Espelho

15 Capítulo 15: AMIGO URSO


Notas iniciais
Peço desculpas pelo o que irá acontecer nesse capítulo, principalmente para a Biazacha, que pediu muito para que isso não acontecesse, espero que me perdoe e que não desista da história, acredite, isso foi necessário para dar continuidade a história, espero que os outros leitores que não aprovem isso me perdoem também. Boa Leitura.

ESPELHO

Escrita por Coffee

CAPÍTULO 15: AMIGO URSO

— Ela lhe contou algo?

Balançou a cabeça negativamente.

— Seria mais fácil se fosse Naruto em seu lugar...

Acenou positivamente com a cabeça.

— Ela se sentiria mais a vontade com ele, já que são amigos de longa data.

Não fez nada.

— Você tem ido a casa dela?

Balançou a cabeça positivamente.

— Ora Uchiha! Esse seu jeito de se comunicar está me incomodando.

Levantou uma das sobrancelhas elegantes, enquanto olhou para a cara da loira embriagada. Permaneceu em silêncio.

♦ ♦ ♦

Enquanto caminhava até a casa de Hinata viu Sakura na rua. Ela usava um jaleco branco, supôs que ela estava indo para o hospital. Sentiu uma vontade absurda de correr até ela, de lhe abraçar e dizer que tudo estava bem.

Sabia que a médica estava sendo acusada injustamente, visto que ela jamais teria coragem para envenenar Hinata. Por mais que ainda estivesse com raiva dela, não aguentava vê-la daquele jeito.

Ainda se perguntava o que acontecera com ela no último dia que ele foi até sua casa. Ela estava machucada, e tão... Frágil.

Era como ela estava agora, frágil. Ela era pequena, embora ele fosse baixo na infância, na adolescência ele havia crescido muito mais do que ela. Mas ela estava magra e isso dava a impressão que era menor ainda.

Ela estava encolhida, como se não quisesse que ninguém percebesse que ela estava ali, como se quisesse ser invisível.

Andou falando com Sasuke há uns dias atrás sobre isso, tinha certeza que Sasuke e Tsunade sabiam de algo, o moreno andava misterioso e ia sempre a casa dela. Fosse o que fosse ele queria descobrir e logo.

Acompanhou-a com o olhar até que ela passou pelas portas duplas do hospital.

♦ ♦ ♦

Quando Shizune entrou apressada na sua sala Sasuke ainda estava lá, encostado na parede parecendo alheio a tudo que ela falava.

— Eles sumiram.

Nem ela nem Sasuke pareceram entender a frase de Shizune.

— Os três, sumiram.

Sasuke levantou a sobrancelha mais uma vez. Ele não sabia das coisas que ela sabia, não sabia sobre os três caras que atormentaram Sakura. Não sabia sobre o que havia acontecido com Sakura, nem de nada relacionado a isso.

Quando ela pediu para ele que quando pudesse e que quando não estivesse em uma missão tentasse se reaproximar de Sakura e descobrir algo não havia contado a ele sobre os três.

Mas ela sabia que ele não perguntaria sobre isso, ele nunca perguntava sobre nada. Aquele garoto era um silêncio, agradeceu mentalmente por ele não se meter nem perguntar sobre nada.

— Agora pode ir Sasuke.

Ele fez uma mínima referencia com a cabeça e saiu. Olhou para Shizune e colocou as mãos nas temporãs, queria mais é se livrar daquele cargo e jogar todos os problemas e as pilhas e mais pilhas de papéis em cima de Naruto.

♦ ♦ ♦

Trabalhou com vontade. Agarrava-se a qualquer fiapo – por menos que fosse – de seu trabalho, a conversa com algum paciente, curar algo que não precisava ser curado – como um arranhão no braço de uma criança – e outras coisas que não precisavam de seus cuidados, tudo isso para esquecer-se dos seus problemas.

Andou até sua sala quando estava quase no fim de seu expediente. Não queria ir para casa, talvez pudesse falar com Shizune e pegar o turno dela também. Sentou-se na cadeira da sua sala no hospital e percebeu que seu chakra já estava pouco – ela havia gastado muito ao longo do dia – e com toda certeza Shizune a mandaria para casa.

Estava tão distraída, que não ouviu quando bateram na porta, só acordou quando a maçaneta estava sendo virada. A figura entrou e encostou a porta novamente.

— Hey — Sua voz estava calma, baixa e rouca.

Arregalou os olhos. Tanto pelo som da voz tanto pela visita. Abriu a boca para responder, mas nada saiu de sua boca.

— Podemos conversar? — Ele tentou novamente.

Acenou positivamente apontando para a cadeira a sua frente separada apenas pela mesa de mogno. Ele se sentou parecendo desconfortável na cadeira aparentemente pequena demais para seu corpo desajeitado.

Pode sentir o cheiro do perfume dele, amadeirado, e mesclado com algo como loção de barbear. Tentou dizer algo, mas não conseguiu mais uma vez – se amaldiçoou mentalmente pela sua falta de coragem – e olhou para os cabelos loiros desgrenhados.

— Eu... Vou me casar.

