Escape

21 Morreremos então


Notas iniciais
Boa noite, txurma! Tudo bem com vocês? Gente, o último capitulo me causou sérias ameaças de morte. Hahahaha Ainda bem que eu não moro, eu me escondo. De qualquer forma, eu não tenho nada a ver com isso, quem atrapalhou tudo foi a Ruby. Agora sério, meninas, muitíssimo obrigada pelas reviews de vocês, amei, me diverti e ri muito com elas. Sei que já disse isso, mas, vocês são umas fofas! Muito obrigada mesmo. A exemplo do último capitulo, esse também ficou grande. Me perdoem, mas não achei legal corta-lo. Então é isso, aproveitem e até lá embaixo!

O olhar irritado de Regina estava fixo no relógio pendurado na parede descascada da lavanderia que ela já chama de sua. Viu perfeitamente os ponteiros chegarem as 3:00 horas. Irritada, bufou, cruzou os braços e começou a bater impacientemente o pé, contra o chão.

Uma hora, Emma estava atrasada há exatamente uma hora. Mentalmente se perguntava em que diabos de lugar, aquela loira perigosa estaria metida. Imaginar que talvez ela pudesse estar em um canto qualquer, se divertindo com alguma detenta, deixava a morena ainda mais possessa. Se descobrisse que Emma, ao invés de trabalhar, andava por aí de gracinha com outras, a morena faria um escândalo, ah, com certeza faria.

– Toc, toc! — Foi tirada dos seus pensamentos pela voz da loira. — É aqui que tem uma maquina pegando fogo? — Sorriu ao parar ao lado da morena, que tinha a cara fechada, os braços cruzados e um olhar irritado.

– Até que enfim! — Esbravejou. Odiava, odiava esperar, quando o assunto era trabalho. E tudo piorava quando envolvia uma Emma desaparecida nesse trabalho. A loira sorriu ao ver o quanto a amiga estava irritada. Adorava a cara de irritada de Regina, tinha vontade de aperta-la, abraça-la e beija-la. — Vai ficar aí parada me olhando, ou vai arrumar? — Pelo canto dos olhos percebeu Emma lá, parada, lhe olhando e sorrindo sabia-se Deus do quê.

– Estamos estressadas hoje? — Puxou a morena pela cintura, a tirando da frente da maquina, lhe beijou a bochecha e parou em frente a encrenca, também chamada de maquina. — Qual o problema dela? — Indagou ao pegar sua chave de fenda e começar a desparafusar.

– Não sei, não sou eu quem entende de conserto de maquinas. — Bufou e socou a outra maquina ao seu lado. Emma tirou atenção do que fazia e encarou a morena. Desistiu da máquina, encostou-se na mesma e cruzou os braços.

– Então me fale de um problema que você entende, o seu. — Pediu.

– Aonde você estava? — Foi direto ao ponto.

– Trabalhando? — Arqueou a sobrancelha, como se fosse óbvio.

– Trabalhando, ou de brincadeirinha com as detentas por aí? Porque faz uma hora que eu fui lá atrás de você e você não estava. Pelo que eu saiba, não existem muitas maquinas por aqui além das minhas. — Reclamou e Emma achou graça daquilo.

– Ah é, estava me divertindo com elas lá fora. Estávamos jogando baseball quando vieram me falar da sua máquina, avisei que só viria quando terminasse o jogo. — Aquela resposta debochada deixou Regina ainda mais irritada.

– Idiota! — Tentou passar pela loira para sair dali, mas ela não deixou. Puxou Regina pelo braço e a empurrou contra a maquina. Apoiou as mãos na maquina, uma de cada lado do pescoço da morena.

– Acontece que o meu serviço não se limita ao conserto de maquinas, Regina Mills. Eu conserto interruptores, troco lâmpadas, tomadas, desmancho coisas para roubar peças e pôr em outras coisas e por aí vai. Estava tentando dar um jeito na carroça que o conselheiro chama de computador. — Explicou. — Você me insulta com essa sua desconfiança infundada, sabia? — Prendeu os olhos na boca da morena.

– Ótimo! Agora que você consertou a carroça do senhor conselheiro, pode enfim dar jeito na minha maquina. — Tentou sair dali, mas Emma continuou exatamente no mesmo lugar, a impossibilitando de sair. — Anda logo, Emma! Não tenho o di... — Não conseguiu acabar a frase, Emma calou a boca da morena com a sua. — Emma... — Tentou pôr um fim àquilo, mas a loira continuava irredutível. — Agora não. — Pediu e ao perceber que a loira não a obedeceria, Regina simplesmente parou de beija-la. Ficou lá, inerte, esperando que Emma percebesse que não estava sendo correspondia, ao perceber tal coisa a loira abriu um olho para checar o que estava acontecendo, e aquilo acabou fazendo Regina rir. — Acabou? — Indagou ao levar a mão até o rosto da amiga e afasta-lo do seu.

– Primeiro desconfia do meu trabalho, depois me dispensa, é isso mesmo? — Se fez de indignada.

– Eu preciso da maquina funcionando e se eu não dispensar você, isso com certeza não vai acontecer. — Explicou.

– Então é assim? Você me quer apenas para arrumar suas maquinas? — Se fez de vítima, arrancando um sorriso da morena.

– No momento. — Suas mãos grudaram nos pulsos da amiga. — Arruma, vai. — Juntou os lábios aos dela lhe roubando alguns beijinhos e então, sem que Emma esperasse, deu jeito de escapulir dali.

– Você fica me acusando de não trabalhar, mas o único momento em que não faço isso de verdade, é quando venho aqui. — Contou. — Como eu posso me concentrar com você aqui, mulher? — Voltou-se para Regina que sorriu, cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha.

– Prefere que eu saia? — Provocou.

