Escape
20 Vai doer
Notas iniciais
Fevereiro chegou na prisão de Litchfield e com ele chegou mais um domingo de visitas. Regina estava abraçada ao filho enquanto o ouvia tagarelar sem parar sobre o tal Super Bowl, o menino estava simplesmente em êxtase pelo seu time estar quase na final do campeonato.
A morena ouvia a tudo atentamente, por mais que não desse muita bola para aquilo. Segundo o filho, ela tinha algum tipo de problema, porque ela era a única americana que ele conhecia, que não gostava de futebol americano, mas na verdade a morena não tinha nada contra aquele esporte, só não achava que aquilo merecesse tanta atenção. O país praticamente parava na final do campeonato, faziam daquilo um feriado nacional não proclamado, e era daquele exagero que ela não gostava.
– Olha só, papai prometeu que se o Patriots for para a final, ele vai me levar até o Arizona para assistirmos ao jogo no estádio. — Henry contou animado.
– Não sei se gosto dessa ideia. Você é muito boca suja quando assiste a esses jogos. Não gosto de imaginar você no meio daquela multidão, xingando pelos pulmões a mãe de alguém. Pode acabar se metendo em encrenca. — O garoto rolou os olhos ao ouvir aquele papo tão de mãe.
– Mãe, isso se chama torcer. O estádio vai estar cheio de torcedores, então você não precisa se preocupar com isso. Você entenderia se desse só um pouquinho de importância para jogos. — Foi a vez da morena rolar os olhos.
– Não tenho paciência para jogos, Henry. Não acho que um monte de trogloditas se esbarrando, se batendo e empurrando, enquanto tentam correr com uma bola, mereçam minha atenção. Prefiro gastar meu tempo com outras coisas. — Disse o que sempre dizia.
– De algum jogo eu aposto que você gosta, e eu ainda vou descobrir. — Não era possível a mãe não gostar de nenhum tipo de esporte.
– Baseball. Yankees é o fraco dela. — Uma voz que Regina não ouvia há muito tempo se fez audível. Enquanto ela sorria meio sem graça para o dono da voz, Henry o lançava um olhar curioso. — Olá, Regina! — O homem lhe sorriu.
– Daniel! — O saudou. — Nossa, quanto tempo! — Sorriu meio sem jeito. — Como você está?
– Poderia estar melhor, se você tivesse se casado comigo. — Sua resposta deixou a morena completamente desconcertada.
– O quê? — Henry murmurou com a mãe.
– Olá, garoto dos filmes da Netflix! Não sei o que meu irmão disse para você fazer essa cara, mas ignore, ele tem problemas mentais. — Emma avisou sorrindo, enquanto dava tapinhas nas costas do irmão.
– Não ligue para nenhum dos dois, eu não os eduquei bem. — Mary Margaret, juntou-se aos filhos.
– Você não vai nem me dar um abraço, depois desse tempo todo? — Daniel questionou com Regina, sem tirar o sorriso cafajeste do rosto. Muito desconcertada a morena se pôs de pé, e parou em frente ao ex-namorado, não sabendo exatamente como agir.
– Você não precisa fazer isso. — Emma avisou. Na verdade ela não queria que a morena fizesse aquilo. Sabia que os dois já tinham se envolvido, sabia que Daniel foi o primeiro homem a arrancar suspiros da amiga, assim como o primeiro homem a lhe arrancar as roupas, e saber daquilo tudo a fazia sentir medo de uma aproximação entre eles.
– Tudo bem. — Murmurou para loira, antes de levantar a cabeça e encarar Daniel. Completamente sem jeito, ela lentamente foi abrindo os braços para abraça-lo, como ele e Emma tinha muito em comum, ele sorriu e puxou a morena para o abraço.
– Regina Mills, a mulher que partiu o coração dos irmãos Swan. — Murmurou enquanto lhe apertava em seus braços.
– Cala a boca! — Pediu rindo.
– Eu avisei que Emma ainda meteria você em encrenca. — A lembrou.
– Tudo bem, está tudo bem agora. — Respondeu, fazendo ele afrouxa o abraço até por fim solta-la. A olhou nos olhos por dois segundos e então sorriu. Puxou Emma pelo braço a fazendo ficar ao lado de Regina e então balançou a cabeça em sinal de negativo.
– O quê? — Regina perguntou enquanto ele trocava um olhar cheio de significados com a irmã.
– Será que algum dia eu tive mesmo chance com você, Regina? — Questionou ao tirar os olhos da irmã e encarar a morena, que ao entender o que ele quis dizer, sentiu o rosto queimar.
– Cala a boca, Daniel! — Emma ordenou, apontando disfarçadamente com a cabeça em direção a sua mãe e Henry.
– Boa sorte para vocês duas, quero muito ver a reação da mamãe quando ela souber disso. — Murmurou rindo.
– Já chega! — A loira estava ficando irritada. Fechou a mão em punho e socou o braço do irmão. — Você não estava indo embora? — Ele riu, ao ver o quanto a irmã ficava nervosa quando o assunto envolvia ela, a amiga, seus sentimentos e seus pais.
