Espelho de Ojesed
2 Parte 2 - Final?
— Daremos um jeito – Hermione falou aproximando-se, abraçando-o – Você sabe como entrar aqui. Tem a passagem da Casa dos Gritos... Sou Hermione Granger, você é Fred Weasley. Quem pode nos separar?
O que poderia separá-los?
Um muro. Um muro caiu sobre sonhos juvenis, mas Hermione ainda carregava consigo a certeza que nada poderia separá-los. Já havia transgredido regras antes e o mesmo ímpeto fez com que puxasse um George inconsolável pela mão.
— Ainda existe um.
— Do que está falando, Hermione? De que merda está falando!
— Vira-tempo. O vira-tempo que usei para salvar Sirius não foi destruído. Dumbledore o escondeu.
Corriam pelos corredores destruídos, por destroços, por sangue, por corpos caídos. Corriam contra o presente. Hermione entrou na Sala Precisa destruída, andando pelos escombros, numa procura incessante. Lá estava ele. O Espelho de Ojesed. Pensou que era por si, mas também que era seu desejo mais profundo. Que não era apenas um desejo egoísta: havia todos os Weasleys. Podia até ir embora, sumir da vida de Fred, mas George não merecia perder seu gêmeo. Então viu. Viu a si mesma com 13 anos segurando o pingente dourado entre as mãos no reflexo.
Pousou a mão no peito e pôde senti-lo: quente e pedindo para ser usado.
— Ninguém pode nos ver e ninguém pode saber disso. Pelo menos por enquanto. Ninguém pode nos ver – repetiu enfaticamente.
Voltou a puxá-lo pelo castelo, desviando de tudo que encontrava. Chegou ao quarto andar e atravessou o espelho com a magia que Fred ensinara. Hermione passou o cordão pelo pescoço do gêmeo que tinha os olhos inchados e não entendia nada do que estava acontecendo. Poucas voltas. Imagens rápidas e distorcidas passavam por si até que tudo parou.
— Voltamos no tempo – Hermione disse rapidamente – Você precisa criar qualquer situação que evite irem por aquele corredor. Eu vou cuidar de Rookwood. Esteja aqui dentro de trinta minutos para que voltemos para o presente, para o futuro – corrigiu-se — Ninguém pode te ver!
George sentiu vontade de beijá-la, mas apenas abraçou a namorada do irmão num tempo que em seu gêmeo ainda estava vivo. Saíram pelo espelho e seguiram caminhos separados.
Hermione foi até o ponto que poderia encontrar o Comensal, o feitiço da desilusão sobre si mesmo sabendo que não era o suficiente. Queria salvar a todos, mas tinha as palavras de Dumbledore e as próprias palavras em mente. Seu objetivo era Fred.
Encostou-se rapidamente contra a parede. Encontrou Rookwood. Sabia que Fred não estava longe, apenas do outro lado. Será que estava? Será que George conseguira desviar o caminho dos irmãos? Sabia também que aquilo poderia mudar tudo.
— Rookwood, – disse levantando a mão, a varinha estendida – sabe quem sou?
— Amiga do Potter.
— Leve-me ao seu mestre. Pare o que estiver fazendo, qualquer feitiço. Comigo, terá Harry.
Contava com o destino, com Harry salvando a todos, mesmo que houvesse alguma mudança nos planos.
— Que merda é isso? Granger? – Hermione olhou atônita, pois não contava com a presença de Draco Malfoy. Há quanto tempo haviam se separado no tempo passado fugindo da Sala Precisa?
Aquele segundo de dúvida que ela precisava e não contava em seu plano original. Estuporou Rookwood e tentou correr, mas sentiu Draco a segurando. Os olhos dirigindo-se para o objeto escondido sob a blusa.
— Minha mãe sobrevive, Granger?
— Preciso chegar até o 4º andar novamente. Sem ser vista – os olhos cinzas, marcas de lágrima, quase morreram juntos – Sim, vocês vivem. Acredite mais em você, Malfoy.
— Venha comigo.
Hermione apenas seguia o sonserino, torcendo para que encontrasse George, mas que tudo tivesse realmente funcionado, para que sua mudança na linha do tempo trouxesse Fred sem que perdessem mais ninguém.
— Obrigada – ela falou ao ver o espelho no corredor – Conte comigo para o que precisar.
— Entrarei em contato com você. Quero ser absolvido e sei como ajudar. Vá. Suma logo nessa merda de passagem.
Assim que Hermione passou foi abraçada por George que indagou:
— E agora? Estava com Malfoy?