– Você é tão profissional, Regina Mills. — Suspirou e voltou a atenção para maquina novamente. — Imagina a dureza que você deve ser no seu trabalho de verdade. — Resmungou. — Tenho pena dos seus funcionário.

– Não tenha! Meus funcionários são pagos para trabalhar, e é apenas isso que exijo deles. — A loira sorriu, puxou a peça que tinha desparafusado e olhou em direção a amiga.

– Eles têm medo de você, não têm? — Regina sorriu sem humor.

– Muito. — Admitiu.

– Se eu não conhecesse você, com certeza também teria. Essa sua cara de Regina Má, deve amedrontar muitas pessoas. — Sorriu e voltou a prestar atenção na maquina. — Quem sabe um dia eu não apareça por lá, para mostrar para eles que você não é tão má, quanto tenta parecer. — Brincou.

– Você é quem pensa. — Respondeu em tom desafiador e então ficaram em silêncio por um tempo. Enquanto Emma queimava os neurônios tentando achar o problema daquela coisa, Regina imaginava a amiga aparecendo no seu trabalho. Por algum motivo, seu coração batia forte só de imaginar aquilo. Quer dizer, imaginar encontrar com Emma lá fora, era diferente. Se perguntou se Emma, seria a mesma Emma que era na prisão, caso se encontrassem lá fora.

– De quanto tempo é a sua pena? — Indagou.

– Bom, levando em conta que já estou aqui há cinco meses, me restam três anos e dois meses. — Regina arqueou as sobrancelhas ao ouvir aquilo, não imaginou que a loira teria que ficar ali por tanto tempo. — Por quê? Você vai vir me visitar, ou está planejando uma festa para quando eu sair? — Tentou fazer piada, mas a verdade era que estava ansiosa pela resposta.

– Só curiosidade. — Respondeu. Como a loira tinha prometido que o que teriam não ultrapassaria os portões daquele lugar, resolveu não dizer nada e dar o assunto por encerrado.

– Pega a chave menor para mim? — Pediu antes de se enfiar dentro da maquina. Regina pegou todo o kit da amiga, sentou-se no chão para que pudesse continuar vendo Emma e lhe passou a chave. — Obrigada! — Sorriu.

– Talvez você possa realmente aparecer lá no café quando sair daqui. — A morena retomou o assunto. Emma teve vontade de sorrir ao ouvir aquilo, teve também vontade de chorar, porque sabia que para conseguir cumprir o que elas tinham combinado, não poderia se aproximar da amiga quando saísse dali.

– Talvez. — Foi tudo que pôde dizer. — Aí está você! — Falou com a máquina, ao achar o provável problema. — Mais um fusível. — Explicou a mãe da maquina, que também atendia pelo nome de Regina. — Me da esse kit, quero ver se tem um desses aí dentro. — Regina não disse nada, estava pensando sobre a resposta de Emma. Tinha frustração, ou tristeza naquele "talvez", a morena só não entendia o motivo daquilo. Suspirou e entregou o que lhe foi pedido. — Henry está muito empolgado com a viagem? — Indagou enquanto procurava a peça.

– Empolgadíssimo. Provavelmente já estão voando para lá. Vou mesmo ser trocada por um jogo de futebol. — Lamentou-se, fazendo Emma rir.

– Não é qualquer jogo, é a final do Super Bowl. — Se pudesse, Emma com certeza também iria.

– Nossa, vai mudar a minha vida! — Debochou. — E eu não sou qualquer pessoa, sou a mãe dele. — Se fez de ofendida.

– Ciumenta! — Pegou no pé da amiga. — Além do jogo, ele vai ver a gostosa da Katy Perry, ao vivo e a cores. — Regina fechou a cara ao ouvir aquilo.

– Poupe-me, Emma. — Pediu, fazendo a loira sorrir.

– Não gosta dela? — A morena lhe lançou um olhar nada amigável, fazendo o assunto Katy Perry, chegar ao fim. — E o Robin? — Indagou ao analisar uma peça atentamente.

– O que tem ele?

– Também gosta da Katy Perry? — Provocou.

– Vá pro inferno você e a Katy Perry! — Esbravejou.

– Não, embora Katy Perry faça bem para os meus olhos, eu prefiro ficar na prisão com você. — Mandou um beijo para amiga, que tentou não sorrir com o que tinha ouvido. — Como estão as coisas com ele? — Voltou a falar sobre Robin.

– Bem, na medida do possível. — Suspirou pensando no marido, quando parava para pensar nele, se sentia muito culpada pelo que estava fazendo.

– E o que foi esse suspiro aí? — Emma indagou.

– Que suspiro? — Se fez de desentendida.

– Esse que você soltou ao falar do maridão. — A morena balançou a cabeça em sinal de negativo.

– Não teve suspiro nenhum. — Foi tudo que respondeu. Não queria dividir a sua culpa com Emma, até porque, a culpa não era de Emma. Estava fazendo aquilo, única e exclusivamente porque queria fazer. — Consertou? — Mudou nitidamente de assunto, fazendo Emma desistir da conversa e se concentrar no que estava fazendo. O problema era que não conseguia parar de pensar no motivo do suspiro da morena, que com certeza era o tal Robin, se perguntou se era um suspiro de saudade ou coisa assim. Sentiu tanta raiva dele ao pensar naquilo que acabou tentando descontar na peça estragada que tentava soltar da placa, ato que acabou cortando seu dedo.

– Mas que merda! — Praguejou. Fechou a mão em punho e socou a maquina três ou cinco vezes, tentando extravasar sua raiva.

– Deixa eu ver. — Regina pediu ao se aproximar. Como Emma não lhe mostrou, ela puxou se braço e pegou sua mão. Analisou atentamente o indicador que estava sangrando, levantou-se, foi até o tanque onde molhou um pedaço de pano. Voltou e pegou de novo a mão da amiga. — Foi só superficial. — Avisou enquanto passava o pano por ali. — Quando casar passa. — Falou o que sua avó sempre lhe falava.

