Espionagem de Outubro
31 Liberdade
ROMANCES MENSAIS
LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO
CAPÍTULO XXX — LIBERDADE
Uma hora. Isso foi o bastante para que a Freddie e Felicity descobrissem um padrão no comportamento de Vandal e identificasse o local do evento no qual ele está se preparando para ir como um prédio antigo, que um dia já foi o grande Cassino Monte Carlo e hoje se tornou uma construção abandonada, ou pelo menos, é o que todos achavam. Nancy e Jonathan só precisaram realizar duas ligações para descobrir que no fim de tarde de hoje ocorrerá o encontro de alguns criminosos no cassino abandonado. Provavelmente para organizar o ataque ao que quer que Vandal planeje.
Apesar de ser um evento secreto, Thea descobriu a empresa de buffet que irá servir bebidas e aperitivos durante o evento aos criminosos e que o gerente dela é um antigo amigo de escola de Roy. Imediatamente, o homem conseguiu incluir ele, Thea, Cait, Elena, Damon e Sam na lista de funcionários da noite para ficar de olho nos bastidores do evento.
Damon conhecia também os organizadores do evento e conseguiu convites para que Oliver, Felicity, Beth e Daryl participassem da festa disfarçados de convidados. Ben, Mal, Austin, Ally e Barry entraram como a banda que tocaria na festa para entreter os convidados e ficaria responsáveis por nos informar de qualquer comportamento suspeito de Vandal ou seus comparsas durante o evento, já que ficariam no ponto mais alto da festa.
Freddie e Felicity também haviam conseguido a planta do prédio abandonado. Assim, Sara e eu conseguimos identificar todas as rotas de fuga, pontos estratégicos, traçamos planos para entrar no prédio sem sermos notados.
Mas o mais impressionante foi que Elena e Beth conseguiram todas as roupas que cada um dos participantes da missão precisaria mais rápido do que já vi qualquer equipe do FBI conseguir para as missões de disfarce. Todos os primos já estavam prontos para sair e usavam seus trajes de disfarce para assumir seus papéis na missão.
— Está tudo bem? — Sussurra Sara, enquanto eu observava Sam, Oliver, Ben, Mal, Cait e Barry trazendo alguns equipamentos para a sala de operações da mansão de Clint, onde cuidávamos dos últimos detalhes da missão.
— Sim. Eu só... estou me sentindo um pouco perdido por aqui. – Confesso, sorrindo sem graça. Ela dá uma breve risada anasalada. – E estou surpreso com a rapidez com que seus primos se organizaram. Ainda mais com tão pouca informação.
— Tio Clint vivia simulando situações como essa quando éramos crianças. Perdi as contas de quantos escapes room nós participamos. Ele adorava testar nossas capacidades físicas e mentais. – Revela Sara, sorrindo nostálgica. – Acho que mesmo depois de tantos anos, nossas mentes ainda estão conectadas o bastante para saber o que precisamos fazer e de como podemos trabalhar em equipe para conquistar o nosso objetivo final.
— Vocês não se cansam de me surpreender? – Questiono e ela ri, abraçando-me. Trocamos um rápido beijo e passamos a encarar seus primos concentrado em exercer suas funções. – Será que isso vai dar certo? Eu já estou cansado de Vandal. Se ele sumir de novo, acho que serei capaz de cometer uma besteira. Talvez seja melhor chamarmos reforços.
— Não se preocupe. Antes estávamos sozinhos, mas dessa vez nós temos a melhor que a CIA ou o FBI poderiam ter. Mesmo os namorados, namoradas, maridos e esposas de meus primos possuem uma habilidade muito além do normal. Para aguentar um Barton, é necessário ser alguém muito especial, porque lidar com a gente não é fácil. Quer dizer, você mesmo viu como eles já nem se abalam mais com as loucuras que eles se envolvem.
— Acho que você tem razão. – Suspiro e deixo um beijo em sua testa. Vemos Mal se aproximar de nós com uma expressão um pouco intimidada e nos separamos. – Está tudo bem?
