Escolhida
35 Boa.
Notas iniciais
Quanto a morte de Charlie eu deixei para outro capítulo para que assim vocês não fossem sobrecarregadas de informações ao mesmo tempo, tendo tempo assim para assimilar as informações dada nesse capítulo.
AVISO ESSE CAPÍTULO CONTÉM VIOLENCIA, ENTÃO SE VOCÊ É SENSIVEL A ESSE TIPO DE LEITURA EU SUGIRO ESPERAR O PROXÍMO CAPÍTULO.
Agora vamos a estória...
POV Bonnie.
O céu era melancólico e nublado. Grilos cricrilavam, mas seu canto monótono só parecia compor um silencio maior.
Enquanto eu subia a colina eu repetia a mim mesma. É dia ainda, há muita luz e eu não estou sozinha. Já era bem ruim o cemitério moderno de um lado, mas o antigo cemitério, do outro lado, era completamente apavorante mesmo a luz do dia. Havia muitas lápides esfareladas tombando bizarramente na relva, representando os tantos de jovens mortos na guerra civil. Não era preciso ser paranormal para sentir a presença deles.
Logo chegamos a uma cripta com o sobrenome da família Miakelson. Ele deslizou a tampa de mármore revelando uma escada para seu interior.
Klaus começou a descer a escada impassível, enquanto que eu o seguia temerosa.
– Eu não queria estar aqui. –gemi.
– Vamos logo acabar com isso, está bem? – ele diz entredentes, sem perder o ritmo dos passos.
A cada passo que eu dava para seu interior eu dizia a mim mesma como um mantra. É para o bem da Bella. É para o bem de todos.
Quando chegamos ao fim da escada, ele ascendeu uma lanterna, eu olhei para todo lado, menos para onde a luz apontava.
Eu não queria ver o caixão, não queria.
– Está é a coisa mais horripilante que eu já tive que fazer. –sussurrei.
– Mas você disse que iria fazer. – disse Klaus com voz monótona, sem deixar nenhuma emoção transparecer em sua voz ou em sua face.
Klaus se encaminhou para junto do caixão. Eu, contudo parei cerca de seis passos de onde ele se encontrava, não ousando chegar mais perto.
Klaus deslizou a tampa de mármore com facilidade, como se ela não pesasse nada, ficando imóvel quando a tampa é totalmente deslizada para o chão.
Eu me mantive parada, esperando qualquer sinal de sua parte que me dissesse que eu poderia chegar mais perto.
Parada ali, o silêncio pareceu se adensar. Os grilos não cantavam mais, e, no entanto era como se eu estivesse me esforçando para ouvir alguma coisa.
Todo o cemitério estava quieto, parecia estar aguardando comigo, prendendo a respiração em expectativa.
O rosto de Klaus tinha perdido o ar de indiferença e meu sexto sentido me dizia que o que quer que fosse não era bom.
Eu permaneci imóvel, com medo de fazer algum barulho que atraísse sua atenção a mim, não estando certa do que esperar.
– Bonnie se aproxime e me diga o que vê. – ele me instrui com voz gélida.
Eu me aproximo com certa relutância, quase temerosa do que eu vou encontrar.
O caixão estava vazio.
Eu levei minha mão em seu interior, por entre as folhas por algum vestígio de seu antigo ocupante.
Fecho meus olhos, evocando meus poderes, colocando tudo que eu tenho neles, lançando a minha necessidade e meu apelo a minha voz.
E eu sinto... Nada.
Não havia nada ali. Nunca houve.
Eu voltei meus olhos a Klaus, olhando emudecida. Klaus apenas me observava em silencio. Seus olhos faiscaram com compreensão, mesmo antes que eu possa dizer-lhe alguma coisa.
Contra a minha vontade, eu fico fascinada com a onda de poder que eu sentia emanar de Klaus. Minha capacidade paranormal nunca fora tão forte o bastante para sentir essa essência brutal, mas agora sim.
– Rebekah está viva. – Ele constata.
Pov Bella.
Flasch Back on.
O dia que minha mãe casou com o Phil foi um dos dias mais felizes em minha curta vida. Phil era jovem demais, mas ele demonstrava tal amor a minha mãe que esse fato não era relevante.
Eu estava feliz com seu casamento. Ela teria alguém para cuidar dela, além de mim, e então as contas provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no carro, e alguém para chamar quando ela se perdesse... não me leve a mal, minha mãe era ótima, mas definitivamente não em sua função de mãe, visto que era eu que acabava tomando conta dela em vez dela de mim.
