Espionagem de Outubro
6 Parceria
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO
CAPÍTULO V — PARCERIA
Três anos se passaram desde que tive um parceiro ao meu lado. Depois do que aconteceu com Ava, eu não consegui trabalhar com mais ninguém. Mesmo dando apoio a algumas operações em conjunto com o FBI, como ocorreu com Lisa Snart, ou em raras ocasiões onde algum dos meus primos se metiam em confusão e eu precisava agir para que eles não acabassem se machucando gravemente, eu ainda tinha a minha liberdade de decidir por mim mesma sobre o que deveria ser feito para o bem da missão.
Não parecia ser justo me juntar a uma nova pessoa quando a minha parceira está no leito de uma UTI lutando bravamente para sobreviver aos ferimentos de meus erros do passado. Eu não me sentia bem tendo uma nova pessoa ao meu lado quando Ava era quem deveria estar comigo, tentando colocar juízo na minha cabeça, ao mesmo tempo em que confiava cegamente em meus instintos e acreditava em mim.
E agora, após mil duzentos e vinte dias, aqui estou eu, de mãos dadas com aquele a quem mais detestei nos últimos três anos, contando com sua confiança para seguir o plano que nem mesmo eu tinha certeza de que daria certo. Era arriscado e tudo o que eu tinha como prova era a minha forte intuição, algo que eu tenho usado desde que entrei para a CIA, assim como tio Clint havia me orientado.
Pelo canto do olho observo as feições sérias e insatisfeitas de Leonard. Sinceramente, eu não o culpava. No seu lugar, eu jamais aceitaria que colocasse a nossa segurança em risco no primeiro dia de missão em alto mar dessa maneira. Não temos reforços e tudo o que podemos fazer é contar um com o outro. E ele tem razão. Nós apenas estamos nos suportando por causa da missão. Não há motivos para ele confiar em mim.
E é por isso que pela primeira vez desde que nos conhecemos, eu tinha que reconhecer que estava grata por ele. Nem mesmo Ava havia concordado tão facilmente em um plano maluco meu. Enquanto eu me arrumava para nos encontrar com os membros da HYDRA, Leonard até mesmo havia treinado para melhorar o seu sotaque alemão e estudado mais sobre Luke Baumann e sua família. Tudo para garantir que o plano desse certo.
— Obrigada. – Sussurro, engolindo em seco. Não era fácil para mim ter que abaixar a guarda e agradecer a Leonard. Ele me encara surpreso. – Eu sei que estou pedindo demais. Então... obrigada.
— Espero que você esteja certa. – Sussurra de volta, encarando-me com intensidade, enquanto andávamos pelos corredores vazios do navio. Faltava apenas dez minutos para o horário em que marcamos de nos encontrar com Batroc no restaurante do navio.
— Eu também espero. – Confesso, frustrada. – Eu só... – suspiro e aperto a mão de Leonard, irritada por não conseguir externar o que sentia.
— Bom, se você estiver errada, eu farei questão de jogar na sua cara e acabarei com a sua reputação na CIA. – Comenta Leonard dando aquele sorriso irônico dele. Bufo e o empurro, irritada.
— Você é mesmo um idiota. – Resmungo e ele dá de ombros, como se não se importasse com as minhas palavras.
— Nós estamos chegando. – Avisa Leonard, apontando discretamente para frente. Era possível ver diversas pessoas conversando em frente a uma grande porta de vidro com letras em caligrafia bonita e iluminadas por led. – É hora do show, querida esposa.
— Meu amado marido. – Ironizo, assumindo a postura de garota apaixonada. Abraço Leonard e aproveito seu grande corpo para estudar o salão do restaurante pelo vidro da entrada sem que ninguém notasse. – Eles ainda não chegaram. Ou pelo menos, não estão no salão principal.
— Isso é bom. Nos dar tempo para estudar o ambiente e buscar formas de fuga se for necessário. – Responde Leonard, pressionando os lábios contra o topo da minha cabeça, enquanto acaricia meu cabelo, para esconder o que sussurrava para mim. – Algum suspeito no seu campo de vista?
