Espionagem de Outubro
30 Operação Captura
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO
CAPÍTULO XXIX – OPERAÇÃO CAPTURA
Leonard nos encarava com receio. Talvez achasse loucura envolver meus primos em uma operação tão arriscada como essa em que iriamos. No entanto, eu conhecia meus primos o bastante para saber de suas habilidades e ter a confiança de que eles poderiam ser tão ou até mais habilidosos que muitos agentes da CIA ou do FBI.
E então, no momento em que ele provavelmente abriria a boca para negar a ajuda de meus primos e me lembrar que era contra as regras envolver civis em missões, Cait aparece na sala com Tony dormindo em seu colo. Ela nos encara confusa ao nos ver de pé, compartilhando sorrisos significativos.
— Perdi alguma coisa? – Pergunta Cait, ajeitando Tony, que estava com o balão que eu dei para ele amarrado em seu pulso.
— Eles planejam ajudar Sara e Leonard o bandido que eles têm procurado há anos e fugiu deles no cruzeiro. – Explica Ally e Cait assente vagarosa, absorvendo as informações.
— Ah, tudo bem. – Responde Cait, dando de ombros, enquanto entrega Tony para Felicity, que ajeita o filho com carinho em seu braço. – O que eu preciso fazer?
— Por que todos vocês parecem tão calmos com essa situação? Vocês por acaso entenderam que seus companheiros malucos planejam participar de uma missão que pode colocar a vida deles em risco? – Pergunta Leonard, encarando os namorados, namoradas, esposas e maridos de meus primos como se eles estivessem agindo de forma absurda.
— Bom, não seria a primeira vez. – Afirma Jonathan como se já estivesse acostumado com a situação.
— E nem mesmo adianta tentar argumentar. Eles são teimosos demais para desistir de alguma coisa quando coloca alguma ideia na cabeça. – Comenta Ally, suspirando levemente frustrada.
— Além disso, eles foram treinados pelo Clint. Então isso deve ser o suficiente para garantir que eles vão sobreviver. – Garante Felicity, sorrindo com confiança.
— Mas eles não são policiais. Estamos falando de um bandido perigoso que é um dos mais procurados pela CIA e pelo FBI nos últimos três anos. Vandal é membro de uma das organizações criminosas mais perigosas do mundo. Vocês realmente vão permitir que eles se arrisquem dessa maneira? – Questiona Leonard, ainda contrariado pela participação de meus primos, que apenas riem, divertindo-se com a falta de argumentos de meu namorado para convencer seus cônjuges a pará-los.
— Certa vez, Nancy invadiu sozinha o esconderijo de uma quadrilha perigosa de Chicago, conseguiu todas as provas contra eles para fazer uma reportagem especial, rendeu todos e depois chamou a polícia como se não fosse nada demais. – Conta Jonathan, suspirando cansado, mostrando o quanto havia ficado preocupado com a esposa.
— Em minha defesa, nós precisávamos de uma semana de folga para viajar com Jonathan para comemorar o nosso aniversário de casamento, então meu chefe concordou que se eu fizesse uma matéria boa o bastante para chocá-lo, ele nos daria folga. – Responde Nancy, dando de ombros. Ela então sorri e cruza os braços, exibindo um ar orgulhoso. – Obviamente, os sete dias que passamos em Cancún foram inesquecíveis.
— Beth nocauteou quatro perigosos capangas de quase dois metros de altura de um perigoso assassino com os saltos altos finos e um bastão de baseball. Ela ficou tão assustadora que um deles correu de medo, implorando perdão e foi de cara contra o portão de entrada do ginásio onde nós estávamos. – Relembra Daryl, esboçando uma expressão extenuada.
— Ah, qualquer um em meu lugar teria se irritado e você sabe disso. Todas as vezes em que estávamos juntos e tínhamos um momento mais íntimo, sempre aparecia alguém para atrapalhar nosso momento. – Defende-se Beth e eu acabo rindo ao lembrar das loucuras do seu relacionamento recente com Daryl que ela havia contado na noite anterior.
— Ben resolveu enfrentar desarmado e desafiar um dos maiores traficantes de Hawkins como se isso não fosse nada demais. – Conta Mal, encarando os outros rapazes com compreensão.
— Barry se envolveu em um caso perigoso onde a CIA e o FBI trabalhavam e despertou a fúria da Yakuza. – Relata Cait, sentando-se ao lado de Ally, que ri e se aconchega melhor no sofá.
