Espionagem de Outubro
29 Desculpas
Notas iniciais
ROMANCES MENSAIS
LIVRO X – ESPIONAGEM DE OUTUBRO
CAPÍTULO XXVIII – DESCULPAS
Sara estava radiante, enquanto seguíamos para o almoço de família na mansão de Clint Barton. Depois de passar a noite conversando com Beth, ela parecia muito mais disposta a enfrentar a família e qualquer acusação que pudesse sofrer dos primos. Estava até mesmo cantarolando as músicas que passavam no rádio e encarava a paisagem pela janela do carro como se o dia estivesse ensolarado e brilhante.
Sorrio, observando-a pelo canto do olho. Sua alegria era contagiante e eu não poderia estar mais agradecido a Beth por ter distraído e dado tanto apoio a Sara. Acho que eu nunca a vi tão feliz desde que a conheci. Seus olhos pareciam pedras preciosas recém lapidadas e era nítido como ela não conseguia conter o sorriso em seus lábios desde que saímos da casa da irmã e cunhado de minha chefe.
— O que foi? Por que está me olhando assim? – Questiona a loira, assim que paro no sinal fechado. Ela me encarava com curiosidade, igual a uma criança. Era adorável.
— Nada. Eu só estou feliz por você estar feliz. – Respondo e seu sorriso se amplia, enquanto ela entrelaça nossos dedos. – Eu estava preocupado, pensando que você ficaria mais deprimida para ir almoçar com sua família, depois do fiasco que foi o evento de ontem, mas é bom te ver contente e confiante assim.
— Beth me fez lembrar de como funcionava nossas brigas na infância. Infelizmente, meus primos e eu temos a péssima mania de falar mais do deveríamos quando estamos chateados e sempre fazemos idiotices. No dia seguinte, nós nos desculpávamos e estávamos mais unidos do que nunca. – Comenta Sara, sorrindo nostálgica. Ela suspira e se acomoda melhor no banco. – A situação em si é bastante complicada. Beth me fez lembrar que eles têm todo o direito de estarem bravos, porque eu fiz algo bastante perigoso e, de certa forma, cruel com eles. Ao mesmo tempo, eu também tenho o direito de estar chateada por não terem me dado a oportunidade de me explicar. Mas está tudo bem. Eu os conheço bem e sei que estarão com aquelas expressões de culpa e bicos enormes em seus lábios, envergonhados por terem agido com infantilidade, mesmo todos sendo adultos. – Ela ri e me dá uma piscadela.
— Acha que todos vão aparecer? – Pergunto, incerto. – Oliver, Nancy e Thea pareciam bastante furiosos ontem. E mesmo que estejam arrependidos, eu não sei se eles vão ser capazes de deixar o orgulho de lado para aparecer em um prazo tão curto.
— Eu tenho certeza de que vão. – Garante Sara, dado de ombros, mas logo abre um sorriso calmo e confiante. – Beth pode ter a aparência de ser a mais nova e mais doce de todos nós, mas ninguém desafia a autoridade de prima mais velha. O que ela disse ontem é verdade. Quando tio Clint não está, ela é quem está no comando. Além disso, Beth é louca o bastante para aparecer na casa de quem não comparecer e arrastar pela orelha até a mansão do tio Clint.
— Se você está dizendo... – Respondo, ainda inseguro sobre suas palavras, enquanto voltava a dirigir. A verdade era que eu não queria que ela tivesse altas expectativas e acabasse se decepcionando pelos primos não agirem como ela espera. Sara já havia se machucado demais com as palavras cruéis de seus primos na noite anterior. Ela não merecia ser maltratada mais uma vez.
— Obrigada. – Sara agradece e deixa um beijo em minha bochecha. Seu sorriso era tão doce que por alguns instantes, até mesmo esqueço que eu estava dirigindo. – Eu sei que está preocupado e que a primeira impressão que teve de meus primos não foi uma das melhores, mas a verdade é que por trás de toda a genialidade que possuímos, existem crianças que não amadureceram suas emoções ainda. Mas nós nos amamos. Somos como irmãos que estão sempre brigando e que às vezes passam dos limites, mas que no fim do dia estão se abraçando, beijando e se amando de novo.
— Apenas não quero que se machuque. Eu não sei como seus primos são e não gostei do fato de não terem te ouvido, mas eu entendo como é ter uma relação de cão e gato de irmãos. Lisa e eu somos a prova viva disso. Então, eu vou dar meu voto de confiança também. – Respondo, rendido por toda a doçura e delicadeza de Sara. Ela sorri e assente, suspirando aliviada.
