Escolhida
6 Klaus (Parte final)
Notas iniciais
Era o segundo dia que eu estava naquele hospital, Isabella acordava por breves momentos, muito confusa, nada coerente saía de sua boca e logo ela voltava a dormir. Segundo o médico isso era normal devido a pancada na cabeça e por ela ter passado por um trauma a pouco tempo. O trauma era a perda da mãe recentemente, seu pai havia me dito. Se não fosse seu pai, eu não saberia seu nome. Isabella...um lindo nome, muito apropriado.
-Pode repetir o que acabou de dizer?- perguntou um Charlie muito confuso. Eu não me dei o trabalho de olhá-lo ao responder sua pergunta.
-Eu acabei de dizer, que Isabella me pertence, ela é minha e de meus irmãos e assim que ela estiver coerente nos vamos levá-la conosco. — Meus irmãos logo depois que foram invocados, antes mesmo do dia acabar eles já estavam em volta da cama onde jazia a menina inconsciente e para minha surpresa todos sem exceção a quiseram para si. Por um lado eu estava satisfeito, afinal isso indicava que a menina continha grande poder, mas algo me incomodava...eu estava...com ciúmes? É claro que não. Porque eu deveria? Fui interrompido de meus pensamentos.
-Ela é minha filha, vocês não vão roubar minha filha.- Charlie praticamente gritou ultrajado.
-Eu não estou roubando nada, porque não se rouba o que lhe pertence.- disse frio. Não seria um humano que colocaria obstáculo naquilo que eu desejava.
-Olha eu não tenho nada contra o fato de minha filha ter sido escolhida por um de vocês, mas quatro já é um pouco demais. Isabella não vai aceitar uma coisa dessas, além do mais ela é apenas uma menina, só tem dezesseis anos.- ele disse de forma mais controlada.
-Ela vai se acostumar. Será um pouco estranho no começo, mas com a convivência...
-Convivência?- ele perguntou aturdido.
-O melhor será ela morar conosco. Será mais fácil para ela se abtuar a nova vida.
-Você não pode fazer isso.- disse ele incrédulo. Eu já estava farto.
Olhei diretamente em seus olhos, vi suas pupilas dilatarem.- Você vai aceitar de muito bom grado o fato de sua filha ser escolhida... e você se sente honrado por ela ser escolhida por nós. Não colocará obstáculo sobre isso.
-É uma honra minha filha ser escolhida por vocês. Não colocarei obstáculo. — Charlie repetiu ainda sob efeito da hipnose.
-Sabe que isso não vai funcionar com ela, não sabe?- disse uma voz cristalina.
Greta entrou no quarto, elegante como sempre.
-Eu sei.
Não se podia controlar a mente de uma escolhida, não que não quisesse, ele sabia das histórias de algumas delas não aceitarem seus companheiros de primeira. Só esperava que não fosse seu caso. Olhando ela dormir não conseguia imaginar que ela fosse dar trabalho, ela parecia tão frágil. Provavelmente será estranho para ela no começo, mas ela iria se acostumar. Ela não tinha escolha. Nós não a daríamos.
Greta olhava com atenção o homem a minha frente, Charlie que ainda estava sob minha hipnose- Volte para casa, mais tarde você vem ver sua filha.- eu disse a ele, ele já me irritara o suficiente.
Charlie saiu confuso do quarto.
-Não devia brincar com mente dele assim.- ela disse suavemente.
-Se me lembro bem, vocês bruxas já fizeram isso com eles.- ela ficou vermelha, quando foi ministrado a vacina, a cura nos humanos foi colocado junto um feitiço para que esses aceitassem de bom grado o mundo sobrenatural, seria difícil dizer ao mundo que existe seres sobrenaturais sem uma reação negativa, e nós sabíamos quem teria mais perdas entre nós. As bruxas e os lobisomens e consequentemente humanos, os vampiros também teriam suas baixas, mas não tão significativa quanto a deles.
-Que seja.- ela olhava para mim curiosa.- Não tem só haver com poder, não é mesmo?