– Cuidado, posso pedir você em casamento. — A loira resmungou.

– Já sou casada, então não dá. — Disse o óbvio, mas aquele óbvio de novo irritou a loira.

– Deixa eu refazer a frase, cuidado, posso chamar você para morar comigo. Isso pra mim é casamento. — Seus olhos se mediram por alguns segundos.

– Então você já foi casada. — Regina concluiu. Emma puxou sua mão e voltou para maquina.

– Pois é, eu já fui. — Soltou com o ar. — Já tive a porra de uma família feliz. — Debochou, fazendo Regina lhe lançar um olhar de quem não estava entendendo.

– Por que você está assim? — A morena indagou.

– Assim como?

– Parecendo irritada. — Não parecia irritada, estava irritada. Irritada com o mundo, irritada por as coisas não serem como ela queria que fossem.

– Só estou arrumando sua maquina, não era isso que você queria? — Regina bufou e desistiu do diálogo. Para não brigarem, resolveu sair dali.

– Okay. — Murmurou ao levantar-se. — Vou parar de distraí-la então. — Avisou antes de sair dali.

Irritada, a morena foi em direção ao pátio. Qual era o problema de Emma a final? Seria a loira bipolar? Em um minuto estava tudo bem, de repente deixou de estar. Reprisou a cena várias vezes em sua mente, tentando achar o motivo que deixou a loira irritada, mas não achou nenhum. Bufou frustrada e encostou as costas no paredão que as separava do mundo lá fora. Jogou as mãos para dentro dos bolsos e fechou os olhos, sentindo os raios de sol em seu rosto. Cigarros, em momentos como aquele, ela sentia uma imensa falta dos seus malditos cigarros. Fumar era uma terapia para morena quando ela se sentia daquele jeito, mas já tinha abandonado aquele vício fazia muito tempo e mesmo que não tivesse, não encontraria cigarros na prisão.

– Matando serviço? Isso é feio até para a Realeza. — Ao abrir os olhos deparou-se com French.

– Emma está lá consertando minha máquina. — Explicou.

– Swan está lá, e você aqui fora? — Balançou a cabeça em sinal de negativo. — Problemas no paraíso? — A morena sorriu sem humor.

– Algo assim. — Limitou-se a responder.

– Aposto que logo, logo, vocês fazem as pazes. E pior, vão fazer isso na nossa cela, ou seja, vai sobrar para os meus ouvidos. — Ao ouvir aquilo, a morena acabou sorrindo. — Sério, as vezes eu ouço cada coisa, que eu sinto vontade de vomitar. Jamais pensei que por trás daquele coração de pedras loiro, pudesse existir tanto açúcar. — Fez cara de nojo, de novo fazendo Regina rir.

–Ela não era assim com a sua irmã? — Arriscou perguntar, arrancando um olhar incrédulo da detenta.

– Você está me zoando? Com a minha irmã foi tipo, "oi", "oi", "vamos parar de papo e vamos direto ao que interessa". — A morena arqueou as sobrancelhas ao imaginar aquilo. — Swan é uma cafajeste de mão cheia, mas preciso admitir, ela é completamente diferente com você. Quando você está por perto, ela simplesmente não consegue tirar os olhos de você, sei lá, parece magnetismo ou coisa assim. Nunca vi nada igual. — Regina não conseguiu conter o sorriso ao ouvir aquilo. — Se você não fosse casada, diria para casar-se com ela, mas enfim, divirtam-se enquanto você pode. — A morena balançou a cabeça concordando e como não tinha muito o que dizer sobre aquilo, ficou quieta. — Está sabendo da última? — French resolveu mudar de assunto.

– Da última?

– É. O diretor liberou. — Regina juntou as sobrancelhas, em sinal de desentendimento.

– Liberou o que, exatamente? — Indagou desconfiada, fazendo French rir.

– A nossa festa. — A morena continuava sem entender. — Está vendo? Quando você e a Swan estão juntas, ignoram tudo que acontece em volta de vocês. Ruby e eu estávamos falando sobre isso ontem antes de dormir, mas vocês estavam muito ocupadas cochichando e trocando saliva, claro. — Ao ouvir tal coisa a morena sentiu-se desconfortável o que deu um tom vermelho às suas bochechas. — Resumindo para você, ele liberou uma espécie de baile para o dia dos namorados. Isso não é o máximo? — A morena tentou sorrir.

– Claro. — Sua resposta não foi nada convincente.

– Que cara é essa aí? Não gostou da novidade? — Qualquer tipo de comemoração que acontecia ali dentro, era motivo de comemoração para as detentas, mas aquilo não parecia se aplicar a Regina.

– Eu só tenho problema com essa data. — Explicou. — Mas fico feliz por vocês. — Antes que French pudesse perguntar pelo problema, Emma apareceu por ali. A loira que já estava com um humor péssimo, ficou ainda pior quando saiu em busca de Regina para lhe avisar sobre sua máquina e a viu de papo e sorrisinhos com French. Ficou um tempo só assistindo aquilo, e quando viu que o papo não parecia perto do fim, resolveu ir até as duas e acabar com aquilo.

– Sua maquina está pronta. — Avisou assim que as alcançou. — Já pode voltar ao trabalho agora, a não ser que queira participar do meu time de baseball. — Regina abriu a boca para dar uma resposta nada educada àquela loira petulante, mas acabou desistindo no último momento e resolveu ignora-la.

– Até mais, French! — Despediu-se única e exclusivamente da detenta descabelada, e sem direcionar a palavra ou os olhos a loira, saiu dali.

