Escola de Cavaleiros
10 Capítulo 10 - Dando a Entender
Notas iniciais
...
Aioria pulou com todo o seu ímpeto dentro da água; fazendo com que a mesma molhasse de relance os seus amigos que estavam à beira do Rio.
O loiro já havia retirado a sua camiseta e permanecia apenas com a bermuda; tão logo, foi o primeiro a mergulhar no local. Afrodite apenas reclamou da atitude do colega, pois não queria ter seus belos cabelos molhados. — Pelo menos não tão cedo.
Shaka e Aioros apenas observavam a cena calados, enquanto viam o loiro emergir da água com o cabelo e corpo totalmente encharcados. Para Aioros, aquela era uma visão quase divina. Os cabelos de tom loiro escuro de seu irmão agora estavam quase castanhos; a pele bronzeada do mesmo estava com as gotas de água à escorrer por ela de forma lenta; e a expressão marcante e tão viril no rosto do menor, mesclada com um meio sorriso provocante eram a combinação perfeita de elementos que faziam Aioria ser um homem tão apaixonante.
Shaka observava o comportamento impulsivo do leonino e o repreendia mentalmente; apesar de que a visão do mesmo dentro daquela água era quase sufocante. O Virginiano pode sentir uma sensação estranha tomando conta de todo o seu ser; um calor repentino que subia por suas pernas, até seu baixo ventre, o despertando lentamente, e continuando a subir para o resto de seu corpo. Um calafrio forte lhe veio naquele momento.
– Vamos logo vocês aí, a água está ótima. — disse o leonino espirrando mais uma vez água nos colegas.
Afrodite evidentemente não se fez de regado. Retirou sua blusa expondo seus fortes músculos definidos e rapidamente mergulhou no rio.
Aioria comemorou o feito, enquanto Shaka o estranhou com força. Desde quando Afrodite, que a poucos segundos atrás reclamou que não queria molhar o cabelo agia de uma forma tão impulsiva?!
O Pisciano era mesmo imprevisível com relação a essas questões, e nisso o indiano não podia descordar.
Aioros retirou sua camisa logo em seguida, expondo também o seu corpo másculo e totalmente trabalhado que há tantos causava inveja.
Shaka não deixou de observar de cima a baixo cada curva perfeitamente moldada do corpo do Sagitariano; sorrindo meio de lado com a sensação que tal visão lhe trazia. Aioros possuía um corpo exatamente perfeito; assim como o de Aioria, e uma beleza máscula que transparecia uma virilidade excitante. O loiro sorriu ao chegar a essa conclusão. Sem dúvida seus dois vizinhos eram de tirar o fôlego.
Afrodite começou a assobiar de forma provocativa, tentando constranger Aioros um pouco, mas o mesmo apenas sorriu e assentiu negativamente com a cabeça; o pisciano realmente adorava uma boa "zoação".
Aioria passeava com o olhar de forma analítica por sobre o corpo de seu irmão; aquilo para ele era como uma visão única, que somente a ele foi reservada durante tantos anos. Lembrava-se que desde que se entendia por gente, via Aioros sem camisa, mas nunca havia reparado em como o irmão era atraente e possuía um corpo maravilhoso.
Tais pensamentos fizeram o leonino corar levemente, imaginando que aquele não era o tipo de pensamento mais apropriado para se ter a respeito de seu irmão.
O baixo ventre dele formigou, e logo Aioria se deu por conta de que estava começando a ficar excitado ao ver Aioros. Preferiu então se afastar um pouco, dando a entender que estava "curtindo" a água com vários mergulhos, mas na verdade aquilo era uma fuga; uma fuga para que ele não se deixasse levar por tais sentimentos; pois ainda não aceitava e não queria acreditar que pudesse estar desejando o próprio irmão.
Aioros entrou na água logo em seguida; sentindo um certo frio ao ver a correnteza fraca do rio acariciar o seu abdômen. Afrodite apenas o encarava de forma interessada, como se estivesse e muito aproveitando a visão que estava a sua frente.