— Sim. – Afirma a adolescente, abrindo um fraco sorriso, mas ainda era nítido que ela desejava falar alguma coisa.
— Qual é o problema, Mal? – Pergunta Sara, encarando-a com curiosidade.
— É só que... eu acho que te devo desculpas. Eu conversei com seus primos antes de vocês chegarem e então teve toda a confusão do aparecimento de Vandal, então não tive a chance de conversar com você, mas acho que exagerei ao falar de Clint. – Comenta Mal, encarando Sara com hesitação. – Espero que me perdoe. Ainda não acho certo o que ele fez, mas não quis ofender você e nem seus primos.
— Sabe, Mal, tio Clint sempre sofreu rejeição de suas famílias adotivas por acharem que ele era louco. As pessoas nunca sabem como lidar com o diferente e acabam atacando. Por isso, meus primos e eu temos uma postura mais defensiva em relação a forma como se referem a tio Clint. Como pessoas que conviveram com ele desde que nasceu, nós sabemos o quão amoroso, gentil e atencioso ele é. E quando você o conhecer, tenho certeza de que vai entender o motivo de o defendermos e o amarmos tanto. – Explica Sara e Mal assente, sorrindo sem graça.
— Sinto muito mais uma vez. Eu... prometo tomar cuidado com o que eu falo. – Garante a adolescente de cabelos roxos. Sara sorri e assente.
— Então está tudo bem. – Afirma minha namorada, abraçando a garota com carinho. Mal parece surpresa no início, mas não demora a corresponder.
— Sara, está tudo pronto. – Anuncia Freddie, chamando nossa atenção.
— Certo. – Responde Sara, afastando-se de Mal. Minha namorada então bate palma, fazendo com que todos a encarassem. – Muito bem, pessoal. Chegou a hora. Freddie e Felicity, passem as imagens das câmeras de segurança em frente ao prédio onde será a festa e todas as informações que eu pedi que conseguissem para a mesa principal, por favor. Vamos repassar o plano juntos dessa vez.
Todos param o que estavam fazendo se aproximam da mesa retangular que mais parecia ser a tela de um computador. Sara liga a mesa e não demora para que as imagens solicitadas pela loira aparecessem em forma de holograma, surpreendendo-me pela alta tecnologia daquele aparelho.
— Esse é o antigo cassino Monte Carlo, um dos maiores que já existiu no mundo, mas que acabou sendo fechado após seus donos serem presos acusados de se envolver com lavagem de dinheiro, contrabando de armas e prostituição. Freddie, por favor, mostre a planta do prédio. – Pede Sara e rapidamente a imagem muda para a planta do cassino abandonado. – Como podem ver, o prédio possui apenas quatro andares, sendo o último um heliponto. Além disso, temos ainda temos um andar no subsolo que funciona como um estacionamento. O evento será realizado no segundo andar, onde pode ser acessado tanto pelos dois elevadores do prédio quanto pela escada que é uma saída de emergência.
— Analisando a planta do prédio, descobrimos que possui cinco rotas de fuga nas quais devemos ter bastante atenção. – Continuo, assim que Sara faz sinal para que eu explicasse a parte que eu havia analisado. – Em primeiro lugar, devemos garantir que Vandal não consiga acessar os dois elevadores e as escadas. Esses acessos o levariam ao terceiro andar, onde possuem inúmeras salas suspeitas junto a uma escada que leva a floresta que está localizada atrás do prédio, ao quarto andar, possibilitando uma fuga de helicóptero, ao primeiro andar que possui a porta principal de entrada e mais três escondidas entre as máquinas de caça-níquel abandonadas no local e ao subsolo onde há o estacionamento e temos quase certeza de que deve ter um veículo de fuga pronto para ser usado.
— No momento em que Vandal reconhecer Leonard e eu na festa, ou ele tentará fugir usando os capangas que eu tenho certeza de que estarão presentes na festa para nos distrair, ou fará uma chantagem emocional como o uso de bombas ou arma que possa machucar pessoas inocentes ou pode fazer como em nosso último encontro e usar as duas possibilidades. – Sara relembra com a voz carregada de mágoa. – Nós precisamos estar preparados para as três opções, por isso, conto com a ajuda de vocês para o caso de precisar lidar com os capangas de Vandal.
