Escolha

3 O garoto da van


Havia se passado um mês já desde a minha mudança, tudo ia bem fiz alguns amigos, Amanda, Lauren, Bruno, Vitor e Vitoria que são irmãos, Bruno é o mais velho de nós e foi o que eu mais me enturmei, sim me dou bem com todos e estamos criando um vínculo de amizade que parece que vai dar certo, fazemos tudo juntos, trabalhos, aulas, saímos para comer alguma coisa, bem diferente de como era no colégio, na faculdade as pessoas são mais adultas, responsáveis, eu estou adorando essa nova fase, sou a mais nova do grupo, a caçulinha como eles dizem.

— Ta mãe, pode deixar – falava com a minha mãe pelo celular, passando o relatório semanal, toda semana ela me ligava e eu contava como tinha passado, e quando a gente desligava sabia que ela ia chorar, minha mãe é super protetora, ela é ótima.

— Eu te amo, se cuida, come direito, e estuda – já conhecia o sermão de cor, me despedi e voltei a falar com o Henry por mensagem, contava tudo pra ele e ele estava super contente por eu ter feito novos amigos, ter com quem conversar era ótimo, meu quarto já havia ficado pronto, meu pai agora dormia no andar de cima e eu fiquei com o antigo quarto dele, pintamos as paredes de lilás pra ter mais a minha cara, colei umas fotos na parede, arrumei meus livros e bugigangas que eu trouxe, com os dias ele ficava cada vez mais com a minha cara.

— Contratei uma van para te levar e buscar na faculdade, ele vem hoje já – Meu pai me avisou que ia parar de me levar porque minha madrasta precisava usar o carro e gastar minhas economias com uber estava me deixando zerada, tinha conseguido um emprego de meio período num escritório e ia ajudar ele a pagar as despesas com a van.

— Vou indo ali pra frente para esperar ele ta? Beijos – Gritei no pé da escada, e fui pra frente de casa esperar, depois de uns 5minutos a van chegou e um cara de uns 35 anos meio gordo desceu, tinha os olhos verdes, cabelo liso curto pouca coisa maior que eu

— Isabella correto? Prazer, meu nome é Luis, vou te pegar aqui na tua casa sempre esse horário, e para sairmos da faculdade tem até 22h05 tudo bem? – Tinha um sorriso simpático no rosto

Acenei com a cabeça e subi na van, tinha várias crianças de outras escolas, ele foi deixando cada criança em casa e parecia que não ia chegar nunca até irmos para a aula, ele deixou a última criança em casa e pegou o caminho contrário, ou seja vou me atrasar para a aula. Não tinha me dado conta que ele tinha parado em frente a uma casa até a porta abrir, um guri entrou cumprimentou o Luis como se fosse velhos amigos.

Meu coração começou a bater mais rápido e senti minhas mãos suadas, fiquei sem entender aquela reação do meu corpo, o garoto olhou pra mim e sorriu, um sorriso lindo por sinal, ele tinha a cabeça cheia de cachos e o cabelo preto, era bem alto pelo o que percebi, a pele branca, olhos castanhos e os cílios cheios longos e curvos, porque o garoto sempre tem cílios perfeitos, era forte, e os cachos caiam no rosto, combinava com ele. Balancei a cabeça de volta sem deixar transparecer esse surto que meu corpo teve com a presença dele

— Eai, meu nome é Thomas – e deu uma piscadinha – desculpa te fazer andar por ai sem rumo, me atrasei mais do que o normal hoje e pedi para o Luis, vir me buscar mais tarde – terminou com um sorriso no rosto, porque eu tenho a impressão que esse sorriso vai acabar de um jeito ruim

— Capaz, tudo bem, na próxima eu te faço esperar também, meu nome é Isa – dei uma piscadinha para ele também, ele me olhou de um jeito diferente, percebi que ele corria os olhos pelo meu corpo todo, aquilo me deixou arrepiada, o que estava acontecendo comigo não controlava meu próprio corpo. Ele voltou atenção dele para o Luis, e eles conversaram, a van seguiu caminho, várias meninas entraram, mas só o Gabriel de menino, que maravilha pensei.

Ele conversava com todos, super amigos distribuindo sorrisos, senti uma leve pontada no estomago e não sabia o que era aquilo, não podia estar com ciúmes de uma pessoa que eu conheci tem 30minutos né, e eu tinha namorado, fiquei olhando pela janela escutando música com os meus fones, senti que estava sendo observada, olhei de canto e o bendito estava no encarrando, ele estava sentado num bando que ficava de frente para mim e de costas para o Luis, eu teria ficado enjoada naquele banco, mas Gabriel pareceu não sentir nada, a van passou por um buraco que levou todo mundo a levantar a bunda dos bancos, e o joelho dele tocou na minha perna, senti uma corrente elétrica pelo meu corpo, mas que diabos estava acontecendo comigo hoje, e porque essa van nunca chega.

— Desculpa, te machuquei? – Perguntou ele levando a mão dele em direção ao meu joelho, encolhi as pernas o máximo que eu pude e vi os olhos dele com desapontamento fiquei mal por isso

— Não precisa se preocupar, não foi culpa sua – ele acenou com a cabeça e não voltou a me olhar mais e fez o possível para ficar o mais longe possível, pude sentir meu coração dar uma murchada com o afastamento. Quando chegamos na faculdade, Thomas desceu com duas meninas uma de cada lado, e eu segui sozinha para encontrar meus amigos, não vi ele no intervalo e quando voltamos ele sentou no banco da frente para conversar com Luis, fiquei triste, porque eu não queria que ele pensasse que sinto nojo ou sei lá o que, só reagi por instinto, o toque dele me deixou nervosa. Desci em casa e dei boa noite para o pessoal, jantei e tomei banho, me deitei na cama e voltei a trocar mensagens com o Henry, me sentindo culpada pelo dia de hoje, nós estamos juntos a 3 anos e eu nunca me senti desse jeito na presença de outro homem mas não comentei nada com ele sobre ocorrido, coloquei Friends na netflix para ver e peguei no sono.