Espelho
41 Capítulo 41: ESPERANÇA MÚTUA
Notas iniciais
ESPELHO
Escrita por Coffee
CAPÍTULO 41: ESPERANÇA MÚTUA
Acordou com o barulho de roupas roçando em pele. Sua visão embaraçada foi voltando aos poucos. Virou-se na cama procurando por Sasuke, mas ele não estava lá. Desesperada varreu o olhar pelo quarto, até encontrá-lo abotoando sua calça ao lado da cama.
Suspirou em alívio e sentou-se com as costas na cabeceira da cama segurando o lençol branco sobre seu corpo nu.
— Está tudo bem? — Sua voz saiu incrivelmente rouca.
Sasuke acenou positivamente e procurou sua camiseta até acha-la perto da cômoda, onde vários itens se encontravam no chão.
— Tsunade me chamou.
— Um ANBU veio aqui? — Sentiu suas bochechas queimarem feito fogo.
Ele acenou positivamente com a cabeça.
Céus esperava que o ninja fosse silencioso! Sua guarda estava tão baixa a ponto de não notar que outro ninja entrara ali, falara com Sasuke e saíra sem que ela percebesse? Que tipo de ninja era ela?
Mas lá no fundo ela sabia muito bem que não era seu sentido ninja que havia falhado. Não era desatenção. Era proteção. Ela não acordara porque se sentia proteida. Sentia-se protegida com Sasuke.
Saindo de seus pensamentos, observou-o acabar de se vestir. Ele não a olhou, apenas deu meia volta saindo do seu quarto.
Era isso?
Eles haviam passado a noite juntos e ele saia sem nem ao menos se despedir?
Remexeu-se sentindo seus olhos marejarem.
— Sakura?
O Uchiha estava com uma das sobrancelhas negras arqueadas como se estivesse a chamando há tempos, enquanto sua mente fluía em palavrões.
— Que horas sai do hospital hoje?
Sua mente estava confusa. Tentando segurar as lágrimas que não sabia por que estavam lá, tentou se concentrar nas palavras que eram pronunciadas por ele.
— Meu plantão acaba as nove.
— Vou te buscar.
Ele disse e saiu andando, dando as costas para si novamente. Sua mente confusa vacilava entre o estado se alegria e dúvida, não sabia ao certo qual das duas emoções eram mais intensas.
Ouviu a porta da frente abrir e fechar em seguida. Suspirou, levantando da cama levando o lençol consigo cobrindo seu corpo nu. Deu dois passos quando a porta foi aberta novamente. Antes de tentar identificar o chakra, Sasuke estava novamente na sua frente no batente da porta.
Sentiu suas bochechas queimarem quando ele a olhou, visto que apenas o fino lençol branco cobria seu corpo.
Viu-o balançar a cabeça duas vezes em sinal de dúvida, e notou que o olhar dele mostrava preocupação.
— Eu... Eu não lhe machuquei não, machuquei?
Confusa demorou a entender a pergunta. Sentindo as bochechas queimarem feito fogo, se apressou em balançar a cabeça negativamente.
— Não, é claro que não.
Viu-o respirar como se estivesse tirado um peso das costas, e acenar positivamente com a cabeça, em seguida ele saiu, dessa vez definitivamente, deixando-a com um sorriso no rosto.
♦ ♦ ♦
Ainda era cedo. Poucas pessoas andavam na rua e nenhuma delas pareceu notar sua presença.
Amaldiçoou-se por vezes seguidas pelo o que tinha feito. Onde estava com a cabeça ontem à noite para voltar na casa de Sakura? Para beija-la? Para fazer sexo com ela? E onde estava com a cabeça agora cedo para comprometer-se a busca-la no hospital, como um... Como um... Companheiro, como um... Namorado faria.
Eles não eram namorados. Eles não tinham uma relação. Só eram ex-companheiros de time, porque nem no mesmo time estavam mais. Ou era mais do que isso?
Praguejou-se pelas suas atitudes. Apesar de estar furioso consigo mesmo, o arrependimento não estava em nenhuma parte. E não sabia ao certo por que.
O que ele havia feito fora errado. Isso não tinha duvida. Mas não conseguia se arrepender.
Ele havia beijado Sakura, dormiu na mesma cama que ela, havia dado esperanças para ela.
“Uma esperança para os dois.”
Sua mente gritou. Ignorou o protesto da sua própria mente.
