Escola de Cavaleiros

11 Capítulo 11 - Suposta Viagem


Notas iniciais
Bem, depois de exatos "um mês" eu vos trago um capítulo novo dessa fic, e devo dizer que as coisas estão começando a esquentar e a acontecer entre os Irmãos Ai-Ai, ainda que a passos lentos, e que veremos muito mais coisas deles nos capítulos que viram XD hahahaha. Coisas bem mais excitantes do que temos nesse capítulo XD eeeh, lá vou eu dando Spoilers =p Mas enfim... Demorei gente? É, até que foi, mas vejam pelo lado bom, antes de era de dois a três meses, e agora, ainda bem que estou conseguindo atualizar mensalmente ^^ Isso é um alívio para mim e para vocês também... Enfim... Chega de blá blá, e vamos ao que interessa... Boa Leitura!

Subiram nas bicicletas após voltarem para a trilha principal, e como haviam vindo, Afrodite foi com Aioros e Shaka com Aioria, e logo os maiores já pedalavam a todo vapor de volta ao santuário.

Todavia, os quatro garotos tinham em sua mente agora uma série de divagações e dúvidas que os estavam incomodando, mas que nenhum deles ao certo sabia como resolver ou propriamente como se livrar dessas perguntas que lhes povoavam os pensamentos.

Pedalaram em alta velocidade por aquelas trilhas; Aioros sentia Afrodite o apertar forte na cintura, assim como a respiração fraca do menor em seu ombro; todavia, por mais excitantes que fossem aqueles toques, sua mente se focava apenas em seu irmão, e mesmo evitando manter contato visual com ele, o Sagitariano sabia que nenhum toque o excitaria tanto quanto os de Aioria, principalmente por lembrar em pequenos "flashes" que lhe viam a mente da primeira noite em que estiveram no Santuário, onde experimentaram um sentimento jamais vivido antes por nenhum dos dois.

Geralmente, em situações desse tipo; as coisas eram rapidamente esquecidas e voltavam ao cotidiano normal, todavia, Aioros não era frio ou muito menos possuía "sangue de barata" para poder esquecer tal acontecimento como seu irmão aparentemente fazia.

Entretanto, sempre que pensava nisso acabava se fazendo mal, e também a Aioria, pois a sensação de vazio e sufoco que lhe tomava o fazia ir sempre atrás do irmão para tomar satisfações, o que provou ser ineficiente das últimas vezes que tentara. Aioros não sabia ao certo como as coisas seriam a partir de então, mas preferia não pensar nisso, pois deixando que sua mente vague por tais divagações, seria se permitir sofrer; e o castanho não queria isso.

Aioria, na outra "bike", mantinha uma linha de pensamento semelhante a do irmão; pois pedalava no mesmo ritmo que ele, quase como em uma sincronia harmoniosa, evidenciando a forte ligação que ambos possuíam. E seus pensamentos naquele momento também se fixavam em Aioros, e é claro, em Afrodite. Pensava em como havia se sentido mal por tê-los vistos juntos, e tão próximos; era realmente algo torturante ao seu ver, e seu peito doía com profundidade apenas por tentar puxar da mente a lembrança da cena.

Recusava-se a acreditar que estava "apaixonado" pelo irmão, e que estava desejando Aioros de alguma forma, todavia, não havia explicação mais plausível para tais sensações que essa. Afinal, aquilo que a mente se nega a ver, o coração escancara abertamente.

Aioros era seu dilema; seu grande problema, e não era pelo fato dele ser homem, porque se isso importasse, ele não estaria tentando algo com Shaka, mas sim pelo fato de "ser" o seu irmão. Aioros era como um Pai para si, a pessoa que mais amava na vida, que lhe criou desde pequeno e que lhe protegeu de tudo.

Mas agora, o protetor mostrava-se ser a sua nova ameaça, uma ameaça que diferente das demais, não lhe queria mal, mas lhe oferecia uma opção nada saudável. O loiro apenas resolveu se anestesiar nesse momento.

Não queria pensar em nada naqueles poucos minutos que faltavam para chegar em casa. Teria que se concentrar no que realmente importava... Seus Estudos! E pensava que com o tempo, as coisas se resolveriam de maneira natural... Pelo menos era no que preferia acreditar para seu próprio bem.

