Escape
8 Desenhando nas estrelas
Notas iniciais
Enquanto todas as detentas e até alguns policiais mal-humorados, riam de chorar pelo filme velho da sessão cinema na prisão, (que pelo jeito sempre acontecia nas noites de domingo) Regina tinha um semblante sério. Primeiro, porque ela não tinha fones, ou seja, não podia ouvir as baboseiras que falavam filme. Segundo, mesmo que tivesse fones, tinha certeza que não gostaria daquele filme, simplesmente pelo fato de não gostar do ator, que matou-se enforcado no ano anterior.
Se tinha uma coisa que a morena não aceitava de jeito nenhum, essa coisa chamava-se suicídio. Tentou por muitos anos entender sobre aquilo, buscou ajuda em psicólogos, livros, documentários, ou qualquer tipo de coisa relacionada ao assunto, mas nunca conseguiu entender. Talvez fosse mais fácil de tentar entender e perdoar, se quando ela tivesse sete anos, não tivesse aberto a porta do quarto da mãe e encontrado a mulher já sem vida, suspensa por uma corda amarrada em seu pescoço.
Vinte e seis anos já tinham se passado desde o acontecido, mas a morena nunca esqueceu, as vezes ainda tinha pesadelos. Sempre que lembrava daquilo, lágrimas traiçoeiras escorriam pelo rosto da morena, e não foi diferente dessa vez. Não se preocupou em tira-las do seu rosto, afinal, ela estava sentada sozinha na última fileira do “cinema”, as outras detentas estavam todas amontoadas nas primeiras filas, além de estarem com os fones nos ouvidos, ou seja, ninguém a veria chorando, pelo menos era isso que ela achava. Porém, para seu azar, ou sorte, esse ninguém não incluía Emma, que depois de muito insistir, foi liberada pelo pessoal da enfermaria, para poder assistir o filme.
A loira estava parada na porta de entrada, encostada na mesma, observando atentamente a amiga, que tinha a mesma postura perfeita de sempre. Pernas cruzadas, mãos descansando sobre os joelhos, cara fechada e lágrimas, muitas lagrimas escorriam livremente pelo seu rosto. A loira cogitou ir até Regina, abraça-la e dizer que estava tudo bem, que tudo ficaria bem, como costuma fazer sempre que a encontrava daquele jeito, mas sabia que muito provavelmente, a morena se afastaria.
Suspirou frustrada e sem ter certeza do como agir e do que falar para acalmar a amiga, Emma se aproximou. Sentou-se ao lado de Regina, que fingiu não a ver. Suspirou e prendeu seus olhos na morena orgulhosa, que continuava com os olhos fixos no telão, fingindo que não tinha ninguém ao seu lado.
– Você quer um abraço? — Questionou a primeira coisa que lhe veio a cabeça.
Sim, Regina queria um abraço, queria muito um abraço. Aceitaria um abraço de qualquer um, de qualquer desconhecido. Queria ser reconfortada, queria ouvir que estava tudo bem, que tudo daria certo, que ela não teve nada a ver com a morte da mãe, ou queria simplesmente um abraço, sem palavras, queria só, se sentir segura. Mas mesmo querendo tal coisa, ela balançou a cabeça fracamente, negando a pergunta de Emma.
– Pela risada das outras, esse filme não parece nada triste para você estar chorando assim desse jeito. — A loira murmurou, antes de sua mão criar vida própria e ir até o rosto da amiga, se livrando das lagrimas que Regina deixava cair. Emma quase sorriu ao ver que a morena não afastou sua mão de lá. — Sinto muito, Regina! — Não sabia quantas vezes já tinha dito aquela frase, mas repetiria sem problema nenhum quantas vezes achasse necessário.
– Pare de ser convencida, nem sempre a culpa é sua. — A morena resmungou com a voz embargada, o que arrancou um meio sorriso da loira, que continuava acariciando o rosto da amiga, que ainda chorava.
– Então me diz de quem é a culpa, prometo fazer essa pessoa sofrer lentamente. — Disse o que sempre dizia, quando a encontrava chorando daquele jeito. Regina sorriu, ao lembrar-se daquilo.