– Estou. — Sorriu e voltou-se para Regina, que também parecia desconfortável. — Regina, você continua uma gata, está mais gostosa do que costumava ser. — Emma trincou os dentes e bufou ao ouvir aquilo. — Se eu soubesse que encontraria você aqui, teria vindo para ficar mais tempo, mas enfim, preciso mesmo ir. — Voltou a abraçar a morena e a tirou do chão. — Tchau! — Disse ao devolve-la ao chão e lhe beijar a bochecha. — Tchau, irmãzinha! — Fez o mesmo procedimento com Emma, a abraçou, tirou do chão, devolveu ao chão e lhe beijou a bochecha. — Se cuida, e cuida da ladra de corações dos irmãos Swan. — Sussurrou no ouvido da irmã a fazendo rir.
– Vou cuidar. — Foi tudo que respondeu.
– Tchau mãe. — Voltou-se para Mary Margaret, que estava sentada a mesa, em frente a Henry, assistindo com o garoto o sussurrar dos três. — E tchau garoto sem nome que eu acredito ser o filho da Regina. Eu era o namorado dela, a propósito. — Dito tal coisa ele deu as costas e se foi.
– Onde está seu marido quando mais se precisa dele, hein? — Emma murmurou com Regina a fazendo sorrir.
– Viajando. — Foi tudo que respondeu.
– Mãe? — Henry chamou a atenção da morena para ele. — Namorado, sério? — Regina teve certeza que ele só não falou "aquele cara?" e fez cara de desgosto, em respeito a Emma e sua mãe.
– Já faz muito tempo. — Deu de ombros.
– Por que eu não sabia disso? — A morena acabou rindo do ciúme do filho.
– Pelo mesmo motivo que eu não sei quem é a Alex, que vive falando com você pelo whats app. Porque não é importante, não é isso? — Arqueou uma sobrancelha, desafiando o filho, que sorriu sem graça e passou a mão pelo cabelo, arrancando uma risada de Emma.
– E aí, garoto ciumento? Não me disse oi, não foi lá me dar um abraço. Esqueceu de mim, é isso? — Henry abriu um sorriso lindo, idêntico ao da sua mãe, então levantou-se e foi até Emma. Ao ver que o garoto vestia uma camiseta da banda Ramones, o sorriso da loira cresceu. Ah, ela estava começando a se apegar aquele garoto fofo. Com certeza estava. — Gostei da camiseta, esse é meu garoto! — Elogiou ao abrir os braços, esperando por ele, que simplesmente sorriu e não hesitou em abraça-la. Regina sorriu ao ver o quanto eles pareciam estar se tornado próximos.
– Costumava ser o meu garoto até uns meses atrás. — Murmurou sem tirar os olhos dos dois.
– Você precisava tê-los visto na semana passada, quando começaram a falar sobre bandas. — Mary Margaret contou, roubando a atenção de Regina para si. — Ela gosta dele. — A morena concordou com a cabeça e sorriu.
– E ele gosta dela. — Mary sorriu e suspirou.
– Não vejo a hora de ter netos. — Emma sentou-se ao lado de Regina a tempo de ouvir tamanho absurdo. — Mas nenhum desses dois querem ouvir falar sobre filhos. — A loira sorriu.
– Mãe, se você quer netos, vai ter que falar com Daniel, você sabe disso. Primeiro, eu não quero filhos. Segundo, você sabe que dois iguais não procriam. — Murmurou a última frase, deixando Regina muito sem jeito por achar que não deveria estar ali, participando daquela conversa.
Embora Emma nunca tivesse falado sobre aquilo abertamente com os pais, sabia que eles não era assim tão inocentes, assim como sabia que eles sabiam que Jennifer, que algumas vezes foi até a casa deles com Emma, não era simplesmente só uma amiga.
– Vocês querem uma Coca-Cola? — Ao perceber a tensão que tinha se instalado ali, Henry se ofereceu para buscar.
– Não. Obrigada! — Emma lhe sorriu tranquila. — Então, Senhor Ramone, qual a sua música preferida da banda? — Deixou a mãe de lado e resolveu conversar com Henry.
– Minha música preferida na verdade não é deles, eles só regravaram. — Encarou Emma e sorriu. — What a wonderful world.
– Ah garoto, você é um poser. Como assim sua música preferida deles não é deles? — Pegou no pé dele e agarrou sua mão.
– Larga mão de ser chata, ô das tatuagens! — Implicou com ela a fazendo rir.
– Poser é? Falou a pessoa que tem Live And Let Die, como música preferida do Guns N' Roses. — Regina saiu em defesa do filho o que fez se fazer de incrédula e encarar a amiga.
– Dedo duro! — Sua mão empurrou o braço da morena, a fazendo rir.
– Como assim você conhece Guns N' Roses e além disso sabe que Live And Let Die é regravação? — Henry questionou incrédulo, fazendo Regina sorrir.
– Sua velha curte um rock n roll, ué. — Emma explicou.
– Não. Ela não curte. O máximo que ela ouve é música clássica. — Contou abismado.
– Ah, eu conheci essa Regina também, mas além de música clássica ela curtia rock n roll. The Doors, Guns, AC/DC, Rolling Stones, Bealtes, Aerosmith e a preferida dela, Pink Floyd. — O garoto ouviu aquilo tudo de boca aberta.
