Espelho de Ojesed
1 Parte 1
— Não podemos sair daqui em antes conhecer este espelho – Fred murmurou para o irmão.
— Nós o procuramos por anos! Como acharíamos agora que a maldita da Umbridge parece estar em todos os lugares deste castelo?
— Nós acharemos o espelho e não seremos pegos. Está na Sala Precisa, eu tenho certeza disso — poucas vezes ambos discordavam e esse era um desses poucos momentos, pois George não queria estar lá.
— Fred, o que está acontecendo? – os dois conversavam em voz baixa, andando por passagens secretas, entrando em portas e armários de vassouras, percorrendo tapeçarias que escondiam caminhos pouco explorados.
— Não tem nada acontecendo, gêmeo do meu coração. Já exploramos praticamente todo este castelo. Quer mesmo sair sem conhecer o Espelho? – quando não obteve resposta, sabia que tinha vencido aquela pequena discussão.
Chegaram na sala precisa e depois de algum tempo de procura, alguns feitiços e muita paciência encontraram o espelho recostado sobre uma parede como se fosse um espelho qualquer. Mas não era.
— “Não mostro seu rosto, mas o desejo em seu coração” – leu Fred – Vai você – incentivou, empurrando seu gêmeo para frente do espelho que ficou alguns segundos enxergando apenas o reflexo na sala.
— Nossa! – falou, realmente surpreso.
— O que você vê, George?
— Vemos nós com nossa loja. Está lotada, muitas cores, estamos todos vivos e – respirou fundo e encarou o irmão – Estamos vivos e com nossa loja! Venha logo!
Os dois trocaram de lugar rapidamente e foi a vez de Fred olhar-se no espelho.
— Então...
— Isso! – Fred comemorou quando a imagem apareceu diante de si. Também vejo nossa loja! UAU! Ela é fantástica, nossa família e... – o ruivo interrompeu a frase. Deu um passo para trás, estranhando aquela última visão.
— O que houve? O que você está vendo? Fred!
Este balançou a cabeça, fechou os olhos com força e voltou a olhar para o espelho. Depois saiu da frente dele, encarou o gêmeo que o olhava sem entender. Voltou para frente do espelho e a mesma imagem apareceu diante dos seus olhos.
— Fred? – George tentou mais uma vez.
— Vamos voltar para nosso dormitório antes que alguém da Brigada nos encontre.
Andaram em silêncio, com George estranhando o comportamento do irmão, mas esperaria até que chegassem ao dormitório.
Fred, sem dúvida, compartilharia a imagem que viu com seu gêmeo, no entanto, precisava de alguns minutos para entender aquilo. Será? Como aquele poderia ser um desejo do seu coração? O espelho não poderia se enganar, poderia?
Assim que chegaram ao dormitório, George enfeitiçou a cama que dormiam e sentou-se na cama.
— Desembucha. O que mais você viu no espelho de Ojesed que não está me contando?
— Assim como você vi a gente, nossa loja, sem guerra e todos vivos, mas também... – ele corou – Eu estava com alguém. Eu a puxava para um beijo, um beijo que eu pude realmente sentir do lado de cá.
Ficaram novamente em silêncio e George chacoalhou o irmão, ansioso pela continuidade.
— Estava com quem, afinal? Angelina?
— Hermione – falou o nome ao mesmo tempo que o irmão perguntava se era sua antiga namorada que tinha visto na visão do espelho.
— Hermione? Hermione Granger? – Fred apenas assentia calado a cada pergunta óbvia do seu irmão – Que está no 5º ano? Da Grifinória? Que é a paixão do nosso irm-
— Sim, George! Sim! – ele bufou, sem compreender aquela visão – Eu preciso pensar.
