Escola de Cavaleiros

9 Capítulo 9 - A Cachoeira


Notas iniciais
Olá pessoal, então, como prometido, Capítulo novo na metade de dezembro; entretanto, apesar de saber que as atualizações ficaram mais frequentes, eu tenho que dizer que não sei quando vira o próximo capítulo depois desse. Atualmente, estou com muitas fanfics em mãos, tenho a minha nova "Castelo de Vidro", que também tem os Irmãos Ai-Ai e uma nova long do Pokémon que irei fazer até o fim do ano. Além disso, tenho também "Ao Acaso" e "Meu Vaqueiro, Meu Peão", que são duas RPG/Fanfics que dependem da disponibilidade das minhas colegas para continuarem... Levando então as coisas como um todo, eu tenho no total 5 long fics para tomar conta; contando com essa... E isso sem dúvida irá diminuir o ritmo de atualização dessa fic aqui; apesar de que eu espero não demorar mais dois meses para postar novo Capítulo =p. Sobre esse capítulo, penso que minha escrita mudou um pouco; e isso é consequência da minha evolução como escritor, mas vocês que julguem isso, e também acho que tem algo errado na parte de coerência textual, pois assim como no capítulo anterior, eu acho que joguei tudo muito "um em cima do outro", de qualquer forma, vocês que me julguem com isso. Sobre a história, eu penso que as coisas estão meio paradas entre os casais, mesmo que o desfecho comece a mudar drasticamente, mas de qualquer forma, logo, logo, teremos mais e mais lemons excitantes para vocês; basta apenas esperarem um pouquinho. Boa Leitura.

Estavam todos na cantina externa da academia. Os ânimos estavam exaltados devido aos últimos acontecimentos.

Aioros e Aioria permaneciam calados; enquanto que Shaka olhava o cardápio da lanchonete em busca de algo que fosse-lhe agradável ao paladar.

Afrodite estava ao seu lado, imerso em pensamentos enquanto observava o passear lento das nuvens pelo céu grego.

– Não tem nada de bom nesse cardápio. — comentou o virginiano, quebrando o silêncio estático do ambiente. — Apenas refeições gordurosas, cheias de calorias e muitas frituras; nada que seja bom para mim. — dizia com desdém ao observar o menu.

Aioria sorriu diante das reclamações do loiro, enquanto os demais permaneceram calados.

– Falem alguma coisa, esse silêncio de preocupação me incomoda. — disse o loiro indiano; fazendo todos o encararem.

– Acho que todos precisamos de um descanso. Eu sei que é apenas a primeira semana de aula, mas já aconteceu tanta coisa... — Aioros se pronunciou; deixando transparecer em seu rosto uma certa preocupação.

O irmão menor então o observou de rabo de olho; imaginando se naquelas palavras proferidas também estava incluso os problemas que ambos viviam na intimidade.

– Concordo. — disse Shaka encarando o castanho, como se esperasse que ele prosseguisse. E como a resposta não veio, o mesmo pronunciou-se. — O que sugere então?.

O mais velho coçou a bochecha, como se pensasse em alguma coisa; mas logo todos foram surpreendidos pelo pisciano que finalmente fazia-se ouvir naquele ambiente:

– A Cachoeira. — A voz fina se fez ouvir enquanto um leve sorriso brotava nos lábios do andrógeno. — Lembra que quando nos conhecemos na trilha, você disse que estava indo para uma cachoeira?! — questionou o de cabelos turquesas, encarando Aioros.

– Sim, é verdade, tem uma trilha que leva há uma cachoeira naquelas montanhas. — rebateu agitado o castanho.

– Sim, você estava até de sunga naquele dia. — comentou Afrodite, deixando que um leve e malicioso sorriso acompanhasse o brilho lascivo de seu olhar sobre Aioros.

O Sagitariano corou com aquele comentário, sorrindo levemente como resposta para aquela afirmação.

Aioria olhou de Aioros para Afrodite cruzando os braços, e enrijecendo seu semblante diante daquela declaração do pisciano; o leonino lembrava-se agora das palavras de Aioros na noite anterior, e agora, aquela afirmação dita pelo andrógeno apenas servira como uma confirmação para ele.

Confirmação de que Aioros não mentira, e que realmente havia ocorrido algo entre eles; e pensar nisso, cogitar essa possibilidade, fazia o coração do loiro maior bater mais apertadamente.

