Espelho
3 Capítulo O3: TERCEIRO ANDAR
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO O3: TERCEIRO ANDAR
Já que ela não podia entrar no hospital enquanto não estivesse totalmente descansada resolveu aproveitar o tempo livre para ir ao cemitério. Desde que voltara ainda não havia ido lá e ela sentia que precisava ir.
Trocou-se e passou em uma floricultura comprar flores. Andou entre os túmulos até chegar ao de seus pais, agachou-se colocando as flores ao lado. Que ótimo, mal chegara e já estava chorando.
Sentia tanta falta deles... Sentia falta de chegar em casa e ter alguém para conversar, ter alguém para contar como foi seu dia, alguém que a ajudasse, que a colocasse para cima e que cuidasse dela.
Depois que seus pais morreram Tsunade foi o que ela tivera de mais próximo de uma mãe, porém não era a mesma coisa, ela era a Hogake, tinha seus deveres e fazeres ao invés de ficar cuidando de uma garota que havia perdido os pais. A loira era uma boa pessoa, mas não substituía uma mãe, não morava com ela, não tinha tempo para conversar com ela e nem para dar conselhos.
Ela estava sozinha, completamente sozinha. A única pessoa que tinha era Naruto e agora o mesmo havia brigado com ela. Será que era assim que o Uchiha mais novo se sentia? Solitário? Como ele havia conseguido ficar todos esses anos tão sozinho?
Naruto, Sasuke, eles eram tão mais fortes do que ela... Eles perderam seus pais, sua família e nem por isso ficavam chorando pelos cantos como ela. E em pensar que ela havia mudado tanto desde a morte de seus pais... Já não ria mais como antes, não tinha vontade de sair nem fofocar com suas amigas... Se quando Sasuke fora embora ela não tinha vontade alguma, depois da morte de seus pais então as coisas só pioraram.
Se colocassem a antiga Sakura na frente de um espelho com ela notariam tantas mudanças, não só físicas, mas emocionais... Talvez por dentro ela continuasse a mesma assim como Naruto dissera: a mesma, a mesma garota fraca. A mesma garota chorona de antes.
E era isso que ela estava fazendo mais uma vez, chorando. Observava a foto de seus pais e o buraco em seu peito ficava cada vez maior. Gotas começaram a cair junto com as suas lágrimas. O chuvisqueiro havia virado uma chuva forte, as folhas das árvores balançavam com o vento forte assim como seus cabelos róseos. Perdeu a conta de quanto tempo passara ali, quatro, cinco horas?
Levantou e sentiu uma leve tontura, fazia um tempo que não comia nada e talvez esse fosse o motivo. A chuva a molhava totalmente, mas ela não se importava, seu peito doía como se tivessem cavado um buraco ali.
Nem ao menos estava vendo que caminho seguia. A chuva tampava sua visão e ela tinha fortes vertigens, pensou em parar e esperar a chuva passar, mas precisava ir para casa, precisava de seus remédios.
Sua mão tremia tanto que não conseguia encaixar a chave na fechadura, grunhiu, quando conseguiu abrir a porta entrou apressada jogando a bolsa ensopada no sofá e deixando seus sapatos na entrada. Foi até o banheiro achando os comprimidos de que precisava e foi até a cozinha apresada, outra tontura lhe invadiu. O copo de água tremeu em suas mãos, bebeu rapidamente implorando para que aquilo passasse logo.
A tontura voltou mais forte, os quatro comprimidos ainda não haviam feito efeito. Segurou fortemente o balcão da cozinha, mas suas forças pareciam ter se esvaído.
O copo caiu primeiro, os cacos de vidro cortaram seu pé e sua perna. Outra vertigem, uma forte tontura e depois tudo ficou escuro.
