Escape
7 Carta branca
Notas iniciais
A pergunta de Emma, pegou Regina de surpresa e desprevenida. Elas nunca tinham tocado naquele assunto, nem mesmo quando a morena procurou a loira para falar dos sentimentos que nutria por ela. A morena recuperou-se logo da pergunta, colocou um semblante de indiferença na cara e resolveu responder.
– Aquela noite? — Se fez de desentendida. — Talvez os remédios estejam comprometendo sua sanidade. — Ironizou ao tentar sair dali, mas a loira a segurou pelo braço a impedindo.
– Londres. Treze anos atrás. Whisky, cigarros, você, eu e a maldita música do Jim Morrison. — Murmurou tudo sem muita paciência. — Refresquei sua memória, Regina Mills? — Os olhos de Regina ficaram presos nos de Emma por alguns segundos. Segundos esses que foram suficientes para a loira ter certeza que a ex amiga lembrava de tudo.
– Londres. Treze anos atrás. “Nós não nascemos grudadas.” “Eu preciso de espaço.” — Tentou imitar a voz de Emma. — Refresquei sua memória? — Indagou ao lançar um outro sorriso irônico.
– Eu não fujo das coisas ruins, assim como não fujo das boas. — A loira respondeu sem se abalar. — Por que você só não responde minha pergunta? — A mão da loira apertou com força o braço daquela morena marrenta que se achava a dona da verdade. Regina estreitou os olhos, lhe lançando um olhar ameaçador.
– Acabei de falar sobre tudo que eu me lembro. Então não, eu não lembro de whisky, cigarros, eu, você e a maldita música do Jim Morrison. Agora sugiro que largue meu braço, antes que eu perca a paciência e você tenha que voltar para a enfermaria. — Falou entre dentes. Emma sustentou aqueles olhos irritados por alguns segundos, por fim desistiu e resolveu solta-la.
– Você continua uma péssima mentirosa. — A loira provocou.
– Vá para o inferno! — A morena esbravejou antes de esbarrar seu ombro no ombro da morena e sair dali.
– Hey, Mills! — Emma agarrou sua mão. Regina bufou e desistiu de ir, mas ficou de costas para a loira irritante e insistente. — Sempre que ouço essa maldita música, lembro de você, do cigarro e da fumaça. — Ao ouvir aquilo o coração estúpido da morena, acelerou sem sua permissão e ela quase, quase, deixou escapar um sorriso idiota.
– Vá para o inferno! — Voltou a repetir, dessa vez sem o tom irritado na voz. Emma percebeu aquilo, e não pode deixar de sorrir. Resolveu não dizer mais nada, apenas soltou a mão da morena e sem perder nenhum detalhe, seus olhos acompanharam ela caminhar para fora do refeitório. Por fim suspirou, jogou as mãos para dentro do bolso e voltou a sorrir.
– Ah o amor... que coisa patética. — A voz de Panda, fez Emma pular de susto.
– Não sei sobre o que está falando. — Tentou disfarçar.
– Estou falando sobre aquela morena gostosa, pela qual você apanhou e pela qual você estava suspirando. Tenho que admitir, você tem bom gosto. Com ela, eu casaria. — Emma fechou a cara e levantou a cabeça para encarar a troglodita.
– Fique longe dela! — Ordenou. A mulher riu, levou a mão até o rosto da loira e deu leves tapinhas em sua bochecha.
– Isso vai depender de você e da sua desenvoltura. Se é que me entende. — Antes que Emma, pudesse responder a troglodita voltou a falar. — Fique boa logo ou então... talvez eu comece a suspirar pela morena também. — Depois de fazer tal ameaça, Panda simplesmente deu as costas para Emma e se foi. A loira fechou as mãos em punho, e respirou fundo algumas vezes para conter a vontade de ir atrás daquela mulher-homem e lhe mostrar do que era capaz.
(…) Os dedos de Regina batucavam incansavelmente contra a parede de vidro que a separava da sala de visitas, enquanto seus olhos ansiosos e preocupados não se desprendiam da porta de entrada daquele lugar. O horário de visita tinha começado há cinco minutos e o filho e o marido ainda não tinham aparecido.
