Escape
5 Vingança
Notas iniciais
Tirou os olhos da mulher/homem e mirou a ex-amiga, que estava meio descabelada, tinha o pescoço vermelho e continuava respirando fundo. Assim como a mulher sem nome, Emma, também aguardava ansiosa por uma resposta.
Regina deu de ombros e sem tirar os olhos da loira, resolveu consentir.
– Vá em frente. — Respondeu com um tom de voz sombrio e indiferente, mas no fundo, bem lá no fundo, torceu para que a mulher fosse embora e deixasse Emma, em paz.
Bom, não foi isso que ela fez. Depois de abrir um sorriso maquiavélico, ela voltou-se para a loira, e lhe acertou um soco na boca do estômago, a fazendo curvar-se para frente. Emma, perdeu completamente o ar, a dor era tamanha, que ela não conseguia sequer se mover, foi então que ganhou um outro soco, dessa vez no lado esquerdo do rosto. Já estava indo ao chão, quando levou mais uma porrada no outro lado da face.
Regina, não sabia exatamente porque, mas seu coração estava acelerado, suas pernas tinham voltado a ficar moles, e ela não estava se sentindo feliz, nem vingada, nem satisfeita, como pensou que pudesse ficar. Pelo contrario, ela estava apavorada. Estava se sentindo dentro de um ringue. Lembrou-se instantaneamente das lutas sangrentas de MMA, que o marido tanto assistia pela TV.
Antes que ela conseguisse falar alguma coisa e pedir para a mulher parar, Emma, já estava sendo chutada.
– CHEGA! CHEGA! CHEGA! — A morena gritou um tanto quanto desesperada, mas a mulher pareceu não ouvi-la. — VOCÊ VAI MATAR ELA! — Tentou de novo e de novo não foi ouvida. Desesperada, a morena respirou fundo e foi até a brutamontes, a empurrando para longe do corpo da ex amiga. — CHEGA! — Ordenou, ao parar na frente de Emma, impossibilitando a boxeadora de se aproximar.
– O que foi, está com peninha? — A brutamontes debochou.
– Não. Só não quero que no meu primeiro dia aqui, eu já tenha que depor contra uma morte. — Deu a desculpa, usando seu tom de voz mais convincente. — Tenho certeza que você também não quer pegar uns anos a mais por isso. Ela não vale a pena! — A mulher homem, balançou a cabeça concordando.
– Fica esperta, Swan! Esse foi só um aviso. Dá próxima vez além de deixar você sem dentes, eu vou pegar sua amiguinha aqui, e vou fazer dela a minha putinha particular. — Avisou. Depois disso a mulher boxeadora, lançou uma piscada para Regina e se foi.
– Vai se foder! Vai se foder! Eu vou acabar com você! — Emma queria gritar, mas a dor mal a deixava murmurar.
Regina, rolou os olhos ao ouvir a ameaça da loira, que não conseguia sequer se mexer e constatou que ela continuava a mesma encrenqueira de sempre. Quase sorriu ao se lembrar de tal coisa.
Quando deu por si, já estava abaixada analisando o estrago que a boxeadora tinha feito na paqueradora de mulher alheia. Balançou a cabeça em sinal de descrença, e fez com que a loira sentasse e se encostasse na parede. — Vai se foder você também! — Emma esbravejou, antes de começar a chorar.
– Cala a boca! — A morena ordenou e então começou uma analise minuciosa no rosto da loira.
Tinha um corte aparentemente profundo em seu supercílio esquerdo e seu olho estava tão inchado, que praticamente não abria mais. Sua boca também tinha sofrido sérios danos, além de seus lábios estarem dez vezes maior do que os de Angelina Jolie, eles não parava de sangrar.
A morena suspirou e levou a mão até a testa da loira sem juízo, colocando uma mecha dos cabelos loiros ensanguentados para trás, enquanto pensa no que fazer. Não entendia nada sobre cortes, mas tinha a leve impressão de que Emma, precisaria levar alguns pontos. — Talvez você consiga enfim, uma cicatriz como a minha. — O pensamento da morena, acabou escapando em um murmúrio.
– A gente já pode conversar agora? — A loira tentou se aproveitar da situação. Regina tirou a mão dos cabelos dela e a encarou. Seus olhos se prenderam por alguns segundos, até a morena suspirar e negar com a cabeça.
– Não. — Foi sincera. A surra que a loira tinha levado, não mudou em nada a mágoa que Regina, sentia. Nada tinha mudado em relação aos seus sentimentos. Continuava se sentindo traída. Continuava magoada. Continuava com raiva. Mas, infelizmente ela ainda se importava com Emma, por tal motivo, estava lá sentada ao lado da loira, no chão imundo daquele banheiro. Mais tarde, antes de dormir, quando pensasse sobre aquele assunto, iria com certeza se odiar por não ter deixado a loira jogada naquele chão e ter saído de lá, sem ao menos ter se certificado que ela iria sobreviver.