– Como assim nós temos o mesmo gosto e você vive me mandando baixar o volume da "gritaria"? — Questionou com a mãe.
– Vai acreditar mesmo nela? — Regina tentava não rir.
– Qual a sua música preferida do Pink Floyd? — Ignorou a pergunta da mãe e lhe fez outra.
– Confortably Numb. — Respondeu dando de ombros.
– Meu Deus! Ela sabe o nome das músicas. E temos a mesma música preferida. — Murmurou incrédulo. — Quem é você e o que você fez com a minha mãe? — Indagou, fazendo as mulheres darem risada. — O que mais eu devo saber sobre ela? — Questionou com Emma. Seus olhos brilhavam de empolgação. — Parece que você sabe mais sobre ela do que meu pai. — A loira sorriu largo ao ouvir aquilo, já Regina murmurou o nome do filho.
– O que mais você quer saber? — Questionou.
– Quantos idiotas iguais ao seu irmão ela namorou? — Seu rosto ficou vermelho e rapidamente ele voltou-se para Mary Margaret, que estava se divertindo com aquilo. — Desculpe pelo idiota. — Ela concordou.
– Está desculpado.
– Quantos idiotas iguais ao meu irmão você namorou, Regina Mills? — Emma sorriu para Regina, enquanto seus dentes pressionavam seu lábio inferior. Estava tentada a envergonhar a amiga na frente do filho, e a morena sabia daquilo.
– Cala a sua boca! — Regina pediu rindo, enquanto empurrou o ombro de Emma, a arrancando uma gargalhada.
– Vem calar. — Provocou, como costumava fazer quando Regina a mandava se calar.
– Você continua a mesma mal-educada de sempre. Eu vou mesmo. — Regina ria enquanto tentava tapar a boca da loira com as mãos, mas as mãos ágeis de Emma naquele momento a impediam.
– Regina não é de nada! Regina não é de nada! — Continuava provocando.
– Me solta para você ver só que não é de nada.
– Já chega, as duas! — Mary Margaret fez o que costumava fazendo quando elas eram crianças e começavam com aquilo. — Uma coisa nova sobre a sua mãe, Henry, quando ela e Emma tinham 10, 11 anos, elas se implicavam assim todos os dias e quase me deixavam louca. — Contou ao garoto que se divertia com aquilo tudo.
– Que pouco adulta você está sendo, Regina Mills. — O filho debochou dela, a fazendo mostrar a língua.
– Trégua? — Emma sugeriu.
– Trégua! — Regina concordou e teve suas mãos liberadas. Emma disfarçadamente pegou a mão que a morena tinha repousado sobre as pernas e a segurou, aquilo passou despercebido pelos olhos do garoto, mas o mesmo não aconteceu com Mary.
– Namorar, namorar mesmo, sua mãe só namorou o meu irmão. — Henry encarou a mãe, e Regina soube que viria bomba.
– E aí, o que aconteceu para vocês terminarem? Não que eu não tenha ficado feliz com isso. — A morena sorriu e respirou fundo, pensando em um jeito de falar a verdade, sem entrar em detalhes.
– Eu gostava de outra pessoa, então não era justo continuar com ele. — Explicou.
– Essa outra pessoa era o meu pai? — Balançou a cabeça negando, já temendo a próxima pergunta que com certeza viria. — Era quem então?
– Seu interrogatório está ficando chato. Você não conhece, Henry. — Tentou se esquivar.
– Mesmo assim, me diz quem era. — Insistiu.
– Alguém que eu conheci na faculdade, não tem importância. — Regina mentia tão mal, que nunca conseguiu convencer alguém.
– Me conta? — O garoto recorreu a Emma, que desfez o sorriso do rosto. Na verdade assim como Regina, ela estava um pouco tensa com a situação e não sabia o que dizer. De novo, aquilo não passou despercebido por Mary Margaret, que depois de muito tempo, começava a ligar os pontos.
– Vou ficar devendo essa, porque eu não sei. — Emma sabia mentir, mas não convenceu o garoto.
– Duvido! Você sabe mais dela do que eu, ou do que meu pai, com certeza você sabe. — Ao perceber que o garoto estava encurralando as duas, Mary resolveu agir. Abriu sua bolsa e tirou um envelope de lá.
– Emma, isso chegou lá em casa. — Deslizou o envelope pela mesa, até chegar na filha. — É de Jennifer, então acredito que seja para você. — Os olhos da loira grudaram no envelope branco, pela caligrafia constatou que era mesmo da ex-namorada.
– O que ela quer? — Questionou em um tom não muito amigável.
– Eu não abri, querida, então não sei. — Muito embora a pergunta não tenha sido feita para Mary, a mesma respondeu como se fosse.
– Você não vai abrir? — Henry indagou.
– Não. — Respondeu com convicção. — No mínimo ela cansou do namorado e que voltar. — Falou ainda de olhos na carta.
– UAU! Você tinha uma namorada? — O garoto parecia animado com aquilo.
– Algo parecido. — Soltou com o ar.
– E como ela é? — Voltou a indagar.