Aioros então mergulhou. Mergulhou fundo naquele riacho, fazendo com que sua visão se perdesse aos olhos dos demais.
Afrodite apenas continuou no mesmo lugar; enquanto Shaka apenas observava o vai e vem dos colegas pela água.
O Sagitariano emergiu já na outra ponta do Rio, encostando suas largas costas numa grande pedra que lá havia, e levando as mãos ao alto da cabeça, num gesto de relaxamento.
A paisagem do local era sem dúvida muito propícia a isso, pois além das grandes árvores, do rio e da cachoeira; havia também o barulho das aves, que davam ao local um ar de beleza e mistério. O céu estava azul naquele momento; com poucas nuvens que teimavam em vagar de forma lenta por sua vastidão.
O olhar esverdeado do maior contemplava isso com certa atenção; pois preferia esquecer o ambiente ao seu redor e aproveitar aquelas poucas horas para relaxar um pouco.
Afrodite então aproximou-se dele; sorrindo de forma maliciosa, como já era tão típico dele fazer.
– E então, esse lugar é lindo, não é? Dá vontade de fazer muitas coisas aqui. — O comentário descabido chamou a atenção de Aioros, que colou levemente. As lembranças da situação que tinha vivido com Afrodite na cabana então lhe vieram a mente; e aquilo foi como um estalo para trazê-lo de volta a realidade; pois sua mente ainda teimava em continuar aérea.
Sorriu levemente para o amigo; Afrodite era realmente um homem muito belo, e sua beleza poderia fazê-lo ter tudo e todos que quisesse, entretanto, para Aioros, aquilo não importava; pois em seu entendimento e visão, havia alguém ainda mais belo que Afrodite, alguém à quem ele se convencia a cada minuto que amava bem mais do que deveria.
E foi nesse momento, que ele olhou para Aioria; o menor estava ao longe, banhando-se com a forte água que caía da cachoeira. Estava de costas, evidenciando sua largura. Aioros mordeu o lábio ao contemplar a visão do irmão novamente; as costas tão fortes; o corpo tão perfeito; as bunda tão bem moldada e redonda; tudo aquilo era como êxtase para o maior.
Afrodite seguiu o olhar de Aioros e viu o irmão dele. Entendendo uma coisa com isso.
– Realmente, não daria mesmo; Aioria e Shaka estão aqui, e apesar de não aparentar, eu sou bem discreto, sabe? — comentou sorrindo e dando uma piscadinha para o sagitariano. — Se pelo menos a gente desse uma sumida, daria para aproveitar. — finalizou sorrindo ainda mais lascivamente.
Aioros apenas sorriu; era evidente que Afrodite queria mais; mas para ele, aquilo não era interessante ou mesmo excitante. E não era que o Andrógeno não fosse atraente ou não lhe deixasse excitado, mas para Aioros, havia apenas um, e infelizmente, ele não sabia se para esse mesmo um, também havia alguém.
E foi nesse momento que seu olhar recaiu sobre Shaka; que observava Aioria com atenção; fato esse, que incomodou o castanho em profundidade.
Sentiu então seu peito ser tocado, e foi somente ai que viu Afrodite a poucos centímetros de si; encarou o menor desconfiado, enquanto o mesmo mantinha-se sorridente.
O andrógeno levou então uma de suas mãos por debaixo da água e começou a apalpar com certa insistência o volume de Aioros no meio das pernas.
O castanho gemeu levemente. — Afrodite, pare. — pediu com uma expressão sofrega, já evidenciando o ligeiro prazer que sentia.
– Ah, por que? Esta debaixo da água, e nessa distância, ninguém pode ver. Shaka e Aioria estão tão distraídos que nem olham pra cá; só relaxa e aproveita. — disse o pisciano.
O rosto de Aioros corou fortemente naquele instante, enquanto sentia o menor o apertar por debaixo d'água, enquanto seu membro crescia com esses toques.