Acenou positivamente com a cabeça, Shizune havia lhe dito há alguns dias atrás, na hora havia ficado decepcionada por Naruto não ter lhe contado de um momento tão especial em sua vida, mas depois se lembrou do quão bravo ele estava, é claro que ele não viria até ela contar.

— Shizune contou... Fico feliz por você.

— Você anda qualquer coisa esses dias, menos feliz.

Deu um sorriso falso. E olhou para baixo.

— O que está acontecendo Sakura-chan?

Olhou para baixo. Não sabia o que dizer, sentiu o olhar do loiro sobre si.

— Eu... Não sei.

Ele olhou nervoso, mas logo em seguida seu olhar se acalmou. Viu-o coçar a cabeça e dar um sorriso nervoso e triste.

— Você... Sabe que estão desconfiando de mim por ter envenenado Hinata não é? — Ele acenou positivamente com a cabeça — E... Acredita que não fui eu?

— Sim.

Seus olhos mais uma vez se arregalaram. Ele olhou com o olhar de determinação que sempre estava lá para si. Sorriu minimamente, pelo menos ele acreditava nela.

— Naruto... Eu... Sinto muito por tudo que fiz. Sei que lhe magoei e realmente me arrependo das coisas que fiz, de como lhe deixei... Há algumas coisas que não posso falar agora... Eu só peço que confie em mim...

Ele não disse nada.

— Eu preciso falar com Tsunade primeiro... Mas vou lhe contar o que tem acontecido assim que falar com ela, eu prometo... Eu só peço que... Que me perdoe que me dê mais uma chance.

— Eu... Não vou dizer que será fácil, quer dizer... Perdoar-te, porque não será. Mas... Eu também lhe devo desculpas, não tive paciência com você e não deixei que você se explicasse.

— Está tudo bem... Então... Estamos bem?

— Podemos... Tentar. Sim?

Acenou positivamente com a cabeça, apesar de não ter gostado da resposta do loiro, pelo menos teria uma chance.

— Vim lhe dizer que faremos um jantar de noivado, Hinata e eu. Será na sexta, na casa de Hinata. Ela disse que lhe convidaria, mas... É importante para mim, pensei que eu mesmo deveria lhe convidar.

Acenou novamente positivamente com a cabeça. Viu ele se levantar da cadeira, o móvel fez um ruído e se afastou conforme ele lhe empurrava com suas mãos grandes.

— É... Já estou indo.

Novamente ele girou a maçaneta.

— Naruto!

Levantou-se da cadeira rapidamente, e só percebeu o que estava fazendo quando lhe envolveu em seus braços finos. Sorriu minimamente quando sentiu as mãos dele pararem em suas costas e lhe afagar carinhosamente. Alargou o sorriso encaixando a cabeça no ombro do loiro, antes de sentir seus pés doendo por ficar na ponta do pé.

♦ ♦ ♦

Ainda podia sentir os braços pequenos de Sakura em volta de si quando saiu do hospital. Não sabia nem ao menos porque tinha ido lá naquela hora... Só sentiu vontade e foi.

Não aguentou não ir depois de vê-la andando pela rua de manhã. E ficou feliz pela evolução da relação deles. Embora não fosse como antes, era um bom começo.

Colocou as mãos na testa, como forma de desviar do sol que estava se ponto, e enxergar a figura pálida de cabelos negros a longe.

Saiu correndo e gritando. Quando ele ouviu olhou irritado pelo loiro chamar tanta atenção assim na rua, ainda mais gritando seu nome.

— Sasuke! Sasuke!

— Ora Naruto, você já está na minha frente não precisa gritar.

— Foi mal teme — Coçou a cabeça e deu um sorriso sem graça — Quer beber algo no Ichiraku?

Viu Sasuke acenar positivamente e ir andando com as mãos no bolso da calça preta deixando-o para trás. Correu para acompanhar o moreno.

— Fui ver Sakura-chan.

Comentou enquanto bebia sakê em uma das mesas que Ichiraku tinha adicionado no seu estabelecimento. Pela grande quantidade clientes que ele tinha havia aumentado o lugar e começado a vender outras coisas além de rámen.

Sasuke não comentou nada, apenas continuou bebendo seu sakê. Embora ele não tenha demonstrado nenhuma opinião sabia que ele estava esperando que ele contasse mais, conhecia Sasuke.

— Fiz o que você me disse, tive mais paciência. Ela pediu desculpas novamente, e disse que me explicaria tudo depois. Alias, irei fazer um jantar de noivado, sexta-feira na casa de Hinata.

Viu o moreno fazer uma aceno com a cabeça. Olhou para Sasuke e pensou em Sakura, será que... Não fazia muito tempo... Ela com certeza já havia esquecido a sua paixão por ele... Ou não. Será que... Sakura ainda gostava de Sasuke?

Notas finais
Bem, agora que leram, acho que podem entender o que eu quis dizer lá em cima. Sakura perdoou Naruto facilmente. Mas não se preocupem, muita coisa ainda vai acontecer, e ninguém vai sair imune disso. Até o próximo! ♥