Escrevendo Uma Nova Historia
3 Não sei o que estou fazendo aqui.
Notas iniciais
–Está tudo na mala?
Minha mãe arrumava minha mala animadamente na companhia de minha irmã mais nova, as observavam com certa tristeza, elas não iriam saber o real motivo de estar saindo de casa. Trevor e Blue (O cara do bigodinho) convenceram minha mãe a me deixar entrar num tipo de programação para garotas inteligentes concorrendo uma bolsa a faculdade. Como um sonho de qualquer mãe ela ficou animada com a ideia de eu me formar em um lugar descente e não precisar gastar dinheiro pra uma boa faculdade.
–Eu não acredito que você é inteligente. Pra mim não existia um cérebro ai. -Alice cutucou minha cabeça como se quisesse escutar alguma coisa.
Respirei fundo e tentei não lhe devolver com um palavrão, não é certo xingar alguém quando sabe que não a vera mais.
Mamãe trouxe minha mala enquanto falava o quão feliz estava por mim. Talvez se percebesse mais e saísse de seu estado de extasie perceberia minha cara de velório. Ao contrario dela Alice parecia ter sacado que algo esta errado porque quando fui me despedir dela, ela disse:
–Você não ficara muito tempo longe não é? Não fique triste, voltara pra me ver não é?
Olhei para aqueles olhos brilhantes e azuis e disse:
–Sentirei sua falta baixinha. Cuidado com as tocas de coelho ok?
Ela sorriu um pouco mais animada, quando fui me despedir de minha mãe senti meus olhos se encher de lagrimas. Keira sussurrou pra mim palavras que guardei no coração.
–Querida, sempre tive orgulho por você ser minha menininha. Não importa onde esteja eu sempre a amarei.
–Amo você também, mamãe.
Trevor já havia posto minha mala no carro e assim que sai dos braços de minha mãe Blue colocou suas mãos possessivas em meus ombros.
–Vamos, Sophie.
Entrei no carro e olhei pela janela a imagem que queria me lembrar do porque de ter aceitado participar dessa loucura. Minha irmã e minha mãe sorriam e acenavam, elas estavam felizes e vivas e aquilo valia todo o sacrifício. Um sentimento invadiu meu coração e uma certeza eu tive sobre esse sentimento: Seria a ultima vez que as veria.
Todos os meus problemas antigos não seriam problemas do que eu sabia que iria enfrentar. Seria um novo começo, só que eu não sabia exatamente por onde começar.
A viagem havia durado três dias. Sei que voamos a maior parte dela, se me perguntarem os detalhes apenas irei dizer que já sai do Brasil a muito tempo, depois que pensei melhor percebi que era exatamente isso que queriam, que eu não soubesse onde eu estava pra não haver risco de eu fugir. Que idiotice a minha.
Chegamos em uma rua parada no lugar em que eu nunca saberia aonde fica. Paramos em uma casa abandonada e ridícula.
–Que horror, quem viveria nesse lugar?- Comentei comigo mesma.
–Você.- Respondeu Trevor com uma risada sarcástica.
–Tá, mais se eu agora sou uma espiã eu achava que seria em uma torre gigantesca com um monte de gente saindo e entrando.
–Primeira regra: Nunca admite o que você é em voz alta, e além do mais aqui e muito melhor do que esses prédios gigantescos.
Tentei encontrar onde estava o melhor quando um idiota tampou meus olhos.
–Que porra é essa?
–Questões de segurança, mesmo sabendo que você não ira querer sai.
–O seu idiota, eu mal sei aonde eu tó porque diabos eu iria querer fugir?Sua princesa loira oxigenada. –Xinguei Trevor que me guiava com todo mongoloide tentando não tropeçar em mim com todo aquele peso de armário.
Assim que tirou as mãos suas mãos de mim percebi o que Blue estava dizendo sobre o lugar ser melhor. Imagine um lugar cheio de armas e gente com cara de que não faz fezes a meses. Então e o lugar onde estou. Blue começou a andar apressadamente e eu o segui sem dizer nenhuma palavra. Os caras de cú me olhavam com certo desprezo, talvez porque acharam que eu seria alta, bonita e simpática demais para uma espiã. Sinto em dizer que não são só eles que pensam assim.
