Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Capítulo mais tranquilo para vocês aproveitarem um pouco do nosso casal. Eu realmente espero que vocês gostem. Quero agradecer pelos comentários incríveis no capítulo passado da AndreaNeves e da Mari. Vocês são maravilhosas! Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO

CAPÍTULO XII — LUAU

— Aqui. Beba um pouco de chá. Isso deve ajudar a diminuir os efeitos da ressaca. – Sara estende a xícara de chá e me observa sentar lentamente na cama. Respiro fundo, sentindo minha cabeça latejar e meu estômago se revirar com o movimento que naquele momento pareceu brusco. Ela se senta ao meu lado e me entrega a xícara. – Você está bem?

— Sim. Eu só preciso descansar um pouco mais. – Respondo com a voz mais fraca do que eu gostaria.

— Não deveria ter exagerado dois dias na bebida. Se sabe que não é bom com álcool, por que extrapolou desse jeito? Estamos em missão. Você precisa estar totalmente bem se precisarmos lutar. – Resmunga a loira, encarando-me com repreensão. No entanto, seus olhos exibiam uma preocupação tocante.

— Desculpa. Eu queria convencer Ophelia de que havíamos brigado de verdade e que estava descontando minha frustração na bebida. Mas acho que exagerei. Sinto muito por estar atrapalhando. – Lamento, sentindo-me um idiota por não conseguir lidar com uma maldita ressaca.

Não havia sido uma boa ideia beber um absinto com teor alcóolico de quase 90%. Não quando eu ainda estava me recuperando da ressaca do dia anterior. Agora já se passavam das duas da tarde, mas eu nem mesmo havia conseguido levantar da cama com o gosto amargo do arrependimento na boca e a cabeça latejando de dor. Sara suspira e empurra minha mão com a xícara.

— Não se preocupe com isso. Apenas beba um pouco desse chá. Vai ajudar a amenizar os sintomas da ressaca. Eu também trouxe algumas frutas para você recuperar as energias e aumentar o nível de glicose no sangue.

— Obrigado. – Agradeço, bebendo um pouco do chá e estremeço pelo sabor forte do chá. – O que é isso?

— Gengibre com mel. Isso diminui as náuseas, queima o álcool que ainda restar no organismo e o mel vai colaborar para que recupere toda a glicose que perdeu. – Responde, saindo do quarto. Ela não demora muito a aparecer com uma bandeja cheia de frutas cortas em cubo. – Coma um pouco. Você não comeu nada no café da manhã e nem quis almoçar. Isso contribui para que você se sinta fraco e com a cabeça pesada.

Ao ver bananas cortadas, estremeço e travo os dentes discretamente. Nunca fui muito fã de chá e muito menos de frutas. Tudo piorava quando o assunto era banana, mas não poderia recusar o esforço de Sara para fazer eu me sentir melhor. Geralmente, minha ressaca é solucionada com refrigerante e muita água, mas hoje eu realmente não havia conseguido levantar da cama. Desde então, Sara tem cuidado de mim e me ajudado a melhorar, dando água, aspirinas e café para que eu me despertasse.

— O que foi? Não gosta de frutas? – Questiona a loira, notando o meu desconforto. Encaro-a sem saber o que dizer e bebo mais um pouco de chá. Ela ri e me encara com divertimento. – Você é uma criança? Vai me dizer que você só come besteiras.

— Eu como frutas. Só... não gosto muito do sabor. Principalmente bananas. – Respondo, estremecendo ao falar o nome da fruta. Sara ri ainda mais.

— Tudo bem. Não precisa comer a banana. Eu como depois. – Afirma a loira, pegando o controle da televisão. – Você se importa se eu assistir um pouco de jornal?

— Não. Fique à vontade. – Digo, comendo uma uva do pequeno cacho que havia na bandeja. Ao menos ela estava mais doce e suculenta. Cruzeiros de ricos realmente sabem como agradar o seu público.

Observo Sara se acomodar ao meu lado para assistir a reportagem que passava na televisão. Como de costume, inconscientemente, ela leva a mão direita ao relicário em seu pescoço e passa a mexer como ele, como uma espécie de ritual que a acalmava. Isso me fazia lembrar de seu passado e do que ela já sofreu desde que era uma criança.

