Espionagem de Outubro
2 Missão
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO
CAPÍTULO I — MISSÃO
Um pouco mais de três anos se passaram desde que cometi o maior erro da minha carreira. Enquanto eu observava minha parceira deitada em estado deplorável na maca, ligada há vários aparelhos para mantê-la viva, o som baixo da televisão de seu quarto noticiava sobre as notícias do dia. Eu nem mesmo prestava atenção. Era sempre difícil visitar minha parceira, ainda que já tenha se passado anos desde que tudo aconteceu.
Ava havia ficado irreconhecível após ser vítima da violenta explosão da bomba criada pelo dr. Alexander. As queimaduras de terceiro grau em mais de 60% do corpo haviam deixado marcas irreversíveis. Ela perdeu os cabelos, cílios e sobrancelhas. A pele se tornou fina e a forte batida da cabeça contra um cano de metal atingiu a maior parte de seu cérebro. Desde então, ela estava em estado vegetativo, respirando com a ajuda de aparelhos, sendo alimentada por sonda e precisava passar a maior parte do tempo sedada para não ter que lidar com as fortes dores que sentia.
Era doloroso ver alguém tão jovem e que era tão ativa na situação em que ela estava. Durante os últimos três anos, eu tenho carregado a culpa por não ter cuidado da minha parceira. Ela era a minha melhor amiga e confidente. Ava sabia tudo sobre mim. Prometemos cuidar uma da outra desde o dia em que nos tornamos parceira. E eu acabei quebrando a promessa. Era minha culpa ela estar assim.
Sinto meu peito se apertar e um nó se formar em minha garganta. Todas as noites eu tenho pesadelos com o que aconteceu em Londres. Ainda me lembro de suas broncas e suspiros cansados por minha teimosia, para logo em seguida sorri e me aconselhar daquele jeito irmã mais velha que ela tinha. Ava era uma pessoa incrível e eu me odiava por não ter impedido que ela acabasse em uma cama de hospital, ligada há vários aparelhos, incapaz de até mesmo abrir os olhos.
Batidas na porta ecoam pelo quarto e seguida é possível ouvi-la sendo arrastada. Não me dou ao trabalho de olhar. Pelo som dos sapatos eu sabia exatamente quem me encarava com os olhos recheados de preocupação, enquanto seus lábios formavam uma linha insatisfeita.
— Eu sabia que ia te encontrar aqui. – A voz doce da agente Natasha Romanoff ecoa pelo quarto. – Por que não foi ao meu escritório assim que chegou da missão? Fiquei preocupada.
— Eu precisava ver como Ava estava. – Respondo, ainda observando a mulher com carinho.
— Algum progresso? – Questiona tia Tasha, como eu a chamava desde que era criança. A mesma pergunta que ela fazia todas as vezes que vinha me visitar na UTI construída na unidade da CIA em Hawkins exclusivamente para atender Ava.
— Nada. – Digo, dando um suspiro sofrido. – Nenhuma melhora.
— Eu sinto muito, meu amor. – Lamenta a ruiva, puxando-me para um abraço caloroso. Permito-me naquele instante ser consolada. Hoje é aniversário de Ava. O dia que nós assistiríamos um filme de romance clichê, comeríamos muito soverte e relembraríamos histórias de nossa infância, enquanto encarava as estrelas e bebia um bom vinho. – Eu sinto muito mesmo.
— Obrigada. – Sussurro, apertando-me mais contra a mulher.
Natasha Romanoff é uma perigosa espiã da CIA que comanda a temida e exemplar S.H.I.E.L.D, uma unidade de comando especial da CIA, responsável por cuidar das operações mais perigosas da agência, como terrorismo, ataques nucleares, biológicos e cibernéticos, sequestros de figuras importantes para o país como o presidente ou sua família e lidar com as armações da HYDRA, uma organização criminosa que ameaça a segurança do mundo desde a Segunda Guerra Mundial.
Ao mesmo tempo, Natasha Romanoff também é a tia Tasha. Uma mãe para mim. Alguém cuida de mim desde antes de forjar a minha própria morte e entrar para a CIA. Meu passado era um caos e meu presente é ainda mais complicado. Mesmo assim, a mulher que também é minha chefe, era o meu porto seguro. Uma parte importante do pouco de minha família que ainda restou em minha vida.
