Escrevendo Meu Livro
2 1 - Folhas em branco
Notas iniciais
E deixem reviews!!
“Nunca diga “adeus”, porque dizer “adeus” significa ir embora e ir embora significa esquecer.”.
-Peter Pan
“Faça um pedido minha filha!” – disse mamãe, antes de com todas as minhas forças eu apagasse todas as catorze velinhos que estavam em cima do meu bolo preferido, morango com suspiro. – “o que você pediu minha filha?”.
“Algo novo, inesperado. Algo pra tirar toda essa mudança da minha cabeça!” – disse antes de largar todo mundo na mesa de jantar e ir em direção ao meu quarto. Quase chorando, quase.
“Olívia! Volte aqui! Quem te ensinou a ser tão malcriada?!” – berrou minha mãe. Pude escutar minha tia acalmando ela, e então minha prima entrou no quarto.
“Posso entrar?” – perguntou a Alice.
“Não que eu queira, mas pode.” – disse, já abrindo meu novo livro: “Emma”.
“Olivinha do meu coração, o que houve? Não estou entendendo. Agora com a mudança vamos poder ficar mais perto dos nossos avós e toda a família! Nós só ainda estávamos no Paraná por sua causa! Mas você já deveria ser madura o suficiente para isso!” – disse a Alice apontando para o meu peito. – “olha, eu entendo. Mas com todos esses livros que você já leu, esperava que fosse bem mais madura Olívia. Esperava que você percebesse que não é o fim do mundo!”.
“Mas eu só tenho catorze anos!”
“Ah, cala essa sua boca Olívia! CATORZE ANOS! Com essa idade você já deveria ser muito mais madura do que isso! Acredito que com a mudança, você fique mais madura. Mas até lá, trate de crescer! Até onde sei você não é o Peter Pan para nunca crescer!” – exclamou Alice antes de sair do meu quarto.
Ela estava certíssima. Eu já tinha catorze anos, tinha que crescer. Embora a oferta de ser igual ao Peter Pan fosse boa, resolvi que faria o que minha prima me disse. Crescer. Por isso voltei com a maior cara de pau de volta para a sala, pedindo de desculpa a todos e olhando com uma carinha de inocente pra mamãe.
Estava na hora de abrir os presentes. Esperava livros, livros e mais alguns livros. De preferência. Abri primeiro o dos meus avós, que era um Box com todos os livros mais famosos do Jorge Amado. Em seguida, abri o da minha tia+prima+tio que era um vestido lindo, mas bem curto, com uma linda estampa egípcia, em triângulos invertidos. Meu irmão me deu catorze camisetas de bandas vintage, eu agradeci muito á todos. Mas ainda faltava o presente da minha mãe.
Eu olhei para ela e ela fingiu que nem viu. Magoou.
Vendo que ela não ia me dar nem uma bituca de cigarro, fingi que nem tinha visto e fui falar com a minha prima. O tempo foi passando até que todo mundo foi embora, e assim que eu fechei a porta do nosso apartamento escutei:
“OLÍVIA, VEM AQUI NO SEU QUARTO!”
Falem coisas bonitas no meu enterro, pois agora mesmo eu vou morrer! Respirei fundo e fui inocentemente ao meu quarto, parei na porta e olhei pra minha mãe. Ela segurava um embrulho meio amassado.
“Senta aqui.” – ela disse afofando um lugar na minha cama. Sentei, sentindo certo alívio por ela estar segurando um presente e não uma arma. –“ filha, quero que saiba que não vou questionar seu comportamento nesta noite, porque eu te entendo. Quando tinha sua idade, meus pais resolveram se mudar pra BH, assim como agora e compreendo sua dor. Mas agora nossa vida é aqui, somente aqui. Você tem dizer adeus para o seu passado, para poder dizer olá para o seu futuro. Minha filha eu sei que você ama ler e pro isso estou te dando um presente singelo, mas que achei que seria exatamente o que você precisa.”
Eu peguei o embrulho e abri rapidamente. Era um caderno simples, capa de couro avermelhado com páginas com linhas azuis, não entendi. Olhei para minha mãe com a maior cara de dúvida, ela queria que eu escrevesse um diário?
“Quero que você faça o que quiser com esse caderno, pode desenhar, escrever, usar como agenda, diário ou qualquer coisa do tipo. Mas quero que entenda que assim como esse caderno em branco, sua vida está começando agora. Você tem ainda muitas páginas em branco pela frente, só tem que descobrir como preencher elas.” – e em seguida saiu do quarto.
Olhei para o caderno novamente e me perguntei sobre o que eu faria com tantas páginas em branco. Só o tempo poderia dizer. Abracei o caderno, e logo adormeci pensando em como sentiria falta das páginas que tinham escrito pouco tempo atrás e quantas teria que escrever ainda.
Eu apenas não esperava que as minhas páginas se tornassem tão coloridas em tão pouco tempo.
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