Shaka olhava de Aioros para Afrodite, e percebia o clima que havia se instalado naquele momento entre eles. Era incrível como Afrodite, que parecia estar mal há segundos atrás, rapidamente mudava de comportamento, mostrando seu lado mais descontraído; e isso era um sinal de força por parte dele, pensava o indiano.

O olhar do loiro então focou-se em Aioria naquele momento; este parecia sério e meio aborrecido com algo, entretanto o Virginiano não entendeu o que poderia ser, fato que o intrigou.

– Pois é. — comentou o castanho após alguns segundos de desconcerto.

– Eu realmente estou precisando relaxar um pouco e esquecer os problemas. — comentou Afrodite, mudando novamente seu tom de voz e sua expressão. Agora era evidenciado em seu semblante um ar mais preocupado, mais denso, o que chamou a atenção dos demais.

Shaka então tocou-lhe a mão de leve, o que fez o mais novo o encarar. Um sorriso sincero e acalentador surgiu nos lábios do loiro, o que fez o menor sorrir também em resposta.

– Mas me expliquem, o que foi exatamente aquilo lá em baixo? — Aioria se pronunciava enfim... Quebrando aquele pequeno, porém reconfortante momento de interação.

– Resumindo?! — indagou retoricamente o virginiano. — Afrodite namorou um tempo aquele tal de Máscara da Morte, até descobrir que ele era um canalha que estava envolvido com gente da pesada. Então... Ele resolveu sair, antes que se envolvesse com o que não deveria, entretanto, o sentimento dele por Máscara era grande, e eles sempre acabavam voltando, o que gerou um ciclo vicioso e um entendimento de que sempre que Afrodite terminasse, ele voltaria; pelo menos na mente do Máscara. — disse Shaka sem rodeios. — Quando viemos para cá, Máscara e a trupe de marginais deles nos seguiram; tudo por causa do Dite, e agora as coisas estão como estão. — terminou o loiro, voltando a encarar o amigo que assumira uma pose mais desconfortável.

– Por sorte o dite se libertou definitivamente dele; coisa que eu acho que ele não quis aceitar, e bem... O resultado aparentemente, é o que vocês viram. — concluiu o indiano.

Aioria ouvira tudo aquilo e passou então a entender melhor a situação em que Afrodite se encontrava; realmente, um ex namorado perseguidor e dominador não era algo agradável de se ter em seu encalço.

Mas logo a expressão de compreensão do loiro maior se fechou, tornando-se mais séria ao ver Aioros tocar a mão do colega com ternura; enquanto ambos trocavam sorrisos cúmplices.

Aioria não suportou tal visão e desviou o olhar para qualquer lugar que lhe fosse mais interessante naquele jardim; apesar de que por dentro, a vontade de continuar à observar a cena era uma tentação quase insuportável.

– Bem, mas ainda não comemos nada, e se for depender do Shaka para escolher o almoço, a gente morre de fome. — disse o pisciano, retornando com seu ar de descontração e encarando o loiro.

Esse por sua vez apenas rebateu com um olhar desdenhoso e indiferente.

– Eu vou querer um Hambúrguer triplo, com batatas fritas e refri. — comentou Afrodite.

– Sério? Eu ouvi isso mesmo? — questionou o virginiano com ligeira incredulidade. — E o que aconteceu com as dietas, as saladas; manter o peso; corpinho de pilão? — continuou o loiro sorrindo levemente.

– Ai, eu to chateado, e quando eu to assim, eu quero é me esbaldar na comida, e todo mundo comete deslizes Shaka. — rebateu o de cabelos turquesa. E ao analisar mentalmente suas próprias palavras, Afrodite percebeu que cometer deslizes era algo que ele fazia bem; pois não estaria em tal situação se não tivesse cometido tantas vezes o deslize de voltar para Máscara.

Todos riram diante das palavras rápidas do pisciano; e logo trataram de fazer o pedido de seus almoços.

Comeram em silêncio enquanto cada um parecia imerso em seus pensamentos, até que aquele almoço em conjunto se findou.

Caminharam conversando amenidades de volta ao refeitório interno, sobre as constantes reclamações de certo Virginiano sobre o local; barulho alto, muita gente, calor excessivo. Shaka explicava com altivez as razões para preferir o ar-condicionado interno do lugar.

