Espelho
6 Capítulo O6: OLHOS PROFUNDOS
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO O6: OLHOS PROFUNDOS
Não havia vindo ao hospital nos últimos dois dias. Tinha tempo, porém não viera. Sabia que não tinha obrigação de vir visitar sua ex-companheira de time todos os dias e nem ao menos de vir. Assim como não gostava de hospitais não tinha assunto e não era assim mais tão próximo de Sakura.
Bateu duas vezes embora tenha ouvido uma fungada e um soluço reprimido. Ao abrir a porta deparou-se com Sakura sentada, até certo ponto torta devidamente pela sua falta de mobilidade, e Hinata – bem ele achava que era Hinata, embora já a tivesse visto com Naruto algumas vezes desde que voltara.
A rosada estava jogada nos braços delicados da Hyuuga. Ela não chorava, mas ele percebia que não chorava mais por não haver lágrimas o suficiente. Seus olhos estavam inchados e vermelhos e suas olheiras ainda mais evidentes.
Pensou em sair dali, aquele momento não pertencia a ele, não fazia parte daquilo. Porém Hinata largou delicadamente à rosada, deitou com cuidado na cama como se Sakura fosse uma boneca de vidro trincado que estava a ponto de se desmanchar em pequenos cacos fagulhados.
— Bem Sakura-san, agora que o Sasuke-san chegou você tem companhia, gostaria de ficar mais, mas tenho de ir atrás do Naruto, espero que entenda.
Ela não falou nada em resposta à morena, apenas balançou a cabeça em afirmação. Hinata passou a mão no braço livre de agulhas da rosada e deu um sorriso gentil prometendo que voltaria assim que possível. Andou com passos graciosos até a porta que estava impedida de passagem por Sasuke.
Olhou para o moreno como forma de pedir licença, e estremeceu quando os olhos do moreno viraram para si. Pouco sabia de Sasuke, sabia apenas coisas que o loiro lhe contava, mas não deixava de estremecer com os olhos negros e profundos tão diferentes do seu amado, com olhos azuis e chamativos.
Pensar nisso lhe fez lembra-se de Naruto novamente e em como ele deveria estar sofrendo. Sentiu-se mal pelo namorado, ele era uma pessoa boa demais para ficar triste ou magoado.
Admitia para si mesma que quando soube que ele estava mal todos os meses passados por causa de Sakura não pode deixar de sentir raiva da médica por ter feito tanto mal para o loiro.
Mas depois que viu Sakura pela primeira vez, deitada na cama de hospital, sozinha no quarto porque Naruto e Sasuke, seus acompanhantes por caridade tinham ido para casa, sentiu pena dela.
Se ela ficasse na mesma situação que Sakura tinha certeza que mesmo com os seus desentendimentos com seu pai ele ficaria ao seu lado, Tenten ou até sua irmã, seu time e seus subordinados do clã e até mesmo os membros de seu clã ficariam ao seu lado, se revezando para que ela não ficasse nem ao menos um segundo sozinha, já Sakura não. Ela tinha família, amigos e companheiros, a cerejeira não tinha ninguém, ninguém além de si própria e Naruto – que ainda estava brigado com ela. Através dos olhos transparentes da Haruno, ela pode ver o sofrimento escondido ali, a dor, a rejeição.
Quando voltou a si viu que Sasuke ainda olhava para ela. Ouviu Sakura soltar um suspiro e um soluço reprimido. Estranhou o Uchiha não era do tipo que encarava alguém. Foi aí que percebeu o moreno não estava olhando para ela, e sim lhe fazendo uma pergunta silenciosa.
— Naruto brigou com ela novamente — Sua voz saiu um sussurro.
Embora ela soubesse que o moreno tinha ouvido e entendido após ele acenar positivamente com a cabeça e sair de frente à porta indo sentar em uma poltrona afastada de onde Sakura estava com a cabeça baixa.
Saiu caminhando pelo corredor sem olhar para trás, se olhasse para a cama sabia que seu coração não a deixaria ir deixando a garota sozinha, — com Sasuke (o que era a mesma coisa de estar só).
Encontrou Naruto encostado na escadaria do hospital. Ele estava com o cigarro inteiro acesso na mão direita. Ele não fumava – ela sabia -, talvez seja por isso que o cigarro continuava do mesmo modo que ele deveria ter acendido, sem nenhuma tragada.
Sentou ao lado do loiro tirando o cigarro de sua mão e apagando-o no degrau. Viu que ele não chorava mais, porém seu rosto continuava abatido. Não disse nada. Sabia que era melhor assim. Deitou a cabeça no seu ombro e alisou seu braço com a mão pequena. Ficou ali, não soube por quanto tempo, encostada ao loiro ouvindo quando ele voltou a chorar.