Lutar por nove anos contra um severo câncer, ouvindo todos os médicos lhe dizer que você vai morrer sendo apenas uma criança deve ter sido muito doloroso para ela. E quando finalmente está curada, não pode voltar a família para comemorar esse milagre. Não deveria ser fácil para ela ficar longe das pessoas que ama, questionando-se diariamente se eles estão bem e se a perdoariam se descobrissem a verdade.

Clint Barton é realmente um homem difícil de entender. Pensar que ele havia concordado com a loucura de ajudar Sara a planejar a própria morte e ainda a curar do câncer de uma forma tão arriscada. Eu não sabia dizer se ele era muito confiante ou apenas um louco que aleatoriamente decidiu usar um poder perigoso na própria sobrinha e teve a sorte de conseguir a cura de uma das piores doenças do século.

Mais estranho ainda era pensar que uma garota de treze anos, em um estado avançado da doença, participava de um acampamento que servia como um campo de treinamento. Não fazia sentindo. Sara também parecia considerar as ações do tio justificáveis e parecia considerar um campo de treinamento para crianças algo normal. Não que eu pudesse levar sua opinião totalmente em consideração, já que ela se tornou uma agente da CIA aos treze anos.

E era exatamente por Sara tratar o suposto treinamento de sua família durante a infância como algo banal, que me fazia questionar o que acontecia durante os dias que eles passavam acampados com o excêntrico Clint Barton.

— Como eram os acampamentos de sua família? – Pergunto, colocando a xícara sobre a bandeja de frutas. Sara desvia o olhar e parece surpresa com a minha pergunta repentina. – Não precisa responder se não quiser. Eu apenas estava curioso para saber como era esse acampamento onde você e seus primos eram treinados.

Sara parece refletir sobre a minha pergunta, enquanto mexia distraidamente em seu colar. A loira então suspira e sorri nostálgico. Seus olhos brilham intensamente e é como se ela estivesse voltando em um tempo em que ela sente saudades. Novamente, a curiosidade me atinge. Como um acampamento de treinamento, onde ela me afirmou que aprendeu várias técnicas de luta poderia ser divertido?

— Ah, era um lugar mágico. – Responde, suspirando sonhadora. – Meus primos e eu nos divertíamos em espécie de gincanas. Algumas vezes tio Clint nos dividia em equipes, outras em dupla ou individual. As atividades sempre testavam nossas habilidades cognitivas, de coordenação motora, domínio do foco e a criatividade. Como éramos doze crianças em diferentes idades, tio Clint conseguia ser bem criativo em desenvolver missões onde todos conseguissem brincar juntos. Mesmo eu, que era fisicamente fraca, era capaz de participar das brincadeiras.

— E você simplesmente aprendeu a lutar brincando? – Questiono, surpreso. Sara ri e nega.

— Não. Quer dizer, de certa forma sim. Nós aprendíamos os movimentos básicos com brincadeiras e depois nos aprofundávamos em treinos mais pesados. – Explica a loira e eu a encaro sem conseguir visualizar como isso poderia acontecer.

— Como assim? – Insisto e ela parece pensar em uma explicação que fosse mais fácil para o meu entendimento.

— Você lembra quando eu disse que eu sou da segunda geração da família Barton? – Pergunta Sara e eu assinto, concordando. – Então, com exceção de Beth, Aaron e Nancy, meus primos e eu fomos treinados praticamente desde que nascemos, quase como uma experiência para tio Clint.

— Treinados desde que nasceram? – Repito, achando a história cada vez mais absurda. Sara parece se divertir com a minha reação exagerada.

— Sim. Mas não fomos como ratinhos de laboratório. Tio Clint desenvolveu brinquedos que estimulavam nosso raciocínio lógico e desenvolvimento físico. Beth, Aaron e Nancy chegaram depois, mas ainda pegaram os brinquedos teste de tio Clint quando eram muito pequenininhos. Beth tinha quatro anos, Aaron seis e Nancy tinha dois anos. Enfim, eram brinquedos divertidos e bastante coloridos, que ajudaram e muito a nos tornar crianças prodígios. No entanto, assim que começávamos a andar e falar, tio Clint testava quais brinquedos chamava mais a nossa atenção. Isso era para saber em qual tipo de inteligência nós nos destacávamos mais e então, aos cinco anos de idade, passávamos a nos desenvolver mais intensamente nessas áreas individualmente e as outras áreas em conjuntos com os primos durante o acampamento. – Responde Sara, mas essas informações me geram ainda mais dúvidas.

