Escassez da Vida Humana
1 O 1.000º Corpo
Notas iniciais
Aproveitem! ;)
Sam e Maya estão finalmente a dormir. O fato de elas não pregarem olho durante 48 horas estava a tornar-se preocupante. Finalmente consegui dar-lher algum conforto ao construir esta vedação resistente. Algumas tábuas, armadilhas e arame farpado é o ideal para manter um lugar seguro. Infelizmente, não irá durar para sempre e é necessária manutenção contínua para que não haja falhas.
Sam acabara de acordar e levantou-se. Seguindo em direção a mim com uma expressão ainda ensonada, balbucia um "Bom dia" e pergunta-me o que há para comer. Atirei ao ar uma maçã verde e ela apanhou-a. Olhou para a maçã e mordeu-a com força suficiente para se ouvir o barulho. Sam estava esfomeada e aquela maçã parecia saber-lhe bem. O barulho da maçã a ser devorada a dentadas largas parece ter despertado Maya que acabara de se levantar e correra para mim, pedindo-me também uma maçã. Maya, diferente de Samantha, adorava fruta e não resistia a uma boa maçã, seja ela verde ou vermelha. Após ambas acabarem de comer o seu "pequeno-almoço real", Maya olhou para mim, ainda a chupar os dedos, e perguntou:
- Para onde vamos agora, pai?
- Para sul. Temos de chegar a Atlanta. Lá iremos encontrar mais alimentos uma vez que tem imensos armazens.
Sam concordou comigo e começamos a pegar nas mochilas e no material necessário para a viagem. Até ao final da tarde era essencial chegar a North Carolina e estabelecer um acampamento. Finalmente na estrada, não havia nenhum walker à vista. Parecia seguro, de facto. Começamos a caminhar com passos monótonos e graduais. Sam tinha mencionado que era possível chegar a North Carolina em cerca de cinco horas, o que significa que ainda será a meio da tarde. Quando lá chegarmos será fácil construir um acampamento simples, uma vez que ainda teremos luz do dia. Preocupa-me é o número de walkers por lá e se teremos ou não materiais necessários para construir algo minimamente seguro.
Cerca de quatro horas se passaram. Foram quatro longas horas de conversa e um ambiente parcialmente seguro. Os walkers existentes estavam longe e conseguimos escapar sem gastarmos energia física ou munição. Ao fim da rua era possível ver finalmente North Carolina. Estava deserta, tirando meia dúzia de moradores indesejados que se arrastavam pela rua. Maya e eu decidimos arrumar com eles. Maya conseguiu matar dois deles e eu tratei dos restantes quatro. No último sorri e, após uma facada na testa do walker, levantei a faca banhada com um sangue preto e podre e disse «Este é o meu 1.000º, Maya!». Ela sorriu e aproximou-se de mim.
- Aqueles foram os meus 67 e 68, pai. Ainda falta alguns até chegar ao meu centésimo.
- Estás a crescer, Maya. Fico mesmo orgulhoso por estares a tornar-te adulta. — dito isto, abanei a mão suja numa tentativa de me livrar daquelo preto sujo de antes e passei a mão pelos cabelos castanhos-escuros de Maya. Ela parecia realmente feliz, apesar dos tempos difíceis que estavamos a passar.
- Mimas demais essa miúda, Oliver. — disse Samantha com um sorriso de troça — Vamos, temos mais trabalho a fazer.
Estava na altura de montar o pequeno centro de proteção e preparar o jantar, já que o sol estava a começar a afundar nas colinas. Mais um dia se passou, mais um dia rumo a um novo mundo.
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