Espelhos (Percabeth)
12 Capítulo 11 - Missão.
Notas iniciais
Annabeth POV.
Eu estava saindo da minha última aula – Educação Física. Havia acabado de tomar um banho para tirar todo o suor. Havíamos jogado vôlei e depois queimada.
Abri minha mochila para pegar meu celular, e assim que fiz isso, notei um papel amarelo dobrado e jogado lá dentro. O peguei, abrindo-o e lendo. Tinha uma caligrafia perfeita, que eu logo reconheci.
Annie,
Por favor, vá até o campo onde você se encontrou com Ártemis, no sábado. Leve Perseu com você.
Arregalei os olhos, e depois suspirei. Podia ser minha primeira missão como caçadora. Mas porque eu tinha que levar Percy? Mordi o lábio enquanto sacava meu celular na bolsa. Coloquei a mochila nas costas enquanto digitava rapidamente.
“Percy, praça mais próxima da Goode. AGORA! Xx”
Guardei meu celular no bolso e corri. Peguei-o de novo, lembrando que teria que avisar a meus irmãos.
“Matt, estou indo ao encontro de mamãe agora. Apareço em casa assim que der. Xx Annie”.
Em menos de cinco minutos eu estava na praça. Olhei em volta, ofegante, esperando ver Percy, porém a lerdeza em pessoa ainda não estava lá. Respirei fundo e me encostei na árvore que escondia a passagem, esperando-o.
Ele apareceu poucos minutos depois.
– Por que me chamou? – Ele perguntou.
– Atena me mandou um bilhete. – Respondi simplesmente, me virando para a árvore. Perseu me olhou atentamente. – Aperi – murmurei, e a passagem foi revelada.
Entrei, e comecei a andar, mas não ouvi os passos às minhas costas. Olhei pra trás e vi Percy parado, ainda fora da passagem, olhando como se tivesse vindo dos cosmos.
– Jackson, você vem ou não? – Indaguei impaciente.
Percy piscou três vezes.
– Hã? Ah sim, vou. – E começou a andar.
Menos de dois minutos depois, estávamos na clareira, onde eu decidi ser uma Caçadora. Como na última vez, haviam sete tendas montadas em formato de lua crescente, e uma fogueira estava no meio delas.
Havia também tocos de árvores, onde eu vi duas mulheres sentadas, e as reconheci imediatamente. Ártemis e Atena. As caçadoras andavam atrás das deusas, cumprindo afazeres.
Percy parou de andar. Eu sorri involuntariamente, andando devagar.
– Minha senhora. – Me dirigi à Ártemis, enquanto ela sorria pra mim. Virei-me para minha mãe. – Mãe. – Atena sorriu também.
– Bem vinda de volta, Annabeth. – Ártemis me disse. Eu sorri.
– Obrigada.
– Querida, temos uma missão pra você! – Ártemis anunciou com orgulho. Eu arregalei os olhos, e em seguida, sorri novamente.
– Está falando sério, senhora?
– De fato, querida. Mas sinto em dizer que não será uma missão fácil. – Ártemis respondeu.
Eu assenti.
– Mas porque eu tive que trazer Percy? – Indaguei.
Atena suspirou, depois, recitou:
Uma caçadora e um semideus
Juntos deverão
Ir até o Mundo Incerto,
Caçar o espelho da pureza refletida
Antes da desgraça ser cumprida.
– Espelho da pureza refletida? – Percy se pronunciou pela primeira vez.
– De fato, jovem semideus. – Ártemis disse. – E respondendo a sua pergunta, Annie, você teve que trazer Percy porque, como você deve ter notado, a profecia diz uma caçadora e um semideus.
Arregalei os olhos.
– COMO É? EU E A LERDEZA DO JACKSON NUMA MISSÃO? – Indaguei meio alterada. Logo me arrependi. – Desculpe-me senhora.
Ártemis balançou a cabeça, sem nenhum sinal de ofensa. Logo depois disso, a ficha deve ter caído pro Percy, porque ele quase pirou.
– Eu e a loira? Numa missão? Tipo, ela é uma caçadora. Caçadoras não gostam de homens. Isso é errado. Eu não posso... – Até eu me surpreendi com o tiroteio de Percy. Ele parecia lerdo demais pra conseguir fazer algo assim.