Seu coração gritava de incomodo em seu peito, lhe dizendo que não era ele a quem queria dessa forma; mas seu corpo, respondia ainda mais agilmente àqueles toques; deixando claro que precisava sentir aquele prazer.
Aioros estava convencido de que não sentia nada por Afrodite, que o que aconteceu entre eles foi apenas um incidente isolado, motivado pela raiva que sentia de Aioria naquele momento; e estava também convencido de que aquilo não poderia e nem deveria acontecer de novo. Mas ali, naquele momento, tão afastados do irmão e de Shaka, com aquele homem tão sedutor se oferecendo para si, e com seu corpo pedindo por mais e mais, o mesmo sabia que não teria forças para negar; e apesar de estar ciente de que as coisas não poderiam e nem iriam evoluir mais além disso, ele deixou que Afrodite fizesse o que queria naquele momento.
Revirou a cabeça para cima e fechou os olhos por alguns segundos; Afrodite o apertava ainda mais forte e seu membro já estava desperto e totalmente altivo. Sentia que o movimento mudava, e que o andrógeno agora o masturbava por cima dos tecidos.
Os corpos de ambos estavam bem próximos, o que preocupava Aioros; pois apesar de que Shaka e Aioria não pudessem ver debaixo d'água naquela distância; eles poderiam sim ver a proximidade dos corpos deles, evidenciando algo errado para os dois; impressão essa que Aioros não queria passar.
Afinal, bastava olhar na direção deles e qualquer um pensaria que estavam abraçados ou prestes a se beijar. Sentiu um novo aperto mais forte e gemeu de leve.
– Se concentra aqui, e deixa eles pra lá. — a voz de Afrodite soou como uma tentadora ofertar aos ouvidos do castanho.
Ele observou mais uma vez a seu irmão, ainda de costas à banhar-se na cachoeira, e também a Shaka, ainda à observá-lo com atenção.
– Melhor não. — comentou o maior afastando Afrodite de si e respirando fundo, apenas para que voltasse a seu estado normal.
O Pisciano fez cara feia, mas preferiu não discutir, afinal, ele e Aioros não tinha nada mesmo, eram apenas amigos, e pelo lado do pisciano, isso era algo que com o tempo mudaria; mas o mesmo preferiu não insistir naquele momento.
– Tudo bem então, mas da próxima você não me escapa. — ele disse dando uma leve piscada; enquanto via o maior sorrir levemente com aquilo.
Shaka, imerso em pensamentos, evidentemente não notara nada o que estava havendo; sua atenção era focada em Aioria, que tomava um bom banho despreocupado naquela cachoeira. Os pensamentos do Virginiano então começaram a se perder naquela visão; imaginava Aioria sem a bermuda e a cueca, e de pênis ereto, andando em sua direção e o fazendo experimentar os mais intensos e pecaminosos desejos da carne.
O olhar do loiro para o outro era intenso, era como se pudesse atravessar a sua alma. Shaka sabia que não poderia jamais deixar-se envolver emocionalmente com Aioria, mas para ajudá-lo a quebrar todos os "tabus" que ele queria, não poderia pensar em ninguém melhor que o leonino.
Suspirou profundamente naquele momento, e resolveu retirar seu olhar do loiro maior. Deitou-se de forma mais suave sobre a pedra em que estava e começou a observar o céu e a paisagem a seu redor.
O vento que tocava na copa das árvores as agitavam; fazendo as folhas dançarem produzindo um ruído bastante peculiar e calmante. Aquele ambiente passava uma paz e um reconforto muito grande para Shaka; era como se toda a paz do mundo lhe invadisse o interior. A sensação era tão boa que o Virginiano quase podia dormir ali. Entretanto, sua atenção foi chamada para um grande estrondo vindo da água.
Olhou para o rio e viu Aioria nadando; aparentemente, o mesmo havia se cansado de ficar debaixo da forte potencia da água da cachoeira, e agora nadava tranquilamente pelas águas calmas.