Depois de passamos por um labirinto pior o do que aquele do Harry Potter chegamos em uma sala que parecia aqueles consultórios psiquiátrico. Uma mulher toda bonitona e com um volume de comissão de frente alto, saiu e me comprimento com um beijo na bochecha falando um inglês cheio de sotaque;
–Ai que linda você é pequena Sophie, achava que você era mais alta. Mais ainda sim parece uma bonequinha.
Me afastei rapidamente com um pouco de medo daquela veia gostosona doida.
–Bem eu diria o mesmo se eu ao menos conhece você. Bem acrescentaria que você tem uns peitões de dar inveja.
Ela deu uma risada bem forte me mostrando o quão poderosa parecia. Precisava ter MUITO cuidado com ela.
–Que belo senso de humor. Sou a Sra. Kuznetsov. Serei sua professora na matéria de pscologia física.
–Qual é a diferença da psicologia que ensinam na escola? Já avisando que essa não é minha melhor matéria.
–Essa aula é mais teórica, pois ensina como controlar a mente de qualquer humano. Uma aula que não se pode dar em qualquer escola.
Viu? Gente perigosa consegue manipular bem os outros. Estou de olho em você Sra. Peituda Russa. Ela ainda sorria pra mim mostrando aqueles grandes e brilhantes dentes. Comecei a curiar um pouco a sala, uns livros grosso preenchiam a estante e devo confessar que sou uma leitora muito fiel a qualquer tipo de livro. Quando iria pegar um para analisar Blue gritou:
–Saia daí, sua enxerida. Você precisa conhecer suas companheiras antes que vá dormir.
Fiz uma careta que deve ter assustado eles. Sou péssima nesse negocio de conhecer gente nova e tal... Lembro no primeiro dia da escola fomos obrigados a se apresentar na frente da turma, eu fiquei tão nervosa que travei ali na frente, um idiota gritou “Você é muda por acaso?” e eu respondi “Muda é sua mãe quando esta dando pro seu pai’. Depois me perguntam o porque de eu ser a anti – social da turma.
Trevor já veio me pegando pelo braço e começando a me arrastar de novo.
–Tenho uma leve impressão que você adora me tocar.
–Fique tranquila quando aprender a andar por esses corredores você nem sentira o meu cheiro.
–E difícil não sentir o cheiro de um gambá quando esta perto. Então querido pode apostar que saberei aonde você esta facilmente.
Ele bufou sem argumento para rebater, e sorri vitoriosa. Chegamos em uma sala vazia aonde ele me jogou e disse:
–Cuidado agora Princesinha. Está entre as leoas e pra mim você parece uma suculenta gazela.
Mostrei o dedo do meio pra ele, mas me ignorou e fechou a porta bruscamente.
–Bruto.
Comecei a andar em meio da sala procurando as ‘leoas’.
–Olá? Alguém está aqui?
Não ouve resposta, então percebi uma salinha com um monte de computadores. Sentei e senti que aquela era a minha chance de saber aonde estava e ter no mínimo alguma comunicação com o mundo.
–QUE PORRA VOCÊ ESTA FAZENDO AQUI,GAROTA?
Cai da cadeira com o susto da gritaria, fiquei pendurada, com o PE na cadeira e o resto do corpo no chão. Olhei pra quem havia me assustado. Uma garota com longas madeixas negras presas em uma trança que caia em seu ombro direito e com alguns fios prateados e roxos que tem um olho cor de mel e outro verde, branquela vestida com um moletom preto e meias que pareciam grandes em uma sapatilha roxa, me fuzilava com o olhar.
Levantei rápido tentando aparentar ser uma pessoa legal. Ela ainda me encarava com as mãos na cintura, acho que estava pronta para me matar.
–Isso e seu?-Apontei para o computador.
–É, e se tocar de novo nele eu irei cortar suas mãos e costurar mãos de macacos no lugar.
Arregalei os olhos com a ameaça. Pelo seu tom não havia nem um pingo de brincadeira, ela realmente iria fazer isso.
–Meu nome é Sophie Dreals. Prazer. – Estendi minha mão em comprimento. A garota ergueu as sobrancelhas com um olhar meio espantado pela minha reação. Me iguinorando ela sentou na cadeira de “seu” computador. Me irritei com a falta de educação dela. A garota até conseguiu me superar em quesito mal educada. Então resolvi sair daquela sala minúscula quando ela falou.