— Agora voltamos... – respondeu sem explicar sobre o sonserino. O cenário era o mesmo: um corredor escuro e desmoronado. Saíram pela passagem vendo o mesmo caos e destruição. Deram-se as mãos, sem saber o que esperar, sem saber se suas intervenções tinham mudado algo, se tinham salvado a vida de Fred.
— Porra! Vocês estão comigo e sumiram! Que merda aconteceu? – Fred exclamou, nervoso e preocupado. Seus olhos indo até as mãos entrelaçados dos dois. Ao ouvir a mesma voz que a sua, George sentiu a perna ceder e caiu de joelhos. Fred já estava ao seu lado, sem entender, abraçando-o. Hermione ficou parada, sentindo as lágrimas escorrerem, sentindo o vira-tempo sumir novamente, sentindo a mão de Fred nas suas ao mesmo tempo que acolhia seu gêmeo.
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Fred puxou-a para um beijo. A loja agora reinaugurava sem guerra e com os Weasleys vivos. Sentiu Hermione em seus braços, Fred sentiu Hermione em sua vida. O movimento durou o dia todo, até que a noite foi chegando e os clientes diminuindo. Fred subiu para o flat e encontrou Hermione lendo no sofá usando sua camiseta de batedor. George tinha saído para deixar os dois a sós.
— Parabéns, Fred.
— Obrigado, namorada Granger – ela riu, divertida pela maneira que era chamada – Quando vai me contar?
— Contar o quê?
— O que aconteceu entre você e George na última batalha.
Hermione olhou-o, sabendo que Fred tinha o direito de saber, porém como contar? Como George conseguia guardar aquele segredo? Como ela guardava aquele segredo?
— Confie em mim – beijou-o – Logo vou te contar.
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Fred confiava em Hermione. Claro que confiava em George, mas havia algo que ambos escondiam. Os meses passavam e sabia haver algo que não compartilhavam sobre a última batalha. Perguntara a Gina, Harry, Rony. Perguntara ao seu gêmeo. Nada. O sumiço dos dois, o reaparecimento de mãos dadas, a troca de olhares entre os dois quando estavam juntos. Eram breves e quase imperceptíveis.
Estava irritado, cansado, desconfiado com coisas que não deveriam incomodá-lo. Mas incomodavam. Sabia que Hermione ficaria até mais tarde no ministério, mas resolveu ir até ela.
— George? – bateu na porta, perguntando pelo gêmeo, mas não obteve resposta – Estou indo ao ministério encontrar Hermione – Nada – abriu a porta e encontrou o quarto vazio. Escreveu um rápido recado no pergaminho e aparatou.
Quase nenhum bruxo caminhava pelos corredores do ministério àquela hora, então não precisou esperar muito pelo elevador. Ao chegar ao andar em que ela trabalhava quase trombou com Malfoy.
— Quem é vivo sempre aparece – o sonserino disse, sem esconder o deboche.
— Vá se foder, Malfoy. – Fred viu a porta do elevador fechar, sem querer pensar, mas lembrando que Hermione havia falado em favor do loiro, garantindo que ele tivesse outra chance e um cargo naquele local. Todos ficaram chocados com o depoimento de Hermione que entregara um pergaminho com diversos nomes de comensais infiltrados no ministério. Ela alegava ter conseguido aquela informação de Draco Malfoy. Harry e Ron foram os que mais objetaram a decisão da amiga, ele mesmo não entendera. Contudo, lá estava a troca de olhar de compreensão entre sua namorada e seu gêmeo.
Não precisava de mais uma preocupação, afastou este pensamento e rapidamente chegou ao escritório dela. Gostava de vê-la irritada ao abrir a porta repentinamente, assustando-a e repetiu seu gesto. Seu sorriso sumiu e seu corpo congelou ao ver que Hermione estava nos braços de outro homem, era George.
Os dois se afastaram, pelo susto. Fred olhou de um para outro. Sabia que seu gêmeo nunca faria algo deste tipo, tampouco Hermione, porém o ciúme é um sentimento traiçoeiro.
— Que merda está acontecendo? – exclamou, sentindo a raiva fluir pelo seu corpo.
— Vocês precisam conversar. Conte para ele, Hermione.
— Sozinha? Você estava comigo, George.
Fred ainda segurava a maçaneta com força, sentindo o coração acelerado, lágrimas de raiva por saber que ambos escondiam algo. Agora tinha certeza.
— Fred – George o chamou, tocando em seu punho – Espero você em casa para conversar. Fique calmo. Está com uma garota que realmente o ama – e saiu da sala.