— Tipos de inteligência? – Questiono e Sara assente, concordando.

— Teoria das Inteligências Múltiplas do psicólogo Howard Gardner, desenvolvida na década de 1980. Gardner propõe que todos os indivíduos têm a habilidade de questionar e procurar respostas usando todas as inteligências. Segundo a teoria, são nove tipos de inteligência. Inteligência lógico-matemática, que é a mais conhecida. Nessa inteligência há um grande destaque para as habilidades em matemática e em raciocínio lógico. Grande parte dos testes de QI se apoiam nesta capacidade para determinar se uma pessoa é inteligente ou não.

“Já a inteligência espacial está relacionada à capacidade de lidar com objetos, sua localização e visão sob diferentes perspectivas. E então temos a inteligência linguística, que junto com a inteligência lógico-matemática, forma o ramo principal estimulado tradicionalmente pela educação formal. Refere-se às habilidades de escrita, leitura, aprendizado de idiomas.

Depois nós temos a inteligência musical, que se refere as habilidades de tocar instrumentos musicais, interpretar e compor músicas. A inteligência corporal está ligada à facilidade para controlar os movimentos do corpo. Dançarinos, atletas e profissionais do esporte são os principais expoentes deste tipo de inteligência.

E nós também temos a inteligência intrapessoal, que está relacionada à capacidade de entender a si mesmo, portanto, refere-se a autoconhecimento. Quem tem essa habilidade consegue, de fato, enxergar seus pontos fortes e fracos, assim, a assimilação é forte e rápida. Mas é uma inteligência extremamente difícil de ser desenvolvida.

Ao contrário disso, nós temos a inteligência interpessoal, que é a habilidade de relacionar-se bem com os outros e ser comunicativo. Sabe aquelas pessoas que parecem brilhar? Geralmente são essas que desenvolvem essa inteligência. Também é uma inteligência que não é tão simples de ser desenvolvida. Isso parte muito da personalidade da pessoa.

E temos a inteligência naturalista, que é um tipo de habilidade ligada à compreensão da natureza e de seus processos. Foi incluída por Howard Gardner na lista de inteligências na década de 1990. E por fim, nós temos a inteligência existencial, que seria a capacidade filosófica de refletir sobre a própria existência e geralmente está ligado a pessoas que tem a habilidade de instigar as pessoas, como professores, filósofos e sociólogos.” – Explica Sara, sorrindo ao fim. – Bom, a maioria das pessoas domina apenas uma ou duas delas e de acordo com os fundamentos da teoria, as habilidades podem ser genéticas. Mas tio Clint tinha uma visão muito mais aprofundada e positiva sobre a teoria. Ele acreditava que os estímulos e experiências vividas são capazes de influenciar o desenvolvimento das competências e, como cada uma das inteligências é útil para determinadas atuações, desenvolver nossas mentes ainda jovens poderia nos fazer dominar mais inteligências e ampliar ainda mais o nosso domínio naquela em que mais nos destacávamos.

— Isso é impressionante. – Comento e ela assente, sorrindo.

— Tio Clint sempre foi brilhante e praticamente criou doze gênios. Cada um especialista em uma área, mas todos bastante habilidosos. – Afirma a garota, expressando todo o orgulho que sentia do tio. – E o resultado do seu experimento influenciou e muito nossas vidas. Beth tinha um grande destaque na inteligência linguística e hoje em dia é fluente em cerca de sete idiomas. Aaron é um babaca, mas sua inteligência interpessoal era brilhante e o fazia conquistar a todos que ele queria apenas com o seu dom de comunicação.

“Elena, Sam, Ben, Damon, Oliver e eu sempre fomos destaques na inteligência corporal. Enquanto Elena e Ben tinham um dom fantástico para dança, Sam, Damon e eu éramos excelentes em luta. Mesmo eu sendo a mais fraca fisicamente, eu era ágil e sabia desenvolver técnicas onde usava o meu corpo pequeno e flexível para desviar de golpes e derrubar o adversário. Oliver era muito bom nos esportes, mas o destaque dele mesmo era o arco e flecha. Sério. Ele era o melhor.