A cada minuto que passava a preocupação da morena crescia. Teria acontecido alguma coisa com eles? Será que o carro tinha quebrado? Henry teria adoecido? Ou pior, será que eles tinham se envolvido em algum acidente de transito? O coração da morena acelerou pensando sobre aquelas coisas.
– Desse jeito você vai quebrar o vidro. — A morena bufou, ao ouvir a voz da loira que pelo jeito grudaria mais do que chicletes.
– Agora não, Emma! — Pediu em um tom ríspido sem ao menos se dar o trabalho de olhar para a loira.
– Qual o problema? — Emma sabia que tinha um. Regina só batucava os dedos daquela maneira quando estava nervosa ou ansiosa e não sabia o que fazer.
– Você! — Respondeu de imediato.
– Eu e mais o quê? — A insistência da loira, fez Regina bufar.
– E sua insistência. — A loira rolou os olhos, antes de encostar-se no paredão de vidro e cruzar os braços, ficando de frente para a morena, que lhe deu uma breve olhada.
– Você poderia me contar e eu poderia ajudar. — Regina sorriu sem humor.
– Ajudar? Vai me mandar para um prisão de segurança máxima dessa vez? — Debochou e pelo canto dos olhos, viu o rosto da ex amiga entristecer. Suspirou e voltou a olhar para a porta de entrada da sala de visitas. — Henry e Robin ainda não chegaram. — Resolveu contar seu problema.
– O horário de visita acabou de começar. Daqui a pouco eles estão aí. — Tentou tranquilizar a morena, que voltou a suspirar.
– Eu falei com eles ontem, prometeram estar aqui as 14:00 em ponto. — Ao lembrar do prometido a preocupação aumentou. Os homens daquela família nunca se atrasavam. Pai e filho eram sempre pontuais. Regina, seus vestidos, cabelo e maquiagem, é que eram responsável pelos atrasos.
– Regina, não é só chegar e ir entrando. Tem toda uma revista antes. — De novo, Emma tentou acalma-la. Regina nada disse, não ia discutir aquilo com a ex amiga, que se preocupava única e exclusivamente com seu umbigo. — Você é uma daquelas mães paranoica e superprotetoras, não é? — A loira questionou sorrindo, enquanto imaginava Regina sendo mãe. De repente desejou muito ver aquela cena.
– Superprotetora sim. Paranoica não. — Emma voltou a rir e teve certeza que a morena era uma mãe ultra-paranoica.
– É tão paranoica que aposto que está imaginando acidentes de todos os tipos, para o atraso dos dois. — Regina voltou a espiar a ex-amiga pelo canto dos olhos e dessa vez acabou deixando escapar um sorriso. — O que aconteceu com aquela Regina que dizia: “eu vou ser uma mãe despreocupada?” — A tentativa de imitação da loira, voltou a fazer a amiga sorrir.
– Bom, aquela Regina virou mãe. — Soltou com o ar. — Um dia você vai saber como é. — Emma sorriu e balançou a cabeça negando.
– Não, eu não vou. Você sabe, eu não gosto de crianças e além disso, a minha vida é muito louca, seria mesquinho demais eu deixar uma criança fazer parte dela. — Regina prendeu os olhos na loira, que se sentiu incomodada com o olhar de reprovação e resolveu encarar os pés.
– Vai voltar a traficar quando sair daqui, é isso mesmo? — Indagou incrédula.
– É tudo que eu sei fazer. — Defendeu-se ao dar de ombros.
– Não. Não é. — A morena respondeu irritada. — Você não precisa disso. Não precisa ter essa vida maluca. Você sabe fazer muitas coisas Emma, muitas coisas boas. — Terminou a frase não tão irritada. A loira arriscou levantar a cabeça e encarar amiga.
– Não consigo pensar em nenhuma. — A morena rolou os olhos.