– Eu só... — Por um momento pensou em dizer o que lhe atormentava. Já tinha falado com Emma sobre aquele assunto incontáveis vezes, mas acabou balançando a cabeça em sinal de negativo, reprovando a ideia de se abrir com aquela loira traidora. — Só queria ir para casa. — Sussurrou por fim. E não deixou de falar a verdade.
– Eu também. — Emma soltou com o ar.
O polegar da loira livrou-se da última lagrima que Regina deixou fugir. Sorriu, ao perceber que amiga continuava com a mesma postura perfeita e com os olhos grudados no telão. Podia apostar que ela não tinha se movido um centímetro sequer. Perguntou-se como aquela mulher orgulhosa conseguia aquela façanha.
Seus olhos acabaram parando na cicatriz da amiga, e então seu polegar escorregou até lá, alisando aquela marca, como sempre fazia. Infelizmente para Emma, aquilo durou fração de segundos, até a mão de Regina fazer com que a loira folgada, afastasse sua mão de lá. Tudo bem ela secar suas lagrimas, aquilo a morena podia aceitar. Mas tocar sua cicatriz, aquilo lhe lembrava os momentos idiotas que elas tiveram no passado e então lembrava da cicatriz que Emma deixou em sua alma.
– Vem comigo! — A loira a convidou, finalmente a fazendo tirar os olhos da tela.
– Ir com você aonde? — Indagou ao lhe olhar nos olhos.
– Logo ali. — Apontou para fora da sala. Regina teve vontade de dizer que os remédios que a loira estava tomando, realmente estavam a deixando louca, mas preferiu não dizer nada. Simplesmente a ignorou e voltou a grudar os olhos na tela. — Você nem está prestando atenção no filme. Nem fones você está usando. Vem comigo, prometo que você vai se sentir melhor. — A loira resolveu insistir e foi ignorada por alguns minutos o que a fez concluir que a morena não iria ceder. Quando tirou seus fones do bolso para acompanhar o tal do filme, a morena resolveu se manifestar.
– E se os policiais verem? — Se xingou muito mentalmente ao deixar aquela frase idiota escapulir. Tá que ela queria muito dar o fora dali e ir para sua cama chorar, mas aquilo não era desculpa para ela dar trela para Emma.
– Eles não vão. — A loira respondeu sorrindo, ao devolver os fones para o bolso. — E se eles verem, não vão vir atrás. Vai ficar tudo bem se voltarmos antes de o filme terminar. — Falou tudo rapidamente e antes que a amiga resolvesse mudar de ideia, Emma agarrou sua mão, levantou dali e puxou Regina, a rebocando para fora daquele lugar.
Um pouco a contragosto a morena deixou sua ex amiga a levar para sabia-se Deus, onde. Passaram em frente aos banheiros, cruzaram o refeitório vazio e escuro e para surpresa da morena, invadiram a cozinha. Antes de conseguir perguntar o que elas estavam fazendo ali, Emma a rebocou até a dispensa e abriu uma porta que tinha por lá, novamente puxando Regina pela mão. A morena até abriu a boca para reclamar e avisar que estava voltando para a sala de filmes, mas mudou complemente de ideia ao por os pés na rua.
A morena acabou sorrindo ao sentir o ar frio da noite e seu sorriso cresceu quando ela levantou a cabeça e contemplou o céu cheio de estrelas e a lua que parecia lhe sorrir. Regina amava a noite, amava o frio. Amava deitar-se sobre o chão para contemplar a imensidão do universo. Podia passar horas admirando o infinito, fazendo desenho nas estrelas e imaginando quantas vidas existiam por lá.
Emma sabia sobre aquilo, sabia sobre tudo aquilo, assim como sabia que a noite estava linda. Sem perceber a loira abriu um sorriso largo, ao ver o sorriso da amiga. Aquela Regina ali parada com um sorriso despreocupado no rosto e com os olhos brilhando refletindo o céu, era exatamente como a Regina que a loira um dia conheceu. Suspirou aliviada ao ver que sua amigava continuava ali. Camuflada, escondida, soterrada, mas ainda estava ali.
