Escape

6 Mulheres X Brócolis


Notas iniciais
Boa noite, meninas! Passando para deixar mais um capítulo. Quero agradecer imensamente as meninas que leram e deixam um comentário. Muitíssimo obrigada suas fofas! Lembrando que o que estiver em negrito é flashback

Regina podia jurar que passaram pelo menos uns sete longos e sofridos anos, dentro de seis dias. Tinha certeza que o relógio das detentas, não era o mesmo das pessoas que viviam fora da prisão. Um dia dentro daquele lugar com certeza tinha pelo menos 168 horas, para mais. Ela não estava mais se aguentando de saudade do filho. Faziam três dias que o dinheiro do cheque tinha finalmente caído e as ligações foram liberadas.

Ela enfim estava conseguindo conversar com Henry, o problema era que não podia demorar, tinha sempre uma outra detenta querendo ligar, então suas conversas não passavam de dez minutos. Minutos esses que Regina gastava para perguntar ao garoto se ele estava bem mesmo, se estava se alimentando direito, se não estava indo dormir muito tarde, se não estava ficando tempo demais no vídeo-game, se estava obedecendo o pai, se estava estudando, se não estava escondendo nada dela e quando aquele interrogatório chegava finalmente ao fim e o garoto tentava contar sobre o seu dia ou saber sobre o dia da mãe, já estava na hora de Regina desligar.

A morena estava tentando ao máximo, ocupar seu tempo ali dentro. Acordava as 7:30 e ia para o banho. As 8:00 tinha que estar no refeitório para o café da manhã. As 8:30 ia até a lavanderia, local onde estava trabalhando, e trabalhando sozinha. Além de ter que lavar as roupas de todas aquelas mulheres e não ganhar nada em troca, ela tinha também que concertar aquelas coisas que lhe apresentaram como maquinas de lavar, que estragavam pelo menos duas vezes por dia.

Ao meio dia tinha uma pausa para o almoço e depois ela voltava para a lavanderia onde ficava até as 16:00. A outras quatro horas que tinha livre até o jantar, ela passava correndo, se exercitando e participando das aulas de yôga.

Sim, existia yôga por ali, não que fosse o mesmo yôga que Regina fazia na sua academia. A professora detenta não se encaixava muito bem no perfil de professora, não sabia o nome dos exercícios, e a técnica que ela usava para relaxamento, não funcionava. A morena com certeza entendia mais daquela prática do que qualquer um ali dentro, mas enfim, ninguém precisava saber sobre aquilo. E era melhor gastar uma hora do seu dia tedioso em uma falsa aula de yôga, do que não gastar com nada.

Enfim, para a alegria da morena, o tão esperado domingo tinha finalmente chegado e não faltava muito para começar o horário de visita. Seu coração disparava, sempre que ela pensava que finalmente veria o filho e o marido. Queria muito abraça-los, beija-los e contar sobre a vida naquele lugar. E enquanto as 14:00 horas não chegavam, não restava fazer outra coisa a não ser almoçar.

Regina encontrava-se no refeitório analisando atentamente a comida em seu prato em uma tentativa de adivinhar que prato exótico seria aquele. Não tinha gosto de frango. Não tinha gosto de carne bovina. Não tinha gosto de peixe. Na verdade não tinha muito gosto, ou talvez tivesse um pouco de gosto de queimado.

Aquela cor marrom amarelada deixava a gororoba com um aspecto horrível. Sua mente acabou pensando em várias coisas nada agradáveis que tinham aquela mesma cor. Tal pensamento a fez fazer cara de nojo e deixar aquilo de lado.

Decidiu comer só as folhas de alface, brócolis e ervilhas, que tinha pegado em grande quantidade, já imaginando que não gostaria da comida não identificada.
Encheu a boca de alface e suspirou aliviada ao constatar que o mesmo tinha gosto de alface. Sorriu satisfeita com aquilo. Nunca imaginou que pudesse gostar tanto de alface e de repente estava achando aquela verdura, a melhor comida do mundo.