A Tarde em si passou rápida. Acertaram os detalhes para irem até a Cachoeira no dia seguinte; pois todos estavam mais que necessitados de um lugar tranquilo onde pudesse relaxar e esquecer o estresse daquele começo de semestre.

Logo mais, o relógio já marcava o horário das aulas da tarde, e cada dupla seguiu então para a sua sala. E inacreditavelmente, mesmo Shaka, tão perceptivo que era, não notou que durante todo aquele dia, os Irmãos não haviam se quer trocado uma única palavra entre eles; e isso era algo que povoava os pensamentos dos próprios.

Aioria sentia-se mal por passar o dia ao lado de seu irmão e ele nem se quer lhe dirigir a palavra. Era realmente muito ruim, então as coisas seriam assim a partir de agora? Pois nunca antes havia discutido com Aioros a ponto do mesmo lhe negar a voz; e agora, parecia que o velho ditado "Para tudo se tem uma primeira vez" lhe perseguia. O leonino pensava que aquilo era temporário. Tanto de sua parte quando da do irmão. Estavam confusos, com raiva, e haviam descontado isso um no outro.

Sim, talvez fosse isso; apenas um problema temporário, que logo logo iria se resolver... Mas, e se não fosse assim? E se fosse mais profundo e preocupante que isso? Não, não poderia ser; ficaria tudo bem no final; e essa foi a conclusão que Aioria chegou já quase no fim da aula, após perder a maior parte das explicações de Camus.

Aioros evidentemente também mantinha sua linha de pensamento focada em Aioria; pensava em como havia sido infantil e idiota para com seu irmão, e tais pensamentos lhe atormentavam a mente retirando de si toda a boa vontade de estudar e de prestar atenção nas aulas.

Talvez, ele fosse o errado; afinal, Aioria meio que estava certo, como poderia dois irmãos que viveram a vida toda juntos se descobrirem apaixonados do nada um pelo outro.

Isso não tinha o menor cabimento, e talvez aquilo fosse apenas um capricho da mente do mais velho; mas e se não fosse? E se fosse real? E se sempre sentiu isso? E se somente agora se tocou de tal? E Se? E Se? Era muito "E Se?" para uma análise só.

Preferiu então deixar isso para outro momento; pois o sinal do fim da aula bateu, e agora teria que voltar para casa e confirmar com os amigos a ida à cachoeira no dia seguinte.

–--- x ----

Conversava animadamente com o pisciano, imaginando como seria o local e quão bela a paisagem do mesmo.

Riam e falavam de forma descontraída enquanto subiam as escadas de seu alojamento. E mais uma vez encontraram Aioria e Shaka conversando de frente ao apartamento do andrógeno.

Entretanto, a visão não foi nem um pouco agradável aos olhos do maior. Aioria estava muito próximo de Shaka; o indiano mantinha-se escorado na parede enquanto o braço do leonino estava o apoiando, segurando na mesma parede.

Os rostos muito próximos e os sorrisos de ambos denunciavam uma malícia profunda. Aioros suspirou com aquilo; era uma cena odiosa ao seu ver. Sentia seu coração começar a acelerar; a respiração começar a fica mais rápida e forte e o semblante se enrijecer em seriedade com tal imagem.

Ao percebem a chegada dos demais os dois se afastaram; e quase que de imediato os olhares dos dois irmão se encontraram. O verde de um mergulhando com profundidade no azul do outro; havia uma nova batalha ali naquele momento; uma luta feroz onde os olhares em conflito e o silêncio perturbador gritavam mais alto que qualquer voz.

Shaka cumprimentou o colega e logo um clímax mais descontraído se estabeleceu; o loiro perguntou a Aioros então sobre o local, e o Sagitariano desarmou, explicando então a ele aonde mais ou menos o Guia do Santuário o havia indicado o local.

Shaka prestava atenção nas palavras do castanho, entretanto ele percebia uma certa tensão na maneira como Aioros falava e se movia; até os pequenos gestos que ele fazia para enfatizar suas explicações lhe pareciam algo estranho e atípico do Sagitariano.

Entretanto, apenas essa impressão não permitiu que o loiro chegasse a nenhuma conclusão, preferindo então apenas analisar o outro de forma silenciosa.

Tudo então foi acertado para o dia seguinte. Shaka e Afrodite entraram e Aioros e Aioria foram para seu apartamento.

Aioria acreditava que talvez agora pudesse ter uma conversa decente com seu irmão, e enfim acertar os problemas que haviam surgido entre eles; mas ao que pareceu, as coisas não seriam assim.

