*Mello*

-Nooooosa Fred! Olha o que eu encontrei aqui. – Havia três homens vadiando pelo beco da Av. Elefante Voador,trajando moletons e acessórios...peculiares. O primeiro olhava para nós e gesticulava com as mãos para outro. Todos usavam uma etiqueta no pescoço com nomes que provavelmente eram falsos. Patético.

-Interessante, muito interessante! – disse o que se chamava Fred. Percebendo que um terceiro homem olhava intensamente para Near, acrescentou: — Walter, nem pense nisso, eu fico com ele.

Tendo um repentino entendimento da situação, declarei :

-Somos clientes. – Peguei a bolsa de Near e mostrei o dinheiro a eles. – Tenho certeza que é suficiente.

-Ora,ora,ora...Quem diria. – Na etiqueta do primeiro homem lia-se Kelvin. Este agachou até ficar da minha altura e me olhou com firmeza. Sustentei o olhar. – Você está mentindo.

Um sorriso se espalhou em seu rosto frio e cruel. Fiquei nervoso.

-Não estou! O dinheiro está aqui, o que mais vocês querem? – Percebi tarde de mais que tinha feito a pergunta errada. Inconscientemente, levantei os olhos para o céu e por um segundo pensei ter visto cabelos vermelhos no alto do prédio ao lado. Imaginação, com certeza. A voz de Fred me fez mover a cabeça em sua direção.

-Vamos te mostrar o que nós queremos criança. – Em dois segundos Near, que estava se escondendo atrás de mim o tempo todo, foi erguido do chão por Fred que o segurou mais junto ao corpo do que necessário.

-Me solta seu verme! Mello, socorro!

Enquanto Near tentava se libertar, Fred apenas ria.

-Near! – Mal dei um passo em sua direção e Walter prendeu minhas mãos às minhas costas. Segurou com tanta firmeza que eu nem conseguia movê-las. Enquanto isso Fred colocou Near contra a parede, ainda segurando-o no colo. Ficou de costas para a porta do hotel e acariciou repetidamente os cabelos de Near.

-Para com isso seu nojento! Eu juro que se machucá-lo vou garantir pessoalmente que você não esteja vivo a esta hora de amanhã! – Eu estava muito preocupado, mas os três apenas riram.

-Calma lindinha. – Kelvin estava se aproximando. Eu não estava gostando disso. – Tem pra você também.

No momento em que os dedos de Kelvin tocaram meu rosto, gritei como nunca havia gritado antes :

-MATT!

*Matt*

MALDITAS ESCADAS! Estavam me atrasando. Pulando de cinco em cinco degraus eu deveria chegar a tempo. Mello, Near...Vieram até aqui me procurar? E agora eu estava indo defendê-los. Mas como? Precisava de armas. Assim que cheguei ao salão lotado do hotel, peguei duas facas e um revólver que estavam sobre a mesa de um bêbado e segui para a porta que dava para o beco onde Mello e Near estavam pagando pela minha estupidez. No momento em que coloquei a mão na maçaneta eu ouvi. Meu nome.

Mello estava gritando por mim.

Quase arranquei a porta das dobradiças e me deparei com a cena: Near a mais de um metro do chão, apoiado na parede com Fred colado em seu pequeno corpo, mantendo suas costas prensadas; Mello com as mãos presas às costas por um e sendo acariciado no rosto e lentamente abraçado pelo outro. Enlouqueci.

Olhei para baixo. Em uma das mãos, segurava uma faca. Mirei rapidamente as costas do homem que segurava Near: o resultado foi imediato. Sangue escorria e ele gritava de dor. Provavelmente acertei um órgão vital. Caindo de costas no chão e urrando, o homem soltou Near que despencou da parede para o chão e não se mexeu. Queria ajudá-lo, mas ainda faltava Mello. Aquele que segurava suas mãos às costas me viu, mas eu estava adiantado. Passando rapidamente a outra faca para a minha mão livre, acertei bem no meio de sua testa.

-AAAH SEU PIRRALHO DESGRAÇADO! COMO VOCÊ FEZ ISSO?

-Simples. –Minha voz estava terrivelmente calma. Eu ainda tinha uma última arma. Segurei o revólver com as duas mãos. – Vocês são muito idiotas.

Ele não tinha mais vida para me responder.

-Não criança... O único idiota aqui é você. – O último adulto do local falou, virando de frente para mim. Percebi a estranha etiqueta em seu pescoço.

-Kelvin, não é? –Ele continuava bloqueando minha visão de Mello. – Saia da frente e nos deixe ir, senão...

Ele riu.

-SENÃO O QUE?

-Não pouparei sua vida.

Kelvin rapidamente se pôs atrás de Mello e envolveu seu pescoço em uma chave de braço.

-Baixe essa arma menininha, ou eu levarei seu namorado para a morte comigo.- O rosto de Mello já exibia uma aparência arroxeada.

Eu não podia obedece-lo. Ele mataria Mello de qualquer maneira.

Atirei.