– Henry! — Regina o repreendeu, e tentou livrar-se da mão de Emma, mas a loira não deixou. Levantou a cabeça e a encarou.
– Como ela é? — Questionou sem tirar os olhos de Regina. — Uma vadia, manipuladora. — Seus olhos continuavam presos nos de Regina, tentando dizer que aquela carta idiota pouco a importava, mas pelos olhos irritados da morena, percebeu que não estava conseguindo.
– Fisicamente, ela lembra a sua mãe. — Mary Margaret, contou sem tirar os olhos das duas. — Claro que ela lembra. — Sorriu sem humor, ao finalmente se dar conta do óbvio. Ao quebrar o contato visual com Emma e olhar para tia, Regina teve certeza que a mulher tinha finalmente entendido tudo.
– Vou tomar um pouco de água. — Avisou ao levantar-se.
– Acompanho você. — Mary também se pôs de pé. As duas caminharam lado a lado até o bebedouro sem trocarem mais nenhuma palavra. Mary esperou pacientemente Regina tomar sua água, assim que a morena se virou para dar lugar a tia, Mary lhe sorriu e a prendeu entre ela e o bebedouro.
– Você vai me contar. — Pediu, fazendo Regina se fazer de desentendida.
– Contar o quê? — Juntou as sobrancelhas.
– O que Emma nunca teve coragem de contar. — Regina continuou insistindo em sua cara de desentendida.
– Desculpa, tia Mary, mas eu não sei sobre o que estamos falando. — Tentou sair dali, mas foi impedida.
– A mulher que partiu o coração dos irmãos Swan. Eu ouvi muito bem o que Daniel murmurou. Pelo menos você, Regina, seja honesta comigo. — Regina suspirou e encarou a mulher.
– Do que vai adiantar isso agora? — Indagou.
– Eu só quero entender o que aconteceu com Emma, porque desde que você sumiu, a vida dela decaiu ano após ano. — Falou aquilo quase com um tom de acusação.
– Não me culpe por isso. Eu posso ter partido o coração de Daniel, mas não fiz o mesmo com Emma. Muito pelo contrário, ela quem fez isso comigo e com ela mesma. — Admitiu. — Eu não sumi, foi ela quem foi embora primeiro. — Rebateu as acusações.
– Vocês eram mais do que amigas, é isso? — A morena negou.
– Não. — Respondeu olhando nos olhos da tia.
– Por que não?
– Isso é uma coisa que você tem que perguntar a ela, tia. Não posso falar pela sua filha. — Mary suspirou e desistiu, sabia que não arrancaria mais nada de Regina, a morena fez menção de sair dali, mas Mary foi mais rápida.
– Só mais uma coisa. — Regina suspirou e encarou. — Vocês estão tendo mais do que amizade agora? — Regina não precisou falar nada, seus olhos acabaram lhe entregando. — Por que eu faço perguntas tão óbvias? — Murmurou para si. Ao concluir que a tia já tinha sua resposta, Regina passou por ela para sair dali. — Ela gosta de você, Regina. Eu sei que você também gosta dela. Assim como sei também que é casada. O que me faz concluir que quando você sair daqui, vai com certeza voltar para sua família. Então não a magoe, por favor não faça isso. — Praticamente suplicou. Regina ficou alguns segundos de costas para a mulher, antes de suspirar e sair dali. Será que existira jeito de não se magoarem? Foi o que questionou consigo mesma.
(...) Depois da breve conversa com Mary, Regina acabou ficando com um mau-humor do cão e tudo piorou ainda mais quando ela foi para sua cela, e encontrou com Emma lendo atentamente a carta da tal Jennifer idiota. Deitou-se em sua cama, virou-se para parede e fechou os olhos, não muito tempo depois, a amiga tentou puxar algum assunto, mas a morena nada respondeu, fingiu estar dormindo, e de fato, acabou dormindo. Acordou com a conversa e risadas de French e Ruby, se assustou ao saber que já era noite. Tentou participar da conversa com as colegas de cela, mas ainda estava de mau-humor para aquilo, então resolveu ir até o cinema de domingo, que já tinha começado, na verdade, segundo Ruby, já estava quase acabando.
Ao chegar a sala de filmes, Emma foi a primeira coisa que os olhos da morena viram, a loira estava sentada sozinha na última fileira, e para o azar da morena, ela de algum jeito a percebeu ali e virou-se para trás. Regina a encarou por alguns segundos antes de lhe dar as costas e sair dali. Sem saber para onde ir, acabou parando na rua, sentou-se no banco de sempre, cruzou as pernas, fechou os olhos e respirou fundo. Sabia que Emma já estava ali atrás dela.
– Você nem para me chamar, né? — A loira reclamou ao sentar-se ao lado da amiga.
– Pelo o que eu saiba não nascemos grudadas. — Respondeu em tom ríspido, ainda de olhos fechados.
– E que bicho mordeu você? — Indagou e não ganhou resposta. — Posso saber o que eu fiz? — Tentou de novo.
– Nada. — Foi tudo que respondeu.
– Se não fiz nada, então por que está brava comigo? — Voltou a questionar.
– Não estou brava. — Respondeu em um tom bravo.
