Espelho

47 Capítulo 47: CONCLUSÕES PRECIPITADAS


Notas iniciais
Dedicado à 'MelMassacre', à 'Jebs' e também pra 'Natthy', obrigada meninas pelas lindas recomendações, me inspiraram muito! Boa Leitura!

ESPELHO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 47: CONCLUSÕES PRECIPITADAS

— Agora me diga se o querido Ibiki disse quem fez isso a ela, papai.

— Não Hinata. E não fale desse jeito comigo.

— Eu falo! Ouvi muito bem o que você disse para Sakura, mesmo distraída com Boruto, escutei o que você disse, e acredite, não gostei nada.

— Hinata.

— Você deve aprender a respeitar o sofrimento dos outros. Sakura passou por tudo isso sozinha, não contou a ninguém para proteger Naruto e consequentemente me proteger, ela quase foi violentada novamente para nos proteger, ela viveu em um inferno todo esse tempo para nos proteger. Ela me apoiou quando eu precisei, ela me deu um teto quando você me tirou um, ela me ajudou quando você se recusou.

— Hinata...

— Ela chora em saber que não vai ter uma família, ela se entupiu de remédios para tentar esquecer a dor que sentia. E agora que ela está superando isso, agora que ela tem esperanças de ser amada e de conseguir ter uma vida normal, não vou permitir que você estrague isso.

— Como você-

— Hoje mais cedo, foi ela quem fez meu parto, se não fosse ela, a essa altura talvez eu e Boruto não estivéssemos aqui. Você não pode julgar uma pessoa, sem saber o que ela passou, não pode julgar uma pessoa por uma coisa que aconteceu. Você já foi longe demais investigando a vida dela como se ela fosse uma criminosa.

— Eu vim aqui para falar com você, não para falar sobre ela.

— Sim, mas mesmo assim tem que me ouvir.

— Cadê a criança?

— Está no quarto ao lado com Naruto. E você não vai vê-lo.

Desde quando Hinata era tão determinada?

— E se contar alguma coisa, se fizer algo contra Sakura, não irá me ver também.

— Ora Hinata!

— Estou falando sério, você tem que aprender que nem tudo é sobre você, nem todos devem seguir as suas ordens papai. Você não aceitou a sua filha, não aceitou o meu namorado, o meu noivado, o meu casamento, nem o meu marido. Porque apenas as suas escolhas eram corretas, o que eu sentia nunca foi importante para você. Pois saiba que eu não me arrependo de ter saído da casa, eu realmente gostaria de ter continuado a fazer parte do clã, mas não gosto de permanecer onde não sou bem vinda. Agora, peço que, por favor, se retire.

— A criança nasceu hoje. Pelos meus cálculos... Você não se casou virgem.

— Não, não casei — Observou os olhos do pai se arregalarem — E não, não me arrependo, e agora vejo que deveria ter te contado desde o começo. E antes que venha me falar mais algo, por favor, se retire, estou cansada, tenho que descansar e amamentar Boruto.

Observou Hiashi dar meia volta e sair em seguida. Ele pisava duro, e mesmo que seu coração se apertasse em falar daquele jeito com seu próprio pai, orgulhou-se de si própria, enterrando-se ainda mais na cama em que descansava chamando por Naruto.

♦ ♦ ♦

“Ela é uma gracinha não é?”

Deitado na cama, ouvindo Sakura respirar calmamente, dormindo ao seu lado, lembrava-se de quando fora atrás do último do trio que atacara Sakura.

Após ler o papel que ele deixara na mesa do escritório da rosada, amassou o papel, jogou-o no lixo e saiu em encontro dele em seguida.

Quando o encontrou, no exato lugar indicado, ele começou a lhe provocar. Ainda podia lembra com perfeição das palavras dele. De todas elas.

“É o namoradinho da garota suja, hum?”

“Então, ela já abriu as pernas para você?”

Não conseguindo se controlar, partiu atacando-o.

“Eu tive o prazer de vê-la nua, ela é uma gracinha não é? Eu planejava prová-la essa noite, satisfazer as fantasias que tenho com ela, mas você veio defendê-la, vou ter que te matar e ir atrás dela em seguida...”.

Atacou-o, ele desviou. O sangue ferveu em seu interior.

Durante a sua luta, algumas perguntas foram respondidas.

“Nosso chefe queria mata-la em seguida. Mas ela era gostosa demais para ser morta. E também, como mataríamos um kunoichi sem deixarmos pistas? Por isso decidimos deixá-la viva, sabíamos que se ameaçássemos alguém ela ficaria com a boca fechada, e ainda podíamos nos satisfazer quando bem entendêssemos. Não foi bem o que aconteceu, ela ficou calada, mas sumiu em seguida.”

