ficará evitando o tio Clint? – Questiono, ciente do motivo de tia Tasha não me acompanhar no meu reencontro com meus primos. Ela me encara e vejo a dor passar rapidamente pelos seus olhos. Era sempre assim quando eu citava o nome de tio Clint. Ela ainda o amava e eu podia ver isso. – Você sabe que ele vai estar lá essa noite e por isso não quer ir ao Recomeço. Está com medo de ficar frente a frente com ele depois dez anos. Vive me dizendo que devo ter coragem e enfrentar meus medos. Que preciso aceitar de cabeça erguida as consequências, mas está agora mesmo fugindo do amor que sente pelo tio Clint.

— São situações diferentes. – Tia Tasha tenta fugir do assunto, enquanto coça a nuca. Troco olhares com Cait e ela dá um sorriso compreensível, fazendo sinal de que sairia para nos dar mais privacidade, mas tia Tasha pega em seu pulso e balança a cabeça em negação. – Não precisa ir. Não temos mais o que conversar.

— Tia Tasha! – Repreendo a mulher, mas ela me lança aquele olhar que eu sabia que não adiantaria insistir. Ela não me contaria o que aconteceu dez anos atrás de tão grave que os separaram tão repentinamente.

— Nós conversamos depois, Sara. Hoje é o seu dia. – Responde a ruiva, colocando um ponto final da conversa. – Agora eu preciso realmente ir. Até mais, meninas.

Ela se despede dando beijos em minha testa e outro na bochecha de Cait antes de nos deixar. Suspiro e volto a colocar meus acessórios para terminar de completar o meu look, enquanto minha colega de quarto se senta em minha cama e me encara com curiosidade.

— Eu pensei que soubesse o motivo de Natasha e Clint terem terminado. – Comenta a garota e eu balanço a cabeça, negando.

— Isso é um assunto confidencial para todos. Os únicos que sabem a verdade são tio Clint e tia Tasha. Eu não sei o que aconteceu, mas com certeza foi algo muito grave. – Respondo, suspirando. Termino de colocar meus acessórios e encaro minha imagem no espelho, sorrindo satisfeita. – De qualquer forma, vou pensar nisso depois. Agora vamos, que eu tenho alguns primos que ficarão bem furiosos ao me verem para enfrentar.

— Você está radiante, Sara. – Afirma Cait, encarando-me com um sorriso doce nos lábios. Sorrio, agradecida, enquanto pego a minha bolsa. – E não se preocupe. Barry e eu estaremos lá para dar apoio.

— Obrigada, Cait. – Abraço a garota e respiro fundo, buscando manter a calma. – Eu não sei o que vai acontecer na mão de tio Clint, mas definitivamente serão fortes emoções.

Ela me afasta e pega a minha mão, dando um sorriso confiante. Aquela era a sua forma de dizer que ficaria tudo bem. Cait então me conduz para a sala do apartamento, onde encontro Leonard e Barry conversando sobre algum assunto que parecia realmente animador para os dois. Eles não demoram a notar nossa presença e se levantam rapidamente do sofá.

— Uau. – Leonard suspira e se aproxima com os olhos brilhando. Essa era uma das qualidades dele que eu mais admirava. A sua sinceridade ao me elogiar. Seus olhos azuis brilham mais que diamantes e o sorriso radiante que ele me dá é o bastante para saber que eu havia o encantado. Ele então estende a mão e me faz rir, quando me gira para ver melhor o meu vestido. – Você está deslumbrante. A mulher mais bonita do universo, sem sombra de dúvidas.

— Desculpa, Leonard, mas acho que você quis dizer que ela é a segunda, porque definitivamente a minha namorada está no topo do ranking. Olha como ela está incrível! – Fala Barry, puxando Cait pela cintura, que rir com a expressão maliciosa do namorado.

