Escolha

4 Aniversário de namoro


Acordei e fui trabalhar, estava gostando do serviço, as pessoas eram legais e eu estava começando a pegar o jeito nas tarefa, tentei ocupar minha cabeça mas aqueles cachos de anjo não saiam da minha cabeça, procurei eles nas redes sociais para tentar descobrir alguma coisa a mais, porém só com o primeiro nome fica difícil, tinha me decidido a falar com ele hoje enquanto íamos para aula, mostrar que eu não sou aquela esquisitona, depois que sai do emprego, fui para casa, tomei banho, coloquei uma calça de moletom preta com uma listra branca na lateral cintura alta, tinha uma caimento ótimo no meu corpo e eu adorava, e uma regata branca, e calcei os tênis. Quando o Luis chegou, eu cumprimentei ele e batemos um papo, percebi que ele não estava indo pelo caminho para chegar na casa do Gabriel e perguntei

— Ué o Thomas não vai na aula hoje? Ta doente? – Sentindo uma leve tristeza, queria saber se estava tudo bem com ele

— Ele ta ótimo, não vai hoje não – e deu um sorriso – hoje é aniversário de namoro dele, vai levar o mozão para jantar – e piscou, obvio que eu entendi o que esse jantar significava, mas a frase aniversário de namoro foi como um soco no estômago, o que é que eu tinha na cabeça pelo amor de deus, eu não podia estar com ciúmes de uma pessoa que eu nem sei o nome completo, ele namora pelo jeito e eu também, senti raiva e fiquei em silêncio, mil coisas estavam se passando na minha cabeça. Fui o resto do caminho em silêncio, chegando na aula conversei com o pessoal sobre coisas banais e estávamos combinando de sair no fim de semana, ir jantar num restaurante novo da cidade, esqueci tudo o que tinha acontecido mais cedo, eles realmente me faziam bem. Já em casa falei para o meu pai que como era meu dia de folga eu ia ir na biblioteca pegar alguns livros novos.

Acordei cedo, determinada a não pensar mais naqueles cachos negros, falei com os meus irmãos por ligação de vídeo matando um pouco da saudade, e avisei o Henry que eu ia ir na biblioteca, ele sempre doce falou que tudo bem e me desejou boa sorte com os livros e voltou a trabalhar, ele sempre foi tão bom comigo, sempre me cuidou, suspirei cansada, cada vez mais me sentindo culpada por ter ciúmes de outra pessoa.

Peguei um ônibus e fui para o centro, vinha muito na biblioteca, tanto que a bibliotecária já me conhecia

—Bom dia Fabrin, qual época você vai visitar hoje? – Ela sempre me chamava pelo sobrenome e eu até já estava gostando

— Bom dia Sra. Fialho, hoje talvez eu visite o século 17 ou o 19 – falei rindo, chamava ela pelo sobrenome também, me sentia bem com ela. Estava usando um short jeans preto hoje e uma camiseta rosa com um pequeno símbolo no canto superior, eu adoro preto, então quase sempre é o que eu uso.

Estava na sessão de fantasia, procurando algo novo, tão envolvida que não notei ninguém atrás de mim até sentir um assopro no pescoço, me arrepiei toda e me virei para ver, não sei qual foi a cara que eu fiz na hora, mas meu coração foi na boca e voltou, Thomas estava rindo de mim

— Me desculpa, mas você estava tão no mundo da lua que não me contive – dizia ele em meio a gargalhadas, parecia tão relaxado, vestia uma bermuda de moletom, tênis, e uma camisa preta, os cachos estavam presos num meio coque, ficava bem nele, ele percebeu que não gostei nada – Ei Bela me desculpa – me olhando nos olhos como se visse minha alma

— Bela? – Perguntei confusa, até esqueci do susto por um instante, não queira admitir, mas o apelido derreteu meu coração

— Sim, você disse que todo mundo te chama da Isa, mas eu não sou todo mundo e Bela combina bem mais – ele apoiou uma mão na estante trancando minha passagem, pude sentir o perfume dele, era tão bom, suave mais predominante, parecia perfeito.

— Tanto faz, da na mesma – dei os ombros fingindo desinteresse – mas o que você está fazendo aqui?

— A biblioteca é pública lembra, e eu acho que o mesmo que você, escolhendo livros – um cacho se soltou e caiu sobre o olho dele, eu automaticamente peguei o cacho e tirei dos olhos dele só então percebi o que eu havia feito, Thomas me olhava surpreso também com a aproximação repentina notei que a respiração dele se tornou mais forte.

Fiquei imóvel, tudo girava, não tinha ficado tão perto dele antes, ele estava me olhando nos olhos sem desviar, tive medo de me mexer, de falar e até respirar, qualquer movimento iria quebrar o encanto daquele momento ficamos nos olhando por segundos mas pareceu uma eternidade até que ele tossiu coçando a garganta disfarçado e se afastou, soltei o fôlego minha cabeça começou a girar, o que esse garoto tem que mexe tanto comigo, é como se o meu corpo e minha alma conhecessem ele a anos já.

— Me desculpa, mas então... que tal a gente ir beber um café – Falei tentando quebrar o clima, depois me lembrei que eu tinha dito pra mim mesma que não ia mais falar com esse guri, deus porque eu não tão fraca com as minhas convicções

Ele deu aquele sorriso de canto que eu estava começando a gostar muito

— Eu ia adorar, mas prefiro um milk-shake – é eu também pensei internamente

Peguei os livros que eu queria e fomos andando até a sorveteria, a conversa fluía leve, coisas banais como faculdade, trabalho nada de interessante, mas estava adorando a companhia.

— Como tava o aniversário de namoro? – Thomas parou e me olhou como se não tivesse entendido a pergunta repentina

— Como você sabe?

— Luis – Foi só o que respondi dando os ombros

— Ah... foi normal – respondeu ele de forma vaga

— Deu o que pra ela de presente? – A curiosidade matou o gato Isabella, fecha a boca

— Um perfume, mas porque o interesse? – Pelo jeito ele não gostou muito

— Somos amigos não somos? Ou quase isso, quero te conhecer melhor – ótima desculpa pra especular sobre a vida dele

— Amigos? Bom sim, só achei estranho, a uns dias atrás você quase pulou para fora da van porque não queria encostar em mim e agora somos amigos...

— Aquilo foi sem querer, não estava preparada, e eu não quase pulei pra fora isso é exagero já, mas se você não quiser falar sobre isso tudo bem a escolha é tua – Estava começando a ficar irritada

— A minha relação é complicada ta, por isso não falo sobre ela

— Complicada como?

— Você é bem curiosa né

— Fazer o que, vai responder ou não

— Se eu não responder você ainda vai continuar me incomodando com isso mesmo... Eu e ela temos um relacionamento aberto

Nessa hora eu parei com tudo no meio da calçada dando um encontram em um moço que vinha atrás, ele me xingou, mas meu cérebro ainda tentava processar a informação que o Thomas disse, me senti o meme da Nazaré confusa literalmente, não conseguia dizer nada, relacionamento aberto?! Mas que merda é essa.