Espelho

14 Capítulo 14: MÁSCARAS CAÍDAS


Notas iniciais
Obrigada por todo o apoio, boa leitura!

ESPELHO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 14: MÁSCARAS CAÍDAS

Bateu na porta antes de entrar. Sentia-se inquieta, esquecera-se de perguntar para Tsunade se Hinata sabia que estavam desconfiando dela. Tinha medo de entrar ali e ver que Hinata estava como no seu sonho, decepcionada.

— Hey — Disse baixinho, Naruto roncava no sofá.

— Olá Sakura-san.

Hinata sorriu delicadamente para ela. Seu coração se aquietou, ela não sabia de nada. Agradeceu mentalmente a quem quer que fosse que não havia deixado contarem para Hinata.

— Sinto muito por não ter trazido flores — Seu rosto ficou vermelho — Eu estava no escritório de Tsunade e...

Não completou a frase, estava envergonha. Hinata havia lhe trazido flores e mimos todos os dias em que a visitara lhe trouxera até um livro uma vez, e ela havia entrado no quarto de mãos abanando.

— Tudo bem, não tem problema.

Sorriu e olhou para o loiro que estava no sofá ainda dormindo, Hinata seguiu seu olhar, as duas sorriram minimamente e ela sentiu lá no fundo uma esperança que as coisas dessem certo novamente.

♦ ♦ ♦

Hinata havia lhe dito que Sakura tinha estado ali para visitá-la. Imaginou o que havia acontecido para Tsunade a deixar entrar ali, já que a ultima vez que tinha conversando com a Baa-chan ela havia proibido a entrada de Sakura.

Não achou ruim o fato de Tsunade deixar que Sakura visse Hinata, sabia que a rosada deveria estar louca para vê-la. Ele sabia que não havia sido a médica a envenenar sua namorada, por mais que ela estivesse nervosa ou magoada nunca, jamais faria algo como aquilo.

Pensou sobre as duas coisas que Sasuke havia lhe dito. Primeiro: Ele precisava conversar com Sakura, sabia disso, há alguns dias – semanas talvez – seu amigo lhe disse que deveria falar com ela, dar uma nova chance para ela, mas no tumulto entre missões, sair com Hinata e agora ficar no hospital com não tinha tido tempo para falar com ela. Pretendia fazer isso assim que pudesse.

Segundo: Sakura parecia saber de algo. Ele não entendeu muito essa frase de Sasuke. Ele havia pedido algumas vezes que Sasuke fosse vê-la e que não contasse para ela, mas Sasuke pouco contava sobre o que eles falavam ou algo do tipo, só dizia como ela estava fisicamente e emocionalmente e depois ficava em silêncio como sempre. E se Sakura sabia de alguma coisa, estava disposto a falar com Sasuke e descobrir o que.

Olhou para Hinata que dormia e sorriu. Casaria em breve, e talvez fosse bom fazer as pazes com sua amiga logo, antes estava disposto a realmente não falar mais com ela, mas depois do que Hinata e Sasuke haviam falado a ele, resolveu dar mais uma chance para sua amizade.

DOIS DIAS

Olhou para o homem na sua frente assustada. Como odiava esses mensageiros de Tsunade, qual era o problema deles com portas? Por que não podiam simplesmente bater na porta e dar o recado ao invés de aparecerem assim, no meio da sua sala do nada?

Ele jogou um pergaminho no seu colo como uma espécie de bilhete e saiu sem dizer nada – que educado – pensou.

Ficou animada já antes de abrir, não havia falado com Tsunade ainda, não depois que havia ido à sala dela, havia ido visitar Hinata no hospital ontem, mas a morena já estava de malas prontas acompanhada de Hiashi, apenas a cumprimentou e depois foi embora.

Pensou que talvez Tsunade tivesse encontrado algo para provar sua inocência. Abriu o pergaminho.

“Pode voltar a trabalhar, estou tentando acalmar Hiashi até acharmos uma saída.”