De fato, Cait estava linda. Ela usava um vestido branco na parte de cima com algumas flores bordadas azuis e saia rodada da mesma cor que ia até um pouco acima do joelho. Seus cabelos castanhos estavam soltos e caiam como cascatas e ela usava salto alto preto junto.

— Vocês são tão bobos. – Comento rindo e beijo meu namorado, enquanto ele me abraça com carinho. O celular de Barry vibra, chamando a atenção de todos na sala.

— Austin acabou de me mandar mensagem. Parece que todos já chegaram na mansão e está faltando apenas nós. – Avisa Barry, assim que termina de ler a mensagem que recebeu. – Ele quer saber quando iremos chegar.

— Avise que você e Cait já estão a caminho. – Peço e ele assente, escrevendo rapidamente a mensagem para o primo. Viro-me para Leonard e sorrio nervosa. – Está na hora de irmos.

— Tudo bem. – Concorda Leonard, sorrindo compreensível. Ele se vira para Cait e Barry. – Nós vamos na frente.

— Certo. Nos vemos na festa. Boa sorte, Sara. Não se esqueça que você não está sozinha. Sam e eu faremos o nosso melhor para te ajudar. – Barry sorri de forma e eu assinto, agradecida pelo apoio.

Leonard e eu nos despedimos de Cait e Barry e seguimos para a mansão de tio Clint que ficava a uns vinte minutos do apartamento que divido com Cait. O caminho até a mansão foi silencioso. Felizmente, Leonard sabia que eu precisava me preparar mentalmente para o que estava por vir, então permitiu que eu ficasse quieta com os meus pensamentos até que chegássemos ao nosso destino.

— E aqui vamos nós. – Comenta Leonard, assim que estaciona o carro de frente a bonita mansão de tio Clint. Ele se vira para mim e pega em minha mão. – Está pronta para rever a família Barton?

— Acho que estou ainda mais nervosa do que quando fui visitar o meu pai. – Confesso, rindo enquanto aperto o relicário em meu pescoço. Leonard me acompanha, compreensível com o meu estado. – Mas estou ansiosa por isso. Sinto muita falta deles. Acho que sinto mais até do que sentia de meus pais, por mais horrível que isso possa parecer. Então, eu realmente não vejo a hora de entrar naquele salão e anunciar para todos que eu estou viva. Será como a realização de um sonho.

— Eu também estou ansioso para conhecê-los. Você falou tanto sobre eles, que já me sinto até mesmo parte da família. – Brinca Leonard e eu rio, puxando-o para um delicado beijo. Acaricio seu rosto e encosto minha testa na dele, enquanto inspiro o envolvente aroma de seu perfume.

— Você já é. E tenho certeza de que depois que toda a confusão de meu retorno passar, você vai amá-los. Todos são pessoas maravilhosas e muito divertidas. É impossível não gostar deles. – Respondo com confiança, afastando-me de Leonard, sorrindo animada. – Agora, vamos logo que Barry e Cait acabaram de chegar e esse é o sinal de que eu preciso me apressar se quiser ter alguma chance de conversar e aproveitar a festa.

— Fico feliz que esteja tão animada. – Comenta Leonard, abrindo a porta do carro. Sorrio e desço do veículo também. – Se está mais confiante assim, acho que esse é um bom sinal.

— Tomara que sim. Apesar de animada, ainda estou bastante nervosa. Será um reencontro e tanto. – Afirmo, pegando em sua mão assim que ele se aproxima de mim. Começamos a andar em direção a entrada da mansão, mas noto a presença de uma figura bastante conhecida por mim vindo em nossa direção, usando seus típicos trajes formais. – Bernard!

— Quem? – Balbucia Leonard, confuso com a minha repentina exclamação. Provavelmente ainda não havia notado a presença discreta do homem que se aproximava pela escuridão da lateral da mansão. Aponto para o homem trajando um terno elegante, gravata, luvas brancas e sapatos sociais.