(...) Regina passou o resto da tarde lavando roupas e pensando em Emma, mais precisamente, no problema daquela bipolar. Aparentemente ela estava brava, Regina só não sabia o motivo repentino daquilo. Pensou seriamente em ignorar, e esperar a loira procura-la, já que ela tinha certeza que não fez absolutamente nada, para deixar Emma daquele jeito. Mas aí lembrou a si que não era mais criança, e que ficar de birra não resolveria nada, muito pelo contrario, só pioraria mais as coisas, então resolveu que procuraria a loira e conversaria com ela sobre aquilo.

Assim que sua hora no trabalho escravo terminou, foi direto para sua cela, suspirou ao encontrar Emma lá, deitada em sua cama, com os olhos nas grades do beliche de cima, os fones no ouvido e a cara amarrada. Suspirou e foi até lá, puxou os fones da amiga, a fazendo lhe lançar um olhar nada amigável.

– Qual o seu problema, hein? — Questionou ao jogar-se na cama ao lado de Emma.

– Nenhum que velha a pena. — Soltou com o ar.

– Por que você não me conta e eu decido se vale ou não a pena? — Pediu.

– Deixa para lá! Não é nada demais mesmo. Deve ser a maldita TPM. — A morena sorriu.

– Me lembro de uma certa pessoa se gabando por não ter TPM. — Implicou.

– Pois é, fomos apresentadas. E eu me odeio quando estou nesses dias. Eu me torno a pessoa mais chata do mundo, ou coisa assim. — Regina sorriu e levou a mão até os cabelos da loira, os afagando.

– Não, você não fica a pessoa mais chata do mundo, e mesmo que fique, gosto de você mesmo assim. — Beijou o rosto da amiga, a arrancando um sorriso.

– Eu adoro isso, sabia? — Murmurou ao deitar a cabeça sobre o peito da amiga. Fechou os olhos ouvindo o bater do seu coração.

– Isso? — Também murmurou enquanto afagava os cabelos loiros.

– É. Isso. Você, eu, essa cama minúscula que estamos dividindo, o jeito que estamos deitadas, o seu cafuné, o seu coração batendo. — Suspirou. — Não é preciso de muito para ser feliz. — A morena sorriu.

– Não, não é preciso. — Concordou.

– Seu cafuné e o bater do seu coração continuam sendo duas das três melhores coisas do mundo. — Regina arqueou uma sobrancelha, aparentemente algo ou alguém tinha entrado para aquela lista.

– E qual seria a outra melhor coisa? — Indagou com curiosidade.

– A outra melhor coisa está em primeiro lugar da minha lista. Seus beijos. — A voz preguiçosa e arrastada de Emma, junto com o que ela tinha acabado de dizer, fez as borboletas do estômago de Regina acordarem.

– Emma? — Chamou, fazendo a amiga levantar a cabeça para encara-la. — Meu estômago sente borboletas por você. — Ao ouvir aquilo a loira riu.

– Que jeito peculiar de dizer que me ama, Regina Mills. — Deitou a cabeça no travesseiro e trouxe Regina para perto.

– Meu estômago também sente borboletas por você. Muitas, muitas borboletas. Tem uma criação delas lá dentro. Todas ensandecidas por Regina Mills. — A morena sorriu e beijou os lábios da amiga. Resolveram deixar a conversa de lado e dedicaram-se a troca de beijos. Começou como sempre começava, lento, preguiçoso, terno, e aconteceu o que sempre acontecia, foi se tornando urgente, deixou as respirações ofegantes e deu inicio a uma troca de caricias. Quando Emma percebeu aonde chegariam se continuassem, ela fez o que estava fazendo há um tempo e irritando Regina, resolveu por fim aquilo.

– Meu estômago te ama! — Sussurrou com a voz ofegante e beijou a testa da morena. Seus olhos estavam fechados enquanto ela tentava controlar sua respiração e seu corpo.

Regina se frustrou ao ver que a loira de novo, não levaria aquilo a diante. Não sabia qual era o problema, mas com certeza tinha um. Por que Emma sempre fazia aquilo? Desde a noite em que Ruby chegou e atrapalhou o lance delas, Emma nunca mais tentou nada e aquilo estava deixando a morena intrigada e frustrada. Tinha resolvido seguir o conselho da loira, então toda a santa noite, depois de trocar beijos quentes com Emma, esperava as luzes se apagarem se cobria e se tocava. Okay, aquilo era bom, ótimo, libertador, mas poxa vida! Se estava no inferno, queria um abraço do capeta e naquele caso, Emma era o tal capeta.

– Qual o problema? — Não conseguia mais fazer de conta que estava tudo bem, então resolveu questionar.

– Que problema? — Soltou com o ar.

– Você sabe que problema. — Sim, ela sabia, mas queria ouvir Regina falar, assim tinha mais tempo para pensar em uma explicação. — Nós começamos a nos beijar, as coisas começam a ficar quentes e você desiste. Estou fazendo algo de errado, ou é só assim que mulheres namoram? — Emma riu com a pergunta.

– Não para as duas alternativas. Não está fazendo nada errado. E não é só assim que mulheres namoram. Está pedindo por sexo, Regina Mills? — Pegou no pé da amiga.

– Estou só querendo entender o problema. Sei lá! Talvez eu esteja fazendo algo de errado. — A loira sorriu ao perceber que tinha preocupação instalada ali.

– Você não fez absolutamente nada de errado. — Soltou com o ar e resolveu falar de uma vez. — Ah Regina! Eu gosto muito de você pra gente fazer isso de qualquer jeito. — Regina levantou os olhos para encara-la. — Ainda bem que aquele dia não rolou, se não eu acabaria me sentindo muito culpada.

– Oi? — A cara de "o que você está dizendo, sua louca?" que Regina fez, arrancou uma gargalhada da loira.

