Escola de Cavaleiros

8 Capítulo 8 - Vigiados


Notas iniciais
Olá pessoal... pois é né? Depois de quase dois meses, ou até um pouco mais do que isso eu vos trago capítulo inédito dessa fanfic... pois é, como eu prometi, não vou abandonar fanfic nenhuma minha, e por mais que eu demore, eu vou atualizando-as sempre como e quando posso. XD Fala sério né? Nem demorou tanto assim... XD (Nada demoraria tanto quando a passagem do Capítulo um para o dois que foi de um ano e dois meses '-') A partir de agora as atualizações dela ficaram mais frequentes... talvez um capítulo por mês, ou um a cada três semanas, ou duas, não sei, to cheio de projetos para esse fim de ano e muitos deles envolvem long fics também XD Mas mesmo assim as atualizações serão mais frequentes. Andei mudando um pouco meu estilo, acho que isso acontece quando a gente vai amadurecendo... e pra mim esse capítulo foi difícil, porque ultimamente eu tenho escrito muita coisa em primeira pessoa, dai pra mim voltar a escrever em terceira e ainda retomar essa fic foi complicado, e eu acho que a narrativa mudou um pouco. Principalmente quando há mudança de narração de ação de um personagem para o outro... eu acho que ficou tudo muito em cima um do outro, mas isso vocês é que me dirão... Boa Leitura.

Aioria e Shaka caminhavam pelas instalações da academia ainda sem saber ao certo aonde irem; ambos haviam passado rápido pela cantina, mas ela estava mais cheia do que de costume e o loiro fez questão de não ficar em meio a algazarra toda que os colegas faziam; assim ele e o leonino resolveram procurar pela escola um local onde pudessem ficar mais sossegados, e após darem algumas voltas pela academia resolveram que esperariam Aioros e Afrodite saírem do castigo no jardim da frente do prédio.

Caminharam conversando qualquer coisa sobre as matérias até chegaram a um local que Shaka julgou ser apropriado e se sentaram.

Aioria ainda permanecia meio aéreo, apesar de sempre responder e dar a devida atenção a conversa com Shaka; e isso não passava despercebido aos atentos olhos do virginiano, que sempre captavam todas as mudanças de comportamento das pessoas.

– Aioria, você está bem? — o indiano perguntou mais por curiosidade que por preocupação.

O loiro maior apenas o encarou e sorriu leve assentindo que sim e deitou-se logo em seguida na grama verdejante em que estavam sentados.

O dia estava meio nublado naquele momento, e mesmo sendo meio-dia em ponto, o sol não estava forte, e logo o ambiente mostrava-se propício para relaxar.

O Virginiano preferiu então não insistir, ele sabia bem que a resposta de Aioria havia sido evasiva, mas entendeu que as pessoas geralmente não eram abertas a conversas sobre seus problemas, principalmente se a outra pessoa não era tão íntima assim...

O loiro budista continuava a observar o ir e vir das pessoas de forma inexpressiva; alunos caminhavam por toda parte, desciam e subiam as escadarias do prédio; outros sentavam ou deitavam na grama como eles haviam feito; havia também aqueles que caminhavam pelo jardim frontal da academia e conversavam sobre qualquer coisa e também mais alguns que sentavam nas mesas de uma pequena lanchonete ao ar livre que por ali existia.

Shaka observa atentamente e sem muito interesse essas pessoas que passavam, muitos deles eram veteranos, já estavam no último ano para serem Cavaleiros de Bronze e Prata, pois as Turmas para esses Cavaleiros abriam anualmente; já a dos Cavaleiros de Ouro, apenas a cada dez anos, e ele pensou que deu sorte de entrar na academia justamente quando essas turmas abriram.

Continuava a tecer seus pensamentos de forma analítica até que seus olhos azulados pararam sobre uma estranha figura ao longe.

No meio do Jardim frontal da Academia, havia uma grande estátua de Pedra de Athena, e abaixo dela, apoiado na base, um estranho homem de longos cabelos loiros, assim como os seus, e de trajes tipicamente indianos o observa; o cabelo estava trançado e as vestes eram realmente indianas, pois ele vestia uma sári estampada.

Os olhos daquele homem permaneciam fechados, mas Shaka tinha um estranha sensação de que ele podia vê-lo.