— Ei, — George disse colocando a mão no ombro do irmão – Está tudo bem. O espelho mostra aquilo que deseja e não nosso futuro, pode ser algo passageiro. Hermione é uma garota bonita, corajosa e está há anos com nossa família – puxou o irmão para um abraço antes de se levantar – Está tudo bem se você sentir certa atração. Descanse e lembre-se que te amo e sempre estarei ao seu lado.
Fred viu-se sozinho em sua cama e não conseguia fechar seus olhos. Via diante de si a cena do seu irmão, a loja e Hermione. Ele e Hermione de mãos dadas, os dedos entrelaçados e puxando-a para um beijo. Os lábios quentes e macios dançavam contra os seus num beijo que envolvia além de amor e entrega, apoio.
A noite pouco dormida teve resultado visível para Fred no dia seguinte que acordou sentindo-se irritado e mal-humorado. Ver a forma como Ron aproximava-se de Hermione não contribuía em nada para que sentisse melhor. E piorava, afinal, ele não deveria estar sentido nada daquilo, certo? Era apenas a lembrança daquele espelho que ele mesmo (ELE MESMO) tinha insistido em conhecer.
— Eu já vou – Hermione disse aos amigos quando o treinamento da Armada terminou. Ron ainda tentou estender qualquer conversa, mas Harry, receoso que pudesse desenrolar qualquer briga, puxou o amigo para fora.
A grifinória havia estranhado desde o primeiro momento a participação de Fred Weasley naquele dia de treinamento. Ele sempre fora brincalhão, fazendo piadas nos momentos mais inoportunos e, naquele dia, era como se algo denso repousasse sobre ele. Não sabia também precisar quando começou a diferenciar um gêmeo do outro, ela apenas olhava e sabia quem era um e quem era outro.
E, exatamente por saber quem era quem, sentiu que precisava ficar ali para entender o que estava havendo com um dos maiores marotos que Hogwarts já conhecera. Fred estava ausente como nunca tinha visto antes. Deixou-se ficar para o final, nas saídas organizadas para que não fossem pegos pela Brigada Inquisitorial – que parecia cada vez mais perto de encontrar o local de treinamento.
— Fred? – ela perguntou e não obteve reposta do rapaz que organizava as almofadas em um canto da sala – Fred? – ela perguntou novamente sem ter atenção do ruivo, a sala esvaziando-se e nada de resposta. Quando notou que estavam apenas os dois, voltou a chama-lo, colocando a mão sobre o ombro dele – Fred, está tudo bem?
— Hermione, que susto! – ele disse bagunçando os cabelos e aquele gesto fez o coração de Hermione pular uma batida. Então ela precisou reconhecer que muitos gestos de Fred faziam com que seu coração batesse de forma atípica – O que perguntou?
— Se você está bem – tentou não a encarar. Não quis que seus olhos descessem e a encarassem, pois tinha medo da realidade daquele olhar. No entanto, percebeu rapidamente que estavam sozinhos naquela sala.
— Todos já foram? – perguntou, sem responder à pergunta. Pigarreou ao ver o ambiente vazio – Melhor irmos também, Hermione – com cautela, foi até a saída, contudo, recuou rapidamente – Malfoy está lá fora. Merda! – Hermione continuava no mesmo lugar e Fred sentiu-se mal pelo modo como estava agindo.
— A gente espera...
— Sim, a gente espera – aquela frase de Fred lembrou Hermione seu terceiro ano quando usou o vira-tempo com Harry, só que, ao mesmo tempo, era bem diferente. Ficaram num silêncio pesado, até Fred voltar a falar – O que tinha perguntado? Ah sim, — ele mesmo respondeu antes dela – Se estou bem certo? Sim, claro. Por quê?
— Pareceu distante no treino hoje e... – olhou-a e notou que ela corou brevemente, dando um pouquinho de cor às sardas discretas que Hermione tinha no nariz – E você não pregou nenhuma peça em Rony.