O restante do caminho até a mansão de Clint foi acompanhado de risos e histórias de Sara sobre as brigas que ela e os primos já tiveram quando todos eram apenas crianças. Eu ainda estava um pouco receoso, mas esperançoso para que esse almoço pudesse ser tudo o que Sara precisava para reconectar os laços perdidos entre ela e sua família.
Assim que chegamos ao nosso destino, surpreendo-me ao estacionar o carro de frente a mansão de Clint e notar que todos os carros da noite anterior já estavam no local. Como se isso já não fosse espantoso o bastante, assim que descemos do carro e seguimos para a entrada da frente da casa, damos de cara com Thea segurando um balão azul e um sorvete de casquinha que já começava a derreter e exibia a mesma feição que Sara havia descrito que seus primos estariam.
Paramos de andar e Thea ergue o olhar ao notar nossa presença. Encaro Sara e ela possuía uma expressão séria. Ela solta nossas mãos e cruza os braços, erguendo as sobrancelhas em questionamento. Fico ainda mais perdido sobre o que estava acontecendo, quando Thea se aproxima, estendendo o sorvete, e Sara vira o rosto.
— Está derretendo. – Resmunga, erguendo o nariz, como se o sorvete não fosse bom o bastante para ela.
— Você demorou. – Retruca Thea, tentando entregar o balão à Sara.
— Prefiro vermelho. – Responde a loira, virando o rosto para o outro lado.
— Você não tem bom gosto. – Afirma Thea e por alguns instantes, as duas se encaram como se fossem brigar, mas não demoram a rir. Sara pega o sorvete da mão de Thea e a puxa para um forte abraço, sendo igualmente correspondida. – Eu sinto muito, Sara. Eu sei que fui horrível com você ontem à noite. Mas é que...
— Você ainda se lembra disso? Pensei que esqueceria, já que era nova demais quando aconteceu. – Sara interrompe Thea, afastando-se dela. A loira lambe seu sorvete e me estende para que eu comesse. Mesmo achando toda a situação estranha, acabo aceitando.
— Como eu poderia esquecer? Você matou a Trina na minha frente. Eu tinha cinco anos, mas isso foi traumatizante para mim. – Resmunga Thea, não demorando muito para abrir um sorriso doce.
— Trina? – Sussurro, ainda mais confuso. Sara e Thea trocam olhares e começam a rir.
— Era a boneca preferida dela. Tio Clint tinha dado de presente de Natal para ela e eu sem querer acabei jogando a boneca contra o cachorro do vizinho da minha casa quando nós estávamos brigando. Ele era muito bravo e destruiu a boneca. Thea ficou dias sem falar comigo. Eu comprei outras bonecas, implorei pelo perdão dela e cheguei até mesmo a me ajoelhar, mas eu tinha magoado profundamente os sentimentos dela. – Explica Sara, comendo mais um pouco de seu sorvete.
— Trina tinha um grande valor sentimental para mim. – Conta Thea, um pouco risonha. – Tio Clint tinha trago do Nepal e disse que uma garotinha muito pobre tinha dado de presente para ele. Eu me apaixonei e implorei para ficar com ela. Ele permitiu que aquele fosse meu presente de Natal, contanto que eu cuidasse muito bem dela. Porque ela era única e que Alina tinha colocado todo o seu coração para fazer a Trina com sabugo de milho, retalhos de tecido, barbante, fitas e lãs coloridas.
“As crianças do Nepal são muito pobres e por isso precisavam ser criativas para fazer seus brinquedos. Alana quis trocar a boneca com tio Clint por comida para alimentar seus oito irmãos mais novos. Tio Clint não concordou e deu comida e dinheiro a ela, comovido com a situação terrível em que eles viviam. No fim, Alana insistiu que tio Clint ficasse com a boneca como um presente pelo ato gentil do homem. Então ela era muito especial. Ver Trina destruída foi como se eu tivesse quebrado a promessa com tio Clint e ainda tivesse machucado Alana.” – Thea suspira nostálgica.
— Nossa. Você deve ter ficado arrasada. – Comento, surpreso com a história.
— Você nem imagina. – Thea dá uma risada anasalada, mas logo encara Sara com carinho. – E então, para me animar, tio Clint me levou para passear e quando voltamos para casa, Sara me esperava na porta com um sorvete de casquinha quase derretido em mãos e um balão vermelho.
