Underworld

Amor. Paixão e ódio. Tudo se resume a esses sentimentos.

Um sentimento que só trás sofrimento... Então porque todas as pessoas o querem desesperadamente?

Tudo que ele trás de início é a felicidade. E quando ele acaba, tudo que resta daquele amor é a tristeza, o sofrimento e o ódio.

Ódio por você ter amado aquela pessoa e ela jogar tudo que vocês construíram juntos fora. Mas mesmo assim, as pessoas o procuram... O procuram a custa de qualquer coisa.

Querendo ou não. As pessoas encontram. Nem sempre a pessoa certa... Mas encontra. Não importa se ela é boa ou má. Todos são afetados por esse sentimento... Até Lúcifer.

Na realidade, a guerra fora declarada pelo ódio de Lúcifer. Ódio por Deus ter expulsado ele do céu e ódio do amor.

Lúcifer havia amado Mabel, mais do que Deus... Mais do que a si próprio. Mas quando soube de sua gravidez, o amor que sentira por ela um dia se tornou ódio. Ódio de Deus e ódio do amor. E tudo se resumia aquela garota. Aquela estúpida garota. Que nascera por conta de um erro de Deus.

E quando segurou aquela criança em suas mãos, sentiu que a culpada de tudo era ela. Ela era culpada por sua infelicidade e a culpada por ter sido expulso do céu.

Mas por que?

Deus havia pedido que todos o amor pelos humanos, fosse maior que o amor por Ele. Mas como amar um humano que foi o responsável pela sua infelicidade? Como?!

Lúcifer queria Deus morto. Porque com sua morte, faria os humanos amar seus "filhos" mais do que a si próprio. E teria o controle de tudo. Ele daria a todos da terra, o sofrimento que teve no Inferno.

E faria Emily sofrer. Faria ela sofrer por causa da morte... E por causa do amor.

***

Emily estava em um jardim lindo. Havia flores das mais diversas cores, a grama era limpinha e o pôr-do-sol completava a beleza do lugar.

Ela estava com um vestido branco e descalça. Ela estava observando o por-do-sol, quando levou um susto quando sentiu uma mão em seu ombro.

Ela se virou... Era sua mão.

Emily sentiu lágrimas escorreram por seus olhos azuis e percorreram seu rosto.

Emily correu em direção á sua mãe e deu um abraço forte nela. Quando se separaram do abraço, os olhos de sua mãe estavam pretos. De seu cabelo, escorria sangue. E dois "furos" se abriram no pescoço de sua mãe... E dali, se saiu sangue. Muito sangue. Suas pernas, braços, mãos e pés estavam ensanguentados.

Emily, rapidamente, se afastou:

- Eu estou morta... — disse sua mãe com uma voz de sofrimento.

- Eu estou morta... — repetiu ela. Mas com uma voz um pouco sombria.

- Eu estou morta! — repetiu ela. Agora com uma voz sombria.

Lágrimas de sangue começaram a sair dos olhos de sua mãe.

Emily, assustada, continuou se afastando. Até que esbarrou em alguém.

Quando se virou, era seu pai. Ele estava encharcado.

Ele se juntou a sua mãe. Eles caminhavam lentamente em direção á Emily.

- Nós estamos mortos... — disseram os dois com uma voz sombria.

- Por sua culpa! — continuaram.

- Nós estamos mortos por sua culpa! — repetiram. Ainda com a voz sombria.

Emily começou a correr. Ela correu, correu, correu até que tudo ficou escuro e ela tropeçou, em algo, que provavelmente, deveria ser um galho.

Emily acordou num susto e com uma lágrima no canto dos olhos. Enquanto seus pais eram vivos, ela nunca havia percebido como eles eram importantes. E agora, ela sabia disso. Do pior modo, mas sabia.

Antes de pegar em sono profundo, Emily pensou sobre tudo que Castiel contou a ela. Praticamente, o futuro do mundo estava em suas mãos.

Mas ela estava com medo. Medo de tudo. E medo do que enfrentaria daqui pra frente se dissesse "sim" ao seu destino. Se aceitasse o que era para ela fazer. Tudo que ela mais queria agora, era que tivesse alguém para ficar ao seu lado...