Enquanto lutavam, o ninja fazia questão de falar, falar sobre o dia, detalhe por detalhe, fazia questão de provoca-lo.

Podia lembrar-se dele falando palavras de baixo calão, e referindo-se a Sakura com palavras como “gostosa”. E contar os sonhos eróticos que ele tinha a noite com ela.

Como diabos alguém tivera coragem de machucá-la?

Sasuke?

Sasuke?

— Sasuke-kun?

Voltando a realidade olhou para o lado notando que Sakura acordara. A voz dela estava rouca e ela parecia corada. Observou o modo como ela se sentou na cama levando o lençol junto, tentando cobrir ao máximo seu corpo nu.

— Está tudo bem?

Ela perguntou.

Balançou a cabeça de forma afirmativa e levantou-se, não se importando com a sua própria nudez. Pegou a cueca no chão vestindo, e em seguida colocando a bermuda e a camiseta.

E imaginando que Sakura gostaria de fazer o mesmo – mas provavelmente estivesse com vergonha – saiu pela porta, dando-a privacidade.

Sentou-se no sofá, mergulhando novamente em pensamentos.

♦ ♦ ♦

Confusa com a saída de Sasuke do quarto, apenas se apressou em levantar, e procurar por suas roupas no chão. Em seguida seguiu para o banheiro, e escovou seus dentes.

Caminhou até a sala vendo Sasuke em pé, em frente a mesa pequena posta na parede de sua sala.

— Eu pensei que você ti—

— Que droga é essa Sakura?

Seu corpo gelou, observou Sasuke levantar as duas cartelas de calmantes que comprara semanas atrás na mão. Em uma delas faltava comprimidos.

— Pensei que você tinha parado com isso.

— Eu-eu, eu parei!

— É claro que parou...

— Você tem que acreditar em mim! Eu as comprei no dia que você foi atrás do ninja, eu pensei... Pensei que você tinha desistido de ir me buscar, passei na farmácia, eu cheguei a casa, e... Eu tirei os compridos para tomá-los, mas eu não o fiz... Eles devem estar em algum lugar no chão... Eu posso...

— Eu realmente espero que isso seja verdade.

Ele disse dando-lhe as costas e saindo fechando a porta do seu apartamento em um baque.

♦ ♦ ♦

Inconformado com o que sua própria filha lhe dissera, pegou os papéis que o deram sobre a garota de cabelos róseos. Antes só havia lido algumas partes, como o relatório do que acontecera com ela.

Dessa vez olhou minuciosamente. A garota não parecia má pessoa, em sua ficha, estava explicito que ela ajudava muito o hospital, era a ninja mais completa dali, sendo capaz de cuidar desde pequenos ferimentos, até a fazer cirurgias complicadas.

Ela também era boa em lutas, havia perdido seus pais e fora estuprada. Apesar de tudo, ainda sentia repulsa por algumas coisas sobre ela.

A porta do seu escritório foi aberta com força.

Viu o antes menino, agora um homem, passar por ela. Ele parecia furioso. Alguns de seus subordinados estavam atrás dele.

— Nós tentando impedi-lo, mas...

Deu sinal com as mãos para que eles saíssem. Em outro momento, teria mandado que eles matassem o invasor, mas a sua curiosidade foi maior.

— Então?

— Por que fez aquilo?

Observou o herdeiro da família Uchiha, era típico de seu clã, cabelo e olhos negros, e um estúpido ar de arrogância.

— Por que a humilhou daquela maneira?

Sasuke não ergueu o tom de voz, embora ela parecesse ameaçadora o suficiente com aquele tom. Mas não para ele, ele não ligava pra ameaças.

— Ela já sofreu o suficiente, e se você quer mesmo estragar a vida dos outros, que faça isso com a sua própria, já perdeu sua filha, e seu neto, e se você abrir essa sua maldita boca para espalhar qualquer coisa que for eu mesmo a estragarei.

— Quem fez aquilo?

Perguntou, queria ter certeza que não fora algum adolescente e a garota apenas falava que fora obrigada para chamar a atenção.

Tinha certeza que era isso.

E esperando um nome de algum dos garotos da vila, como Reno, ou talvez Jenzi, seus olhos se arregalaram levemente em ouvir a resposta.

— Danzou.

Viu o moleque arrogante dar meia volta, e quando estava prestes a passar pela porta se pronunciou.

— Não pense que irei ficar quieto por causa da sua ameaça. Farei isso pela minha filha. Nada mais.

E mesmo que ele tenha continuado andando, sabia que ele havia ouvido.

Talvez houvesse feito algo errado.

Talvez.

Notas finais
Mais algumas lacunas estão sendo fechadas. Beijos! Visitem: http://fanfiction.com.br/historia/370192/Olhos/