Escolhida
34 Eu quero acreditar.
Notas iniciais
Em segundo lugar...Ah, vamos a estória...
Pov Bella.
Eu estava muito curiosa com a conversa que a Bonnie estava tendo com eles. Eu havia gostado da Bonnie. Pergunto-me se ela estava sendo sincera ao me dizer que me ajudaria. E quem era essa vampira baixinha? Como era mesmo seu nome? Ah Alice. Eu quase ri de sua expressão olhando para os armários de cozinha. Ela parecia perdida, como se não soubesse o que fazer.
Ela abria uma porta e ficava olhando o seu interior como se a comida fosse insalubre. O que eu acho que de certa forma para ela era. Vampiros não comiam.
Sinto um braço rodear minha cintura. Edward.
– Não precisa se preocupar em fazer alguma coisa para Bella comer, Alice. – ele diz para vampira mirim que parece relaxar com isso, o que foi quase cômico. — Damon não poderá leva-la para sair e eu estarei tomando o seu lugar. Eu espero aqui em baixo se você quiser se trocar. — ele sussurra em meu ouvido.
Damon não poderá ir? Por quê? Mas eu não chego a abrir a boca, pois certa vampira deu um gritinho estridente de alegria dizendo que iria me arrumar. Eu sou o que? Uma boneca? Mas antes que eu pudesse tomar folego eu já me encontro dentro de meu quarto sendo vestida pela vampira elétrica e saltitante a minha frente.
Se eu não soubesse que vampiros não ingerissem comida humana eu poderia jurar que essa criatura a minha frente era uma consumidora voraz de cafeína.
Logo estou vestindo um vestido branco com pequenos botões frontais que iam desde o decote até a barra e sandália de salto baixo.
Salto baixo somente porque eu praticamente tive que gritar que não iria colocar salto alto para o pequeno demônio.
Eu desço um pouco apreensiva. De todos eles, Edward parecia ser o mais inquieto e ansioso para me fazer aceita-los. Ele sorriu a me ver descer os últimos degraus da escada, pegando uma de minhas mãos e depositando um beijo sobre ela, ele me guia até o carro.
Enquanto percorríamos o caminho, ele passou a fazer todo tipo de pergunta insignificante sobre a minha vida. Os filmes de que eu gostei e os que eu odiei e os poucos lugares que eu estive e os muitos lugares que eu queria ir e livros, livros incontáveis. De alguma forma ele me fazia compelida a responder suas perguntas. E de certa forma eu me sentia relaxando durante o percurso. Que levou cerca de quinze minutos.
Ele estacionou o carro e logo descemos, caminhando pela grama.
Edward me levou para fazer um piquenique perto de um lago que ficava bem próximo da casa. Ele já tinha uma toalha espalhada no chão com um grande cesto de piquenique no centro junto a um CD player portátil. Eu me sentei um pouco cautelosa, sem saber o que ele esperava ou o que esperar.
Ele sentou-se a minha frente retirando o conteúdo da cesta. Uma tigela com frutas, waffles e suco de laranja que ele estava organizando tudo em um prato para mim. Cheirava tão bom!
Ele estendeu o prato em minha direção. Tudo que eu provava tinha um gosto maravilhoso. Ele ligou o CD player e musica encheu o ar.
–“Clair de Lune”? – perguntei surpresa.
– Conhece Debussy? – ele também pareceu surpreso.
– Não muito bem. – admiti. – Minha mãe tocava muita música clássica em casa... só conheço as minhas favoritas.
– Essa também é uma das minhas favoritas. – ele parecia um pouco perdido em seus pensamentos. – Me fale sobre a sua mãe. – Ele pediu amável.
– Minha mãe... Ela era muito parecida comigo, só que mais bonita. – eu disse. Ele ergueu a sobrancelha. – Tenho muita coisa do Charlie. Ela era mais atirada do que eu e mais corajosa. Irresponsável e meio excêntrica e uma cozinheira imprevisível. Era minha melhor amiga... – eu digo com voz um pouco embargada. Eu sentia sua falta.
– Parece que ela foi incrível.
– Ela era. – eu digo em um sussurro.
– E seu padrasto?
Eu congelei. Eu não queria falar sobre ele.
– Ele...era jogador de beisebol da segunda divisão. E a sua família? Como eram os seus pais? – pergunto para desviar o assunto. – Sua família deve ter uma história muito mais interessante do que a minha.