– Sério que você virou vegetariana? — Ao ouvir a voz de Emma, o coração da morena deu uma leve acelerada. Ela parou de sorrir e levantou a cabeça, encontrando com a loira parada em sua frente. Regina não via Emma, desde sua primeira noite ali. A surra que a ex amiga ganhou foi tão grande, que estava quase fazendo uma semana que ela estava na enfermaria, mas para o azar da morena, tudo que é bom, quase sempre acaba rápido demais. Emma parada em sua frente, constatava tal coisa.

O super cílio cortado da loira tinha ganhado alguns pontos. O olho dela estava um pouco menos inchado e tinha ganho um tom de roxo que preto. A boca também estava horrível, mas aparentemente tinham conseguido concertar sem dar pontos. Acabada, a loira parecia acabada, mas mesmo assim, por um motivo que a morena não entendia, ela estava quase sorrindo.

– Não. — Respondeu ao tirar os olhos da ex amiga.

– Posso? — Pediu permissão para sentar-se com Regina, que abriu a boca para responder que não. Mas então lembrou-se do plano e apontou com a cabeça para que Emma sentasse em sua frente, ato que fez a loira abrir um sorriso gigantesco.

Com um pouco de dificuldade graças às costelas quebradas, ela sentou-se.
Regina não pode deixar de ouvir os resmungos de dor e nem de perceber as caretas que a loira fez ao sentar.

– Como se sente? — Quando deu por si, já tinha perguntado e Emma se sentiu feliz com aquilo.

– Como se um trem tivesse passado por cima de mim e dado a ré. Depois passado de novo e dado a ré outra vez. — Regina quase sorriu e perguntou-se quantas vezes um trem já tinha passado por cima daquela loira encrenqueira. — Me colocaram uma cinta protetora, que diminui um pouco a dor e estão me fazendo engolir uns comprimidos de seis em seis horas para também conter a dor. Estava deitada desde segunda a noite. Hoje que me deixaram levantar e vir almoçar. — Quando foi encomendar sua surra com a Panda, não imaginou que a mulher ia encarnar tão bem o personagem. — Quebrei cinco costelas. — Contou por fim.

– Eu sei. O senhor Humbert, mencionou isso quando me chamou na sala dele para tentar me fazer admitir a sua surra. — Emma arregalou os olhos, assustada com a possibilidade de a morena ter contado a verdade.

– Sério? — Regina afirmou. — E o que você disse? — Se por um acaso a morena tivesse dito a verdade, Emma com certeza ganharia outra surra, dessa vez uma surra real. O que teoricamente seria pior do que a surra “falsa”. E com certeza Panda, contraia a verdade para Regina.

– Não vi e não sei de nada. — A resposta da morena fez Emma soltar o ar que nem sabia que estava prendendo.

– Valeu! — A loira agradeceu aliviada, o que fez Regina lhe lançar um olhar de desconfiança.

– Pelo o quê? — Emma percebeu sua desconfiança.

– Por não ter dito nada. Eu poderia apanhar de novo. — Regina balançou a cabeça em sinal de negativo, pensando em como a loira continuava a mesma egoísta.

– Não fiz por você, fiz por mim. — Respondeu curta e grossa. — Não tenho nada a ver com isso, a culpa é toda sua. — Emma, teve impressão que a morena marrenta tinha se especializado em culpa-lá por qualquer coisa. A loira abriu a boca para desculpar-se com aquele serzinho estressado, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a mesa em que as duas estavam, foi invadida por mais três mulheres.

– Bom dia, realeza! — Ruby, jogou-se ao lado da morena, e cutucou seu ombro no braço dela. Aquilo na linguagem de Ruby significava “oi”. — Pulou cedo hoje? — Como Regina tinha enfiado um pedaço de brócolis na boca, levantou o polegar afirmando e depois pediu com a mão para que a ruiva esperasse.