Aquele ser tão estranho e ao mesmo tempo intimidador continuava parado ao longe na base daquela estátua, e permanecia de frente para o loiro e para Aioria, que deitado na grama observando o céu, estava alheio a situação.

Shaka desviou o olhar alguns segundos para o amigo o chamando, para que ele também observasse aquele homem.

Aioria levantou-se e buscou com o olhar o tal homem que Shaka falava, mas não o encontrou; o próprio virginiano ao olhar novamente para a estátua, viu que aquela estranha figura não estava mais lá, e isso sem dúvida atiçou a perplexidade dentro do indiano.

Shaka pensava que talvez pudesse estar vendo coisas, entretanto sempre foi uma pessoa centrada e muito objetiva para tratar aquela questão de forma subjetiva, ou seja, não acreditava em miragens; entretanto deixou para pensar nisso em outro momento; talvez até esquecesse, pois só porque uma pessoa olhava em sua direção, não queria dizer que ela estava olhando para você, não era mesmo?!

Aioria voltou a deitar-se na grama e observar as longas nuvens que encobriam o céu grego naquele comecinho de tarde, e mais uma vez seus pensamentos se focaram na única coisa em que não queria pensar: Aioros.

Sim, a imagem, as palavras e as lembranças acerca de seu irmão cercavam a sua mente, e o leonino irritava-se internamente com a continuidade de seus pensamentos; mas também irritava-se ainda mais ao tentar fazer esforço para não pensar naquilo, porque gostando ou não, ele queria pensar naquilo; pensar em seu irmão.

As palavras e imagens da noite anterior vinham a sua mente como flechadas e faziam seu peito doer com tais lembranças; o loiro se perguntava — mais uma vez. — como seria quando finalmente encontrasse seu irmão; qual seria a reação de Aioros? Ele iria lhe dirigir a palavra?, ou apenas ignorá-lo como se ele não fosse ninguém... E mais uma vez com esses pensamentos em mente, seu peito batia apertado e dolorido.

Shaka, alheio as reações do leonino, pois havia voltado a estudar o movimento do ambiente, não se deu conta que ao passar daqueles poucos minutos Aioria dera diversos suspiros, e alguns deles bem audíveis; não na intensão de chamar a atenção, é claro; mas o leonino estava tão perdido dentro de si e dentro de seus sentimentos, que não se dera conta de suas reações físicas perto do loiro.

O indiano por sua vez mantinha-se observando de forma desinteressada o passar dos estudantes ali, até que sua atenção exclusiva foi mais uma vez capturada por outra imagem que estava diante de si, essa, bem mais perto e visível.

Um enorme homem de pele morena e bem musculoso o encarava descaradamente com um sorriso malicioso no rosto; Shaka sabia bem quem era aquele sujeito, afinal, Afrodite namorava com Máscara por muito tempo para que até mesmo o próprio loiro viesse a conhecer os tipinhos com quem ele andava.

O olhar do virginiano para o "armário" a sua frente se estreitou; Shaka definitivamente não seria intimidado pela presença e o olhar insistente daquele cara sobre si, principalmente sabendo que o mesmo o mantinha de forma proposital.

O budista jogou seus longos fios de cabelo para trás e manteve seu olhar fixo do grandalhão; se era uma guerra de olhares e egos que ele queria, ah, ele iria ter, pois apesar de evitar conflitos o máximo possível, Shaka não se intimidava diante deles quando os mesmos faziam questão de caçá-lo.

O grandalhão mantinha-se lá, do outro lado da grama, tendo apenas uma grande escadaria entre eles a fitar Shaka de forma provocativa, enquanto o loiro apena o encarava com indiferença e suspeita.

Acreditava ele que para uma pessoa — principalmente uma pessoa daquele "tamanho"- se sujeitar a obedecer as ordens de Máscara e se sujeitar a ser um capacho dele, ou provavelmente era muito burro, ou bem mais cretino que o próprio Máscara.

Mas logo tais pensamentos foram cessados com a chegada de uma nova figura, que por ventura, o loiro também conhecia muito bem...

– Aldebaran! — exclamou o moreno em voz alta o que fez todos os presentes voltarem a atenção para ele.