— Sim, verdade – notou que a garota desviou os olhos, porém continuou olhando-a e repensando as últimas semanas, não: os últimos meses. Como ajeitava rapidamente a gravata e os cabelos ao chegar na mesa da Grifinória, como dava um discreto jeito de sentar-se próximo do trio quando estavam no salão comunal e como tinha enfeitiçado um lufano de seu ano quando o ouviu dizer que convidaria Hermione para sair no próximo passeio de Hogsmead. Passeio este que se daria na próxima semana.
— Será que Malfoy ainda está lá fora? – Hermione perguntou indo até a porta.
— Eu vou até lá. Se Umbridge nos pegar você não precisa passar pelo castigo dela – Fred disse sério enquanto Hermione sorria perante àquele cuidado, pois ela sabia o que acontecia dentro da sala da professora – Parece que está tudo tranquilo. Venha.
Os dois andavam rapidamente, receosos de serem pegos e também sabiam que quanto mais se aproximavam do Retrato da Mulher Gorda, mais seguros estariam. Hermione soltou um suspiro de alívio ao encontrarem com a mulher que dormia, a taça virada para o lado e o vinho escorrendo.
— Espere – Fred pediu antes que entrassem, sua mão segurando o punho dela. Seu polegar sentia as batidas do coração acelerando. Seria seu toque?
— Claro. O que quer?
— Estudar – ele respondeu, tropeçando as palavras, seu toque ainda no corpo dela.
— Você quer estudar? Agora? – Hermione estranhou a pergunta, mas achou fofo a cor que o rosto dele adquiriu. Nem diante de Minerva Fred corava.
— Não, agora não. Amanhã preciso de uma ajuda com poção – Hermione quebrou o contato ao cruzar os braços e olhar para ele com atenção, procurando qualquer vestígio que aquilo poderia ser alguma brincadeira – Não estou brincando. É para uma poção contra Umbridge.
— Então eu posso. Encontre-me amanhã no banheiro da Murta.
— Só uma coisinha – ele a interrompeu novamente – Não conte ao Harry nem ao Rony. Essa poção é segredo absoluto.
— Tudo bem. Eu falo que vou estudar e os dois saem correndo rapidinho. Até amanhã, Fred e boa noite – eles entraram. Harry e Ron esperavam por ela no tapete, enquanto George estava em pé, os braços cruzados pensando sobre o que o irmão lhe dissera da visão do Espelho de Ojesed. Trocaram um rápido olhar e subiram juntos para o dormitório.
— Por que demoraram tanto? – Rony perguntou com uma pontada de ciúme.
— Malfoy estava espreitando a saída – Hermione disse, permanecendo em pé e o pensamento longe – Vou subir porque estou cansada. Até amanhã e não durmam tarde. Depois ficam babando no pergaminho e esperando para copiar minha tarefa. Boa noite – dizendo isso, subiu na escadaria que levava ao dormitório feminino.
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— Mudei de ideia – Fred falou assim que viu Hermione chegar.
— Mudou de ideia? Mudou de ideia? Eu tenho um pergaminho para entregar para o Snape sobre o uso de sanguinária, vantagens, desvantagens, época de colheit-
— Merlin, Hermione. Mudei de ideia sobre o lugar, senhorita monitora. Não quero a Murta espreitando nossa conversa, pois preciso da sua total concentração. Venha comigo – dizendo isso, passou sua mão pelo ombro dela, puxando-a para um abraço lateral. O ruivo sentiu o calor do corpo da quintanista, assim como o perfume delicado que o envolveu imediatamente. O mesmo perfume que sentia ao testar poções de amor que ele e George venderiam em sua loja.
— E aonde estamos indo?
— Um local mais apropriado para o preparo de poções. Aprenda o caminho e poderá usá-lo sempre que quiser se livrar dos seus amigos e estudar sozinha.