Chegaram ao Santuário quase na hora das aulas, entregaram as bikes no alojamento onde pegaram e subiram os quatro para seus apartamentos, no intuito de pegar o material escolar. Não se demoraram muito, pois caso contrário chegariam atrasados em suas aulas, e por isso trataram de catar seus materiais rapidamente.

Afrodite e Shaka pensavam em como seriam as aulas de hoje; não que fosse culpa de seus vizinhos novos, mas, desde que conheceram Aioros e Aioria, haviam se desligado um pouco dos estudos, e até mesmo Shaka, que era mais aplicado nesse sentido, havia deixado de revisar as matérias matinais durante o período da tarde, apenas para estar com os amigos.

Saíram rápidos de suas casas, e as fecharam; caminhando então rumo a portaria do prédio para que pudessem se dirigir ao prédio de aulas.

Quando passavam pela mesma, Afrodite viu um cartaz grande sobre uma viagem que ocorreria no fim de semana com os novatos; e sendo um grande fã de viagens, o mesmo foi o primeiro a se dirigir ao grande anúncio.

"Este fim de Semana, será realizada uma Viagem com os alunos calouros da Academia. Eles terão a oportunidade de conhecer o nosso centro de treinamento técnico do outro lado da Grécia. A Viagem começará na Sexta e terminara no Domingo. Serão dois dias de hospedagens nas instalações do Santuário no Norte do País. Lá, os alunos novos, poderão conhecer o Centro de Treinamento e ver o local em que serão destinados após chegarem ao Segundo Ano na Academia. A Viagem é Obrigatória. Agradecemos a compreensão de Todos. A Direção."

Afrodite leu o cartaz, chamando a atenção dos colegas que pararam para ler o anúncio também.

– Ai que tudo gente, uma viagem para um lugar exótico e bem distante... — disse aos risos o andrógeno. — Adoro viagens, principalmente porque a gente nunca faz nada nelas, a num ser curtir. — continuou com animação.

– Então vão nos levar para ver o nosso campo de tortura no próximo ano?! Que gentileza da parte deles. — comentou Shaka com desdém; evidenciando seu descontentamento com tal notícia.

– Porque você sempre estraga tudo, hein loiro azedo? — perguntou o pisciano emburrado.

Shaka encarou o menor com indiferença; não iria se dar ao luxo de responder aquela pergunta tão óbvia ao seu ver.

Virou-se e apenas continuou seu caminho; sendo seguido pelos demais, que riam de forma leve, enquanto viam Afrodite se enrubescer de raiva em suas tentativas de discutir com o loiro que teimava em ignorá-lo.

–--- X ----

Saga arrumava alguns materiais em sua pasta; as aulas da tarde começariam em poucos minutos, e daqui a pouco os alunos começariam a chegar. Observou a porta da sala, aberta naquele momento, no mesmo instante em que sentiu um cosmo familiar se aproximar.

Sorriu de lado quando a figura do qual emanava esse cosmo se fez presente em seu recinto, ao transpassar a porta para dentro da sala.

As vestes indianas; os longos cabelos loiros presos numa trança; e os olhos fechados chamavam e muito a atenção do geminiano, que por vezes, já desejou aquele homem dito tão santo e puro em seus lençóis.

– Asmita de Virgem! — exclamou o maior com um sorriso devasso.

– Saga de Gêmeos! — rebateu o menor, sem alteração em seu pacífico e frio tom de voz.

– O que trás a "Virgem Mais Pura" à caminhar pela terra a minha Sala? — perguntou o de cabelos azuis, com um olhar predador que fitava de forma descarada as curvas e traços simples do outro.

– Título merecido, não? — questionou o loiro com ironia, a respeito do comentário do maior sobre si. — Vim aqui apenas para confirmar com você sobre a Viagem dos alunos novos para o Centro de Treinamento nesse fim de semana. Ainda não foi nada decidido, mas, o Grande Mestre quer saber a disponibilidade dos Cavaleiros para que a Viagem ocorra. — ditou o loiro de forma direta, não se atendo a descarável maneira como o outro o desejava com o olhar.