— Bernard Hanks. Ele é o braço direito de tio Clint. Cuidou muito dos meus primos e eu quando éramos crianças e participávamos dos acampamentos de tio Clint. – Respondo e Leonard encara o homem, assentindo lentamente. Bernard não demora a nos alcançar, dando aquele sorriso educado que ele sempre esboça em seus lábios. – Bernard!

— Srta. Hopper. É muito bom revê-la novamente. – Cumprimenta Bernard, fazendo uma referência formal. Ele então se vira para Leonard, repetindo a referência. – É um prazer conhecê-lo finalmente, sr. Snart. Seja muito bem-vindo a residência do sr. Barton. Eu me chamo Bernard Hanks e estarei a noite toda a disposição para casos de eventualidades.

— Muito prazer em conhecê-lo, sr. Hanks. – Leonard sorri educado e me encara sem saber o que fazer. Rio, divertindo-me com a sua falta de jeito com tamanha formalidade de Bernard.

— Onde está o tio Clint, Bernard? Ele já está no salão? – Pergunto com ansiedade. Eu não havia conseguido contato com ele durante o dia todo e isso havia me deixado ainda mais nervosa.

— Infelizmente, o sr. Barton não poderá comparecer pessoalmente ao evento. Mas, estará presente por meio de uma chamada de vídeo em alguns minutos. – Explica Bernard, surpreendendo-me. Tio Clint nunca perdia uma reunião do Recomeço.

— Por quê? Aconteceu alguma coisa de ruim com ele? – Pergunto, preocupada, e Bernard nega.

— De forma alguma, srta. Hopper. – O homem de cabelos grisalhos e olhos gentis dá um pequeno sorriso. – O sr. Clint visitou semana passada uma ilha na Baía de Bengala, que fica a mais de mil quilômetros da Índia continental, no Oceano Índico, onde conheceu a tribo dos Sentineleses. Eles são uma tribo indígena isolada do mundo que está correndo risco de entrar em extinção. O sr. Barton foi até lá para saber mais sobre essa tribo e acabou salvando a filha do chefe tribal dos Sentineleses de ser morta por alguns caçadores da região, quando tentava salvar alguns animais. Grato pela coragem do homem que arriscou a própria vida para defender a terra de seu povo e até mesmo havia aprendido a como se comunicar com eles, o chefe da tribo tentou casar o sr. Barton com sua jovem filha.

“Ele educadamente recusou, mas isso gerou muita confusão, porque isso soou como uma ofensa a beleza da jovem indígena. O sr. Clint então precisou permanecer pelo menos para a celebração de uma festa em sua homenagem e está em busca de uma forma de escapar do casamento. Até lá, ele não pode retornar para Hawkins, porque isso pode ser mal visto pelos indígenas dos Sentineleses.” – Conta Bernard e eu acabo rindo de toda a situação. Leonard encarava o mordomo da casa e braço direito de tio Clint com surpresa.

— Isso é bem a cara de tio Clint. Ele vive se metendo em problemas por causa das ações excêntricas dele. Eu apenas estou surpresa que ele conseguirá se conectar para participar de uma chamada de vídeo estando em uma região isolada do mundo. – Comento, tentando me recuperar da minha recente crise de riso.

— O sr. Barton levou consigo uma tecnologia que permite ele entrar em contato por via satélite. Não posso afirmar com segurança a qualidade da chamada, mas ele garantiu que estará presente em alguns minutos e me orientou para que os guiasse para o local onde devem esperar até que a senhorita possa revelar seu segredo aos seus primos. – Responde o homem e eu sorrio, concordando.

— Tudo bem, Bernard. Vamos lá. – Digo, puxando Leonard em direção ao homem de meia idade que sorri e faz uma breve reverência, antes de começar a andar.