— Não se preocupe. Eu estarei com a minha mais nova meia de manteiga. Ela está muito mais pesada e resistente. Vou acabar com cada um que tentar machucar vocês. – Afirma Sam, sorrindo animada. Ela mostra a meia carregada com meia que segundo Sara, Clint havia feito especialmente para a sobrinha.
Todos os outros primos de Sara concordam que não hesitariam em entrar na briga para nos ajudar a deter os capangas de Vandal. Demora alguns minutos até que Beth consegue acalmar os membros da família Barton e voltarmos o foco da conversa na missão.
— Continuando. – Sara dá uma pequena risada e suspira. – Para que a missão seja um sucesso, precisaremos estar todos alinhados com os acontecimentos e as informações em tempo real. Para isso, como Felicity estará no evento sendo a acompanhante de Oliver, Freddie ficará responsável sozinho por vigiar as câmeras de segurança do evento que ele já hackeou, ficando aqui mesmo na sala de operações de tio Clint. Roy, Thea, Cait, Elena, Damon e Sam vocês serão os responsáveis por servir os convidados presentes na festa, então preciso que estejam atentos a qualquer movimento suspeito ou conversas que nos dê alguma ideia do que Vandal planeja fazer. Para isso, vocês usarão as escutas que Barry e os outros desenvolveram. Barry, poderia nos explicar como funciona?
— Claro. – Ele concorda, entregando as escutas que pareciam um pequeno fone de ouvido transparente e uma espécie de adesivo. – Vocês devem usar esse pequeno aparelho no ouvido para ouvir o que dizemos e esse adesivo deve ser colocado na pele no pescoço. Para que a gente consiga ouvir o que vocês e as pessoas ao seu redor está falando, vocês precisam apertar uma vez o adesivo e duas vezes para desligar. Jonathan e Nancy serão os responsáveis por filtrar quais informações são importantes e para quem devem ser transmitidas durante a festa.
— Beth, Daryl, Oliver e Felicity, vocês deverão tentar se misturar pela festa e obter pistas do que Vandal está escondendo dos convidados. Lembrando que todos receberão os adesivos microfone e as escutas para que a gente possa estar alinhado ao que acontece. Ben, Mal, Ally, Austin e Barry estarão no palco tocando, então terão uma visão privilegiada de toda a festa. No caso de movimentação suspeita, vocês deverão fazer o sinal da família para nos alertar. – Orienta Sara e todos assentem, concordando. Eu não fazia ideia de que sinal era esse, mas decido não questionar. Todos pareciam ter ciência do que era, então provavelmente eu também notaria. – Quando Leonard e eu nos aproximarmos de Vandal pela porta da frente para sermos as iscas da operação, Austin, Ally, Mal, Ben e Barry devem se dividir para fechar todas as rotas de fuga do andar. Equipe bastidores, deverão ficar em alerta para o caso de ataque assim como a equipe convidados da festa. Freddie, Nancy e Jonathan serão nossos porta-vozes. Muita atenção e cuidado para as informações que irão nos transmitir. Tia Tasha já enviou Steve e Hillary para vasculhar o prédio em busca de bombas ou qualquer outra arma que possa colocar nossas vidas em perigo, então se alguma coisa for encontrada, Freddie será informado e nós ficaremos sabendo. Alguma dúvida?
— Não. – Respondem todos ao mesmo tempo.
— Certo. Agora todos peguem seus adesivos microfones, as escutas e uma arma que possam esconder em seus trajes sem que sejam notados. – Orienta Sara e todos se aproximam do local onde Barry e os outros haviam deixado as armas e equipamentos de espionagem. – Agora que todos estão armados e preparados para a missão, Roy, Thea, Cait, Elena, Damon e Sam precisam ir para se arrumar e se infiltrar na equipe de bastidores. Mas antes de irem, eu quero desejar boa sorte e agradecer pela ajuda. Eu sinto como se tivesse voltado a nossa época de infância, colaborando nas missões para vencer tio Clint e tia Tasha.