– Okay. Vou fingir que está tudo bem então. — Deu de ombros, escorregou o corpo e deitou sua cabeça no encosto do banco. Mirou o céu, jogou as mãos para dentro do bolso e fechou os olhos. Regina abriu os olhos e a espiou pelo canto dos mesmos, e mesmo sem querer acabou sorrindo. Emma sempre fazia aquilo quando não queria começar uma briga.
– Sua mãe veio meio que me cobrar uma explicação para o seu coração partido. — Contou.
– Por isso está brava? — Indagou ainda de olhos fechados.
– Ela pediu, quase implorou, para que eu não magoasse você. — Suspirou. — E só existe um jeito de isso acontecer. — Sussurrou e imediatamente Emma abriu os olhos e voltou-se para a morena. — Não nos envolvendo. — Voltou a murmurar, seus olhos presos no céu.
– Não de ouvidos para a minha mãe. Ela está ficando velha, não sabe mais o que diz. — Regina abriu um sorriso triste.
– Ela só quer proteger você, Emma. — Por ser mãe, Regina entendia perfeitamente a tia.
– Então a minha mãe manda, você obedece, é isso? Nós não somos mais crianças, Regina. — Estava começando a ficar irritada.
– Sinto muito. — Soltou com o ar. Emma bufou e se pôs de pé, seu indicador apontou para a morena.
– Sabe o que você é, Regina Mills? A porra de uma covarde. Não tem coragem para fazer o que quer, e fica arrumando pretextos. Quer saber? Vão se ferrar! Você, a minha mãe, meu pai, meu irmão, o mundo! — Cuspiu as palavras para cima da morena, antes de lhe dar as costas e sair dali.
Regina que já não estava muito bem, sentiu o sangue ferver ao ouvir aquela acusação. Respirou fundo e contou até dez, mas não funcionou, continuava possessa com aquela loira estúpida. Bufando, levantou-se dali e a passos largos, foi atrás de Emma. Quem ela pensava que era para falar o que queria e depois sair daquele jeito? Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Não é isso que diz o ditado idiota? Então Emma ouviria, a se ouviria.
Quando alcançou a loira, ela estava entrando na cela em que dividiam. Regina a puxou pelo braço de forma ríspida, pouco se importando com a presença das outras detentas.
– Quem você pensa que é para falar o que quer e sair assim? — Esbravejou. — Tudo bem você falar o que vier na cabeça, né? Mas você se manda antes de ouvir o outro lado. — Seus olhos fuzilavam a amiga, enquanto sua mão apertava o braço de Emma sem um pingo de delicadeza.
– Não tenho absolutamente nada para ouvir. Já entendi, você vai obedecer a minha mãe, afinal, você sempre foi a protegida dela, por ser sempre a obediente. — Encarou Regina a desafiando.
– Quer saber? Você é uma idiota, adora se fazer de coitada. — Cuspiu as palavras.
– Okay Ruby, é nessa hora que a gente se manda, antes que o couro comece a queimar. — French pulou da cama e puxou a ruiva pela mão, a rebocando dali. Assim que saíram, Regina resolveu continuar.
– Eu covarde? Covarde foi você. Nós estamos exatamente aonde sua covardia nos colocou, Emma Swan. — A acusou, fazendo a loira estreitar os olhos.
– CALA A BOCA! — Gritou.
– A verdade dói, não dói? — Não se abalou com a ordem gritada. — Mas a verdade é que, se você não tivesse fugido, eu não estaria aqui, você não estaria aqui, você não teria partido meu coração, eu não teria partido seu coração, e eu não teria medo de magoa-la, como sei que vou fazer se chegar perto demais. — Regina tentava não gritar, precisou fazer uma pausa para se controlar, controlar sua raiva, seu ressentimento. — Então não, Emma, não me chame de covarde. Me odeie, grite comigo, me xingue, me estapeie, só não me chame de covarde. — Soltou o braço da loira e tentou se afastar, mas foi a vez de Emma segura-la pelo braço.
– Você acha o quê? Que eu não sei disso tudo? Você acha que eu não sei que ferrei com toda a minha vida? E com a sua também? Acha que eu não tenho consciência disso? — Suspirou. — Não, Regina, eu não me faço de coitada. Tudo que eu falei para você, não foi para ter sua piedade, falei apenas porque não conseguia mais carregar essa porra de sentimento comigo. — Respirou fundo, tentando conter a vontade de agarrar aquela morena que se achava a dona da verdade, e lhe mostrar o porquê tinham que ficar juntas. — A minha vida é uma merda, Regina. Então não se preocupe em me magoar ou fazer qualquer outro tipo de besteira que minha mãe tenha dito, quando tiver que voltar para sua vida real. Eu com certeza posso e vou superar. — Regina suspirou, ela já não estava mais tão irritada assim. Seus olhos ficaram presos nos de Emma por algum tempo então ela se deu conta de algo. Estava decidido, não estava? Claro que estava. Se deu conta de que já tinha se decidido segundos depois que Emma fez a proposta, por isso ficou tão irritada com o que a tia lhe pediu, porque já estava aceito, e ela não queria voltar atrás.