– Eu sinto muito, Regina. Muito mesmo. — A ex amiga tentou mais uma vez se desculpar. A morena balançou lentamente a cabeça, em sinal de concordância.
– Isso não muda nada. — Respondeu com um certo pesar.
– Quem sabe com o tempo? — A loira questionou esperançosa. Mills, suspirou e se pôs de pé, em seguida, agarrou as mãos de Swan, e a levantou de lá também, o que gerou muitos resmungos de dor, por parte da loira.
Emma, sentia uma dor desumana nas costelas, ficar de pé não foi uma boa ideia, ela mal estava conseguindo respirar, teve certeza que a morte era bem menos dolorosa.
Apoiou as mãos nos joelhos e curvou-se, precisava de muita concentração para não gritar.
– Fique reta. Arruma essa postura. — Regina, sabia que algo não estava certo, assim como sabia, que a loira não iria abrir a boca para falar, então precisaria descobrir sozinha.
Emma, bem que tentou obedece-la, mas ao tentar deixar o corpo ereto, sentiu uma dor dilaceradora nas costelas, ou, no que tinha sobrado delas.
– PORRA! — Esbravejou ao curvar-se novamente. — EU VOU MATAR AQUELA DESGRAÇADA, JURO QUE VOU! — Lágrimas de dor, caíram dos seus olhos, deixando Regina, nervosa, sem saber o que fazer.
– Quieta! Você quer que ela volte aqui, é isso? — A morena estava temendo pela desajuizada. — Vou levar você para a enfermaria. Deve ter quebrado alguma costela. — A loira balançou a cabeça muitas vezes em sinal de negativo.
– Não. Você já pode ir agora. Vou sobreviver. — Antes que a morena teimosa insistisse, Emma, puxou um pouco de ar e resolveu continuar. — Se você me levar até lá, vão te interrogar até descobrirem quem fez isso comigo. Se não descobrirem, vão constatar que foi você e aí você vai para solitária. — A loira precisou de outra pausa para seus resmungos e caretas de dor. — Você já me odeia o suficiente para uma vida inteira. Não preciso do bônus da solitária. — Fez piada e tentou rir, mas não deu muito certo. As lágrimas insistentes não iam embora.
– Você mal consegue se mexer, não vai conseguir caminhar até lá. — Regina, estava entre a cruz e a espada. Não queria de jeito nenhum conhecer a solitária, mas também não queria deixar a loira ali, definhando até a morte.
– Vai! Eu me viro, não se preocupe. — A morena continuava em dúvida. — Acredite, já passei por coisas piores e sobrevivi. Sem ajuda. — Mills não tinha dúvida sobre aquilo. Emma nunca fez o tipo sentimental. Era o tipo de pessoa que gostava de sofrer sozinha. Na maioria das vezes, era fechada ao extremo, nunca falava abertamente sobre seus sentimentos ou seus problemas, a não ser é claro, que estivesse bêbada.
A morena já tinha feito sua parte, certo? Ofereceu ajuda. Se a loira rejeitou, o problema era dela. Não ficaria ali insistindo, se ela estava afim de ficar por ali sofrendo, paciência. Existem pessoas que gostam de sofrer. Masoquistas estão aí para comprovar isso.
– Ok. Tente não morrer! — Pediu antes de dar as costas para traidora, e caminhar em direção a saída.
– Você não respondeu minha pergunta. — A voz de Emma, a fez parar. — Quem sabe com o tempo? — Questionou de novo. Regina, ficou em silêncio por algum tempo, antes de suspirar e resolver responder.
– Quem sabe? — Respondeu em um murmúrio, antes de sair daquele lugar.
Mesmo sentindo muita dor, a loira abriu um sorriso largo, um sorriso vitorioso. Teve certeza que era só questão de tempo, até a morena voltar a ser a Regina de sempre. O pior já tinha passado, agora só precisava agir com cautela, para não meter os pés pelas mãos. Precisava dar um tempo para a morena pensar e a estadia que com certeza passaria na enfermaria, a ajudaria com aquilo.
– BU! — Panda, vulgo, “a mulher que tinha feito Emma, de saco de pancadas”, estava de volta, e fez a loira pular de susto.
– Você acabou comigo. — Reclamou.
– E não era esse o combinado? Foi você quem disse para eu bater para vale. “Ela não pode desconfiar de nada.” Você me disse. Só fiz o meu papel. — Deu de ombros.
– Muito bem feito, diga-se de passagem. Não tem uma parte de mim que não esteja doendo. — Reclamou. O que não se faz, para ter a amiga de volta? A loira pensou com seus botões.