Austin sempre foi absurdamente talentoso com a música e com a sua inteligência musical aprendeu a tocar inúmeros instrumentos musicais, além de ter uma voz incrível e compor músicas impressionantes.

Agora Barry, Nancy e Thea possuíam uma inteligência lógico-matemática surpreendente. Nancy também tinha a inteligência existencial e se tornou uma jornalista fantástica, capaz de descobrir mistérios com apenas algumas poucas pistas. Thea foi capaz de conseguir notas excelentes para passar no curso de medicina com apenas catorze anos. Barry recentemente desenvolveu um iogurte de baixo custo que pode erradicar a desnutrição no mundo.” – Revela Sara e novamente eu começo a me questionar que tipo de família é essa. – Eu sei. Todos são incríveis. E é por isso que somos uma família tão especial. Os acampamentos nos estimulavam a desenvolver nossas inteligências, mas também nos ensinava a importância da família, do companheirismo e da amizade. Com tio Clint e tia Tasha aprendemos a ser verdadeiros humanos. Ainda que Aaron tenha sido a exceção da nossa regra.

— Impressionante. – Confesso, surpreso por ver como os métodos de Clint tiveram efeito. Aos poucos, começo a entender o motivo de Sara venerar tanto o homem. Sua capacidade de testar essa teoria em seus sobrinhos de maneira tão eficaz foi mesmo incrível.

— Eu realmente sinto falta dos momentos que passei ao lado deles. – Conta Sara, dando um sorriso triste. Pego em sua mão e a observo me encarar um pouco desolada.

— Parece que está mesmo na hora de você voltar para a sua família, Sara. Eles são pessoas incríveis. Eu tenho certeza de que serão capazes de entender seus motivos. – Comento e ela parece indecisa sobre o assunto. – Precisa confiar nos sentimentos que vocês compartilham, Sara. Ao contrário de mim, que possui uma família terrível de criminosos, você tem pessoas incríveis que com certeza ficaram felizes com a sua volta. Eu posso ver pelo carinho com o qual você fala deles, que eram muito próximos. Não pode deixar que o medo te atrapalhe de ser feliz. E eu prometo que assim como você tem cuidado de mim, enquanto estou de ressaca, eu cuidarei de você e ficarei ao seu lado quando decidir contar a verdade a sua família.

— Você... faria isso por mim? – Questiona Sara, parecendo surpresa com a minha afirmação. Rio levemente e assinto.

— É claro que sim. Eu não te deixarei sozinha. Eu prometo. – Respondo, apertando ainda mais nossas mãos. Sara sorri e suspira aliviada. Aquelas pareciam ser as palavras que ela mais desejava ouvir e eu não poderia estar mais feliz por saber que eu poderia ser o seu porto seguro.

[...]

Depois de conseguir me recuperar da estressante ressaca com muito chá de gengibre com mel e água, Sara e eu nos arrumamos para o evento da noite, que seria um elegante luau. A garota ainda parecia receosa em me deixar sair do quarto, preocupada com a desidratação eu sofri, mas eu não queria atrapalhar ainda mais a missão, já que passamos o dia trancados no quarto e não acompanhamos nenhum membro da HYDRA.

E como sempre, Sara estava deslumbrante usando um vestido branco longo de renda, que mostrava os ombros e destacava a silhueta de seu corpo. Novamente o sentimento de orgulho por ter uma mulher tão bonita desfilando ao meu lado me preenche, ao mesmo tempo em que eu desejava que mais nenhum idiota se aproximasse – vulgo, Lex Luthor -, para tirar proveito da bela mulher.

O salão de festas do navio também estava impressionante. A iluminação aconchegante feita com varal de lâmpadas amarelas criavam um clima intimista no ambiente. Havia também muitas flores tropicais espalhadas pelo salão em diversas cores e velas dentro de luminárias em formato de abacaxi, enfeitadas com arranjos de flores e folhagens.

Guardanapos coloridos e folhagens eram usados como suporte para os lanches e bebidas, além de ter almofadas, puffs e futons espalhados pelo salão, criando um ambiente similar a um lounge bem confortável de praia. Na entrada, recebemos colares de flores e coquetéis de frutas bem coloridos e somos agraciados com a música instrumental de ukulele, dando aquele aspecto de que estávamos em pleno verão havaiano.