Novamente observo cada detalhe que consigo do lado de fora do restaurante, mas nada me chama a atenção. Afasto-me de Leonard e sorrio. Ele analisa meu rosto por alguns instantes e corresponde ao sorriso ao notar minha resposta. Puxando a mão do agente, conduzo-o para a entrada do restaurante, enquanto procuro algum indivíduo que parecesse estar de olho em nós. Noto então duas pessoas em uma das mesas próximas a janela, observando-nos pelo canto do olho.
— Sabe, querido, eu estou louca para comer torta de chocolate com morango. – Comento, parando de andar. Puxo Leonard para mais perto de mim e passo meus braços em volta de seus ombros. Seus braços rodeiam minha cintura e preciso ficar na ponta dos pés para alcançá-lo. Por alguns instantes, vejo um sorriso irônico em seus lábios. Belisco a pele sensível do pescoço e ele trava os dentes, forçando um sorriso.
— Ah, é mesmo? – Pergunta Leonard, beliscando a minha cintura. Dessa vez sou eu quem precisa fazer um esforço para fingir que seu ataque discreto não havia me machucado. – E o que eu ganho com isso?
Sorrio e puxo seu pescoço contra mim, para que eu assim eu alcançasse seu ouvido. Novamente sou traída pelos meus sentidos aguçados, embriagando-me com o perfume amadeirado e sedutor de Leonard. Respiro fundo para tentar manter o foco, mas isso parece causar reações no corpo do agente que estremece diante de minha respiração chocando com seu pescoço.
— O casal na mesa sete está de olho em nós. – Sussurro para Leonard e ele desvia o olhar disfarçadamente para ver o homem negro de óculos de grau e cabelo rastafari e a mulher negra de longos cabelos cobre em um black power. – Acho que tem mais espiões dentro do restaurante.
— Parece que é tarde demais para voltarmos atrás. – Sussurra Leonard, apertando mais a minha cintura. Seus olhos se encontram com o meu e por alguns instantes me sinto completamente desnorteada. – Vamos entrar.
— Sim. – Respondo, ainda um pouco atordoada, enquanto me afasto de Leonard, que passa o braço por cima dos meus ombros e sorri, conduzindo-me a entrada do restaurante.
— Boa tarde, senhores. Poderiam me informar o número da suíte em que estão acomodados? – Cumprimenta uma funcionária do navio com um sorriso educado.
— Olá. Nós estamos na suíte Regent. – Responde Leonard, entregando o nosso cartão. A funcionária sorri ainda mais simpática e faz sinal para que entrássemos no restaurante.
— Por aqui, sr. e sra. Baumann. Irei acompanhá-los a sua mesa.
A mulher com um uniforme elegante e comportamento discreto nos conduz pelo gigantesco e luxuoso salão do restaurante até a área vip. O cruzeiro por si só já acomodava pessoas de classe alta, mas o quarto em que Leonard e eu estamos só esbanja ainda mais o nosso status de riqueza.
Assim que chegamos a nossa mesa, Leonard puxa a cadeira para que eu me sentasse. Encaro-o com a sobrancelha levemente arqueada e ele sorri, lançando uma piscadela antes de sentar a minha frente. Nesse momento, um garçom vestido com um terno caro aparece com uma garrafa de champanhe e duas taças em cima de sua bandeja.
— Com licença, senhores. Champanhe? – Oferece o homem com um tom de voz cortês.
— Por favor. – Respondo, pegando a taça que era estendida. O garçom nos serve com delicadeza e deixa a garrafa de champanhe em um balde de gelo em cima da nossa mesa. – Obrigada.
O homem apenas assente e faz uma breve referência antes de se retirar. Um novo garçom aparece com os cardápios e espera calmamente decidirmos o que iríamos comer, deixando-nos finalmente sozinhos. Observo Leonard beber o champanhe e me encarar em dúvida.
Termino de beber meu champanhe e mexo no balde de gelo em busca de alguma escuta. Ao notar o que eu fazia, as mãos de Leonard deslizam para debaixo da mesa com uma expressão maliciosa, sorrio de volta, entrando em seu jogo. Quem olhasse de longe, diria que ele estava sendo apenas um homem sorrateiramente tocando sua esposa por debaixo da mesa. No entanto, Leonard vasculhava em busca de escutas que pudessem estar escondidas em algum ponto estratégico da mesa.