— A diferença é que se falharmos, a nossa punição não será ficar sem sobremesa para o jantar. Tomem muito cuidado. Não apenas nossas vidas estarão em perigo como a de inúmeras pessoas inocentes. Tenham muito cuidado e atenção. – Relembra Beth, encarando a todos com atenção.
— Beth está certa. – Concordo, sorrindo um pouco nervoso. – Nós só temos uma chance para capturar Vandal e o impedir de machucar mais pessoas. Contamos com vocês, pessoal.
Eles sorriem confiantes. Sara faz sinal para que todos se aproximassem e estende a mão. Coloco minha mão sobre a dela e a ação é repetida por cada um dos membros da família Barton e seus cônjuges. As emoções estavam à flor da pele. Esse era o nosso último momento juntos antes da missão e a apreensão para o que poderia acontecer deixava o ambiente um ar de ansiedade.
— Essa noite será inesquecível. Obrigado por estarem ao meu lado. Eu não poderia pedir companheiros mais competentes e confiáveis. Eu tenho certeza de que juntos, ninguém é capaz de nos vencer. Então vamos fazer dessa missão a melhor de todas as que participamos. – Sara encara todos com um sorriso confiante no rosto. – Família Barton no três. Um... dois... três...
— Família Barton! – Todos gritam, jogando suas mãos para cima. Sorrisos, beijos e abraços são trocados. Estava na hora de colocar o nosso plano em ação.
[...]
Três horas haviam se passado desde que a reunião de criminosos se iniciou no antigo cassino Monte Carlo e ainda não tínhamos sinal algum de Vandal. Encarando a transmissão das câmeras de segurança do evento pelo notebook em uma das inúmeras salas do terceiro andar, Sara e eu sentíamos a apreensão nos consumir. Todos os primos da loira estavam se saindo muito bem em seus papéis.
A equipe banda estava entretendo muito bem os convidados que participavam da festa, enquanto a equipe dos bastidores servia com exímio aos criminosos que haviam se reunido. A equipe de convidados já havia se infiltrado entre os outros e feito amizade com alguns convidados. Ninguém parecia desconfiado de suas identidades e até mesmo estavam tendo acesso a algumas informações importantes como muitas das pessoas presentes serem membros da HYDRA.
Além disso, Cait havia descoberto ouvindo uma das conversas dos convidados presentes as intenções dessa reunião. Aparentemente, eles planejavam fazer um ataque na festa de Ação de Graças que reuniria centenas de expectadores no maior parque da cidade em nome da HYDRA. Eles planejavam matar o máximo de pessoas possível e fazer o país entrar em desespero com a possibilidade de mais ataques.
A HYDRA então iria fazer um acordo com o país que poderia beneficiar toda a organização. Infelizmente, esses eram as únicas pistas que tínhamos de algo que era bastante preocupante. Oliver, Felicity, Beth e Daryl tentaram descobrir mais informações dos outros convidados, mas ninguém parecia saber mais detalhes além disso.
A cada minuto que se passava, mais apreensivo eu me sentia. Essa demora de Vandal para aparecer me fazia questionar se ele realmente apareceria ou essa era apenas uma armadilha que ele criou para nos manter presos como uns idiotas aqui, enquanto ele faz o caos por algum lugar da cidade. Sara também parecia nervosa, enquanto apertava minha mão com intensidade, encarando a tela de nosso notebook quase sem piscar.
— Sara. Leonard. Estão na escuta? – A voz de Hillary ecoa pelos nossos comunicadores da CIA, que ao contrário dos dados por Barry, não estavam conectados a família Barton, apenas a Freddie, Sara e eu.
— Pode falar, Hillary. Alguma novidade? – Pergunta Sara com apreensão.
— Sim. Depois de vasculhar cada mísero buraco desse gigantesco prédio e bater em pelo menos vinte capangas de Vandal, Steve e eu encontramos uma bomba em um veículo no estacionamento do subsolo. – Conta Hillary, surpreendendo-nos.