— A decoração de hoje ficou incrível. Eles até mesmo aumentaram o aquecedor para que nos sentíssemos na praia durante o verão. – Comenta Sara, enquanto éramos conduzidos para a nossa mesa vip.

— Sim. Eu até mesmo estou com vontade de tomar água de coco e me deitar em uma espreguiçadeira para pegar um pouco de sol e me bronzear. – Brinco e ela ri, parecendo concordar.

— Chegamos. – Anuncia a funcionária do navio, apontando para a área ainda mais aconchegante do restaurante. Haviam algumas tochas de bambu ao nosso redor e pequenos coqueiros próximos a nós.

— Obrigado. – Agradeço a funcionária, puxando a cadeira para que Sara se sentasse.

A mulher assente e faz uma pequena reverência antes de ir embora. Não demora muito para o garçom aparecesse com os cardápios da noite. Assim que ele anota nossos pedidos, Sara e eu finalmente nos vemos sozinhos. Ao longe, consigo ver Ophelia acompanhada de um homem desconhecido. Em outra mesa, um pouco mais afastada, Lex Luthor conversava com três mulheres e um homem. Próximo a eles, Arnim, Vandal, Von Strucker e Batroc conversavam com outras quatro mulheres.

Eu também podia notar olhares atentos sobre nós, deixando claro que apesar de não termos a presença dos membros da HYDRA em nossa mesa essa noite, ainda estávamos sendo observados pela organização criminosa. Sinto então a mão de Sara sobre a minha e ela sorri com doçura. Correspondo, mesmo sabendo que tudo não passava de uma atuação para convencer a todos que fizemos as pazes.

— Soube que hoje terão jogos de casais. Por isso estamos rodeados por casais. – Comenta Sara e eu assinto, finalmente compreendendo o porquê de todos os membros da HYDRA estarem acompanhados.

— Novamente, peço desculpas por ter atrapalhado a missão hoje. Por minha culpa, nós passamos o dia todo no quarto e não conseguimos monitorar todos eles. – Lamento, sentindo-me culpado. Ela nega e aperta a minha mão com um sorriso gentil.

— Não se preocupe tanto com isso. Nós dois recebemos convites para participar da reunião deles. Nós já avançamos muito. E também é bom não ficarmos muito em cima ou eles vão acabar desconfiando de nós. Como nós brigamos ontem e somos recém-casados, desaparecer por um dia pode significar que estávamos fazendo as pazes. – Responde Sara, olhando em volta. – Além disso, hoje nós estamos em um ambiente confortável e que tem vista privilegiada de todos os membros. Ao mesmo tempo, nós somos alvos de muitos olhares curiosos. Teremos que tomar ainda mais cuidado essa noite e evitarmos chamar muita atenção.

— Sim. Não sei se nós nos sairíamos bem em uma disputa de casais. Mesmo tendo estudado nossos personagens, nós não sabemos muitas informações de casais. Poderíamos acabar levantando questionamentos e desconfiança sobre nosso relacionamento. – Concordo e Sara assente, bebendo um pouco de seu coquetel de frutas.

— Definitivamente poderíamos acabar nos envolvendo em problemas. Jogos de casais geralmente são para mostrar que o casal se conhece. Sem informações sobre o relacionamento de Stacy e Luke, nós teríamos que improvisar e dar respostas baseadas em nosso atual... relacionamento. – A loira hesita na última parte, voltando a dar um gole em sua bebida. – Não nos conhecemos tão bem. Mesmo compartilhando histórias sobre o nosso passado, não sabemos detalhes como cor e comida favorita, alergias, animais prediletos, sonhos e ambições, medos, manias, lembranças prediletas ou que profissões que desejávamos exercer quando crianças. São informações como essas que casais geralmente compartilham, mas que são um completo mistério para nós.

— Ainda assim, há muitos casais que estão juntos há anos e não sabem nada da vida um do outro. – Comento e Sara me encara inexpressiva por alguns instantes. – Tempo e nem conhecimento definem o companheirismo e o sentimento que o casal compartilha.

— De fato. Mas quando estamos juntos com alguém, sempre queremos saber mais da pessoa que amamos. Mesmo que seja no início de um relacionamento, sempre tentamos agradar e saber o que se passa na cabeça da outra pessoa. Ansiamos por descobrir mais sobre o seu passado e detalhes que outras pessoas jamais irão descobrir, porque é algo que é compartilhado apenas entre o casal. – Retruca Sara, encarando-me com intensidade.