— Eu sabia que Thea amava sorvete e balões. Então achei que a combinação dos dois pudesse animá-la e talvez reparar o erro que cometi. Eu havia sido muito infantil por ficar brigando com uma criança de cinco anos para brincar com a boneca e acabar jogando-a para longe, só porque havia ficado estressada com os gritos dela. Eu já tinha onze anos. Nem mesmo fazia sentido ficar agindo dessa forma. Então realmente me senti muito culpada por ter destruído a Trina.
— No início, eu me fiz de difícil. Cruzei os braços e virei o rosto. Eu já tinha perdoado a Sara. Tio Clint tinha conversado comigo e me convencido de que tudo não tinha passado de um acidente e que Sara já tinha pedido desculpas, então não era justo eu ficar com raiva por algo que ela não fez por mal. Ele também me lembrou das vezes que quebrei os brinquedos de Oliver sem querer e como eu me sentia mal depois, quando eu o via tão chateado. No entanto, eu ainda era um pouco orgulhosa, então continuei com o teatro. – Thea ri e Sara a acompanha.
— Ela criticou o sorvete e a cor do balão, exatamente como eu fiz. Eu também retruquei, assim como ela fez. Mas mesmo reclamando, ela aceitou o sorvete, o balão e minhas desculpas. – Responde Sara, sorrindo com doçura para Thea. Por alguns minutos, tudo o que elas fazem é se olhar e parecem estar em uma conversa intensa, ainda que não dissessem uma só palavra.
— Eu acho que vou na frente para deixar vocês mais à vontade para conversar. – Aviso e termino de comer o sorvete que Sara havia me dado.
— Não precisa. – Apressa-se Thea, alarmada, segurando meu braço. Encaro-a confuso e ela sorri sem graça, voltando a me soltar. – Desculpa. Acho que não nos apresentamos direito. Leonard, certo?
— Sim. – Concordo, ainda tentando entender a situação.
— Thea. Thea Queen. É um prazer te conhecer. – Thea estende a mão e sorri um pouco nervosa. Troco rápidos olhares com Sara e ela assente, incentivando-me a cumprimentar a garota. Aperto a mão da prima de minha namorada e ela sorri aliviada. – Eu acho que devo desculpas a você também, Leonard. Ontem... bem, ontem eu agi de maneira infantil. Eu extrapolei e não me orgulho das coisas que eu disse. Acho que nesse momento você deve estar pensando que todos nós somos um bando de animais sem educação e cruéis.
— Está tudo bem. – Garanto, sorrindo Thea com sinceridade. Ela parecia estar sendo honesta com suas desculpas e isso me deixava mais aliviado. – É verdade que fiquei bastante chateado pela forma como trataram Sara, mas de certa forma eu entendo que tivessem com raiva.
— Nada justifica a forma como eu agi. Eu sei disso. Então, eu realmente quero pedi perdão, Sara. Acabei me deixando levar pela frustração de ter visto Oliver machucado mais uma vez e não poder fazer nada novamente. Não foi justo com você. E eu entendo se você não me perdoar. Eu disse coisas horríveis para você sem nem mesmo saber os seus motivos. Você estava sofrendo há anos com a leucemia. Ver as nossas fotos de infância me fez lembrar de todos os sorrisos tristes que você dava quando via todos brincando nos acampamentos de tio Clint e precisava ficar sentada, porque era esforço demais para o seu corpo frágil. – Thea morde o lábio inferior e suspira, pegando nas mãos de Sara. Seus olhos verdes brilham com intensidade. – Me perdoe por ter sido uma cruel, injusta, incompreensível e idiota bruxa com você.
— Esqueceu de babaca. – Relembra Sara com humor e Thea ri, concordando.
— E por ter sido muito babaca com você. Eu realmente sinto muito. Prometo que nunca mais farei nada de parecido com você. E também aceito qualquer punição que quiser me dar por ter machucado seus sentimentos. Você poderia me perdoar? – Pergunta Thea com apreensão.
— É claro que eu te perdoo, Speedy. – Afirma Sara, puxando a garota para um forte abraço. – Está tudo bem. Você trouxe meu sorvete preferido.
