Espírito de Revolução

19 DOSSIÊ: Sir William Johnson


ARQUIVOS DA IRMANDADE DOS ASSASSINOS DAS COLÔNIAS DO NORTE:

DOSSIÊ: SIR WILLIAM JOHNSON

(Última revisão por Liam O'Brien em Agosto de 1759)

William Johnson nasceu em County Meath, na Irlanda, em 1715, filho do irlandês Christopher Johnson e da inglesa Anne Warren. O jovem William cresceu em uma família modesta, mas com conforto. Suas oportunidades, no entanto, eram limitadas por motivos religiosos: ele fora criado na Igreja Católica, o que o fazia ser visto com maus olhos perante a Grã-Bretanha.

Seu tio materno, o almirante Peter Warren, pelo contrário, foi criado no Protestantismo, o que deve ser o que lhe abriu portas para uma carreira de sucesso na Marinha Real. William, nunca tendo sido um católico particularmente devoto, converteu-se ao Protestantismo em 1738 para atender a uma oferta de emprego, servindo a seu tio nas colônias americanas.

Warren havia comprado uma ampla faixa de terra na província de Nova York, ao sul do Rio Mohawk, e encarregou Johnson de estabelecer um assentamento no local. O sobrinho comprou escravos africanos e com eles limpou a terra que mais tarde abrigaria as famílias irlandesas que emigraram com Johnson.

Peter Warren havia o designado também de se envolver no comércio com os povos indígenas, mas Johnson logo descobriu que tais rotas comercias se encontravam mais ao norte. Desse modo, em 1739 ele comprou uma casa ao norte do rio, na área que chamou de Monte Johnson, e passou a atuar no comércio entre a cidade de Albany e o Forte Oswego. Ele passou a vender diretamente para comerciantes da cidade de Nova York, o que desagradou tanto os mercadores de Albany quanto o almirante Warren, que achava que seu sobrinho estava se tornando independente demais.

Pouco após chegar à América, Johnson também começara um relacionamento com a alemã Catherine Weisenberg, uma serva por contrato que havia fugido da família a que servia. Diz-se que Johnson pagou pela alforria de Catherine, talvez com a intenção inicial de empregá-la como criada em sua propriedade. Algum tempo mais tarde, os dois se casaram informalmente, tendo em seguida duas filhas, Nancy e Mary, e um filho, John, que William determinou como seu herdeiro. Apesar de William ter tido no mínimo quatro filhos bastardos com pelo menos duas mulheres ao longo da década seguinte, ele e Catherine permaneceram casados até a morte dela no início de 1759.

Logo Johnson se associou ao povo Mohawk, ou Kanien'kehá:ka, uma das seis nações da Confederação Iroquesa, e aprendeu suas língua e costumes. Sua influência cresceu de modo que em 1742 Johnson foi reconhecido como um honorário chefe kanien'kehá:ka, ganhando o nome iroquês de Warraghiyagey.

A relevância de Johnson entre os nativos chamou a atenção do Mestre Templário virginiano Lawrence Washington, representante do Grão-Mestre Reginald Birch nas Américas. Após o início da Guerra do Rei George em 1744, Washington recrutou Johnson para a Ordem e o indicou para um cargo como agente britânico entre os iroqueses, sendo assim responsável por recrutar tanto colonos quanto indígenas para a campanha contra a França. Apesar de nunca ter tido treinamento militar formal, é dito que Johnson é um ótimo organizador com grande capacidade de liderar homens com um objetivo em comum. Ele organizou grupos pequenos, enviados para atacar assentamentos da França e de seus aliados indígenas.

Com o fim da guerra em 1748, Johnson se envolveu em confusões quanto a seus gastos bélicos, quando a Assembleia liderada por James de Lancey (cunhado de Peter Warren e aliado de rivais comerciais de Johnson) impediu que seus gastos de duas mil libras fossem repostos pela Coroa, indo contra a vontade do então governador de Nova York, George Clinton.

Em 1751, William Johnson renunciou de seu cargo como coronel representante entre os iroqueses. No mesmo ano seu tio faleceu sem deixar-lhe um tostão da herança prometida, ainda exigindo em seu testamento que William indenizasse todos os gastos que havia feito nas terras de Warren. Acredita-se que o Grão-Mestre Birch foi quem pagou as dívidas de Johnson para com seu tio e a Grã-Bretanha.

Após a morte de Lawrence Washington pelas mãos da Irmandade em 1752, Birch enviou de Londres para a América outro de seus discípulos, o Mestre Templário Haytham Kenway, desta vez com a intenção de oficializar a fundação de um Rito Templário próprio das colônias. Assim, quando Kenway chegou a Boston em 1754, William Johnson foi encarregado de empregar o seu conhecimento do folclore e lendas indígenas na busca pelo Grande Templo, um sítio precursor almejado tanto por Assassinos quanto por Templários. No entanto, como se sabe, a busca foi infrutífera para ambas as ordens.

No ano seguinte, Johnson retornou a seu cargo como agente indígena da Grã-Bretanha, após anos de apelo da Confederação Iroquesa e do chefe Hendrick Theyanoguin (o único homem iroquês até o momento a já ter se tornado um Cavaleiro Templário), que haviam prometido cortar todas as relações diplomáticas com os colonos até que Johnson retornasse à comissão. Não muito depois, ele foi indicado como major-general das tropas do Templário Edward Braddock, tendo em vista a iminência da Guerra Franco-Indígena.

Em Setembro daquele ano, Johnson liderou forças britânicas na expedição partindo do Lago George para o forte francês Saint-Fréderic, que resultou em uma suada vitória britânica. Diz-se que foi William quem manteve a paz entre as tropas de Nova York e da Nova Inglaterra, impedindo brigas entre si durante a expedição. Durante a batalha do Lago George, Johnson foi ferido com uma bala no quadril, mas sobreviveu, capturando ainda o general inimigo Barão de Dieskau (seu aliado iroquês Hendrick Theyanoguin, no entanto, foi eliminado pela Irmandade durante a batalha). A vitória britânica foi consolidada com a construção do Forte William Henry ao sul do lago.

Em Dezembro, Johnson, cansado da vida militar, renunciou à sua patente de major-general para dedicar mais tempo de sua vida à diplomacia com a Confederação Iroquesa e outros povos indígenas. A Grã-Bretanha, no entanto, precisava de um herói de guerra naquele ano de tropeços, e Johnson, mesmo com boatos de que a bala teria o aleijado durante a batalha, tinha prestígio o suficiente para ser esse herói. Ele ganhou do Parlamento um prêmio de cinco mil libras, e do Rei George II o título de baronete. No mês seguinte, o governo britânico fez dele o único Superintendente dos Assuntos Indígenas, um cargo que lhe deu ainda mais poder, visto que era um posto militar que não sofreria interferência das províncias coloniais. Desse modo, William Johnson responde diretamente ao Rei em Londres.

Mesmo não mais um general, Johnson prosseguiu liderando milícias colonas e iroquesas ao longo da guerra. Entretanto, as derrotas britânicas no Forte William Henry e no Forte Carillon, das quais Johnson participara, tornaram difícil para a Grã-Bretanha apelar para o engajamento iroquês.

William Johnson pôde recrutar mais guerreiros nativos a partir de 1758, quando a captura de Louisbourg pelos britânicos virou a guerra a seu favor. Após a morte de seu superior, John Prideaux, na Batalha do Forte Niágara em Julho de 1759, Johnson assumiu o comando das milícias indígenas, o que mais uma vez o marcou como herói militar. Em função dessa promoção, atualmente ele comanda a maior força indígena já formada sob a bandeira britânica.