— Obrigada – ela falou, levemente encabulada. Os dois se separaram. Andaram por corredores e escadas, Hermione tinha certeza que não conseguiria memorizar aquele percurso. Chegaram em um corredor cheio de salas e com poucos quadros na parede. Além disso, havia algumas estátuas e tapeçarias – Que lugar é esse?
— Bom, nem preciso explicar que encontramos esse lugar fugindo do Filch e com uma pequena ajuda do Pirraça. Era usada para aulas na época que a câmara foi aberta pela primeira vez, mas ficou abandonada depois...
-Sim, entendo. Qualquer sala?
— Não, minha querida monitora – Fred puxou-a pelo punho, conduzindo-a até a última sala do corredor – E, agora, — falou teatralmente – Você deixará seu cargo de lado um pouquinho, concorda?
Hermione olhou-o com desconfiança, mas não conseguia deixar de olhá-lo. Continuava com o jeito maroto, contudo, havia algo mais que ela não conseguia identificar. Algo que a cativara, algo que vinha notando em momentos esporádicos. Como seus olhos procuravam pelos batedores na hora do jogo de quadribol e não mais por Harry, ao longe não conseguia identifica-los. Por isso, seus olhos sempre iam de um para outro. Também havia aqueles momentos que Fred estava sentado com seu gêmeo e Lee, seus olhos iam discretamente do livro para ele observando detalhes que, sem entender, chamavam sua atenção. De perto, conseguia distingui-lo (apesar de não contar para ninguém sobre esta proeza).
— O que tem escondido aí dentro? São seus produtos, certo?
— Pelo menos não ficam no nosso dormitório – respondeu, com um sorriso maroto que fez Hermione sorrir. Ela tirou seu broche de monitora e o guardou no bolso da sua capa:
— Só um pouquinho – Fred abriu a porta, convidando-a para entrar com um gesto forçadamente galante.
— Seu novo palácio de estudos, senhorita.
Ao entrar, Hermione ficou admirada. Ouviu a porta fechar atrás de si, mas seu foco estava no ambiente. Cores e mais cores preenchiam o espaço iluminado por archotes. No canto esquerdo, ao fundo, pequenas luzes escorriam pela parede num brilho multicolorido. As luzes ocasionalmente se misturavam com bolhas de sabão que eram soltas por um boneco barrigudo.
– Sobre a poção que estamos preparando, algo dá errado sempre no mesmo ponto.
— O que estão tentando preparar? Polissuco? – ela disse ao ver os ingredientes.
— Exatamente, mas não pode parecer polissuco, ela passará por uma transfiguração.
— Transfigurar uma poção? Fred, eu não tenho ideia de como fazer isso.
— Preciso de ajuda na poção, cuido da transfiguração. Esta é uma poção muito lenta e não podemos recomeçar pela terceira vez. Já tivemos que jogar uma fora. Estamos sem ingredientes de sobra e sem tempo. Pode acompanhar essa produção, por favor?
— Fred! Vocês darão a poção para Umbridge? Serão expulsos se ela descobrir.
— Bem dito: Se. Não se preocupe com isso – Fred achou o olhar de preocupação dela cativante— Hermione, por favor.
— Se alguém souber que ajudei vocês...
— Usamos esta sala há anos e ninguém desconfia. Quero dizer, Dumbledore provavelmente finge não saber. Vamos, Mionezinha, qual nosso erro nesta merda de poção?
— A descurainia foi colhida em noite de lua cheia?
— Sim.
— Estão usando caldeirão de cobre. Ótimo.
— Lemos que com este caldeirão o tempo de preparo é mais curto.
— Vamos começar – Hermione retirou sua capa e aproximou-se do caldeirão e dos ingredientes. Separou todos na ordem de preparo e começou a trabalhar. Fred observava em silêncio, notando a concentração, o cuidado, todo método envolvido – Agora precisa fermentar por uma hora. Venha aqui – o ruivo chegou mais perto – Sente? Não pode ficar mais quente que isso?
