Espelhos (Percabeth)
10 Capítulo 9 - Mais brigas?
Notas iniciais
Durante o resto do almoço, Rachel permaneceu calada, para o meu alívio. Mas Percy continuou a fazer suas perguntas e eu estava me segurando para não soca-lo.
– Os ciclopes são filhos de Poseidon, sim. Mas Poseidon e quem? Não é com um mortal, ou eles seriam iguais a nós.
– Não acredito que você não sabe responder essa, Jackson. – Falei e ele apenas me encarou. Como uma criatura consegue ser tão lerda? – Os ciclopes são filhos de Poseidon com espíritos na natureza, como por exemplo, ninfas e dríades. Mas nem sempre são perfeitos. – Expliquei.
Eu amava Mitologia Grega e sempre estava lendo matérias sobre a mesma. Por isso eu sabia tanto.
– Mais alguma dúvida? – Indaguei.
– Por enquanto, não. – Ele disse e eu suspirei de alívio.
Poucos segundos depois, o sino tocou. Voltamos pra sala de aula e Thalia me acompanhou, sentando ao meu lado, que era no fundo da sala. Grover sentou na minha frente.
– Fiquei surpresa com o fato de você não ter pulado no pescoço do Percy. – Thalia disse, e Grover se virou pra trás, assentindo.
– Vontade não faltou. – Eu disse e eles riram.
Conversamos sobre Mitologia, até que o professor entrou na sala. Ou melhor, professora. Era loira, alta, e tinha olhos cinza tempestuosos, que pareciam poder ver através de você. Como os meus olhos, e os dos meus irmãos.
Era a minha mãe. Era Atena.
– Silêncio, por favor. – Ela pediu, observando cada pessoa daquela sala, até que seus olhos pousaram em mim e um sorriso quase imperceptível apareceu em seus lábios.
Eu sorri também. Thalia percebeu.
– Estou surpresa. – Ela disse.
– Com o que? – Perguntei.
– Com Atena. – Thalia disse, e por um momento desviou os olhos para minha mãe, que estava escrevendo alguma coisa no quadro, com uma caligrafia invejável. – Ela é uma deusa, mas cuida de você e dá aula pra mortais. Não é algo muito comum. Ela devia estar no Olimpo agora, e não em uma escola particular de Nova York.
Concordei com a cabeça, enquanto pegava meu caderno na minha bolsa e começava a copiar, com uma caligrafia não tão bonita assim. Logo eu havia terminado, mesmo com o quadro cheio de anotações de Atena.
Eu amo História. Ela é fascinante. Eu já disse isso?
Mais tarde, no almoço, fui com Matt até a secretaria, onde peguei meus horários do período da tarde. Concentrei-me ao máximo para ler o que estava escrito no papel.
1º Tempo: Inglês
2º Tempo: Geografia
3º Tempo: Física
4º Tempo: Química
5º Tempo: Matemática
6º Tempo: Educação Física.
Suspirei. Esses eram os meus horários. Voltei até o refeitório, enquanto meu irmão tagarelava sobre a escolha de papai ter sido sensata, por causa do Minotauro do sábado e etc.
Eu apenas ouvia e balançava a cabeça. Ainda não estava satisfeita com o meu desempenho e aquilo foi quase vergonhoso para uma filha de Atena. Sem contar que o meu salvador tinha que ser justamente ele, o Jackson.
Quando chegamos no refeitório, fui para a fila, e peguei apenas um sanduíche de atum e uma lata de refrigerante.
Olhei pros lados e vi que Matt e Bob já estavam em uma mesa com muitas pessoas, então procurei outro lugar pra sentar. Thalia acenou em uma mesa não muito longe de mim. Já estava quase lá, quando percebi Rachel na mesma mesa, com uma carranca. Ignorei e sentei ao lado de Thalia e Grover.
Percy estava em frente ao menino-bode, numa ponta do banco, Tyson na outra ponta e Rachel entre os dois. Sim, Rachel estava sentada na minha frente.