Thea ri e intensifica ainda mais o abraço das duas. Assim que se separam, Sara me encara com um grande sorriso e eu apenas pisco para ela, mostrando o quanto eu estava feliz por ela e Thea terem se entendido. Agora só falta mais alguns primos. Eu não sabia o que iria acontecer assim que entrássemos na mansão gigantesca de Clint, mas estava começando a me sentir ansioso para o desenrolar desse almoço em família.
— Vamos entrar. Todos estão esperando por nós e algumas pessoas querem se desculpar também pelo mal comportamento. – Avisa Thea, pegando na mão de Sara, conduzindo-a para a porta de entrada da mansão.
Entramos na mansão e novamente me surpreendo ao ver o hall de entrada do lugar. Por causa de toda a confusão da noite anterior, eu acabei ignorando o fato de que estava na casa de uma das pessoas mais ricas e influentes do mundo. Mas agora, diante das duas escadarias brancas, lustre que deveria custar mais do que os meus rins, colunas gregas que lembravam os templos exuberantes da Grécia, teto trabalhado com folhas de ouro, além da mobília de madeira escura, eu finalmente me dava conta do poder de Clint.
Thea nos conduz pela mansão até o salão onde ocorreu a festa na noite anterior. Ao contrário do que vi da última vez, não havia mais palco, telão, decoração de luzes e fotos com recordações de momentos em família e um grande espaço para eles dançarem e se moverem pelo lugar. Tudo fora substituído por um carpete com imagens africanas, uma foto enorme no lugar do telão do que imaginei ser toda a família Barton, uma gigantesca televisão de pelo menos setenta polegadas e dois grandiosos sofás confortáveis em paralelo onde todos os primos de Sara estavam sentados.
Havia uma parede com diversos adornos estranhos, além de outros elementos que remetiam a cultura africana como flechas, lanças, estátuas e quadros exóticos de africanos. Eu estava começando a achar que cada cômodo da casa representava uma cultura diferente, algo que não seria tão surpreendente assim, já que Sara havia me contado que Clint está constantemente viajando pelo mundo e trazendo uma enorme bagagem cultural não só para ele, como para amigos e sua família.
Ao notarem nossa presença, todos os primos de Sara se levantam. Barry e Sam pareciam muito mais felizes do que a noite anterior. Beth também sorri e acena, acompanhada de Daryl, que nos cumprimenta com uma discreta reverência. E como Sara havia dito, todos estavam presentes. Mesmo Oliver e Nancy, que pareciam ser os mais furiosos na noite anterior. Todos os primos de Sara também haviam trago seus cônjuges para participar do almoço e filho, como era o caso de Oliver e Felicity.
— Vocês finalmente chegaram. – Comenta Beth, aproximando-se de nós. Ela nos cumprimenta com abraços rápidos, mas apertados. – Vem. Vamos nos sentar. O almoço ainda vai demorar um pouco para sair, mas acho que todos temos muito o que conversar.
— Balão azul! – Comenta o garotinho de cabelo loiro em um penteado adorável, olhos azuis e sorriso largo.
— Você quer o balão, Tony? – Pergunta Sara para a criança que estava no colo da mãe. Ele encara Felicity, como se perguntasse em silêncio se poderia aceitar a oferta. – Está tudo bem. Pode pegar.
— Mamãe? – Sussurra Tony, ansioso.
— Pode pegar, filho. Mas não esqueça de agradecer a tia Sara pelo balão. – Concorda Felicity, sorrindo amável para o filho, que assente e rapidamente desce de seu colo.
Sara se abaixa para ficar na altura do sobrinho de consideração e entrega o balão para ele. Tony abre um largo sorriso e abraça Sara com intensidade. Ela ri e deixa um beijo estralado na bochecha da criança.
— Obrigado, tia Sara. – Tony agradece ao se afastar da loira, fascinado com o balão azul que ela recebeu de Thea. Ele se vira para o pai e aponta animado para o seu mais novo brinquedo. – Olha papai! Eu ganhei um balão da tia Sara. Não é legal?
— Sim, filho. É muito legal. – Concorda Oliver, dando um fraco sorriso.
O menino brinca um pouco com o balão, enquanto Sara se levanta e volta a ficar ao meu lado. Tony passa pela sala, mostrando alegremente seu balão para todos os primos de Sara até parar em Damon, que estava sentado ao lado de Oliver. A criança se apoia nos joelhos do homem e o encara com expectativas. Damon sorri e acaricia seu rosto.