– Entendo; bem, minha turma está dentro do cronograma, e as coisas por aqui estão em ordem. Eu particularmente, não tenho nada a dizer sobre isso. — comentou o geminiano.

– Muito bem então, direi isso ao mestre, e acredito que ele vá pedir para que vá com eles na viagem. Já conversei com Camus e Dohko a respeito disso, e com certeza eles também irão; pois as turmas novas são as de vocês três. — dizia o indiano.

– Irei com certeza, mas me diga loiro, você irá também?! — questionou Saga.

– Sim, acredito que irei. — disse Asmita já dando as costas para o geminiano. — Mesmo não ensinando a turmas tão iniciais, o mestre me pediu para ir como coordenador do evento; logo, eu irei. Fora que tenho que observar alguns aspirantes a cavaleiro de Virgem, e ver se eles estão de acordo com os "quesitos" para tal. — comentou o loiro, já andando rumo a saída. — E particularmente, tem um que muito me chama a atenção, tanto de uma maneira boa, como de uma maneira ruim. — ditou por fim.

– E quem é esse, eu o conheço? — perguntou Saga tentando estender a conversa.

– Não, Saga, não conhece. Ele é da turma do Camus. — disse por fim e saiu da sala.

O geminiano ficou então à observar com malícia a porta de sua sala, imaginando como seria interessante ter Asmita nessa viagem; pois sempre desejou aquele virginiano difícil e arredio gritando e gemendo abaixo de si, enquanto o mesmo lhe arrancava fora o título do qual ele tanto se orgulhava, e usava para expor seu ego maior que o poder dos deuses; todavia, não iria ficar preso a tais pensamentos. As aulas começariam em breve, e teria que se focar.

Encarou então as carteiras vazias de todos os alunos, fitando por fim uma certa carteira no fim da sala; olhando para ela de forma luxuriosa. Naquela carteira, certo garoto de cabelos castanhos e olhos verdes costumava sentar, e se as coisas não descem certo com o loiro virgem, seria interessante por ter uma opção a mais, e tendo em vista que nessa viagem as oportunidades para se conseguir "Sexo" eram imensas; o geminiano não descartava a chance de poder ter aquele cara em sua cama.

Mordeu o lábio inferior ao constatar a malícia e a desordem em seus pensamentos; todavia, manter-se com tais linhas de raciocínio o excitava, enquanto maquinava as possibilidades de investidas com cuidado em sua mente.

Pensava também na parceria firmada com aquele aluno da turma do Dohko; Saga ouvira todo o plano dele para reconquistar o garoto andrógeno que ele tanto detestava; ao mesmo tempo em que lhe daria o Sagitariano de bandeja. E apesar de ter dentro de si a certeza de que aquele cara não era confiável, e que pularia fora logo que possível, achava a tentativa dele interessante, e esperaria para ver o que aconteceria e se possível, tirar proveito.

Sorriu de forma cínica e luxuriosa, enquanto sentou-se à mesa da sala para esperar os alunos, que lentamente começavam a chegar na sala para as aulas.

–---- x -----

Afrodite conversava com Aioros sobre a Viagem, enquanto o mesmo também trocava informações sobre a região em que iriam. De acordo com Aioros, que por ser grego e ter viajado todo o país, conhecia bem a região; o norte da Grécia era um lugar lindo, mesclado de grandes montanhas, densas florestas e vastos vales e planícies; mas como um grande planalto onde as paisagens variavam em formas e tons exóticos e diferentes.

O pisciano ouvia tudo com atenção, enquanto o brilho em seu olhar aumentava com cada palavra proferida pelo maior; sem dúvida, essa viagem era o que precisava para esquecer de certos assuntos que lhe perturbavam; e quem sabe, estreitar os laços com o Sagitariano.

Aioria e Shaka caminhavam mais a frente, ambos calados, mergulhados nos oceanos de divagações que haviam em suas mentes.

O leonino então encarou o virginiano de relance; pensava em puxar assunto, mas imaginava que Shaka não gostaria de papo, pois caminhava calado, e com seus olhos fechados. Aioria pensava em como ele ainda não havia tropeçado por andar sem olhar o caminho.