— Entre e feche a porta – o ruivo notou que ainda estava no mesmo lugar, depois de alguns segundos fez o que a namorada pediu. Fechou a porta atrás de si e cruzou os braços – Não fique assim, quero dizer, eu entendo...
— Não, você não entende – descruzou os braços e aproximou-se dela – Não entende por que nunca escondo nada de você. Desde aquele dia na passagem secreta, desde que inventei a desculpa da poção para me aproximar de você, desde aquele dia eu não te escondo nada. Faz meses que a guerra acabou e sei que ainda carrega marcas, mas faz meses que me esconde alguma coisa. Você e George.
— Eu vou explicar, mas é difícil – ficaram em silêncio.
— Encontrei você correndo de mãos dadas com meu irmão, ele chorava, surpreso por me ver. Por quê? O que faziam escondidos?
— Não pense isso que está pensando – ela deu um passo na direção do ruivo que tentou se afastar, porém ela segurou-o pela mão – Não pense isso, por favor.
Fred soltou o ar pesadamente.
— Desculpe, eu te amo e não consigo entender porque vocês dois esconderiam algo. Calma, Mione – acrescentou ao vê-la chorando – sabe que pode sempre contar comigo.
— Você morreu, Fred. Você morreu durante a guerra em Hogwarts.
— C-como? – segurou-a pelos ombros, sem compreender.
— Rookwood explodiu uma parede. Você foi atingido. Então, eu fiz algo com a ajuda de George — Fred soltou-a e deixou o corpo cair sobre o sofá que havia no escritório dela. Hermione foi até ele. Olharam-se. A grifinória, então, começou sua narrativa.
— Por isso ficou ao lado do Malfoy durante o julgamento – ela assentiu em silêncio – Hermione, — Fred limpou as lágrimas que escorriam com seu polegar e puxou-a para um beijo – não precisava guardar esse segredo. E eu achando que seria seu cavaleiro salvando-a dos perigos e você me salva da morte.
Ela não segurou a risada.
— Fred, me desculpe. Eu não sabia como contar, alguns pesadelos que tenho envolvem o momento que te encontrei e...
O ruivo interrompeu-a com um beijo. Sabia que ela detestava ser interrompida assim, mas precisava beijá-la como confirmação que aquilo era real. Talvez nem estivesse processando o que ouvira, contudo, naquele instante, ansiava por ela. O beijo aprofundou-se, o toque aumentando na medida que as roupas eram despidas e jogadas no chão.
— Eu te amo – Fred falou, perdendo-se nos castanhos. A resposta dela foi um murmúrio de concordância, deixando-se levar pelas sensações de tê-lo dentro de si.
Quando terminaram, Fred puxou delicadamente o queixo dela:
— Saiba que não precisa carregar nenhum segredo sozinha.
— Desculpe – ela pediu mais vez.
— Eu entendo, na verdade, acho que preciso de uns dias para processar o que me contou. Hermione, — emendou ao ver o olhar dela – Não é uns dias sem você. Caso não tenha percebido não consigo ficar longe – depositou um beijo rápidos nos lábios da namorada.
— Eu te amo e não quero me despedir agora, mas acho que você e George precisam conversar.
— Depois de abusar do meu corpinho, me manda embora... Esperava mais de você, Hermione – ela riu, aquele jeito apenas dele de fazê-la rir nos momentos mais improváveis.
— Pode ir para minha casa depois?
— Claro, até porque acho que preciso ouvir novamente essa história. Com mais calma – os dois levantaram-se e trocaram de roupa. Despediram-se e Fred aparatou em seu flat. Encontrou George o esperando com uma garrafa de uísque, dois copos com gelo e alguns sanduíches sobre a mesa de centro. Apenas se abraçaram.
— Desculpe por não ter contado antes, só que Hermione não estava preparada. Com medo de como você lidaria com a notícia – enquanto o gêmeo falava, Fred serviu os copos – Eu devo admitir que não conseguia falar em voz alta o que aconteceu com você, o que senti quando te vi – George bebeu um longo gole da bebida – quando te vi ali, diante de mim. Hermione me puxou e falou sobre o vira-tempo.
— Alguém mais sabe sobre o que aconteceu?
— Malfoy – George respondeu – De alguma forma ele soube que Hermione tinha voltado no tempo. Provavelmente porque tinha acabado de vê-la na Sala Precisa.
— Sim, Malfoy – riu sozinho – Esbarrei com ele no ministério. Agora eu entendi: “quem é vivo sempre aparece”. O puto me falou isso e entrou no elevador. Hermione contou que foi atrás de Rookwood. Um Comensal adulto.