O celular de tia Tasha vibra em seu bolso e eu acabo me afastando para que ela pudesse ver qual era o problema. A ruiva atraente de olhos verdes intensos e cabelos que iam até abaixo do ombro suspira e volta a guardar o aparelho no bolso, assim que termina de ler a mensagem.
— Nós precisamos ir. – Avisa tia Tasha e eu a encaro confusa, tentando entender o que ela queria dizer. – Reunião. Preciso te contar algumas coisas que podem te interessar sobre uma nova missão.
— Tudo bem. Só... só me der um minuto. Eu... – Tento formular alguma frase coerente encarando Ava, mas nada de coerente parece sair de minha boca.
— Certo. Eu vou te esperar do lado de fora. Não demore. – Responde tia Tasha, sabendo exatamente o que eu queria e precisava. Ela sempre sabia.
A mulher deixa o quarto e fecha a porta, deixando-me sozinha com Ava. Desligo a televisão e pego a mão cheia de cicatrizes de minha parceira. Respiro fundo e a encaro por alguns segundos, reorganizando meus sentimentos e pensamentos.
— Ei, Ava. Já faz algum tempo que não converso com você. Sinto muito por isso. Você sabe que eu não sei lidar muito bem com sentimentos negativos. Mas hoje é seu aniversário. Parabéns. Infelizmente, esse é o terceiro ano que não conseguimos comemorar. Sinto muito por isso. – Suspiro e aperto a mão de Ava. – Eu não desisti e prometo que não vou descansar até que Vandal Savage pagar pelo que ele fez com você, Ava. Não importa o que eu tenha que fazer, eu juro que farei esse desgraçado se arrepender amargamente de um dia ter cruzado o nosso caminho.
Assim que me despeço de Ava, encaro-a pela última vez e saio do quarto. Como tinha avisado, tia Tasha me esperava no corredor e conversava com alguém ao telefone. Ao me ver, ela encerra a ligação e força um sorriso. Eu a conhecia bem para saber que havia alguma coisa de errado. Observo-a com desconfiança.
— O que aconteceu? – Pergunto, preocupada.
— Nós temos visita nos esperando na sala de reunião. – Responde a ruiva, assumindo aquela postura que significava que eu não deveria fazer mais perguntas. Assinto e a sigo pelos corredores agitados do QG da CIA. – Você precisa me prometer que vai se controlar. Nada de agir por impulsos e se deixar levar pelos seus sentimentos.
Novamente a sensação de que alguma coisa muito ruim estava acontecendo me atinge. Meus instintos não costumam estar errados e seu aviso é o suficiente para eu saber que não gostaria de nosso visitante. Ergo minha sobrancelha e a analiso pelo canto do olho, tentando descobrir alguma pista para me preparar para o que estava por vir. Mas esse jogo, Natasha Romanoff o joga há muito mais tempo. Ela assumiu seu semblante inexpressivo e eu não arrancaria nada da mulher, por mais que eu tentasse.
— Eu sou controlada. – Recebo um sorriso irônico como resposta. – Eu estou melhorando meu comportamento.
Tia Tasha suspira e balança a cabeça em negação. Alguns agentes passam por nós e nos cumprimentam antes de seguirem seus caminhos. A ruiva volta a me encara com seriedade.
— Eu estou falando sério, Sara. Você é uma agente brilhante, mas é impulsiva e temperamental. Essa missão em especial é algo que eu nunca deveria passar para você, porque sei que posso acabar me arrependendo, mas estou dando meu voto de confiança.
— Eu não vou te decepcionar. Eu prometo. – Garanto e encontro seus olhos me analisando. Ela suspira mais uma vez e assente.
— Tudo bem. Vamos nos apressar. Nós já estamos atrasadas. – Responde tia Tasha, dando um fraco sorriso.
Assinto e seguimos de forma apressada pelos inúmeros corredores do prédio. Apesar dessa estrutura não ser nada comparada a sede da CIA, que fica na cidade de Langley na Virgínia, a unidade de Hawkins é uma das maiores do país. Concentrava cerca de vinte por certo do total de agentes da CIA e era responsável por realizar as operações mais secretas do governo. Por isso, mesmo sendo uma das maiores unidades da CIA, o prédio se encontrava em uma região mais isolada da cidade, tendo como fachada uma empresa de tecnologia.