— Não mesmo? – falou num tom mais baixo, sem esconder a malícia. Novamente o rosto de Hermione corou e Fred anotou mentalmente sobre tornar aquelas pequenas provocações mais frequentes. Obviamente, Hermione entendeu o duplo sentido, porém sua razão não entendia o porquê daquilo. Ela era Hermione, a irmã dos seus irmãos caçulas, a monitora sabe-tudo. Afastou-se.
— Precisamos esperar uma hora. Vou deixar os próximos ingredientes separados.
— Não, não. Não pode ter erros, Hermione. Você fica... Por favor. Além do mais, você não saberia voltar sozinha por estes corredores e sabemos que Draco que e seus comparsas estão bem próximos de descobrir sobre a AD.
Optando por não confiar na firmeza de suas palavras, Hermione assentiu e começou a andar pela sala, deixando o cérebro divagar. Viu o sobrenome e as iniciais WW impressas em diversos painéis com cores coloridos.
— Gostei destas – falou apontando e segurando um logo – Laranja e roxo.
— Como? Você gostou? Mesmo? – perguntou, sem esconder que estava ávido por aprovação. Afinal, ele mesmo optara por aquelas cores, porém George disse: “escalafobético até para os gêmeos Weasley” – Por quê?
— Não remetem a nenhuma casa de Hogwarts – respondeu de forma lógica e continuou andando observando não apenas produtos, como também pergaminhos com anotações, fórmulas, livros com páginas marcadas. — Isso realmente é importante para vocês, não? – voltou a olhá-lo, tentando controlar a própria respiração ao sentir o azul penetrante. Muitas vezes conseguia antecipar o brilho que antecipava qualquer peça que ele e seu gêmeo iriam pregar, agora... estava indecifrável.
— Sim, é importante – ele falou, observando-a mexer nos pergaminhos.
— Vocês terão muito sucesso. Tenho certeza – Hermione sorriu – Já sabem onde abrirão a loja?
— Estamos negociando uma loja vazia no Beco Diagonal. Será perfeita, pois tem até um pequeno flat onde poderemos morar: dois quartos, um banheiro, cozinha e sala. Nada muito espaçoso, mas será nosso espaço. Você poderia...
— Vamos ver como está a poção – Hermione falou de repente, olhando para o relógio – Quando se aproxima do final da primeira é bom ficar de olho para nada dar errado. Enquanto isso, esmague bem as moscas de crisopas, por favor.
Fred obedeceu imediatamente, vendo quando Hermione colocava as sanguessugas e pedia para que ele esmagasse bem os insetos. Adicionaram os outros ingredientes, trabalhando em silêncio e de forma harmônica.
— Podemos deixar a poção sozinha por 18 horas?
— Fiz isso no segundo ano. Você consegue passar aqui antes das aulas?
— Claro, mas poderia vir comigo para ver se está tudo certo? – notou que a pergunta veio rápida e meio atropelada. Quase soando apelativa— Assim você aprende o caminho para vir sozinha e vê se tem algo na poção que precisa ser corrigido.
— Claro, Fred – os dois saíram da sala e imediatamente Hermione colocou sua identificação como monitora. Andaram em silêncio, os passos parecendo ressoar no castelo silencioso. Feixes da luz do luar entravam pelas janelas. Ao virar um corredor, ouviram passos se aproximando. O barulho agudo do salto era inconfundível. Imediatamente, Hermione segurou a mão de Fred – Umbridge.
Fred entrelaçou seus dedos com os dela, voltando por onde tinham vindo, mas pegando diferentes corredores e escadas. Hermione acreditava estar no quarto andar.
— Sei que alguém está aqui! Parem agora mesmo!
Fred parou bruscamente em frente a um espelho, fez um feitiço não-verbal e atravessaram. O espelho fechou-se imediatamente.
— Estamos seguros aqui.
— Onde é aqui? Lumus – a pequena luz iluminou o rosto de Fred.