Ao entrarem em casa, Aioros rapidamente se dirigiu a cozinha e abriu a geladeira, pegando uma garrafa de água e bebendo; pegava também queijo e fatias de pão para preparar torradas, ele realmente deveria estar faminto.

Aioria permaneceu parado no meio da sala; observava cada movimento de seu irmão com atenção; esperando que ele no mínimo se virasse e lhe perguntasse, ainda que de forma imparcial, o que ele queria para jantar; coisa que não aconteceu.

Aioros nem se quer teve o trabalho de se virar naqueles momentos em que permaneceu na cozinha; o Sagitariano agia como se morasse sozinho, e como se não houvesse ninguém ali.

Não assou as torradas; limitando-se apenas a comer a refeição de forma crua e simples, acompanhada de um copo de suco.

Após esse pequeno lanche que para ele serviria de jantar, ele partiu em direção ao quarto, retirando a camiseta enquanto caminhava pelo corredor.

Aioria observou quase que estático a cena. As costas nuas de seu irmão, tão largas e fortes eram realmente algo que merecia atenção. Viu o mais velho entrar no quarto e logo em seguida passar com a toalha e algumas roupas em mãos para o banheiro.

O loiro então foi ao sofá. Sentou-se e deixou-se perder em pensamentos. Mais uma vez a vontade de chorar lhe vinha com grande força, e mais força ainda ele fazia para não ceder a ela.

Passou a mão pelos fartos e desgrenhados cabelos dourados enquanto o olhar triste e desolado mirava o ventilador de teto desligado.

Então seria assim? Aioros iria fingir que ele não existia; que não tinha irmão? Não podia acreditar... Fechou os olhos com força na tentativa de conter qualquer possível lágrima que de lá escapasse.

Surpirou com profundidade e permaneceu ali parado. Após alguns minutos pode-se ouvir pela casa o barulho da porta do banheiro se abrir.

O leonino abriu os olhos e fitou o corredor novamente. Aioros saíra de lá ainda com os cabelos marrons totalmente encharcados; num tom quase negro. As gotas de água escorriam por seus fortes e definidos peitoral e abdômen até para dentro do calção preto, estilo surfista, que o mesmo usava ao sair.

A pele, tão bronzeada dos trabalhos constantes ao sol que ambos faziam antes de virem para cá era como a cor do pecado que o hipnotizava e o chamava para o deleite.

Caminhou com o olhar pelo corpo do mais velho, não deixando de ter lapsos de memória do momento que partilhou com ele naquele banheiro.

Lembrava-se dos toques ousados do irmão, de seus rostos quase colados; do movimento rítmico que era realizado em seus pênis eretos; juntos, que se tocavam em intimidade e completude.

Seguiu subindo até que os olhares se encontraram novamente; pela primeira vez, desde que chegaram em casa, os dois se encararam. Aioros mantinha o mesmo olhar de mais cedo quando chegou com Afrodite e o flagrou com Shaka em uma cena constrangedora.

Um olhar de mágoa, de receio, de decepção, e algo que ao mesmo tempo gritava com intensidade: "Te Quero Tanto".

Aquilo foi demais para Aioria, que desviou o olhar. Respirou fundo e resolveu voltar a encara-lo. Mas ao voltar a visão para o corredor o irmão já não estava mais lá.

Provavelmente já havia ido para o quarto, e deveria cair na cama cedo; considerando que essa era uma mania que o maior havia adquirido com os diversos anos de trabalho no pesado.

O leonino então levantou-se; foi até a geladeira preparar algo para si e logo em seguida também foi tomar seu banho.

Chegou no quarto enxugando os cabelos molhados e nesse momento viu que Aioros já dormia. Não, não iria insistir; sentia-se cada vez pior com aquela situação e pensar nisso o estava fazendo muito mal.

Caiu logo em seguida em sua cama, esperando que o sono levasse consigo todos aqueles pensamentos dolorosos e inquietantes que o atormentaram por todo aquele dia.

–---- X -----

A Manhã seguinte veio rápido; o sono havia sido pesado e denso o suficiente para que eles não percebessem o passar do tempo pela madrugada.

Aioria acordou sonolento; um pouco mais tarde do que de costume; ergueu-se de sua cama e rapidamente percebeu que seu irmão já estava de pé, pois o mesmo não se encontrava no beliche de cima.