Ainda havia esperança? Ainda havia esperança para ele?
♦ ♦ ♦
Mordendo o lábio inferior, esperou por Sasuke na saída do hospital. Olhou o relógio no pulso, era nove e vinte e nove.
“Já era para ele ter aparecido”.
Pensou.
Ele... Havia desistido? Desistido dela? Desistido... Deles?
Confusa sentou-se nos degraus da escadaria no hospital.
Os minutos passaram e ele não aparecia.
Lágrimas se formaram nos seus olhos. Algo havia acontecido com ele? Ou ele simplesmente queria deixar claro que não havia nada entre eles?
Depois de mais minutos, a primeira lágrima finalmente caiu.
Levantou-se tirando a sujeira da sua calça, e olhando no relógio mais uma vez, andou rumo a sua casa, sozinha.
Nove e cinquenta e dois.
Segurando a bolsa contra o corpo, o letreiro de uma farmácia brilhou em sua visão. Passou as costas da mão pelo rosto várias vezes, antes de subir o único degrau da farmácia.
— Uma cartela de calmantes.
Disse ao vendedor de idade avançada.
— Uma não, duas.
Corrigiu, enquanto seu coração parecia querer sair do peito.
Pegou as cartelas na mão, pensando em como aquilo era errado. Mesmo assim pagou pelos remédios e andou apressadamente para sua casa.
Abriu a porta com pressa, sentindo as lágrimas voltarem a cair.
Jogou a bolsa no sofá, trancando a porta e andou rumo a seu quarto. No caminho, tropeçando na escuridão concentrou-se em tirar dois comprimidos da cartela. Quando acendeu a luz, ainda com os comprimidos na mão, viu a bagunça no chão que não arrumara cedo.
Seu pijama ainda estava no chão, assim como sua calcinha, e perto de sua cômoda, o abajur também caído com a lâmpada quebrada, o seu pente azul e um espelho redondo espatifado em vários cacos também descansavam no piso do seu quarto.
As lágrimas salgadas desceram ainda mais pelo seu rosto, e desistindo, abriu as mãos deixando que os dois comprimidos caíssem no chão, apagou a luz e cambaleou até a cama, tirando os sapatos com os próprios pés.
Jogou-se na cama, deitando por cima dos lençóis e da colcha de retalhos. Procurou na escuridão pelo seu travesseiro, e o abraçou.
O travesseiro estava com o cheiro de Sasuke, e aquilo a acalmou mais do que qualquer calmante teria feito.
♦ ♦ ♦
Com o braço cortado, sentiu a presença atrás de si.
Sua katana estava longe, mas não importava.
O ódio percorria pelo seu corpo, e inundava sua cabeça. Podia sentir a adrenalina, o gosto de sangue em sua boca.
Viu o ninja desviar de seu ataque. Tentando não ser atacado – já estava machucado o suficiente -, atacou o ninja de surpresa conseguindo o que queria, conseguindo com que o ninja olhasse diretamente em seus olhos.
Sorriu com o ódio preenchendo o seu corpo.
Quando observou o ninja cair sem vida, minutos e minutos depois, cambaleou sem forças. E embora soubesse que seus olhos negros estavam de volta, só conseguia enxergar cor-de-rosa a sua frente.
♦ ♦ ♦
Entrou no hospital sem animo. Seus olhos estavam inchados, mas ninguém pareceu perceber isso. Depois de checar meia dúzia de pacientes, entrou em sua sala.
Sentou, observando o lixo cheio, procurando nas gavetas por uma sacola, observou com mais atenção o topo do seu cesto de lixo cheio de papeis.
Havia um papel amassado, amarelo, do seu bloco de notas. Ela nunca tirava folhas do seu bloco de notas.
Pegou o papel rasgado, e o desamassou.
A oito quilômetros da saída da vila, as dez. Temos assuntos pendentes.
O bilhete não estava assinado, mas sabia de quem era.
E junto com o medo percorrendo seu corpo, veio a duvida, por que o bilhete estava no lixo se ela não havia o jogado?
Ouviu batidas na sua porta e antes que respondesse Shizune passou por ela.
— Quarto setenta e nove.
Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, a morena saiu.
Levantou andando pelos corredores do hospital, bateu na porta do quarto três vezes, mas não ouviu resposta.
Abriu a porta sentindo os olhos arregalarem e marejarem.
— Sasuke-kun?
Não houve resposta.
Fale com o autor