–Meu nome é Lou Ellen Ellukabeth. Não leve pro lado pessoal mais eu não gosto de muito contato, sabe?
–Entendo. Então, é apenas nós duas aqui?- Tentei puxar assunto.
–Infelizmente não. Você conhecera as outras daqui a pouco.
–Ah. – A garota não tirava as mãos do teclado por nenhum minuto e nem quando falava sequer me olhava. Sai da sala sentindo um desconforto, ela pelo jeito não é uma das pessoas que gosta muito de fazer amizades.
–Ai está a nova garota que todos estão falando. – Trombei na garota que disse isso porque não percebi a nossa proximidade quando me virei. -Não parece ser tudo que dizem não.
–Vocês poderiam avisar quando chegarem desse jeito!- Gritei nervosa. Serio, aquele joguinho de susto já tava enchendo o saco.
Ela fez uma cara de deboche para mim. Ela parecia uma modelo de capa de revista. Magra, alta e muito bonita, seus cachos chegavam até a sua cintura e andava graciosamente até o pequeno sofá que tinha ali, usava roupas coladas e pretas que lhe davam um ar mais de perigosa do que seus olhos aparentam.
–Sinto muito se você é uma medrosinha, Branca de Neve. Não sei como Blue foi até sua casa pra te trazer, não vejo nada de especial em você.
–Não pode se julgar alguém pela aparência, Katerina. Você é uma prova disso. Parece aquelas modelos que só comem alface mais a verdade e que sabe matar alguém só com um alface. -Disse uma garota ruiva entrando na sala. Sua beleza era notável assim como a da tal Katerina, seu corpo era bem desenvolvido com coxas grosas e musculosas, nada muito exagerado. Tem seios fardos ( não tão quanto a Sra. Peituda Russa ). Seu cabelo parecia uma chama acesa de tão ruivo que era e seus olhos eram azuis cristais quando se repara bem, mais dá ate pra pensar que é branco. A garota veio falar comigo com uma simpatia descrita nos olhos. Finalmente uma pessoa que não me deu medo nesse lugar.
–Prazer sou Grace Montlüe, nascida da Rússia. – Ela estendeu a mão em comprimento, a apertei levemente.
–Sou Sophie Dreals, nasci no Brasil.
–Que legal, desculpe a curiosidade mais quantos anos você tem?
–Dezessete.
–Uau! Com o seu tamanho te daria apenas uns doze. — Disse Katerina me analisando do sofá.
–Com a sua grosseria poderia te dar uns sessenta.
–Tomá, Sun.-Gritou Lou Ellen na salinha.
–Já adorei você, Sophie. –Disse sorrindo para mim. Ela virou a cabeça e comentou em alto tom. — Bem feito, Katerina. Ao menos uma pessoa que te enfrente aqui.
Katerina levantou me fuzilando e caminhou até perto de mim.
–Veremos até aonde a nossa princesinha ira aguentar. Vamos, precisamos dormir. E amanha veremos o desempenho da Brasileirinha aqui.
Lou Ellen desligou seu computador e saiu na sala primeira que todas, Katerina me deu um olhar ameaçador antes de sair, já Grace me deu um sorriso simpático e perguntou.
–Vamos?
–Sim.
E assim caminhamos pelo longo corredor, seguindo uma a outra sem trocar nenhuma palavra. Até a hora de dormir quando todas entraram no mesmo quarto.
–Vamos todas dormir aqui?- Perguntei espantada quando vi umas camas enfileiras no grande quarto rosa.
–Sim, não acho que os sete anões acamparam por aqui. — Disse Katerina irônica.
–Se quiser tomar um banho pode ir naquele banheiro. — Me indicou Grace a uma portinha. -Sua roupa de dormir já esta pronta em cima da cama.
–Obrigada.
–Venha logo, eu quero dormir e não vou ficar esperando ninguém. -Lou Ellen comentou pela primeira vez dês de que saímos da sala.
–Tudo bem. — Sussurrei, tomei um banho curto e fui até minha cama e vesti uma camisola de seda que estava lá. Assim que me deitei às luzes se apagaram automaticamente e escutei um sussurro baixo ao meu lado.
–Boa noite, Sophie.-disse Grace.
–Boa noite.
A verdade é que não tinha medo de não ter uma boa noite, estava mais preocupada com o dia.
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