O relógio marcava 6h14, e ele prontamente foi ao banheiro tomar seu banho e fazer a higiene matinal.

Terminou rápido e trocou de roupa, não deixando de optar por trajes mais leves e uma sunga azul que ele tinha; pois hoje era o dia em que iria para a tal cachoeira; e sem dúvida não perderia a oportunidade de dar um mergulho.

Seguiu para a Sala onde encontrou Aioros preparando o café. Diferente das outras vezes, hoje a boa vontade do mais velho havia caprichado na comida.

Frutas, pães, torradas, geleia, sucos e vitamina... Tudo posto sobre a bancada de mármore da cozinha americana que dividia o apartamento.

Aioros assistia ao Telejornal interno do Campus, que falava sobre a graduação da turma de veteranos e outros assuntos amenos.

O loiro então chegou tímido, servindo-se também do café tão bem preparado por seu irmão; entretanto a sua corriqueira inquietação voltou a assola-lo por não receber de Aioros nem mesmo um simples olhar, ou um "Bom Dia".

O maior mantinha seu olhar fixo na TV, e aparentemente o estava ignorando com grande facilidade. Aioria não gostava daquela falta de contato, apesar de saber que talvez ela fosse necessária; pois somente assim os sentimentos abrochantes nele e em Aioros poderiam sumir.

O mais novo até pensou em falar algo para quebrar aquele silêncio que se instalou entre eles, mas quando fez um gesto com o dedo para chamar a atenção do maior; ouviram alguém bater a porta.

O leonino então poie-se a ir até ela, e quando a abriu pode contemplar a vista de seus dois colegas: Afrodite e Shaka.

– Bom Dia, Vizinho Gostosão. — O pisciano se pronunciou; dando uma piscadinha leve, o que fez o loiro sorrir.

– Bom Dia, Aioria. — Disse Shaka, olhando de lado para Afrodite, já o repreendendo com aquele olhar.

– Bom Dia, Gente, entra aí. — O leonino convidou-os, e logo Aioros também os cumprimentou.

– Estamos aqui apenas para confirmar tudo para a Cachoeira. — O virginiano comentou com certa animação; fato este que era bem estranho vindo dele.

– Eu sou já estou de sunga. — Afrodite comentou com um sorriso maldoso nos lábios; o que fez todos, menos Shaka, rirem.

Para o indiano, não havia motivos para tal comentário da parte do amigo, todavia, já conhecia Afrodite de tempos para saber que uma coisa assim era extremamente típica dele.

Conversaram mais alguns minutos sobre a viajem, e ficou acertado para depois do almoço;

Em meio a isso, Shaka pode perceber algo que até então vinha sendo ignorado até mesmo por sua percepção aguçada.

Aioros e Aioria não se olhavam ou mesmo dirigiam a palavra um para o outro. As conversas aconteciam com imparcialidade, e sempre a palavra era dirigida por um ou por outro à ele ou à Afrodite, mas nunca de um para o outro.

E isso sem dúvida foi algo que chamou a atenção do loiro; será que algo estava acontecendo entre eles?!

Os Assuntos se findaram, e após terminarem, saíram para as aulas matinais.

Afrodite conversando com Aioros na frente e Shaka com Aioria atrás; os assuntos era amenos, coisas corriqueiras da vida acadêmica; porém, algo dentro de Shaka ao fitar o Sagitariano à sua frente o inquietava; sabia que não era de sua conta os problemas que eles tinham, mas o mesmo não deixava de se incomodar com aquela estranha ausência de comunicação entre os irmãos que ele percebera;

Caminharam pela academia até suas salas; separaram-se ali e combinaram de se encontrar na cantina.

As aulas da manhã então se iniciaram; de forma tranquila e rotineira; apesar de que o pisciano reclamou inúmeras vezes dos olhares estranhos, diria até malignos, que Saga lhe lançara durante a aula; e sobrou para Aioros ouvir os resmungos.

Entretanto, o menor preferiu acreditar que toda aquela atenção indesejada de Saga para si era apenas inveja e despeito. Inveja de sua beleza incontestável e despeito por sua personalidade admirável.

Aioros não deixou de rir com essa linha de pensamento de Afrodite, que logo tratou de voltar aos estudos.