Renée era uma mãe amorosa, instável, descuidada e incapaz de se virar sozinha e eu a amava mais do que tudo no mundo.
Phil era jogador de beisebol da segunda divisão e tinha um contrato com uma liga menor que durou cerca de dois anos após o casamento... os problemas começaram após esse período.
Ele não conseguia se estabelecer em nenhum time. O fato de ser recusado aos times que antes o bajulavam foi cobrando um pedágio sobre ele e por consequente a nós.
Ele começara a ficar irritado por qualquer coisa. Renée passou a trabalhar fora e poucos dias depois Phil foi chamado para um teste em um time. Ele não passou.
Nesse dia meu inferno começou.
Lembro-me de chegar em casa da escola e subir as escadas para meu quarto encontrando Phil irritado descendo a escada.
Ele empurrou-me da escada por estar em seu caminho e após rolar cerca de oito degraus eu cai inconsciente. Eu tinha quinze anos na época e não compreendi o motivo dele ter feito isso.
Phil disse a Renée que eu tropecei e não porque ele me empurrou. Ela acreditou. E por que não acreditaria? Eu sou a maior desastrada do mundo.
Eles me levaram ao hospital, felizmente nem um osso foi quebrado, mas eu tive uma concussão.
Ver minha mãe consolando Phil que parecia desolado pelo meu ‘acidente’ foi demais para mim. Eu queria dizer a ela o que tinha acontecido, mas Phil garantiu um jeito de ficar a sós comigo e me pedir desculpas dizendo que ele perdera a cabeça e que isso não iria se repetir mais.
Ele parecia sincero e eu concordei em não perturbar Renée com isso.
O resto da semana passou sem nenhum incidente e Phil pareceu voltar seu antigo eu. Ele era carinhoso, alegre e atencioso com Renée e eu. Então houve outra recusa.
Nesse dia ele me bateu.
Phil me ameaçou e eu não contei a minha mãe. Minha mãe aceitou a desculpa de mais uma queda.
Isso passou a acontecer frequentemente e ele passou a gritar comigo todas as vezes que eu tropeçava ou me atrapalhava com alguma coisa.
Depois de um tempo... Eu pensei que isso acontecia por minha culpa e que de certa forma eu merecia isso.
Ele nunca me batia de modo que parecesse uma surra ou em lugar que deixasse visível.
Isso durou quase seis meses até que...
Eu tinha acabado de descer do meu ônibus da escola e fiquei em frente da minha casa debatendo comigo mesma se eu ia entrar ou ir à casa de uma amiga para evitar Phil.
A casa estava escura e silenciosa. Eu entrei.
– Phil! Você está em casa?
Ninguém respondeu então eu fui para o banheiro. Quando sai, Phil apareceu do nada e bateu em meu rosto me fazendo desequilibrar e cair no chão.
– Sempre desastrada. Onde você estava? Por que não está fazendo o jantar? Você sabe que eu não gosto de esperar. – ele me chutou e saiu.
Quando ele deixou eu comecei a chorar. Como eu desejei que eu tivesse ido para a casa de uma amiga.
E foi assim que Matt me encontrou. Chorando no chão.
Matt era apenas um colega de escola naquela época e tinha me trazido um livro que eu havia esquecido na escola. Ele não fez perguntas, apenas ficou lá murmurando que tudo iria ficar bem o que me fez chorar mais difícil.
E foi assim que Phil me encontrou. Chorando nos braços de Matt no chão do corredor. Ele ficou irritado e mais furioso por Matt se colocar no caminho para me defender.
Eles trocaram socos e pontapés e minha mãe chegou chocada ao ver a cena a sua frente. Ela olhou para mim e de alguma forma ela entendeu o que estava acontecendo. creio que meu rosto vermelho e inchado tenha dado uma boa indicação do que tinha acontecido.
Ela correu em minha direção, me pediu desculpas por não ter visto isso mais cedo. Nisso Phil que tinha nocauteado Matt e a puxou pelo braço.
– Isso é tudo culpa sua. – ele a acusou. – você deveria ter dado mais educação a sua filha... Essa menina ingrata e desastrada está trazendo homens a nossa casa e...
– Pare Phil! Bella jamais faria o que está insinuando. Eu demorei a entender o que estava acontecendo, mas agora eu vejo. Você estava batendo em minha filha, não era você? O que mais você fez? – ela praticamente gritava, dando socos no peito de Phil.