— Austin enfrentou os avós Allen-Queen para realizar o sonho dele de ser cantor. E vai por mim, eles podem ser bastante assustadores. Todos da família Barton parecem ter medo dele. – Responde Ally, rindo com divertimento. Eu e meus primos assentimos, concordando que Marta Allen e Richard Queen podem ser bem apavorantes.
— Em nosso primeiro encontro, Thea correu atrás de um bandido armado para recuperar a bolsa de uma senhora que tinha acabado de ser assaltada. Na bolsa estavam remédios caros que durariam três meses e a idosa não seria capaz de comprar outros. – Comenta Roy, suspirando frustrado, mas não demora a sorri docemente para a namorada, que manda um beijo para ele, como se o que tinha feito não fosse nada demais.
— Sam espancou tantas pessoas com sua meia de manteiga que eu sou incapaz de contar. Além de ter ido parar em um manicômio, enfrentado diversos capangas do tio assassino, foi sequestrada por vontade própria e deu uma surra no tio até que ele implorasse para ser preso, porque preferia viver na prisão do que ter que viver com o trauma que Sam havia causado nele. – Conta Freddie, surpreendendo Leonard, mas que não era nada demais para nós da família.
— Oliver namorou por dez anos com Laurel Lance. — Responde Felicity com ironia e quem conhecia a minha prima por parte de mãe começa a rir, enquanto Leonard encara a loira sem entender o que ela queria dizer com aquilo.
— A minha prima psicótica que teve a coragem de tentar machucar Tony, perseguiu o Oliver e ofendeu a Felicity. — Explico a Leonard, que assente, relembrando das histórias que eu havia contado a ele sobre Laurel.
— Enfim, o que nós queremos dizer é que todos estamos acostumados com esses malucos entrando em situações de risco de vida ou que sabemos que vai dar muitos problemas. – Resume Daryl, dando um sorriso compadecido para Leonard.
— E como eles são teimosos demais para nos ouvir ou mudar de ideia depois que colocam alguma coisa na cabeça, tudo o que nos resta é participar para garantir que eles sobrevivam. – Complementa Mal, com os olhos esverdeados brilhando em divertimento.
— Não adianta olhar assim. – Brinca Cait, vendo a expressão desanimada de Leonard ao notar que havia perdido a batalha. – Quando você entrou para a família, sabia que eles eram...
— Teimosos e inteligentes como um Barton. – Completam todos os cônjuges de meus primos, fazendo com que a gente acabasse rindo.
— De qualquer forma, nós precisamos nos apressar. Vandal conseguiu escapar da última vez. Meu orgulho ficou bastante ferido com isso. E depois de ouvir a história de Sara, meu desejo para prender esse desgraçado se tornou ainda maior. – Relembra Freddie, fazendo com que o nosso foco voltasse a missão.
— É verdade. Qual é o plano, Sara? – Pergunta Thea, animada.
Leonard e eu trocamos olhares. Ele ainda estava um pouco inseguro, mas por não conhecer muito da minha família, não podíamos esperar que ele nos orientasse com o que iríamos fazer. Por isso, ele assente, dando seu aval para que eu assumisse a liderança da missão. Sorrio, agradecida tanto por ele ter concordado facilmente quanto por aceitar a minha loucura de envolver a minha família.
— Tudo bem. O primeiro passo é darmos um nome a missão. – Digo, relembrando dos acampamentos de tio Clint quando crianças. Meus primos parecem entender o que eu estava fazendo e acabam sorrindo. – Austin, estamos contando com a sua super criatividade.
— Certo. – Concorda Austin, animado. Ele para um instante e leva a mão ao queixo, pensando em um nome que pudesse funcionar com a missão. – Que tal Operação Captura?
— Operação Captura? – Repito, pensativa. – Parece bom. Thea, você poderia ver com o Bernard onde está o quadro de ideias?
— Claro. – Concorda Thea, saindo em direção a cozinha da mansão, mas antes que seguisse para o seu destino, Bernard aparece com o nosso antigo quadro com rodinhas, que usávamos para planejar nossas operações contra tio Clint e tia Tasha. Sorrio nostálgica.
— Aqui está srta. Hopper. – Responde o braço direito de tio Clint, posicionando o quadro em frente a todos nós, de forma que todos os presentes
— Bernard! Você é incrível. – Afirmo, sorrindo agradecida.
— A sala de operações também está pronta para quando quiserem usar. – Avisa o homem e todos sorrimos, assentindo. – Agora irei agilizar os últimos detalhes do almoço. Se precisarem de alguma coisa, basta me chamar.