-Como?
-Klaus...Klaus, eu trabalho para você a muito tempo, e posso dizer que ela mexe com você. Ou estou enganada?- ela foi até o armário do quarto e depositou um vestido nele.
-É apenas desejo.- disse com indiferença. Ela sorriu com toda sabedoria feminina, mas não disse mais nada e saiu da mesma forma que entrou, eu não saberia dizer, mas algo em Isabella mexia comigo e eu não tinha uma resposta satisfatória a isso. Resolvi sair e arejar minha cabeça. Precisava pensar em algo que não fosse a menina deitada ali.
Voltei no final do dia, mais controlado, entrei no quarto sem nem mesmo bater, encontrando o pai dela a chamar. Ouvi quando ela respondeu do banheiro. Finalmente ela acordara e estava coerente. O pai dela chegou a olhar para mim, eu não lhe dei atenção.
Ela saiu, porém ela não me notou de imediato, eu me encontrava a alguns passos atrás de seu pai, ela havia trocado de roupa, colocando o vestido que eu vi na mão de Greta mais cedo, a cor realçava sua pele. Seus olhos encontraram os meus, ela parou no lugar, seu rosto demonstrava surpresa, ansiedade e medo. Isso não me deteve. Caminhei em sua direção e levei uma das suas mãos em meus lábios num casto beijo.
-É um prazer revê-la Isabella. Sinto não ter me apresentado de forma adequada antes, eu me chamo Klaus.
Eu a olhava intensamente, quando ela aparentemente ía cair eu a segurei em meus braços, talvez ela ainda estivesse fraca. Acariciei seu rosto com a ponta de meus dedos de forma leve, ela me parecia bem quebradiça. Seu rosto adquiriu um tom vermelho diante de meu toque. Sorri.
-Pode me soltar- ela murmurou. Eu não estava seguro com essa atitude então a peguei no colo e depositei na cama, e a beijei na testa como se ela fosse uma criança, o que não deixava de ser verdade considerando minha idade com a dela.
Eu olhava diretamente seus olhos chocolate e ela os meus. Sem me dar contar segurei uma de suas mãos entre as minhas.
-Você é um vampiro.- ela disse e eu respondi mesmo ela não tendo feito como pergunta.
-Sim, minha doce Isabella.- Ela pareceu ficar nervosa com minhas palavras. Ela olhou em volta a procura do pai indecisa, e voltou seu olhar para mim.
-Por que está aqui? Vendo que eu segurava sua mão, ela tratou de puxa-la de forma brusca.
Fiquei surpreso com sua pergunta, imaginei que seu pai já lhe tinha dito algo, olhei ele pela primeira vez desde que entrei, ele parecia ansioso, mas nada disse. –Você não contou a ela.- constatei e mesmo assim ele respondeu.
-Não.
-Me contar o que?- ela perguntou ansiosa. Voltei a minha atenção a garota a minha frente.- Me contar o que? –ela exigiu me olhando diretamente.
-Que você pertence a mim e a meus irmãos. Será nossa companheira.
Ela parecia chocada com isso, tentei me aproximar, mas parei quando ela recuou, quase caindo da cama para ficar longe de mim.
Ela olhou em direção ao pai, como se buscasse por resposta, e vendo que este nada dizia olhou de volta pra mim.
-Não pode ser verdade. É mentira.
-É fato.
-Não...não...não..-ela enterrou a cabeça em suas mãos, tirando minha visão de seu rosto. Me aproximei dela fazendo um carinho em sua cabeça, ela levantou em um pulo, tentando ficar o mais longe de mim.- Eu não quero.- sua voz estava falha denunciando seu estado.
-Eu não perguntei sua opinião.- disse simplesmente.
Ela me olhava estupefata, e estreitou os olhos. Eu podia ver sua irritação e mesmo querendo a perto de mim, mantive minha posição dando a ela tempo para digerir tudo.
-Eu não aceito.- disse com convicção.