Virou-se então e começou a fitar as pessoas que andavam a sua frente, todas indo para as aulas da tarde.

– Pode falar Aioria... — a voz de Shaka chamou a atenção do loiro, o fazendo encará-lo. — Sei que quer me falar algo... — ele continuou, abrindo os olhos, revelando aquele azul intenso e encarando o azul feroz do outro.

– Como poderia saber, você estava de olhos fechados? — ele enqueriu sorrindo.

– Faz parte do meu treinamento, eu li nos meus livros. Tenho que aprender a extinguir um de meus sentidos e assim melhorar os outros, como também aprender a enxergar pelo cosmo. — ele comentou.

– Mas você ainda não despertou seu cosmo... — rebateu o leonino.

– Sim, é verdade, mas é sempre bom começar mesmo assim, pois logo quando despertá-lo, será mais fácil de aprender a técnica. — comentou o loiro sorrindo.

– Entendo... Shaka... — ele queria dizer algo, mas procurou bem as palavras. — O que você pensa sobre essa viagem? — ele perguntou.

– Não muita coisa, não estou animado se é o que quer saber, pois essa viagem é obrigatória nesse começo de aulas, para que os calouros possam conhecer as instalações onde sofreremos para sermos cavaleiros. — ele comentou sorrindo com uma ironia amarga.

– Complicado. — Aioria rebateu.

– Muito, alguns até morrem... A Morte não me é algo animador. — comentou o virginiano.

– Você teme a morte, Shaka? — Aioria perguntou de forma simples, mas isso gerou uma inquietação no loiro.

Shaka virou-se para ele para responder, mas nesse mesmo momento, sentiu uma sensação estranha lhe percorrer a espinha, como um calafrio. E logo que voltou a sua atenção para o corredor por onde os demais aulos passavam; constatou novamente em seu campo de visão a figura que vira antes do pátio.

Aquele homem de cabelos loiros; aquelas vestes indianas; aqueles olhos fechados. Ele caminhava em sua direção, e mesmo que mantivesse seus olhos fechados, Shaka sabia que ele o via, e o encarava de forma estranha.

Manteve-se olhando fixo para ele; não o perderia de vista dessa vez; e tão logo fez isso, o loiro passou do seu lado, e foi exatamente ai, que o Virginiano sentiu seu calafrio aumentar, como se uma energia diferente lhe rondasse.

Aioria percebeu a inquietação de Shaka e lhe tocou o ombro. — Tudo bem? — perguntou ele, enquanto o outro apenas assentiu sorrindo leve.

Asmita observou-os de relance; por sobre os ombros, e aquela cena não lhe foi agradável aos olhos. Tinha lido a ficha de Shaka, e desde então, por ele se mostrar tão promissor como Shion havia lhe dito, desenvolveu um interesse por ele; todavia, aquele rapaz alto e loiro que sempre estava com ele em todos os momentos lhe chamava a atenção, e talvez fosse dele a impressão negativa que tinha de Shaka, pois ao olhar de Asmita, a maneira como aquele rapaz se portara com Shaka, era sempre muito explícita; muito íntima. Um contato desnecessário para se ter com um possível futuro cavaleiro de Virgem.

Continuou então seu caminho e manteve-se a pensar nesse assunto... "Uma Virgem, jamais deve se permitir ser tocada por homem algum"...

Tal frase veio a mente de Asmita, mas preferiu não se ater ainda. Shaka era jovem, e ainda havia muito a aprender; pois sabia que a maioria dos aspirantes à cavaleiros de Virgem vieram a ter conhecimento de sua tarefa divina apenas durante o treinamento com seus mestres, no último ano, e com isso, imaginava que Shaka tinha total desconhecimento de tal fato... Da missão sagrada dos Cavaleiros de Virgem e de seus votos de santidade pura, e somente por isso, preferiu relevar a cena.

"Um toque não significa nada"...

Pensava enquanto descia as escadas, mas tendo a certeza que ainda observaria Shaka mais de perto, para ter certeza de que era ele o escolhido de "Buda" para ocupar o seu lugar.