– O que eu quero com você não é sexo casual. Você não é qualquer uma para eu jogar em qualquer canto e pronto. — Explicou. — Você é especial demais para isso. — A morena ainda parecia incrédula com o que tinha acabado de ouvir.

– Bom, fico lisonjeada com suas intenções de boa moça, mas eu não sei se você percebeu, estamos em uma prisão. — Debochou.

– Ah é, acho que percebi sim. Quer dizer, os muros altos, os fios de alta tensão, as celas, isso tudo me lembra uma prisão. — Regina não achou a piada nem um pouco engraçada.

– Então o que pretende fazer? Vai me chamar para sair, e quando for me deixar em casa, eu convido você para entrar, vamos para sala, você acende a lareira, eu busco o vinho e terminamos a noite no tapete da minha sala, é isso? — Usou seu tom mais sarcástico. Emma sorriu imaginando aquilo.

– Seria perfeito, muito perfeito. — Soltou com o ar.

– Perfeitamente impossível. — A morena resmungou, arrancando um suspiro frustrado da amiga.

– Nós vamos dar um jeito nisso, Regina, mas não agora. Sério, eu não quero que seja assim. — Regina bufou.

– Ok, Madre Tereza, se é o que você quer. — A morena tentou sair dali, mas Emma a segurou pelo braço e a envolveu em um abraço esmagador.

– O que aconteceu com seu romantismo, Regina Mills? É o que você realmente quer? Fazer como as outras? Se é o que quer, então podemos começar a tirar as roupas agora. Se você não se importa com as pessoas passando pelo corredor. Nem com o que Ruby e French vão ver assim que chegarem aqui. Nem com os guardas idiotas que ficam procurando esse tipo de coisa para assistir. Okay, então vamos lá. Ou se você quiser, pode só baixar a calça, deixa que eu faço o resto. — A morena não gostou de nenhuma daquelas alternativas.

– Por Deus, Emma! Cala a sua boca! — Ficou enojada ouvindo aquilo tudo.

– Você não merece nada menos do que a sua sala, seu vinho, a lareira e o tapete, só que infelizmente não tem como. Mas me deixa pensar em alguma coisa um pouco melhor que essa cela. Você é muito importante, e eu sonhei com isso por muito tempo, para acontecer de qualquer jeito. — A morena suspirou e acabou sorrindo ao ouvir aquelas coisas. — Eu já fiz muito sexo na minha vida, mas amor, amor eu nunca fiz. — Sentiu as bochechas arderem ao admitir aquilo. — Então não pode ser de qualquer jeito.

– Quem te viu, quem te vê, hein? Se duvidar anda até chorando com filmes de mulherzinha. — Implicou, para tentar não mostrar o quanto as palavras da amiga a deixaram boba.

– Sabe o que eu aprendi com filmes de mulherzinha? Que quando você ama alguém, você faz de tudo por esse alguém. E você Regina Mills, você é o amor da minha vida. Então vamos nos respeitar, por favor. Eu sei que sou linda, gostosa, um pedaço de mau caminho, mas espera mais um pouquinho. — A morena teve que rir ao ouvir aquilo. Se perguntou como ela conseguia se envolver cada dia mais? Como era possível gostar de alguém cada dia mais?

– Okay, você me convenceu, senhora convencida. Vamos só nos dar as mãos e as vezes podemos trocar uns beijinhos, mas sem língua. Não pode passar disso, pelo menos até você pedir a minha mão para o meu pai. — Emma gargalhou ouvindo o deboche da amiga.

– Você acha que o tio Mills daria a sua mão para mim? — Regina sorriu.

– Bom, provavelmente ele daria o corpo inteiro, não só a mão. Quer dizer, o que você faria só com a mão? — De novo Emma voltou a gargalhar.

– Seu pai me mataria. — Murmurou ao pensar realmente sobre aquilo.

– Não, meu pai não, mas os seus pais, matariam nós duas. — A loira negou.

– Que matariam o quê? Nós somos adultas, vacinadas, e das nossas vidas sabemos nós. De qualquer jeito, com meu pai ia ser bem tranquilo, primeiro porque ele é muito puxa saco seu, depois ele nunca implicou com a Jennifer. — Regina rolou os olhos ao ouvir aquele nome.

– Mimimi a Jennifer. — Imitou a voz da amiga.

– Ciúmes? — Beijou a testa da morena.

– Eu não gosto dessa tal Jennifer, e que história é essa de fisicamente ela se parecer comigo? — A loira riu.

– Regina, a primeira regra para ficar comigo é, ter que no mínimo lembrar Regina Mills.

– Que pouco criativa você é. — Regina implicou ao beijar o rosto da amiga.

– Não tenho culpa se você faz parte dos meus sonhos sujos desde os meus 19 anos. — A morena riu ao ouvir aquilo.

– Faço é? — Rolou para cima de Emma, e levantou a cabeça para encara-la. — E me diz, o que a gente faz nesses seus sonhos sujos? — Pediu com uma voz baixa e sensual, fazendo a loira suspirar.

– Várias coisas. — Respondeu olhando nos olhos da morena. — Que eu pretendo mostrar em breve. — Levou a mão até a nuca da amiga e a puxou para um beijo. — Eu tenho um convite para você. — Ronronou sem parar de beija-la. Precisaria usar seus beijos mais persuasivos para convencer a morena a aceitar tal convite. Ao ouvir tal coisa a curiosidade de Regina pôs fim aquele beijo, ela saiu de cima da amiga e a encarou.

– Convite? — A loira sorriu e balançou a cabeça afirmando. — Que tipo de convite? Vamos a ópera? — Emma rolou os olhos e rolou também para cima da morena.

– Não, sem ópera. Por Deus! Isso me faria dormir, e não é muito elegante dormir no primeiro encontro. — Regina riu, enquanto suas mãos tentavam tirar os fios loiros do rosto da amiga.