— De novo? Qual é a do fascínio desse terrorista por bombas? Já é a terceira vez que temos que lidar com uma delas. – Resmungo, irritado.
— Você mesmo se respondeu. Ele é um terrorista, completamente fanático por pirotecnia. – Responde Sara, suspirando. – Hillary, você e o Steve acham que conseguem desarmar a bomba?
— Sim. Steve já está a desarmando. Felizmente, é uma bomba simples ativada por detonador e não uma bomba que pode explodir em um simples movimento. Já estamos acostumados a lidar com isso. — Conta Hillary para o nosso alívio.
— Terminei. – Avisa Steve do outro lado da escuta. – Nós já terminamos de examinar o prédio e temos total certeza de que vocês estão seguros de qualquer ataque surpresa ou chantagem que ele possa fazer. Então, será que tem problema eu ir agora? Preciso voltar urgente para a empresa.
— Ele está com medo da namorada dele o matar por ele estar atrasado há mais de três horas e não atender nenhuma das mais de cinquentas chamadas que ela já deve ter feito. – Provoca Hillary e Sara ri, divertindo-se.
— Quem dera ela fosse minha namorada. – Steve suspira, apaixonado. Isso só faz com que as garotas rissem ainda mais. – E sim. Eu estou com medo de Peggy me matar. Hoje nós tínhamos uma reunião importante com um investidor novo. Ela definitivamente vai me matar.
— Pode ir, Steve. Nós cuidamos do resto. – Responde Sara, bem-humorada. – E boa sorte com a Peggy.
— Obrigado. — Agradece o rapaz do outro lado da escuta. – Por favor, me avisem quando a missão terminar.
— Pode deixar. – Concorda Hillary, compreensiva.
— Hillary, permaneça fazendo a ronda de segurança. – Pede minha namorada com seriedade. – Qualquer sinal de perigo, não hesite em me informar. Tia Tasha informou que mandou alguns agentes para fazer a ronda do lado de fora, mas cuidado nunca é demais. Então fique de olho em qualquer movimentação suspeita.
— Sim, senhora. — Responde a agente, com confiança. – Voltarei a fazer minha patrulha. Câmbio desligo.
O silêncio retorna junto a apreensão. A falta de notícias de Vandal estava começando a mexer com a confiança.
— Agora só falta o maldito aparecer. – Comento, encarando as câmeras de segurança. Levo a mão a boca e passo a morder minhas unhas, ansioso. – Onde você está, seu desgraçado?
— Aqui! – Sara aponta para a imagem do computador da entrada do prédio. – Finalmente ele resolveu aparecer! Agora vamos ver o que ele vai aprontar.
Vandal segue desconfiado para o segundo andar. Assim que ele chega à festa, é recebido por um de seus capangas. Eles trocam rápidas palavras e posso ver a satisfação de Vandal em seu sorriso. Ele então se aproxima do palco onde Ally cantava e tocava teclado, Austin também cantava e estava no violão, Ben na bateria, a Mal na guitarra e Barry no baixo. A organização do evento pede para que a banda saísse e permitisse que Vandal subisse.
— O que ele está aprontando? – Sussurro para mim, confuso. Troco olhares com Sara e ela parecia tão perdida quanto eu. Aciono o meu comunicador com Freddie. – Freddie, seria possível você compartilhar com a gente o áudio geral da festa?
— Sim. Só um instante. – Pede o rapaz e não demora muito para que Sara e eu ouvíssemos os múrmuros dos convidados, enquanto observam Vandal subir ao palco com um microfone em mãos. – Estão conseguindo ouvir?
— Estamos sim. Muito obrigada. – Sara agradece, atenta ao que ocorria na tela do notebook.
— Boa noite, meus amigos. Eu agradeço a presença de todos e peço perdão pelo meu atraso. Eu tive alguns contratempos, cumprindo alguns favores ao presidente de nossa amada HYDRA. Mas vamos direto ao ponto. O motivo de ter reunido todos vocês aqui. – Começa Vandal e Sara me encara com intensidade.
— Precisamos ir agora. Nós teremos que atacar ao fim de seu discurso. – Responde Sara e eu assinto, concordando.