Ele me olhava atentamente, enquanto eu rezava para que ele deixasse o assunto morrer.
– O que quer saber?
– Bem...como chegaram aqui...digo como...se transformaram em vampiros? – pergunto de forma desajeitada.
Ele pareceu refletir em minha pergunta.
– Minha família veio de alguma parte da Europa. Meus pais tinham iniciado uma família e uma praga atingiu sua terra natal. Perderam um filho para ela. E não muito tempo depois houve guerra por terras e com isso veio à fome. Queriam escapar e para proteger a família eles viajaram além mar.
– E como vocês vieram parar aqui? Esta parte desse mundo nem havia sido descoberto ainda. – pergunto interessada.
Ele sorri.
– Não por ninguém de seus livros de história. Minha mãe conhecia uma bruxa chamada Ayana, que ouviu dos espíritos sobre uma terra mística onde todos eram saudáveis. Abençoados pelos dons da velocidade e da força. Isso trouxe minha família aqui, onde vivemos entre essas pessoas.
– Você fala dos lobisomens?
– Para nós eles eram os vizinhos. – ele diz de forma prosaica.
– Você faz parecer normal.
– E era.
– O que vocês faziam nas noites de lua cheia?
– Uma vez por mês minha família ia às cavernas abaixo de nossa vila. Os lobos uivavam pela noite, e pela manhã, voltávamos para casa. E isso nos manteve seguro. Por um tempo.
– O que mudou isso?
– Em uma lua cheia, Klaus e meu irmão mais novo foram ver os homens se transformarem em feras. Era proibido. Joshua pagou o preço. Foi o inicio do fim da paz com os nossos vizinhos. E um dos últimos momentos da minha família como humanos. Meu pai implorou a Ayana para convocar os espíritos.
– Então vocês foram transformados em vampiros... – eu digo baixinho.
– Meus pais só viram um jeito para manter seus filhos vivos.
– Mas por que ficar? Se tinham medo dos lobisomens, por que simplesmente não foram embora?
– Orgulho. Meu pai não queria mais fugir. Ele queria lutar, e ser superior aos lobos. Mas tudo tinha uma consequência e Ayana os tinha advertido e se negou a fazer o ritual. Minha mãe fez.
– Sua mãe era uma bruxa? – pergunto surpresa.
– Sim. A bruxa original. Contudo ela não se transformou como nós.
– Como vocês foram transformados?
– Ela pediu ao sol, vida... E ao antigo carvalho branco, um dos objetos eternos da natureza, imortalidade. Naquela noite, meu pai nos ofereceu vinho com sangue... E então cravou sua espada em nossos corações.
– Ele matou vocês.. – digo chocada. Não conseguindo visualizar um pai fazendo isso aos próprios filhos.
– E não foi delicado nisso também. – Edward diz com humor sombrio. — Quando acordamos nosso pai trouxe uma menina da vila para que bebêssemos seu sangue para que assim completasse o ritual. Foi eufórico. A sensação de poder era indescritível, mas a bruxa Ayana estava certa sobre as consequências. Os espíritos se revoltaram, e a natureza revidou. Para cada força, havia uma fraqueza. O sol se tornou nosso inimigo. Mantendo-nos dentro de casa por semanas e então minha mãe achou uma solução. Houve outros problemas. Vizinhos que havia antes nos convidados para as suas casas, agora nos queriam fora. As flores na base do carvalho branco nos queimavam e impediam a hipnose. E o feitiço se mostrou que a árvore que nos deu a vida, também poderia tirá-la. Então, nós a queimamos. Mas as consequências foi algo que meus pais não anteciparam. – eu olho para ele com expectativa. — A fome. Sangue nos fez renascer, e era sangue que nós desejávamos acima de tudo. Não podíamos controla-la e assim nasceu outra espécie predatória.
Ele pega uma das mechas de meu cabelo que tremulava na brisa suave da manhã.
– Eu não havia notado... Seu cabelo é meio ruivo.
– Só no Sol.
Ele enroscou a mecha em seu dedo me puxando em sua direção levemente, aproximando seu rosto a milímetros do meu.
– Bella... Por que reluta tanto em nos dar uma chance? Podemos te fazer feliz... para todo sempre.
Abaixei meus olhos suspirando internamente. Não sei se posso fazer isso. Eu nunca teria grandes aspirações em relação a uma relação duradora, quando todas as evidencias revelavam o contrário. Primeiro foi Renée com Charlie, depois Renée e Phil... Phil tinha se mostrado tão gentil no começo, no entanto... Olhei novamente Edward, que me olhava com atenção.