Assim como Aldebaran, ele também possuía cabelos pretos, entretanto eram menores, curtos e espinhados apontados para cima; era alto, mas nada que se comparasse ao maior, pois perto dele, o recém chegado parecia um anão.

– Shura, fala aê cara! — o grandalhão rapidamente o cumprimentou com um sorriso malicioso.

Shaka, sendo quem era, estudava com precisão a cena a sua frente; queria mesmo entender o que estava acontecendo ali e o que iria acontece a seguir, principalmente por ter em vista que aquelas pessoas estava ligadas ao passado de Afrodite.

– Aldebaran...Eu já estou por dentro do plano novo do Máscara e fique você sabendo que eu não concordo com nada e que não vou ajuda-lo nessa. — comentou o moreno menor com certo ar de irritação.

Perto dali, Shaka e Aioria ainda observavam a possível discussão entre eles, e aos ouvidos do virginiano, a sentença "plano novo do Máscara" soou de forma muito Atrativa.

– Como é? — Aldebaran questionou franzindo o cenho. — Como assim você não vai ajudar? — perguntou o maior se levantando e encarando Shura de frente.

O Moreno menor não se intimidou e continuou:

– É isso mesmo, assim que meu primo chegar eu vou falar para ele o quanto ele está louco e transtornado para pensar em um plano desses. — comentou Shura de forma sagaz e bastante imponente.

O Moreno maior apenas limitou-se a fita-lo com os olhos; na expressão de Aldebaran estava estampado o descontentamento dele ao ouvir aquilo de Shura; aparentemente o maior deveria achar que era Shura quem perdera o juízo ao dizer que não ajudaria Máscara em suas tramoias.

Shaka ainda mantinha-se concentrado na conversa alheia, analisando cada expressão e palavra dita com muito cuidado; entretanto a visão e concentração do indiano foram interrompidas quando o mesmo se sentiu ser abraçado por trás.

– Shaka. — aquela voz fina e conhecida gritava em seu ouvido enquanto sua cintura era envolvida por um abraço forte. — Senti saudades. — o homem que chegava sentenciou fazendo o virginiano o encarar enquanto este mesmo homem rebatia seu olhar por cima do ombro de forma brincalhona.

– Afrodite, por favor, sabe que odeio essas suas aproximações furtivas. — comentou o loiro deslaçando os braços de Afrodite da sua cintura.

– Ai Shaka, você é chato mesmo. — o pisciano comentou sentando-se entre ele e Aioria.

Shaka então olhou pra a sua direita onde uma altiva sombra se fazia presente; e ao encara-la, percebeu a presença de seu colega; o irmão mais velho de Aioria.

– Aioros! — exclamou o virginiano chamando a atenção do maior para si, que antes apenas observava de forma distraída o ambiente a seu redor.

O Grego encarou o budista e sorriu de leve; o cumprimentou com um aceno de cabeça e sentou-se com eles logo em seguida.

Na outra ponta, Aioria mantinha-se congelado no tempo; ao ouvir a voz de Shaka pronunciar o nome de seu irmão, uma forte dor e uma forte ansiedade lhe ocorreram naquele momento.

Era como se todo o ambiente ao seu redor começasse a se mover em câmera lenta e as imagens começassem a perder a nitidez; o leonino então arriscou... Suspirou fundo e começou lentamente e virar a cabeça para a direita onde finalmente visualizou a figura de seu irmão, sentado na grama com eles depois de Afrodite e Shaka.

O virginiano conversava qualquer coisa com Aioros que apenas assentia e dava leves sorrisos como resposta, enquanto o pisciano apenas encarava e mexia em suas mexas azuladas procurando pontas feias; talvez.

O olhar de Aioria pousou então definitivamente sobre seu irmão; este mantinha-se meio desligado de qualquer coisa, apenas limitando-se a conversar e responder monossilabicamente aos questionamentos de Shaka, — quando este os fazia. — e assentindo positivamente as afirmações do loiro.

Por um instante; o olhar de Aioros cruzou com o do irmão; os olhos verdes encontraram os azuis e ficaram e se encarar por curtos segundos.

A Expressão de Aioros naqueles poucos segundos mudou de algo neutro para uma feição mais carregada, mais séria, mais cheia de dúvidas e principalmente mágoa.