– Como você gosta! — Comentou com Regina e até desejou levantar a cabeça e contemplar o céu junto com a morena, mas não conseguiu. Ter a velha amiga ali, parada diante de si, era a melhor visão do mundo.
– Obrigada! — A morena sussurrou, sem tirar os olhos do céu.
– Vem, vamos deitar na grama, sob a luz do luar. — Emma convidou a amiga, e deu graças a Deus, que a morena estava completamente perdida em pensamentos, assim ela não notaria o quanto aquela frase soou... romântica? Sentiu seu rosto esquentar ao pensar na frase melosa que tinha acabado de dizer.
Bom, Regina ouviu perfeitamente o que a ex amiga lhe disse, mas para preservar aquele momento, resolveu ignorar e fazer de conta que não tinha ouvido. Ao tirar os olhos do céu e ver que Emma, tinha realmente deitado na grama, sob a luz do luar, a morena suspirou, balançou a cabeça em sinal de reprovação pelo que faria, voltou a suspirar, e deitou-se ao lado da loira traidora.
– Já mencionei o quanto odeio inverno? — A loira murmurou ao sentir a grama úmida e vento frio.
– Estamos no outono. — Regina respondeu sem vontade, antes de voltar a pregar os olhos no céu.
– Para mim isso já é inverno. — Resmungou.
– Cala a boca! Ainda nem começou a esfriar. — Emma tirou os olhos da estrela e olhou para amiga.
– Não está com nem um pouquinho de frio? — A morena negou.
– Claro que não. — A loira ficou em silêncio por alguns segundos, antes de esboçar um sorriso.
– Estranha. — Murmurou ao voltar a olhar para o céu e então o silêncio se fez presente entre elas. Um silêncio bom, um silêncio que elas já tinham compartilhado muitas vezes. Emma sorriu pensando sobre aquilo e inconscientemente, Regina fez o mesmo.
Pela primeira vez desde que pusera os pés ali, a morena conseguiu esquecer onde estava, conseguiu respirar fundo e relaxar. Imaginou que estava deitada no chão da varanda do seu quarto. Podia jurar que a qualquer instante seu filho apareceria por ali, para contemplar o céu junto com ela.
– Então... — Emma, murmurou, trazendo a morena de volta a realidade. — Você acha que seu filho vai tipo... me desculpar algum dia, ou algo assim? — A loira tinha gostado do filho de Regina e tinha certeza que ele também tinha gostado dela, pelo menos até saber quem ela era. Dizer seu nome ao marido sortudo da amiga, não foi lá uma boa ideia, já que Henry estava aparentemente por dentro de todo o assunto que dizia respeito a prisão da mãe. Ao saber que a loira das tatuagens era Emma, o garoto lhe lançou um olhar de decepção, idêntico ao olhar de reprovação da mãe, e aquilo a afetou mais do que ela gostaria.
– Infelizmente ele gostou de você. — A morena lamentou-se.
– E o que significa isso exatamente? — Indagou a loira.
– Significa que ele vai tipo... desculpar você algum dia, ou algo assim. — A resposta da morena debochada, fez Emma abrir um sorriso largo. — Quando isso acontecer, espero que você não volte a falar sobre suas namoradas com ele. — Advertiu em um tom de voz sério.
– Oh, me desculpe. — Pediu completamente sem jeito. Falar sobre “namoradas” com Regina, deixava a loira completamente sem graça. — Eu não tenho namoradas. — Se sentiu na obrigação de dizer. — São só... — Tentou pensar em alguma palavra apropriada. — Passatempos? — Acabou questionando, já que não tinha certeza se era aquela a palavra.
– O que são ou o que não são, não me interessa. Só não fale sobre isso com eles. — Enquanto a loira estava nervosa com o assunto, a morena parecia tranquila.
– Okay. — Concordou de imediato para que aquele assunto chegasse logo ao fim. — Ele é muito parecido com você. — Compartilhou seu pensamento.
– As pessoas dizem que ele se parece com o Robin. — No começo, Regina se sentia frustrada sempre ouvindo a mesma coisa, mas com o passar do tempo foi acostumando e por fim passou a concordar. Então achou estranho ao ouvir Emma dizendo aquilo.