Assim que confirmamos que estamos seguros, ele suspira e enche mais as nossas taças com champanhe. Ele bebe um pouco da bebida e olha em volta, observando os detalhes luxuosos do restaurante.
— Não estou acostumado a todo esse luxo. Já me disfarcei algumas vezes de rico, mas nesse nível... é surreal. – Sussurra para que apenas eu o ouvisse.
— Bom, eles só notariam nossa presença e se aproximariam de nós se nos destacássemos. – Respondo, bebendo mais um pouco de champanhe. Observo o ambiente em busca de mais espiões ou dos membros da HYDRA. Encontro mais uns cinco ou seis hóspedes suspeitos e alguns funcionários do navio de olho em nós. Nada que me surpreendesse. Para disfarçar, sorrio e deslizo minha mão sobre a de Leonard. Ele me encara por alguns instantes e corresponde ao sorriso, acompanhando-me na atuação.
— Batroc deve chegar a qualquer momento. – Comenta Leonard, olhando em volta. – Estamos cercados de espiões e a nossa única rota de fuga é a mesma que usamos para entrar no restaurante.
— Então você percebeu. – Espreguiço-me na cadeira e como eu desconfiava, não demoro muito para ver Batroc entrar no restaurante acompanhado de Vandal e Von Strucker. Sinto meu corpo tensionar ao notar o meu pior inimigo rindo e conversando com seus colegas criminosos enquanto atravessa o salão do restaurante. – Nossas companhias chegaram.
— A minha vontade é de arrancar os olhos dele com as minhas próprias mãos. – Comenta Leonard e eu posso ver que ele está tão agitado quanto eu. Respiro fundo e aperto sua mão.
— Mantenha a calma. Não podemos nos deixar levar pelas nossas emoções. – Relembro, tentando também me acalmar. – O futuro da missão depende de como vamos nos sair aqui.
— Tem razão. – Concorda, apertando minha mão de volta. Ele respira fundo e sorri de uma maneira que por algum motivo faz meu coração acelerar. – Vamos ser o melhor casal falso que poderia existir.
— Eu te odeio, meu odioso marido, Luke. – Declaro, lançando uma piscadela para ele. Leonard ri e assente.
— Eu também te odeio, minha insuportável esposa, Stacy. – Responde, alargando ainda mais o seu sorriso. Correspondo e, de alguma forma, eu me sinto muito mais calma.
Ainda mais determinados a acabar com Vandal e colocá-lo na prisão, Leonard e eu estávamos prontos para entrar de cabeça nessa estranha parceria. Eu ainda não confio totalmente nele e algumas de suas ações me incomodam profundamente, mas não posso ignorar as habilidades dele. E eu ainda podia ver a chama do desejo de vingança ardendo tão intensamente quanto a minha em meu peito.
Nós nos odiamos, mas compreendemos bem compartilhamos a dor de se culpar pela perda de alguém em quem mais confiamos. Quando chegamos a um nível tão alto de confiança dos diretores das maiores agências de segurança dos Estados Unidos quanto Leonard e eu estamos, nós temos que deixar nossas famílias de lado pela própria segurança dela. E é por isso que nós nos apegamos tanto aos nossos parceiros.
— Eles estão vindo. – Avisa Leonard, aproximando-se mais de mim. Nós estamos tão próximos que sinto nossas respirações se chocarem. Seus olhos permanecem fixos nos meus. Sua mão aperta a minha com firmeza, como se buscasse algum apoio. – Haja o que houver, precisamos fazer isso dar certo. Como a ideia de vir aqui foi sua, eu deixarei você controlar o ambiente e a conversa.
— Não. Eles desconfiariam. – Respondo e ele me encara confuso. – A conversa em algum momento será uma batalha de egos e controle. Eles vão nos testar. Tio Clint sempre me ensinou que em um primeiro confronto com homens poderosos eu não devo me expor demais. Isso os faz se sentirem ameaçados e mais cautelosos. Homens como Vandal, Von Strucker e Batroc não são capazes de confiar em mulheres de personalidade forte. Eles sabem que podemos engoli-los em seu primeiro deslize. Nesse momento, precisamos que eles confiem em nós. Por isso permanecerei quieta e confiarei em você para conduzir a conversa.