— Era uma passagem para Hogsmead, mas desabou. Ela não nos achará aqui porque quase ninguém conhece essa passagem.
— Como saberemos a hora de sair?
— Reflectum – Fred disse apontando para o lado escuro do espelho. Uma linha clara apareceu, revelando o corredor deserto.
— Isso é incrível. Como descobriram? – Hermione perguntou, sem disfarçar sua surpresa e admiração.
— As pessoas acham que não sabemos onde fica a biblioteca, mas podemos encontrar grandes segredos sobre Hogwarts nas estantes corretas – respondeu, piscando. Então viram Dolores aparecer, andando de um lado para o outro, encarando o espelho, desconfiada. Depois, Draco e outros membros da Brigada apareceram. Não era possível ouvi-los, mas era claro que a professora estava ordenando que ficassem por ali, vigiando aquele corredor.
Fred sentou-se apoiando as costas na parede, depois acendeu um archote que havia próximo de si. O fogo seguiu sozinho e acendeu mais 4 archotes, depois tudo estava bloqueado, com tijolo e terra. Nunca ficou tanto tempo próximo dela.
— O que pensar em fazer quando terminar Hogwarts?
— Estar viva? – disse, sentando-se também – Nox – olhou para fora e viu a movimentação de Draco e Pansy.
— Não diga isso! – o tom dele fez com que se encarassem – Você vai sobreviver – continuou, apegando-se à imagem que viu, sem querer pensar que era seu desejo. Não é o futuro.
— Fred, é um risco que todos corremos. Isso ficou bem óbvio depois do ano passado, não? E o que estamos vivendo agora? Ministério interferindo em Hogwarts? Ano que vem a guerra explode.
Ano que vem a guerra explode.
Sentiu urgência em beijá-la, contudo, apenas sentou-se ao lado dela, um degrau abaixo.
— Será que não vão embora nunca? – perguntou.
— Não me importo, a companhia está ótima. Aliás, — segurou a mão dela novamente – eu tinha organizado todo um plano, mas sabe que um gêmeo Weasley não segue muito o que é planejado – Hermione sentiu o coração acelerar – Quer ir comigo para Hogsmead? Claro que junto a esse convite está incluso fazermos as refeições lado a lado, sentarmos mais próximos no Salão Comunal, acompanhar você até as salas de aula e na biblioteca,... Assim saberei como te surpreender no nosso encontro. Hermione, aceita meu convite?
Ela ficou sem palavras, apenas encarando o brilho intenso dos olhos azuis. Sem deixar que se cérebro lógico falasse qualquer coisa estúpida, beijou-o. Sendo Fred, não demorou a entender o que acontecia, apenas levou sua outra mão até a nuca dela, puxando-a ainda mais para si, aprofundando o beijo, sentindo o toque dos lábios quentes sobre os seus.
— Fred, eu...
— Quero esse tempo para te conhecer, um pouco mais, mas preciso ser sincero. Por que entenderei se não quiser continuar com... com o que estamos prestes a começar.
— Diga... – Fred notou a preocupação e beijou-a novamente, sabendo que nada jamais poderia afastá-lo dela. Aquilo era mais que real. Afastou-se milímetros que pareciam quilômetros.
— Eu e George vamos abandonar Hogwarts. Não vou terminar este ano, Hermione.
Aquela informação fez com que ela se levantasse e fosse até o espelho, quase saindo do esconderijo. A visão de Madame Nora do outro lado fez com que mudasse seus planos. O olhar de Fred fez com que abandonasse qualquer ideia sobre não dar aquele passo. Ele já estava de pé.
— Daremos um jeito – Hermione falou aproximando-se, abraçando-o – Você sabe como entrar aqui. Tem a passagem da Casa dos Gritos... Sou Hermione Granger, você é Fred Weasley. Quem pode nos separar?
O que poderia separá-los?
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