– Tá brincando? Ele é a sua cara. Seu marido é um feio. — Quando viu, já tinha dito. Tal frase fez a morena tirar os olhos do céu e voltar-se para a loira, que sorriu meio sem graça. — Desculpa. — Pediu. — Seu filho é um lindo. — Aquilo ela falou olhando nos olhos da amiga. — Assim como você. — Aquilo ela murmurou olhando para o céu. A morena acabou deixando escapulir um meio sorriso, antes de tirar os olhos da ex amiga, e voltar a encarar o céu.
– Obrigada! — Agradeceu tão baixinho, que podia jurar que Emma não tinha ouvido, mas ela ouviu. Só resolveu não dizer mais nada a respeito daquilo.
A loira tirou os fones de um bolso e seu “radinho” do outro, plugando os fones lá. Colocou um dos fones no ouvido e sintonizou na sua rádio preferida, que infelizmente só funcionava na rua. Suspirou ao ouvir a música que estava tocando e acabou se questionando se alguém em algum lugar daquela imensidão para qual seus olhos olhavam, controlava a vida dos humanos. Concluiu que aquilo era bem provável, só tal motivo explicava aquela música justo naquele momento.
Sem pensar muito em seus atos, aproximou-se mais de Regina, fazendo seus ombros se tocarem. E sem coragem de olhar para amiga e talvez, levar um chega para lá, ela pegou o fone livre e um pouco hesitante, o estendeu para a morena.
Os olhos de Regina pararam no fone por alguns segundos, enquanto ela tentava decidir o que fazer. Seu primeiro pensamento foi negar e se afastar, mas sua mão acabou não obedecendo seu pensamento, então ela não se afastou e ainda por cima, pegou o tal fone.
Ao coloca-lo no ouvido, a morena parou para prestar atenção na música que até então nunca tinha ouvido. Bom, ela podia não conhecer a música, mas conhecia aquela voz. Pearl Jam era a banda preferida de Emma, e Regina passou a abomina-la desde que a loira foi embora, então aquela era a primeira vez em muito tempo, que estava ouvindo Pearl Jam. Pensou em fazer um comentário sobre aquilo, mas achou melhor deixar para lá, afinal, aquele momento de trégua entre elas, estava sendo até que agradável.
– Você acha que existe alguém lá em cima? Tipo, outras vidas? — Emma se viu na obrigação de questionar com a morena.
– Acho. — Admitiu. Pensou até em falar sobre suas suspeitas, que essas pessoas lá de cima tinham o poder de controlar as pessoas na terra, mas resolveu deixar para lá. — O universo é infinito, com certeza não somos os únicos habitantes. — A loira balançou a cabeça concordando.
– Será que alguém, em algum lugar desse infinito, também está em uma prisão, deitada sob o céu, observando as estrelas, enquanto tenta de alguma forma consertar as merdas que fez? — A voz de Emma, não passou de um sussurrar. Regina tirou os olhos das estrelas e voltou-se para a loira, que tinha os olhos fixos no céu e não arriscava os tirar de lá. A morena pensou em dizer muitas coisas, algumas boas, outras ruins, e outras que magoariam muito, por fim suspirou e resolveu não dizer nenhuma delas.
– Talvez. — Foi tudo que murmurou. Emma deixou escapulir uma lágrima solitária. Lágrima essa que seu braço logo tratou de se livrar.
– Olha! — Falou com a voz embargada enquanto seu indicador apontava para o céu. Os olhos de Regina ficaram presos no rosto da ex amiga por alguns segundos até por fim ela suspirar e resolver olhar para onde a loira apontava.
– O quê? — Indagou tentando achar o que olhar. Em mais um ato de coragem, Emma pegou a mão da amiga, fechou todos os seus dedos, só deixando o indicador levantado e aí a fez apontar para o céu. — Um E, de Emma. — Disse sorrindo e então fez o dedo da morena desenhar um E, nas estrelas. — E um S, de Swan. — Continuou fazendo Regina desenhar nas estrelas. — E olha só, mais um S, de simpática. — Pela primeira vez desde que tinham se reencontrado, Regina se permitiu rir da idiotice daquela loira absurda.