Eu levanto bruscamente, dando alguns passos em direção ao lago, sem querer fita-lo. Eu queria muito acreditar e isso me deixava com raiva de mim mesmo.
– Bella! – ele me chama suavemente e eu me viro para olhá-lo. – Apenas nos dê a chance de mostrar a você. – ele pede.
Eu quero acreditar, mas...
Eu virei-me novamente de volta para o lago perdida em meus pensamentos tumultuados, sentindo a leve brisa despentear meus cabelos soprando umas mechas em meu rosto. Eu estava preste a me aproximar do lago quando eu o ouço dizer:
– Não aconselho a fazer isso. – viro-me rapidamente, sobressaltada com sua voz. – Você está muito perto da borda e a lama está solta nesse local. Não gostaria que escorregasse e caísse.
– Obrigada, mas sou bastante capaz de cuidar de mim mesma. – rebato irritada. – Não precisa se preocupar.
– É puro interesse pessoal, pode acreditar. Se você cair, me sentirei na obrigação de salvá-la e essa água está gelada. – ele diz meio zombeteiro. — E eu posso me preocupar, você é minha Escolhida... minha companheira e eu não quero que você adoeça. – ele diz de forma carinhosa. – Bella do que tem medo? – ele pede de forma persuasiva.
Eu poderia dizer?
Oh, Deus, se ao menos ele parasse de me olhar desse jeito.
Eu podia sentir um calor indolente me invadindo diante de suas palavras. Meu instinto me dizia que isso significava perigo, uma complicação que eu não sabia está pronta a aceitar ou... querer.
Não tente se enganar. Você os quer, então porque não viva o momento até que...
Até que?
Até que você consiga fugir ou sei lá até que você pare de ser tão teimosa e os aceite. Você os deseja e sei que gosta deles, na verdade é muito mais do que gostar, você os...
Eu não os amo. Eu não posso. É muito cedo, eu mal os conheço... Eles não podem me querer por muito tempo.
Eles querem você para toda a eternidade.
Eu não acredito em ‘felizes para sempre’.
Mas o que está errado com ‘felizes por enquanto’?
Seria possível se comprometer com o amor?
Eu percebi que ele me analisava, com as duas sobrancelhas unidas em desnorteamento, como se tentasse resolver algum enigma muito difícil.
Balancei a cabeça tentando clarear meus pensamentos. Tentei me virar e me desiquilibrei, notando tarde de mais, que o salto da sandália estava firmemente enterrado na lama.
Oh Deus, gemi internamente, era tudo que eu precisava.
A água do lago estava de fato muito gelada, não tão gelada como eu esperava. Submergir da água, tossindo e cuspindo água, encontrando um par de olhos verdes chocados.
Eu mordi meu lábio inferior, esperando em vão por algum movimento dele, nem que fosse uma suavização de sua expressão.
– Você pode me ajudar a sair daqui? Por favor? – eu perguntei tensa esperando seus gritos, sua fúria ou mesmo sua raiva.
– Eu adoraria. – ele disse saindo de seu choque momentâneo. Acho que ouvi-lo resmungar algo como ‘imã para acidentes’ ou algo do tipo, mas ele em nenhum momento pareceu estar com raiva. – Você está pronta para colocar as mãos em volta de meu pescoço? – Ele diz meio divertido.
Choque lavado sobre mim. Eu não esperava que ele fosse amável ou mesmo divertido sobre o incidente, contudo ele estava com um leve sorriso em sua face, mesmo seus olhos demonstrando um pouco de preocupação misturada com divertimento e algo mais que eu não conseguia colocar o dedo, mas certamente não era raiva.
– S-sim, eu acho que si-m.
Com as duas mãos eu enlaço seu pescoço, inadvertidamente minha mão roça em seus cabelos e a textura deles provoca um arrepio em todo meu corpo. Ele coloca o braço ao redor da minha cintura, seus músculos se contraindo enquanto ele me levanta me retirando do lago, colocando-me no chão com um sorriso em seu rosto.
Com enorme ternura a mão de Edward retira as mechas de cabelo molhado que caíam sobre meu rosto, percorrendo lentamente a linha de meu pescoço, descendo até a linha dos botões.