E no momento que pensou nisso, Dean veio a sua cabeça... Será que ela estava começando a ter sentimentos por ele? Ou era apenas atração? E Jason?

Nesse momento, seu subconsciente disse "Esqueça Jason! Tudo que ele queria era uma noite. E a burra, deu isso a ele." Acho que sim. Ela estava começando a gostar de Dean. Jason foi apenas uma noite.

Emily se levantou, foi tomar um banho e se trocou.

Ela tomou seu café da manhã, com a companhia do silencio.

Seu pensamentos foram interrompidos, por causa do barulho da maçaneta.

Ela se levantou da cadeira e pegou uma faca. Sinceramente, não sabia se ela iria ter coragem de matar uma pessoa... Mas era só pra fazer uma cena.

A porta se abriu. Era Richard. Ela estava com uma roupa social ensanguentada. Seu sapatos pareciam que foram banhados no sangue.

- Eu posso sentir você... — disse ele com um sorriso maligno.

Emily permaneceu quieta. Seu coração batia tão forte e tão rápido, que parecia que todos podiam ouvir o barulho.

- Eu sei onde você está.... — continuou ele.

- E quando eu te achar... Eu irei te dar uma morte lenta e dolorosa. Terminarei o trabalho que Melissa não pode cumprir. Mas não esquenta... A morte alivia a dor... — continuou Richard com uma voz sombria.

Richard estava chegando onde Emily estava. Se ficasse, não teria para onde correr e acabaria morta. E se corresse, poderia acabar morta também. Mas pelo menos, teria feito uma tentativa.

Então, ela saiu correndo dali e não parou nem para ver se ele estava longe ou perto dela. Mas pelo jeito, estava perto. Pois ela sentira uma mão no seu braço direito. E essa mão a jogou longe.

Ele estava segurando ela. Seus braços estavam em volta de seu pescoço. E ela não conseguia se mexer.

Sua respiração estava começando a ficar devagar. Quando percebeu que ali poderia ser seu fim, ela mordeu o braço de Richard. O que o fez soltá-la.

Ela correu em direção ao seu quarto. Pegou seu celular e mandou uma mensagem a Dean. Pedindo socorro.

Quando a mensagem foi enviada, Richard entrou no quarto. Ele a jogou em cima da cama e ficou por cima dela. Emily tentava sair, mas sua força era sobrenatural.

- Não esquenta! Vai doer um pouquinho. Mas a sensação será ótima e eu te farei mulher.

Quando Richard ia desabotoar suas calças, Dean chegou. Ele tirou Richard de cima de Emily e o jogou no chão. Dean deu vários socos na cara de Richard. O que o fez desmaiar.

Emily não disse nada.

- Está tudo bem? — perguntou Dean sério.

Emily fez que sim com a cabeça.

- Tem certeza? Ele fez alguma coisa com você? — insistiu Dean.

- Eu estou bem.

Dean havia prendido Richard em uma cadeira. Por causa dos socos, o rosto de Richard estava sangrando mais do que mulher em época de menstruação.

- Leve ela para outro lugar! — disse Castiel aparecendo do nada.

- Mas... — disse Emily.

- Vá! — disse ele sério e bravo.

Dean puxou Emily para fora da casa. E deixaram Castiel e Sam sozinhos com Richard.

Castiel pegou um "capacete" e colocou na cabeça de Richard. O "capacete" continha pregos. E cada vez que Castiel fizesse uma pergunta e Richard não respondesse, ele colocaria um prego.

- Onde a faca está?! — perguntou Castiel praticamente gritando.

- Procura no seu... — respondeu ele com um sorriso sangrento.

Antes que terminasse a frase, Sam pegou a faca que matava anjos e fez um corte no braço de Richard. E ele gritou.

- Onde está a faca?! — repetiu Castiel, agora gritando.

- Por que insistir? Nós vamos ganhar e não há nada que você possa fazer.

Castiel colocou o primeiro prego.

- Nós vamos ganhar... E sabe por que? Porque o lugar para coisas como você é no Inferno. Vocês não foram feitas para ficarem na Terra. E o bem sempre vence... — disse Castiel.

- Sempre? — disse Richard com ironia.

Segundo prego. Gritos.

