Especial: Dia dos Namorados da Fairy Tail

1 Caindo aos pedaços — Erza e Jellal


Notas iniciais
Hey, minna! Este é o primeiro conto, como casal principal Erza e Jellal ♥ Eu usei como inspiração a música Fall to Pieces, da Avril Lavigne. Se vocês quiserem ouvi-la enquanto leem, eu recomendo. Amo tanto essa música *o* sei lá, achei que combinasse com esse casal.Enfim, espero que gostem. Tenham uma boa leitura!

Erza estava repousada numa árvore sob o céu estrelado de Magnolia. Naquele momento ela apenas queria permanecer ali e aproveitar a plenitude da noite serena e estrelada. Dali à uma hora seria o Dia dos Namorados, um dia especial para todos os apaixonados, todos aqueles que podiam ter seus amores por perto. No entanto, não para Erza.

Para Erza era um dia qualquer. Um dia qualquer porque, embora ansiasse muito por isso, a única pessoa que ela amara fortemente na vida não poderia estar com ela. Talvez nunca pudesse, nunca fosse possível.

Portanto, apreciar as estrelas durante aquele tempo era a única coisa que poderia reconfortá-la, como se ela pudesse vislumbrar seu amado no meio das estrelas, como se as constelações fossem um código para Erza, onde seu amado dizia “estou aqui, estou lhe admirando através das estrelas”. Ela sentia que, em algum lugar, ele também olhava para as estrelas. Erza sempre havia sido tão valente, tão forte, mas eram apenas camadas que encobriam suas emoções mais frágeis, seus sentimentos em relação ao seu amado que lhe apertavam o coração.

Aquilo parecia tão impossível. Tão terrível. Erza precisava manter sua postura rígida e confiante, mas, ao pensar nele, era como se tudo desmoronasse em si. Ela não pensava mais nas coisas terríveis que ele a fizera passar no passado, não mais. Aqueles pesadelos, as lembranças sombrias não a afetavam mais. Erza aprendeu a bloqueá-las. Agora, ela pensava no presente e futuro. Pensava se, algum dia, os dois pudessem ficar juntos, sem receios. Se em algum dia poderiam viver em paz, construir uma família juntos. Serem felizes.

Mas quando Erza pensava nas coisas que os impediam de ficar juntos, ela simplesmente caía aos pedaços. Ela sabia que precisava dele, sabia o quanto sentia a necessidade de estar perto de seu amado, por mais difícil que fosse.

Antes que pudesse evitar, lágrimas mornas escorriam pelo rosto de Erza. Seus pedaços estavam espelhados pelo chão, ela estava caindo de um alto penhasco novamente. Ela gostaria que ele estivesse ali para lhe dizer que superariam aquela queda. Superar tudo. Gostaria que ele pudesse secar suas lágrimas e recolher seus pedaços, um por um.

Então, sem saber o que fazer, Erza fechou seus olhos. E, repentinamente, ela adormeceu sob a noite serena.

Após um tempo, a ruiva abriu os olhos novamente. Quando ela deixou as mãos caírem sobre o colo, percebeu algo diferente. Suas mãos estavam sob um tecido macio, parecia ser seda. Sentiu falta de sua armadura. Quando olhou para si mesma, ela ficou um tanto surpresa. Ela não estava mais usando a armadura.

Estava usando um vestido de noiva.

Um belíssimo vestido de noiva feito de seda. Era exatamente o vestido que ela, em outrora, apreciava em seu quarto quando Levy perguntou a ela se Erza tinha planos de se casar. Ao lado da ruiva havia rosas tão vermelhas quanto à cor de seus cabelos. Erza não estava entendendo nada.

Contudo, foi naquele momento em que Erza olhou para uma figura que se aproximava, sombreada pela escuridão da noite, e ela teve certeza de que aquilo era um sonho.

Seu amado estava próximo a ela.

Jellal estava com ela.

Incrédula, Erza se levantou de repente. Com certeza era um sonho.