– Você é insistente, tão insistente que chega a ser irritante. E você tem uma lábia que passa qualquer um para trás. Vai com certeza se dar bem na área de vendas. Vendas de coisas liberadas. Que não vão trazer você para cá de novo. — A loira sorriu ao ouvir aquilo que lhe pareceu um quase elogio. Sorriu também pela conversa que estavam tendo. Aquela Regina lhe lembrou a Regina que um dia foi sua melhor amiga.
Abriu a boca para comentar aquilo, mas ao dar uma breve olhada para a sala de visitas viu um homem e um pré adolescente, parados perto da porta de entrada, eles pareciam procurar alguém. Emma não conhecia o marido e o filho da morena, mas teve certeza que eram os dois.
– Regina Mills, o seu filho não tem mais tamanho para suas preocupações paranoicas. — Comentou ao analisar o tamanho do garoto. — Ele é praticamente do seu tamanho. — Regina tirou os olhos da loira e olhou através da parede de vidro. Ao ver seus homens, lágrimas lhe vieram aos olhos. Sem se despedir da loira, ela caminhou rumo a sala de visitas. Ao avistarem a mulher, pai e filho sorriram e caminharam juntos em direção a ela. Quando a distancia entre eles ficou nula, um abraço esmagador aconteceu.
Emma assistiu a toda a cena com um sorriso no rosto e uma pitada de inveja do marido da morena.
– Ah, Regina Mills! Como eu gostaria de conseguir voltar no tempo. Com certeza dessa vez eu ficaria. — Murmurou enquanto limpava a lágrima solitária que deixou escapar.
(…) — Vocês estão atrasados! — Regina reclamou enquanto era esmagada pelos braços do marido e do filho.
– Desculpe! — O marido pediu. — Precisamos ser revistados e a fila estava grande. — Explicou.
– E eu precisei voltar no carro para deixar meu celular, não quiseram me deixar entrar com ele. — Henry continuou.
– Eu falei para você sobre isso. — Regina pegou no pé do filho. — Mas parece que você não vive mais sem esse celular. Gostaria de saber o que você tanto faz com ele. — Se não estivesse com tanta saudade da mãe, Henry teria rolado os olhos por ouvir ter ouvido tal frase pela milésima vez.
– Se comunica com as namoradinhas. — Robin respondeu rindo, sabendo que a mulher morria de ciúmes só de pensar sobre aquele assunto.
– Não começa, pai. — O garoto pediu, antes que a mãe dele fizesse uma cena drástica de ciúmes.
O abraço dos três chegou ao fim e eles se afastaram minimamente.
– Oi, querida! — Robin, abriu seu melhor sorriso, antes de beijar os lábios da mulher.
– Oi, querido! — Ela ronronou contra os lábios do marido e antes que eles começassem um beijo não muito agradável aos olhos de Henry, o garoto resolveu tossir, querendo dizer que estava ali. Regina sorriu, abriu os olhos e sem muita vontade, separou os lábios dos do marido e voltou-se para o filho. Seu sorriso alargou ao ver o garoto ali em sua frente. Sentia como se o estivesse vendo depois de anos.
– Me da mais um abraço, vai! — Pediu ao abrir os braços e Henry jogou-se lá sem hesitar. — Que saudades de você! — Murmurou ao aperta-lo.
– Senti muito a sua falta, mãe. — Ele confidenciou. — Aquela casa não é a mesma sem as suas ordens. — A mulher sorriu e para não chorar, resolveu não dizer nada, só liberou Henry do abraço e o atacou com muitos beijos. — Mãe, as pessoas estão olhando. — O garoto murmurou envergonhado, fazendo a morena dar risada e cessar o ataque.
– Saudade dos meus homens desorganizados. Venham, vamos sentar. — Apontou para a mesa mais próxima e os rebocou até ela. Robin sentou-se de frente para a esposa, e Henry sentou-se ao lado da mãe, que passou o braço em volta dos ombros dele.
– Então, como foi sua semana? — Robin a questionou.
– Boa, a medida do possível. — Soltou com o ar. — Ainda estou em fase de adaptação. — O olhar que ela lançou ao marido o fez entender que ela não queria falar sobre aquilo na frente do filho. Disfarçadamente ele deu um leve aceno de cabeça concordando.