Bernard nos guia pelos fundos da mansão até chegarmos aos bastidores do palco montado no meio da sala da residência onde tio Clint havia instruindo seu braço direito a nos acomodar, algo que realmente não era tão surpreendente assim, levando em consideração toda a excentricidade de tio Clint. Uma cortina vermelha cobria a visão do palco, mas eu conseguia ouvir as conversas animadas e risadas altas de toda a família, enquanto uma música animada tocava no ambiente.

— Esperem um pouco aqui. O sr. Barton irá anunciar vocês e as cortinas irão se abrir. – Explica Bernard e eu o encaro em dúvida. – Não se preocupe, srta. Hopper. Tudo ficará bem. O sr. Barton acredita que será muito mais fácil que seus primos aceitem a situação se ele narrar os acontecimentos e você aparecer no final.

— Por acaso tio Clint está tentando assumir toda a culpa do que aconteceu? – Pergunto, mesmo sabendo a resposta. Bernard hesita e isso me deixa irritada. – Bernard! Isso não é justo. A culpa não foi só do tio Clint. Fui eu quem quis me tornar agente da CIA e que insisti ao ponto de ele não ter escolha além de me ajudar.

— Lamento, srta. Hopper, mas a interferência das decisões do sr. Barton estão além de meus poderes. Essa foi a decisão que ele tomou e creio que não independente do que diga ou faça, não vai mudar os planos traçados pelo seu tio, srta. Hopper. Então, sugiro que apenas confie no sr. Barton. Ele conhece seus primos melhor do que qualquer pessoa e com certeza sabe o que está fazendo. – Garante Bernard, dando aquele sorriso educado.

Eu ainda me sentia inconformada com a situação, mesmo sabendo que Bernard poderia ter razão. No entanto, como eu poderia permitir calada que ele levasse a culpa por minhas escolhas? Não parecia certo. Tio Clint tem cuidado de mim e me protegido de muita coisa há anos. Não quero que ele se prejudique ainda mais por minha causa.

— Você sempre diz que seu tio sempre sabe o que está fazendo. Acho que essa é uma daquelas situações em que devemos ouvir a voz da experiência e deixar que ele assuma a liderança da missão. – Orienta Leonard, apertando a minha mão com carinho. Suspiro e assinto.

— Está bem, Bernard. Farei como tio Clint deseja. – Respondo, dando-me por vencida.

— Como desejar, srta. Hopper. – Bernard faz uma breve reverência e deixa os bastidores do palco.

Respiro fundo, tentando me acalmar, e no mesmo instante as luzes da mansão se apagam e o ambiente se torna completamente silencioso. Aperto a mão de Leonard e uma luz brilha do outro lado da cortina. Puxo Leonard para mais perto dela e a puxo levemente para ver o que estava acontecendo.

Vejo todos os meus primos reunidos com seus companheiros encarando uma grandiosa tela que brilhava intensamente do lado oposto ao do palco. Na tela, tio Clint aparece vestido de mágico com direito a cartola, varinha, capa e um coelho ao seu lado. Tornando tudo ainda mais estranho, era possível ver a selva atrás dele, assim como os primeiros raios solares iluminando algumas ocas que estavam um pouco mais distante dele. Se eu não soubesse de sua história, diria até mesmo que aquilo era uma montagem de tão surreal que era a beleza do lugar.

— Ele realmente está preso em uma tribo indígena isolada? – Sussurra Leonard e eu rio, divertindo-me com a expressão embasbacada que ele fazia. Assinto, voltando minha atenção para a tela. – Ele é mesmo... uma pessoa... bem impressionante.

— Sim. Ele é. – Concordo, sorrindo, enquanto sinto meu coração prestes a sair pela boca. Respiro fundo e aperto mais a mão de Leonard e meu relicário ao ouvir uma música orquestral começar a tocar. Sussurro a mim mesma ao ver que a imagem da tela mudar, exibindo a cor preta e a palavra “Recomeço” na cor branca e em caixa alta, brilhando intensamente. – O que você vai fazer, tio Clint?

Notas finais
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