– Insonia. — Contou assim que acabou de mastigar. — Assim que abriram a porta para o pátio, fui correr. — Emma sentiu uma pontada de ciume da tal Ruby Hood, quando viu como Regina a tratava bem. E que história era aquela de realeza?

– Forrest Gump, não é pário para você, realeza. — O comentário de French, arrancou um sorriso da morena e tal sorriso, deixou Emma perplexa.

– Realeza? — Emma se viu na obrigação de se atualizar. Desde quando Regina fazia amizades assim tão facilmente? Desde quando ela sorria para qualquer um? A morena sempre foi a mais fechada, quando o assunto era fazer novas amizades.

– Olha essa pele alva, esse rosto perfeito, esse olhar fatal, essa postura impecável, a cara de mal, o ar de superior. — Os elogios que Ruby, fez a Regina, fizeram com que Emma, se arrependesse de ter perguntado qualquer coisa.

– E você, quem é? — Lucas, que até então estava quieta, resolveu se manifestar.

– Emma Swan! — Sorriu para a velhinha que parecia simpática e inocente, e perguntou-se porque motivo a coitada estava presa, mal sabia ela dos conselhos que a mulher tinha dado a Regina há uns dias atrás.

– Para já estarem almoçando juntas, devo concluir que o ódio já voltou a ser amor. — Ruby lembrava muito bem do encontro das duas no banheiro. E se pudesse apostar, apostaria que foi Regina quem quebrou a cara e as costelas da loira.

– E o que você tem a ver com isso? — Emma latiu contra a ruiva, que era muito folgada para o seu gosto. Antes que a loira encrenqueira arrumasse outra briga, a morena resolveu agir.

– Não. O ódio não virou amor. Estou apenas seguindo seu conselho e sendo civilizada, para não parar na solitária. — French afastou um pouco os cabelos do rosto, para espirar Emma. Ao constatar que conhecia muito bem aquela loira safada, ela voltou-se para Regina.

– De onde vocês se conhecem? — Indagou ao apontar de uma para outra.

– Lá de fora. — Regina respondeu sem vontade.

– E por que você odeia ela? Não me diz que ela partiu seu coração também? — Ao ouvir tal pergunta, Regina começou a mastigar seu brócolis lentamente. “Partiu se coração também?” O que significava exatamente aquilo? De quem mais Emma teria partido o coração?

– Odeio porque ela me delatou, graças a isso estou aqui. — Para surpresa de todas naquela mesa, French tirou os cabelos da frente do rosto e lançou um olhar nada amigável para Emma.

– Você é mesmo muito egoísta. — A loira ficou com os olhos presos na “Samara do poço” por alguns segundos, tentando lembrar se a conhecia.

– De onde a gente se conhece mesmo? — Indagou.

– Ariel é minha irmã mais nova. Ela divide um beliche com você. Não sei que tipo de bruxaria você conseguiu fazer em apenas duas semana, mas ela está apaixonada. Só que pelo jeito, você é do tipo que usa e joga fora. Ela está tomando antidepressivos por sua causa. — Emma nunca foi uma pessoa envergonhada, mas sentiu seu rosto pegar fogo ao ouvir aquilo. Quer dizer, não teria tido nenhum problema, se Regina não estivesse ouvindo também. A morena por sua vez, desistiu da comida e deu total atenção ao assunto. Emma tinha mesmo mudado de time? E fazia o tipo canalha?

– Oh... eu... eu... — A loira estava gaguejando, e aquilo fez com que seu tom de vermelho vergonha, aumentasse.

– French, não envergonhe a loira aguada na frente da pretendente. — Ruby pediu rindo e aí parou os olhos em Regina. A morena levou um certo tempo até processar que a “pretendente” a qual Ruby se referia, era ninguém mais ninguém menos do que ela.

– Você é louca? — Regina indagou incrédula com o que tinha acabado de ouvir. A ruiva riu e deu de ombros.