— Você tem certeza disso? – Questiona Leonard, surpreso.
— Sim. – Concordo, dando um sorriso nervoso. – Eu ficarei observando e tentarei obter informações por meio de suas reações. Apenas tente prolongar o máximo possível a conversa entre vocês. Demonstre desconfiança, mas de forma sutil, para que acreditem que você é mesmo um homem de negócio, disposto a vender a sua alma se for preciso para ter mais dinheiro e poder. Esse é o tipo de pessoa que a HYDRA procura.
— Tudo bem. – Responde Leonard, suspirando. – Eu...
— Luke e Stacy Baumann. – A voz de Batroc interrompe Leonard e faz com que nos afastássemos surpresos. – Oh, sinto muito. Eu não quis assustá-los.
— Não se preocupe com isso, sr. Batroc. Estávamos a sua espera. – Afirmo, sorrindo com doçura. Finjo notar a presença dos dois homens ao seu lado.
Estar de frente para Vandal após três anos faz meu estômago se revirar. Preciso de um forte autocontrole para não perder a compostura e acabar revelando minha identidade. Leonard também parecia estar tendo problemas para controlar os próprios sentimentos pela forma como ele apertava minha mão. Levanto-me e encaro o homem por alguns instantes. Ele dá um fraco sorriso e também se levanta para cumprimentar Batroc e seus malditos amigos.
— Vejo que trouxe amigos, sr. Batroc. – Comenta Leonard, encarando-os com um sorriso educado. Ele estende a mão para Vandal, que estava mais próximo de nós. – É um prazer conhecê-los. Eu me chamo Luke Baumann e essa é a minha esposa, Stacy.
— Já faz um bom tempo que nós não nos vemos, Luke. Você está bem diferente. – O comentário em alemão de Vandal me deixa ainda mais apreensiva. A forma como Vandal nos analisava me fazia questionar se ele havia nos reconhecido do incidente de três anos atrás ou se estava blefando apenas para ver como reagiríamos.
— Perdão. Nós já nos conhecemos? — Surpreendo-me quando Leonard se mantém no personagem e aperta a mão de Vandal. Mas o mais incrível disso é o seu domínio do idioma. Até mesmo a sua postura o deixava semelhante a um alemão nativo. Von Strucker o analisa cuidadosamente e quase posso ver sua mente trabalhando em uma velocidade absurda.
— Oh, sinto muito pela minha falta de educação. Eu me chamo Alan Davs Veja. Sou um conhecido de longa data de seu pai. Você era um bebê a última vez que nos encontramos. Deveria ter uns seis meses de vida. – Responde Vandal, afastando-se de Leonard.
— Alan Davs Vega? – Repete o agente do FBI, como se tentasse se lembrar do nome. – Sinto muito, sr. Vega, mas infelizmente não me lembro de meu pai ter comentado sobre o senhor.
— Imagino que não. Apesar de conhecer o seu pai, não somos tão próximos. – Responde Vandal, sorrindo compreensivo.
— Entendo. Eu... sinto muito novamente. – Lamenta Leonard e o homem nega, fazendo sinal de que não havia problema.
— Não se preocupe com isso. Está tudo bem. De verdade. – Afirma o homem, aproximando-se de Von Strucker. – E esse é nosso amigo, barão Wolfgang Von Strucker. Creio que deva conhecê-lo.
— Oh, claro. Nosso chefe da Chancelaria e Ministro Federal para Assuntos Especiais.— Responde Leonard em alemão, batendo continência.
— Sr. Baumann. É uma satisfação conhecê-lo. Eu ouvi falar muito sobre o seu pai e o senhor. Minhas felicitações pelo recente matrimônio. – Felicita Von Strucker, cumprimentando Leonard com um aperto de mão. Os olhos azuis gelo do barão recaem sobre mim. Ele usava um monóculo no olho direito, roupas militares com insígnias do exército militar.