— Atenção, família Barton, nós estamos indo para o segundo andar. Assumam suas posições. – Aviso pelo comunicador compartilhado com todos os presentes na missão. Recebemos as respostas positivas dos primos de Sara, enquanto passamos a arrumar nossas coisas. Assim que terminamos, voltamos a nos encarar. – Freddie, garanta a filmagem de todo o discurso de Vandal. Iremos precisar disso para usar como prova contra ele.
— Pode deixar. Eu já estou filmando. – Afirma o rapaz com um tom de voz ansioso. Viro-me para Sara e ela me encarava com um pequeno sorriso nervoso em seus lábios.
— Está pronta para acabar com esse maldito que tem escapado de nós há três anos? – Pergunto, levantando-me.
— Sim. E você? – Pergunta, sorrindo confiante.
— Com toda a certeza do mundo. – Garanto, pegando a arma especial que Barry havia feito para mim. Guardo-a em minha cintura e me viro para a minha namorada. Sara seus dois bastões expansíveis dentro da mochila e a esconde em algum canto da sala vazia. Ela então se alonga brevemente e me puxa para fora da sala.
Sem sermos vistos, seguimos pelas escadas até o terceiro andar do prédio. Assim que chegamos ao salão de festa luxuoso, Vandal estava encerrando seu discurso sobre o objetivo da reunião, que se resumia ao ataque que fariam no dia de Ação de Graças e o que ganhariam com a chantagem ao governo americano. Todos os membros da família Barton já estavam em seus lugares e esperavam por nossas coordenadas.
Aproveitando que ainda não tínhamos sido notados por Vandal, encosto minha testa na dela. Trocamos sorrisos nervosos, tentando transmitir e absorver um pouco de confiança. Nós então nos afastamos e passamos a andar em direção ao centro do salão no momento em que Vandal desce do palco. Vejo seus olhos se arregalarem levemente ao notar nossa presença e quase sorrio de satisfação ao ver que ele não esperava que aparecêssemos em sua festa.
— Agente especial Sara Lance e agente Leonard Snart. Que surpresa vocês estarem aqui. Vieram ser humilhados por mim pela terceira vez? – Ironiza Vandal, aproximando-se. Uma roda se forma em volta de nós, ansiosos para saber o que aconteceria.
— Não. Viemos quebrar a sua cara mesmo. – Responde Sara, expandindo seus bastões. Ela se coloca em posição de ataque e sorri convencida. – Algo que estou devendo desde o nosso último encontro.
— Tenho que dar o braço a torcer e admitir que vocês são mesmo teimosos. Outros em seu lugar já desistiram por muito menos. – Comenta Vandal, começando a desabotoar seu blazer. Ele então joga a peça de roupa em um de seus capangas e passa a subir a manga de sua blusa social. – Eu tentei ser paciente, mas eu já estou ficando cansado disso.
— Você tirou as palavras da minha boca. – Respondo, pegando a arma especial que Barry havia me dado. Sendo uma arma de gelo de hidrogênio, ela pode gerar um feixe de temperatura do zero absoluto, congelando tudo o que toca e criar objetos sólidos de gelo. Aponto a arma para Vandal e acabo sorrindo de seu interesse na diferente arma em minhas mãos.
— E vocês ainda se consideram os mocinhos? Atacando uma pessoa desarmada? – Ironiza Vandal, encarando-nos com um sorriso convencido. – Acho que a solução para equilibrar essa briga será pedindo a ajuda de meus amigos para acabar com vocês.
Nesse instante, os capangas de Vandal aparecem para nos atacar, mas o que eles não esperavam era que no momento em que avançavam, os membros da família Barton aparecessem para lutar contra eles enquanto Leonard e eu cuidaríamos de Vandal e o impediríamos de fugir.
— Nós também trouxemos alguns amigos, Vandal. – Respondo, sorrindo convencido. – Agora pare de agir como um covarde e lute conosco.
— Parece que eu terei que acabar com vocês com as minhas próprias mãos. – Vandal alonga o pescoço, encarando-nos com seriedade.