Enquanto isso, na sala do Leonino; Aioria continuava absorto em pensamentos; estava realmente aéreo naquele dia, pensando novamente em seu irmão. Como iria resolver esse assunto com Aioros? Tal questionamento o prendia fortemente dentro de si mesmo; e nem mesmo as cantadas e flertadas constantes do tal Miro no professor Camus estavam conseguindo chamar sua atenção.

Shaka, por outro lado; sentia-se cada vez mais incomodado com os disparates do candidato a Cavaleiro de Escorpião. Toda aquela atmosfera que rodeava a sala devido as suas investidas explícitas no professor era algo muito irritante para o Virginiano; pois para ele, um Cavaleiro deveria conseguir a sua armadura por justo mérito, e não por cantar o professor; a na visão de Shaka, todo esse circo que Miro armara era justamente apenas para conseguir a Armadura, e nada a mais.

Voltou então a atenção ao colega do lado; Aioria estava quieto demais; nem parecia ser ele mesmo. O loiro então lembrou-se de suas constatações de hoje mais cedo, e apesar de não ser de sua conta, resolveu perguntar:

– Aioria, está acontecendo alguma coisa entre você e o Aioros? — Inqueriu com certa calma, pois caso estivesse, era melhor ser cauteloso.

As palavras de Shaka pareciam finalmente tirar Aioria de seu tranze, e logo que virou-se para Shaka, analisou aquela pergunta de forma lenta, se tocando logo em seguida do que Shaka realmente perguntara.

– O que? — Volveu com certo susto, após a ficha da pergunta do outro cair finalmente. — Do que está falando? — Perguntou, desviando o olhar das orbes azuis questionadoras. Será que Shaka havia percebido algo? Será que ele finalmente descobrira qualquer coisa? Não, não podia acreditar, havia tomado cuidado para não deixar transparecer nada; mas por via das dúvidas, o questionou para ter certeza do que exatamente ele falava.

O indiano suspirou; havia realmente algo ali, mas pelo visto, seria difícil de fazer vir a tona.

– Eu percebi que você e o Aioros não trocaram uma palavra se quer um com o outro hoje pela manhã. Está tudo bem?

A pergunta veio como uma forte flechada no peito do leonino; seus olhos refletiam uma profunda amargura naquele momento. Não, não estava tudo bem, mas sabia que jamais revelaria aquilo a qualquer um.

– Está sim, Shaka. — ele respondeu ensaiando um sorriso falso; era tudo o que conseguia fazer. — Deve ter sido impressão sua. — concluiu voltando a prestar atenção na aula.

O Virginiano estranhou a resposta; e sabia que possivelmente ele estava mentindo, mas por via das dúvidas, preferiu esquecer, pelo menos por hora.

–--- X ----

As aulas passaram-se rápido naquela manhã; e todos estavam muito cheios de assuntos para revisar. Aioria reclamava sobre ter que estudar átomos e coisas assim, e como o Cosmo era capaz de parti-los e todo o bla bla bla infernal que não suportava; nunca havia sido um bom aluno nas aulas de química, e achava insuportável ter que rever todo aquele assunto.

Chegaram todos ao Centro de Esportes; isso, após terem passado rapidamente na cantina e feito uma refeição rápida, que a todos servira como "almoço".

O Responsável rapidamente reconheceu o Sagitariano, o dando diversos alertas para cuidar melhor das bikes.

Aioros apenas assentia e sorria de forma vergonhosa, realmente, ele lembrava-se dos arranhões na bike que fizera após o acidente na trilha; e ao encarar o andrógeno, lembrou-se também do porquê deles.

Todos rapidamente receberam os equipamentos, mas como muitas das bikes estava na manutenção, então apenas duas foram dadas, e eles teriam que dividir.

Aioros e Aioria subiram nas bicicletas então, esperando que Afrodite e Shaka os acompanhassem. O loiro então subiu na garupa do leonino, segurando-se nos fortes e largos ombros dele, exposto ali devido a camiseta regata azul que ele usava.

– Se quiser eu vou devagar... — disse o loiro maior por entre os ombros, apenas para dar conforto ao passageiro.

– É quem disse que gosto que você faça as coisas devagar? — Shaka rebateu, deixando um sorriso extremamente malicioso aparecer em sua face; evidenciando o duplo sentido da pergunta retórica.

Aioria apenas riu de forma maliciosa, concentrando-se no caminho por onde iria pedalar.