Shaka sorriu levemente, procurando então pelos seus demais amigos com o olhar. Logo, pode encontrar Afrodite e Aioros em seu campo de visão. Eles conversavam alguma coisa um pouco longe dali. Aioros estava encostado em uma pedra e Afrodite estava muito próximo dele; os corpos estavam quase colados, fato este que fez o indiano arquear uma sobrancelha e sorrir de leve, questionando mentalmente aquela cena.
O loiro se perguntava então se as coisas entre aqueles dois estavam evoluindo, pois aparentemente, a situação entre ele e Aioria não mudara. Não que ele quisesse ter algo com o leonino, mas, seria interessante ver até onde isso iria dar. Todavia, preferiu não se preocupar com isso agora; Aioria estudaria com ele pelos próximos quatro anos, e logo, se fosse para acontecer algo, nesse meio tempo aconteceria; e com isso todos os seus "tabus" a que tanto odiava seriam enfim quebrados.
Deitou-se novamente e voltou a contemplar o céu.
Aioria saiu da água ainda todo encharcado e foi em direção ao loiro; aproximou-se lentamente até encobrir a sua visão do céu. Shaka o encarou com um leve sorriso, enquanto o mesmo o retribuía de forma sensual e provocante.
As gotas de água caiam do cabelo e corpo de Aioria por sobre o virginiano, mas o mesmo aparentemente não se importava com isso. Os olhos azuis do maior encaravam os azuis do menor com bastante intensidade; e uma certa cumplicidade podia ser vista naquele momento.
O indiano, sempre tão cheio de "coisas", aparentemente não se importava de estar sendo molhado, e mesmo com Aioria fazendo sombra sobre si, os olhos de ambos pareciam presos um enorme magnetismo.
O maior estava com as mãos na cintura, evidenciando os fortes músculos, por onde a água que ainda restou percorria em direção ao chão. Shaka apenas sorria de forma provocativa com isso.
Nesse momento, o maior sacudiu a cabeça fortemente, fazendo o cabelo espirrar água para todos os lados. O virginiano não gostou muito, pois se molhou mais do que espera, mas a cena fez o menor imaginar um grande Leão dourado se remexendo para secar-se.
Tão logo terminou tal ato, o loiro maior sentou-se ao lado do budista, e ambos ficaram a observar a paisagem. Shaka levantou-se, sentando-se também e passando uma longa mecha do cabelo para trás da orelha.
Esse ato, chamou a atenção do outro, que o encarou com certa ternura naquele momento. Shaka eram realmente muito lindo, e tinha um fogo inapagável dentro de si; sim, Aioria sabia bem disso, mas mesmo assim, algo muito mais forte que uma simples atração física o impedia de ir além com o loiro, e lá em seu interior, o mesmo temia que se comprovasse o que era; pois já fazia uma certa ideia do que é que o estava bloqueando.
Olhou ao longe naquele momento e viu Afrodite e Aioros conversando no outro lado do riacho; ambos estavam muito próximos um do outro; e Afrodite sorria maliciosamente a cada palavra que aparentemente era dita naquela conversa.
Aioria não gostou nem um pouco daquela visão; era como se seu coração se incomodasse em profundidade com aquilo. Ele sabia que não deveria se sentir assim, principalmente porque ele estava tentando "seguir em frente", e desse mesmo modo Aioros também deveria, pois somente assim parariam com essa história que ambos havia se metido, e tão logo as coisas voltariam ao normal entre eles.
– Dá a entender que eles tem alguma coisa, né? — a voz de Shaka chamou a atenção do maior que se virou para ele. O virginiano também observa Aioros e Afrodite com certa inexpressividade. — A impressão que se tem é que eles estão juntos. — Shaka continuou; e esse comentário fez o coração de Aioria bater de forma rápida e dolorida.
Voltou a encara-los com certa apreensão; sentia-se mal, e realmente, olhando bem, dava mesmo a entender que eles estavam juntos ou tinham algo; assim como Aioros lhe dissera quando brigaram... Que havia acontecido algo entre ele e Afrodite. Bem, mas se fosse isso, estaria tudo bem não era mesmo, pois era isso que o leonino queria, ou será que não?!...