Shaka olhou por sobre os ombros em busca daquele homem que passava, mas não o viu mais, igual a da outra vez. Uma sensação ruim lhe tomava por dentro, fazendo seu coração acelerar, enquanto as mãos suavam frio. Quem era aquele homem? E que sensação era aquela?! Respirou fundo, e continuou a andar; mais tarde, pensaria sobre isso.

Se separaram ali, Aioros e Afrodite indo para a sua sala e Aioria e Shaka para a deles.

O leonino e o Virginiano entraram na sala, e de quebra, a cena vista foi um tanto revoltante ao ver de Shaka e divertida ao ver de Aioria.

Miro, aquele mesmo rapaz de outrora, de longos e ondulados cabelos azuis que caíam por sobre suas costas estava sentado por sobre a mesa de Camus, com as pernas cruzadas, enquanto observava lascivamente o professor. Este, por sua vez, encarava o rapaz com um leve sorriso de gracejo, enquanto o brilho em seu olhar transparecia a luxúria máxima.

Aioria sentiu vontade de rir, enquanto Shaka encarava a cena com desdém e uma vontade grande de dizer umas poucas e boas para aqueles dois.

– Então professor, ainda estou com dificuldades na matéria; o Senhor poderia me ajudar depois da aula? — Miro perguntou com voz manhosa, mordendo o lábio inferior.

– Claro, posso sim, passe em minha sala após a aula e resolveremos o seu problema, afinal, como educador, minha função é ajudar os alunos em tudo o que eles precisarem. — explicou Camus, de forma direta, todavia, seu sorriso evidenciava o duplo sentido de suas palavras.

Shaka passou pelos dois com a cara mais azeda do mundo. Aquele dia já não estava indo muito bem; e mesmo todo o relaxamento e tranquilidade que tivera na cachoeira já estava se esgotando com tais acontecimentos, como a viagem e a presença daquele estranho homem. E agora, mais essa, o virginiano preferiu não testar o limite de sua paciência e sentar-se, assim como Aioria que o seguiu.

Miro ainda continuou a conversar qualquer coisa com o professor, enquanto todos os alunos os observavam de forma inexpressiva; provavelmente, todos já entendiam a estratégia de Miro, e pensavam igual a Shaka sobre as atitudes do aspirante a cavaleiro de Escorpião.

Após mais alguns segundos, Camus pediu para que ele sentasse, pois daria um aviso importante.

–---- x -----

Saga observava todos chegarem e entrarem na sala. E logo, seu sorriso se alargou ao ver Aioros entrar. Entretanto, para seu descontentamento, ele vinha acompanhado de Afrodite, aquele mesmo rapaz que o desafiara anteriormente. E isso o incomodava. Imaginava que ambos pudessem estar tendo algo, e se isso fosse verdade, as palavras ditas por Máscara estariam mais que certas.

Viu-os sentar e abrirem os materiais de estudo, enquanto conversavam animadamente sobre qualquer coisa; atitude essa repetida por todos na sala enquanto o maior não dava início as aulas.

– Muito bem... Chega de conversa. — disse Saga levantando-se, e indo fechar a porta quando viu o horário da aula começar e ninguém mais chegar.

Voltou para o birô após fechar a porta e voltou-se aos alunos. — Eu tenho um comunicado importante para dar a todos vocês. Nesta Sexta, será feita uma viagem de campo com os alunos novatos para o Norte do país, onde o Santuário mantem um centro de treinamento de combates. Esse centro, é usado apenas por alunos do segundo e terceiro ano, e o intuito de levá-los até lá, é justamente para que conheçam as instalações. Essa viagem é rotineira de começo de ano e sempre com as novas Turmas. — explicava o geminiano, passeando com o olhar pela turma. — Ela é Obrigatória e todos devem ir. Haverá acompanhamento de professores. Eu, o professor Camus e o Professor Dohko iremos com vocês, assim como o coordenador geral da academia, o professor Asmita. — continuou. — Perguntas?? — questionou apenas por causa das dúvidas frequentes que surgiam.

Tão logo fez isso, arrependeu-se, pois foi bombardeado de perguntas irrelevantes ao seu ver; como o horário de partida e chegada; onde ficariam; com quem ficariam; o que fariam lá e todas as demais questões básicas, mas tediosas de se responder em sua opinião.