Assim que chegamos ao último andar do prédio, que tinha a maior parte de sua estrutura subterrânea, seguimos para a sala de reuniões. Meus instintos gritavam que eu precisava me manter em alerta. Eu não sabia quem estava nos esperando, mas pela janela do lado de fora da sala, eu podia ver uma mulher de cabelos curtos e um homem alto e musculoso com cabelo quase raspado de costas para nós.
— Chegamos. Desculpem o atraso. – Anuncia tia Tasha, assim que abre a porta da sala de reuniões. Ela entra e dá espaço para que eu também entrasse.
A sala era comporta por uma mesa grande no centro com pelo menos dez cadeiras ao redor. Um projetor de imagens no teto estava ligado e refletia a logo da CIA na grande tela branca que estava de frente a mesa. No fundo da sala havia um computador ligado ao refletor e uma parede com fotos de agentes honorários da agência.
Ao entrar na sala, meus olhos caem imediatamente sobre a figura masculina parada sentada na mesa da sala ao lado da mesa de reunião. Arfo ao reconhecer o homem que havia se levantado para nos cumprimentar.
— Como vai, Maggie? – Questiona a agente Romanoff, exibindo seu bonito sorriso, enquanto estende a mão.
— Natasha! É um prazer revê-la, ainda que em uma situação não tão agradável como eu gostaria. – Responde a mulher, cumprimentando tia Tasha com um aperto de mãos e um sorriso amigável.
— O que você está fazendo aqui? – Questiono, ignorando quaisquer regras de etiqueta sobre como recepcionar visitantes.
— Isso só pode ser uma piada de mal gosto. – Murmura o homem, parecendo tão inconformado quanto eu.
Três anos se passaram e o agente Leonard Snart não havia mudado tanto. Se não fosse pelos fios grisalhos em seu curto cabelo, eu diria que o tempo nem mesmo havia passado para ele. Seus olhos azuis continuavam a exibir o brilho julgador e a mandíbula travada mostrava que ele ainda tinha dificuldades para controlar sua raiva. Seus músculos estavam tensionados e eu sentia a adrenalina percorrer minhas veias.
Depois de Londres, eu havia dado o meu melhor para não me encontrar com Leonard e até agora tinha dado certo. Eu não queria o ver. Não queria dar de cara com o prepotente agente do FBI com quem eu perdi tempo discutindo ao invés de ir atrás de minha parceira e me focar na minha missão. Leonard era a lembrança da maior falha da minha carreira.
— Leonard. – Maggie chama seu agente em um sinal de alerta. – Sem escândalos, por favor.
— Sara. Você me prometeu. – Relembra tia Tasha, encarando-me com repreensão.
— Mas...
— Nada de “mas”, Sara. Controle-se. – Exige a mulher, usando seu tom profissional e assumindo o seu papel como a minha chefe. Respiro fundo e me recomponho.
— Por que de todos os agentes da CIA, você tinha que escolher justamente ela? – Questiona Leonard, voltando a se aproximar de sua chefe. Seu tom de voz estava elevado e ele parecia cada vez mais fora de controle. – Se está pensando em me colocar para trabalhar com essa garota, pode esquecer. Isso não vai acontecer.
— Abaixe seu tom de voz e sente-se, Leonard, ou eu te mandarei de volta para a base. – A voz autoritária e firme da agente Maggie parece surtir efeito no rapaz, que se encolhe e se senta em uma das cadeiras da enorme mesa da sala, assim como havia sido ordenado. A mulher suspira e se vira para mim, estendendo a mão com um sorriso gentil. – Como vai, agente Lance? Apesar de termos nos visto algumas vezes, nunca fomos devidamente apresentadas. Eu me chamo Maggie Rhee. Sou a diretora da unidade do FBI em Hawkins. É um prazer conhecê-la.
— Agente especial Sara Lance. – Apresento-me, apertando a mão da mulher de cabelos castanho-escuros que iam até os ombros e olhos verdes brilhantes. Ela aparentava ter no máximo uns trinta anos e era muito bonita. Havia algo de familiar nela que eu não sabia dizer o que era. Eu já tinha a visto de longe em algumas missões, onde acabamos nos esbarrando com o FBI, mas eu sentia que ela tinha feições de alguém que eu conhecia, mas ainda não conseguia identificar.