– Acalme-se semideus! E você não pode negar. Você é o escolhido para a missão. – Atena o cortou.
– Pode ao menos nos contar a história do espelho e o que ele faz? – Ele perguntou, olhando atentamente para Atena. Eu fiz o mesmo.
– Claro. – Atena sorriu minimamente e se sentou de forma mais ereta, sendo acompanhada por Ártemis. – Bem, esse espelho reflete as sombras e a pureza de sua alma, e é uma arma extremamente perigosa, pois se refletir sombras, o espelho pode destruir o mundo. – Ela disse simplesmente.
Eu e Percy nos entreolhamos. Ele suspirou e eu fui até a tora de árvore que ficava em frente as deusas, sentando-me. O moreno me acompanhou.
Atena assentiu, como se a história fosse longa e nós realmente precisássemos sentar.
– A história do espelho é a seguinte: Há mil anos, existiu uma mortal comum, que tinha 12 anos. Ártemis, ao vê-la, encantou-se, e decidiu adotá-la. Logo depois, convidou-a para ser sua primeira Caçadora. A garota aceitou prontamente. Meses depois, em uma missão para Ártemis, a garota foi até o Mundo Incerto, para achar o bronze encantado, que seria essencial para que uma das armas de Apolo fosse feita para a guerra contra os titãs. Mas deu errado. A garota, enganada por Cronos, entrou numa caverna, encantada por ele, e morreu logo em seguida, sendo consumida pelas sombras. – Atena deu uma pausa e olhou para mim. – Lembre-se: As sombras eram almas de pessoas que na vida foram boas. Então, Hades, quase sensibilizado, permitiu que o espírito da garota voltasse e se consolidasse em um espelho. Ele reflete a sua alma, o que você vai ser após morrer, a sombra ou a pureza.
Atena fez outra pausa, mais longa dessa vez.
– O espelho é extremamente perigoso, pois se refletir as sombras, ele se revoltará e poderá destruir o mundo. Mas se refletir pureza, nada acontece, ou seja, a paz é selada.
Ninguém disse nada. Eu fitei a fogueira, digerindo a história.
– Vocês aceitam a missão? – Atena perguntou presunçosa. Ela sabia que tínhamos que aceitar.
– Claro. – Respondi, enquanto Percy assentia.
– Ótimo! A propósito, vocês devem procurar uma guia. Uma mortal, com o poder da visão.
– Rachel! – Percy disse prontamente e eu fiz uma careta.
Atena sacudiu a cabeça.
– Apenas uma pessoa pode ajudar vocês. Ela representa toda a pureza do planeta.
– E onde a encontramos? – Percy perguntou.
– Aos redores do Mundo Incerto.
– E onde esse “Mundo Incerto” fica? – Percy indagou.
– Aposto que vocês sabem a resposta. – Dessa vez, Ártemis respondeu. Percy franziu a testa e eu vasculhei minha mente, procurando algo que pudesse ajudar.
– Grécia! – Pronunciei-me pela primeira vez desde a história. – Foi lá que tudo começou.
Atena assentiu, sorrindo.
– Exatamente.
– Mas porque precisaríamos procurar o espelho? – Percy indagou, e eu olhei atentamente para as deusas. Eu também queria saber isso.
– Acho que me esqueci de mencionar. O espelho é controlado por quem o possui. Quando alguém sombrio o tem, se o espelho refletir pureza, o mundo entra em caos e a pureza começa a desaparecer. A mesma coisa ao contrário, como eu já disse. Se vocês, puros, tiverem o espelho e ele refletir as sombras, o caos se instala. – Atena disse.
– Então, está dizendo...
– Que Cronos está atrás do espelho. Se os seus servos o encontrarem, Cronos o controlará contra nós. A pureza desaparecerá do mundo, e será mais uma arma fortíssima contra nós, Olimpianos. – Ártemis respondeu.
Percy olhou pra mim e eu retribuí o olhar.
Ele pensava o mesmo que eu.
Essa missão não seria nada fácil.
Fale com o autor