– Eu não fiz nada. – ele diz e a empurra no chão, pegando meu braço de forma brusca levantando-me do chão. – Você estava trazendo garotos para dentro de casa? Sua menina idiota...
– Phil, por favor, não machucá-la! Ela é apenas uma criança, ela é minha menina! – Renée chorou tentando retirar a mãos de Phil de mim que me sacudia e me apertava.
– Aquele garoto ali só está interessado em dormir com você e depois de se cansar de você, de seu corpo ele vai joga-la no lixo porque você não é boa o suficiente. Nunca será. – ele grita para mim.
– Larga ela. – grita Matt.
Phil me solta me lançando ao chão e arrasta uma Renée soluçando para fora. Matt vai até onde estou e me pergunta se eu estou bem.
– S-sim...Minha mãe..
Antes que Matt possa ir atrás escutamos um carro acelerar. Phil havia levado minha mãe.
Matt permaneceu comigo. Ele quis chamar a policia ou mesmo uma ambulância, mas eu disse a ele que queria esperar minha mãe antes de qualquer coisa. Eu estava muito abalada para pensar de forma clara... Matt insistiu que deveria chamar pelo menos alguém, eu chamei Jacob que trouxe Sam com ele.
Eu conhecia os meninos quileutes desde pequena, eles eram amigos de meus pais. Charlie e Renée. Eu passava alguns verões na casa de Jacob e foi em um desses verões eu descobri que as lendas que seu pai nos contava eram verdadeiras e que os meninos da tribo se transformavam em lobos.
Cerca de uma hora depois o telefone toca e eu atendo de forma aflita.
– Olá?
– Desculpe chamar tão tarde na noite, mas você é Isabella Swan? – perguntou alguma mulher.
– Sim, eu sou Isabella Swan. Do que se trata?
– Aqui é Susan do pronto socorro de Phoenix. – Eu congelei. -Lamento dizer que sua mãe, Renée sofreu um acidente de carro e infelizmente ela não resistiu.
O que? Renée está morta? Minha mãe está morta?
Assim que ela terminou, o telefone caiu de minhas mãos para o piso da cozinha, junto com meu corpo, como eu cai na inconsciência.
Phil morreu três dias depois na UTI do hospital. Eu não fui vê-lo.
Se alguém me perguntasse como foi o funeral, eu não saberia como responder. Eu não poderia prestar atenção a qualquer coisa a minha volta, eu estava perdida em meus pensamentos.
Meu pai não compareceu ao funeral, pois foi incapaz devido a compromissos já marcados. Tradução: Caroline não quis que ele comparecesse no funeral de sua ex. Eu nunca me senti mais abandonada e sozinha que naquele momento.
Meu pai telefonou me dizendo que mandaria passagem para que eu pudesse ir morar com ele.
Eu não queria ir, eu não queria conviver com Caroline que a meu ver era mais importante para Charlie do que qualquer outra coisa. Mesmo a sua filha. Talvez Phil tivesse razão... Eu não era boa o bastante.
A família de Matt persuadiu Charlie para que eu permanecesse até que o ano letivo terminasse. Conviver com a família de Matt foi um balsamo em minhas emoções um tanto debilitada e nos tornamos grandes amigos.
Nesse intervalo que eu havia ficado em sua casa, Matt me contou que era adotado e que viera de um lar conturbado e que sabia muito bem o que eu sentia, já que passará o mesmo com o seu pai. Passamos a ter conversas longas que abrangia desde assuntos sérios a bobagem como quem iria vencer o American idol.
Tornamo-nos irmãos e juramos ajudar um ao outro quando necessário.
Flasch Back off.
– shhhhhh, vai dar tudo certo. – Matt me balançava em seu colo sussurrando palavras de conforto enquanto eu mantinha minha cabeça enterrada em sua camisa.
– Bella! – eu ouço Edward me chamar, mas eu não quero ver seus olhos sabendo o que ele certamente havia visto nos pensamentos de Matt sobre mim e me aperto mais na camisa de Matt. – Bella não vamos abandoná-la...acredite em mim...eu e meus irmãos te amamos mais do que tudo no mundo..- ele dizia acariciando minha cabeça. — ...não há nada que nós faça abandoná-la... ele mentiu Bella, você é boa... – suas palavras se perdem enquanto eu caio em um sono profundo.
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