Mesmo as coisas acontecendo da maneira como Aioria queria, não era isso que o deixava em paz; seu coração doía muito com aquela visão, e a sensação que tomava por completo todo o seu ser era de extrema agonia. Porque aquilo mexia consigo? Ele não conseguia entender... Será que sentia por Aioros o mesmo que o irmão sentia por si? Será que naquela noite em que tiveram aquela experiência juntos o destino de ambos foi selado? Será que agora não poderia seguir em frente ou se relacionar com outros porque "amava" o irmão mais do que deveria?!
Ele não sabia, e nem se atrevia a querer descobrir. Entretanto, a dor em seu peito não sumia, apenas aumentava, e isso não era um bom sinal.
Aioros continuava a ouvir Afrodite conversar sobre as matérias da sala, pois agora, esse era o assunto em debate entre eles. E é claro que o pisciano não deixava de tecer comentários desdenhosos e pejorativos a respeito do professor deles. Saga era constantemente vítima dos comentários mais descabidos de Afrodite; o que fazia o castanho rir um pouco e esquecer os eventuais problemas que havia arrumado.
Particularmente, Aioros não tinha nada contra Saga, apesar de que já havia percebido o constante assédio do educador sobre si, mas não era algo tão grave assim. Não era o primeiro homem ou pessoa que o abordava de forma tão direta e com segundas intensões, mas de qualquer forma, Saga não era alguém que Aioros "odiava" por assim dizer; bem diferente de seu amigo, que parecia nutri uma forte raiva do geminiano.
– Eu tô dizendo Aioros, se a gente reprovar, é por culpa dele. — comentou por fim arrancando um sorriso do castanho.
Aioros apenas assentiu negativamente com a cabeça, enquanto Afrodite mostrava a língua de forma brincalhona.
Nesse momento o mais velho voltou a atenção novamente para onde seu irmão e Shaka estavam... Aioria não olhava em sua direção, o rosto estava virado para Shaka e ambos estavam sentados um ao lado do outro. Aquela visão incomodou Aioros. Aioria parecia estar concentrado nas palavras do Virginiano, e Shaka abria e fechava a boca constantemente, o que dava a entender que ambos tinha algum diálogo.
Aioros franziu o cenho ao ver os dois sorrirem leve; e sentia-se cada vez mais incomodado com a aproximação deles. Os rostos de ambos estavam bem próximos, o que poderia leva-los a se beijar ou qualquer coisa do tipo a qualquer momento; e tal pensamento não foi algo agradável ao entendimento do Sagitariano.
Afrodite olhou para eles e sorriu. Lembrou-se da conversa que teve com Shaka, onde o indiano confessou que Aioria poderia "ajuda-lo" em sua "sagrada" missão. E de fato, aos olhos do pisciano, eles formavam um casal belíssimo, o que sem dúvida não deixava más interpretações sobre um possível romance entre eles.
– Acho eles muito lindos juntos. Será que seu irmão e o Shaka vão ficar às claras? — o comentário de Afrodite foi como uma facada no peito de Aioros; o maior segurou-se na pedra atrás de si naquele instante. Parecia que o ar lhe faltara aos pulmões e sua respiração tornou-se muito lenta e pesada. — Dá a entender que está rolando algo, né? — perguntou Afrodite para Aioros, mas sem encará-lo.
O Castanho olhou novamente para aquela cena, e sua mente foi bombardeada com todas as palavras de Aioria; tudo o que ele havia dito estava vindo à Aioros naquele momento, e a sensação agora era pior. Afinal, não era mais uma questão de palavras, e sim de visão. Aioros via tudo.
Eles estavam apenas conversando, mas a maneira como faziam isso evidenciava que podiam ter alguma coisa, e o comentário de Afrodite só gerou mais suspeitas em cima disso, pois a frase "Será que seu irmão e o Shaka vão ficar às claras?" ecoava na mente do maior naquele momento.