– Primeiro encontro? Primeiro encontro na prisão você quer dizer, né? Porque fora dela nós tivemos incontáveis. — Emma lhe mostrou a língua.

– Primeiro encontro como namoradas. — A morena arqueou uma sobrancelha, então sorriu.

– Nossa! Você está cheia das novidades. Não estou atualizada sobre essa história de... namoradas? — Juntou as sobrancelhas em sinal de dúvida. — Não estou conseguindo me lembrar de nenhum tipo de pedido ou algo assim. — Emma sorriu, pegou as mãos da morena e as prendeu acima de sua cabeça.

– Regina Mills, Você quer ser minha namorada de prisão? — Foi direto ao ponto e arrancou uma alta gargalhada da morena pelo termo "namorada de prisão".

– Você trouxe flores, chocolates ou coisas assim? — Ela negou.

– Não. Mas eu trouxe meu coração. — Um sorriso bobo nasceu nos lábios da morena ao ouvir aquilo, e ela soltou um suspiro apaixonado. — Serve? — Elas trocaram um longo olhar, e Regina torceu para que seus olhos mostrassem a amiga o quanto servia.

– Você não tem noção do quanto. — Respondeu sorrindo.

– Então você aceita? — A morena fez pensar.

– Hummm... Aceito! Aceito ser sua namorada de prisão. — Emma abriu um sorriso orgulhoso e juntou seus lábios aos da amiga para selarem o início do namoro.

– Agora já podemos falar sobre o nosso primeiro encontro. — Avisou.

– Na verdade acho que primeiro deveria vir o primeiro encontro e depois o pedido de namoro, mas talvez as regras sejam diferentes para namoradas de prisão. — Emma riu.

– Cala a boca, Regina! Eu sou a dona das piadas nessa nossa relação. — Avisou.

– Okay, me desculpe! Vamos falar então sobre esse encontro misterioso. — Emma assentiu, suspirou e encarou a namorada.

– Eu quero que você venha comigo nesse tal baile de dia dos namorados. — O sorriso que Regina tinha rosto aos poucos se desfez, ela tirou os olhos dos de Emma e balançou a cabeça negando.

– Me desculpe, mas eu vou faltar ao nosso primeiro encontro. Espero que você entenda. — Regina simplesmente odiava o dia 14 de fevereiro, tinha pavor, trauma dele. Se estivesse em casa, ela com certeza passaria esse dia trancada no quarto, debaixo das cobertas, dormindo ou tentando dormir, e só sairia de lá no outro dia, como fazia todos os anos.

– Por favor, Regina! — A morena balançou a cabeça negando. — Já faz tanto tempo, você precisa esquecer. — De novo ela negou.

– Não importa quanto tempo faça, eu nunca vou esquecer. Não existe nada que eu odeie mais do que esse dia, Emma, nada. — Fixou os olhos em um ponto qualquer.

– E o que você pretende fazer então? Passar o dia remoendo essa história? Isso faz mal para você, Regina. — Soltou as mãos da morena, sentou-se sobre ela e levou a mão até seu queixo, a fazendo a encarar. — Por favor? — Implorou.

– Me peça qualquer coisa, só não me faça ir para uma festa ou qualquer coisa do gênero. Não é um dia de comemorações para mim. — Também implorou.

– Então converse comigo sobre isso. Divida a sua dor comigo. Não guarde tudo só para você. — Regina suspirou e voltou a desviar os olhos dos de Emma.

–Eu não tenho nada para conversar a respeito. — Murmurou.

– Foi você quem achou ela, então sim, você tem coisas para falar a respeito, coisas que machucam e que você nunca dividiu com alguém.

– Eu só... — Lágrimas vieram aos olhos da morena ao lembrar do que aconteceu. — Okay, eu converso com você sobre isso, mas não hoje. — Seus olhos suplicaram a Emma para que mudassem de assunto. — Por favor? — A loira suspirou, levou a mão até o rosto da namorada e secou a lágrima que Regina deixou escapar.

– Okay. — Soltou com o ar. — Mas nós vamos conversar sobre isso. — A morena concordou com a cabeça. — E eu vou pensar em alguma coisa para fazermos no dia dos namorados. Só nós duas. E não aceito não como resposta. — Avisou.

– Não vou ser uma boa companhia nesse dia. — A loira sorriu e tirou outra lágrima do rosto da morena.

– Você sempre é uma boa companhia, Regina Mills, sempre. — Declarou-se.

– Você não existe, sabia, namorada? — Enfatizou a palavra namorada, fazendo as borboletas do estômago da loira se agitarem.

– Do que você me chamou? — Questionou sorrindo.

– Namorada! — Respondeu também sorrindo.

– Chama de novo? — Pediu ao deixar o corpo cair em cima do da amiga.

– Namorada. — Repetiu sem tirar o sorriso do rosto. — Namorada. Namor... — Emma a roubou um beijo, a impedindo de continuar. A morena suspirou e levou as mãos até os cabelos da loira, as emaranhando lá. Emma a amava, amava. Já tinha dito aquilo algumas vezes, mas tinha medo de que suas palavras não conseguissem expressar o tamanho de tal sentimento, então tentava demonstrar aquilo de todas as maneiras possíveis. Regina mexia com ela como nenhuma outra pessoa jamais mexeu, a morena derrubava suas barreiras, e na maioria das vezes, a fazia se sentir como uma adolescente boba e apaixonada. Se sentia como se estivesse vivendo seu primeiro amor, e de uma certa forma, era aquilo que estava fazendo. Regina foi seu primeiro amor, e com toda certeza seria o único. Procurou por muitos anos alguém para amar, mas nunca conseguiu tal proeza. Mesmo ficando anos e mais anos, afastada da amiga, sempre se sentiu presa a ela. Se sentiu quebrada durante todos aqueles anos, seu corpo esteve bem, sua saúde esteve bem, mas sempre carregou consigo a sensação de que tinham lhe roubado uma parte vital. Quando bateu os olhos na morena naquela prisão, foi como se tivessem lhe devolvido a vida, lhe consertado, devolvido todas as suas peças. — Por que você está chorando? — Regina indagou ao cessar o beijo, quando as lágrimas da namorada molharam seu rosto. A loira sorriu, recostou a testa na de Regina e abriu os olhos, encontrando com os olhos negros, atentos e preocupados.