Aioria podia sentir seu coração apertar cada vez mais e o ar lhe faltar nos pulmões ao mergulhar no vasto oceano esmeralda dos olhos de Aioros e ver que lá só havia dor e mágoa, e todas a seu respeito.

O leonino não aguentou fitar o irmão por mais tempo e desviou o olhar; não conseguira suportar ver a expressão de aborrecimento e desapontamento brotar no rosto de Aioros ao encara-lo; fora o intenso brilho de raiva e mágoa que o olhar do outro lhe trazia.

Sim, naquele momento o loiro teve a certeza de que as coisas entre ele e o irmão não estavam nada bem; e mesmo sabendo que Aioros tinha sua parcela de culpa em toda aquela situação, o menor não deixava de querer toma-la toda para si; e isso o estava consumindo como uma doença por dentro.

E enquanto o leonino se perdia novamente em seus dolorosos pensamentos, Afrodite tinha algo bem mais interessante em mente, algo que superava ate mesmo a sua procura por pontas duplas em seus vastos cachos: Observar Aldebaran e Shura.

O andrógeno passou então a tomar a função de Shaka a poucos minutos atrás, e começou a prestar bem atenção no que os amigos de Máscara diziam;

Shura ainda reclamava sobre um tal "plano" de Máscara para alguma coisa e aquelas palavras deixavam o coração do pisciano aflito; mas do que será que eles estavam falando? Pensava Afrodite enquanto sua expressão tornava-se mais séria e desolada a cada palavra que ouvia Shura e Aldebaran proferirem naquela conversa.

Aioros, que estava na ponta, e dividia sua atenção entre Shaka e a conversa daqueles dois brutamontes que tivera o desprazer de conhecer na trilha da montanhas no mesmo dia em que esbarrou com Afrodite, teve sua atenção repentinamente chamada para a sua direita, onde uma forte sombra se fazia presente encobrindo a ele e Shaka.

Ambos olharam e viram um homem passar por eles; homem este que ambos conheciam muito bem.

Máscara finalmente aparecia e passou bem perto deles enquanto os observava por entre os ombros com um olhar vitorioso e um sorriso de escárnio.

Aioros e Shaka franziram o cenho ao ver o canceriano passar por eles e ambos o encararam com certo desdém e raiva; fato que só aumentou o sorriso devasso em seus lábios.

Logo em seguida o moreno encarou Aioria e Afrodite, que também o encaravam de forma estranha; o Pisciano de certa forma, com temor no olhar.

Máscara se dirigiu então aos amigos e perguntou o que estava acontecendo ao ver Shura e Aldebaran discutindo sobre alguma coisa.

– Eu estava dizendo pro Deba que não concordo e não vou ajuda-lo nesse seu plano doentio. — descarregou o capricorniano de forma rude.

– Como é que é? — Máscara o encarou com um olhar assassino e uma expressão assustadora de raiva e intimidação; feição essa que de nenhuma forma intimidou o moreno a sua frente.

– Vamos conversar em um lugar melhor. — inqueriu Shura ao puxa-lo para outro local, mas logo sentiu um puxão ao ver Máscara se soltar de seus braços.

– Vamos, lá em baixo. — falou o canceriano com raiva e logo ambos seguiram andando pelo jardim rumo a uma distante escadaria por onde desceram e sumiram de vista.

Shaka e os demais observavam os acontecimentos de forma assustada e perplexa; todos haviam achado aquela conversa muito interessante, e sem dúvida um alerta para qualquer coisa que poderia vir a acontecer no futuro.

Afrodite de todos ali era o que parecia mais preocupado e assustado; pelo pouco que pode ouvir da conversa, parecia que Máscara estava armando algo, e algo grande e perigoso.

Sua mente então começou a cogitar a possibilidade de que fosse algo em relação a ele; afinal, querendo ou não acreditar; sempre era.

Shaka levantou-se bruscamente, fato que chamou a atenção dos demais e se virou para todos:

– Vamos! Temos que saber o que ele está aprontando. — disse o loiro saindo em direção as mesmas escadarias por onde Máscara e Shura haviam descido.

Todos os demais se entreolharam aflitos e se levantaram indo em direção ao virginiano.

– Shaka, você enlouqueceu? — perguntava Afrodite com aflição ao seguir o loiro atrás de Máscara.