— Obrigada, Bernard. – Elena agradece, sorrindo com doçura. Bernard faz uma educada reverência e retorna para a cozinha da casa. – Agora, devemos seguir para a segunda parte do plano, certo?
— Exatamente. Nancy, poderia anotar as informações que eu for passando no quadro? – Peço e ela assente concordando, enquanto pega os pincéis e os apagadores que estavam guardados no próprio quadro.
— Tudo bem. Pode falar. – Afirma a minha prima e melhor amiga, encarando-me com curiosidade.
— E agora, isso nos leva a divisão de tarefas. – Respondo, concordando. – Freddie, eu vou precisar que você trabalhe com a invasão do sistema das câmeras de segurança da cidade para descobrir os lugares onde Vandal frequentou nos últimos dias para conseguir alguma informação que nos sugira o que ele está aprontando.
— Certo. – Concorda Freddie, levantando-se.
— Eu posso ajudar também. Sou muito boa com tecnologia. – Afirma Felicity com determinação.
— Ótimo. Será muito bom ter a ajuda de mais uma pessoa para analisar as imagens. Obrigado. – Freddie parece aliviado por ter mais alguém que pudesse ajudar.
— Nesse caso, eu posso ficar cuidando de Tony. – Ally se oferece, levantando-se do sofá para ajudar Felicity.
— Obrigada. Isso será de grande ajuda. – Afirma Felicity, entregando o filho adormecido a Ally, que habilidosamente o ajeita em seus braços sem acordar a criança.
— Como nós estamos falando de Vandal, eu tenho certeza de que ele planeja atacar em um lugar bastante movimentado. Ele é um verdadeiro terrorista e deseja machucar o máximo de pessoas possíveis como o seu plano de atacar a Eco-10. – Relembra Leonard, pensativo. – Talvez, nós devêssemos começar a procurar também festas importantes que estão para ser realizadas. Ele jamais se arriscaria dessa forma para aparecer em público, justamente em Hawkins, lugar que mais o procura. Com certeza ele deve ter alguma carta na manga.
— Jonathan e eu podemos usar nossos contatos do jornal para descobrir quais serão os próximos eventos ocorrerá nos próximos dias na cidade que poderia despertar o interesse de Vandal. Eu apenas não garanto que vamos conseguir as entradas para o evento quando descobrirmos. – Responde Nancy, trocando olhares com o marido, que assente em concordância.
— Nesse caso, deixe isso por conta de Thea e eu. Nós conhecemos muitas pessoas. Com certeza conseguimos entradas para a festa. – Garante Damon, aproximando-se da irmã de seu melhor amigo e passa o braço pelo ombro dela. Ele então encara a caçula. – Podemos fazer isso, certo?
— Sim. Nós podemos. – Concorda Thea, sorrindo animada.
— Nós também vamos precisar de armas que possam nos ajudar a descobrir pistas sem que Vandal perceba que está sendo observado. – Relembro, pensativa. – Sam, Oliver, Ben, Mal, Cait e Barry, vocês podem cuidar disso para mim, por favor?
— Sim, Sara. – Concordam ao mesmo tempo, trocando sorrisos cúmplices.
— Nesse caso, Beth e eu iremos cuidar das vestimentas de vocês. – Avisa Elena, puxando a prima pelo braço.
— Daryl, Austin, Roy, Leonard e eu ficaremos aguardando as novas informações para pensar na terceira parte do plano. – Finalizo, encarando cada um deles com intensidade. – Todos estão prontos?
— Sim! – Concordam, sorrindo animados.
— Pessoal, de verdade, muito obrigada. Eu não quero colocar muita pressão sobre vocês, mas peço que estejam conscientes da importância dessa missão para a segurança do país. Não sabemos o que ele está aprontando, mas Leonard e eu conhecemos Vandal o bastante para saber como ele joga sujo e que qualquer falha nossa pode resultar na morte de milhares de inocentes. – Agradeço e demonstro minha preocupação pelo que está por vir nessa missão que também coloca a minha carreira em risco. Leonard e aproxima de mim e sorri.
— Não se preocupe, Sara. Eu tenho certeza de que iremos nos sair bem. – Garante Ben, sorrindo confiante. – Nós somos a família Barton. Não vamos permitir que ele saiu impune de seus crimes mais uma vez.
— Já que é assim, vamos colocar a mão na massa e trabalhar. – Oriento, sorrindo animada. – Vamos lá!
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