- Onde está a maldita faca?! — Castiel tornou a repetir a mesma pergunta.

- Vai pro inferno. — respondeu Richard sério.

Como Cass havia pedido á Dean, que levasse Emily para outro lugar. Dean á levou para um lugar uma praça. A praça que Emily mais tinha lembranças.

Durante todo o caminho, eles foram sem falar nada. Apenas com o som do rádio.

Quando chegaram na tal praça, Emily sentiu uma sensação de conforto. Uma sensação que não sentia á muito tempo. Por mais que fosse culpada pela morte de seus pais, ela sentia que seu pai estava lá. E sentia como se pudesse estar perto dele de novo. De algum jeito.

Com esses pensamentos, Emily deu um sorriso de leve.

- Que foi? – perguntou Dean.

- Nada... É que... Meu pai me trazia aqui, quando eu era pequena.

- Me desculpe. Eu não sabia... – lamentou.

- Está tudo bem... Por mais que pareça estranho... Eu sinto como se pudesse ficar com ele, de novo.

- Não é estranho.

Emily deu um sorriso triste. E continuou a observar as crianças brincando no playground ao ar livre.

- O que você faria no meu lugar? – perguntou ela.

- Como?

- Sobre essa coisa de descendente de Deus. Você seguiria seu caminho?

- Não sei... Acho que sim... – respondeu ele sério.

- Emily...

Ela olhou para ele.

- Não sei como você se sente á respeito disso. Mas acho que sim... Você deve cumprir seu destino. Milhares e milhares de pessoas morrerão se você não lutar...

- Dean... – disse ela com um tom de voz baixo.

- O que?

- Eu tenho medo. Eu não sei, eu... Eu tenho medo do que eu posso enfrentar nessa guerra. – Uma lágrima caiu. – E eu tenho medo da morte.

Dean não disse nada. Apenas deu um abraço nela.

- Eu não quero morrer... – repetiu ela com uma voz chorosa.

- Eu não quero que você morra também... – disse ele.

Após pronunciar essa frase, Dean levantou sua cabeça com suas mãos. E eles ficaram próximos. Tão próximos que era possível sentir a respiração um do outro.

Dean se aproximou mais um pouco e seus lábios encontraram o de Emily. E eles se beijaram. E ficaram naquele beijo por um tempo.

Emily não esperava aquele beijo... Não naquela hora. Mas ela aceitou o beijo.

- Onde está a faca?! – repetiu Cas furioso.

- Eu não vou falar...

Cas já havia colocado oito pinos em sua cabeça. O “capacete” era composto por dez pinos.

Como a teimosia de Richard era muita, ele colocou o nono pino na cabeça dele. E se ouviu mais um grito agonizante dele.

- Se você não disser onde está essa maldita faca, eu colocarei o décimo pino em sua cabeça. E depois, você morrerá. E acredite, eu matarei cada anjo das trevas até eu encontrar essa maldita faca. E você vai queimar no mármore do inferno. E acredite você vai receber a vista dos seus amigos.

Com isso, Sam enfiou a faca no braço de Richard. E depois, se ouviu mais um grito de Richard.

- Está bem! – gritou Richard.

- Eu falo! – continuou ele.

Sam e Cas ficaram em silencio.

- A faca não está no céu...

- Jura? – disse Castiel com ironia.

- E nem no inferno...

- Onde a faca está? – perguntou Sam sem paciência.

- Só Lúcifer sabe. Ele escondeu em um lugar onde apenas sua confidenciaria sabe...

- Quem é a sua confidenciaria? – perguntou Sam.

- Melissa.

- Agora me mata! – pediu Richard.

- O que? – disse Sam.

- Me mata! A morte é melhor que Lúcifer.

- A morte seria muito boa pra você. – disse Castiel sério.

- Não. Mata-me! – pediu ele.

Por impaciência, Castiel matou Richard. Mas agora... Eles tinham o mais importante: Eles sabiam com quem a faca poderia estar.

Quando eles voltaram, Sam estava sozinho. Quando abriram a porta, Sam saiu. Como se estivesse apenas esperando eles voltarem.

Dean nem entrou, pois Sam já havia entrado no carro. Emily o acompanhou até a porta e como “tchau”, ele deu um selinho nela.