Tentou então de forma calma responder à todas as dúvidas, e quando as mesmas se findaram, ele iniciou as aulas.

Aioros e Afrodite ouviam tudo atentamente, e apesar de terem dúvidas, deixaram que os demais as tirassem por eles, pois todas as perguntas que queriam fazer haviam sido feitas pelos colegas, e com isso, estava tudo esclarecido.

–--- x ----

As aulas terminaram no horário habitual, e todos os quatro amigos se encontraram para poderem voltar para casa juntos.

Afrodite não parava de falar na tal viagem, dizendo o quanto estava animado com isso. Aioria parecia um tanto preocupado com Shaka, pois o Virginiano andara muito quieto desde que voltaram da cachoeira, sendo que Shaka sempre foi quieto, mas desta vez, estava sentindo algo errado com ele.

Aioros apenas ouvia Afrodite falar, enquanto observava o irmão. Aioria ainda era seu maior dilema, mas preferiu encerrar a linha de pensamento que se formara em sua mente, caso contrário, iria se torturar com isso.

Todos voltaram para casa, mas não se demoraram nas portas, entraram e se despediram para o dia seguinte, pois estavam cansados de toda a agitação daquele dia.

Aioros e Aioria, após se despedirem de Shaka e Afrodite entraram em seu apê. O castanho na frente do loiro; e enquanto fechava a porta, o mais novo viu o irmão se distanciar, e sentia dentro de si que a mesma atmosfera de silêncio e raiva de antes iria se instalar novamente a partir de agora.

Queria falar com Aioros, queria lhe tomar explicações sobre Afrodite, apesar de sentir que não seria bom para si saber sobre aquilo, mas ainda assim queria; nem que fosse uma briga, mas pelo menos ouviria a voz dele novamente dentro daquela casa e assim saberia que estaria direcionada a ele, e somente a ele.

– Aioros... — chamou, fazendo o maior parar, e por cima de ombro, lhe lançar um olhar vago.

Caminhou em sua direção com receio, e à passos lentos. Encarou aquele verde escuro que estava no olhar do mais velho por alguns segundos, e então tomou coragem para continuar...

– Vai ser assim, é? Eu e você? — perguntou ele, meio receoso da resposta.

Aioros virou-se para ele então, encarando aquele azul intenso e feroz em seu olhar. Sabia que cedo ou tarde teria que passar por aquilo, e sentia-se mal pela situação que se instalava entre eles, mas de modo algum deixaria ser subjugado pelo ego e pela hipocrisia do outro.

– Assim o que Aioria? — questionou com indiferença.

– Eu e você, oras... Vamos ficar assim, sem nos falar...? — O leonino se aborrecia levemente com aquela pergunta.

– E não era isso que queria? Não foi isso que escolheu; não era assim que achava que as coisas seriam melhores? — Aioros rebateu suas perguntas com mais perguntas; pois sabia que isso irritaria o irmão.

– Não, eu nunca quis isso, eu apenas quis que você entendesse que... — mediu as palavras... — Que não! — terminou.

– Ótimo, eu entendi... Entendi o "Não". — gesticulou aspas com os dedos quando falou a palavra "Não".

Dito isto, o maior apenas voltou para seu caminho, mas foi seguido pelo leonino.

– Não é assim... — disse Aioria com a raiva crescendo dentro de si, e puxando o outro pelo braço.

Aioros o encarou com aborrecimento, e puxou seu próprio braço daquela prensa.

– É mesmo, é como é? Vamos fingir que não sentimos isso um pelo outro, vamos fingir que esse sentimento não surgiu do nada e agora nos castiga? É isso? Vamos ser hipócritas por conveniência? — questionou o maior aumentando o tom da voz.

– Mas Aioros, não existe nada disso, somos irmãos e nos gostamos como irmãos, e só! — dizia Aioria, tentando se convencer de suas próprias palavras, enquanto simplificava as coisas pro Sagitariano. — Aquilo foi só um incidente isolado, não vai mais acontecer e acabou, pronto, nada demais... Essa história de "Sentir algo um pelo outro", isso é confusão da sua cabeça, pois nada disso está acontecendo realmente. — comentou de uma forma agitada, tentando parecer racional em suas conclusões.