– Afrodite, você melhor do que todos sabe que devemos ficar de olho nesses caras; nós não sabemos do que eles são capazes, e você sabe muito bem das coisas que o Máscara já fez. — rebateu o loiro de forma racional encarando o amigo com certa imponência. — Independente se tiver ou não haver com a gente, ou no caso, com você, nós devemos saber o que é. — concluiu o indiano ao chegarem as escadarias e começarem a descer.

– Eu sei Shaka, mas... — o andrógeno queria dizer algo, e em sua confusão mental acabou cessando seus passos na descida da escada.

Shaka virou-se para ele então, o encarando com certa preocupação.

Aioros e Aioria que vinham a passos rápidos atrás também pararam observando o de cabelos turquesa; que parecia ainda pensar em algo para dizer.

Na mente do pisciano só havia incertezas naquele momento; ele realmente não queria saber o que Máscara estava armando; tinha medo de algo para ele ou com ele, e o pior, tinha medo de cair propositalmente nessa armadilha, porque querendo ou não, algo dentro de si ainda o fazia gostar do canceriano.

Ele encarou Shaka que mantinha sobre si um olhar baixo, meio preocupado, meio cobrador, que inqueria uma resposta por parte dele ou pelo menos uma continuação para a frase que ele iniciara.

O andrógeno apenas acenou negativamente com a cabeça de forma rápida e sorriu para o amigo; um sorriso leve e carregado de algum tipo de sentimento; não necessariamente em relação a Shaka, mas sim a situação.

Continuou então a andar, o que fez os demais continuarem também.

O Caminho pela escadaria era cercado de grandes árvores por todos os lados, e a decida era íngreme; as árvores eram frutíferas, e por tanto de grande porte; criando assim uma enorme sombra e uma densa e pequena floresta de cada um dos lados da escada.

Ao se aproximarem do fim da escada, viram a arena de treinos usada pelos alunos do segundo ano; naquele horário, como era almoço; não havia ninguém lá, mas de longe eles podiam ouvir os gritos de Máscara e Shura.

Shaka puxou Afrodite e foi seguido pelos irmãos para dentro de umas das florestas laterais, na tentativa de se aproximar mais dos dois sem serem vistos ou ouvidos.

Chegaram bem perto da arena, ficando escondidos cada um atrás de um carvalho que lá havia, e puderam então ouvir claramente a conversa dos dois:

– Eu sei que você tem um plano pra tomar o Afrodite de volta, mas eu já estou avisando que não vou participar. — comentou de forma irritada o capricorniano.

– Você não ousaria me trair, não é Shura? — questionou raivoso o outro moreno apontando o dedo para o rosto do espanhol.

– Não é uma traição, é uma escolha. — gritou o moreno. — eu não quero me meter em problemas Mask, e você está sem dúvida querendo arruma-los. Eu sei que dessa vez a parada é séria e o lance é grande; tanto que você está até envolvendo gente de fora nisso... Mas o que diabos está havendo com você? — Shura questionava num misto de aborrecimento e incredulidade ao pensar nos futuros atos de seu primo.

Sim, Máscara e Shura eram primos e cada um derivada de uma envergadura de sua grande família. Shura da parte espanhola e Máscara da parte italiana.

– Meu próprio primo me dizendo um desaforo desses... Pra sua informação, eu farei de tudo e mais um pouco pra ter o Afrodite de volta pra mim; aquela cadela arredia me pertencer e a mais ninguém... — gritava quase transtornado o canceriano. — E se você não for me ajudar; não fique no meu caminho. — gritou alto a última parte, o italiano; encarando o menor a sua frente de uma maneira estranha, com uma expressão quase maníaca no rosto.

– Você é um doente. — disse Shura somente, e virou-se para ir embora. — Não conte comigo nessa. — murmurou o espanhol, saindo então da presença do primo.

Máscara ainda enraivecido e bufando de raiva, observava o primo se destanciar e voltar a subir pelas mesmas escadarias por onde vieram, e não podendo mais segurar a sua raiva, esbravejou tudo em um único e violento grito de raiva.

Ficou ali mais alguns segundos, e logo em seguida tomou outro rumo, indo embora também.

Atrás das árvores, ainda escondidos, Afrodite e os outros ouviram atentamente a conversa deles, e a expressão no rosto do pisciano era de assustar.