– Eu vi o reencontro de vocês, vi seus olhos faiscando. Tinha muito ódio dentro deles, mas não vi só isso. — A morena rolou os olhos. — Por trás de todo esse ódio, tem uma tensão sexual das grandes. — Regina balançava muitas vezes a cabeça em sinal de negativo, enquanto olhava para a ruiva de boca aberta, tamanho era sua incredulidade. — E eu nem preciso dizer nada sobre a loira, está explícito na cara dela. Ela nem disfarça. — Ao ouvir tal coisa, a morena instantaneamente encarou Emma, que fez uma careta, querendo dizer que Ruby, era maluca.

– Você definitivamente é louca. — Emma a provocou.

– Está negando? — A desafiou.

– Regina foi por anos minha melhor amiga. Eu gosto dela de várias formas diferentes, mas não dessa que você está afirmando. — Usou um tom tão seguro, tão tranquilo que quase convenceu a si mesma sobre aquilo.

O que ela sentia pela amiga ou deixava de sentir, era problema só dela. Tinha planos de retomar a amizade com Regina, mas só. Sabia que a morena era casada e feliz, então não alimentaria nenhuma esperança ridícula em relação aquilo.

– Ok. Então o caminho até a realeza está livre? — A loira deu de ombros e abaixou os olhos antes de responder.

– Totalmente. — Foi tudo que respondeu.

Regina estava cada vez mais incrédula. Elas estavam mesmo falando dela? E pior, estavam falando como se de repente ela fosse um prêmio, uma disputa, uma propriedade ou qualquer coisa que qualquer um, naquele caso, uma, pudesse chegar e ir se apossando. Que absurdo era aquele?

– Vocês são loucas! — Exclamou um tanto irritada. — Não tenho nada contra lésbicas...

– Bissexual. — Emma, a interrompeu. — Eu sou bissexual. — Se viu na obrigação de esclarecer aquilo a amiga, que balançou a cabeça concordando.

– Que seja. Lésbica, bissexual, gay, tanto faz. Não tenho nada contra. Mas, além de não gostar de mulheres, eu sou casada e sou feliz com meu casamento. — Fez questão de deixar tudo bem claro.

– Você nunca beijou uma mulher? — French a indagou e aí mesmo sem querer, suas lembranças se intrometeram naquela conversa e ela foi teletransportada para treze anos atrás.


Era alta madrugada de um dia da semana que tanto Regina quanto Emma, não faziam ideia de qual. As merecidas férias que Emma tinha se dado e arrastado a amiga junto, estavam com toda certeza, sendo muito bem aproveitadas. As amigas não sabiam exatamente a quantos dias estavam em Londres, mas ainda não tinha saído um dia sequer para conhecer a cidade. Nos planos de viagem que fizeram, sair todas as noites para encher a cara em um pub qualquer, estava no topo da lista, mas não, nem aquilo elas fizeram.

A casa que a loira alugou, supria toda a vontade que elas tinham de sair. Afinal, tudo que elas mais gostavam tinha ali e enquanto não acabasse o whisky ou os cigarros, elas com certeza não sairiam de casa.

The Doors — Roadhouse Blues

A voz rouca de Jim Morrison que elas tanto amavam, ecoava pela sala, enquanto as duas dançavam a meia luz. Emma com um cigarro entre os dedos e Regina com uma garrafa de Jack Daniels na mão. Elas estavam próximas. Elas dançavam de uma maneira provocativa. Elas se provocavam com olhares.

Os olhos de Regina estavam hipnotizados na boca de Emma, que tragava aquele cigarro sortudo de uma forma tão sexy, que deveria ser pecado. A morena acabou mordendo os lábios, ao imaginar sua boca lá, no lugar do cigarro e tal imaginação fez seu sexo pulsar.