Respirei fundo. O almoço seria longo.
NARRADOR POV.
Durante todo o almoço, Rachel encarou Annabeth com cara de nojo. A loira, por sua vez, tentava ignorá-la ao máximo, enquanto conversava sobre qualquer coisa com Thalia.
– Amorzinho – Disse Rachel com uma voz enjoativa para Percy – Por que a Corujinha se sentou justamente aqui? Ela não tem mesa? Ela não tem amigos? E outra, ela já devia ter ido pra casa. Ela não faz parte do período da tarde.
Aquilo foi a gota d’água para Annabeth.
– Engano seu, Rachel. A partir de hoje, eu também ficarei para as aulas da tarde. – Annabeth respondeu sarcástica.
– Bom pra você, querida. Mas você não tem outra mesa para se sentar? Tem que ser justamente nessa mesa? Ah é, esqueci. Você não tem amigos porque é uma nerdzinha ridícula. – Rachel disse irônica.
– Rachel! – Percy a repreendeu.
“Calma Annabeth, você está em um refeitório lotado.” A loira pensava, até ouvir a frase de Rachel.
– Escuta aqui, lindinha, – Annabeth disse, dando ênfase no “lindinha” – se eu tenho amigos ou não, isso diz respeito APENAS a mim. Eu não devo nada a você. E outra, eu só estou nessa mesa porque Thalia me chamou, do contrário, eu estaria bem longe daqui. Mas pensando bem, quem não deveria estar aqui era você. Lugar de vaca é no pasto, e não no refeitório de uma escola.
Rachel arregalou os olhos e seu queixo caiu.
– Como ousa falar comigo desse jeito? – A ruiva disse, segurando-se para não gritar, lembrando que estava em um refeitório lotado, e que seu grito só atrairia olhares curiosos.
– Eu falo do jeito que eu quiser com você, Dare. Foi pra isso que os deuses me deram uma boca. – Annabeth murmurou sarcástica.
– Oh, sua idiota, invejosa... – Rachel começou, mas foi interrompida.
– Invejosa? De quem eu teria inveja, Dare? De você? – Annabeth indagou, fingindo inocência. – Oh, acho que não.
– Meninas, já chega! – Percy tentou contê-las, sem sucesso.
– Sua idiota. Eu odeio você. Que os deuses a amaldiçoem!
– Rachel, pare! As palavras tem poder! Não faça isso! – Percy, mais uma vez, tentou contê-las, sem sucesso.
O gênio de Annabeth, que já não era dos melhores, se inflamou. Ela levantou da mesa, colocando as duas mãos sobre a mesma, e se inclinando sobre Rachel.
– Esqueceu-se quem eu sou, Dare? Não brinque comigo. Eu posso acabar com você em menos de cinco minutos. Eu sou filha da sabedoria e da estratégia.
– É, tão sábia que não soube nem derrotar um Minotauro idiota. Precisou do MEU Percy para salvá-la. – Rachel disse, com a voz venenosa, dando ênfase no “meu”.
Faltava muito pouco para Annabeth pular no pescoço da ruiva.
– Nunca mais diga uma coisa dessas! – Annabeth sussurrou com a voz rouca.
– Dizer o que? Que você foi burra o suficiente para não matar um simples Minotauro, e precisou do meu Percy? Oh, é isso? Desculpe, escapou. – Rachel murmurou, com um sorriso debochado.
Os olhos da loira ficaram mais tempestuosos do que já eram.
– Me aguarde, Dare. Você cutucou o leão com a vara curta. Eu vou tornar da sua vida um inferno. – Annabeth se inclinou mais, sussurrando no ouvido da ruiva. – O pior está reservado pra você. Prepare-se.
E dito isso, Annabeth se levantou, pegando sua bandeja praticamente intocada, colocando a comida no lixo, e a bandeja em cima do balcão, e em seguida saindo tempestuosamente do salão.
Observando a cena, Rachel, mesmo sem querer, estremeceu. É, ela estava ferrada.
Fale com o autor