Só isso? Só isso? Deu os ombros, pelo menos podia voltar a trabalhar.

♦ ♦ ♦

Sorriu minimamente enquanto assinava sua ficha de saída do hospital. Já era tarde, mas estavam com poucos médicos em Konoha, então cada um tinha que fazer grandes turnos para que os outros pudessem descansar e assim por diante.

Abraçou os próprios braços finos tentando buscar algum conforto assim que saiu na rua, o vento frio lhe atingiu e um arrepio percorreu seu corpo, amaldiçoou-se mentalmente por não ter trazido um casaco.

Ninjas sabiam tolerar os problemas com o tempo, mas ela estava há tanto tempo sem sair para uma missão de verdade que havia se desacostumado com isso. Sentia falta desse tempo, das missões, de poder ajudar alguém o salvando do perigo, isso fazia com que ela se sentisse menos inútil.

Seu tempo na ANBU foram tempos que ela realmente gostaria de voltar, apesar de ter sofrido e se machucado – muito – nesse tempo, ficara feliz em conhecer novos ninjas, fazer alguns colegas de trabalho e não mais ser tratada como um fardo.

Não chegou a fazer muitas missões como ANBU, foram quatro ou cinco meses antes de partir para a missão de Tsunade, apesar de não terem sido muitas foram todas missões importantes, em que um erro poderia ser fatal.

Geralmente viajava para essas missões em trio, ou em dupla, apenas uma ou duas vezes que fora sozinha, quando as missões eram um pouco mais simples. Gostava desse tempo, talvez, pensou lá no fundo, talvez ainda pudesse voltar a ser um ANBU, se tivesse sorte.

Virou para trás assustada quando ouviu um barulho vindo de algumas árvores que acompanhavam na beirada da rua de terra em seu caminho até sua casa. Olhou para trás, estava escuro e não havia ninguém na rua, teve um calafrio.

Voltou a andar, ouvindo os sons dos seus sapatos. Um pássaro gralhou alto de cima de uma árvore, procurou por ele, mas não achou. Deu mais alguns passos, o vento bateu forte fazendo seus cabelos voarem.

Ficou em alerta, abraçou o corpo como forma de conter o frio, mais um barulho, olhou para trás e gritou.

— Tudo bem?

— Oh! — Colocou a mão no coração.

— Está branca feito papel.

— Sasuke! — Sua respiração estava pesada devido ao susto — Me assustou.

— Percebi.

Ele estava apenas com uma blusa preta sem mangas, e não parecia se importar com o frio, ao contrário dela. Ele se aproximou, passou do lado dela e continuou andando. Deu dois passos apressados para acompanha-lo.

— O que está fazendo aqui?

— Sai do escritório de Tsunade, ela me chamou para passar uma missão. E você?

— Voltei a trabalhar.

— Hum.

Olhou para frente, faltavam alguns quarteirões para sua casa, sabia que a casa de Sasuke era no mesmo rumo que a sua, mas daqui alguns quarteirões ele desviaria do caminho, para chegar ao distrito Uchiha.

— Tsunade acreditou que você é inocente?

— Não sei... Acho que sim. Ela disse que faria algo, mas até agora a única coisa que fez foi me deixar voltar para trabalho.

Ele não respondeu, apenas continuou andando. Teve que dar mais dois passos apressados para acompanha-lo novamente, — ele anda rápido demais – pensou. Mas não percebeu que apenas para acompanha-lo em uma caminhada normal já estava arfando.

— Deveria parar de tomar aqueles remédios, estão acabando com você.

Olhou para ele com os olhos arregalados, como... Como ele sabia? Ela tinha certeza que ele assim como os outros pensavam que ela tinha largado deles.

— O que? Acha que realmente acreditei que você parou de tomá-los? Não consegue nem me acompanhar em uma caminhada muito lenta, diga-se de passagem, esses remédios estão acabando com o seu corpo.

— Ah! Desculpe se não tenho o mesmo potencial físico que um grande Uchiha!