Eu ergui a cabeça levemente para poder fitar seus olhos. Eu me sentia pequena diante dele.
Sua silhueta máscula se avultou sobre mim, os olhos mais escuros que a noite, soldou-me com olhos luxuriantes.
– Bella. – Foi tudo que ele disse e isso me causou uma reação tão intensa, que eu mal podia raciocinar quanto mais falar.
Ele passa o dedo sobre o botão de meu vestido, me fazendo tremer levemente. Ele começa a desabotoá-los um a um, com um olhar tão intenso que fez meu coração vacilar uma batida.
Ele desabotoa o primeiro botão, antes que eu proteste, ele roça meus lábios com os seus, eu abro a boca eu não sei se para dizer que ele continuasse ou que ele parasse o que quer que fosse que ele estivesse pensando em fazer. Sua língua desliza pelos meus lábios em um beijo aquecido, quebrando o beijo depois de alguns instantes e voltar à mesma posição de antes.
Eu me mantive imóvel, minha respiração ainda era ofegante, meus olhos arregalaram enquanto Edward me descobria lentamente. Eu sentia o bico de meus seios endurecerem de forma incontrolável contra o suave roçar do vestido de seda, e sentia minha intimidade ficar úmida diante da intensidade de seu olhar.
Quando o último botão foi removido, Edward empurrou para o lado as laterais do vestido respirando profundamente enquanto ele cai formando uma poça no chão. Ele me olhava com voracidade que ele parecia não se preocupar em ocultar.
– Você tem um corpo adorável. – a voz dele é rouca e um pouco contida.
Sinto o sangue correr para meu rosto diante de seu elogio.
Ele se aproxima um pouco mais murmurando algo impossível de entender com meus ouvidos humanos.
Os braços de Edward envolve meu corpo, apoiando minha espinha como uma barra de ferro enquanto eu arqueio meu corpo para trás com os olhos fechados. E então sinto seus lábios no meu em um beijo profundo.
Um beijo lento e apaixonado e ao mesmo tempo tão gentil que sinto lagrimas se formarem em meus olhos.
O que tanto eles tinham que um simples toque me fazia meu corpo em chamas?
Sinto suas mãos deslizar pelo meu corpo. Onde seus dedos tocam eu sinto formigar. Sinto seus dedos brincarem com o elástico de minha calcinha e isso é suficiente para me fazer voltar à realidade. Eu coloco ambas as mãos em seu peito fazendo pressão.
Ele se afasta no mesmo momento e mesmo agora eu sei que nada tinha a ver com a pressão de minhas mãos sobre ele, eu era humana no fim das contas e não tinha força necessária para afastá-lo se ele assim não o quisesse.
Ele descansa sua testa contra a minha, fitando meus olhos.
– Desculpe! Eu me deixei levar. Sei que não está pronta, mas você é irresistível... – ele deixa escapar uma pequena risada. – Klaus tem razão. Você é uma doce tentação, até mesmo para seu próprio bem.
Ele afasta um passo, retirando sua camisa e me vestindo rapidamente. Eu apenas me deixei vestir, sem saber o que fazer ou mesmo dizer. Corei com a percepção do que eu o deixei fazer... e que mais uma vez eu tinha ficado seminua na frente de um deles.
– Não fique envergonhada, não fizemos nada de mais. – ele me puxou para seus braços, beijando minha testa tal qual uma criança. – É melhor leva-la de volta. Não queremos que fique doente, não é mesmo?
Eu apenas balanço a cabeça concordando incapaz de confiar em minha própria voz.
Dentro do carro ele deu a partida no motor e ligou o aquecedor no máximo. Foi uma volta silenciosa, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Logo chegamos a casa e para minha surpresa Matt se encontra na sala esperando por mim.
– Matt o que faz aqui? Eu quase corro em sua direção, mas Edward enlaça minha cintura me mantendo junto a seu corpo.
– Eu havia te ligado outro dia, mas eu não consegui falar com você. – ele diz de forma desconfortável. O que ele tinha de tão importante para falar que o fez vir aqui? – É seu pai Bella. – meu pai? Antes que eu vocalize minha pergunta ele complementa. – Ele está morto.
Morto?
Meu pai está morto?
Matt continua a falar, mas eu não escuto suas palavras seguintes devido ao zumbido em meus ouvidos, eu continuo olhando para ele com minha visão turva pelas lagrimas e logo sou engolida pela escuridão.
Notas finais
Beijos.
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