— Agora que os dois estão mais calmos, sentem-se. Maggie e eu temos uma missão para vocês. – Orienta tia Tasha e Leonard e eu a encaramos sem acreditar no que ela estava dizendo. – E antes que comecem a espernear como duas crianças mimadas, escutem o que nós temos a dizer. É uma missão importante e que nós temos certeza de que interessa aos dois.
Tia Tasha anda até o computador da sala de reuniões, enquanto Maggie fecha todas as persianas. Com a sala escura, o projetor da sala passa a refletir uma imagem de câmera de segurança um pouco distorcida. Maggie se senta ao lado de Leonard e minha chefe me encara em um claro sinal para que eu me sentasse. Suspiro e me sento de frente para a diretora da agência de Hawkins do FBI, ignorando o olhar mal-humorado com o qual Leonard me encarava.
— A gravação que iremos mostrar a vocês foi feita dois dias atrás em Norfolk no estado da Virgínia. Queremos que prestem bastante atenção no que vocês estão para ver. – Explica Maggie, fazendo sinal para que tia Tasha liberasse as imagens.
De repente, é possível ver diversas pessoas indo e vindo pelo que parecia ser o porto de Norfolk. Tia Tasha a aproxima a imagem e não demoro a reconhecer o maldito que eu estava procurando há três anos. Vandal aparece conversando com um homem que não demorei a reconhecer como o perigoso Lex Luthor, um dos membros da HYDRA, que estava sendo investigado pela CIA e o FBI há alguns meses.
— Vandal Savage! O desgraçado resolveu aparecer? – Questiona Leonard com um tom alterado. – Eu esperei três longos anos para isso, mas finalmente eu vou ter a chance de prender esse babaca.
— Não se eu colocar as minhas mãos nele primeiro. Eu tenho procurado por esse cretino há três anos. Dediquei cada segundo livre de minha rotina agitada para buscar por ele. Eu terei o prazer de fazê-lo experimentar do meu ódio e de tudo o que ele me fez. – Respondo com convicção, enquanto encaro Leonard. – Eu cuidarei de tudo. Eu o farei pagar por ter ativado aquela bomba que destruiu o futuro de minha parceira e a fez parar na droga de uma cama. Por isso, eu quero que você interfira na minha...
— Você não é a única que o odeia, agente Lance! Não se faça de coitada. Eu perdi o meu melhor amigo. Ele morreu! E sabe quais foram as últimas ações dele? Ao invés de tentar fugir, ele atirou em meu colete a prova de balas para impedir que eu me ferisse com aquela maldita bomba. Ele foi um herói! Sua parceira ainda está viva e...
— Você chama viver em estado vegetativo após ter queimaduras de terceiro grau em mais de 60% do corpo, perder os cabelos, cílios e sobrancelhas e ter que viver em coma induzido porque sente tanta dor que é capaz de seu coração parar de bater? – Interrompo Leonard, furiosa. Eu fazia um grande esforço para não acabar chorando em sua frente. Eu jamais me mostraria vulnerável para aquele babaca. – Não foi só você que perdeu seu melhor amigo. Estou há três anos vendo Ava em um estado irreconhecível. Ela nunca mais voltará a ser quem ela costumava a ser. Ainda que possa viver sem todos os aparelhos aos quais ela está ligada, ela vai precisar andar para sempre com um cilindro de oxigênio e por causa da sensibilidade de sua pele, jamais poderá ser exposta ao sol. É possível que ela até mesmo tenha perdido a visão por causa da maldita explosão.
— Já chega vocês dois. – Exige Maggie, colocando um fim em nossa pequena, mas agressiva discussão com trocas de olhares mortíferas. – Era exatamente por isso que Natasha e eu ponderamos se deveríamos dar essa missão a vocês. Os dois são um dos melhores agentes de nossas agências e estamos diante de um possível novo ataque terrorista de Vandal Savage em parceria com a HYDRA.
