Quando você pensa em anjo, qual a primeira coisa que vem na sua cabeça?

Um ser sobrenatural com cachinhos loiros com uma auréola e com uma roupa branca?

Ou uma luz branca muito forte, com a forma de um homem? E que sua missão, é proteger seu humano com sua vida?

Para Emily isso era uma babaquice...

Ela nunca havia acreditado em anjos... E agora era uma surpresa ver um na sua frente.

- O que?

- Sou seu anjo da guarda...

- Quem mandou você me proteger?

- Seu pai...

- Meu pai?! Como assim meu pai?

- Seu pai biológico... É Deus.

- Como?

- Seu pai é Deus. E ele me mandou protegê-la, caso contrário, o pior pode acontecer...

- O que acontece se você não me proteger?

- O pior...

- O que seria o pior? — perguntou ela com receio.

- Se Lúcifer matar você, Deus fica mais fraco e ele pode matá-lo. E assim, ele teria o controle da Terra. E isso aqui, seria o cenário de morte. O vírus Croatoan tomaria a terra e os humanos seriam escravos dos anjos de Lúcifer.

- Lúcifer tem anjos?

- Sim. São chamados de Anjos das Trevas. E sua irmã, Melissa... É um.

- Ela não é minha irmã. — disse Emily séria.

- De qualquer forma... Ela foi mandada para te matar.

- Por que? O que eu fiz pra ela?

- Nada. Mas, fez para Lúcifer.

- O que eu fiz pra ele?

- Nasceu.

Emily ficou em silencio. Esperando que ele continuasse... Mas não continuou.

- Meu silencio, é a sua deixa.

- Deus engravidou a mulher de Lúcifer. E por isso, Lúcifer ficou furioso. Um ódio fora do normal tomou conta dele e ele jurou que mataria a você e a Deus. Mas Deus não sabia que ela era casada e muito menos, que era casada com Lúcifer. Ele só a engravidou, pois ela tinha o sonho de ser mãe, mas não podia pois era estéril.

- E o que eu tenho que fazer?

- Guerrear contra Lúcifer.

- O que?!

No momento em que ela disse isso, um barulho de porta se abrindo invadiu o cômodo... Eram Sam e Dean.

Eles perceberam que o clima estava tenso por ali, então Sam perguntou:

- O que aconteceu?

A pergunta dele foi ignorada por Emily e por Castiel.

- O que você quis dizer com "guerrear contra Lúcifer"?

- Uma guerra acontecerá daqui a alguns meses e só você pode matá-lo.

- Por que só eu posso matá-lo?

- Pois você é a original.

- Original... Tipo... Primeira da linha?

- Sim... Como você sabe?

- Eu assisto The Vampire Diaries.

Silencio.

- Então, espera... Deus sabia que eu poderia morrer, se viesse a Terra?! — perguntou Emily indignada.

- Sim... — disse Castiel.

- Por que ele mesmo não pode matar Lúcifer?

- Não sei...

- Como assim "não sei"?! Porque ele é muito ocupado?

- Acho que sim...

- Eu tenho alguma escolha?

- Não... O seu destino já foi escrito pelas estrelas... Nada e nem ninguém pode mudar.

- Eu acredito que as pessoas fazem seus próprios caminhos.

Sam e Dean só estavam ouvindo a discussão... Sem interromper.

- Você deve cumprir seu dever na Terra.

- E se eu não quiser? Você vai fazer o que?! — disse Emily desafiando Castiel.

Os olhos de Castiel ficaram de um azul mais intenso. Castiel foi consumido pelo ódio.

- Você vai cumprir seu dever. Eu passei todos esse anos esperando você completar dezenove anos para poder treiná-la para poder guerrear contra Lúcifer. É isso que as estrelas e seu pai quer!

- Você pode parar de falar que ele é meu pai? Os pais fazem o melhor para os seus filhos e se ele é meu pai mesmo, ele não teria engravidado aquela mulher, porque ele sabia que sua filha estaria ferrada quando completasse dezenove anos!

- Querendo ou não, ele é seu pai!

- Eu só tive um pai! E ele está morto! — disse ela gritando.

Castiel ficou sério. Mas do que o normal. E com uma voz sombria e brava, disse:

- Saiba, que se você não cumprir o seu destino, pessoas morrerão, por culpa de sua rebeldia.

- E se eu cumprir eu irei morrer. Que se dane as pessoas!

Castiel foi consumido pelo ódio... Novamente. Como uma menina egoísta podia ser filha de Deus? E ainda, a única que poderia matar Lúcifer.

- Então é isso?! "Que se dane as pessoas"?! Você veio para a Terra só para salva-las e morrer. Então faça a única coisa de útil que você presta, que é salvar pessoas. Ou morra como o ser imprestável que você é!

E sumiu.

Emily, Sam e Dean ficaram um bom tempo no silencio.

- Sem querer ser grossa, mas... Vocês poderiam ir embora... Eu preciso ficar sozinha...

Sam e Dean afirmaram que sim com a cabeça. Emily os seguiu até a porta.

Sam já estava dentro do carro e Dean ainda estava na porta.

- Se precisar de alguma coisa... Só me ligar.

- Esta bem. — disse Emily com um sorriso sem graça no canto da boca.

Como forma de despedida, Dean deu um beijo carinhoso em sua testa. E foi embora.

Emily fechou a porta e foi para seu quarto. Ela deitou em sua cama e começou a chorar.

Começou a chorar por saudade de sua mãe, saudade de seu pai e começou a chorar por causa do medo.

Medo do que sua vida seria daqui pra frente. Medo do que enfrentaria na guerra, medo de tudo que estava em sua volta...

Como a vida é estranha. Em um minuto, tudo é as mil maravilhas. E no outro, sua vida é uma merda.

E de tanto chorar, Emily pegou no sono.