Ah ela precisava parar de beber, precisava fazer aquilo urgente. Sempre que bebia, sentimentos estranhos se apossavam dela, sentimentos que a faziam ter vontade de beijar amiga, vontade de arrancar-lhe as roupas, vontade de saber como era estar com uma mulher. Não sabia o que estava acontecendo consigo, não sabia que tipo de bruxaria Emma, tinha feito, mas sabia que estava cada dia mais difícil ignorar os desejos que sua mente insana sentiam pela amiga.

Como desgraça pouca sempre foi bobagem, as coisas iam além do desejo, infelizmente, sentimentos também estavam envolvidos. Sem saber como, a morena tinha sem sombra de dúvidas, se apaixonado pela melhor amiga, e aquilo era tão maluco, tão sem noção, tão fora da realidade, que ela estava enchendo a cara todos os dias. Desse jeito ela podia colocar a culpa na bebida, e enganar a si mesma.

Fechou os olhos, tentando esquecer os lábios convidativos da loira, que estavam tão perto dos seus. Sorriu maliciosamente e voltou a morder os lábios, pensando em como deveria ser beijar a amiga. Sua mão livre subiu pelo seu abdômen, passando pelos seus seios, seu pescoço, sua nuca, a qual acariciou, até finalmente chegar a seus cabelos. Cabelos esses que ela agarrou, imaginando serem os cabelos loiros da amiga. Moveu os quadris de uma forma sensual, descendo quase até o chão.

Aquela sequencia de atos da morena, deixou Emma, de queixo caído. Talvez ela estivesse salivando. A loira sentiu seu corpo arder e seu coração acelerar. Perdição, Regina dançando daquele jeito era uma perigosa e tentadora perdição. A morena já tinha lhe despertado desejos outras vezes, em outras bebedeira, mas até então, a loira sempre conseguiu contornar aquilo, se agarrando ao primeiro individuo que visse pela frente, porém, sabia que naquela noite seria diferente. Primeiro, porque as duas estavam sozinhas em casa, já que todos os outros, tinham saído para curtir a noite londrina. Segundo, porque estava cansada de conter seus desejos pela amiga. Nunca se interessou por uma mulher antes, mas sentia necessidade de saber como era beijar Regina, talvez só daquele jeito ela desencanasse.

Suspirou e deu um paço a frente, passou sua mão em volta da cintura da morena e a puxou para junto de si. Regina voltou a sorrir maliciosa antes de abrir os olhos e dar de cara com o rosto da amiga tão junto ao seu.

Os olhos negros brilhantes e cheios de desejo da morena, prenderam os olhos claros de Emma, que ainda tinha um último fio de sobriedade e tentava se agarrar a ele para não cometer nenhum tipo de besteira, que pudesse no outro dia, lhe afastar da amiga.

Sem desprender os olhos da amiga, e sem se afastar um milimetro sequer, Regina, levantou os braços e de um jeito completamente sensual e provocativo, voltou a descer quase até o chão. Quase em câmera lenta e sem parar de dançar, a morena voltou a subir.

– Let it roll, baby, roll... — Entoou o trecho provocativo junto com Jim Morrison, em um tom de voz baixo, sedutor e convidativo, fazendo a loira respirar fundo em busca de auto-controle.

– Regina Mills, não faça isso. — A loira suplicou. A morena lhe lançou um meio sorriso ao lhe roubar o cigarro. Ela pôs o cigarro na boca e virou-se, ficando de costas para a loira. Com o intuito de provocar, Regina, roçou as costas no peito de Emma, lhe arrancando um longo suspiro.

– Por que não, Emma Swan? — Questionou ao soltar a fumaça lentamente.

Ela estava provocando, a loira não podia estar tão bêbada assim. Ela tinha certeza que Regina estava a provocando.

– Porque posso não responder pelos meus atos. — Ronronou no ouvido da amiga, que sentiu todos os pelos do seu corpo se eriçarem.