Aioros observou a cena com seriedade; o descontentamento era visível em seu rosto. Apertou fortemente o guidão da bicicleta o segurando firme, enquanto suspirava pesadamente. Aquilo o havia incomodado e muito.

Afrodite então aproximou-se. — Acho que vou com você, gostoso. — Disse dando uma piscadinha que fez o Castanho sorrir.

Subiu na bike e segurou também os fortes ombros do maior; despidos também devido a camiseta regata cinza que usava.

– Aí não, aqui! — Disse Aioros, retirando as mãos dele dos ombros e fazendo enlaça-lo na cintura.

A Andrógeno riu, e a troca de olhares era cúmplice e devassa.

Aioria observou aquela cena com atenção; deixando que uma expressão séria, quase raivosa lhe tomasse o semblante.

Torceu o nariz e virou-se para a estrada. Realmente, havia algo entre Aioros e Afrodite, mas ele não sabia ao certo o porquê disso lhe incomodar; apesar de fazer uma certa ideia bem lá no fundo de seu íntimo.

Começaram a trilha então... Os dois irmãos pedalavam em um ritmo frenético e equilibrado. Passaram pelo mesmo caminho de árvores e flores que Aioros estivera da outra vez; e tão logo chegaram ao mar de rosas que era cultivado naquelas montanhas; paisagem essa que era inédita para Shaka e Aioria.

Todos ficaram vislumbrados com a beleza do local; e ao avistar certa cabana no meio daquela plantação; Aioros não deixou de sorrir de lado ao lembrar-se do que havia acontecido ali.

Viraram então na curva deixando aquela paisagem avermelhada para trás; seguindo mais uma vez por um caminho denso de árvores altas e imponentes.

Quanto mais pedalavam, maiores as árvores ficavam, e mais sombreado o caminho se tornava.

Logo, viram uma placa indicando a cachoeira, e saíram da estrada asfaltada para um caminho de terra que ficava a esquerda da placa.

Pedalaram mais alguns metros por aquela densa floresta; com a mata se mostrando cada vez mais fechada; até encontrarem então mais uma placa no caminho; e essa com advertências.

Pararam as bicicletas e desceram. A placa indicava o fim da trilha, e dizia que o caminho para a cachoeira ficava a quinhentos metrôs a direita, por dentro de uma trilha de mata fechada, onde bicicletas não entravam, e o resto do trajeto deveria ser feito a pé.

Aioros e Aioria não viram problema em tal; diferente de seus acompanhantes, que reclamaram por terem de entrar dentro de uma mata fechada e cheia de perigos.

Deixaram as bikes encostadas nas Árvores e adentraram a mata.

E em poucos minutos as primeiras reclamações começaram...

– Esse lugar é horrível, de quem foi a ideia de vir aqui? — Shaka que andava de braços cruzados e com uma expressão irritada se pronunciou. — A cada segundo eu sinto um galho ou uma folha roçar nas minhas pernas; isso é horrível, eu deveria ter calçado botas antes de vir para aqui. — O loiro reclamava com altivez, fazendo os demais sorrirem levemente. — E esses sons horrorosos, zumbidos, chiados, e essa sensação horrível de estar entrando em um local estranho e perigoso. Eu sinceramente espero que essa tal Cachoeira valha a pena, porque eu não viria aqui apenas para servir de comida para animais selvagens. — terminou por mim seu protesto, permanecendo ainda raivoso pela situação em que se encontrava.

Aioria que andava a alguns passos a frente de Shaka, o encarou por sobre os ombros com um sorriso e disse: — Acalma-se, não existe animais selvagens por essas bandas.

O indiano apenas o encarou com indiferença, virando o rosto: — Você não sabe.

Após dito isso, foi a vez de ouvirem Afrodite reclamar: — Shaka tem razão, esse lugar é um inferninho; a cada segundo eu estou tento que me estapear aqui, por causa desses malditos insetos que ficam me picando. — reclamou o pisciano.

– Quem manda ser tão doce? — disse Aioros, que andava a frente dele e atrás de Shaka; o olhando de rabo de olho e sorrindo.

Afrodite apenas assentiu negativamente com a cabeça enquanto sorria maliciosamente.

– Shaka, você trouxe o repelente? — questionou o pisciano.

O loiro apenas o encarou com certo desdém, antes de sorrir levemente e provocar: — Não!

O menor bufou; ele não havia trazido de proposito, mesmo sabendo que o mesmo não havia se lembrado de passar.