-Como eu disse antes, eu não perguntei sua opinião.
-Você não pode me obrigar.- vi quando ela estremeceu, ela não estava tão segura quanto queria demonstrar. Eu sorri com sua afirmação, o que pareceu deixá-la mais nervosa e zangada.- ESCUTA AQUI, EU NÃO SOU SUA E NEM DE SEUS IRMÃOS.
Aquilo me irritou.
-Sim, você é.- escutei quando ela trincou os dentes para conter a irritação presumo, como ela nada dizia eu acrescentei- Irei falar com o médico sob sua liberação e iremos para casa. NOSSA CASA.
-Eu não irei a lugar algum com você.- disse teimosa. -Seu...seu...
-Eu a terei, não há nada que possa fazer. -disse num tom racional. -Se você for franca, vai admitir isso a si mesma.
-Prefiro cortar minha garganta. -disse ela.
-Uma ideia intrigante. Mas posso fazer isso de uma forma muito mais agradável. Você irá e é melhor que se acostume logo com isso. Porque é assim que eu quero. E o que eu quero, eu tenho.
-O que você quer? Você é louco, eu não sou uma propriedade. VOCÊ NÃO MANDA EM MIM. ISSO NUNCA VAI ACONTECER.
Não me dei o trabalho de me pronunciar. Olhei novamente para Charlie que em nenhum momento se pronunciou. -Vamos, acho que você precisa assinar alguns papéis. Mas antes de qualquer movimento Isabella estava ao lado do pai.
-Pai, você não pode concordar com isso- ela pediu.
-Filha, tá tudo bem. Eu sempre soube que você era especial, é uma honra ser escolhida. E você foi escolhida por quatro. Não precisa se preocupar vai dar tudo certo. — ele disse simplesmente. Eu sabia que ele não colocaria obstáculo, mas pela cara dela, pude ver que ela não esperava essa reação da parte do pai.
Antes que ela pudesse retrucar, eu sai do quarto acompanhado de Charlie. Deixando um segurança na porta do quarto com ordem de não deixa-la sair. Eu precisava me controlar. Eu não costumava perder a paciência tão facilmente. Mas meus desejos nunca foram questionados.
-Vocês vão cuidar bem dela, não é mesmo?- Charlie perguntou, era obvio seu amor e preocupação pela filha. Mas não colocaria obstáculo, como eu garanti que não o faria. Concordei e caminhamos em silêncio depois disso. Deixei Charlie assinando os papéis de alta, eu queria voltar ao quarto, mas estava irritado, e saber disso me irritava mais. Como uma garotinha me tirou do sério tão rapidamente? Eu tinha que reconhecer, pelo menos pra mim mesmo que eu não estava de fato irritado com ela, sua atitude era até de certa forma esperada. Eu estava irritado comigo mesmo. Por querer tocá-la, tê-la junto a mim. É só desejo, disse mentalmente a mim mesmo.
Cerca de vinte minutos depois Charlie saiu, eu já estava calmo. Voltamos ao quarto, o segurança ainda estava no mesmo lugar e vendo nossa aproximação se afastou da porta para nos dar passagem, eu acelerei os passos, algo estava errado, eu não sentia a presença dela, não ouvia sua respiração, nem o batimento de seu coração. Entrei no quarto e como eu previa, ela não se encontrava no quarto.
-Ela fugiu.- constatei, olhei para o segurança o qual se encolheu perante meu olhar, já não era um homem civilizado ali, era um vampiro em todo seu auge e mesmo o segurança sendo maior do que eu, ele deu dois passos para trás ficando pálido, ele exalava medo — Onde ela está?- rugi.
-E-eu n-não sei. N-não sai daqui.- ele gaguejou.
-Reúna os outros, feche todas as saídas e procurem. É melhor acharem ela.- ameacei, ignorei os olhares das pessoas, o que felizmente era apenas uma enfermeira com um paciente e Charlie que me olhava aturdido.
Ela não podia estar longe. Como foi que ela fugiu?
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