– Porque eu sou uma mulherzinha. — Respondeu com a voz embargada. — Ainda não consigo acreditar que isso que está acontecendo entre nós seja real, sabe? — A morena sorriu.

– Quer que eu belisque você? — Se ofereceu.

– Não. — Sorriu. — Não quero correr o risco de acordar. — Sussurrou.

– Sempre que você fala coisas fofas desse tipo, o meu estômago sente ainda mais borboletas por você. — Confidenciou, arrancando um sorriso largo da loira?

– Sente é? — Indagou ao lhe roubar alguns beijos. — Ai, Regina! Você vai me fazer morrer de amor. — Meio que reclamou, fazendo a morena rir.

– Morreremos então. — Soltou com o ar. Cada vez que pensava na montanha de sentimentos que tinha pela amiga, Regina tinha certeza que se daria muito mal no final daquilo tudo. Se perguntava como voltaria para sua vida, para o seu marido, seu casamento, como conseguiria fazer de conta que nada tinha acontecido? E o que faria com a saudade que com toda a certeza do mundo, sentiria da loira? Não gostava nem um pouco de pensar sobre aquilo, então sempre tratava de livrar-se logo daquele tipo de pensamento. Emma tentou retomar o beijo, mas Regina a impediu. Ao lembrar-se da sua vida fora dali, lembrou-se da viagem do filho. Precisava ligar para ele e saber se estava tudo bem. — Depois continuaremos morrendo, agora você precisa sair de cima de mim. Tenho que ligar para Henry, para saber se chegou bem. — Muito sem vontade a loira suspirou e resolveu colaborar, saindo de cima da amiga. Regina sorriu, lhe jogou um beijo e se pôs de pé.

– Manda um beijo para aquele lindo e diz para ele torcer muito e gritar por mim. — A morena riu.

– Você é desbocada igualzinha a ele, quando o assunto é jogos. Imaginar vocês dois assistindo a um jogo juntos me deixa ruim. — Emma riu.

– Falou a mulher que xinga as mães, irmãs e avós do time adversário quando o assunto é Yankees. — Regina lhe mostrou a língua.

– Quer vir comigo, falar com Henry? — Convidou, deixando a loira surpresa.

– Tudo bem por você? Não vai ter problema? — A morena deu de ombros.

– Que problema teria? — Emma sorriu empolgada e em um pulo se pôs de pé.

– Obrigada por me deixar falar com aquele lindo. — Passou o braço em volta dos ombros da morena e lhe beijou o rosto. Caminharam daquele jeito pelo corredor da prisão, arrancando olhares e cochichos.

– As pessoas estão olhando. — Regina resmungou, se sentindo pouco a vontade.

– E o que tem? — Emma indagou.

– Nesse momento me sinto como se estivesse cometendo um crime ou burlando alguma regra. — A loira riu.

– Elas não estão olhando para você, estão olhando para mim. — Beijou novamente o rosto da amiga. — Você tem noção da quantidade de mulheres que queria estar aqui no meu lugar? — Embora a pergunta tenha sido séria, a morena riu.

– Cala a sua boca! — Ao ouvir aquilo Emma se deu conta que a namorada não tinha a mínima noção do que causava em muitas mulheres daquela prisão.

– Regina, eu estou falando sério. Você habita a imaginação de onze em cada dez lésbicas dessa prisão. — A morena lançou um olhar assustado para a loira.

– Por quê? Eu tenho cara de quem gosta de mulher ou coisa assim? — Emma riu com a preocupação estampada naquela frase.

– Você é linda. Você é reservada. Tem um olhar misterioso. Um sorriso maravilhoso. Uma dicção perfeita. Uma postura impecável. E uma voz sexy. — Respondeu o óbvio, mas o óbvio deixou as bochechas da morena visivelmente vermelhas.

– Você é exagerada. — Resmungou.

–Sou nada. Você é que é muito modesta. E quanto a você ter cara de quem gosta de mulher... Eu sou uma mulher e você gosta de mim, certo? — A morena riu.

– Você tem alguma dúvida sobre isso? — Indagou. — Você sabe o que eu quis dizer. Você é a única mulher que eu gosto Emma, nunca me interessei por outra. — A loira sorriu ao ouvir aquilo. Pararam em frente ao telefone. Rapidamente a morena discou o número do filho.

– Vai ver você é Emmassexual, ou algo assim. — Ao ouvir tal coisa, Regina gargalhou alto, chamando atenção de quem passava por ali.

– Você é impossível. — Comentou ainda rindo.

– Quem é impossível e do que você está rindo? — A voz do filho perguntou do outro lado da linha.

– Emma. — Respondeu sorrindo. — Estou rindo das besteiras dela. — Contou sem tirar os olhos da amiga, que lhe mostrou a língua.

– E que besteira ela falou para fazer você rir assim? — Indagou curioso.

– Coisas da prisão, você não entenderia. — Regina odiava mentir, mas devido a situação, se viu na necessidade de fazer aquilo. — Então, como foi de viagem? — Tratou de mudar de assunto.

– Tranquilo, quase sem turbulência. — Contou.