— Decidimos dar um voto de confiança a vocês, mas pelo visto estávamos erradas. Vocês, melhor do que qualquer um, sabem da importância de não misturar sentimentos com missões. Nós entendemos o que sentem. É claro que vocês estão com raiva e desejam vingança, mas isso não se trata de um possível acerto de contas. Nós estamos falando da possibilidade de vidas inocentes em perigo. As carreiras de Maggie e eu estão sendo colocadas a prova. Não podemos confiar uma missão tão importante a pessoas que não conseguem agir de maneira profissional, mesmo depois de anos trabalhando como agentes especiais das duas maiores agências de segurança nacional dos Estados Unidos. – Repreende tia Tasha, exibindo aquele brilho de decepção. Encolho-me em minha cadeira. Eu odiava decepcionar a mulher que tenho como uma mãe.
— Natasha tem razão. Nossos superiores nos alertaram sobre o perigo de escolhê-los para realizar essa missão. Nós estamos arriscando não somente nossas carreiras como a vida de centenas de pessoas inocentes. Talvez seja melhor escolhermos outros agentes. Ao menos teremos a garantia que eles não levarão a missão para o lado pessoal. – Concorda Maggie e vejo Leonard encarar a chefe em desespero.
— Não. Por favor, agente Romanoff. – Imploro, chamando a ruiva pelo nome profissional, já que não estávamos sozinhas. Ela me encara inconformada. — Eu faço o que for preciso para isso para realizar essa missão. Apenas me deixe consertar os erros que cometi três anos atrás. Você sabe que eu tenho habilidades físicas e mentais para completar a missão. Por favor, eu estou implorando. Me dê a chance de prender Vandal Savage e mostrar que os sacrifícios feitos por Ava não foram em vão.
— Maggie, por favor. Você sabe que eu sou um dos seus melhores agentes e que sou capaz de cumprir essa missão. Mick deu a vida dele e me salvou para que eu pudesse prender Vandal. Eu já falhei uma vez com ele. Não deixe que eu acabe falhado de novo. Eu prometo que me dedicarei e farei o que for preciso para impedir que Vandal e a HYDRA cumpra com os seus objetivos. – Suplica Leonard, encarando Maggie com intensidade. A mulher também parecia incerta do que fazer. – Por favor. Eu jamais insistiria se eu não tivesse certeza de que seria capaz de atender as suas expectativas.
Maggie e tia Tasha se encaram, como se conversassem por troca de olhares. Desde que a CIA e o FBI fecharam parceria como um último recurso para destruir de uma vez por todas da organização criminosa que atrapalham os planos das agências desde a Segunda Guerra Mundial, as duas se tornaram muito próximas e estavam desempenhando grandes papéis como líderes de operação, o que havia criado grandes expectativas dos superiores das duas agências, que esperavam se livrar de sua maior inimiga, HYDRA, até o final do ano.
Era compreensível que elas estivessem tão hesitantes em aceitar nossos pedidos. Apesar de odiar a situação, eu sabia que atacar Leonard não havia sido uma boa forma de cumprir com a palavra que dei a tia Tasha de que me controlaria. No entanto, eu estava desesperada. Sabia que dificilmente teria essa mesma chance novamente. Se eu queria me vingar de Vandal, precisava participar dessa missão.
— Vocês estão dispostos a fazer qualquer coisa para participar dessa missão? – Pergunta tia Tasha, aproximando-se de nós com seus bonitos olhos verdes nos encarando com seriedade.
— Sim. – Respondemos Leonard e eu sem hesitar. Isso faz a ruiva sorri e trocar olhares cúmplices com a agente do FBI.
— Tudo bem. – Concorda Maggie e nós acabamos suspirando aliviados. – Vocês irão participar da missão, mas para isso, terão que trabalhar juntos como parceiros pelos próximos quinze dias.
— O quê? – Balbucio ao mesmo tempo que Leonard.
— É isso mesmo que vocês ouviram. A condição para vocês assumirem o caso é se tornarem parceiros por pelo menos quinze dias, que é o tempo que vocês terão para estudar o caso, embarcar no luxuoso cruzeiro Seven Seas Explorer, descobrir quais são os planos de Vandal e Lex Luthor e os impedir de obterem sucesso. – Responde tia Tasha, encarando-nos com aquela expressão analítica. – E então? O que vocês me dizem? Estão dispostos a deixarem suas diferenças e trabalharem juntos pelo bem da missão?
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