– Bonito, você passa repelente em casa, mas não trás para cá, só para me ver sofrer com esses ataques de insetos. Você sabia que eu tinha me esquecido de passar e não trouxe de proposito, num foi seu loiro nojento? — a acusação saiu de forma ríspida e automática, mas Shaka nem se quer lhe deu alguma resposta.

Todos continuaram a andar, e o barulho da água já podia ser ouvido naquele momento; mas antes que alguma coisa pudesse ser dita: um grito foi ouvido.

Aioria, Shaka e Aioros viraram rápido para Afrodite que estava vermelho naquele momento.

– Tem um bicho na minha perna! — o pisciano disse com uma voz estridente e manhosa. Seus olhos quase que lacrimejavam.

Todos olharam para as pernas de Afrodite e puderam ver uma aranha negra subir por sua canela.

– Calma, é só uma aranha. — A Voz do Sagitariano veio como um reconforto, mas mesmo assim, isso não impediu Afrodite de olhar e gritar ainda mais.

Ao encarar a Aranha em sua perna, o pisciano viu que ela não era tão grande, mas também não era das pequenas; e de qualquer forma, era uma aranha, e aranhas lhe causavam calafrios.

Gritou mais alto ainda começando a balançar a perna para cima e para baixo, deixando todos ali nervosos; aqueles movimentos bruscos poderiam fazer o animal pica-lo, além de atrair outros.

Num último balançar de perna, a aranha foi arremessada ao longe, e o turquesa poie-se a andar rápido com um ar choroso.

Abraçou Aioros com força naquele momento; afundando o rosto no forte peitoral dele. — Que bicho nojento. — Gritou quase em prantos; enquanto o maior o acolhia nos braços;

– Calma Afrodite. — a voz de Aioros mais uma vez se mostrava consoladora; enquanto seus dedos acariciavam os sedosos cabelos encaracolados.

Shaka olhava a cena com repreensão; não havia motivos para tanto alarde por causa de uma aranha minúscula como aquela; Afrodite mais uma vez mostrava-se ser totalmente escandaloso, e tal comportamento era considerado inadequado e deplorável aos olhos do Virginiano.

Aioria encarava a cena com certa raiva; os punhos dele se fechavam com cada vez mais força ao ver Afrodite jogado e acolhido nos braços do Irmão. Sua respiração estava começando a se exaltar e seu olhar transparecia a raiva e o ciúme que ele sentia ao ver tal ato.

Shaka o encarou naquele momento; e viu a sua pose quase ofensiva ali formada. Arqueou uma sobrancelha em curiosidade; e passou a observar mais atentamente o leonino.

Ao perceber que Shaka o observava; Aioria desarmou-se instantaneamente; voltando a caminhar pela trilha.

O loiro achou aquele comportamento muito estranho, todavia, mais uma vez optou pelo silêncio.

Afrodite saiu dos braços de Aioros e o encarou com um sorriso; como um agradecimento mudo pelo conforto. O maior apenas assentiu e passou a caminhar do seu lado.

Logo mais, todos chegaram a tão mencionada cachoeira; e a visão era sem dúvida arrebatadora.

O rio era grande; e possuía uma correnteza bem fraca, o que o tornava próprio para o banho. A Direita, uma enorme queda d'água se mostrava imponente e deslumbrante; eram metros e mais metros de altura e milhares de litros d'água que caíam a cada momento.

A luz do sol, que tocava timidamente aquela água; deixava transbordar um pequeno arco-íris no local, tornando a beleza daquela paisagem ainda mais encantadora.

Pássaros voavam; saindo das árvores da densa floresta ao redor; passando pelo aro do arco-íris e deixando que a visão daquele lugar ficasse marcada de uma maneira única dentro de cada um daqueles que ali chegaram.

Continua...

Notas finais
*Perdoem qualquer erro na história, de português, digitação e afins, minha betagem é tosca, e penso que esse capítulo ficou um pouquinho confuso em algumas partes; mas vamos ver como vocês avaliam isso ^^ **Agradecimentos especiais para Mangalove; Miro; Shyna; Nissitasina e Eros, por terem me deixado comentários, muito Obrigado pessoal ^^ ***De ante mão, já digo que não sei quando virá o próximo Capítulo dela; pode ser logo, pode demorar um pouco, mas espero que até a metade ou o final de Janeiro eu já tenha algo para vocês... Espero '-' ****Abraços e até mais gente ^^