A mão da loira pareceu ganhar vida própria e sem seu consentimento, foi parar sobre o abdômen da amiga o acariciando em movimentos lentos e circulares. Sentir a mão de Emma, sob si daquele jeito, fez a morena respirar fundo. Ela fechou os olhos, recostou a cabeça sobre os ombros da loira e continuou mexendo seus quadris sensualmente, dançando e esfregando seu corpo contra o da loira.

– Isso seria ruim? — A morena prendeu o cigarro nos lábios e voltou a levantar os braços. A mão livre de Emma, subiu até o pescoço da amiga, seus dedos roçaram sutilmente a pele quente da morena, colocando seus cabelos para trás, deixando o pescoço da mesma visível aos seus olhos famintos.

A loira sentia seu coração bater na boca, suas mãos estavam um pouco tremulas, ela se sentia ansiosa, um pouco nervosa e não sabia exatamente o que fazer. Nunca tinha sentido nada parecido com aquilo, talvez porque nunca tivesse estado naquela situação com outra mulher, mas queria muito estar naquela situação com Regina.

– Não seria para mim. — Respondeu em um sussurro, depositando um suave na clavícula da amiga, ato que arrancou um longo suspiro da mesma. Emma traçou beijos lentos e molhados até o pescoço da morena que tinha a respiração cada vez mais descompassada.

O cheiro de Regina, ah, como Emma gostava daquele cheiro cítrico de maçã que emanava da amiga. Seu nariz roçou o pescoço da morena, subindo sem pressa até sua orelha. — Ah pergunta é, seria ruim para você? — O ronronar provocativo da loira fez o sexo da morena escorrer.

Regina podia jurar que seu corpo estava em chamas. Cada célula dele, pulsava por Emma. Ela a desejava, oh Deus! Como desejava. Não queria pensar em como seria as coisas entre elas no dia seguinte. Não queria imaginar o quão constrangedor seria. Deixaria para pensar sobre tal coisa, quando acordasse, porque naquele momento tudo que ela queria, era a amiga.

Abriu os olhos, tirou o cigarro da boca e se afastou minimamente de Emma, para abandonar sua garrafa do whisky. Ficou de frente para amiga e lhe lançou um meio sorriso avassalador antes de pendurar seus braços no pescoço da loira. Sem nunca parar com sua dança sensual. As mãos possessivas de Emma, agarram a cintura da amiga, e por um tempo ela limitou-se a olhar nos olhos de Regina e lhe acompanhar naquela dança provocativa.

– Você sabe... — A morena sussurrou ao levar o cigarro a boca, fazendo os olhos da loira se concentrarem lá. Oh Deus! Nunca imaginou que um cigarro poderia deixa uma pessoa tão fodidamente convidativa.

Para acabar com qualquer auto-controle que ainda restava a loira, Regina levantou a cabeça mirando o tento, fechou os olhos e tragou lentamente seu cigarro. Quando ouvir a amiga murmurar algo indecifrável, a morena sorriu, abriu os olhos e voltou a encarar a amiga. Ao ver a boca de Emma entre aberta, Regina aproximou-se perigosamente, quase anulando os poucos mililitros que separavam seus lábios dos lábios de Emma, que por instinto fechou os olhos. A morena sorriu maliciosamente e então soprou a fumaça presa em seus pulmões, para dentro da boca da loira. Tal provocação fez Emma abrir os olhos e encontrar com um sorriso de satisfação de Regina.

– Sempre tem um Jack Daniels, a quem culpar no dia seguinte. — A morena sussurrou.

Emma soprou a fumaça que a amiga tinha lhe dado de presente de uma maneira tão sexy e sem que Regina percebesse, foi a empurrando em direção ao sofá. Abriu um sorriso vitorioso ao derrubar a amiga lá e partir para cima dela.

– Isso foi um consentimento, certo? — Indagou ao deitar-se sobre a amiga e quase colar suas testas. Regina acabou rolando os olhos por Emma ser tão lenta.