– E seu pai? — Murmurou a pergunta, tirando os olhos de Emma.

– Ele só bebeu uma dose de whisky para relaxar. — Robin odiava viagens de avião, morria de medo de turbulências, e aquilo o fazia beber, o problema era que ele sempre exagerava na bebida e sempre saia trocando as pernas da aeronave. Como Regina não estava lá para cuidar do filho, estava preocupada com aquilo. Henry sabia que a mãe odiava quando o papai bebia além da conta, por isso, mesmo não gostando de mentir, acabou mentindo, para não contar que o pai estava bêbado, deitado na cama ao lado.

– Estão no hotel? — Indagou.

– Sim. Vamos descansar um pouco, antes de sairmos para jantar. — A verdade era que muito provavelmente, Henry teria que pedir o jantar no quarto, já que o pai não parecia ter condições de sair para um jantar. — Amanhã vamos até o hotel em que os Patriots estão hospedados, para tentar descolar autógrafos e fotos. — Contou empolgado, fazendo a mãe sorrir.

– Faça isso. Já que você trocou um domingo comigo por um jogo estúpido, tem que no mínimo conseguir essas coisas. Só por favor, seja educado. Não faça bagunça, não faça barulho, não grite, nem empurre, não desrespeite alguém. — Emma riu ao ouvir todas as recomendações da mãe Regina, já Henry rolou os olhos.

– Deixa comigo, mãe. Vou me comportar. — Prometeu. — Será que posso falar com a Emma? Por favor, não tenha crise de ciúmes. — Pediu, fazendo a mulher sorrir.

– Saudade do meu filho, sabe? — Se fez de vitima, então se voltou para Emma e lhe estendeu o telefone. — Ele quer falar com você. — Avisou, arrancando um sorriso da loira.

– E aí, garoto Netflix?! Já está concentrado? — A voz empolgada de Emma, fez o garoto sorrir.

– Estou. Ansioso para a final. — Confessou. — Não conta para a minha mãe, mas não estou nem conseguindo dormir direito a noite. — Emma gargalhou ao ouvir aquilo, deixando Regina curiosa.

– Eu diria para você tomar uma cerveja. — Ao ouvir aquilo, Regina estapeou o braço da loira sem noção. — Au! — Reclamou. — Mas como você não tem tamanho, nem idade para isso, aconselho um leite quente e muitas músicas do pink floyd. É infalível, garanto. — Henry riu ao imaginar a cara da mãe ao ouvir sobre a cerveja.

– Vou tentar, obrigado pela dica. — Agradeceu. — Amanhã vou até o hotel em que o time está hospedado. Qual seu jogador preferido? Vou tentar descolar alguns autógrafos.

– Meu jogador preferido é o melhor quarterback de todos os tempos é claro. Tom Brady. — Falou com orgulho.

– Como você é previsível, loira das tatuagens, mas tá, vou tentar conseguir um autógrafo da estrela suprema para você. — Emma riu com o deboche do garoto.

– Ah, se muito por um acaso, você ver a Katy Perry dando sopa por lá, por favor, pegue um autógrafo também. — Aquele pedido fez Regina rolar os olhos.

– Katy Perry, sério? Okay, você acaba de cair no meu conceito. — Emma riu ao ouvir aquilo.

– Katy Perry é vida, garoto! — Saiu em defesa da cantora.

– Pensei que você gostasse de rock. — Murmurou ainda incrédulo.

– Eu gosto. Mas todo mundo tem um fraco, e o meu é a Katy Perry. — Contou. — Se você se concentrar nela, tipo, no corpo dela, no requebrado, no rebolado, você também vai gostar. — De novo Regina estapeou Emma, a fazendo sorrir e piscar para a morena. Sibilou um "ciumenta", e ganhou outro tapa como resposta.

– Está querendo dizer que ela é gostosa? — Indagou um pouco envergonhado por estar falando de mulher com uma mulher que gostava de mulheres. Emma pensou em uma resposta que não a faria ganhar outro tapa.

– Positivo. — Voltou a sorrir para Regina.

– Certo. Vou olhar mais de perto. — Murmurou, fazendo a loira abrir um sorriso.

– Isso aí. Esse é meu garoto. — Sua voz não poderia ter saído mais orgulhosa.

– Não. Espera! Não. — O tom de voz do garoto tinha mudado e Emma percebeu que ele não estava falando mais com ela.

– Henry? — O chamou. Seu semblante endureceu ao deduzir que o garoto estava aparentemente brigando com o pai. — Henry? — O chamou de novo ao ouvi-los gritando.

– O que foi? — Regina questionou.

– Não sei. — Como não queria preocupar a morena, resolveu não contar o que estava ouvindo. — Acho que a ligação está cortando. — Deu a desculpa. — Henry? — Chamou mais uma vez.

– Robin! — Ouviu a voz grossa se apresentando. — Espera no outro quarto! — Gritou com o filho, fazendo o ouvido da loira zunir e o coração acelerar. Um estrondo que Emma deduziu ser o barulho de uma porta batendo, se fez audível. — Olá, Emma Swan! Como está minha mulher?

Notas finais
A conversa da Emma com o Robin vai dar briga, sim ou claro? A loira vai quebrar o maior pau quando perceber que o cara está bêbado. Eles vão trocar elogios lindos, e quem vai sofrer? Sim, nossa amiga Regina =D Então, quem quiser saber detalhes desse fight, deixe aqui sua review, que eu prometo voltar logo. Quanto as duas chegarem aos finalmentes, é o que a Emma disse, o que elas sentem é bonito demais para ser de qualquer jeito, então a gente espera mais um pouquinho, certo? Ahhh, eu fiz uma conta no twitter, ela é mais parada do que água de poço, mas quem quiser seguir e trocar uma ideia, that's me @YeahRegal Beijos e bom começo de semana!