Jellal parou à frente de Erza. Agora o brilho vindo da Lua os iluminava, e a ruiva vislumbrou um brilho nos olhos de seu amado. Ele ainda usava a capa da Crime Sorcière, como o Jellal de sempre. No entanto, Erza sentiu que havia algo diferente. Tinha a ver com aquele brilho nos olhos dele. Jellal parecia tranquilo, à vontade. Nas poucas vezes em que Erza o via ele estava tenso, nervoso e guardava remorso de si mesmo por todo mau que causara. Porém, naquele momento, Jellal estava em paz.

Erza não sabia o que dizer. Embora fosse apenas um sonho, as palavras estavam entaladas, impossíveis de serem pronunciadas. A ruiva começou a ficar corada quando se deu conta de que Jellal a analisava por completo com seus olhos brilhantes.

— Você sempre foi bela, Erza — comentou Jellal. A tensão entre eles começava a se manifestar com a proximidade. — Mas eu não esperava encontrá-la num vestido de noiva. Pelo menos não num momento como esse.

Erza engoliu em seco. Tentou fazer com que as palavras saíssem. A ruiva era dura na queda, pois encarava qualquer situação sem hesitação ou receio. Mas não quando se tratava de Jellal. Ao estar próxima a ele, Erza se sentia inteiramente vulnerável.

— O que isso significa? — perguntou Erza, num tom baixo. Ela queria entender o porquê de tudo. Se tivesse uma chance de entender o que era real, mesmo que fosse através de um sonho, ela tentaria.

Jellal tirou o capuz, deixando a mostra os cabelos azulados. Ele deu um passo à frente, aumentando ainda mais a proximidade dos dois. Jellal levantou uma das mãos em direção ao rosto de Erza, na intenção de tocá-la, entretanto, ele recuou antes que o fizesse, suspirando.

— Se eu tiver uma chance de conversar com você, deixando tudo aquilo para trás, eu gostaria de fazê-lo, mesmo que seja num sonho.

Erza sabia o que ele queria dizer com deixando tudo aquilo para trás. Ela assentiu, porque ela não queria conversar sobre aquilo também. Erza apenas queria sentar e olhá-lo. Aproveitar aquilo ao máximo, pois ela nunca tivera um sonho como aquele. Apenas pesadelos.

Jellal sentou-se na grama, recostando-se na árvore, e em seguida, segurou os dedos de Erza, puxando-a delicadamente para baixo para que se sentasse ao lado dele.

— Então, você resolveu se perdoar? — Erza queria que aquele sonho fosse para isso. Para que Jellal finalmente se libertasse da culpa que tanto sentia. Porque, enquanto aquela culpa existisse, nenhum dos dois poderia seguir em frente. A culpa os aprisionava.

Um esboço de sorriso surgiu nos lábios de Jellal.

— Você quer mesmo conversar sobre isso agora? Não acha que podemos fazer outra coisa?

— Não quero voltar a esse assunto — a ruiva fitou o amado. — Mas... Não posso evitar. Sinto que estou...

— Caindo aos pedaços — Jellal completou, agora com uma expressão triste. — Também me sinto assim. Acredito que é por isso estamos sonhando com a mesma coisa.

— Nós temos que superar isso, Jellal. Temos que superar a queda. Está mais do que claro que nós não podemos mais fingir que não existe nada entre a gente. Eu não aguento mais... — parecia que as lágrimas estavam prestes a voltar. Nunca Erza esteve tão vulnerável. — Não aguento mais fingir que está tudo bem enquanto você anda por aí julgando a si mesmo nas sombras. — agora Erza estava soluçando. — Não aguento mais ser a forte Titânia. Eu só queria... só queria poder sentar e chorar.

Jellal colocou os braços em volta de Erza. Doía-lhe o coração ver sua amada naquele estado. Ele não queria vê-la daquele jeito. Ele também não aguentava mais fingir que não estava acontecendo nada. Jellal sempre amou Erza. Sempre. Embora tivesse sido tomado pelo mau outrora, no fundo ele continuou amando-a. Se pudesse viver em paz com Erza, ele não hesitaria. Mas, diante as circunstâncias... No momento não era possível. Mesmo que ele quisesse dizer a ela que no fim tudo daria certo, não parecia ser a verdade.