Shaka olhou para o amigo arregalando os olhos logo em seguida ao ver um medo incontrolável tomar conta do semblante tão belo que Afrodite se orgulhava tanto possuir.

O Andrógeno recuou alguns passos para trás; tropeçando em um galho e caindo sentado ali; entretanto seu rosto não mudara, parecia até mesmo que nem havia notado sua queda, pois sua expressão era fixa em algo que emitia medo e transtorno.

Shaka foi até o amigo se abaixando rápido e o tocando o ombro:

– Afrodite, você está bem? Afrodite?! — O loiro perguntava e chamava por ele, mas o de cabelos turquesa parecia não estar ouvindo; Afrodite aparentava estar totalmente aéreo naquele momento... Principalmente tendo todos os seus medos confirmados naquele instante.

O plano de Máscara era realmente sobre si e para si, e ao que parecia, haviam outros além dos capangas habituais dele envolvidos, e Afrodite não entendia como Máscara havia conseguido a ajuda de gente de fora nas artimanhas dele, e nem porque essas pessoas, sejam elas quem fossem, lhe queriam fazer mal.

– Afrodite! — gritou o loiro com uma expressão de preocupação o que fez o pisciano o encarar e recobrar um pouco sua noção do mundo.

– Shaka! — respondeu baixo, ainda meio confuso e encarando o loiro a sua frente com um olhar vago.

– Ele está em choque. — comentou Aioros visivelmente preocupado com Afrodite.

Shaka olhou para Aioros e depois para Afrodite, e encarou o sueco de forma terna e triste. Logo em seguida o abraçou e murmurou em seu ouvido que ficaria tudo bem.

Afrodite então desabou; começou a chorar nos braços e Shaka, e chorar muito. A dor; o medo e a preocupação dentro de si o estavam tomando por completo.

– Shaka, ele é louco, eu sabia que ele não havia desistido de mim; ele vira atrás de mim, e eu estou com muito medo. — gritava o menor ainda abraçado ao indiano.

– Pois ele que se prepare... — Aioros se pronunciava novamente. — Pois todos nós estamos com você nessa e pra chegar em você, ele vai ter que passar por todos nós primeiro. — falou o sagitariano ainda com preocupação, se abaixando e segurando a mão do colega. — Vamos te proteger. — concluiu o maior com um sorriso singelo em seu rosto.

Afrodite então sorriu levemente; as palavras de Aioros o estavam fazendo muito bem; apesar de que ainda se sentia muito vulnerável.

Aioria que até então observava tudo e ouvia tudo de forma alheia aos acontecimentos, sentiu seu coração se apertar um pouco ao ver o irmão tocar a mão de Afrodite.

As palavras de Aioros na noite anterior mais uma vez ressoaram em sua memória; mas o leonino preferiu ignora-las, pelo menos por enquanto; porque apesar de não saber ao certo o que estava acontecendo; quem era aquele cara e porque ele queria Afrodite e estava planejando algo contra ele; Aioria tinha dentro de si a certeza de que independente do que estivesse havendo, ele teria que estar de dentro para ajudar seus amigos.

O loiro caminhou então para mais perto deles enquanto via Shaka e Aioros erguer Afrodite do chão.

Logo os quatro regressaram para a cantina do jardim; pois ainda não haviam almoçado e toda aquela agitação e revelação havia desgastado muito a todos.

Continua...

Notas finais
*Já sabem né? Perdoem qualquer erro de português, gramática, acentuação e afins nessa fanfic... Minha betagem é porca XD **Agradecimentos especiais para Shyna; Sheilinha; Nissitasina; Haineko e Haruka Tatsu que favoritaram a fic... Muito Obrigado meninas ^^ ***Agradecimentos especiais também para Eros; Miro; Naruto Potter; Ethernal Saint 23; Nissitasina; Haineko e Mangalove por terem me deixado comentários... Muitíssimo Obrigado a cada de um de vocês pessoal... ****Então, acredito que lá pro meio de dezembro vem capítulo novo dessa fanfic, entretanto a próxima coisa minha que sai é a fic do "Desafio do Free", ou se não, Capítulo novo da minha fic RP "Ao Acaso". De qualquer forma um muito obrigado a todos e espero que tenham gostado. Até a próxima pessoal! o///