— Brinca comigo de balão, tio Damon? – Pergunta Tony, balançando seu balão pela fita de forma animada.
— Eu já brinco com você, amigão. Deixa só o tio Damon conversar com a tia Sara que nós podemos brincar a tarde toda com o seu balão. Eu prometo. – Afirma Damon, encarando o garotinho com um sorriso carinho em lábios.
— E você, tia Thea? Pode brincar comigo de balão? – Questiona Tony, correndo até a tia que já havia se sentado ao lado do namorado no sofá.
— A titia também precisa conversar com a tia Sara, meu amor. Mas assim que terminarmos a conversa, eu prometo que também vou brincar muito com você. – Garante Thea, deixando um beijo na bochecha do sobrinho.
— Vem, Tony. Vamos brincar na sala de brinquedos do Clint com o balão que você ganhou. – Fala Cait, sorrindo gentil para o garoto.
— Oba! – Ele comemora e corre até Cait, que o pega no colo. – Tchau, mamãe. Tchau, papai.
— Tchau, filho. – Despede-se Oliver, acenando para a criança.
— Comporte-se, Tony. Obedeça a tia Cait. – Orienta Felicity, despedindo-se do filho com um discreto sorriso.
— Está bem! – Concorda Tony, desaparecendo pelo corredor da sala com Cait, agitando seu balão de forma animada.
— Ele é adorável. – Comenta Sara, sorrindo com doçura para Felicity. – Vocês o educaram muito bem, Felicity e Oliver.
— Obrigada. – Felicity agradece, sorrindo educada. Ela então encara Oliver com intensidade, que coça a nuca e parecia envergonhado.
— Sara... – Ele começa a falar e suspira, parecendo cansado. Oliver se levanta e após uma rápida troca de olhares com Felicity, ele se aproxima de nós. – Eu sinto muito pela forma como eu te tratei ontem. Não só a você como a Leonard também. Eu fui um moleque com vocês. Felicity tinha razão. Eu estava apenas com o ego ferido e por isso descontei as minhas frustrações em você. De longe, você foi a pessoa que mais sofreu nessa situação. Não foi justa a forma como eu te tratei. Eu... eu...
— Antes de você ou os outros se desculparem, eu gostaria de contar a minha versão de toda essa confusão. – Pede Sara com o tom de voz suave, interrompendo o pedido de desculpas de Oliver. Eles se encaram e posso ver o quanto eles tinham para dizer um ao outro.
— Tudo bem. – Concorda Oliver, suspirando. Ele volta a se sentar ao lado da esposa, parecendo ansioso pela situação.
— Por que não se senta também? – Sussurra Sara, sorrindo para mim. – Eu acho que é melhor apenas eu ficar de pé.
— Tem certeza? – Questiono, preocupado. Ela sorri e assente, concordando.
— Está tudo bem. Eles estão dispostos a me ouvir e eu sei que vão me entender quando eu explicar tudo o que aconteceu e os motivos que me levaram a ir embora. – Garante Sara, apertando minha mão. Ela sorri e posso ver o quanto ela está calma. Isso é o bastante para eu saber que ela estava preparada para o momento de contar para sua família tudo o que aconteceu e fazer as pazes.
Assim, eu me sento ao lado de Daryl em um dos sofás e o cumprimento rapidamente antes de voltar minha atenção para Sara. Ela se posiciona de frente para os primos e respira fundo. Depois de encarar cada um dos rostos presentes, demorando-se mais em Oliver e Nancy, ela passa a narrar sobre como foi difícil lidar com a leucemia, o motivo de entrar para a CIA, como foi executar o plano de Clint, o que ela passou com os treinamentos para se tornar membro da S.H.I.E.L.D, o acidente de nossos parceiros, nossa rivalidade, a missão de prender Vandal, como nós nos apaixonamos, o que vivemos no tempo em que tivemos no cruzeiro de luxo e como a sua segunda experiência de quase morte diante de uma bomba química a levou a perceber que a vida é curta demais e que ela sentia a falta da família, por isso decidiu voltar para a sua família.
Todos ouviram as explicações em silêncio, sem interromper Sara em momento algum. Vez ou outra eu podia ver os rostos assustados e como as expressões de seus primos mudavam a cada nova informação. Até mesmo Freddie, que havia sido o nosso herói na missão do luxuoso navio Seven Seas Explorer, parecia surpreso com a história de Sara.