— Deixe-me lutar com ele. Eu mereço isso depois do que ele me fez passar em nosso último encontro. – Pede Sara com os olhos quase em chamas de tanta raiva que parecia sentir naquele momento.
— Sara...
— Por favor. – Ela implora e não tenho escolha além de permitir que ela tivesse a sua tão desejada vingança.
— Tudo bem. Vingue-se dele por nós, Mick e Ava. – Peço e ela abre um lindo sorriso, assentindo.
— Com todo o prazer. – Garante Sara e não demora muito para que ela e Vandal corressem na direção um do outro.
Vandal pega a bandeja de um dos garçons que tentava fugir das brigas que ocorriam a nossa volta entre os capangas da HYDRA e os membros da família Barton e usa como arma para bloquear dos golpes poderosos de Sara. Enquanto isso, eu usava minha arma de hidrogênio para impedir que os homens de Vandal interferisse na luta de Sara e Vandal.
Assisto impressionado a forma como Sara conseguia ser ágil e precisa em seus ataques. A raiva que ela sentia estava evidente em seus olhos. Mesmo usando a bandeja para se defender, os golpes dos bastões de Sara eram rápidos demais para que Vandal conseguisse sair imune.
E não era apenas os bastões que Sara usava. Com sua maestria em diversos estilos de luta, Sara também usava as pernas e pés para golpear Vandal e o deixar desorientado. Em algum momento, ela então chuta a bandeja que ele usava para amenizar os ataques de Sara, fazendo com que o objeto voasse para longe. Sara então aproveita a distração momentânea de Vandal para bater violentamente os bastões contra a cabeça do homem.
Ele vai ao chão e os golpes se tornam ainda mais rápidos e dolorosos. Vandal tenta se proteger, encolhendo-se, mas os ataques de Sara eram tão fortes e agressivos que era possível ouvir os ossos de Vandal se quebrando. O homem grita algumas vezes, mas isso parecia só incentivar Sara a bater cada vez mais nele.
Quando ele já parecia não ter mais forças para se mover e uma grande quantidade de sangue manchava suas roupas e os bastões expansíveis de Sara, ela para de o atacar, completamente ofegante. A mulher então respira fundo e tenta se recompor.
— Vandal Savage, você está preso em nome da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. Você tem direito de permanecer calado e tudo o que falar será usado contra você. – Responde Sara, puxando suas algemas.
— Não... tão rápido. – Afirma Vandal, ofegante. Ele se mexe com dificuldade, completamente destruído. Sua boca estava coberta de sangue, olhos inchados e roxos, bochechas cortadas e respiração pesada. Mesmo assim, ele consegue pegar um detonador em seu bolso e força um sorriso doloroso em seus lábios. – Há... uma bomba nesse prédio e eu...
— Você está falando dessa bomba, Vandal? – Pergunta Hillary, aparecendo ao meu lado com uma bomba simples e desarmada em mãos. Os olhos de Vandal se arregalam no mesmo instante. – Notícia tardia.
— Aceite de uma vez por todas que acabou, Vandal. Nós vencemos. – Respondo, aproximando-se do homem com a minha arma de gelo. Ele me encara furioso, mas estava tão machucado que nem mesmo consegue se mover. – Dê adeus a sua liberdade, porque essa será a última vez que você colocará os pés fora da cadeia. Em nome do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos, você está preso.
— Desgraçado! – Vandal tenta se mover, mas Sara habilidosamente pega os dois braços do homem e ele finalmente é algemado.
Não demora muito para que a polícia apareça junto com os agentes da CIA e do FBI. Sara e eu trocamos olhares e sorrimos. Tudo finalmente havia terminado. Vandal finalmente pagaria por todas as vidas inocentes que tirou e pelo que fez com Mick e Ava. E se dependesse da CIA e do FBI, eu não tenho dúvidas de que sua vida de agora em diante será um verdadeiro inferno. E tudo o que eu conseguia fazer naquele momento era sorri aliviado. Sara e eu finalmente havíamos conseguido a liberdade de nossas almas. Nossos parceiros finalmente poderiam descansar em paz.
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