– Mesmo que eu não queira, vai ter que terminar. — Resolveu deixar tudo bem claro, antes de mais nada. Emma concordou com a cabeça.
– Eu sei.
– Aconteça o que acontecer, vai acabar assim que eu colocar os pés para fora daquele portão. — De novo ela concordou com a cabeça.
– Eu também sei.
– Isso vai doer, Emma! — Sussurrou.
– Vai sim. — Concordou. — Mas acho que sou masoquista. E como eu posso me recusar a sofrer, quando vou ter também os melhores meses da minha vida? — A morena esboçou um sorriso, ah elas estavam com toda certeza do mundo, ferradas.
– Que Deus nos ajude, então. — Soltou com o ar. Ouvir aquilo fez o coração de Emma acelerar, e um sorriso começou a se apossar do seu rosto.
– Isso significa o que exatamente? — Lerda, Emma continuava lerda.
– Significa que talvez eu seja masoquista também. — A loira ficou satisfeita com aquela resposta, tão satisfeita que puxou a morena para si. Segurou o rosto dela entre as mãos, a olhou nos olhos e sorriu. Regina lhe sorriu de volta e levou as mãos até as mãos de Emma, as acariciando. A loira fechou os olhos e roçou o nariz no da amiga, voltou a sorrir, então selou seus lábios aos dela. Regina suspirou e vencida, resolveu se entregar àquela loucura. Suas mãos subiram até os cabelos da amiga e se emaranharam nos fios loiros.
Seus lábios moviam-se lentamente se acariciando, eram sutis, não tinha pressa alguma, estavam se experimentando. Sorriram juntas pelo o estalar do beijo. Elas pensavam exatamente sobre a mesma coisa, estavam querendo gravar cada detalhe, porque no final daquilo tudo, tudo que lhes restaria seriam lembranças.
O coração de ambas batia freneticamente, e as borboletas que faziam festa no estômago de Emma, estavam em total sintonia com as que faziam festa no estômago de Regina. As mãos da loira estavam um pouco tremulas, ela ainda não estava acreditando que realmente teria Regina, por pouco tempo, mas teria e aquilo era mais do que um dia ousou sonhar. Suas mãos puxaram o rosto da amiga ainda mais para perto, como se quisessem se certificar que aquilo era real, que a morena não sairia dali.
Regina sugou o lábio inferior da amiga, o mordiscou e sua língua passou sutilmente por ali, arrancando um suspiro da loira e a fazendo entreabrir a boca, dando passagem as suas línguas. O beijo continuou sem pressa, suas línguas se moviam preguiçosamente, era como se estivessem se conhecendo, conhecendo de verdade, sem medos.
As mãos da morena abandonaram os cabelos da amiga e repousaram em seu peito, o espalmando, fazendo a jaqueta de Emma cair pelos ombros. A loira soltou o rosto da amiga, e acabou de tirar a jaqueta, em seguida ajudou Regina a livrar-se da dela.
Aos poucos as respirações tornaram-se ofegantes e o beijo tornou-se urgente. Emma escorregou as mãos pelas costas da morena parando um pouco abaixo de sua bunda. Ao entender o que a amiga queria fazer, Regina prendeu os braços em seu pescoço e em um impulso pulou, prendendo as pernas na cintura da loira, que segurou firme suas coxas.
Emma abriu os olhos para saber exatamente para onde guia-las, como a cama dela ficava no andar debaixo, era para lá que elas iam. Em poucos passos, as levou até sua cama. Não queria de jeito nenhum quebrar aquele contato, mas não sabia o que fazer para deitar a morena na cama, sem que elas esbarrassem no andar de cima.
– Vou reivindicar uma cama de casal. — Murmurou sem parar de beijar a amiga que riu, e tirou as pernas da cintura da loira, ficando de pé. Suspirou antes de quebrar o beijo e sentar-se na cama. Emma sorriu e agarrou os pés dela, lhe tirando os sapatos, depois fez o mesmo com os seus. Suspirou e encarou a amiga, seus olhos estavam ainda mais negros, e brilhavam, brilhavam de desejo. A morena lhe lançou um sorriso persuasivo e a puxou pela camiseta a trazendo para a cama.
– Vem! — Emma sentou-se sobre as coxas da amiga, que também estava sentada. colocou uma perna em cada lado da cintura de Regina, e a encarou. Sorriu ao se ver refletindo naqueles olhos negros de desejo. Seu nariz roçou o da morena e seus lábios beijaram suavemente o rosto dela, beijaram cada parte do rosto dela, sem pressa, até por fim chegarem na cicatriz.
– Essa parte sua é minha, só minha. — Ronronou sem tirar os lábios de lá, fazendo a morena suspirar e procurar por sua boca.
Um calor arrebatador tomava conta do corpo da morena, ela desejava Emma, cada célula do seu corpo desejava e pulsava pela amiga. Nunca tinha trocado um beijo tão apaixonado, tão cheio de significados e ao mesmo tempo tão erótico com alguém, como estava trocando com Emma. Não sabia mais onde exatamente estava, tudo que sabia era que queria entregar o corpo á amiga, porque sua alma há muito tempo já era dela.