Ao fim de toda a narração, todos pareciam estar em estado de choque. Fossem os primos de Sara ou seus cônjuges, todos estavam paralisados diante de todas as dificuldades que a loira já teve que passar para chegar aonde chegou e todos os perigos que passou ao longo desses dez anos em que esteve fora. Sara me encara com um pequeno sorriso e eu correspondo, orgulhoso tanto por ela ter conseguido contar toda a histórias aos primos como também por Sara ter vencido todas as dificuldades para chegar tão longe.
— Sara... – Nancy é a primeira a se manifestar. Seu rosto estava manchado pelas lágrimas que haviam caído pela sua delicada face em algum momento durante a história. Ela se levanta e acaricia a barriga que eu descobri ser de cinco meses de gestação. Nancy então respira fundo e limpa o rosto, tentando se recompor. – Eu...
Nesse momento, o celular de Sara passa a tocar escandalosamente, interrompendo Nancy. A loira puxa o aparelho de dentro da pequena bolsa de alcinha que ela usava, provavelmente pronta para desligar, mas para ao identificar o nome na tela.
— Desculpa, Nana. É a tia Tasha que está me ligando. Acho que deve ser importante, afinal, ela sabe que eu estou aqui e jamais entraria em contato comigo se não fosse algo de urgência. – Explica Sara, dando um fraco sorriso. – Você se importa se eu atender antes de continuarmos nossa conversa?
— Não. Por favor. Pode atender. – Responde Nancy, voltando a se sentar ao lado do marido, esboçando um sorriso compreensível.
— Obrigada. – Sara agradece, parecendo sem jeito pela forma como a prima foi interrompida. No entanto, eu sabia que Natasha jamais interromperia esse momento se algo de muito importante não tivesse acontecido. Ela era a mais animada com o almoço em família. – Tia Tasha? Está tudo bem? Por que está me ligando agora? Aconteceu alguma coisa? – Sara me encara momentaneamente, enquanto bombardeia a tia de perguntas ao atender a ligação. A loira permanece em silêncio por alguns instantes, ouvindo com atenção tudo o que a agente do outro lado da linha tinha a dizer. – O quê? Vandal finalmente apareceu?
Ao ouvir o nome do desgraçado que continuava foragido, depois de ter escapado de nossas mãos do cruzeiro de luxo, eu me levanto e me aproximo de Sara para ter mais informações do que estava acontecendo.
— Certo. Não. Tudo bem. Não se preocupe com isso. Sim. Sim. Certo. Steve e Hillary já foram para o local? Está bem. Não. Leonard e eu iremos agora mesmo para lá. – Sara aperta a minha mão e me encara com intensidade. – Está bem. Nós nos vemos lá. Tchau.
— O que houve? – Pergunto, ansioso para saber o que tinha acontecido, assim que ela desliga o celular.
— Parece que Vandal vai agir essa noite. Uma das câmeras de segurança da cidade localizou ele comprando um terno de luxo. A CIA está suspeitando que ele irá aprontar alguma coisa e essa pode ser a nossa última chance de pegá-lo, antes dele desaparecer de uma vez por todas. – Responde Sara com seriedade. Assinto, concordando.
— Nós podemos fazer alguma coisa para ajudar? – Pergunta Oliver, encarando-nos com preocupação.
— Não precisa. É muito perigoso que civis se envolvam em algo assim. – Respondo com sinceridade e ele parece um pouco decepcionado pela minha recusa. – Mas obrigado mesmo assim.
— Na verdade... – Sara sorri e encara cada um dos primos na sala. – Acho que vocês podem ser de grande ajuda.
— O que você está dizendo, Sara? – Pergunto, confuso pela fala sem sentido de Sara. – É estritamente proibido a participação de civis em uma operação de risco como essa. Eles podem acabar se tornando alvo da HYDRA ou acabar se machucando. É melhor que fiquem aqui enquanto nós resolvemos a situação.
— Civis? Não seja bobo. Por acaso você sabe quem são eles? – Pergunta Sara, trocando olhares cúmplices com os primos. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo.
De repente, todos os membros da família Barton se levantam e se aproximam com sorrisos orgulhosos em seus rostos. Sinto-me um pouco melhor ao notar que eu não era o único perdido por aqui. Os cônjuges daqueles loucos também pareciam confusos com o comportamento deles.
— Nós somos a família Barton. – Responde Sara, sorrindo confiante. – E nós definitivamente iremos acabar com Vandal Savage. Custe o que custar!
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