Notas iniciais
Hey Peixinho .Essa One está curtinha e bem triste , mas espero que voces gostem...

Emma Stoll Gardner

É dia 24 de Dezembro, véspera de Natal. O dia já está escuro, a neve caia em todos os lugares, deixando um tapete branco e fofo nas ruas.

As lagrimas escorriam livremente pelos meus olhos, e eu não me importei. A dor é forte, talvez eu nunca vá supera-la.

Senti as mãos da tia Miranda segurando meus ombros. E mesmo não olhando para ela, eu sabia que ela também tinha lagrima nos olhos.

–Tia Miranda- minha voz quase não saia- você deixa eu ficar um momento a sós com eles? Sabe eu... eu quero desejar Feliz Natal.

–Mas Emma...

–Vamos Miranda- falou meu tio Connor- Emma é bem grandinha, já tem 16 anos, ela pode ficar alguns minutos sem você.

–Tudo bem- Tia Miranda deu um beijo na minha bochecha- te esperamos lá fora.

Fechei forte os olhos. Tio Connor me deu um abraço antes de sair e sussurrou:

–Fique o tempo que quiser.

Quando fiquei finalmente sozinha, suspirei e encarei as duas lapides na minha frente. Elas não eram muito novas, 15 anos. Fiz duas flores crescerem, um do lado da lapide de meu pai e outra na da minha mãe.

–Oi pai, Oi mãe- dei um sorriso fraco. Respirei fundo e expirei.

–Já faz anos que eu não venho visitar vocês, e eu... eu queria desejar Feliz Natal. Então Feliz Natal.

Me levantei, pronta para ir embora. Mas algo me fez querer ficar, eu tinha que dizer coisas que estavam entaladas na minha garganta. Então me sentei novamente, no meio das duas lapides.

–Falam que eu me pareço muito com você mãe, que tenho os seus olhos. E eu queria poder saber se isso é verdade. Também falam que eu sou muito agitada e marota como você papai.

Tirei os flocos de neve que insistiam de cair bem em cima das lapides.

– Eu.. eu tenho orgulho de vocês dois. Muito orgulho. Tenho orgulho de vocês terem se sacrificado para salvar o acampamento. Orgulho por não terem tido medo da morte. Orgulho por terem sido tão corajosos. Tenho até mesmo orgulho por terem me deixado, me deixado para irem salvar o acampamento.

Sorri de leve e comecei a fazer mais flores aparecerem.

–Eu herdei seu dom, mamãe, posso fazer flores e arvores aparecerem do nada. E posso correr tão rápido quanto você papai. O que eu vou falar agora pode ser meio egoísta e infantil, mas mesmo tendo orgulho de vocês, eu queria que vocês tivessem sido covardes. Queria que tivessem ficado em casa, cuidando de mim ao invés de terem ido lutar contra Cronos de novo. Tio Connor e Tia Miranda vivem me contando histórias de vocês dois. Amo escutar como você era bonita mamãe. E como você era travesso papai. Amo escutar de como os dois eram corajosos. De como brigavam. Amo escutar que foi em uma noite de Natal que vocês admitiram que se amam.

Agora, onde tinha neve tinha flores. Varias flores em volta das lapides.

–Sabe, eu estou namorando. O nome dele é Luke Grace Di Angelo. Filho dos amigos de vocês Thalia e Nico. Foi surpreende-te para todos quando eles admitiram que estavam namorando. Todos falam que eu e Luke parecemos vocês. Já que nós vivíamos brigando. Eu queria que você estivesse aqui papai, para falar que eu sou muito nova para namorar e fazer aquela típica pergunta: “Quais são suas intenções com a minha filha” E eu queria que você estivesse aqui mamãe, para me perguntar se eu amo mesmo ele. Para me dar dicas sobre como me vestir nos encontros.

–Tio Connor e Tia Miranda sempre me dizem que eu posso chama-los de pai e mãe. Mas eu acho errado. Eles não são vocês.

–Mamãe, você sabia que eu já conheci minha avó Demeter ? Foi no meu aniversario de 15 anos. Ela me falou tanto de vocês. Falou de como eram briguentos, e de como ela reprovava o namoro dos dois. Depois dela, meu avô Hermes apareceu também, e contou varias histórias e pegadinhas interessantes. Outra deusa que eu conheci foi Afrodite. Ela é bem legal, meio maluquinha mas legal. A história dela foi a que mais me emocionou. Ela contou de como tinha um roteiro pronto para vocês. Que vocês iriam ser amigos desde pequenos e depois namorariam escondido. Mas ela contou que o roteiro não deu certo. Que vocês dois se odiavam. Mas que esse ódio era amor reprimido. Ela disse uma frase que não sai da minha cabeça: “O amor deles, foi tão natural, tão bonito, tão diferente” Eu sei que não é uma frase de impacto. Mas é a frase mais bonita que eu já ouvi.

As lagrimas já tinham parado de descer, eu me levantei e encarei as duas lapides.

– Eu queria que vocês estivessem aqui. Feliz Natal.

Então eu fui embora.