– Você quer que eu assine algum documento, ou minha palavra basta? — A loira sorriu pela irritação da amiga. Seus olhos mais uma vez se prenderam naquela imensidão de emoções que eram os olhos de Regina. Emma simplesmente amava os olhos da amiga, era capaz de apostar que não existia no mundo, olhos mais bonitos, intensos, verdadeiros e brilhantes dos que o da amiga. Se os olhos fossem mesmo a janela da alma, a alma da morena era com certeza a alma mais bela de todas.

– A sua palavra basta, Regina Mills. — Murmurou e então lentamente, para dar a opção de desistência a morena, Emma aproximou a boca da boca da amiga, exitou por mais alguns segundos, até por fim se render aquele momento e as suas vontades, anulando completamente a distancia entre elas.

Três segundos, Regina pode sentir os lábios da amiga contra os seus por três míseros segundos e então sem prévio aviso, as luzes foram acesas e Daniel adentrou a sala, o que fez Emma rolar para o lado no mesmo segundo, ato que a levou ao chão. Já Regina lançou um olhar tão irado para Daniel, que se olhos tivessem o poder de matar, o irmão de Emma com certeza estaria morto.



– Terra chamando Mills, Mills, por favor, responda. — Ruby estalava os dedos na frente dos olhos vidrados de Regina, que piscou algumas vezes até se livrar das lembranças e voltar ao presente.

– Perdão? — Sussurrou completamente perdida, o que arrancou risada das detentas.

– Você com certeza já beijou uma mulher. — French deduziu.

– Muito provavelmente a mulher que está na sua frente. — Ruby continuou. Ao olhar para a frente os olhos da morena se prenderam por míseros segundos nos da loira e ela teve certeza que Emma também tinha se lembrando daquela noite. Balançou a cabeça em sinal de negativo e encarou French.

– Não. Eu nunca beijei um mulher. — Respondeu com segurança e convicção. Aquilo que aconteceu entre ela e Emma, definitivamente não foi um beijo.

– Então como sabe que não gosta? — A morena rolou os olhos.

– Vai me dizer que você não gosta de nada que nunca tenha experimentado? — Retrucou.

– Brócolis. — Respondeu ao aprontar para a verdura no pranto de Regina. — Mas mulheres não são como brócolis. Elas tem um gosto ótimo. — Ótimo! Tirando Lucas, Regina dividia a cela com duas lésbicas. Fez uma nota mental de dormir de bruços e com o travesseiro protegendo suas partes intimas, para não correr o risco de ser assediada durante o sono.

Ouvir tal coisa a fez perder a fome, e ela teve que engolir a contragosto o que tinha na boca, para não ter que devolver a comida mastigada ao prato.

– Quando vocês querem, vocês sabem ser nojentas. — Lucas que até então ouvia a tudo quieta, resolveu se pronunciar e ajudar a detenta que gostava de homem, antes que as outras a fizessem mudar de opinião. — Não dê ouvidos para as bobagens dela. — Regina assentiu e se pôs de pé.

– Continue com as suas mulheres, que eu continuo com meus brócolis e não se fala mais nisso. — A morena sugeriu. — Com licença. — Pediu ao retirar-se dali.

Ainda incrédula ela caminhou com sua bandeja até a lixeira mais perto. Jogou fora o que tinha sobrado de sua comida e depositou a bandeja junto com as outras. Ao se virar para sair dali, acabou esbarrando em Emma, que estava aparentemente estava atrás da morena.

– Vai me perseguir agora? — Questionou irritada.

– Sério que você não lembra daquela noite, ou aquilo para você aquilo não foi um beijo? — A loira foi direto ao ponto.

Notas finais
E aí, Regina vai se fazer de difícil e vai mentir, ou vai dizer que lembra da tal noite? Gente, sei que começo de ff ninguém gosta de comentar, mas por favor, a opinião de vocês é muito importante, além de ser um grande incentivo, então por favor, deixem aqui seus comentários. Beijos e até mais!