– E um I, de idiota. — A morena continuou a brincadeira. Se perguntou há quanto tempo não fazia aquilo com alguém. Um vez até tentou brincar com o filho, mas ele não gostou de tal brincadeira, já que dizia não conseguir formar nenhum tipo de desenho ou letra com as estrelas.
Quando pensou em soltar sua mão da mão de Emma, a loira voltou a escrever.
– Um R, de Regina. — A morena estava admirada com o quanto a loira tinha evoluído naquela brincadeira de achar coisas nas estrelas. — Não estou achando um M, de Mills, mas olha só, um C, de chata. — Implicou rindo.
– É guerra? — Se fez de ofendida, e Emma logo tratou de negar.
– Não. Desculpa! Foi só brincadeirinha. Olha, para me redimir, achei um L, de Regina linda. — A morena voltou a dar risada.
– Quantos anos você tem, Emma? — O tom brincalhão, despreocupado e carinhoso com o qual a morena fez tal pergunta, fez o coração de Emma palpitar.
– Parei de contar quando a casa dos vinte chegou ao fim. — As duas já não olhavam mais para o céu. Seus olhos estavam presos e uns nos outros. Sorrindo com os olhos, era aquilo que elas estavam fazendo.
– Sei como é. — Regina dizia exatamente a mesma coisa quando perguntavam a sua idade.
– Regina, eu si... — Antes que a loira repetisse de novo a mesma frase, a morena resolveu interrompe-la.
– Eu sei. Você sente muito. Eu já entendi. Você não precisa ficar repetindo. — A morena ainda não tinha se dado conta, mas sua mão continuava atada a da amiga, só que elas não apontavam mais para o céu, estavam sobre o peito da loira.
– Acredite, eu estou sendo honesta. — A morena concordou.
– Não duvido disso, mas mágoa não é algo que some com um simples “sinto muito”, por mais sincero que ele seja. — Emma suspirou, sabendo que Regina tinha razão.
– Você pelo menos me odeia um pouquinho menos agora? — A morena abriu um sorriso fraco e suspirou antes de responder.
– Infelizmente. — Sua resposta arrancou um sorriso enorme da loira.
– Obrigada! — Agradeceu e aí o assunto entre elas morreu. Seus olhos ficaram presos por mais alguns segundos, até que, Regina, por algum motivo se sentiu incomodada com aquilo e voltou a olhar para o céu. Ao dar-se conta que sua mão continuava unida a mão gelada de Emma, ela tratou de separa-las.
– Vamos entrar, você está congelando. — Ainda podia sentir os dedos frios da loira em sua mão.
– Ainda aguento mais cinco minutos. — O papo entre elas tinha ficado tão interessante que Emma até acabou esquecendo do frio, mas foi só Regina falar a palavra “congelando”, para ela se sentir um picolé. — Só preciso de uma mão quentinha, para sugar um pouco de calor. — Estendeu a mão para a morena, que a principio a ignorou. — Por favor? Suas mãos foram sempre tão quentinhas. E seus pés? Aposto que eles também continuam quentinho. Ah meu Deus! Eu daria tudo para colocar meus pés gelados nos seus só para ouvir você gritar “Emma, você morreu e esqueceram de enterrar!” — A morena a espiou pelo canto dos olhos e de novo contrariando seu cérebro, estendeu a mão para o freezer ao seu lado.
– Só hoje. Não se acostume. — Avisou e Emma concordou.
– Só hoje. Da próxima vez eu trago a jaqueta mais grossa e tento descolar um par de luvas. — Regina abriu a boca para dizer que não existiria uma próxima vez, mas pela a paz daquele momento resolveu não dizer nada.
– Olha, um F, de freezer. — Implicou com a loira, enquanto sua mão livre desenhava o F, nas estrelas.
– E um A, de aquecedor. — Emma retrucou. E as duas continuaram lá, implicando uma com a outra, feio duas crianças. Perderam a noção de tempo e lugar, deixaram as mágoas e preocupações um pouco de lado e se permitiram ser apenas Regina Mills e Emma Swan, ou simplesmente, a menina da cicatriz maneira e a loira dos olhos verdes expressivos.
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