♦ ♦ ♦
Estava com raiva, não poderiam mandar outro ninja para avisar a rosada de uma missão? Porque logo ele? Naruto estava nervoso com ela por algo que ele não entendia e logo quando estavam brigados Tsunade tinha que inventar de colocá-los em uma missão juntos? Onde a loira embriagada estava com a cabeça para colocar o loiro com a rosada quando estavam como cão e gato?
Seguiu as instruções de Tsunade até achar o prédio em que a rosada morava. Subiu as escadas até o terceiro andar procurando a porta número cinco. Bateu uma vez, nada. Bateu mais uma vez, nada. Ficou impaciente. Ela podia estar tomando banho, resolveu esperar um pouco.
Naruto deveria estar ainda mais impaciente, ele deveria apenas chamar a rosada e seguir com ela até o portão da vila. Eram duas da tarde, talvez ela estivesse saído, resolveu esperar mais um pouco.
Nada. Aproximou o ouvido da porta tentando ouvir algum barulho, mas nenhum ruído era emitido, sentiu um chakra fraco. Segurou a maçaneta fortemente para abri-la.
— O que está fazendo teme? Por que não voltou ainda? — A voz irritada do loiro que estava com a mochila nas costas se fez presente — Pensei que não tivesse achado a casa dela!
— Ela não atende, mas estou sentindo um chakra fraco, sente?
— É o chakra dela — Sua voz irritada foi trocada por preocupação.
Forçou a porta a abrindo com facilidade, a luz na sala de estar estava acessa mesmo estando claro, havia um bolsa molhada no sofá cor creme, os móveis estavam empoeirados e um par de sapatos vermelhos enlameados sujava o carpete branco.
Andaram na direção do chakra da rosada e pararam na cozinha diante a cena que viam.
— Sakura-chan...? — Naruto correu para o lado dela.
Sakura estava lá, desmaiada. Seu corpo estava pálido, seus cabelos úmidos assim como suas roupas, dois frascos de remédios estavam no chão assim como cacos de um copo de vidro que provavelmente caíra de sua mão. Os cacos cortavam seus pés e parte de sua perna. Aproximou-se também.
Ele imaginava a encontrar de tantas maneiras diferentes, mas não imaginava que ia a encontrar nesse estado. Ajoelharam no chão certificando de que ela respirava, suspiraram aliviados ao sentir também seu pulso. Naruto parecia ter se esquecido da raiva que estava da amiga, balançava-a tentando fazer com que acordasse o que foi inútil.
Estressou-se Naruto ia realmente ficar balançando-a ao invés de fazer algo? Pegou-a no colo a aninhando em seus braços. Sakura estava tão leve que ele mal sentia seu peso.
— Pegue os frascos de remédio.
Disse para Naruto enquanto saia com a rosada no colo pela porta da frente. Foi pulando de telhado em telhado até chegar ao hospital, ir caminhando nas ruas chamaria muita atenção. O loiro ia atrás de si, com os frascos na mão e falando coisas que ele não entendia.
— Chamem a vovó, por favor! — Naruto praticamente subira no balcão quando chegaram ao hospital.
— Não podemos chamá-la, só quando é de extrema emergência e...
— É a pupila dela! Vai logo chamá-la. — Respondeu nervoso.
Uma enfermeira chegou com uma maca e o vingador deitou-a na maca e se sentou nas cadeiras da recepção ao lado de Naruto que na verdade não sentou, ficou andando de um lado para o outro.
— O que será que deu nela?
— Como eu vou saber dobe?
— Ah teme! Pare de ser chato.
♦ ♦ ♦
Examinou mais uma vez a pupila e os remédios que Naruto trouxera perguntando-se o que diabos teria feito a rosada fazer aquilo consigo mesma. Como médica ela sabia que aqueles remédios eram fortes e que não podia ser usados continuamente (coisa que ela fizera). O remédio fora usado em tamanha quantidade que ao invés de fazer bem estavam fazendo mal a ela. Uma parada cardíaca, Sakura quase tivera uma parada cardíaca graças aos remédios.
— Por que diabos você fez algo assim com si própria, Sakura?
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