– E aí, deu certo? — Ela afirmou.
– Mais do que eu imaginei que daria. — A traidora fez uma pausa para respirar. — Agora é só esperar. — Panda balançou a cabeça em sinal de negativo, não acreditando que a loira tinha a procurado para pedir por uma surra. Tudo para voltar a falar com a melhor amiga. Se bem que pelo o que ouviu da conversa das duas, tinha certeza que não era só uma amizade. Couro, panda podia sentir cheiro de couro. — Você provavelmente partiu minhas costelas. — Reclamou com uma careta de dor. — Agora é melhor você sair daqui e mandar alguém para me ajudar a chegar até a enfermaria. Quando eu estiver recuperada, combinamos seu pagamento. — A mulher abriu um sorriso perverso, o que fez Emma, ter que disfarçar sua cara de nojo.
– Preciso que você se recupere bem, para estar bem flexível, na hora do pagamento. — Ouvir aquilo fez a loira sentir vontade de vomitar. Mas não tinha jeito, sabia que teria que encarar.
– Vou estar. — Tentou sorrir. — Agora vai. — Pediu.
Sem dizer mais nada, a tal Panda, foi. Menos de cinco minutos depois, o “resgate” de Emma, chegou.
(…) Ainda não eram 8:00 horas da manhã. Regina mal tinha conseguido abrir os olhos. Passou a madrugada praticamente toda acordada chorando, e quando o cansaço finalmente a venceu, ela foi acordada e praticamente arrastada de sua cela, por um policial nada educado que não lhe deu nenhuma explicação. Agora estava lá, sentada na sala na sala do conselheiro, sendo interrogada pelo mesmo, que queria a qualquer custo, descobrir o que tinha acontecido com a senhorita Swan.
– Pela milésima vez, senhor Humbert, eu não vi nada! — A noite mal dormida, junto com aquele lugar, mais a encrenca que Emma já tinha conseguido meter a morena, a faziam ter vontade de pular no pescoço do conselheiro.
– Mas a senhora estava no banheiro, quando a senhorita Swan, foi vista entrando. — Insistiu de novo.
– Senhor Humbert, o senhor fala como se aquele banheiro fosse um quadrado de 1x1. Eu estava tomando banho, ou seja, estava na parte dos chuveiros. A senhorita Swan, muito provavelmente estava na parte dos sanitários. Aliás, o senhor já viu o estado precário daquele banheiro? Pelo amor de Deus, senhor Humbert! O que custa colocar portas nos sanitários e cortinas nos chuveiros? — O homem rolou os olhos. Ele já tinha ouvido tanto aquela mesma pergunta de outras detentas, que já tinha até uma resposta formada.
– Custa muito. Estamos tendo contenção de despesas. Portas e cortinas não são essenciais. E não mude de assunto, senhora Mills.
– Eu não vi nada. — Bateu mais uma vez na mesma tecla. Se tivesse que passar o dia ali, passaria. Mas não abriria a boca para dizer a verdade. Tinha certeza de que se dedasse a mulher boxeadora, sofreria graves consequências.
– Assim a senhora não está colaborando. Sabe que pode acabar parando na solitária? — Ouvir aquilo fez os olhos da morena crescerem e seus ombros ficarem tensos.
– O senhor vai me mandar para solitária por eu não saber o que aconteceu, é isso? — Se fez de espantada, mas na verdade estava com vontade de ir na enfermaria atrás de Emma, e lhe dar mais algumas porradas.
– Mills, ontem você ameaçou em publico, “meter a mão na cara” da senhorita Swan. Menos de doze horas depois, ela chega na enfermaria com três costelas quebradas, e o rosto arrebentado. Convenhamos, as pistas apontam em sua direção. — A morena ficou um pouco assustada ao ouvir sobre TRÊS costelas quebradas.
– Senhor Humbert, como o senhor mesmo falou, eu a ameacei em publico, ou seja, pelo menos umas dez detentas ouviram. A senhorita Swan, não é uma pessoa digamos, muito querida. Ou seja, alguém pode ter se aproveitado da minha ameaça para bater nela, assim a culpa cairia sobre mim. — Humbert, precisava admitir, Mills, era esperta, engenhosa e talvez manipuladora. Tinha certeza que ela estava envolvida na surra de Swan, e tinha quase certeza que não arrancaria nada dela.
– Tem certeza que não viu nada de suspeito mesmo? — Tentou uma ultima vez.
– Certeza absoluta. — Respondeu com convicção. — Já posso ir agora? — O homem suspirou e decidiu desistir, ou fazer de conta que desistiu. Talvez daquele jeito fosse mais fácil investigar.