O mais velho saiu da presença dele e foi até a cozinha, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água. Encheu um copo que encontrou no armário e bebeu, tudo sempre observado de perto pelo menor.

Aioria apenas o encarava; esperava que ele dissesse algo, mas isso não aconteceu. Quando o maior tentou passar por ele para o corredor, ele segurou seu braço, e os olhos de um se fixaram nos do outro. O leonino sentia a raiva e a negação nos olhos do irmão, como se suas palavras fossem mentirosas, e o que ele achava era o que era certo. Aioros tinha esse defeito... Ele era teimoso.

– Aioros... — chamou baixo, queria que ele entendesse afinal de contas.

Mas não teve muito mais tempo de dizer mais nada. Seu corpo foi empurrado contra a geladeira, que estremeceu com o choque, logo, o corpo do mais velho veio de encontro ao seu, prensando-o lá. Aioria pensou em dizer algo, mas no mesmo momento sua boca foi tomada por um beijo ardente e voraz dado por seu irmão. A língua do maior brigava com a dele dentro de sua boca, como se quisesse mostrar a ele qual era a verdade ali.

Os falos, ainda flácidos, se chocavam um no outro com o roçar dos corpos. As roupas, se amassavam com o passar das mãos do maior que subiam da bermuda levantando levemente a camiseta do outro, expondo o abdômen definido.

Aioria mantinha os olhos abertos e arregalados, pois seu corpo não conseguia formular uma resposta rápida para aquela abordagem totalmente inesperada vinda de seu irmão.

Tentava puxa-lo pela camisa, afasta-lo de si, ao mesmo tempo em que sentia a perna dele no meio das suas, abrindo espaço, roçando em seu saco por dentro da bermuda.

Seu olhos pesavam para se fechar, seu corpo começava a esquentar, e o beijo tornava-se cada vez mais intenso e profundo. Aioros o tomava com maestria e o fazia sentir arrepios com seus toques...

Não soube como, mas tomou forças e empurrou o irmão para longe de si, apartando aquela pegação não desejada.

Tomou ar e respirou fundo, enquanto encarava o chão da cozinha com fixação e passava a língua dos próprios lábios... Sentindo o gosto do irmão e sentindo a pele avermelhada que ali tinha totalmente danificada pela volúpia com que foi tomada.

O maior respirava fundo, e sua expressão era fechada. O peito forte inflava com cada tomada de ar, e ele esperava uma posição de Aioria.

O loiro o encarou, vendo a excitação meio formada em seu baixo ventre e sentindo que a sua começava a se formar também. Respirava fundo, com a mesma intensidade que o outro, enquanto tentava fazer a sua mente voltar a consciência e entender o que havia sido aquilo.

– Idiota. — disse de forma direta, com uma certa raiva no olhar e na voz.

– Vai dizer que não gostou? Vai dizer que não quis? Vai dizer que sua mente, alma, seu coração e seu corpo... — disse olhando para os braços, onde os pelos dele estavam visivelmente eriçados e para o baixo ventre, onde um volume meio formado se apresentava. — ... Não pediram por mais? — questionou Aioros, voltando a encara-lo de forma inquisidora.

– Vai se ferrar. — ele respondeu baixo, mas com certa fúria na voz. Os dentes, já se trincavam ao encarar o mais velho a sua frente.

– Hipócrita. — disse Aioros, negando com a cabeça a atitude dele e indo para o quarto.

Aioria permaneceu na cozinha, quieto, respirando, e tentando entender o que havia acontecido ali.

Ouviu o irmão bater a porta do quarto com força, e logo depois abri-la novamente. Ouviu a porta do banheiro ser batida da mesma forma, e o barulho do chuveiro à ser ligado.

Abaixou-se então, sentando-se no chão da cozinha, encostado rente a geladeira. Abraçou suas próprias pernas e escondeu a cabeça entre elas. Sentia vontade de chorar naquele momento; pois seus olhos ardiam e lacrimejavam... O que diabos estava acontecendo, e porque estava sendo tão difícil?!