♦ ♦ ♦
Sasuke havia ido embora há meia hora. Ele não dissera nada, nem ela. Estava angustiada demais até para criar uma conversa com ele. Seu corpo estava dolorido e desde ontem de manhã não tomava um banho, já que só tomava quando uma enfermeira tinha tempo para auxiliá-la.
No momento daria tudo para poder ficar de pé sem a cadeira de rodas que usava no banho e sem o fio do soro ligado ao seu braço dormente. Não aguentava mais as sopas do hospital e nem a inutilidade de ficar deitada na cama.
Gostaria de poder sair dali correndo, ir atrás de Naruto, pedir desculpas e se ele não aceitasse fugir dali. Não suportaria outra rejeição, não aguentaria ouvir outro não.
A porta se abriu e por ela passou a Hogake com sua ficha médica na mão. Percebeu que sua shishou estava cansada e abatida e provavelmente se entupiria de saque mais tarde.
— Como se sente?
— Bem — Mentiu.
Tsunade a analisou repetidas vezes.
— Vou deixar que você vá para casa. Estou dando-lhe alta agora de noite, pois não tive tempo de fazê-lo cedo, além do mais será mais discreto que você vá para casa agora que as ruas não estão movimentadas, penso que você não queira chamar atenção.
— E não quero mesmo. Agradeço shishou, por tudo.
— Não me agradeça. Vou pedir para que uma enfermeira tire seu soro e que lhe ajude a se levantar. Quero que se alimente bem e não estranhe se tiver efeitos colaterais, ainda há restos daquelas porcarias que você tomava e chamava de remédio.
Balançou a cabeça em afirmação.
— Vou falar para que uma enfermeira venha lhe dar banho antes de ir e pedir para que lhe acompanhem e a instalem em sua casa. Nada de esforços, nada de gracinhas e nada de remédios novamente Sakura.
— Sim shishou.
Depois de se despedir de Tsunade, tomar um banho, e ser levada para casa pode finalmente sentar em sofá.
Estava com dificuldades para andar e para se movimentar, tanto por causa dos remédios como pela sua falta de movimentos nas semanas anteriores. Escorava-se na parede, nos móveis e se movimentava com dificuldade, mas era melhor do que ficar no hospital.
Estava sozinha, mas estava em casa. No seu apartamento que lhe trazia ao menos um pouco de conforto. Ainda que seu coração doesse e que não parava nem ao menos um segundo de pensar em Naruto estava contente em sair do hospital.
♦ ♦ ♦
— Você deveria repensar, Sakura-san está sofrendo muito.
— Eu sei Hinata, mas... Não posso, não... Não consigo.
Mais uma vez estavam conversando sobre sua amiga de cabelo rosa. Tentava inutilmente convencê-lo de conversar com Sakura novamente. Estava deitado sobre o peito do namorado, cobertos apenas pelo lençol azul da cama de Naruto.
— Você... Acha que não vai mais conseguir perdoá-la?
— Não sei, realmente... Não sei.
♦ ♦ ♦
Escorou-se na pia do banheiro de sua casa, havia vomitado pelo menos umas três vezes naquela tarde. Não sabia se era por causa dos efeitos colaterais que os remédios que usava poderiam lhe causar, ou se fora algo que comera.
Estava exausta, não havia feito nada, mas só o fato de ter de andar rapidamente da sala para o banheiro a fazia ficar cansada. Respirou profundamente duas vezes até que a fraca tontura que sentia sumisse.
Fazia três dias que já estava em casa, ninguém havia vindo lhe visitar desde então. Sentia-se sozinha, tinha que ir atrás de Naruto, sabia disto, se ao menos pudesse sair de casa, andar normalmente e ter coragem o suficiente para conversar novamente com o loiro...
Era fraca, fraca em todos os sentidos. Sentia-se fraca, era fraca. Andou com dificuldade até seu quarto e sentou na cama. Seu coração queimava, havia machucado Naruto, havia machucado seu melhor amigo.
Pior do que machucar Naruto, havia o feito sofrer afogando-se em seu próprio egoísmo. Era uma má pessoa.
Deitou na cama limpando irritada as lágrimas que desciam por suas bochechas rosadas. Ouviu baterem na porta, ignorou. A última coisa que queria era que alguém lhe visse naquele estado deplorável.
A pessoa da porta não insistiu novamente, provavelmente pensando que ela estava dormindo, e foi o que fez. Deitou sobre os lençóis e sobre a colcha, não tinha forças para levantá-las, deitou com as roupas que estava e de chinelo, mas ela não se importava mais com nada.
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