Emma levou uma das mãos até a nuca da morena, e suavemente puxou o cabelo da amiga, a fazendo inclinar o rosto. Deu um ultimo beijo na boca da morena, então seus lábios desceram até o queixo de Regina, beijaram lá, antes de mordisca-lo, arrancando um suspiro alto da morena. Sorriu satisfeita ao ver o quanto a amiga estava entregue. Ver Regina ali, de olhos fechados, boca entreaberta, respiração ofegante, suspirando por sua caricias, fazia o sexo da loira pulsar. Nunca acreditou na história de orgasmo sem estimulação, mas estava se sentindo tão excitada, que de repente aquela história já não parecia tão absurda assim.
Lentamente seus lábios seguiram descendo, distribuindo beijos molhados e leves mordidas pela extensão do pescoço da morena, arrancando suspiros e gemidos involuntário dos lábios dela, que estava em órbita. Ouvir aquilo fez a loira morder os próprios lábios enquanto seu sexo sedento pela morena, pulsava cada vez mais forte.
– Você é tão linda. — Sussurrou contra o pescoço da amiga, subindo a boca até o lóbulo de sua orelha. — Eu te amo tanto. — Voltou a sussurrar, antes de prender os dentes no lóbulo da morena.
Paraíso, se o tal paraíso existia mesmo, Emma e sua voz mansa e cheia de luxuria, com certeza eram responsáveis pelo acesso a tal lugar. A morena sentia seu corpo queimar, desejava ser consumida por aquelas chamas. Morrer de amor. Provavelmente aquele era o significado daquela frase. Oh sim, se aquilo fosse mesmo morrer de amor, torcia para que Emma a trouxesse a vida no final de tudo, para que pudesse morrer de amor de novo e de novo.
Suas mãos foram até a barra da camiseta da amiga e ela não hesitou em puxa-la. Emma levantou os braços a ajudando a livrar-se daquela peça de roupa estúpida. Regina deixou as costas caírem sobre o colchão, para admirar melhor a amiga. Os olhos famintos da morena, devoraram a linda mulher sentada em cima de si. Emma tinha se tornado dona de um abdômen chapado, braços torneados e seios fartos. Sua pele alva contrastava com a peça preta que lhe cobria os seios, seios esses que a morena olhava com cobiça.
– Gosta do que vê, Regina Mills? — Questionou em um tom baixo e provocador, antes de morder os lábios.
– Muito! — Sua voz quase não saiu. Suas mãos puxaram a amiga pelas alças do sutiã, a trazendo para cima de si. Suas bocas voltaram a se procurar, enquanto os dedos quentes da morena subiram suavemente pelas costas da loira, até chegarem ao se sutiã e o abrindo com destreza.
– Muito embora eu queira ver, preciso avisar que estou vendo. — A voz de Ruby as desconectou do mundo paralelo em que estavam, as trazendo rapidamente ao mundo real. Ao abrir os olhos a morena encontrou com os olhos da amiga ainda fechados. Frustrado, esse era o semblante no rosto de Emma. Respirou fundo tentando acalmar seu coração frenético, e suas mãos voltaram a atacar o que tinham acabado de abrir.
A loira abriu os olhos e elas trocaram um olhar de quem sentia muito pelo que acabou não acontecendo. Com muito pesar Emma saiu de cima da morena, sentando-se na beira da cama, enquanto recolocava sua camiseta laranja estúpida. Já Regina soltou um longo suspiro, fechou os olhos e puxou o travesseiro da amiga para cima do rosto. Respirava fundo, ainda tentando acalmar seu sentimento, seu coração, e sua excitação. Seu corpo implorava pelo de Emma, e ela tinha certeza que nem um banho frio resolveria aquilo.
– Eu deveria matar você. — Ouviu a voz ainda excitada de Emma.
– Sinto muito. — Concluiu que Ruby estava tentando não rir. — Mills está bem? — Emma suspirou e olhou para a amiga que tinha o rosto coberto pelo travesseiro.
– Estaria, se você estivesse longe daqui. — Esbravejou.
– Desculpa, mas o filme já acabou, então estão todas voltando a seus postos. — Dessa vez se desculpou de verdade.
– Eu odeio esse lugar. — Praguejou ao deixar o corpo cair ao lado de Regina. Sua mão foi até o braço da morena, mas Regina logo tratou de afasta-la.
– Não toque em mim. — Pediu. — Por favor, não toque. — Porque se ela tocasse, Regina esqueceria de Ruby e quem mais aparecesse por ali, e continuaria de onde tinham parado.
– Você está bem? — Emma arriscou murmurar. A morena tirou o travesseiro da frente do rosto e encarou a amiga. Seus olhos ainda brilhavam de excitação. Emma teve vontade de voltar a beija-la, e na verdade beijaria, mas a morena foi mais rápida e sentou-se rapidamente. Jogou as pernas para fora da cama e calçou os sapatos, logo em seguida se pôs de pé.
– Eu preciso de ar. Ar frio. Congelante de preferência. — Avisou a Emma, antes de lhe dar as costas.
– Se você for para rua sem jaqueta, vai congelar. — Ruby a alertou.
– Ótimo! É o que eu preciso. — Falou por cima dos ombros, antes de ir.