Então ele fez a única coisa que poderia fazer no momento. Jellal segurou o rosto de Erza, aproximando seus lábios aos dela. Pela primeira vez, Jellal estava beijando sua amada. Foi um beijo tão terno, tão gentil e sem nenhuma pressa... E mesmo sendo um sonho, tudo parecia tão real... O beijo, os lábios um no outro, as mãos de Erza envolvendo-se no pescoço dele... Jellal não poderia imaginar que seria assim. Ele nem acreditou que havia hesitado em beijá-la outrora.

E naquele único beijo, Erza sentiu que não estava mais aos pedaços. Foi como se num instante Jellal tivesse recolhido todos os pedacinhos dela e a consertado. Sentiu como se todos os problemas tivessem sumido, e finalmente os dois ficariam juntos. Quando estava desabando, ele a trouxe de volta. De volta para os braços dele, sob as estrelas. Ela ficaria com ele até o final.

Porque ela estava completamente apaixonada por ele.

E ele a amava mais que a própria vida.

No fim do beijo, Erza não soltou Jellal. Ela o abraçou fortemente, recostando sua cabeça no ombro dele e fechando os olhos. Ela não tinha esquecido que aquilo era um sonho. Não era real. Mas, pelo menos no sonho, ela pôde se sentir completa. Pôde se sentir em paz ao lado dele. Mesmo que, quando acordasse, tudo aquilo desaparecia.

— Um dia nós iremos superar tudo. Mas você me prometerá que vai ter paciência. — Jellal sussurrou no ouvido da ruiva. — Sempre que você sentir que vai desabar, eu vou segurá-la, não importa o quão longe eu esteja. Apenas olhe as estrelas, como você fez antes de cair no sono. Eu vou olhar para elas também.

Erza sorriu ainda com os olhos fechados.

— Não vou me esquecer disso — a ruiva sussurrou.

Jellal afastou um dos braços que envolvia Erza. Ele pegou alguma coisa no chão.

— Isso irá ajudá-la a não se esquecer. Ela é como você, Scarlet.

Erza levantou a cabeça do ombro de Jellal, olhando para a mão dele. Ele segurava uma das rosas vermelhas espalhadas pelo chão. Erza segurou a rosa, analisando-a com ternura. Realmente, a rosa era como Erza. Bela e serena, porém, continha espinhos que a fazia parecer feroz. E a cor scarlet predominante.

— A propósito — disse Jellal. — Feliz Dia dos Namorados, Erza.

— É uma pena não poder comprar um presente neste sonho — Erza deu uma risadinha.

Jellal sorriu e beijou a testa de Erza.

— Te ver neste vestido de noiva é o melhor presente que você poderia me dar.

O coração de Erza batia tão aceleramento que era impossível determinar seus batimentos cardíacos. Ela estava feliz como nunca. Pena que fosse apenas um sonho. Erza olhou para Jellal, decidida a lhe dar outro beijo e aproveitar o momento.

No entanto, não conseguiu.

Aos poucos, Jellal ia desaparecendo como um fantasma. Logo toda a paisagem em volta, as rosas, a grama, a árvore, o céu estrelado iam sumindo também.

Quando Erza se deu conta, tinha aberto os olhos.

Ela ainda estava sob a árvore, o céu estrelado ainda estava lá. Porém, nada de Jellal.

É claro que havia sido um sonho. Mas Erza não estava decepcionada, muito pelo contrário. Ela ainda estava com o coração acelerado, e as lembranças estavam tão frescas em sua mente que ela poderia até dizer que aquilo havia sido real. Valeu a pena, mesma que não tenha sido real. Valeu muito a pena.

E quando Erza pôs uma das mãos no chão ao seu lado, encontrou algo familiar. Ao colocá-la em suas mãos, Erza sorriu como uma boba. Ela não podia acreditar no que estava em suas mãos.

Uma rosa vermelha.

Notas finais
Gostaram? Comentem o que acharam, por favor. O próximo conto é NaLu, espero que acompanhem :3