– E como é estar presa? — Henry a questionou.
– Como diria meu filho pré-adolescente: é um saco! — Respondeu rindo o fazendo rir também.
– Um saco tipo como? — Ele quis saber.
– Tipo como? — Ela fez uma pausa para organizar os pensamentos. — Tipo, ter hora para dormir, ter hora para acordar, hora para as refeições... — Antes que ela pudesse continuar, o garoto a interrompeu.
– Nossa! Eu morei toda a minha vida em uma prisão e nunca soube. — Pegou no pé dos pais. — Mas tá, continua. — Pediu a mãe que rolou os olhos pelo drama do filho.
– A comida é ruim, o colchão parece uma folha de papel, não tem cortina nos banheiros, não tem portas nos sanitários, não tem TV pra assistir a noite, não tem celular, internet, computador e eu acho que só. — Os olhos de Henry, olhavam assustados para mãe, ao fim do relato.
– Você tipo, toma banho na frente de todo mundo? — Tá, ele achava um saco não ter celular, internet, computador e televisão, mas imaginava conseguir viver sem aquilo. Mas tomar banho na frente de um monte de desconhecidos? Imaginar aquilo o fez fazer uma nota mental de nunca sequer cogitar a possibilidade de infligir alguma lei.
– Tomo. — A morena respondeu desanimada.
– Um prato cheio para as lésbicas. — Robin meio que se lamentou e fez tal coisa em voz alta.
– Espera. Aqui tem lésbicas? — Henry questionou um pouco assustado, um pouco surpreso e muito alto, o que chamou atenção de algumas pessoas que estavam por perto e deixou Regina muito sem jeito.
– Algumas. — A mulher murmurou, enquanto lançava um olhar nada feliz para o marido.
– Legal! — O garoto deixou escapar seu pensamento.
– O quê? — A morena questionou incrédula, fazendo o filho ficar com as bochechas vermelhas.
– Legal que... você... não... — Ele tentava pensar em uma desculpa. — não é... preconceituosa. — Lançou um sorriso tímido no fim, fazendo a mãe balançar a cabeça em sinal de negativo e pensar no que seu filho andava pensando.
– Eu trouxe uma coisa para você! — Robin contou, tentando por um fim naquela conversa que provavelmente acabaria envergonhando mãe e filho.
– O quê? — Indagou empolgada, pensando em seu shampoo preferido, seus perfumes, lápis de olho e batons.
– É para ajudar o tempo a passar. Estava em um papel de presente, mas abriram na revista. — Avisou ao entregar uma sacola para a mulher. Para o azar da morena, não tinha nada do que ela imaginava ter, mas sorriu ao ver que eram livros. Regina amava livros, amava o cheiro deles, amava se perder dentro de cada mundo paralelo que encontrava ao folhear as páginas. Quando ela pensou em abrir a boca para agradecer o marido, seus olhos bateram nos títulos dos livros e aí seu sorriso murchou e ela juntou as sobrancelhas não acreditando naquilo.
– A trilogia cinquenta tons de cinza? Isso é sério? — Indagou completamente incrédula, enquanto segurava um dos livros na mão e o analisava.
– Não gostou? — O marido lhe questionou.
– Não. — Foi sincera.
– Mas a mulher da livraria disse que você ia gostar. — Ela tirou os olhos do livro e mirou o marido.
– Oi? — O olhava com descrença. — Em que fatos a mulher da livraria se baseou para lhe dizer isso? — Henry que ouvia a tudo quieto se perguntou o que tinha de tão ruim no livro com capa de algemas, para deixar a mãe irritada daquele jeito.
– Ela disse que é o que a mulherada anda comprando. — Deu de ombros, meio na defensiva.
– Henry, querido, vai lá buscar uma Coca-Cola. — A mulher apontou para a maquina de refrigerantes que estava próxima deles.
– Não estou com sede. — Ela tirou os olhos do marido e encarou o filho.