Emma suspirou ao vê-la indo, então fuzilou a ruiva com o olhar.
– Não me olhe assim. Vocês estavam quebrando o maior pau quando eu saí. Como eu ia adivinhar? — Se defendeu.
– Você tem noção de como eu estou nesse exato momento? — A ruiva riu, sim, ela imaginava.
– Amiga, aproveita que você já está no embalo, usa sua mãozinha e se alivia. — Deu a solução mais pratica.
– É o que me resta. — Deu as costas para a desmancha-prazeres, cobriu-se até a cabeça e resolveu seguir o conselho de Ruby ao pé da letra.
– Ok, eu vou... escovar os dentes. — A ruiva murmurou meio seu jeito, ao ouvir o primeiro gemido da loira.
(...) Quando Regina voltou para sua cela, todas as suas colegas já estavam deitadas em seus devidos lugares. Ruby e French tagarelavam sobre alguma coisa. Emma aparentemente estava alheia aquilo, estava com os fones de ouvido e olhos fechados. Suas mãos batucavam contra as grades do beliche de cima. E um sorriso bobo ocupava boa parte do seu rosto. Regina acabou sorrindo ao vê-la daquele jeito e resolveu não atrapalha-la.
Tirou seus sapatos, suas meias e subiu para sua cama. Como não estava com paciência para ouvir nenhum tipo de gracinha das outras detentas, tirou seu livro de debaixo do travesseiro e resolveu fazer de conta que estava lendo. Até pensou em realmente ler, mas não, ler o outro livro de cinquenta tons de cinza não a ajudaria em nada naquele momento. A volta na rua a fez bem, o frio que fazia lá, a ajudou a recuperar a temperatura normal do corpo, o único problema é que não podia pensar no que tinha acontecido, se não seu corpo começava a se empolgar de novo.
– Essa porcaria está de cabeça para baixo. — Emma avisou ao tirar os livros das mãos dela, fecha-lo e joga-lo para longe dali. Antes que a morena pudesse abrir a boca para falar alguma coisa, ela já estava lá, deitada ao seu lado. Seus olhos acabaram se encontrando e conversaram silenciosamente.
– O que está fazendo aqui? — A morena sussurrou a pergunta.
– Já que você não passou lá para me desejar boa noite, me senti na obrigação de subir. — Também sussurrou.
– Você parecia concentrada na música, resolvi não atrapalhar. — Explicou-se.
– Eu estava pensando em você. — Contou, arrancando um sorriso da morena.
– Estava? — Emma afirmou com a cabeça.
– Estava e estava louca para ir atrás de você lá fora. — Regina riu. — O ar frio ajudou?
– Consideravelmente. — Contou.
– Você está colocando aquela aula que eu dei em pratica? — A conversa delas continua sendo sussurrada, o que estava matando as outras duas detentas de curiosidade.
– Não. — A morena respondeu um pouco envergonhada.
– Ah, Regina! — Exclamou em tom de voz normal. — Por que não? — Quis saber.
– Como você pode perceber, eu não estou sozinha nesse lugar. — Murmurou.
– E daí? É só você virar para a parede, se cobrir e fazer. — Incentivou. — Ou você acha que elas não fazem isso? — A morena sorriu sem humor e levou as mãos ao rosto.
– Eu não acredito que estamos falando sobre isso.
– O que tem de errado? Fiz isso ainda a pouco, quando você saiu para a rua e me deixou aqui pegando fogo. — Contou. Regina tirou as mãos do rosto e a encarou.
– Eu precisava mesmo saber disso? — Indagou, fazendo a loira sorrir.
– Precisava. Porque eu fiz pensando em você. — Ouvir tal coisa fez Regina sentir seu rosto queimar.
– Ok... — Não sabia exatamente o que dizer, o que fez Emma rir. — Devo agradecer ou algo assim? — A loira deu uma sonora gargalhada.
– Não, você não deve. Eu é quem devo agradecer por você ser assim tão linda e gostosa. — Se expressou em voz alta, fazendo as outras começarem com piadinhas, deixando a morena ainda mais constrangida.
– Acho que devemos guardar os agradecimentos e mudar de assunto. — Pediu. Emma sorriu e concordou.
– Sabe o que eu acho que deveríamos fazer? — Indagou ao puxar a amiga pela cintura, a fazendo ficar de frente para si.
– O quê?
– Namorar um pouquinho. — Juntou os lábios aos de Regina para um selinho.
– Você acha? — Ronronou fazendo charme, enquanto sua mão tirava alguns fios loiros do rosto da amiga.
– Acho. — Voltou a juntar os lábios aos da morena, dando um outro selinho. — Na verdade. — Fez uma pausa para mais um beijo. — Tenho certeza. — A morena suspirou.
– Você quer é que eu entre em ebulição, só pode. — Ronronou, arrancando uma risada da loira.
– Vem aqui, vem. Prometo me comportar. — Parou com os beijinhos, levou a mão até o rosto da morena e o puxou para um beijo demorado, que com certeza levaria Regina a loucura outra vez e a faria com certeza absoluta, finalmente colocar a tal aula em prática.
Fale com o autor