— Eu sei – George sabia o que seu gêmeo estava tentando dizer. Não deveria ter deixado Hermione usar o vira-tempo e muito menos ir atrás daquele bruxo.
— Não quero te acusar, aliás, não estou falando isso que está pensando – Fred adiantou-se
— Não mesmo? – olharam-se naquele silêncio em que se compreendiam.
— Sim e não – sorriram – Quem sou eu para julgar alguma coisa? Eu estava morto e vocês tomaram uma decisão. Nem posso imaginar o que faria se...
— Pois é. Eu repasso a cena em minha cabeça incontáveis vezes, onde a impedia de ir atrás de Rookwood. Onde te lançava um feitiço e não precisássemos usar o vira-tempo. Ou que usássemos para evitar toda essa merda de guerra!
Fred esperou o irmão se acalmar e falou:
— Eu entendo. Desculpe, também não gostaria de saber que era você atrás de um comensal – Fred olhou para os lanches sem apetite dando outro gole no uísque – Acho que preciso deixar a ideia acomodar – fechou os olhos passando a mão pelo rosto – Por isso esconderam de mim, não é? Também precisavam de um tempo para entender a coisa toda.
— E você achou mesmo que eu teria um caso com Hermione? – dizendo isso, deu um soco amistoso no braço do gêmeo – Confesso que quando ela me mostrou o vira-tempo tive um impulso de beijá-la – aquilo surpreendeu Fred que apenas levantou as sobrancelhas – Impulso apenas. Consegui compreender como se apaixonou. Então nos separamos, enquanto ela foi atrás de Rookwood, fui desviar nosso caminho. Com cada um de nós evitando que estivesse naquele lugar, naquele momento a chance era maior.
— A criança que ouvimos chorar... Era você? – George concordou. Fred lembrou-se que os dois foram atrás do choro, mas não encontraram ninguém. Então se separaram, pois queria ir atrás de Hermione. Seu gêmeo, foi garantir a segurança da família. Claro que estranhou encontra-lo logo depois, ao lado de Hermione, caindo de joelhos e chorando. Agora tudo fazia sentido.
— Eu preparei bastante – George disse apontando para o prato de lanche – Leve alguns para Hermione. Vai passar a noite lá?
— Combinei de ir, só que... – sorriram.
— Amanhã saímos. Vá até lá, eu compreendo. Ela é mais que especial.
Ambos depositaram o copo na mesa, levantaram-se e abraçaram-se. Com um feitiço Fred embrulhou os lanches, sumindo no ar em seguida. Encontrou Hermione lendo, uma taça de vinho ao seu lado. Antes de olhar para ele, sorriu e pediu com um gesto que esperasse.
— Eu volto dos mortos e sou ignorado por um livro – sentou-se pesadamente ao lado dela.
— Pare de brincar com isso. Como foi com George?
— Sabia que ele quis te beijar? – aquela informação surpreendeu Hermione – Quando teve a ideia de voltar no tempo.
— Sabe que não teve nada e nunca terá nada entre mim e seu irmão, não é?
— Eu sei, afinal, eu sou mais bonito e inteligente. Cadê meu beijo? – perguntou, sorrindo de forma marota.
—--
Fred levou algumas semanas para deixar de perguntar sobre aquela noite em que morrera e que fora salvo. Semanas em que se via cada vez mais apaixonado.
— Posso vir morar aqui? – perguntou ao passar o dedo delicadamente pelo rosto dela que não segurou a risada. Estavam sob os lençóis.
— Mesmo?
— Mesmo. Ou você está no flat ou estou aqui, já tenho um espaço considerável no seu armário, escova de dentes, toalha no banheiro... E depois que ficamos afastados por causa de aulas e almas perdidas, quero garantir que eu possa passar o maior tempo possível com você.
— Muda quando? – Hermione perguntou aproximando-se ainda mais os corpos nus.
— Assim que terminarmos de fazer amor – Fred descobriu o corpo de ambos, ajeitou-se apreciando a visão de Hermione deitada ao seu lado. Seus beijos, começaram nos lábios, depois percorreu todo corpo dela arrancando suspiros e gemidos de prazer. Fred.
— Agora que estarei morando aqui – o ruivo dizia as palavras entre beijos e leves mordidas – Vamos transar todas as noites possíveis.
Hermione puxou-o para seus lábios novamente, envolvendo a cintura dele com suas pernas. Fred fechou os olhos ao sentir-se dentro dela. Sintonia. Os corpos moviam-se em sintonia e desejo.
Beijaram-se, amaram-se prontos para enfrentar, juntos, todos os caminhos que a vida ainda proporcionaria.
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