– Mas eu estou. Não tem Coca-Cola lá dentro, se eu não tomar hoje, só vou ter outra chance no domingo que vem. — Ela foi convincente, sem dizer mais nada o garoto levantou, estendeu a mão para o pai, pedindo dinheiro e ao ganha-lo, ele foi. Ao ver o filho já distante, Regina abriu o livro em uma página qualquer.
– Ouça com atenção, querido. — A morena pede com seu melhor tom de sarcasmo. “- Você está tão deliciosamente úmida. Deus, quanto eu te desejo. — Introduz um dedo dentro de mim e eu grito, enquanto o tira e volta a colocá-lo. Esfrega-me o clitóris com a palma da mão, e grito de novo. Segue me introduzindo o dedo, cada vez com mais força. Gemo.”– Regina faz uma pausa e balança a cabeça em sinal de reprovação.
“- De repente se senta, tira-me a calcinha e a joga no chão. Ele tira também sua cueca e libera sua ereção. Minha nossa! Estica o braço até a mesinha da cama, agarra um pacotinho prateado e se move entre minhas pernas para que se abram. Ajoelha-se e desliza a camisinha por seu membro enorme. Oh, não... Será que vai? Como?”– A morena faz outra pausa para tomar ar.
“- Não se preocupe, — sussurra, me olhando nos olhos. — Você também se dilatará. — Inclina-se apoiando as mãos a ambos os lados de minha cabeça, de modo que fica suspenso sobre mim. Olha-me nos olhos com a mandíbula apertada e os olhos ardentes. Neste momento me dou conta de que ainda está vestindo a camisa.
– Tem certeza que quer fazê-lo? — pergunta-me em voz baixa.
– Por favor, — suplico-lhe.
– Levante os joelhos, — ordena-me em tom suave e obedeço imediatamente. — Agora vou fodê-la, senhorita Steele... — murmura colocando a ponta de seu membro ereto na entrada de meu sexo — Duro, — ele sussurra e me penetra bruscamente.”– A mulher passou os olhos pela continuação da página e decidiu parar por ali mesmo. Fechou o livro e colocou em cima da mesa, antes de encarar o marido e lhe lançar um falso sorriso.
– Sabe o que é pior do que esse livro mal escrito que anda fascinando as virgens e as mulheres que estão em falta de sexo há muito tempo? — O homem balançou a cabeça negando. — Daqui um, dois meses, vou me encaixar nesse grupo de mulheres que estão em falta de sexo, e aí eu vou ler essa coisa, que mesmo sendo muito ruim, vai me deixar excitada e você não vai estar aqui. O que você sugere que eu faça quando isso acontecer? Procure as lésbicas? — Robin não tinha pensando sobre aquilo. Na verdade ele nem sabia direito sobre o que se tratava aquela trilogia, não que ele nunca tivesse ouvido falar, mas nunca tinha prestado atenção no assunto. Se sentiu um pouco culpado ao saber do que se tratava.
– Acho que... — Ele imaginou Regina com outra mulher e não sentiu ciúme, pelo contrario se sentiu excitado. Ele já tinha perdido o sono na noite passada pensando em como os dois conseguiriam ficar um ano sem sexo. Concluiu que para ele seria mais fácil, já que tinha sua privacidade, e usaria dela quando sempre que necessário. Os filmes pornôs que ele tinha em casa, e sua mão habilidosa, lhe ajudariam quando a vontade batesse. Já Regina não tinha privacidade nenhuma ali dentro. Também não tinha filmes pornôs, além de não se masturbar. Ou seja, para ela aquela situação seria muito pior. — Eu não consideraria uma traição, se você ficasse com outra mulher aqui dentro. Quer dizer, eu sei que a vontade vai bater e... bom, como eu não vou estar por aqui para resolver, talvez uma mulher possa ajudar. — Ouvir tal coisa fez o queixo de Regina quase ir ao chão. Ela tinha ouvido aquilo mesmo? O marido estava sugerindo que ela tivesse um caso extraconjugal com uma mulher? Teria Robin bebido, se drogado ou o quê?
– Você enlouqueceu ou está só tirando onda com a minha cara? — Indagou perplexa e assustada.
– Querida, eu sei que as coisas aqui dentro são... difíceis e as vezes você pode encontrar alguém aqui dentro que ajude a amenizar um pouco tudo isso. Claro que eu não gostaria que você tivesse um caso, e se isso vier a acontecer, por favor, não me conte. Enfim, o que eu quero dizer é que estou lhe dando carta branca. Se acontecer, não se sinta culpada. — Regina não tinha palavras para definir o quanto estava indignada. Sua boca estava escancarada tamanho era a sua incredulidade pelo absurdo que tinha acabado de ouvir. — Só por favor, aconteça o que acontecer, não se apaixone. Quando tudo isso acabar, eu vou estar esperando por você. — Ela balançou a cabeça muitas vezes em sinal de negativo, enquanto seus olhos desacreditados encaravam o marido.
– Você está louco! — O acusou. — Se toda essa história que acabou de inventar é para ganhar carta branca também, pode esquecer. Se eu souber que você andou se esfregando em alguma vadia por aí, Robin, eu peço o divórcio no mesmo segundo. — Usou o tom de voz mais ameaçador que possuía.
– Eu não quero carta branca. Não desejo me esfregar em nenhuma outra mulher além de você. É diferente, Regina! Você não vê? A minha vida não mudou drasticamente. Eu tenho nosso filho, tenho meu trabalho, tenho minha rotina, tenho meus horários a minha liberdade. Você foi privada disso tudo. Eu conheço você, sei que se não se abrir com alguém vai acabar surtando. Por isso estou dizendo isso. — A mulher continuava incrédula. De todos os absurdos que já tinha ouvido na vida, aquele com certeza era um dos piores, se não o pior. Abriu a boca para latir algumas coisas contra o marido, mas teve que desistir, já que o filho estava de volta.
– Vocês estão bem? — Henry questionou ao ver a tensão instalada entre os pais.
– Seu pai está falando sobre o trabalho. — Regina deu a desculpa. Henry sabia que a mãe odiava quando Robin, começava a falar sobre o trabalho, porque quando ele fazia tal coisa, ele não parava mais.
– Da um tempo, pai! — O garoto pediu e Robin concordou com a cabeça.
Ainda incrédula com o que tinha acabado de ouvir do marido, Regina abriu sua lata de Coca-Cola. Balançou a cabeça em sinal de negativo, antes de começar a ingerir o líquido.
– Olá! — Ao ouvir a voz de Emma, a morena acabou se engasgando com o refrigerante. — Desculpem atrapalha-los, mas é que minha mãe botaria um ovo, se eu não a trouxesse aqui. — Depois de ter uma crise de tosse, a morena respirou fundo e levantou a cabeça, dando de cara com Emma e Mary. Acabou sorrindo ao ver a “tia” Mary e quando deu por si, já estava de pé abraçando a mulher.
– Que saudades de você, Regina! — Mary murmurou de olhos fechados, abraçando a mulher que tinha como uma filha.
– Também senti saudades, tia. — A morena confidenciou. Mary com certeza foi a pessoa que mais chegou perto da palavra “mãe”, para Regina.
– Sinto muito por você está aqui. — Falou com um sinceridade inquestionável.
– Ainda não acredito que ela fez isso comigo. — Reclamou em um sussurrar.
– Eu também não. Peço desculpas por ela ter feito isso com você. Tudo que Emma fez nesses últimos anos, foi se meter em encrencas. Você sumiu e a vida dela virou uma bagunça sem fim. — Regina concluiu que Mary não sabia a verdade, era a única explicação para a frase “você sumiu.” Se perguntou qual teria sido a mentira que a loira inventou para a mãe. — Me deixa ver você. — Pediu ao se desfazer do abraço e dar um passo atrás para analisar a morena. — Meu Deus! Como você cresceu. Como está diferente. Adorei os cabelos. Você está maravilhosa e continua com ar de poderosa, mesmo dentro desse uniforme laranja. — A morena sorriu um pouco envergonhada.
– Obrigada, tia! Você continua linda e com cara de 25. — Regina deduziu que Mary continuava muito fã de cirurgia plástica, aquela era a única explicação para a mulher não envelhecer.
– Eu não vou poder mostrar, porque acho que se eu tirar a calça e camiseta aqui, os guardas vão me levar pra dentro. — Ao ouvir a voz de Emma, dizendo tal coisa, Regina tirou a atenção da tia Mary, e voltou-se para a loira. Deu de cara com a folgada, sentada ao lado de Henry, conversando como se fossem melhores amigos.
– E o que são? — A morena não gostou de ver a aparente empolgação com a loira.
– A das costas é uma fênix. A da virilha é uma cereja.
– O que é uma fênix e uma cereja? — Se viu na obrigação de se meter na conversa dos dois.
– As tatuagens dela. — Henry contou. — Perguntei se ela tinha alguma tatuagem de cadeia e aí ela me contou das tatuagens que tem, só que nenhuma delas são de cadeia.
– Eu nem sabia que na cadeia dava pra fazer tatuagem. — Emma comentou com o garoto.
– Cara, você precisa assistir mais filmes. — O comentário dele, fez a loira sorrir. Regina se xingou ao perceber que também sorria assistindo aos dois conversarem.
– É, acho que sim. Quando sair daqui, vou assinar a Netflix. — O garoto riu.
– Acho que é um bom começo. Hey, o que aconteceu com seu rosto? — Acabou um assunto e começou outro.
– Henry! — Regina o chamou a atenção, para que ele parasse de tagarelar.
– Ah cara, apanhei de de uma mulher/homem. — Lamentou-se.
– Sério? Tipo briga de prisão? — Questionou animado.
– Eu não sei exatamente o que significa uma briga de prisão nos seus filmes, mas sim, foi em uma briga de prisão. Foi algo que durou uns trinta segundos, se tivesse durado quarenta, certamente eu estaria morta. — Henry tinha achado aquela loira engraçada o máximo. Ele gostava do tom de sarcasmo que ela usava para debochar de si mesma.
– E por quê você apanhou? — O garoto parecia cada vez mais interessado.
– Porque essa mulher/homem, achou que eu estava paquerando a namorada dela. — Regina balançou a cabeça em sinal de negativo, não acreditando que a loira estava tendo aquele tipo de conversa com Henry.
– E você estava? — Questionou curioso. A loira sorriu e aproximou a boca da orelha do garoto.
– Um pouquinho. — Sussurrou como se fosse um segredo.
– Demais! — A empolgação dele, arrancou uma gargalhada de Emma.
– Gostei de você, garoto! — Ela cutucou o cotovelo, no braço de Henry e antes que eles pudessem trocar mais figurinhas, Regina coçou a garganta, chamando a atenção da loira para si.
– Oh, desculpa, me empolguei. — Pediu ao levantar-se dali. — Eu já vou indo, legal conhecer você, Henry! — Ele sorriu para a loira.
– Legal conhecer você também, loira das tatuagens escondidas! — Emma lhe lançou um sorriso antes de lhe dar as costas para sair dali.
– Só para constar, você tem um nome? — Robin que estava quieto até então, resolveu se pronunciar. Ele tinha uma leve desconfiança de quem fosse aquela loira. Não tinha absoluta certeza se queria mesmo saber sobre aquilo ou não, até porque fazia menos de dez minutos que tinha dado carta branca a esposa, mas enfim, resolveu questionar mesmo assim.
Regina achou aquilo engraçado, e cruzou os braços para assistir a cena. Algo lhe dizia que a resposta da loira, faria o marido repensar sobre tal carta branca, já que ele sabia de toda a história que envolvia as duas.
Emma não tinha ido com a cara de Robin, e ignorou ele do jeito que pôde, mas enfim, já que ele tinha perguntado, ela sorriu e voltou-se para ele.
– Só para constar, tenho um nome e um sobrenome. Emma Swan, prazer. — Apresentou-se e aí Robin, sentiu seu coração acelerar em um claro sinal de arrependimento.
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