Nesse momento, o garçom volta a aparecer com os nossos pedidos. Enquanto ele colocava os pratos sobre a mesa, meus olhos se mantiveram fixos aos de Sara, que me encarava de volta com igual intensidade. Havia tanto a se dizer, mas as palavras pareciam estar presas em nossas mentes e gargantas. De repente, aquela conversa estava assumindo uma rota bastante pessoal. Eu já não sabia dizer se falávamos sobre outros casais ou sobre nossos sentimentos.

— Eu... – Começo a dizer, ainda incerto de que palavras deveria usar, mas acabo me parando ao ouvir a música ambiente ser substituída por uma agitada, enquanto as luzes do palco principal do salão começam a piscar no ritmo da música.

— Boa noite, Seven Seas Explorer! Eu me chamo Ethan Mitchel e serei o seu apresentador dessa noite! – Cumprimenta o homem de blusa de botão florida, bermuda branca e sandália de couro, usando um colar de flores. – Sejam muito bem-vindos ao nosso luau. Eu espero que estejam aproveitando bastante o ambiente aconchegante, bebidas refrescantes, comidas saborosas e a música agradável. E agora, vamos dar as boas-vindas ao grupo dança havaiana Hula Uhane Puuwai.

O apresentador dá espaço para que as dançarinas, vestidas com roupa à caráter, pudessem dançar. Eram divertidos os seus movimentos e causavam muita euforia em todos que assistiam à apresentação. O grupo dançou três música com muita alegria e animação até que o tal Ethan Mitchel retornasse para continuar a programação da noite.

— Muito obrigado, Hula Uhane Puuwai. Vocês foram incríveis! Mas agora, vamos ao momento tão aguardado por todos nós essa noite. Iremos fazer a nossa noite de jogos de casais. – Anuncia o apresentador e todos se animam com gritos, assovios e muitos aplausos. – E como o salão está cheio de casais adoráveis, decidimos deixar a sorte decidir quem serão os participantes dessa noite através de um sorteio.

“Como podem ver, todas as mesas do salão foram numeradas. Agora, para dar continuidade a nossa programação, nós iremos sortear os números e descobrir quem serão os dez casais da noite que irão competir e nos arrancar muitas risadas e suspiros pelo amor que compartilham.” – Explica Ethan e logo todos começam a conversar, animados. Sara e eu trocamos olhares preocupados. Uma moça vestida de dançarina de hula aparece no palco com uma roleta de bingo e para ao lado do apresentador.

O sorteio se inicia. A cada novo número revelado, mais a ansiedade me consumia. Não podíamos ser sorteados para participar ou poderíamos ter grandes problemas. Sara também estava nervosa e apertava minha mão com intensidade. No entanto, também suspirávamos aliviados ao ver que o casal escolhido não era o da nossa mesa.

— E agora, iremos escolher o nosso décimo casal da noite. Estão todos prontos? – Questiona o apresentador e recebe gritos eufóricos como resposta. O sorteio é realizado. A apreensão era de tirar o fôlego. – E o número sorteado é o número cinquenta. Casal presente na mesa cinquenta, poderia por favor se revelar.

Sara e eu encaramos o número presente em nossa mesa e sinto minha espinha gelar ao constatar que éramos o casal sorteado. A loira a minha frente também parece entrar em desespero. De repente, uma luz branca forte ilumina nossa mesa e as pessoas começam a bater palmas, incentivando-nos a subir no palco junto com o apresentador.

Nossos olhos se encontram e era possível ver que compartilhávamos do mesmo pânico, no entanto, não tínhamos para onde fugir. Recusar o chamado do público e do apresentador da noite seria falta de educação e ainda faria a HYDRA desconfiar de nosso relacionamento. Assim, sem saída, levanto-me de minha cadeira e estendo minha mão para Sara, que a pega com evidente nervosismo. Tendo os gritos de fundo ao ver que havíamos dado o braço a torcer, Sara e eu nos aproximamos do palco e nos posicionamos no local orientado pelo apresentador. O jogo dos casais do luau se iniciaria em poucos minutos e tudo o que podíamos fazer é acreditar que seríamos capazes de convencer.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara