Espelho
42 Capítulo 42: REVELANDO SEGREDOS
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 42: REVELANDO SEGREDOS
— Você é definitivamente um idiota.
Observou Naruto atrás de si, ele havia entrado na sua casa sem nem ao menos bater na porta. Que ótimo. Maravilhoso.
— Por que não esperou que eu chegasse da missão para irmos atrás desse cara juntos?
— Ele havia deixado um bilhete na mesa do escritório de Sakura, marcando um encontro. Era a única pista que eu tinha de onde achá-lo.
— Poderíamos ter ido procurá-lo juntos.
— Não podia correr o risco, de que Sakura com aquele jeito irritante e altruísta dela fosse atrás dele sozinha.
— ‘PERAÍ? COMO VOCÊ ACHOU UM BILHETE NA MESA DO ESCRITÓRIO DA SAKURA-CHAN?
Deu os ombros, realmente não queria dar explicações a Naruto.
— Você foi envenenado Teme e perdeu muito sangue.
— E estou vivo.
— E a Sakura-chan ficou velando você bancar uma de bela adormecida durante três dias.
— Tch.
Naruto deu a volta e se sentou no sofá.
— Você é definitivamente um idiota — O loiro repetiu novamente.
Ignorou.
— Desde quando se preocupa assim com a Sakura-chan?
Não soube responder. Desde... Quando? Desde que se conheceram? Que formaram um time? Saíram em missões juntos? Desde que ela se declarara a ele? Ou... Desde que dividiram a cama?
Ouviu o loiro resmungar algo e olhar para o bento sobre a mesa de centro. Sakura havia o mandado levar. “Ele ainda está em recuperação, não deveria cozinhar”, e em seguida ela saiu andando rumo ao hospital com as bochechas coradas. Pelo menos havia sido o que Naruto o contara.
— Vocês estão mais próximos que o normal.
O sangue pareceu esvair-se.
O ar também.
— Teme?
Olhou para o braço enfaixado, desviando o olhar dos olhos azuis. Por que diabos Naruto tinha que ter inventado de lhe ver no segundo dia em que saíra do hospital?
E por que ele tinha a mania irritante, de fazer perguntas e afirmações a toda hora?
— Eu dormi com Sakura — Disse por fim não aguentando mais manter isso dentro de si.
— Sim eu também. Lembra? Quando só havia um quarto disponível na missão, com quatro camas? Tivemos que dormir todos juntos, no mesmo quarto.
E por que diabos Naruto tinha que ser tão idiota?
Olhou-o com a sobrancelha negra arqueada.
— O QUE? C-C-C-O-M-COM-O-COMO?
— Você sabe como, tanto que deixou Hinata grávida.
— Seu... Seu... Seu... Seu bastardo, seu...
Desviou do soco de Naruto sentindo seu corpo reclamar pelo movimento brusco.
— SEU IDIOTA! COMO VOCÊ PÔDE?
— Da pra parar de tentar me socar?
— NÃO, NÃO DÁ!
— Para com isso Naruto.
— E por que diabos você não está com ela?
Não respondeu.
— Por que ela está na casa dela sozinha e você aqui?
— Não somos casados Naruto.
Seu corpo bateu contra a parede. A mão de Naruto segurava seu pescoço. Seu corpo reclamou pelo movimento rápido e brusco.
— NÃO FALE ASSIM DA SAKURA-CHAN! NÃO FALE COMO SE ELA FOSSE QUALQUER UMA COM QUEM VOCÊ PODE SE DIVERTIR E DEPOIS ESQUECER!
Tirou a mão de Naruto do seu pescoço. Ele deu um passo pra trás pela força, mas continuou lhe olhando emburrado. Andou até o sofá passando a mão nos fios negros do seu cabelo.
— Eu... Desculpe — O loiro pediu.
Era sempre assim? Primeiro ele lhe batia e depois pedia desculpas? Não respondeu.
— É sério, sei que você deve estar confuso. E embora não aprove o que você tenha feito você não é obrigado a ficar com ela. Só por favor, não a machuque ainda mais.
— Não vou.
♦ ♦ ♦
A entrada lhe parecia solitária e até abandonada. Passou andando até o meio do distrito. As casas estavam arrumadas, provavelmente Sasuke as havia arrumado, embora estivessem solitárias.
A casa principal não parecia abandonada, embora parecesse solitária. Estava limpa por fora, com luzes iluminando a varanda e uma cadeira de balanço no canto esquerdo se mexia com o vento.
Subiu os três degraus da varanda e antes que suas mãos pudessem alcançar a porta ela foi aberta. Sentiu suas bochechas queimarem feito fogo.
— Oi... Eu... Vim... É... Ver como você está e... Trocar seus curativos. E você não deveria... Estar de pé.
— Hn.
Ele a deu as costas, e andou para dentro de casa.
Imaginando que aquilo fosse o mais parecido de um ‘entre’ que fosse receber de Sasuke entrou observando a casa.
Nunca havia estado ali, a casa era grande, um único cômodo era do tamanho do seu apartamento inteiro, havia poucos móveis, mas todos lhe pareciam ser caros o suficiente para que ela tivesse medo de tocar e quebrar.
Sasuke sentou no sofá, mas ela não o fez.
Alguns minutos embaraçosos se passaram.
— Já... Tomou banho?
— Sim.
— Posso trocar seus curativos?
Ele acenou positivamente com a cabeça e saiu andando subindo as escadas. No meio da escada ele parou.
— As coisas estão aqui em cima.
Tomando isso como um incentivo para ‘me siga’, subiu as escadas atrás dele.
— Você realmente não deveria subir escadas.
— Estou bem.
— É claro que está.
— E você realmente não deveria vir aqui sozinha a essa hora.
— Quer que eu vá embora?
Ele não respondeu, apenas passou por uma porta de madeira escura e entrou, o seguiu observando o quarto, era médio, não tão grande quanto a sala, mas ela maior do que o seu quarto e do que a sua cozinha. Tinha uma cama de casal no centro, um guarda-roupa grande do lado esquerdo do quarto, um pequeno criado-mudo com um abajur e uma porta para o que ela imaginou ser um banheiro. Só, mais nada.
Observou-o abrir a porta do guarda-roupa, e reparou que menos da metade dele era usado, do fundo ele tirou uma caixa provavelmente com os remédios e pomadas que ela própria havia receitado.
Ele sentou na cama. Sentiu suas bochechas queimarem.
— Sakura?
— Hn...?
— Está tudo bem?
— Hã?
— Você está há cinco minutos encostada da porta.
— Oh! — Quis bater sua cabeça na parede de tanta vergonha — Está tudo bem. É... Você pode tirar a blusa?
E ele o fez, passou a blusa pelo tronco, deixando a peça de roupa descansar sobre a cama. Andou até ele, sentando-se desconfortável a seu lado na cama.
Observou os diversos cortes sobre o tronco dele. Ele já havia retirado os curativos, e com a exceção de dois cortes mais profundos o resto melhoraria logo.
Usou mais chakra melhorou um pouco dos cortes.
— Você... Realmente não deveria ter feito isso.
— Tch.
— Você... Eu... Eu... Pensei que você não fosse mais acordar...
Sentiu seus olhos marejarem enquanto limpava os ferimentos com soro fisiológico.
— Estou bem Sakura.
— Tinha tanto, tanto veneno no seu corpo, você perdeu tanto, tanto sangue...
Mordeu o interior do lábio tentando comprimir o soluço. A primeira lágrima caiu.
— Eu fiquei com... Tanto medo...
Observou o modo como ele se encolheu quando passou pomada em um dos cortes, embora ele não tivesse reclamado da dor, imaginava o quão dolorido estava.
— Eu... Fui tão egoísta...
— Egoísta?
— Sim... Eu... Eu... Pensei que você estivesse me deixado sozinha por querer sabe... Que você tivesse...
Não continuou. O que iria falar? “Tivesse desistido de nós?”, mas... Havia um “nós” entre eles? Ou eram apenas Sasuke e Sakura?
Espalhou as gazes pelas feridas, e pegou a faixa enrolando nas partes mais afetadas. Ele parecia pensativo.
— Eu fiquei tão... Preocupada.
Disse por fim, desistindo que ele fosse finalmente lhe responder.
Enrolou o braço parte do braço também após limpar, e levantou guardando os utensílios na caixa.
— Agora sabe como eu me senti esse tempo todo.
Ele disse por fim, fazendo com que mais lágrimas caíssem de seus olhos.
Ele... Estava dizendo que havia ficado... Preocupado com ela?
Sorriu em meio às lágrimas.
— Você... Já jantou?
Perguntou enquanto entregava a caixa para ele.
Viu-o balançar negativamente a cabeça.
— Se você quiser... Eu posso fazer algo... Para você comer.
Quis enterrar sua cabeça, ou batê-la na parede novamente, “que oferecida”, pensou. Queria ter trazido comida pronta, como havia mandado com Naruto mais cedo, mas não havia dito tempo de preparar.
— Tudo bem.
Ele disse por fim. Ele realmente iria deixar que ela mexesse em sua cozinha? Viu-o sair pela porta do quarto e em seguida descer as escadas. Correu para alcança-lo limpando os últimos vestígios de lágrimas do seu rosto.
Entrou na cozinha o seguindo, era ampla e incrivelmente limpa, não havia nem ao menos uma louça suja, nem um copo fora do lugar.
Ele se sentou na cadeira, e não lhe disse nada.
— É... O que você quer comer?
Viu-o dar os ombros.
— Macarrão com tomates?
Observou ele afirmar com a cabeça em aprovação. Girou pelos diversos armários.
— Os de cima.
Ele disse por fim após ver sua dúvida de onde achar utensílios.
Enquanto colocava a água ferver, cortava os tomates, colocava o macarrão cozinhar e temperava a comida, podia sentir o olhar dele nas suas costas.
Incomodada com o olhar perfurando suas costas, virou-se por fim com as sobrancelhas arqueadas.
— Ninguém nunca havia usado essa cozinha sem ser eu e minha mãe.
Ele explicou, ficou em dúvida de como interpretar a frase.
Deveria se sentir honrada em usar a cozinha que apenas a mãe dele havia usado? Ou ele estaria dizendo que ela era uma intrusa?
— Ela também cantarolava enquanto cozinhava...
Ele disse novamente, fazendo-a corar ao perceber que murmurava uma música.
O viu levantar da cadeira onde estava sentado e andar até o armário retirando não um, mas dois pratos e dois pares de talheres.
Vendo-os assim, dividindo os afazeres da cozinha, pareciam ser um casal. E ao perceber isso teve uma vontade enorme de chorar ao saber que não eram.
Fale com o autor