— Agradecemos pela consideração, barão Wolfgang. — Leonard agradece, estendendo a mão para que eu me aproximasse. Sorrio e o abraço de lateral, colocando a mão sobre o peito do homem.
— É um prazer conhecê-los, senhores. Eu me chamo Stacy. – Apresento-me, estendendo a mão aos homens, que me cumprimentam com beijos em minha mão.
— Então você também sabe falar alemão? – Questiona Batroc em seu forte sotaque francês, impressionado. – Eu tenho que confessar que estou cada vez mais encantado com todos os seus dons.
— Minha linda esposa é uma mulher deslumbrante. – Comenta Leonard, deixando um beijo em minha testa.
— Por que não nos sentamos para almoçar? – Sugiro, vendo os pratos que Leonard e eu pedimos ao garçom.
— Com licença. – Fala garçom, colocando os pratos sobre a mesa e recolhendo as taças de champanhe e o balde de gelo para que tivéssemos mais espaço para comer.
— Parece ótimo. – Concorda Vandal, observando a comida ser servida na mesa em que estávamos.
— Poderia trazer três cadeiras para os nossos convidados? – Pergunta Leonard ao garçom, que assente concordando.
— Sim, senhor. – Afirma o garçom se retirando da área vip.
Não demora muito para que o garçom aparecesse com as cadeiras. Todos se acomodam e os pedidos são anotados. Em seguida, um novo balde de gelo com champanhe com cinco taças para que todos pudessem saborear. Vandal e Batroc começam a conversar com Leonard sobre alguns monumentos da Alemanha e outros lugares no mundo que eles gostariam de conhecer. Felizmente, Leonard parecia conhecer detalhadamente os inúmeros pontos turísticos da Alemanha.
Eu permaneço em silêncio, apenas saboreando o delicado e bonito de salmão grelhado que eu havia pedido. Consigo sentir os olhos analíticos de Von Strucker sobre mim, estudando-me com atenção. Vez ou outra eu o encarava de volta, sorrindo gentil, mostrando que eu não me importava. No entanto, no fundo, eu me sentia agitada e temia que fosse descoberta por ele. Leonard estava fazendo um excelente trabalho, mas minha pouca participação na conversa parecia despertar ainda mais o interesse do barão alemão, que comia em silêncio.
— Soube que você é americana, Stacy. – Comenta Von Strucker quando o assunto entre Vandal, Leonard e Batroc parece chegar ao fim.
— Sim. Eu nasci no interior do Texas, mas fui criada pelos meus avós em Montgomery no Alabama até ir para a faculdade. – Respondo, limpando a boca com o guardanapo em meu colo. – E foi na Universidade de Harvard que eu conheci Luke e me apaixonei.
— Éramos de irmandades rivais e vivíamos discutindo. Até que certo dia, nossas brigas passaram dos limites. Nosso professor de Ciências Políticas acabou quebrando a perna. Como castigo, fomos obrigados a cuidar do projeto de alfabetização da universidade para idosos estrangeiros. E com a convivência, acabamos nos tornando mais próximos. Quando eu menos percebi, estava completamente apaixonado por Stacy. – Completa Leonard, sorrindo para mim. Era até irônico a semelhança da história de Luke e Stacy com a nossa atual realidade.
— Werner me contou que a história de amor de vocês era complicada, mas que Stacy era uma ótima garota. – Comenta Vandal, bebendo um pouco de seu whisky. – Jamais imaginei que fosse tão complicada assim. Imagino que devam ter muitas histórias divertidas para contar com tantas brigas.
— Oh, o senhor nem imagina. – Concordo, rindo.
— E por que decidiram ter a lua-de-mel uma semana depois do casamento? – Pergunta Von Strucker, mantendo os olhos fixos em mim.
— Luke estava ocupado resolvendo os últimos detalhes para ele assumir a diretoria da sede da Weskott nos Estados Unidos. Por isso, nós decidimos que era melhor viajarmos depois. – Respondo calmamente e o homem assente de forma calma, como se ponderasse as minhas reações.
— Stacy aproveitou para ir visitar o avô em Montgomery e os pais, que se mudaram recentemente para Hawkins. – Complementa Leonard ao se lembrar da história da família de Stacy.
