Espelhos (Percabeth)
11 Capítulo 10 - Medo.
Notas iniciais
POV Percy.
Annabeth e Rachel. Uma discussão que não vai acabar nada bem.
É a segunda vez que elas brigam só hoje. Em menos de cinco horas. Annabeth acabou de ameaçar Rachel e isso me assustou.
Sério, to sentindo medo por ela.
Annabeth é filha da Sabedoria e da Estratégia, então, o plano dela não vai ser tão simples assim. E eu sei que ela não vai esquecer isso tão fácil.
Annabeth é orgulhosa. No mínimo tempo que você passa com ela você percebe isso. Claro, se ela quiser mostrar.
Acho que ela queria que soubéssemos, não sei.
Mas Rachel provoca, então a culpa é inteiramente dela. Eu não pude fazer nada, tentei contê-las, mas não deu muito certo.
Pisquei duas vezes tentando digerir o que aconteceu. Annabeth saiu tempestuosamente do refeitório, sendo seguida pelos olhares curiosos de seus irmãos.
Pelo canto do olho, vi Rachel estremecer, e depois sorrir amarelo, como se nada tivesse acontecido. Tentando passar a imagem de que não está com medo.
Ela falhou miseravelmente.
Se você olhasse nos olhos dela, eles transmitiam seus verdadeiros sentimentos. Rachel sentia medo.
Eu não a culpo, eu também sentiria medo.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo som de cadeiras arrastando. Olhei pro lado e vi os irmãos Chase levantando e indo na mesma direção de sua irmã.
Dei de ombros.
Nesse exato momento, o sino tocou. Levantei, pegando minha bandeja quase vazia, jogando os restos no lixo e a colocando em cima do balcão.
Passei pelas portas duplas, indo até a minha sala. Parados exatamente na porta da sala estavam os Chase. Annabeth estava abraçada a um dos meninos – Matthew, eu acho –, e o outro estava ao seu lado, com encostado na parede. Os três conversavam e sorriam.
Acho que devo mencionar isso. É incrível o modo como eles se olham. Sem malícia, apenas proteção. Seus irmãos tem tanto amor nos olhos e a olham protetoramente, como se algo fosse atacá-la, e eles precisassem estar preparados. Annabeth não é diferente. Ela estava com um braço em volta da cintura do irmão, e no seu olhar é possível ver carinho e proteção também. Em intervalos de tempo regulares, ela olhava em volta, e mandava um olhar raivoso pras meninas que encaravam seus irmãos. Eles apenas riam e vez ou outra, bagunçavam seu cabelo, o que a fazia os olhar incrédula. Segundos depois, ela estava rindo também.
Saí novamente do transe quando senti uma presença próxima as minhas costas, e múrmuros em um tom razoável.
Thalia e Grover conversavam um assunto que eu não fiz questão de saber, mas deveria ser algo sobre música, já que Thalia algumas vezes mencionava o Green Day, sua banda favorita. Começamos a andar, e entramos na sala. Segundos depois ouvi a voz de Annabeth dizer algo. Não consegui distinguir o que era, mas provavelmente ela estava se despedindo deles, já que logo depois disso entrou na sala.
Sentei em minha cadeira no fundo da sala, e suspirei, jogando minha mochila na banca e encostando minha cabeça na parede.
Annabeth parecia analisar todos nós enquanto andava. Ela não tinha expressão, até seus olhos pararem em Rachel. De repente, ela parou de andar. Seus olhos se estreitaram e sua testa se franziu. Mudei de posição na cadeira, ficando em alerta, caso ela quisesse fazer alguma coisa. Mas acho que não queria, porque ela apenas respirou fundo e voltou a andar, sentando em sua cadeira, ao lado de Thalia, que estava sentada entre mim e a loira.
Droga Perseu, pare de prestar atenção nela!
Um barulhinho, como um assovio me fez olhar pra ela de novo. Era o som de uma mensagem nova no seu iPhone. Isso me deu uma ideia. Peguei meu celular. Enviei:
“Hey!”
Ela me encarou, e eu prendi o riso. Ela bufou e logo em seguida voltou a olhar pro seu celular. Segundos depois, meu celular vibrou. Digitei a senha e abri a mensagem.
“Sim?”
“Hm, eu não tenho assunto.”
“Eu também não.”
“Ártemis já te chamou pra alguma missão?”
“Ainda não. Mas eu não posso relaxar.”
“Por que não?”
“Não reparou ainda?”
“Em quê?”
“Na calma. Tá tudo tão parado, tão calmo. Eu sei que algo vai acontecer em breve.”
Engoli em seco.
“Se o assunto reserva é esse, é melhor não falar.”
“Não adianta fugir. Você sabe que eu estou certa.”
“Você sempre está certa, Chase.”
Ouvi Annabeth bufar.
“Não é esse o ponto, Percy. Você também sabe que alguma coisa está prestes a acontecer, não sabe?”
Assim que eu enviei a mensagem, o nosso professor de Inglês, Paul, namorado da minha mãe entrou na sala. Ele deu um sorrisinho pra mim e sentou em sua mesa.
Passei a mão pelo cabelo. É, eu sabia. Ou pelo menos, esperava por isso.
“Argh! Sim, eu sabia! As vezes é uma droga conviver com uma filha de Atena. Vocês são muito inteligentes. Como podem ser assim?”
Escutei ela rir.
“Não sei. Simplesmente somos.”
Revirei os olhos.
– Abram o livro na página 213. – Paul disse de sua mesa, e eu olhei preguiçosamente pra minha mochila que estava em cima da banca. – Rápido gente, nós não temos o dia todo.
Suspirei e abri minha mochila, pegando meu livro de inglês e folheando até a maldita página 213. Coloquei meu celular em cima do livro e revirei minha mochila procurando um lápis. Quando finalmente achei, o maldito estava com a ponta quebrada e eu não tinha apontador. Suspirei mais uma vez e revirei novamente a minha bolsa, procurando uma caneta.
Entenda uma coisa: Minha mochila parece o lixão da Mãe Lucinda (N/A Gente, eu sei que não tem Mãe Lucinda em NY, mas vamos fingir que sim, ok? Hahaha). Eu mal trago livros, e caneta ou lápis muito menos. Eu fico mendigando na sala. É uma glória quando eu acho uma caneta perdida no meio das minhas tantas embalagens de comida. Sim, eu como e taco a embalagem na minha bolsa. Fique a vontade pra me processar (N/A Eu faço isso. KKKK Sério, eu como e jogo a embalagem na minha bolsa. No fim da semana, minha mochila quase não tem espaço pras outras coisas KKK).
Achei uma caneta azul e dei graças aos céus. Eu tava numa posição confortável na cadeira e não tava afim de levantar pra pedir caneta.
Olhei meu celular e não tinha mais nenhuma mensagem. Olhei pra Annabeth que olhava pra Paul, que explicava o que tava no livro. Respirei fundo e tentei prestar atenção na aula também.
O resto do dia foi um saco. Minhas aulas eram sempre iguais as de Annabeth, então eu mais trocava mensagens com ela do que prestava atenção, mas ok.
Quando o último sino finalmente tocou, fui até meu armário e joguei meus livros dentro de qualquer jeito.
Meu celular, que estava no meu bolso, vibrou. Tirei-o de lá, e destravei, vendo mais uma mensagem de Annabeth.
“Percy, praça mais próxima da Goode. AGORA! Xx”
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