O Eco era como um zumbido perturbador; algo realmente irritante e quase insuportável. Como assim "às claras"? Então era verdade; Aioria realmente já ficara com Shaka, e até mesmo Afrodite sabia disso. Isso era quase como uma "morte" para o mais velho.
Aioros, já não podendo mais aguentar a sensação horrível que lhe povoava o interior, mergulhou naquele momento nas profundezas do rio; nadando na direção oposta em que Afrodite estava; afastando-se mais ainda dos colegas.
O Andrógeno aparentemente não entendeu o motivo de tal reação, pois ainda esperava uma resposta de Aioros sobre seus comentários; mas preferiu apenas deixar pra lá; talvez o colega precisasse se refrescar; sim, talvez fosse isso, e era esse pensamento que vagava na mente do menor.
Aioros ergue-se da água a quase vinte metros de distância de onde Afrodite estava. Não era muito longe, mas também não estava mais tão perto dele e muito menos da visão do irmão com Shaka.
Estava ofegante, sua respiração era descontrolada; e devido a isso permaneceu de costas para todos, para que não notassem nada. Tentava se concentrar, alinhar os pensamentos e as indagações torturantes que ele mesmo elaborava. Não havia motivo para tanto, Aioria estava apenas conversando com Shaka, apesar de que a proximidade dos rostos e dos corpos deles diziam outra coisa.
Tudo bem, era um direito do irmão viver a vida dele como quisesse, e com quem quisesse, e para Aioros, era vital se lembrar que foi exatamente por causa desses "sentimentos" estranhos que todo o problema entre ele e Aioria havia ocorrido; então, era melhor deixar tudo isso para lá e tentar esquecer ao máximo Aioria, pois ele parecia já ter feito a sua escolha e o esquecido.
O Castanho então saiu da água; e sentou-se à beira do rio à observar o céu. Sempre de costas para os demais, os olhos verdes, que agora carregam uma grande dor, encaravam o azul do céu grego. Azul; essa era a cor dos olhos de Aioria, e sempre que olhava o céu se lembrava de seu irmão. E até mesmo isso, o incomodava naquele instante. Será que tudo lembrava Aioria? Será que sua mente não poderia deixá-lo esquecer tudo isso...
Preferiu então deixar fluir; apenas respirou fundo, fazendo alguns exercícios mentais de concentração e logo voltou a olhar a grande imensidão azulada.
Afrodite, por outro lado, cansou de esperar Aioros voltar, pois parecia que o mais velho havia se acomodado em uma pedra ao longe. E vendo isso, dirigiu-se aos colegas sentados perto da queda d'água.
Aioria e Shaka conversavam animadamente sobre qualquer coisa; logo após o comentário de Shaka, Aioria desconversou e lançou-lhe algum assunto ameno, pois aquela conversa o estava fazendo mal. Preferiu ficar virado para Shaka, assim, seu coração pararia de reclamar o "impossível".
– Bem, vamos indo? — Afrodite chegou e interrompeu a conversa aleatória que os dois tinham.
Shaka o encarou e assentiu; pois já estava começando a ficar tarde, e em meio aos banhos e conversas, o tempo praticamente voara naquela tarde.
Aioria levantou-se; estendendo a mão ao colega que ficou de pé também. Depois, ajudou o andrógeno a sair da água e todos resolveram se secar com suas roupas secas que haviam sido tiradas antes dos mergulhos.
Todos, menos Shaka, é claro, ele não havia entrado na água, e estava praticamente intacto daquele passeio. Afrodite dirigiu-se então a Aioros, sentado numa pedra bem ao longe. Ao chegar, o chamou para ir e ele prontamente levantou-se para ir com eles.
Minutos depois, todos estavam "parcialmente" secos e vestidos; e resolveram então voltar pela trilha de volta ao santuário.
As aulas da tarde começariam em breve, e muita coisa já pairava na mente de cada um deles; coisas que "davam a entender" que outras coisas estavam acontecendo entre todos os presentes ali.
Continua...
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