Ouviu então, após alguns minutos de pensamentos dolorosos, a porta do banheiro se abrir, e logo em seguida a do quarto. Um silêncio então se fez naquele recinto, e após alguns minutos ali, sentando no chão, mergulhado em suas dúvidas; o leonino resolveu se levantar e ir pro quarto.

Ao chegar, encontrou o irmão já deitado de costas, e preferiu não acordá-lo. Tomou então seu banho, trocou de roupa, e foi para a cozinha jantar. Preparou algo rápido, pois diferente de Aioros, não conseguiria dormir com fome.

Sua mente estava entorpecida; tão cansada e cheia de divagações que preferiu apenas deixar aquela anestesia momentânea tomar conta de si.

Terminou o jantar poies-se a dormir.

–--- X -----

O Dia amanheceu como de costume poucas horas depois. Aioros e Aioria se levantaram novamente, e como já acontecia há algum tempo, eles não trocaram uma só palavra se quer um com o outro, e nem muito menos se olharam...

Tomaram banho, se trocaram, tomaram café e foram se encontrar com Shaka e Afrodite. Os dois passaram o dia calados; e isso foi percebido tanto por Shaka como pro Afrodite, mas os mesmos não perguntaram sobre nada.

Afrodite tentou por várias vezes quebrar aquele clima estranho que se instalava ali, continuando a comentar sobre a viagem e tudo que poderiam fazer por lá.

Para o azar dos irmãos, aquele dia comum e chato passou muito devagar, tendo que serem castigados a todo momento pelas lembranças um do outro.

Aioria, vez ou outra, passava a língua por seus lábios, lembrando da sensação do beijo quente e selvagem de Aioros, mas logo tratava de se repreender por tais pensamentos, pois jamais aceitaria aquilo. Jamais!

Após aquele fim de dia, todos voltaram a seus apartamentos e a rotina prosseguiu.

No Dia seguinte, após acordarem, todos fizeram as malas, lembrando de colocar pouca coisa, já que não passaria mais que um final de semana lá. Todos, menos Afrodite, que fez questão de levar cinco malas para se prevenir. Shaka achava aquilo pura futilidade e um absurdo da parte do colega, mas nada falou.

Caminharam então ao lado de seus vizinhos, ainda muito calados desde do dia anterior, e tanto Shaka como Afrodite imaginavam que eles poderiam estar brigados.

Chegaram e viram os ônibus estacionados perto da entrada da academia. Lá, vários alunos já estavam presentes, apenas aguardando para entrar nos veículos.

Viram alguns rostos conhecidos, como os seus professores, Saga e Camus, e também de alguns colegas, como o Miro, que conversava com um rapaz de cabelos lilases.

Viram também Máscara e seus comparsas; todavia, Shura não estava entre eles. O que era um bom sinal, pelo menos ao ver de Afrodite, que sempre o considerou o mais "decente" entre eles.

O Canceriano já havia percebido a sua presença também, e não deixava de olhá-lo com fixação, mantendo um olhar malicioso e lascivo por sobre o pisciano. O andrógeno apenas o ignorava.

Logo, foram chamados para os ônibus e subiram. Os quatro amigos resolveram então sentar no último banco, o de trás, pois este possuía quatro acentos exatos para eles. Sentaram-se então Aioros numa ponta, perto da janela, seguido por Afrodite e Shaka no meio, e Aioria na outra ponta, também numa janela.

Pouco depois, após os ônibus estarem cheios, eles partiram rumo ao seu novo destino.

Continua...

Notas finais
*Perdoem qualquer erro ai na fic... Cês já sabem os esquemas como são, não é?! Enfim... Erros de qualquer tipo, relevem... Minhas betagens estão melhorando, mas elas jamais serão perfeitas, então.. É isso! ^^ **Agradecimentos especiais para Suh Domingues que favoritou a fic, muito Obrigado minha querida ^^ ***Agradecimentos especiais para Chris Gothic; Miro; Sweet Selene; Mini Love; mangalove e shyna que deixaram comentários; muito obrigado pessoal, agradeço muito o carinho de todos vocês. ****O Próximo capítulo está sem previsão; já andei dando uma olhada no meu cronograma de Março, e ele ta apertadinho, mas quem sabe, né?! De qualquer forma... Muito Obrigado por tudo e até mais ver pessoal 0////
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.