— Não estou dizendo que não tem, estou dizendo que está perdendo.

Não falou mais nada, nem ele. Continuaram andando, fez mais esforço para finalmente andar ao lado dele e provar que ele estava errado, mas ela sabia que ele não estava errado, estava totalmente certo – ele sempre estava – pensou.

Parou quando ele também parou perto de duas ruas, seu caminho continuava até duas casas a frente na rua à direita, enquanto ele deveria seguir para a esquerda. Não soube o que falar. Nem ele.

— Hum, hum... Boa noite.

Ele acenou positivamente com a cabeça, e continuou andando rumo a casa dele. E ela apenas ficou lá, parada, enquanto o via sumir aos poucos entre as vielas escuras de Konoha. O sentimento de perda abateu-se novamente sobre si.

♦ ♦ ♦

Tirou a roupa, precisava tomar um banho. Ficara realmente impressionado ao ver Sakura na rua à uma hora daquelas. E ainda por cima ele havia mentido – odiava mentiras – primeiro perguntou algo idiota como ‘voltou a trabalhar?’ mas ele já sabia que a resposta seria afirmativa, Tsunade tinha lhe dito que a deixara trabalhar.

Depois, fingiu que não sabia de nada, e terceiro acabou contando que sabia que ela ainda tomava os remédios. Não havia falado sobre isso com ninguém, não se sentiria a vontade invadindo a privacidade dela e conversando com Naruto, por exemplo, sobre problemas que pertenciam a ela.

E por quarto, não falou nada e não contou a ela que ao contrário do que ele dissera Tsunade não queria falar com ele sobre uma missão, pois mal sabia a médica, mas a loira embriagada e ele estavam conversando sobre ela.

♦ ♦ ♦

Quando chegou a sua casa arfava em cansaço. Jogou a bolsa em cima do sofá. E tirou os sapatos azuis. Jogou-se no sofá, estava fazendo muito isso ultimamente (se jogando no sofá) pensou em levantar e fazer algo para comer, mas a coragem não veio.

Pensou em levantar e ir buscar seus remédios, para ver se conseguia se sentir melhor, mas nem com coragem para isso estava.

Finalmente sua máscara de determinação caiu, por mais que ela quisesse que ela ficasse mais tempo lá, deitou no sofá em uma posição pouco confortável e abraçou seus joelhos.

Não chorou, não gritou, não fez nada, apenas ficou lá, pensando em como iria reerguer sua vida, havia cansado de viver assim, precisava se reerguer, ela sempre se reerguia.

Por mais que não fosse se casar com ninguém, por mais que não fosse ter uma família, por mais que fosse ficar sozinha o resto da vida, pelo menos podia ficar sozinha e feliz... Riu sem humor, a quem queria enganar?

Mais cedo quando ia ao hospital naquele mesmo dia havia visto Shikamaru e Temari – nenhum dos dois lhe cumprimentaram – mas eles estavam lá, juntos, a loira sorria para ele como se ele fosse sua razão de viver, ele enlaçou suas mãos grandes na dela com discrição, mas apenas a rosada pareceu perceber, e ele sorriu minimamente para a mulher ao seu lado.

A dor em seu peito piorou com a lembrança. Por mais que quisesse acreditar que ficaria bem sozinha, não queria isso, estava cansada de ser sozinha, queria, nem que fosse uma única vez alguém para cuidar de si, para sorrir para ela e enlaçar seus dedos no dela da mesma forma que o casal de ninjas fazia hoje de manhã.

Queria ser amada.

Notas finais
Se tiverem dúvidas é só deixar nos reviews que respondo no próximo. Espero que tenham gostado. Muitas coisas irão acontecer nos próximos capítulos - coisas que algumas pessoas pediram nos reviews para não acontecer -, porém não fiquem bravos, tudo que vai, volta. As coisas irão se acertar logo, tudo entrará no seu devido lugar, pessoas vão sim pagar pelos erros que cometeram. Até o próximo.