— E como vão os... – Antes que Vandal pudesse perguntar sobre o que imaginei ser sobre os negócios dos Baumann, o celular do homem toca em seu bolso. Ele pega o aparelho e ao reconhecer o número, sorri sem graça e se levanta da mesa. – Um instante, por favor. Preciso atender.
— Fique à vontade. – Responde Leonard, dando um sorriso educado. Vandal se retira, deixando-nos às sós. Controlo meu desejo de encarar Leonard. Sabia que isso levantaria suspeitas para Von Strucker, que continuava a vasculhar minha vida.
— Batroc nos contou que vocês sabem falar francês também. Como aprenderam? – Questiona o barão com curiosidade.
— Eu vivi em Estrasburgo na França por três anos, assim que terminei a minha faculdade. Inclusive, foi lá que aprendi mais do alemão. Eu já namorava com Luke e ele estava trabalhando para aprender os negócios da família em Leverkusen. Eu queria aprender mais sobre a arquitetura daquele cenário moderno e histórico que a cidade mistura. – Conto e Batroc sorri, reconhecendo a cidade.
— Interessante. Estrasburgo é a sede formal do Parlamento Europeu e está localizada perto da fronteira alemã, com cultura e arquitetura que misturam influências alemãs e francesas. – Explica o francês e eu assinto, concordando. – É uma cidade encantadora, que também é famosa pelo seu mercado de Natal. O lugar fica completamente mágico com toda a decoração natalina e recebe um número enorme de visitantes nessa época do ano. Você deve ter gostado bastante.
— Sim. Foi maravilhoso. – Concordo, tentando soar o mais apaixonada possível. Pelo que soube, Stacy sempre diz que viver em Estrasburgo foi a melhor época da vida dela. – A única parte ruim foi ter que viver um relacionamento a distância com Luke. Nós nos víamos apenas uma vez por mês, quando um de nós conseguia sair para visitar o outro.
— Foi bem difícil para mim. – Afirma Leonard, suspirando. Batroc e Von Strucker nos observava com intensidade. – Nós...
— Desculpe, pessoal, mas Batroc, Von Strucker e eu precisamos ir. – Avisa Vandal, aparecendo de repente. – Um imprevisto aconteceu e precisamos ir para uma reunião.
— Está tudo bem? – Pergunto, fingindo estar preocupada.
— Sim. Apenas alguns contratempos, que infelizmente vai tomar o nosso dia inteiro. – Explica Vandal, suspirando cansado.
— Por que não nos encontramos na festa à fantasia amanhã à noite? Será divertido a gente conversar mais. – Sugere Batroc e os homens parecem satisfeitos com a ideia.
— Muito bem. Nós nos encontramos amanhã na festa à fantasia. – Respondo, sorrindo animada.
Os homens se despedem de nós e rapidamente vão embora para a reunião com a HYDRA. Sozinhos, Leonard e eu nos sentamos e suspiramos aliviados. A sensação de termos nos livrado, ainda que temporariamente, da pressão de sermos descobertos a qualquer momento era maravilhosa.
— Conseguimos. – Comenta Leonard, sorrindo orgulhoso.
— Sim, mas... não podemos abaixar a guarda. Von Strucker está desconfiado de mim. Você fez um bom trabalho, mas estou com medo de ter cometido algum deslize. – Confesso e ele me encara pensativo.
— Na verdade, eu acho que você se saiu muito bem. Talvez eles tenham dividido as missões. Vandal e Batroc ficaram de olho em mim e Von Strucker em você. – Sugere Leonard e eu suspiro, dando de ombros.
— Pode ser. Mas é melhor nos prepararmos para a festa de amanhã. Eu sinto que as nossas complicações estão apenas começando. – Respondo, observando a porta por onde os três membros da HYDRA haviam saído.
Ele suspira e assente, concordando. Nós sentíamos que essa história estava longe de chegar ao fim. Esse na verdade é apenas o início de nossa luta de poder. A partir de agora, a HYDRA deve começar a usar o seu dom de mentiras e manipulação para nos seduzir e nos levar para o seu lado.
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