Ela entrou em casa e sentiu calafrios. A casa estava gelada. Ela viu um vulto preto no quintal, então correu em direção á porta para trancá-la.

Quando se virou levou um susto.

- Jason?

***

Dean e Sam ainda estavam na estrada. Dean estava com os olhos fixos na estradas e Sam estava calado. Muito calado.

- O que aconteceu? – perguntou Dean sério.

- Nada. – respondeu ele frio.

Ficaram em silencio por um minuto.

- Onde está a faca?

- Com Lúcifer.

- Como assim?

- Segundo Richard, a faca está com Lúcifer. Só ele sabe onde a faca está.

- E como faremos para matar ele?

- Não sei.

Dean continuou com os olhos fixos na estrada. E Sam... Continuou calado.

***

- O que você está fazendo aqui?

- Vim te visitar.

- Vai embora!

- Por quê? E aquela noite que passamos juntos? – perguntou ele com um sorriso no canto da boca.

- Foi só uma ficada.

- Sei...

Ele caminhou em direção á Emily. Ele ia ficar próximo dela, mas Emily o empurrou para trás.

Antes, Emily sentia atração por Jason. Mas agora, não sentia mais. Castiel havia contado á ela sobre Jason. Que ele era vampiro e que tinha matado sua mãe.

- Vai embora! – disse ela aumentando o tom de voz.

- O que? Perdeu o interesse em mim?

- Vai embora! – repetiu ela.

Jason ficou começou a andar devagar.

- Você sabe o que sou certo?

Ela não respondeu.

- Sabe por que me aproximou de você? Sabe por que passei uma noite por você? Por causa de um contrato. Os anjos das trevas fizeram um contrato comigo, para mim te matar...

- Por quê?

- “Por que”? Porque vampiros não amam. Vampiros não sentem compaixão, não sentem amor. Nem amam sua própria espécie, porque amariam os humanos? Então, por que eu amaria uma menina sem importância para mim?

Ele se aproximou de uma gaveta e de lá, retirou uma faca. Ele começou a andar em direção á Emily.

Emily não sabia o porquê, mas ficou imóvel. Não por causa do medo, mas porque por um lado, ela desejava morrer. E por outro lado, não.

Se ela morresse, para Emily, estaria fazendo um favor á ela. E assim, ela não teria que lutar para salvar o mundo.

Jason se aproximou de modo que os dois podiam sentir a respiração um do outro. Ele levantou a faca e seguiu o desenho do rosto de Emily com a ponta da faca.

Seu coração batia forte. Tão forte que parecia que até o vizinho do final da rua, podia ouvir seu coração batendo.

***

Sam e Dean já haviam chegado ao hotel em que estavam hospedados há dias, por causa de Dean.

Se dependesse de Sam, eles já haviam ido embora daquela cidade, há muito tempo.

Sam chegou e foi tomar banho. E Dean se deitou e esperou a sua vez. E enquanto estava deitado, começou a lembrar de seu beijo com Emily.

Dean estava com uma imensa vontade de ver Emily. Então, ele se levantou, pegou sua jaqueta e foi em direção á sua casa.

***

Jason desceu a faca e começou a desenhar com a ponta da faca, o corpo de Emily. E parou, quando estava na barriga.

Ele ficou naquela área por um tempinho e quando ele ia matá-la, Emily fechou os olhos... Esperando pela morte.

Mas, a morte não a consumiu. Tudo que ela sentiu, foi um líquido indo em seu rosto.

Quando ela abriu os olhos, ela viu o corpo de Jason no chão e a cabeça dele com um pouco de distância do corpo.

- Porque você fechou os olhos? – perguntou ele um pouco confuso.

- Não sei... Acho que, eu simplesmente quis esperar pela morte.

Dean não respondeu. Ele apenas caminhou em direção ao corpo e o arrastou pela porta dos fundos. E depois, levou a cabeça.

Enquanto Dean fazia isso, Emily foi tomar banho. Ela vestiu uma calça de moletom e uma blusinha simples.

Quando desceu as escadas, Dean estava sentado no sofá. Ele se levantou imediatamente.

- Dean, a...

Dean calou a boca dela com um beijo. Um beijo longo.

- Boa noite.

E saiu.