Escarlate

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Fiz com um super entusiasmo! Espero que gostem! Tenham uma boa leitura e até as notas finais!

Nathaniel

– Castiel me disse que você o odeia!

Não é total verdade. Eu não odeio Castiel, nunca odiei na verdade, só me reprimi a sentir algo bom com ele. E o motivo por ter me reprimido ao tal? Quem sabe... eu não sei, mas é realmente incrível como nossas personalidades não se coincidem uma com a outra. E isso só deixa mais claro que nunca deveríamos ter nos conhecido, então respondi a maldita afirmação da Lynn com um tom habitual.

– Não gosto dele. Apenas isso. — voltei meu olhar a prancheta que continha relatórios. Pude ver a menina ganhar um tom rosado e não evitei que um sorriso escapasse de meus lábios.

Já havia virado rotina a mesma vir na sala do conselho estudantil para passar o tempo, ou muitas vezes bancando uma de detetive. Era um incomodo ser atropelado com tantas perguntas, algumas sem respostas, mas era bom me deparar com as curiosidades da morena que não se satisfazia com nada.

Suspirei ao olhar em meu relógio de pulso e ver que já passava das onze da noite. O colégio havia ficado vazio há cinco horas atrás e mal havia terminado meu trabalho de representante. E suspirei pela segunda vez ao mirar a pilha de papeis que ainda tinha que assinar. O cansaço em meu corpo era tamanho que senti uma pontada em minhas costas, mostrando o peso que meus ombros seguravam. Afrouxei a gravata e desabotoei os primeiros botões da camisa branca que sempre usava, baguncei meus cabelos e me inclinei para trás fechando os olhos ao sentir o vento frio desaconchegante entrar pela janela entreaberta.

Ser o presidente do conselho era algo tão exaustivo que parecia que me basearia naquilo para o resto da vida. É, eu não era como o Castiel. Não vivia minha vida de modo despreocupado e aproveitava dos pecados que o inferno havia imposto no mundo. Até era provável que eu não fosse um pecador. Mas tudo era pelo simples fato de ser cercado pelas investidas do meu pai, um... homem desprezível. Era óbvio que seus olhos refletiam o tanto de desgosto que sentia por me ter ao lado, não era pouco. Minha mãe investia em meu pai e isso me incomodava. Não entendo direito. Quem é fantoche de quem? Quem manipula quem? Acho que cada um é manipulado de certa forma pelo outro, talvez seja por isso que se dão tão bem. Mirei novamente a pilha de papéis e peguei os 5 primeiros.

– Castiel aprontou na aula de matemática. Castiel fumou no refeitório. Castiel portava um canivete... — e assim seguia os próximos papéis com reclamações e devo dizer que aquilo, me deixou irritado, muito irritado — Tsc! Problemático!

– Está pensando em mim Nath? — a voz rouca e grave me fez pular da cadeira. O mesmo me olhava de canto enquanto se escorava no batente da porta e tragava um cigarro. O cheiro maldito penetrou na sala enquanto ele soltava a fumaça cinzenta por uma brecha nos lábios.

– É proibido fumar aqui! — ralhei e voltei a me sentar, pegando os papéis e os jogando na mesa para o mesmo observar — Você me trás muitos problemas! Não pode tentar se controlar?!

– Que irritadinho, está assim porque não dorme direito. — se aproximou sentando duas cadeiras distante de mim e apoiando os pés na mesa de vidro. Afundei minha cabeça em meus braços que estavam apoiados na mesa e soltei um forte suspiro. O suspiro era um misto de desgosto, ao vê-lo apoiando as botas imundas na mesa tão limpa, e de repreensão a mim mesmo, por saber que ele estava certo dessa vez — Aquela velha está te pressionando, não é mesmo? — riu debochado e novamente o cheiro do maldito cigarro alcançou minhas narinas, fazendo-me tossir um pouco.

– Se você não fosse tão problemático e não tivesse tantos relatórios ao seu respeito eu provavelmente teria menos papeis para me ocupar. — murmurei levantando um pouco minha cabeça e fitando-o nos olhos — E já disse para parar de tragar esse cigarro fedorento aqui.

– E que graça teria se eu fosse certinho querido representante? O que traria emoção a sua existência? — ri indignado com a resposta.

– Não dependo de você para me divertir Castiel. — revirei os olhos e passei as mãos em meus fios loiros que caiam em meu rosto, carregando-os para trás.

– É mesmo representante? Então, o que faz para se divertir? — a pergunta de modo me pegou desprevenido e não pude conter que minhas sobrancelhas se curvassem em aborrecimento por não ter uma resposta na ponta da língua. A risada rouca preencheu a sala e causou um certo desconforto em meu corpo que se encolheu instantaneamente.

– O que está fazendo aqui? — mudei de assunto já pegando minha caneta e voltando a preencher os papeis — Pelo que eu saiba, você e o Lysandre não usam o porão as quartas.

– É, não usamos. Resolvi te fazer companhia Nath, me agradeça depois. — fez um sinal com a mão e não pude evitar de rir — Está cada dia mais radiante representante.

– E seu cabelo, está desbotando. — sorri desviando por poucos segundos meus olhos dos papeis para encara-lo — Vá embora Castiel, já está tarde.

– Vou acompanhar a donzela indefesa hoje no caminho para casa. — revirei os olhos.

– Não preciso que o perigo dos perigos me defenda dos perigos. Eu sei me cuidar.

– Ah, claro que sabe... — senti um certo ar de deboche em seu tom de voz — Não imagino você se defendendo nem de um mosquito! — ouvi um barulho de isqueiro e logo o cheiro forte inundou a sala.

– Dessa forma vamos morrer asfixiados. — suspirei e juntei os papeis na mesa me levantando.

O caminho era silencioso e o falso ruivo continuava tragando aquele cigarro. De modo fiquei feliz pelo mesmo estar ao meu lado, não me dou muito bem andando tarde da noite pelas ruas já que tenho esse ar de bom mocinho. E não só ar, como fisicamente eu sou um bom mocinho. Vi o mesmo desviar do caminho e entrar em um parque. Apenas senti que era para segui-lo e assim fiz. O mesmo estava sentado num balanço e sentei no outro ao lado, me permitindo brincar. Aquele parque estava gravado em minha mente, cada detalhe ainda estava do mesmo jeito apenas alguns brinquedos enferrujados.

– Você era um garotinho malvado... — senti sua risada fraca e não evitei em sorrir com as lembranças que passava em minha mente — Agora virou o príncipe certinho. Parece que se arrepende de seu passado?!

– Não me arrependo... só me culpo por Ambre ser assim. — suspirei em desgosto parando de balançar e me curvando para cobrir meu rosto com as mãos.

– É, talvez seja realmente sua culpa. — idiota — Mas essa garota sempre foi, sempre será e sempre vai ser uma patricinha mimada. — virei meu rosto e deparei com um sorriso de canto nos lábios de Castiel. Os maiores inimigos de Sweet Amoris, agora conversando onde tudo começou, isso soa cômico.

– O mundo da voltas, salvador da pátria. Agora o bom moço sou eu e você... é, você é você. — me espreguicei ao som de sua risada.

Ao sentir o vento bater em meu rosto permaneci com meus olhos fechados apreciando o sopro.

Assim que abri não o vi. Ele não estava mais ali.

Apenas sai do parquinho e continuei uma pequena caminhada, parando em minha casa e estando pronto para encaminhar minha cabeça pesada para meu travesseiro.

Notas finais
E então, o que acharam? Comentem, críticas construtivas e elogios são bem vindos :D Vou adorar tê-los por aqui! Beijos e até!