– Pode. — Regina lhe sorriu em agradecimento e ao levantar-se de lá, seus olhos acabaram batendo no telefone e ficaram presos lá. — Algum problema? — Humbert, indagou ao perceber que a morena tinha empacado.
– Senhor Humbert, fiquei sabendo que o cheque que meu marido depositou, vai levar três dias para cair e até lá não vou conseguir usar o telefone. Por favor, me deixa usar o seu. Prometo que vai ser rápido, só quero saber se meu filho está bem. — O homem abriu a boca para negar, mas de última hora, teve uma ideia melhor.
– Vá em frente. — Respondeu apontando para o telefone. — Digite o 9, antes de qualquer coisa. — Regina sentiu vontade de pular de felicidade, mas ficou só na vontade mesmo. Resolveu ser rápida, antes que o homem mudasse de ideia. Seu coração batia forte a cada chamada que o telefone fazia. Para sua alegria, na quinta vez que chamou, alguém atendeu.
– Alô!? — Era Robin. Abriu um sorriso enorme ao ouvir a voz do marido. Lágrimas lhe vieram aos olhos. Como era bom ouvir a voz de alguém conhecido. Como ela estava precisando daquilo.
– Robin, querido! Sou eu, Regina. Ouça, tenho que ser rápida porque estou ligando da sala do conselheiro Humbert. O cheque que você depositou leva três dias para cair. Até lá, não vou conseguir ligar de novo. — Falou tudo rapidamente. — Como está Henry? Ele está por aí? — Ela queria muito falar com o filho. Ouvir sua voz. Sentia tanta falta dele que era capaz de jurar que já estava um ano fora de casa.
– Oi, Reg... — Antes que ele pudesse terminar o nome dela, a ligação caiu.
– Não, não, não! — Exclamou desesperada. Precisa ligar de novo, precisava ao menos saber se o marido e o filho estavam bem. Ao voltar-se para o aparelho com o intuito de ligar de novo, ela viu que a ligação não tinha caído coisa nenhuma. O conselho Humbert, tinha desligado. Ele ainda estava com a mão sobre o aparelho, enquanto sorria para a morena.
– O que foi isso? — Questionou incrédula.
– Isso o quê? Não sei. Não vi. Minha sala não é um quadrado de 1x1, senhora Mills. A senhora estava no telefone. Eu estava na minha mesa. Não sei. O que foi que aconteceu? — Regina, estreitou os olhos, fechou as mão em punho e lançou um olhar de ameaça para o homem, que parecia se divertir.
Ela se viu pulando no pescoço do homem, o derrubando naquele chão e pondo em pratica todas as aulas de boxe que teve.
Abriu a boca para falar muitas coisas, coisas nada educadas, palavrões, xingamentos e desacatos. Coisas que com certeza a levariam a solitária. Precisou de muito autocontrole para não dizer uma palavra sequer. Para simplesmente baixar os olhos e sair de lá.
Ah Emma, maldita Emma! Era tudo culpa daquela loira encrenqueira e insistente. Três costelas quebras era pouco! Regina, naquele momento estava desejando que ela tivesse quebrado pelo menos dez, para quem sabe passar o resto do ano na enfermaria. A morena sabia que só teria paz e tranquilidade bem longe daquela loira, que desde sempre, atraia encrencas e problemas.
A raiva que estava sentindo era tamanha que, quando chegou em sua cela, ela parou na frente da parede e começou a soca-la.
– Maldito conselheiro! Maldita traidora! É impressionante como você continua dando jeito de foder com a minha vida! — Esbravejava enquanto continuava socando a parede.
– Suas mãos estão sangrando! — Lucas, se viu na obrigação de avisa-la, já que a morena parecia fora de si. A parede foi socada mais umas quatro vezes antes de ela parar.
– Desculpe! — Pediu.
– Desculpar pelo quê? — A vovó quis saber.
– Pelo ataque de raiva. Eu só... — Ela respirou fundo. — Odeio Emma Swan. Não faz nem 24 horas que estou aqui e ela já conseguiu me encrencar. — A mulher a olhou atentamente por alguns segundo e então sorriu.
– Não queira ser brava, quando basta ser inteligente. Era o que a minha vó sempre dizia. — Regina franziu a testa, sem entender o que a mulher queria dizer. — Ficar brava não vai resolver seu problema. Pensar em alguma coisa para resolver seu problema com essa Emma Swan, talvez resolva.
– Alguma coisa tipo o quê? — Questionou mais consigo do que com a mulher.
– Bom, talvez você deva deixar ela pensar que as coisas entre vocês estão bem. Assim ela não mete mais você em encrenca e você pensa com calma no que fazer. — Um sorriso sombrio começou a nascer nos lábios da morena. Sim. Aquela era uma ótima ideia.
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